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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Estamos quase lá!

Vá, velhadas!

Calma...

Saudações a todos os que nos veem!

Vamos festejar!

Sem língua, está bem?

Deixa-os em paz, meu!

Cuidado!

- Estás bem, rapaz? - Ajude-a.

- Chamem uma ambulância! - Por favor!

Chamem o 112!

Procurei em todo o lado.

- Isto não pode estar a acontecer. - Vá, Barny.

Acorda todos e procurem-no.

Procura-o, Cramp! Vá, meu.

Ele não tem a porra da chave. Alguém o levou.

- Quem o levaria, Marito? - Não sei, mas vai pagar.

Filho de mil putas.

- Que raio fazem aqui? - Ouve.

Avisa todos. O rapaz desapareceu.

- Que rapaz? - O do Pardo.

- Perdeste-o? - Tu perdeste o cabelo e eu o rapaz!

- Avisa-os ou o pai fode-nos! - Atenção, falta um recluso. Escutam?

Calma, Marito. Ele vai aparecer.

Borges. Vem cá.

É este?

Então, rapaz?

- Como estás? - Encontrei-o nos duches.

Estava a andar assim.

Meio a dormir, com os olhos fechados.

Como um sonâmbulo.

Foi uma sorte encontrá-lo eu ou teria sido violado.

Sonambulismo, idiota.

Tens razão, é um idiota.

Raios, Capece.

O teu colega é mesmo burro!

- Verifiquem tudo. - Não, para o outro lado!

- Concentra-te, gordo! - Estou a concentrar!

Vamos.

Isso. Concentra-te, mano.

- Que preguiçoso, gordo. - Preguiçoso? Não.

Olha só! Podias pegar numa caixa e ajudar-nos.

Querias água?

Sim.

Bebe.

Cretino...

Diz-me a verdade.

Não acredito no sonambulismo.

O que estavas a fazer nos duches?

Estava lá.

Como foste lá parar?

Quem te levou?

Ninguém.

Fui sozinho.

Só precisava de água.

Ele acha que somos idiotas.

Talvez não esteja acordado.

Ele não é sonâmbulo.

Está pedrado. Alguém lhe deu coca.

O meu material?

Mario, eu tinha material aqui.

Ele deve tê-lo levado.

Não o deixaste consumir na festa, certo?

Ele foi festejar sozinho.

Apetece-me dar-lhe uma sova.

Não podemos.

Eu sei.

Leva-o, antes que me esqueça disso.

Tira-o daqui.

Diz-lhe que ninguém nos fode.

Estás acordado?

- Máximo, olha. - Vejamos.

Boa, meu!

Passa-me o charro. Boa!

Apanha isto, Máximo!

Visitas.

O que foi, Ramos?

Os Borges estão a trepar pelas paredes.

- Com licença, rapazes. - Sim.

O que se passa?

Até agora, o rapaz não falou.

- Mas... - "Mas" o quê?

- Estás nervoso? - Quem?

- Estás nervoso. - Nada disso. Ouve.

O rapaz vai acabar por falar. Certo?

Não quero ser queimado.

Calma. Está tudo bem.

Porque tens tanta certeza?

O rapaz quer estar connosco.

Não vai falar. Não tenhas tanto medo do Borges e do Antín.

Acabaremos a mandar em San Onofre.

E vingaremos a traição quando o Sapo morreu.

- Dá uma passa, meu. - Não.

Cobardolas.

Olá, meninas.

Trouxe um amigo. Anda, Ranho!

Bem-vindo ao laboratório do Einstein.

Caraças.

Apresento-te o Tubo de Ensaio.

Mestre no fabrico de coca.

É um laboratório de metanfetaminas, certo?

Sim. E também cortamos cocaína.

Como sabias?

O lítio das pilhas cria um ácido usado nas metanfetaminas, certo?

Muito bem, rapaz.

Andaste numa boa escola, certo?

Andaste?

Sim.

Não te serve de nada aqui. Certo?

Se soubesses com o que ele corta a coca,

nunca a quererias consumir.

Apareceu nas notícias.

A minha mãe diz que ele é um feminicida que devia ser eletrocutado.

Cala a boca. Falamos disso depois.

Não é a melhor forma de resolver os problemas,

mas não vamos discutir isso aqui.

Ele é uma mais-valia para nós.

Vamos, Ranho!

Não vou renunciar.

Sou a primeira mulher à frente do sistema penitenciário

e levo isso a sério.

Acabam-se as garantias para os criminosos que não cumprem a pena até ao fim.

Entram por uma porta e saem pela outra.

Não hesitarei em afastar

quem tiver de ser afastado.

Irei processá-los com toda a força da lei!

Vais fazer-me engasgar, sua filha da puta rançosa.

- Com licença. - Espera que mande entrar!

Não batas e entras logo.

O Borges está aqui.

Ele está aí. Já sei.

E então?

- Bom dia, chefe. - Bom dia, o tanas!

Perdeste o rapaz, idiota!

Perdeste o Cristian?

Eu sei tudo.

Encontrámo-lo.

Podiam tê-lo ameaçado com uma faca.

E se lhe tivessem ido ao cu?

- Estás a exagerar, Antín. - O tanas!

O pai dele tem muita influência. Se ficar furioso, estamos fodidos!

E também tenho aquela cabra a pressionar-me, porra!

Ela é fodida?

Antes que ela me mande prender,

corto-te os tomates com um pedaço de vidro.

Só para saberes.

Molha lá o croissant e sai daqui!

Bom dia, chefe.

Que dia de merda.

Agora saberemos se o rapaz falou ou não.

Não me parece, César.

Acho bem, Pedrito.

Ou teremos de lutar. Percebido?

Perfeitamente.

Certo.

Cá vamos nós. Vejamos.

Finalmente, um sabor novo!

Estava farto de morango.

Este pequeno-almoço é uma porcaria.

Esperavas sushi?

Habitua-te.

Vais comer assim todos os dias.

Parceiro.

Não comas demasiado.

Vamos comer à vontade na nossa volta de hoje.

Que volta?

Uma cena que temos lá fora.

Lá fora? Podem sair?

- Posso ir convosco? - Mais baixo, idiota.

Queres que todos ouçam?

O que foi, meu?

Queres lutar?

Estou só a olhar para o teu cabelo. Está lindo hoje!

Tenho algo no cabelo?

Doutora,

este é o Ranho.

Há quem lhe chame Cristian.

- Certo. Obrigada. - Senta-te, Ranho.

Senta-te.

Mais alguma coisa?

O quê? Não.

Somos amigos. Andamos sempre juntos.

Algum problema?

Sim. São entrevistas privadas.

Então, não tem tempo para mim?

Tenho, mas noutro dia.

- Mas eu quero ficar aqui agora. - Robles!

- Por favor, leve-o. - Está bem, eu vou.

Porta-te bem, Ranho.

Até já.

- Não podes entrar! - Não me toques! Ele é meu amigo!

Espere. Tínhamos alguma sessão marcada?

Não. Mas estou mal. Preciso de uma consulta de urgência.

Não é assim que funciona.

Só um segundo. Está a coçar os tomates.

Tudo bem. Obrigado.

Como estás?

Bem.

Tens a certeza?

Os primeiros dias cá podem ser um pouco traumáticos.

Como pode saber?

Esteve presa?

Não.

Mas falo com os reclusos todos os dias.

Sei que a adaptação não é fácil.

Ainda menos para um miúdo como tu.

Na boa.

O meu pai falou com o diretor para me proteger.

Quem te vai proteger?

Ela apareceu no duche e começou a chupar-me.

Perguntei-lhe porque esteve tanto tempo desaparecida.

Ela não conseguiu responder,

não por ter a boca cheia,

mas porque se transformou num cão.

É interessante comparar a Mecha a uma cadela.

Eu disse "um cão".

- É surdo? - Com certeza.

Não lhe vi os tomates. Talvez fosse uma cadela.

Talvez fosse uma cadela.

Li a carta vezes sem conta e...

... algo não bate certo.

Não?

Quer que a leia?

Não é preciso. Já ma leu duas vezes.

- Eu lembro-me. - Posso lê-la mais uma vez.

Certo. Diz que algo não bate certo.

Não bate certo ou não quer que bata?

Talvez se recuse a aceitar

a necessidade de luto, não? - Que raio?

Que luto? Ninguém morreu.

Além disso, não quero acabar.

Quero encontrá-la, olhá-la nos olhos e perceber porque me deixou.

É algum crime?

Claro que não. Tudo bem.

Pareces estar a adaptar-te bastante bem a isto.

Tenho de o fazer.

Quando as coisas mudam, é melhor evoluir. É o que o meu pai diz.

De miúdo rico a recluso.

Sim. Algo do género.

Ainda assim, estás aqui por algo lamentável.

Essas coisas acontecem.

Como lidas com a morte dos teus amigos?

A culpa foi minha. É isso que quer ouvir?

- Não. - Pode anotar aí. Fui eu.

Quero ouvir o que tens a dizer.

Acho bem que te responsabilizes pelos teus atos.

E que pagues pelo que fizeste.

Mas terás de te perdoar.

E de seguir em frente.

Se quiseres, posso ajudar-te.

É a primeira pessoa que me quer ouvir.

O meu pai, os advogados e os outros dizem o que fazer ou dizer, mas...

... ninguém se importa com o que sinto.

Obrigado.

Os colombianos cumprem as promessas, Marito.

Já não tenho espaço para enfiar tanto tijolo.

Os esconderijos do Sapo são como uma loja!

Cala-te, querida. Vão ouvir-te.

- E o que te farão? - Ouve.

Ouve. Está bem guardado?

Os miúdos do bairro ficam com 100 gramas por cada quilo que levam.

São boa gente. O Osvaldo está a verificar tudo.

Certo. Já estou mais tranquilo.

Tens algo a dizer sobre o meu irmão?

Não. Nada.

Ainda bem que ele não gosta de água

ou pagavam-lhe para dragar o Amazonas.

Mario, lava a boca antes de falares da minha família!

- É uma pena ele... - Que tal?

O teu irmão está a enervar-me.

Que raio? Não devias estar com o rapaz?

Sim, mas ele está com a doutora.

- Tens de ir com ele, Diosito. - E fui.

Mas ela expulsou-me.

Passei pelo gabinete do psicólogo.

Devias estar com o rapaz

em vez de falares com o psicólogo sobre as nossas coisas, mano.

- E estive com ele. - Ajuda-me.

Vou matar este cabrão.

Contas ao psicólogo coisas sobre o negócio?

- Não. - Tem cuidado.

Não te esqueças, a roupa suja lava-se em casa.

Eu sei, Gladys. Não falo dessas coisas. Que te deu?

Falei sobre...

... a Mecha e isso.

Cá vamos nós outra vez.

- Cá vamos nós outra vez. - O quê?

Ela deixou-te há dois anos e ainda andas a chorar por ela!

Tens uma responsabilidade muito importante.

Por favor, Diosito. Não me fodas o juízo com isso.

Vai-te foder, Marito.

Vai para a puta que te pariu.

Badocha.

Matámo-la há dois anos e ele ainda está caidinho por ela.

Inacreditável.

Não sei se fizemos bem, Marito.

Ela mandou-nos para a prisão, lembras-te?

Eu sei, mas o teu irmão era louco por ela.

Ouve.

Posso trazer uma rapariga do bairro. Talvez isso ajude. Não sei.

- Uma puta? - Não, Mario. Uma boa mulher, como eu.

Não há ninguém como tu. Já não há.

Partiste o molde.

Contornamos a esquina.

Estacionamos aqui. Eu e o Diosito saímos do carro.

Tu ficas no carro a vigiar.

Vai correr tudo bem.

- É um bairro sossegado. - Até nós chegarmos.

- Prontos para logo? - Sim.

Estávamos a falar do plano com o Cramp.

Certo.

Devíamos festejar quando voltarmos.

Não me lixes, Colômbia. Qual uso?

- Esta. - O valete? Com licença.

Cá está o Ranho.

Obrigado.

Até o guarda lhe chama Ranho.

Dei-te uma excelente alcunha.

Sim, fizeste-me um belo favor.

Tive uma ideia.

Ranho.

Queres divertir-te connosco?

Onde?

De que estás a falar?

O Antín só nos deu três saídas.

Sim?

Então, o Cramp fica.

- Merda. Eu queria ir. - Cala a boca.

É a volta de que falaram?

Se é lá fora, alinho.

Cuidado, meu.

O Mario vai passar-se se souber que levámos o Ranho.

O Marito que se foda.

Eu tomo as decisões em relação ao rapaz.

Está bem. Então, alinho.

Prepara-te, meu. Vamos sair.

Vamos à discoteca?

Ainda melhor.

Malditos cretinos.

Pensavam que me tinham matado.

A mim, um mandachuva do caraças.

Os mandachuvas são imortais.

Sapo.

O que fazes aqui?

Eles...

Eles têm-me como...

... como...

... escravo.

Escravo?

Obrigam-me a lutar.

E apostam.

Filhos da puta.

Cabrões. Olha como te tratam.

Como um cão.

Não és nenhum cão. És uma pantera.

E as panteras caçam à noite.

Vá. O que te dissemos sobre olhares o chefe nos olhos?

Baixa os olhos. Vá!

Porque deixas esse sacana tratar-te assim?

- Levanta-te! - Levanta-te, campeão.

Levanta-te, vá.

Agora!

Seria tão fácil acabar com esses três.

Tão fácil...

Vá.

Vá.

Quanto ao magricela...

Pega na seringa e espeta-lha no cu.

Bem fundo...

- Já está? - Sim.

Tantos esteroides vão mirrar-te os tomates e não a conseguirás levantar.

E o traidor.

Pega num peso e esmaga-lhe o crânio.

Pinta as paredes com sangue e miolos.

Toma. Vá.

Come. Queres morrer à fome?

Toma.

Vem cá.

Parece que foi o cérebro que mirrou.

Vamos.

Muito bem, meu filho. Muito bem.

Paciência.

Encontraremos o momento perfeito.

Olá.

Ángel Machado Williams.

É o advogado nomeado pelo Lunati.

Ele nomeou-me para tratar da sua libertação e da do seu irmão.

Certo.

Um juiz não pode sujar as mãos com bandidecos como nós.

Considere-me um engenheiro com uma máquina bem oleada.

Conheço bem a justiça e sei o que fazer para ser libertado num ano.

Como assim?

Acha que eu não sei como as coisas funcionam?

Quem acha que sou?

Excelente.

Então, por favor,

assine estes papéis...

... e tenha 240 mil a postos para a semana.

Dólares, claro.

- Dou-lhe é 240 pontapés. - Desculpe?

O dinheiro é com o Pardo. O que se passa?

Sei que tem um acordo com Pardo, mas isto é diferente.

Tem de pagar para a semana ou entramos em férias judiciais

e o caso será adiado mais um ano.

Isso inclui os meus honorários.

Honorários. A sério?

Ainda bem que não tenho problemas monetários.

O meu problema é o tempo.

A minha máquina está oleada. Muito bem.

Em todo o país.

Mas não me pagam tão depressa como aos advogados.

E operações no estrangeiro? Transações imediatas.

Posso falar com alguns europeus que se interessariam pelo seu produto.

Sei que procuram grandes quantidades.

Nem pensar.

O meu fornecedor não estaria interessado.

Não, doutor. Somos peixe miúdo, sabe?

A Europa implicaria muita exposição. Não.

Pense nisso, Borges.

Sem dinheiro, não há liberdade.

Vai ser assim, já que cagas tijolos.

Esperas por nós aqui.

Não desligues o motor.

Eu e o James entramos, fazemos o que temos a fazer e voltamos.

- Ponto final. - Espera. Vão deixar-me aqui sozinho?

Alguém tem de ficar a vigiar caso os recos apareçam.

"Recos"? O que é isso?

A bófia. Os chuis.

Os polícias, suínos.

Toma...

A meia.

Voo Nove Cinco, a brilhar

Adoras a tua coca.

- Para de snifar. - Cala a boca, Colômbia!

Esperem. Não disseram que vínhamos para isto!

E se alguém entrar enquanto lá estão?

Porra!

Passem para cá as carteiras!

Quietos, filhos da puta!

O dinheiro ou a vida.

- Calma! - Depressa, cabrão!

Circule. Não pode estacionar aqui.

- Dá cá isso. - No chão, cabrões!

Cuidado, Dios!

Rápido!

Armado em herói?

Circula. Rapaz!

Não! Espera!

Rapaz! Circula, cabrão!

Por favor, não. Não faça isso.

Adeus, cabrões. Vamos!

Montes de merda.

A Polícia, Colômbia!

Gonorreia!

- Vá, Ranho! - Filho da puta!

- Cabrão. - Larilas!

Para!

O pomar está a crescer muito!

Vão pensar que somos vegetarianos.

Estamos no Halloween. Como os ianques, certo?

- Que raio fizeste, drogado de merda? - Calma. Está tudo bem!

O Cramp disse-me que levaste o rapaz!

O que tens na cabeça, um saco de coca?

- Maldito bufo. - Porque foste com este cretino?

Cretino és tu, Marito!

James, mostra-lhe o que trouxemos!

Não me fodas o juízo e vê!

Carteiras, bolsas,

dinheiro, telemóveis,

joias e que sabe-se lá mais o quê. Vê!

E o rapaz teve tomates, Mario!

Volta a tirá-lo de San Onofre e levas tantos pontapés

que morrerás de fome em pleno ar.

Não me tentes.

Eu posso fazê-lo, Diosito.

Ainda posso.

Pronto, já passou.

Está feito.

Erro meu.

Está esquecido. Nem uma palavra a ninguém.

Nem uma palavra ao teu velhote.

Ele não tem de saber.

Estiveste bem. Um pouco assustado.

Foi porreiro, certo?

Anda, Ranho. Lavamos o carro depois.

Deixa o Ranho, maricas.

Já escolheste alguém para o próximo combate?

Ainda não.

Estão muito verdes para lutar com o Pantera.

Se forem muito moles, ele mata-os em duas penadas.

Não sei. É um problema teu, Bruni.

Temos um acordo. Tens de cumprir.

Levanta os braços, Marcos.

Eles estão muito verdes.

Tens razão.

Não sei. Fá-los treinar o dobro.

Dá-lhes drogas.

Porque não lutas tu?

Estás louco. Reformei-me. Agora, uso a cabeça.

Ao contrário dos Borges, eu não quero ter tudo.

Tínhamos um acordo. Se um ganhar, ganham todos.

Se eles perderem, são os únicos a perder.

Exato.

Levanta-te, rapaz.

Levanta-te.

- Marcos, com calma. - O que posso fazer?

Ele é bom. Porque não o usas?

- O Marcos é meu sobrinho. - E então?

Sai em breve.

Estás a protegê-lo.

O sangue.

Não sei. Isso é contigo.

Resolve isso, Bruni.

És um pugilista de merda.

Volta ao laboratório, onde há dinheiro.

Marcos!

Até logo, Bruni!

Vá lá.

- O que te disse? - O quê?

Com calma.

- Ele também me estava a bater. - Com calma.

Está bem.

Bom dia.

Posso entrar?

Bom dia. Olá.

- Surpreendi-a? - Não.

- Quer que me vá embora? - Não, por favor.

- Em que posso ajudá-la? - Vou roubar-lhe cinco minutos.

Bem...

"Roubar" não é a palavra certa. Não lhe vou roubar nada, mas...

Aqui, essa palavra não significa nada, pois não?

Infelizmente, não.

Estive a ler os seus relatórios.

Os relatórios dos reclusos são confidenciais. O Antín não me disse.

Ele não lhe disse porque não sabe.

Tenho acesso a todos os ficheiros em San Onofre.

E ao seu ficheiro pessoal.

Sei o que o Garófalo disse antes de morrer.

Sei que denunciou uma colega e que ele a apoiou.

Parecia que tudo ia mudar em San Onofre.

Mas ficou tudo na mesma.

Quieta!

Emma...

Emma...

Sei que foi terrível para si.

Por isso, preciso que confie em mim.

Precisa de uma informadora.

Não sou uma informadora. Nunca o fui nem serei.

Não tente perceber aquilo por que passei.

Nunca perceberá.

Talvez tenha razão.

O meu dever é eliminar a corrupção dentro desta prisão.

Isto é uma guerra.

Há dois lados. Eu estou num lado.

Eles estão no outro.

A escolha é sua.

De que lado está?

Eu dei cabo daquele polícia!

Bastou uma pancada.

Salvei o colombiano e este tipo. A sério.

Cala a boca. Cala-te, porra!

- Cala-te! - Para.

Não fales sobre ontem, idiota!

Muito menos diante destes dois.

Vocês não ouviram nada.

Saiam. Ele tem uma consulta.

Ouve. És atrasado?

Maldito idiota.

Queres que eu tenha problemas com o Marito?

Cretino! É isso que queres?

Dou-te uma sova, seu idiota.

Deixo-te no pátio para te devorarem, cretino!

Era mesmo o que queria ver.

Os pombinhos em ação.

Queres ver-me a pila, Capece?

Calma, seu cretino oxigenado.

Vá, rapaz. Toma.

Veste-te. Tens uma visita.

Quem é?

Que te importa? Ele vai sozinho.

Não pode ir sozinho. Espera, Ranho!

Eu acompanho-o sempre.

Hoje não. Ordens do Antín.

Vá, pirralho. Mexe-te!

- Ordens do Antín. - Anda!

Para a próxima, desliga o duche!

Luna!

Olá.

Trouxe-te algo de que gostas.

Obrigado.

O teu pai sabe que estás aqui?

Nem pensar.

Se soubesse, matava-me.

Aquele tipo ajudou-me. Não há registo da visita.

Não quero arranjar problemas.

Está bem. Obrigado por teres vindo.

Foste a única a vir.

Os outros desistiram de mim.

A sério, obrigado.

Sabes que sempre te apoiarei.

E o teu pai também.

Ouvi o meu pai a falar ao telefone com o diretor.

Sim.

Eles ajudaram-me.

Tenho pessoas que me protegem aqui.

Prefiro não falar disso.

Há algum problema?

Magoaram-te ou isso?

Não.

Não percebo. Vieste visitar-me ou interrogar-me?

Nem imagino como deve ser estar aqui.

É melhor não imaginares.

Nunca passarás por algo assim.

Sim.

Estás diferente.

Como assim?

Não sei. Apenas diferente.

Agrada-me.

O rei sonha que é rei,

mas foi enganado.

Não gosto de ver os reclusos a brincar com o teatro

à custa do dinheiro dos contribuintes.

Por isso, temos de fazer o que proponho.

Repor a pena de morte na Argentina,

em vez de gastar dinheiro nestes malditos bandalhos.

- Está louco? Por favor! - Não, não estou.

- É a minha teoria. - Podia acontecer-lhe a si.

- A mim, não. - Sim...

Se as acusações contra si forem verdadeiras, sabe onde vai parar.

Ou talvez o pobre sonhe com a pobreza.

São todas calúnias, inveja, ciúmes.

Sabe que sim. Caso contrário, não me visitaria tanto.

- É incrível. - O quê?

Eu declarei-lhe guerra e quer seduzir-me?

Vale tudo no amor e na guerra.

A minha vida é um sonho.

E os sonhos são apenas sonhos.

Bravo!

Excelente!

Aprecie a vida. Ainda é jovem.

Dê-me uma hipótese.

- Nunca muda. - Felizmente.

Cuidado.

Tudo tem limites.

Cuidado.

De certeza que foi aquele larilas?

Sim, meu.

Vi-o com os meus próprios olhos. Não te disse?

Filho da mãe.

Filho da puta.

Vamos buscá-lo agora. Estão todos nas celas.

Ouve, meu.

Ao entrares, dizes "olá".

Olá.

Ainda estás chateado com aquilo de hoje?

Foi apenas disciplina. Estamos bem.

Sim, estamos bem.

Quem te visitou? A tua mãe? A tua tia?

Não, outra pessoa.

Quem?

Estamos só preocupados contigo.

Temos de saber quem te rodeia.

Foi uma amiga.

Uma miúda. Gira e franzina. Eu vi-a.

Fodeste-a na sala de visitas?

Deve ser a namorada ele.

É?

Não. É só uma amiga.

Uma amiga.

Ouve, Ranho.

Vou explicar-te como funciona.

As amigas não vêm visitar-nos.

Se ela veio, é porque te quer foder.

E vai voltar até estar farta. Garanto.

Depois, deixa de vir.

Infelizmente, é assim que funciona.

Vamos ou não?

- Barny. - Sim.

- Vamos lá. - Vamos.

- O Ranho vem connosco. - Aonde?

Verás.

Tens a certeza?

O Mario disse para não o levarmos.

Sim, mas também me disse para cuidar dele.

E é o que farei. Ele vem. Vamos.

Está bem. Vai ganhar calo.

Vamos a isto.

Vamos, Ranho!

Queres pertencer ao gangue?

Seu maldito ladrão!

Roubaste do laboratório, filho da puta!

Toma, Ranho. Merda 100 % colombiana.

Raios. O cabrão está a fugir.

Vamos fazê-lo pagar.

Aonde vais, monte de merda?

Obrigado, meu.

Vamos fechar, Borges.

Só um bocadinho. Toma, vai tomar um café.

Certo. Só um bocadinho.

O que é tão urgente, querido?

Vinha cá amanhã. Tenho andado muito ocupada.

O que se passa?

- O que foi? - Não há tempo a perder.

O advogado enviado pelo juiz veio cá.

Eles querem o dinheiro adiantado.

Azar. Quem acham que são?

- Ouve e cala-te. - Está bem.

É demasiado dinheiro.

Se não o tivermos a tempo, isto desaba tudo.

Qual é o plano?

Não sei. Chamei-te para me ajudares a pensar.

Não sei.

Não sei.

- Tinhas o pagamento do colombiano. - Não.

É muito perigoso. Nem penses.

Eles ficariam furiosos.

Tenho de arriscar. Não quero morrer aqui dentro.

Usar o dinheiro dos colombianos é muito arriscado. Certo, Mario?

Não sei o que fazer, juro.

Não sei.

Calma. Pensarás em algo.

Vá, querido. Acalma-te.

Se tens tanta pressa, não queres estar comigo?

Vá.

- Querida... - O que foi?

Chamei-te cá para pensar, não para foder.

Que desmancha-prazeres, Mario!

Não és o único a passar por isto.

Isto é um assunto sério e estás a evitá-lo.

- Inacreditável! - Não, Mario.

Vai-te lixar, Mario!

Arranja uma boa puta.

Uma boa puta que te ature aqui.

Estou fora. Adeus.

- Vou para casa. - Não entendes.

- Não me entendes. - O quê?

- O que não entendo? - Por favor, fica.

Fica.

Está bem. Eu fico.

Tenho uma discoteca aqui.

- Onde? - Aqui mesmo.

- A música é ótima. - A sério, conga?

Essa cabeça...

Essa cabeça...

Filho da puta!

Cara de gonorreia.

Sai, Ranho.

Aonde pensas que vais?

Agarra-o, idiota.

Aonde vais, seu bandalho?

Maldito assassino.

- Vamos, Ranho. - Para!

- Vá. Fá-lo. - Bate-lhe, meu!

- Maldito cretino! - É a tua vez, Ranho!

Não é assim, Ranho!

É assim!

Sim, papá!

Papá!

- Sim. - Mais, papá!

Toma!

Bate-lhe, Ranho.

Dá-lhe um soco.

Vá. Dá-lhe, Ranho.

Bate-lhe, idiota. Vá.

Bate-lhe, meu.

Isto é tão bom!

- Puta! - Sim!

- Sua puta! - Fode-me mais!

Sim, querido!

Ajuda-me...

Chega, Ranho! Vem cá.

A melhor parte está a chegar.

Vem cá.

Cá vamos nós.

Agora sabes como é, cretino!

Vê isto, Ranho!

James, liga isto.

Não se rouba aos Borges. Ouviste?

Ouviste, maricas?

- Vamos desfazê-lo. - Ladrão!

Está quieto, filho da puta!

Vá, Ranho!

Vais sair daqui sem alguns dedos!

Vira-o, Ranho!

Quieto, maricas!

Segura-o, Ranho!

Verás!

Não se rouba aos Borges! Percebes?

Cabrão.

- Corta-lhe os dedos! - Não!

- Corta! - Por favor, não quero!

- Vá! - Não!

- Vá, maricas! - Não quero!

- Corta-o! - Não quero!

- Corta-o! - Não consigo!

Não quero fazer isso.

Porra!

- Por favor! - Isto não te vai salvar, cabrão!

James, corta tu.

Sai daqui. Estás a fazer-nos perder tempo.

Não te mexas, cabrão!

Segura-o!

Ele vai sair daqui com uma mão incompleta.

Verás como te mordem. Corta-lhe os dedos!

Corta-lhos.

Vá!

Parem!

Olha para os dedos!

Corta, Colômbia!

O MARGINAL É UMA SÉRIE FICTÍCIA.

QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS, PERSONAGENS, NOMES

E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.

Legendas: Lígia Teixeira

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