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UMA SÉRIE NETFLIX
DETENÇÃO DO FUGITIVO MIGUEL PALACIOS
CENTRO DE REABILITAÇÃO E TRATAMENTO DE VÍCIOS
Acendemo-lo?
Sim. O trabalho está feito.
Isto é bom.
Colombiana?
- Que haveria de ser? - Estirpe Punto Rojo!
Dá-me uma passa.
Põe isso ali, imbecil! As coisas secas não!
Pronto.
Eu disse-te que era forte.
Bate forte quando tosses.
Às vezes, matamos a cabeça a pensar num negócio
e, depois, uns rufias de merda estragam tudo.
Filhos da puta!
- As coisas acontecem. - Sim.
O meu pai quer a cozinha pronta rapidamente.
A sério? Bom…
O Don Coco está com pressa?
Coitado. O que posso fazer? Também estou com pressa.
Mas temos de repensar tudo. Paciência, como diz Ele lá em cima.
Esse aí não paga as contas.
Ele não, mas eu pago. Por isso, não me fodas a cabeça.
Certo.
Ingrato de merda.
Escuta!
Passo a vida a resolver a merda que fazes. Devia dar-te uma sova.
Sabes quanto isto me vai custar?
Não. Como haveria de saber? Nunca me contas nada.
Porque não tens nada nessa cabeça.
Não posso contar contigo para nada. Tu devias garantir que ninguém entrava.
Enquanto nós estávamos na cerimónia.
Tu!
Qual é o teu problema? Andas a discutir com ele de novo?
O que se passou?
Viste a pintura lá dentro?
- A Virgem. O que tem? - Que Virgem? É um anjo, idiota.
O mesmo anjo que vi no caderno.
- Tens a certeza? - Sim.
Marito, vou dizer-te uma coisa.
Quero que prestes muita atenção ao que te vou dizer.
Não me fodas a cabeça.
Vê bem o caderno. Há qualquer coisa lá.
Está bem, vou vê-lo. Certo.
Não roubes nada, ladrão!
Eu conheço-te!
Vamos comprar vinho.
Eu compro o vinho, mas não te embebedes como sempre.
Foca-te. Tens de cuidar do filho da Brenda.
Eu é que sou responsável?
Foi este gajo que a engravidou.
Trata tu disso.
Queres levar, imbecil?
Vai-te embora!
Tem cuidado com a máfia!
Filho da puta!
Queres mesmo lutar?
Não!
- Vá lá. - Vamos.
Despacha-te!
- O último a chegar tem de… - Vai-te foder, bufo!
Explica-me outra vez o que se passou na lavandaria.
Não se passou nada. Houve um contratempo.
Já foi resolvido, está tudo controlado. Não se repetirá.
É uma pena não conseguires ler isto.
"Um agradecimento pelos seus anos de serviço."
É um orgulho receber um prémio destes.
Eu nunca recebi um prémio.
Tens de o merecer.
Conheces a história de Caim e Abel?
Um irmão matou o outro.
Exatamente.
Ele não esteve à altura
e Deus castigou-o com uma marca na testa.
Para que todos soubessem
que não se brinca com ele.
Deus está zangado comigo.
Não digas isso.
Sim, está a testar-me.
Está sempre a testar-me.
Tenho de lidar com pessoas más
ou inúteis.
Pai?
Eu descaí-me.
A culpa foi minha.
Estava a falar com uns tipos
e fiz uma piada.
Acho que, sem querer, lhes disse onde a cocaína estava.
Estás a gozar?
Estás a gozar?
- Não, Coco, por favor! - Sai daqui!
Vão chamar os outros.
Temos trabalho a fazer.
Então? Encontraste algo?
Podes ajudar-me com estes livros?
Escuta.
No outro dia, o Galván
contou-me que, aqui, há algum tempo,
antes de construírem a prisão,
havia uma ponte sobre o ribeiro que passa por baixo de nós.
Era feita de ferro, madeira… Estás a ver?
E tinha um mecanismo que permitia os barcos e os navios passar por baixo.
Poupa-me aos detalhes.
Espera!
Deixaram de usar a ponte.
Substituíram-na por uma ponte mais moderna que é perto daqui.
Quando construíram a ponte nova,
destruíram a ponte antiga e construíram a prisão por cima.
Mas não mexeram nos alicerces.
É isso que diz no caderno.
Os alicerces continuam intactos.
Não entendo.
Foi isso que ele escreveu?
No caderno, o tipo escreveu
que o anjo está ao lado de uma saída de ar que vai dar ao subsolo.
E, no subsolo, há um acesso para o cano de esgoto.
Um acesso para o ribeiro?
Sim.
E o ribeiro vai dar à superfície.
É uma saída, meu!
Vá lá, não fiques empolgado.
Uma saída de onde?
Da prisão?
O tipo fugiu?
Não sei, não diz.
Se quiseres,
posso tentar averiguar, perguntar por aí.
O meu pai quer falar contigo.
- O que se passa? - Ele explica-te.
Aqui está o livro.
Sim.
Muito bem.
Podes reservá-lo para mim?
- Claro. - Obrigado. Vamos.
Ler só faz bem.
Eu cobro horas extra, aviso já.
Vais receber mais dois rebuçados.
Até o rabo me dói.
Da noite de ontem.
Tem um minuto, Mario?
Sim. O que se passa?
Eu sei que tem muitos problemas,
por isso, vou direto ao assunto: preciso do meu dinheiro.
Tenho de o mandar para a minha família.
Mataram o meu irmão.
Não!
O quê? Senta-te aqui.
Senta-te.
Como mataram o teu irmão?
As minhas condolências para ti, para o teu irmão e para a tua família.
Não se preocupe, Mario.
Agora, só preciso do meu dinheiro.
Se não lhes enviar o dinheiro, vão dar cabo da minha mãe.
É tudo tão complicado. Puta que pariu!
Depois do que aconteceu na lavandaria e depois de roubarem a minha mulher…
Estamos com problemas de liquidez.
Liquidez?
Pensei que estava a falar com o Mario Borges,
e não com um caixeiro do banco.
Não está a perceber.
Isto é sério.
Já te disse que roubaram a minha mulher. Bateram-lhe!
Não foi uma brincadeira.
Mas, não sei, deixa-me ver o que posso fazer com os números.
Arranjaremos algo.
Mas nós funcionamos como uma sociedade, certo, James?
Partilhamos os lucros e as perdas.
Ou este problema é só meu?
Então?
Quanto me vai custar a asneira do Diosito?
Ele está um idiota devido à cocaína que lhe dás.
Percebes?
Não.
Eu não sou babysitter de ninguém.
Eu sei.
Eu sei.
Vamos ajudar a tua família. Não tenhas dúvidas.
Se este trabalho correr bem, terás todo o teu dinheiro, tudinho.
Só te peço que me ajudes com o Diosito para isto correr bem.
Não te peço mais nada.
Como está a Gladys, Mario?
Está bem.
Ela é uma lutadora.
Tenho pena do idiota que se meteu com ela. Ela vai cortar-lhe a pila.
Então, vou receber?
- Da última vez, faltava dinheiro. - Não me ouviste?
Barny!
As vacas estão magras! Estamos a fazer isto para engordarem.
Não me fodas! Tu também? Por favor!
Alimenta a vaca com polenta.
Está bem, vou dar-lhe polenta. Baza.
Não me fodas a cabeça!
Borges!
Vem comigo. O Coco quer falar contigo.
Imbecil de merda.
Filho da puta!
Não acredito nestas redes sociais.
O que se passa?
Só se vê rabos, cada um melhor do que o outro.
Isto faz-nos mal.
Mas faço Like em tudo na mesma.
Olá!
Há algum problema?
Nada disso! Senta-te, amigo.
Tenho de te apresentar ou…
Vamos diretos ao assunto.
O Pastor vai distribuir as drogas que trazes para aqui.
Estás a gozar? Não entendo.
O que não entendes?
Desculpa, Coco, digo isto com todo o respeito.
Não ponho a mão no fogo por ele. Isto é um erro. Ele vai arruinar-te.
Eu não consulto ninguém quando tomo decisões. Entendido?
Ele vai distribuir as drogas que trazes para Puente Viejo.
Assunto encerrado.
Miúdo!
Temos de resolver as coisas. Organizá-las.
Diz-lhe.
Os miúdos passaram das marcas.
- Foram os tipos dos Sub-21. - Não, não foi o César.
Aqui tens. Está armado em advogado dos amigos dele.
- Vai arruinar-te. - Eu não tenho amigos aqui.
Se ninguém proteger o negócio, qualquer um pode entrar.
Asseguro-te de que isto não se repetirá.
Confio em ti.
Muito bem. Assunto encerrado.
- Julián, vives com a tua família? - O que te importa?
Pergunto-te porque me importa. Há quanto tempo não vais a casa?
Não tenho casa.
Mas tens uma família. Tens irmãos, certo?
- Um amigo próximo? - Não sei.
Não tenho família. Deixei-a há algum tempo.
Há alguém próximo que podemos contactar…
Não me fodas a cabeça.
Olá. Isto já está. Podes arquivar.
- Obrigada. - Olá.
Como está a correr?
- Já o viste? - Sim. É uma situação delicada.
Preciso de mais tempo para localizar a família dele.
Podemos atrasar a transferência?
Ele é um reincidente.
Ele tem pais, mas é melhor ficar longe deles.
Ele está zangado e assustado. Não é violento.
Lamento. É o reformatório ou as ruas. E ele não pode voltar para as ruas.
O reformatório é o pior de todos.
Mas é o único com espaço disponível.
Ele esteve em abrigos para jovens e escapou. Não há outra opção.
Espera um segundo.
- Estou? - Emma.
O que se passou?
- Peço-te dois dias. - Adeus.
Ligaram da escola. O Lucas bateu a um colega.
- Podes ir buscá-lo? - Claro. A Mica está bem?
Sim, está a dormir.
Vou já para lá.
Não! Pensei que o dia de hoje não podia piorar.
É assim que tratas os amigos?
Se me vieste chatear, aviso-te já que estou fodido.
Vim visitar-te, idiota!
Queria trazer-te bombons, mas a loja estava fechada.
Podes trazer-me um bife, porque aqui a comida não presta.
Porque estás de mau humor?
Estás com falta de sexo? O teu travesti já não te excita?
Vai-te foder!
Vai-te foder tu! O que aconteceu ao aspirador?
Tiraste-o, arranjaste-o, usaste-o? Ou continuas na brincadeira?
Estou a tratar disso. Não é fácil, Antín.
Andam atrás de mim. É sério.
Eu sei. Não é fácil tirar o Galván daqui.
Sê paciente. Como se cozinham os animais grandes?
Em lume brando.
Arregace a manga para lhe medir a tensão, Borges.
Também pode medir a minha?
Quando a vi a entrar, subiu muito.
Ou isto é assédio?
O que acha?
Bom, tenho a tensão alta.
- Não são permitidas visitas aqui. - Já vou.
Trata do aspirador. Caso contrário, virei com uma escavadora.
Baza daqui, Antín.
Ponha aqui o braço.
Olá. Espera aí. Atendo-te quando acabar.
Não.
Atende-o primeiro ou vou sentir-me pior.
O que se passa, cabrão?
- Baza, miúda. - Não! Aqui não!
Aqui não! Fora daqui!
Safaste-te em San Onofre, cabrão.
- Aqui não te safarás! - Vais pagar por tudo, filho da puta!
Vou matar-te!
Não me digas!
- Vá lá! - Luta!
- Filho da puta! - Guardas!
O que se passa?
Vai-te foder!
O que se passa?
Nada. Fui eu.
Estava a tentar trabalhar. Está tudo bem.
Pronto.
Sei que o queres magoar, Borges, mas não te metas em sarilhos.
Estes imbecis não valem a pena.
Vai-te embora.
Leva-o.
Vai limpar-te. Dá para cheirar que te cagaste, coninhas.
Eu exagerei.
Não se passou nada.
Estás bem?
Sim.
Estou a falar contigo. Podes responder?
Não és minha mãe para me repreender.
Pois não, mas sou responsável por ti.
Para o quarto. E ficas sem telemóvel durante uma semana.
Não quero saber!
Olá!
Não tens noção de como ele me fala!
Deu dois murros a um colega.
- Acalma-te. - Estou a fazer algo mal.
Falei com a professora que os separou.
E então?
O rapaz disse ao Lucas que o pai dele era um bófia de merda
que está a apodrecer na prisão.
O quê?
- Vai falar com ele. - Sim.
Se vieste pedir desculpa pelo outro dia, não é preciso.
Não tive culpa. O idiota do meu sogro é que se mete em tudo. Eu estava calmo.
Não é essa a questão.
Porque não passas tempo com a tua filha? Ela é linda.
É mesmo, não é, padre?
É a menina dos meus olhos.
E a minha mulher também.
Coitadinha.
- Ela fará o que puder. - Sabe uma coisa, padre?
Quando um cônjuge está preso, as coisas mudam.
Há algo que se perde.
A família mantém-se sempre unida.
A questão é que, às vezes, tenho muito medo, padre.
Muito medo.
De quê?
De ser diferente.
Às vezes, sinto que estou a representar,
como se tudo fosse mentira.
De que estás a falar, filho?
Não entendo.
Perdoe-me, padre.
Sinto-me mal.
Com licença.
- Com licença, Adolfito. - Com licença?
- Achas que isto é um shopping? - Não, mas, escuta, meu.
Devia ir naquela fila, mas estava a cagar.
Estavas a cagar? Fizeste merda.
Vá lá, Adolfito! Não te armes em bófia.
Vá lá. Tu tens um bom coração.
- Apesar do corte de cabelo. - Não me chateeis.
- Passa e cala-te. - Obrigado, Adolfito!
Olha, um pombo.
Aperta os cordões.
És um imbecil, Miguel.
- O que fazes aqui? - O que faço aqui? Eu ouvi tudo.
O Marito contou-me. E eu vi-te a falar com aqueles idiotas.
Não me vais dizer nada?
Não? Não vais admitir
que me tiraste da lavandaria para eles darem cabo de tudo?
Agora, finges que és aliado do Coco.
Fazes-te de desentendido.
- Não te preocupes, não vai resultar. - Ouve, idiota.
Eu não te procurei. Tu é que me procuraste. Lembras-te?
Sabes que mais? Não acredito em nada.
Pensa o que quiseres.
Está bem. Então, o que fazemos?
Como assim?
Para resolver isto.
Não vamos resolver nada.
Se tiveres um problema comigo, falamos noutra altura.
Se quiseres, podemos lutar.
Mas, agora, tenho trabalho.
Que trabalho?
Isto?
Qual é o trabalho?
Trabalha aí.
Que nojo, meu!
Porra!
Porque é que te segui? Foda-se!
Acontece-me sempre isto.
Merda!
Rapazes, sirvam-se!
- Vá lá! - Sim!
Vamos lá, meu!
Isso mesmo!
- Vamos? - Sim.
Vamos lá!
E então? Vá lá!
Quase! Força, meu!
Vá lá!
Chuta!
- Esse foi limpo! - Continua.
Vamos!
Desapareçam!
Vamos!
O gangue dos imundos!
As meninas estão a jogar? As crianças estão a divertir-se?
Está na hora do lanche!
Que diversão!
Queres lutar?
É este o lindinho que procuramos?
Queres levar?
Vá lá, idiota!
Falhaste.
Mata-o!
- Vem cá! - Toma lá!
Aproxima-te, idiota!
Bufo de merda! Filho da puta!
Agarra aquele imbecil!
- Para, meu! - Quieto!
Toma lá, cabrão!
O que queres, coninhas?
Coco!
Vamos!
Vão conhecer o vosso Criador!
- Levanta o cabrão! - Vá lá!
Vá lá, negro de merda!
Para, meu!
Vamos lá, negro de merda!
Vamos!
Mexe-te, filho da puta!
Toma lá!
Levanta-o.
- Traz a cadeira. Ele está a sofrer! - Levanta-o.
Foda-se!
O que caralho se passou?
Deram-nos uma coça. Levaram o César e o Arnold.
- O Coco? - Não sei. A família toda.
Não acredito nisto. Há quanto tempo estamos presos?
Não aprendemos nada?
Para que estamos presos? Ainda não sabem que roubar é mau?
Estão a ouvir?
O problema não é contigo.
É com estes cabrões.
Não estás a perceber.
Se tens um problema com alguém aqui,
tens um problema comigo.
Porque tudo o que está aqui é meu.
Ele é meu. Tu és meu.
Tu também.
Tudo isto…
… é meu.
Ajudem-me, por favor.
Não disse que podias falar.
Cala-te.
- Falhei? - Sim.
- Como? - Foi por um triz.
Não tenhas pressa. Aparece quando te apetecer.
Eu trato de tudo.
Para, Coco! O que estás a fazer?
Solta-o.
Estás comovido com o sofrimento dele?
Não vale a pena. Eles já perceberam a mensagem.
Eu disse-te.
Ele está a defendê-los.
Eu não quero saber deles. Queres que o mate?
Tudo bem, eu acabo com ele.
Não será a primeira vez que mato escumalha. Mato-o?
Eu mato-o.
Mas estarás a criar mais problemas. Eles perceberam a mensagem.
Mais dois cadáveres e o Galván acaba com o teu negócio.
Está bem, leva-os. Fica com eles. Faz o que quiseres.
- Vamos. - Vamos.
Roubar é pecado.
Isto é ridículo. Vamos.
Vamos.
Aguenta-te.
Docinho, está tudo mal
Docinho, traíste-me
No início, não queria
E, agora, não quero mais nada
Entraste nas minhas veias
Seu doce bom
Docinho, por favor
Não me peças mais
Saiam. Fora daqui.
- Magrito. - Desaparece, merdas.
Olha lá, tatuador. Deixa esse rabo.
Fora daqui. Desaparece, estúpida. Já!
Vejam que bela festa!
Para!
Vocês os quatro, fora daqui.
Saiam!
Aonde vais?
Aonde vais?
Senta-te!
Lembras-te de mim?
Onde está a guita?
- Não sei. - Rebento-te os tomates.
Onde está?
- Onde? - Na máquina de lavar a roupa!
Magrito! Na máquina de lavar a roupa.
Vira-te!
- Não. Desculpa! - Vira-te!
- Vira-te já. - Desculpa!
"Desculpa"?
- Perdoa-me! - Porque me pedes perdão?
- Perdoa-me, por favor. - Porquê? Diz-me.
Porquê?
Diz-me a verdade.
- Quando foi a tua última vez? - Sai!
Gostas?
- Que rabinho giro! - Não!
Cuecas cor-de-rosa!
O que estás a fazer?
Não!
- Que adorável! - Larga-me!
Não!
Adoro maricas! E tu?
Toma lá!
Vai-te embora.
- Vais continuar a pedir perdão? - Para!
Gostas? Claro que gostas!
Olha para mim.
- Não! - Olha para mim.
Estás a ver-me, filho da puta!
Vamos embora.
Vamos, Gladys.
Vamos!
Calma. Tenta descansar.
Com licença. Posso?
Cinco minutos.
Como está ele?
Se não fosses tu, estaria morto.
Obrigado.
Isto não se pode repetir.
Eles estão descontrolados. Andam sempre ganzados.
Eu sei.
Eu avisei-os, mas não me ligaram.
Rapazes.
Tens de controlar o teu território.
Não és qualquer um.
Eles precisam de ser conduzidos, de alguém com cabeça.
Ou vão andar sempre ganzados.
Obrigado.
Deve haver um espaço na parede entre aqui e aqui.
Se entrarmos, temos de nos orientar.
O verde é o terreno. O laranja é a população.
- E isto… - Palacios.
Vem comigo.
- É a minha hora de estudo. - A tua miúda veio ver-te.
É impossível. Ela não me disse.
Não quero saber. Vamos.
Obrigado. Depois continuamos.
Bom, estava delicioso.
Fantástico.
Podes dizer-me que cara é essa?
O que se passa?
Apanhámos os sacanas.
Apanharam-nos e só me dizes isso agora?
Vou matar-te.
Estivemos com conversa fiada e dizes-me isso agora?
Filha da puta!
Divertiste-te com eles?
És tão cabra!
Agora, o mais importante.
- O quê? - O dinheiro?
O dinheiro tem-no a mamã.
Essas cinco palavras puseram-me duro.
Traz-me mais notícias dessas, amor!
Sua cabra! Excitas-me tanto.
- Adeus, amor. - Adeus, querido.
O que fazes aqui, Silvia?
Olá, Miguel.
Pensei que tinhas morrido.
Sim.
Mas não morri.
Eu sei que me fui embora.
- Que desapareci. - Há oito anos.
Sim.
O que queres agora?
Estou limpa, sabias?
Estou muito melhor.
E quero a minha vida de volta.
Não tenho nada que ver com a tua vida.
Sim, mas preciso da tua ajuda.
Para quê?
Quero recuperar o Lucas.
Andas muito solicitado.
Então? Vamos fazer isto ou não?
O que foi?
Arrombar a parede da lavandaria?
Não me parece.
Porquê?
Teria de ser de noite. Os guardas estariam a fazer as rondas.
Não te preocupes.
Eu tenho um plano.
Eles seguem um horário.
É simples.
- De certeza? - É fácil.
E como arrombamos a parede?
Com as mãos?
Não.
Precisamos de ferramentas.
Não disseste que o Galván está a fazer remodelações?
Sim, é verdade.
Eu vou ver. Não te preocupes. Eu trato disso.
Vamos fazê-lo? Vamos a isso!
Vamos a isso!
Acalma-te.
Vai para a cama.
"Livra-te de todos os teus medos.
Põe um fim à tua cobardice."
Vai buscar o rapaz.
"Chegamos ao lugar onde te disse que verias pessoas angustiadas."
Imbecil.
"Pessoas que perderam a inteligência.
Que não esperam morrer.
E são tão cegos
que têm inveja de qualquer outro destino.
O mundo não se lembra deles.
A misericórdia e a justiça desdenham-nos.
'Abandona toda a esperança.'
É isso que querem que façamos.
Porque sabem que a esperança é uma arma poderosa.
A nossa única arma aqui dentro.
A única coisa que não nos tiram quando nos revistam.
Nem todos conseguem ver essa luz.
Alguns têm de a inventar.
Outros…
… arriscam a vida para deixar…
… nem que seja por um bocado…
… esta escuridão."
Legendas: Ruben Oliveira
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