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Original subtitles

UMA SÉRIE NETFLIX

Olá, amor.

Bom dia!

É hora de levantar.

Vamos tomar banho?

Sim?

Está tudo bem, meu?

Entra lá e liga a água!

Tem um bom dia, amor.

Ela é mesmo uma beldade!

Vamos. Estamos atrasados.

Vá lá!

Não pares aqui, meu!

Não pares. Vão pedir-te dinheiro e arruinar-te!

Não, não pares! Ele vai pedir-te uma gratificação!

Carta de condução e livrete, por favor.

Dê-me lume, agente.

Juan Pablo Borges?

Podes vir. Vá lá.

Um pouco mais. Para.

- Tudo bem? - Gladys.

- Tudo bem? - Como estás?

Tudo bem, Guevara? Há quanto tempo.

Vamos lá.

Está bom!

Tudo bem?

Vamos lá.

Dá cá.

Um.

Vamos lá.

Cinco.

Oito. Faltam dois.

Ótimo.

- Dez. - Está tudo?

- Adeus. - Tenham um bom dia.

- Adeus. - Até logo.

Sucesso!

Por um triz

Uma paixão de um dia

Por aquela mulher provocadora e risonha

Que me jura, sorrindo O amor, mentindo

E numa fogueira Ela queimou o meu desejo

Por um triz

Todas as loucuras

Um beijo da boca dela Cura a tristeza

E acalma a amargura

Por…

Por favor, continua. Cantas muito bem.

Não nos prives desta maravilha.

Por um triz

Se ela se esquecer de mim

O que me importa perder A vida mil vezes?

De que serve viver?

É uma bela interpretação.

E é um belo tango!

Ouvi o El Mudo a cantá-lo.

O imortal Carlos Gardel.

Mandem este miúdo ao meu escritório.

Tenho uma tarefa para ti.

Podes voltar ao trabalho.

Está bem.

Sabes que me costumo meter contigo.

Mas agora tenho pena de ti.

- Porquê? - O diretor é louco.

Fica longe dele. Se não lhe deres o cu, ele dá cabo de ti.

É um filho da puta.

Sabes como lhe chamam?

Capitão Mengueite.

Como o professor nazi. Sabes quem é?

O capitão Mengele?

Qual Mengele?

Mengueite. Enche-te o cu de leite.

- Levo este? - O que achas, Claudita?

Está bem! O que se passa contigo? Céus!

- Leva-o. - Sim, está bem.

Olha o que tenho aqui.

Toma.

Isso mesmo!

Bom trabalho.

Muito bem.

És muito trabalhador.

Boa, Panchito.

Não te passaram a t-shirt a ferro?

Filho da puta!

Ninguém rouba aos Borges. Entendido?

Entendido? Idiota!

Não te drogas mais.

Queres snifar cocaína, puto?

Palhaço.

Tudo bem?

Tens o livro do outro dia?

Sim.

- Obrigado. - É todo teu.

Não preferes dormir uma sesta?

Sim.

Podes ajudar-me, Lábia?

Sim, mas quero ir-me embora em breve.

"A meio da minha vida, eu também caí nesta escuridão.

Todos os pecados estão neste lugar, mas não estão todos os pecadores.

Apenas os pequenos.

Não há liberdade sem poder.

Os grandes pecadores safam-se sempre.

Pelo menos, nesta vida.

Procura o anjo

que te guiará pelas águas subterrâneas do Inferno até à liberdade.

Espera aí.

Aquilo foi fixe, meu. A ressaca a seguir também foi brutal.

Mas foi uma moca espetacular!

Qual é a tua?

Porque estás aqui? Baza!

Ele fez alguma coisa, Juan Pablo?

Não. Está tudo bem, Colômbia.

Estava a esclarecer algo com o bófia. Está tudo bem.

Quando nos encontramos?

Vai-te foder! Não nos encontramos em lado nenhum.

Tens razão. Até logo.

E isso que não se repita! Estarei à tua espera.

De ti e seja de quem for.

Vamos, Colômbia.

Sim.

Devagarinho.

Vamos lá!

Já chega. Não sabes parar?

És mesmo idiota.

Pai.

Boa noite.

- Aqui está. - Quanto?

Quatro quilos.

De qualidade. É da melhor, prova.

Vais querer erguer um monumento em minha honra.

E então?

Prova.

Espetacular!

Exatamente.

Eu é que sou espetacular.

Tem lá calminha.

Ainda há muito trabalho para fazer.

Como a passaste pelos guardas?

- Com magia. - Magia?

Magia.

Eu e os rapazes trabalhamos bem. Somos bons. Sabemos escondê-la.

Mas se o Galván descobrir,

sou eu que estou fodido.

Os meus homens vão com vocês. Por precaução. A segurança não é demais.

Entendido?

Sim.

Senhor, afasta esta tentação. Sou um homem de fé.

Um homem de vontade e de fé que não tem limites.

Ámen.

Mas que raio, cabrão? Estás a snifar sozinho?

Achas que é grátis?

Esta merda é forte!

Se queres snifar, paga.

É de qualidade.

És chique? Isso não é de qualidade.

Deixa-me provar.

Dei cabo do meu nariz.

É excelente.

Dá cá isso.

Chega-te para aí.

- É dos Borges. - Impossível.

Prova.

- É dos Borges, sem dúvida. - O que te disse?

Os cabrões já se instalaram.

Se já se instalaram,

eu e tu estamos fodidos.

O que fazemos?

Nada.

- Nada? - Nada.

De certeza que é deles?

Sim.

Porque não averiguam como fazem isto?

Deste-me umas cartas de merda, Dios. Só podes estar a gozar.

Eu tenho quatro cartas. Vou tirar uma.

Mas que merda? Fazes sempre isto!

Estavam coladas. Tirei duas sem querer.

- Batoteiro. - Foi sem querer!

Preciso que prestem atenção.

Estive a fazer contas e o negócio está a começar a correr bem.

Com um pouco de paciência, poderemos ficar tranquilos.

Sabes o que acho? Não vamos ficar tranquilos.

Trabalhamos como cães e continuamos nesta espelunca.

És muito picuinhas.

Temos de trabalhar arduamente e evitar problemas durante um bocado.

Por favor, Diosito. Vá lá!

Marito, tens razão.

Quando tens razão, tens razão. Temos de trabalhar para ter sucesso.

E, por experiência própria, quando quero, consigo as coisas.

- Sim. - Sim.

Dá-me um cigarro.

- Queres um charro? - Não, deixam-me idiota.

Ainda bem que está tudo bem. Conversar é importante para todos.

- Sem dúvida. - A sério, James.

Fica tranquilo. Eu trato de tudo. Vai correr bem.

- Sim. - Sim.

Sim, Diosito. Claro.

- Tu consegues. - Estão a falar a sério?

Lito.

Grandalhão.

Confia em mim!

Olha quem é!

- Caspa. - O que estão a fumar?

Príncipe! Vem cá.

- Vem cá. - Eu volto já.

- Bebe um copo connosco. - Tudo bem?

Tudo bem, meu?

Sim.

- É bom. - Fui eu que fiz.

Com as pernas.

Que visual é esse?

Vais a uma festa?

O quê? É o batizado da minha sobrinha.

Porque deixaste de vir aqui?

Pareces um polícia.

Lábia.

- O que se passa? Estás cheio de guita? - Nada disso. Muito trabalho.

O meu pai não me deixa tocar-lhe.

- Desmancha-prazeres. - Cabrão gordo.

Cabrão gordo? Olha o respeito, idiota!

Eu sei que ele é o rei, mas aquilo que andam a vender…

É excelente! Qual é o segredo?

Onde a arranjam?

Cortam-na lá fora ou aqui?

Se querem que vos dê o segredo, esqueçam.

Dar? Estamos a elogiar-te, imbecil.

O lacaio está zangado.

- Lacaio? - Não me toques!

- Lábia! - Vai-te foder!

Achas que te enganaríamos?

Sabes porque o produto é bom?

Porque o lavamos antes de vender.

Entendeste, estúpido?

És o maior, Príncipe!

- Queres snifar? - Sim, meu.

Snifa mas é aqui.

És mesmo espertinho.

- Tens uma lata! - Cuidado com ele.

- Sacana! - Vem buscá-la!

- Lacaio! - Idiota!

Descaiu-se.

Vamos fodê-lo bem.

Ouviste-me?

Tratam da droga na lavandaria!

É um cabrão.

Não quero saber!

- Lacaio. - Vamos roubá-la.

Desculpa.

Não faz mal.

Olha o que te trouxe. Toma.

Muito lindas.

Fica com elas.

Não. Isto é imundo. Iriam estragar-se. Fica com elas.

E depois? Trago-te mais.

É para isso que servem as fotos, certo?

Para nos sentirmos melhor.

Para nos dar esperança.

Esperança de quê?

Quanto tempo vamos aguentar comigo aqui?

Tens dinheiro para mim?

Queres falar a sério?

Não sei quanto vamos aguentar.

Todos os dias, finjo que tenho uma família.

E esforço-me para os miúdos pensarem assim.

Mas falta alguma coisa.

Eu sinto isso e eles também.

Sabes o que me custa mais?

Quereres afastar-me.

Quereres deixar-me de fora disto. Não negues.

Eu sei de que são essas marcas.

Amo-te.

E estou nisto contigo.

Senta-te.

Brian, certo?

- Sim. - Sabes uma coisa?

Desde que te ouvi a cantar, não consigo tirar o tango da cabeça.

Estou sempre a ouvi-lo.

Onde aprendeste o tango?

O meu avô cantava-mo.

- Excelente. - Ele passou-me o gosto pela música.

És um cantor nato.

Conheces "Mi Querido Puente Viejo"?

Desta prisão?

Não, não conheço esse tango.

Vou pô-lo. Escuta.

Fala sobre a velha ponte Alsina.

Mas deduziste corretamente.

Esta prisão foi construída sobre os alicerces dessa ponte velha.

A sério?

Então, há um rio debaixo de nós?

Um ribeiro.

O ribeiro Maturana.

Fizeram canais para a água passar há uns anos.

Esta prisão foi construída sobre os alicerces

da velha ponte levadiça.

É irónico.

O que é irónico?

O facto de ter havido uma ponte aqui para passar de um lado para o outro.

Agora, há uma prisão.

E não podemos ir a lado nenhum.

Estamos encurralados entre as duas margens, certo?

Tens uma cabeça muito especial.

Obrigado.

Às vezes, sou um cabeça-dura.

Não sei como vieste parar aqui.

Isto não é lugar para ti.

Mas se fores bom

e se te portares bem,

eu vou cuidar de ti.

Serás o meu assistente pessoal.

Eu sei que os reclusos

praticam sodomia.

E sei que quase foste vítima desse ato abominável.

Mas isso não voltará a acontecer.

Porque eu vou cuidar de ti.

E se correres perigo…

… quero que me digas.

Podes ir.

Volta para o bloco. Tenho de fazer umas chamadas.

Brian.

Obrigado.

Até amanhã.

Já chega desse estudo estúpido, meu!

Vais terminar o secundário?

- Não é nada estúpido. Vais ver. - Isto é que é vida.

Filho da puta!

Guardam-na na lavandaria.

Saí-me bem. Certo, César?

Agora vou conhecer a irmã dele.

Isto é um sinal, meu.

É a nossa oportunidade para os lixar.

Não.

Porquê?

Não queres que paguem pelo que nos fizeram?

Por mim, incendiava aquilo.

- Quando? - Estou farto do mesmo desfecho.

- Não te queres vingar? - Temos de esperar.

- Chega de esperar, César! Confia em mim. - Temos de esperar!

Tudo bem, Emma?

Filho da puta!

- Pedi-te ajuda e arruinaste-o? - Senta-te.

- Vou fazer queixa de ti! - Para! Escuta.

Ele passou um mês na solitária.

Eu facilitei-lhe a vida. Não foste tu.

Tu conheces-me, Emma.

Eu nunca faria mal a alguém.

Faz o que queres com a tua vida,

mas não tens o direito de te meter na nossa vida.

Direito? Ninguém tem direitos aqui.

É por isso que faço isto.

Não sinto culpa nem vergonha.

Não questiono se está errado. Sobrevivo.

Sabes quantas pessoas saem vivas de Puente Viejo?

Ninguém te vai dizer, mas existem estatísticas.

Que estatísticas, cabrão?

É isso que tu fazes.

Estatísticas.

Escreves números,

escreves relatórios sobre a vida na prisão.

É o teu trabalho.

Mas lá dentro é mais complicado.

"A meio do caminho da vida, deparei-me com uma selva sombria,

porque me tinha perdido.

A meio da minha vida, eu também caí nesta escuridão.

Mas, ao contrário de Dante, eu tinha-me perdido há muito tempo.

Eu nasci perdido.

Condenado."

Temos de falar. Afasta-te do meu pessoal. Entendido?

Vi-te a falar com o Negro. Não lhe metas ideias na cabeça.

Não lhe estou a meter ideias na cabeça.

Mas aviso-te já, os teus homens procuram confusão.

Se não a fizerem contigo, fazem-na sem ti. E isso vai dar merda.

- O que queres que faça? - Tens de os liderar.

És o único que o pode fazer bem.

Alguém tem de comer uma fatia do bolo dos Borges.

Senão, eles controlarão tudo e farão o que quiserem connosco.

Mas a lavandaria está protegida, guardada.

Eu posso ajudar-te nisso.

Vou pensar nisso.

Estou surpreendido por te voltar a ver tão cedo.

Surpreendido?

Mas vais ficar agradavelmente surpreendido,

porque tenho ótimas notícias para ti.

Sou todo ouvidos.

Chegou a hora de fazeres uma pausa merecida.

Falei com os superiores,

com os dirigentes prisionais.

Eles mandaram-me

colocar pessoas novas na gestão prisional

e livrar-me das pessoas antigas.

Vamos dar uma nova cara à gestão prisional.

Qual é a boa notícia?

A boa notícia para ti

é o facto de te poderes reformar nas melhores condições.

Com quase 100 % do teu salário atual.

O que achas?

Não me tenciono reformar nem despedir.

Não te estou a fazer uma proposta. A ideia não foi minha.

A ideia surgiu dos superiores. Dos dirigentes prisionais.

Eu conheço os teus superiores e os superiores deles.

E sei que ninguém me quer fora.

- Não… - Eu nunca faria tal coisa.

Vou explicar-te…

… com um exemplo. - Está bem.

Imagina que eu sou um cancro.

A cirurgia é uma opção.

Pode ser retirado.

Mas se voltar,

volta com mais força.

Tem de se usar uma terapia menos agressiva.

Não estou a perceber muito bem.

Queres retirar-me do cargo?

Não…

Há pessoas com cargos acima do teu que nunca me poderiam tocar.

Não desperdices tempo.

E se me permites dar-te outro conselho,

não te deixes cegar pela ambição

criada pelo dinheiro e pelo poder.

Vai acabar mal para ti.

Estás a ameaçar-me?

Ambos sabemos que te resta pouco tempo nesse cargo.

Não sei que jogada de última hora queres fazer comigo.

Sou um sobrevivente da velha guarda.

Ultimamente, somos malvistos por quem tem má memória,

mas eu fiz muito por este país.

E ainda tenho contactos aos quais recorrer.

Aquele Galván é um filho da puta.

Um merdas! Tu és testemunha que eu não queria um massacre.

Mas se ele quer lutar, vamos a isso.

Levo-o a casa?

Não.

Quero snifar cocaína. Leva-me ao bordel.

Isso mesmo, chefe!

Pensei que só ias precisar de mais para a semana.

Surgiu uma coisa.

Por acaso, tenho.

Isto não chega.

- Eu sei, depois pago-te o resto. - Quando?

Não dificultes isto.

Tu meteste-me nesta merda.

Já te disse que te pago, mas preciso disso agora.

Ficas a dever-me.

Boca fechada.

Vai-te foder!

Tens lume, meu?

Obrigado.

Obrigado, meu.

Stallone!

A tua mãe vai comer-me o trombone!

Foste longe demais!

Manda-os calarem-se.

Limpa o rabo antes de falares!

Gostas da mãe dele porque a viste quando veio cá.

Pessoal!

Lábia!

Calem-se!

Façam silêncio.

Rapazes.

Já sabem o que se passa.

Os Borges ainda agora chegaram e já estão acima de nós.

O Negro tem razão.

Temos de os travar.

Senão vão passar-nos por cima como em San Onofre.

Os filhos da puta mataram todos os nossos amigos de lá.

Tipos como vocês, que só queriam uma vida melhor.

Pensem, abram os olhos.

Estão a usar-nos, vão viciar-nos e, quando não servirmos mais,

acabou-se!

Vejam.

Os cabrões incendiaram a prisão com os nossos amigos lá dentro.

Mas agora temos a oportunidade de os foder bem.

Uma coisa é certa.

Temos de saber que quando descobrirem que fomos nós,

vão querer vingar-se.

E é nessa altura que temos de estar atentos.

Por isso, quero saber, daqueles que estão aqui,

quem tem tomates para lutar?

- Quem tem tomates? - Vamos a isso!

Somos os Sub-21.

Se se metem com um, metem-se com todos. Ouviram, rapazes?

- Vamos a isso! - Sim!

Vamos lá!

Andas a seguir-me, meu?

Não.

De certeza?

Sim.

Estava a passar, olhei para aqui e vi-te.

Trouxe-te isto.

A minha contribuição.

Por acaso, tinha-o no bolso.

Não te estava a seguir.

Mas vais partilhar, certo?

Sim.

Também trouxe isto.

Ia fazer uma flor, mas achei que a colher seria mais útil.

Traz dinheiro em vez de trabalhos manuais.

És mesmo materialista!

Além disso, não se cobra aos amigos.

És tão idiota.

Tens de me contar a tua história.

Gostavas de ser polícia?

Gostava muito de me meter com preguiçosos e ganzados como tu.

- Isso chega para os dois? - Sim.

Não é pouco?

Uma dose e meia para cada um. Senão, dormimos até amanhã.

Quem me dera. Fiquei com uma moca da última vez…

Viste cenas a cores?

Sim, a cores, em full HD, tudo.

Obrigado, meu.

Obrigado.

- O que foi? - Posso picar-me?

- Não. - Porquê?

És demasiado viciado.

Isso é para logo!

Mas eu tenho fome!

Devias pôr mais batatas fritas.

Olha para isto! Mais nojento é impossível.

Olá!

- Olá! - Como estás?

Está tudo bem?

Acabou de adormecer.

Foda-se!

- Como estão? - Está tudo lindo. Obrigada.

- Obrigada. - É para ti e para ela.

As minhas novas rainhas. Certo?

Onde está o Bardo?

Deve estar a depilar as pernas.

- Ele é estranho. - É pior do que as mulheres.

Trata bem a miúda.

- Está bem. - Falamos depois.

Certo.

Está bem, Coco. Filho da puta.

Como estão?

Olá, Coco. Obrigado por nos convidares.

Bem-vindo à festa, Bardo!

- Para com isso. - Vou apresentar-te a minha família.

- A minha filha. - Muito prazer.

Não sei porque é que o Galván deixa estes patifes celebrarem.

Se dependesse de mim, batizava-os com ácido sulfúrico.

Para mim e para os rapazes, é uma honra conhecer a tua linda família.

Trouxemos-te um presente.

- Para o batismo da bebé. - Por favor.

Que Deus a abençoe, proteja e a guie pelo bom caminho.

- Muito obrigada. - Bom…

Nunca o tinha ouvido a mencionar o nome do Senhor.

Sou muito religioso, idiota.

Diverte-te. Senta-te onde quiseres.

Boa! Vão-se foder, Borges!

Calma!

A cocaína fica aqui.

Vais ser desmancha-prazeres?

Vá lá! Há tanta cocaína!

Não sejas assim! Só vamos levar um saco!

Um saco o caraças! A cocaína fica aqui. Entendido?

Vai-te lixar!

Calem-se!

Ninguém vai levar nada.

Se nos apanham com isto, saberão que fomos nós.

Deus Pai, Todo-Poderoso,

Criador do Céu e da Terra…

… as tuas palavras e o teu amor são a luz que dissipa as sombras.

Que essa mesma luz ilumine sempre e para sempre

o caminho deste anjinho que temos perante nós.

Vamos lá, rapazes! Rasguem tudo!

Senhor, protege-a das tentações.

Vamos lá! Rasguem-nos todos!

Dos pecados, dos vícios e da humilhação da condenação eterna.

Abençoo-te em nome do Pai,

do Filho e do Espírito Santo.

Ámen.

Vão-se foder, Borges!

- Pronto. Ámen. - Parabéns!

Obrigada por teres vindo.

- Obrigado. - Obrigado.

Obrigado, amor.

Aqui não. Para. Assim não gosto.

- Porque me viraste a cara? - Não te virei a cara.

- Estão todos aqui. - Quem? Idiota!

- Estás a gozar comigo? - Bebe uma bebida. Acalma-te.

- Coco, amigo. - Posso?

Sim. Senta-te, por favor.

- Divertiram-se? Comeram bem? - Sim.

Desde quando não pedes uma visita conjugal? Ou um beijo?

Não sejas paranoica. A sério.

Paranoica? Então, beija-me.

Estás a brincar?

Aqui não quero. Não gosto.

Vem cá! Aonde vais?

Deixa-os olhar. Dá-me um beijo, ao menos.

Andas a bater punhetas ou viraste maricas? Diz-me o que é!

Não finjas que estás com ciúmes!

O nosso filho bate punhetas o dia todo enquanto me trais.

- Estás a ouvir-te? - Sim! Estou a dizer-te que me trais.

Mais vale. Nunca te vejo.

És um nojento de merda.

Isso, embebeda-te.

Presta atenção.

- Porque me agarraste? - Isto é um túmulo.

A única coisa que me faz feliz é beber um copo.

Olha o teu pai.

- O que tem? - Bebe imenso.

Tem mais álcool do que sangue!

Estás a insultar o meu pai?

É sempre sobre o teu pai!

- Conspiraram para me foder? - Cabrão!

- Cabra! - Vais agarrar-me?

- Filho da… - Para, pai! Tem calma!

- Basta! - Para, pai!

- Para! - Filho da puta!

Bateste-lhe?

És louco? Como te atreves a tocar-lhe?

Seu merdas!

- Vem cá! - Para, pai!

- Larga-me! - Para, pai!

- Filho da puta! - Esquece o idiota.

Faz isso outra vez! Anda lá!

Baza daqui, escumalha.

Está tudo bem.

Destruíram a lavandaria.

Puta que pariu! Não acredito! Não deixaram nada!

Vamos apanhá-los.

Quem? Não sabemos quem fez isto.

Foste tu! Foi o teu irmão! O idiota do teu irmão devia proteger isto!

- E agora? - Não sei onde está. Tenho de o procurar.

- O que queres que faça? - Sabes quanto perdi?

O que te importa isso?

Eu estou a pagar tudo. A minha mulher tratou disso. O que foi?

Tudo o que se passa aqui é meu. É meu!

Tudo o que entra aqui…

… é meu!

Calma. Eu trato disto.

Isto não se pode repetir. Nunca mais. É um conselho.

Estragaste tudo.

Puta que pariu isto!

Estás descontrolado, meu!

Cambada de idiotas!

O que estão a fazer?

Não percebem que nos conseguem ouvir? Eu disse para não trazerem nada!

Atacámos os Borges e o Coco!

Porque trouxeram isso?

Tem calma, meu.

Meu!

Fodemos bem aqueles filhos da puta!

Eles estão na merda!

Não! Olha para ti.

Estás completamente ganzado, Negro!

És estúpido?

O que estás a celebrar? Nada!

O que vos disse?

Para fazermos as coisas bem. Cayetano, guarda isso!

Escondam tudo. Agora! Se nos apanham, estamos fodidos!

Idiota!

Escondam isso!

Não acredito que tenho de vos explicar isto. Por favor!

- Estávamos só a divertir-nos um pouco. - A divertirem-se?

Divirtam-se de forma discreta!

ADVOGADO

Põe a TV mais baixa, Luqui.

Está?

Sim. Como está?

Não, não se preocupe.

Sim. Desculpe ter ligado tantas vezes, mas preciso de falar consigo urgentemente.

É sobre o meu parceiro, Miguel Palacios.

Mandaram-no para Puente Viejo. Queríamos saber se pode rever o caso dele.

Está a referir-se à fuga?

Estou a ver.

Quanto tempo acha que devemos esperar?

Quatro anos?

No mínimo?

A tua irmã está bêbeda!

Chegou o rei da noite! Vejam só!

Posso saber onde estiveste?

Filho da puta! Vou matar-te!

Vou dar cabo de ti!

Devias estar a cuidar do negócio! Caralho!

Tive de ouvir uma reprimenda. Levanta-te, cabrão!

Levanta-te!

Estragaste tudo!

Tive de ouvir um sermão do careca do Coco.

Destruíram a lavandaria. A mercadoria desapareceu.

És um filho da puta, Diosito!

Tudo o que construí foi por água abaixo enquanto snifavas todo o produto do mundo!

Filho da puta!

Vá lá, Dios. Vá lá, meu.

Vá lá, Dios.

Levanta-te.

A culpa é sempre minha.

É isso que o meu irmão pensa.

Ele não quer saber se tenho problemas ou não.

Não parece, mas tenho problemas! E não me queixo!

Para de te queixar, meu!

Não és o único que tem problemas.

Vai-te foder, Colômbia! Ninguém te responsabiliza de nada.

Ninguém te chateia.

Que problemas podes ter?

Mataram o meu irmão, idiota!

Mataram o meu irmão!

A minha mãe…

… tem passado muito mal na Colômbia.

Andam a ameaçá-la.

Ele meteu-se em dívidas…

… e estão a obrigá-la a pagá-las.

Desculpa, não fazia ideia.

É muito dinheiro?

Claro.

É muita massa.

O Mario faz-se de mártir.

Não me quer dar o que é meu.

O que posso dizer?

Ele é um idiota, um cabrão.

Sabes que mais, Diosito?

Esta dívida é grave.

E o teu irmão sabe melhor do que ninguém que a família é sagrada.

A família é sagrada.

O Galván é um velho porco.

No final, ficou sentimental e tudo.

Cheguei a pensar que me ia foder.

Tem cuidado com ele. Ele não é para brincadeiras.

O que se passou, meu?

Não faço ideia.

Que confusão.

Tens de o esticar. Nunca dobraste um lençol?

Olhem lá!

Venham ajudar, princesas.

Há muito trabalho para fazer.

Vamos lá.

Mexam-se. Aquelas prateleiras têm de ser limpas.

E sequem o chão.

A roupa seca está suja e tem de ser lavada. Vamos lá!

Cheira a merda aqui. Filhos da puta!

Vamos mover isto.

Cheira mesmo a merda.

Põe estes bidões ali.

"Todos os pecados estão neste lugar,

mas não estão todos os pecadores.

Apenas os pequenos."

Viste um fantasma ou quê?

Então?

Toca a trabalhar! Mexam-se!

Estás de férias, imbecil? Trabalha!

O que estás a fazer? Aqueles cabrões fizeram isto.

A sério…

Legendas: Ruben Oliveira

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