Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
UMA SÉRIE NETFLIX
Vá lá, cabrão. Queres lutar?
Vê se te atreves, sacana!
Olá.
Faltam 2 mil.
Não. Acordámos esse valor.
E agora, meu?
Gosto deste gajo.
Toma.
São três. Eu pedi-te quatro.
O teu ainda precisa de uns retoques.
A foto que mandaste não dá. O teu nariz é muito grande.
Espera lá fora.
Vem ao papá.
Está ótimo.
Toma.
Está tudo em ordem?
O meu nariz ficou igual.
O carro não é novo,
mas não era um táxi ou carro-patrulha.
Vamos.
Adeus, jeitoso.
Entra lá.
Baza.
Estás aqui.
Sim.
Está tudo bem.
Amo-te.
Pega nos passaportes.
Está bem.
Desligue o carro.
- Livrete e documentos, por favor. - Sim.
- Os miúdos são vossos filhos? - Sim.
O meu marido não fala espanhol.
Estamos a voltar de férias.
- Não estão a demorar? - Não, é normal.
- O que estás a fazer? - Nada. Tem calma.
Espera.
Gostaram do país?
Gostámos muito.
O que se passa?
Lucas, acorda. Vá lá!
Para, Miguel.
Para!
Leva-o. Vá lá!
Por aqui.
Amor.
Vem cá, grandalhão.
Entra no camião.
- Entra! - Não! Não quero!
Emma! Pensa bem. Se nos apanharem juntos, és cúmplice.
Queres que nos tirem os miúdos?
Não! Por favor, não vás!
Baza! Dá-me a tua mota!
Mãos no ar!
- Não te mexas! - Está bem!
Mãos no ar!
UNIDADE DE TRANSFERÊNCIA
Toca a andar.
Vá lá. De cara para a vedação.
Continuem. Contra a vedação.
De costas para mim.
Vamos lá. De costas.
Virem-se.
É a Primeira Comunhão de quem?
Queridos amigos,
sou o padre Ramón.
Sejam bem-vindos a Puente Viejo.
Sei que pode parecer estranho dar as boas-vindas aqui,
que, para muitos, é o final do caminho,
mas tenho boas notícias para muitos de vocês.
Deus não vos abandonou.
- Deus nunca nos abandona. - Acreditas em Deus?
Em Deus, sim. Em intermediários, não.
É como comprar erva quando a podemos plantar.
Muito bem. Obrigado, padre.
Vão conhecer bem o padre Ramón quando estiverem instalados.
Ele é responsável pelas vossas almas
e eu tenho de tratar do resto.
O trabalho dele é encontrar o lado bom
em vocês.
Mas eu e vocês sabemos que isso não existe.
É a tua primeira vez?
Desculpa ser intrometido. Tenho de falar para não pensar demais.
Quem te deu permissão para falar?
Carne fresca.
Este vai levar no cu antes de amanhecer.
Acreditem em mim.
Abre.
Toca a andar!
Miguel Palacios.
És uma celebridade.
Era nosso colega,
mas decidiu matar um comissário da polícia.
Colega, não.
Vocês abrem e fecham portas. São guardas, eu era bófia.
Quem foge do galinheiro é recebido de forma especial.
Vai-te foder!
- Dá-lhe uma sova! - Vai-te foder!
Com mais força! Mais força!
Sim! Isso mesmo!
Achaste que San Onofre era má?
Bate-lhe!
- Vai-te foder! - Dá-lhe!
- Despe-o. - Parem!
Para, meu.
Seu merdas!
Levanta-te, filho da puta.
Levanta-te.
Eu mandei-te levantar.
Para.
Para…
Sou só um guarda, certo?
Para.
Tu és lixo.
Para.
Não!
Para!
Jeitosa!
Bravo!
Vejam o rabiosque dela.
Bravo!
Gosto muito!
Vá lá, idiota. Joga.
Embrulha.
E uma palmada nesse rabo?
Caramba! Ele está pior do que eu.
Belo rabo.
Olha quem vem aí.
Vai avisá-los.
Deixa lá ver. Caramba!
Não é bom andar nu aqui, meu.
Aceita.
É um presente.
O que queres em troca?
Vejam quem ele é!
Que surpresa! Ele não te vai pedir nada.
Tudo bem, César?
Carlos.
Eu sou o Graçolas. O rufião é o Lábia.
Ele é o Stallone.
- E este cara de cu é o Dengue. - Cara de cu?
E tu?
Como te tratamos?
Pastor? É isso?
Não! Pois é. Tu chamas-te Palacios, certo?
E que és um bófia.
Um bófia que espanca outros bófias.
Não é estranho? Parece um filme.
Eu não te menti, meu.
Quando te conheci, já não era bófia.
Caramba! Ele já não era bófia.
És como nós. Damos-te roupa e parecemos simpáticos.
Mas não somos simpáticos.
Vá lá, bazem daqui.
É ele?
- Sim. - É ele.
Olhem só para aquele cabrão.
A vontade que tenho de o crucificar.
Mas agora temos outra missa.
Vamos, acólito.
Vamos. O Coco quer ver-te.
Vamos lá!
Coco!
Aqui está o teu acólito.
Vimos o Aquino, mas não aplicámos o castigo divino,
porque também vimos este merdas e trouxemo-lo.
Está bem.
De Polícia a Fugitivo. Não é o nome do teu filme, Palacios?
Não é?
Aqui chamam-me Pastor.
Já não sou quem era.
Temos poeta!
Eu acho que ainda és quem eras, um polícia.
E nós não gostamos de polícias.
Tu, por outro lado, não sabes quem somos, quem é a minha família.
Sabes o que fazíamos? Roubávamos carros blindados.
Ganhávamos imenso dinheiro e tínhamos uma boa vida.
Tínhamos um acordo com um comissário.
Mas, um dia, ele passou-se e tornou-se ambicioso.
Ficou com tudo o que era nosso. E sabes o que fez à família?
Enfiou-nos aqui!
Entendes?
Pelos vistos, esse comissário é o comissário que tu mataste.
Lembras-te?
Sim.
E foi por isso…
… que foste preso.
Repara como o Senhor se manifesta!
Ele tornou-te no instrumento da minha vingança.
Miguel, Pastor, Palacios, seja qual for o teu nome…
… obrigado.
Levanta-te.
Vou dar-te a minha bênção.
Em nome do Pai,
do Filho…
… e do Espírito Santo.
Ámen.
Aqui, ninguém se meterá contigo por teres sido polícia.
Tens a minha bênção.
Podes ir.
Alelí, dá-me o saco que te dei há pouco.
Alelí.
Lindíssima.
Toma. São as coisas que te tiraram. É uma prova da nossa boa-fé.
Brian.
Pastor.
Muito prazer, Pastor.
- Estás a baralhar ou a juntar as cartas? - Rala com mais força!
- Dá cá isso. - Aposto.
Assim. Com força. Como se fosse uma pila dura.
Que porca!
Não tens atenção em casa?
- Qual é o problema? - Ouviste-a?
Vá lá. Diz-se "genitais".
Olha lá, idiota.
- Vamos cortá-lo? - Corta o teu.
Disseram-nos das boas.
Pronto.
Pau-mandado.
O que se passa, pai?
Vamos dar graças.
Senhor, obrigado pela comida que vamos receber.
E por olhares por nós, todas as noites.
Se morrermos durante o sono, que tenhamos o estômago cheio
e o coração em paz.
Ámen.
Para. Isso é necessário?
Têm de estar com o telemóvel à mesa?
Tenho de controlar as minhas apostas, pai.
Esquece.
Porque é que as pessoas apostam quando não têm dinheiro?
O meu pai ensinou-me que o jogo é o deus dos fracos.
E nós, as pessoas fortes,
temos de tirar…
… o que essas pessoas têm.
Porquê?
Porquê?
Pela fé!
O homem não tem limites!
O homem pode fazer o que quiser! É imortal!
O homem pode dominar o mundo através da fé.
Não fazemos nada só com a fé, certo?
Eu sou um homem de fé.
E um homem de fé tem de estar disposto a sacrificar-se.
Já sei. A fé move montanhas.
Eu concordo com isso. A sério.
E se a montanha não se mover?
Eu passo por cima! Entendem? Atravesso-a.
Amigo.
Já acabaste?
Prestem atenção.
Quando viemos para aqui,
atiraram-nos para um poço negro cheio de merda.
Não ficámos de braços cruzados,
porque temos fé uns nos outros.
O que fizemos? Trabalhámos.
Mostrámos coragem. Acreditámos em nós mesmos.
E agora?
Ninguém se mete connosco!
Sim, olha para isto tudo.
Temos de ser mais agressivos.
Devíamos ter sido agressivos com o Aquino para dar o exemplo.
E com o bófia de merda também.
Devia ter levado uma coça! Não concordo contigo.
Violência e fé.
Escuta bem.
Porque me estás a contradizer hoje?
Não te vou matar porque és o pai da minha neta.
- Desculpa. - O quê?
Desculpa!
Olha.
Olha para mim.
Sou eu.
Sou eu.
Eu mato-te, maricas!
Cala-te ou mato-te já aqui.
Cala-te, maricas!
Vamos!
Eu acabo contigo.
Cala-te!
Não te contorças, cabrão!
Fica aqui! Não queres?
- Cala-te! - Ajudem-me!
Cala-te. Ninguém te vai ajudar aqui.
Abre essas perninhas.
- Está quieto. - Não!
- Isso mesmo, querida. - Não!
O que se passa?
Coninhas!
Silêncio, idiotas!
Silêncio! Levem-no.
Abre.
Preferia ter-te conhecido noutras circunstâncias.
Tornaste-te muito famoso.
Puseste toda a polícia à tua procura.
Apareceste nos jornais.
Na televisão.
Já percebi porquê.
És forte!
Quando me nomearam diretor,
todos me disseram que aquele espaço central era perigoso.
Que seria uma tentação para os reclusos mergulharem de cabeça.
Mas eu assegurei-lhes que, enquanto fosse diretor de Puente Viejo,
isso não aconteceria.
Eles iam violar um rapaz.
Isso pode acontecer?
Isso não me interessa.
Mataste um dos meus reclusos.
Terás de pagar por isso.
A artrite dá cabo de mim.
Não me faz bem…
… vir aqui abaixo.
Tem muita humidade.
É mais uma razão para te castigar.
Vou tirar-te a arrogância com que chegaste.
Se achas que não tens nada a perder porque apanhaste prisão perpétua,
ficas a saber que há infernos piores do que estar preso a vida toda.
Isto não é San Onofre, Palacios.
Em Puente Viejo, as regras são claras.
E têm de ser cumpridas.
Ficará um mês aqui.
- Despe-te. - Para, meu!
Não está?
Levaram-no ao tribunal.
- Disseram o mesmo ontem. - É tudo o que sei.
- Há pessoas à espera. - Não vou embora. Chame um supervisor.
Não o farei.
Trabalhei no serviço prisional mais tempo do que tu. Respeito.
- Quero falar com o diretor. - É preciso uma requisição.
Quando for aprovada, falará com ele.
Seguinte, por favor.
Filho da puta!
- Olá. - Olá.
Obrigada por teres vindo. Queres beber alguma coisa?
- Não posso. Tenho de me despachar. - Está tudo bem?
- A minha filha começou o primeiro ano. - A tua filha? Casaste-te?
- Estás surpreendida? - Não.
De que precisas, Emma?
Não me deixam ver o meu companheiro desde que foi preso.
Companheiro?
- Sim. - Andas com um recluso? Quem é?
Miguel Palacios.
- O ex-polícia. - Sim. Ninguém me diz nada.
Não conheço ninguém desta prisão. Não sei o que fazer. Diz-me a verdade.
Está na solitária?
Lutou com um recluso.
E o outro morreu.
Não soubeste porque, aqui, as coisas não se espalham.
Mas os castigos são os mesmos.
Em teoria, a solitária não existe, mas usam-na na mesma.
Preciso da tua ajuda.
- Não posso. É tudo controlado. - Olha. É só isto.
Quero que lhe dês esta carta. Tem algum dinheiro.
Dá-lho ou fica com ele.
Faz como quiseres.
Por favor. Estou desesperada.
Por favor.
Não…
- Como te deixaram… - Não.
Tem calma.
- Tem calma. - Não.
Isto é da tua mulher.
Mas tu não estás em condições para ler.
Vou ajudar-te.
Tenho de beber água.
Isto vai ajudar-te.
Estou a morrer de sede.
Não…
Não, meu.
Não!
Não!
Querido,
não ter notícias tuas torna os dias mais longos e difíceis.
Espero que esta carta nos faça sentir mais próximos, apesar de estares preso.
Sei que estás num inferno.
Mas peço-te que aguentes.
Continuo disposta a abdicar do meu nome, da minha vida e de tudo por ti.
Esperarei sempre por ti. Aconteça o que acontecer.
Demore o tempo que demorar.
Amo-te.
Emma.
A LIBERDADE E TUDO O QUE IMPLICA SABE-O BEM QUEM POR ELA SE SACRIFICA
"A liberdade e tudo o que implica sabe-o bem quem por ela se sacrifica."
Quem foi o cabrão que inventou a gravata?
Não é prática, não serve para nada.
Não nos aquece nem nada. Ainda por cima, sufoca-nos.
Como a realidade deste país.
Enquanto trabalhamos para realizar os nossos sonhos,
há um monte de cabrões no governo que não conseguem ganhar uma reeleição.
Tem calma, Antín. Foi bom enquanto durou.
Mas eu quero que dure mais, careca!
Não quero ficar por aqui e ver os outros a continuar.
Não apanhaste o gosto a esta vida?
Bem-vestido, dinheiro no bolso, frigorífico cheio, um bom carro.
Fazes muito sexo, careca!
Bom, faço o que posso.
Este país é uma anedota, mas já não fazemos parte dela. Foda-se!
Ele sabe que os meus dias na secretaria estão contados e quer foder-me.
- É assim tão cabrão? - O Galván?
É um grande cabrão. É um filho da puta.
Ele é da velha geração que trabalha no sistema prisional. É um dinossauro.
Porque o vamos ver?
Para explicar ao Matusalém como as coisas são.
Porque é que Puente Viejo é a única prisão que não dá o dízimo à secretaria?
Vamos fodê-lo bem.
Sem lubrificante.
Um mês na solitária.
Parabéns!
Agora, vou pôr-te apresentável para te juntares aos outros reclusos.
Não tenhas medo. Calma.
Tem calma.
Vamos lá.
OPOSIÇÃO GANHA TERRENO COM 47,1 % NAS PRIMÁRIAS
Benito Galván!
O diretor de prisão mais importante da história da humanidade.
"Galván, Galvánzito, levas no rabito!" Lembras-te de quando te diziam isso?
- Como estás, Benito? - Bem, como podes ver.
A vida é boa, secretário.
Esquece o "secretário".
Vamos esquecer os cargos.
Trata-me por Sergio ou Antín.
Cargos que temos hoje,
mas que, no futuro, não sabemos.
"Amanhã será melhor", dizia Luis Alberto Spinetta.
Conheces essa música?
Gostas do Spinetta? Não o conheces? Não acredito!
O que te traz aqui, Sergio?
Vamos diretos ao assunto.
Vim falar de contabilidade.
De um assunto económico.
Desde que sou responsável pela Secretaria da Segurança Nacional,
reparei que Puente Viejo não consta da lista de contribuições.
- Antín, com todo o respeito… - Sim.
… eu nunca meti nada ao bolso.
Como assim? Nunca meteste nada ao bolso?
Isso é impossível.
- Podes acreditar ou não. - Claro que não acredito.
Estás a dizer que ficaste com o dinheiro todo?
Acho que me expressei mal.
Porquê?
Em Puente Viejo, não metemos nada ao bolso porque não há ângulos mortos.
- Não há ângulos mortos? - Não.
Os reclusos daqui fazem as tarefas obrigatórias.
Há ordem.
Não promovemos vícios.
Ou seja,
não há como meter nada ao bolso.
A sério?
A minha mulher recebe a pensão dela
e eu recebo o meu salário de funcionário público.
Temos um apartamento em Miramar e, quando não o usamos com a família,
arrendamo-lo durante a época alta.
O que poderíamos querer mais?
Nesta altura da vida, não vou sacrificar as minhas crenças
para fazer negócios imorais.
Mas não te estou a julgar. Cada um é livre de ir para o Inferno.
Mas, na minha prisão,
as coisas fazem-se à minha maneira.
Demora o tempo que quiseres.
Vais sentir-te melhor quando não tresandares a morte.
Não parece estar infetado,
mas está um pouco inflamado.
Prefiro matar-me do que ter uma infeção.
Sabes que a colostomia é temporária, certo?
Podem voltar a fechar.
- A sério? - Sim.
Manda uma carta à direção para te colocarem numa lista.
- Demora, mas operam-te. - A sério?
Já está.
- Já está? - Sim.
Vou lembrar-me disso.
Obrigado.
Tudo bem, querida?
Sim, está tudo bem.
Não te vi na pastelaria hoje.
- Tomei o pequeno-almoço em casa. - Sozinha?
Sim.
Já acabaste com este?
Sim, já acabei.
"Este" tem nome, sabias?
Não entendes nada, pois não?
Queres ir para a tua cela ou para a solitária?
Vivo todos os dias numa solitária, por isso, tudo bem.
Mas as miúdas a mim dão-me bola.
Cala-te, seu merdas!
Trato de ti noutra altura.
Vejam quem ele é.
Muito obrigado pelo que fizeste.
Não sei como te agradecer.
Brian, deixa de ser choramingas.
E tu, Pastor, foi simpático da tua parte ajudá-lo.
Porque não vão todos à merda?
Qual é o teu problema? Estamos a elogiar-te, imbecil.
"Metem-se com um, metem-se com todos." Certo?
Eles levaram-no e vocês fingiam que dormiam.
Ainda bem que o defendeste. Eu também me defendo.
Mas levantar-me é difícil.
Eles são boas pessoas.
Quando os guardas te levaram, eles cuidaram de mim.
Muito bem. A sério.
Cala-te e agradece-lhe.
Porque ele tem razão.
Isto acontece quando não se sabem defender.
Presta atenção.
Aqui, se se metem com um, metem-se com todos. Entendido?
E caso se tenham esquecido,
estávamos a jogar às cartas na cantina quando levaram o Brian.
Tentei ver-te milhares de vezes. Juro.
Como estão os miúdos? Consegues desenrascar-te com a bebé?
Olha para mim.
Eu sei o que te aconteceu.
Não tens de esconder nada de mim.
Amo-te.
Amo-te.
Eu não te queria envolver nisto.
Pensei que ia correr bem e que podíamos…
… recomeçar juntos.
Como está o Luqui?
O que tem feito? Pergunta por mim?
Constantemente.
- Ele queria vir, mas não o deixei. - Não o tragas.
Pensa melhor nisso.
Eu cresci sem pai e é muito difícil.
Não quero que venhas cá, Emma.
Não quero arruinar mais a tua vida.
Isso não é uma decisão tua.
És a minha família, Miguel.
Nunca te deixarei.
30 DIAS DEPOIS…
Da última vez que te vi, mandei-te para o outro lado.
O teu nome pode significar "Deus", mas nem o Céu te quer.
Bem-vindos a Puente Viejo.
Bem-vindos ao Inferno.
Irmãos Borges!
Venham. O diretor quer ver-vos.
Vamos lá, idiotas! Mexam-se!
Façam uma fila.
Aquele merdas!
O que se passa?
Não acredito! O que faz aquele cabrão aqui?
- Não conseguia acreditar quando o vi! - Cala-te.
O Pastor não arruinou só a tua vida, a nossa também.
A sério? Porque não fizeram nada lá fora?
Porque acabámos de chegar. Estão de olho em nós.
Vai-te foder!
Cala-te. Não estamos sozinhos.
Estejam à vontade, Borges!
Não sejam tímidos.
Podes sair.
É um prazer conhecê-lo, Galván.
Ouvi falar de si…
… muito bem.
Não te faças de simpático, Mario.
Sei bem com quem estou a lidar.
Meu Deus!
Este rapaz nunca foi a um ortodontista?
Ele tem medo de dentistas.
Quando não é tratado a tempo, cresce torto.
Quero avisar-vos que isto não é San Onofre.
Isso é evidente.
Essa ficou do avesso.
E todos sabemos quem foram os responsáveis.
Mas isso não acontecerá aqui.
Eu não sou fraco como o Antín.
Não deixo os reclusos gerir a minha prisão.
Mas eu ouvi um boato
sobre um tipo chamado Coco que toma as decisões aqui.
Não sejas o aluno respondão. Já és muito grande para isso.
O Coco é um recluso que está aqui há algum tempo.
Ele entende que a vida na prisão precisa de ordem.
Aqui imperam duas leis.
A minha.
E a de Deus.
Vão cumprir as vossas penas aqui.
E, se Deus quiser, livrar-se dos vossos pecados.
O meu dever é certificar-me de que fazem isso corretamente.
Pelo bem do sistema prisional e por Cristo.
Acredite em mim, Galván.
Eu quero passar o tempo que me resta em paz.
Custa-me acreditar nisso.
Vou ficar de olho em vocês…
… para vos pôr no caminho certo quando se desviarem.
Marito.
Isto é uma pocilga.
É bom o suficiente para começar.
Não faças nada estúpido ou ainda nos fodem.
Vão foder-nos por minha culpa? Vai-te foder, Mario.
Isto é mesmo uma pocilga.
Tresanda a merda.
- E a chulé! - Foda-se!
Aqui não está ninguém.
- Ficamos aqui? - Sim.
Está ocupado, papá.
- A sério, filho? - Sim.
Eu não vejo ninguém.
Porque não falamos civilizadamente?
Podemos comprar os colchões, quando nos trouxerem dinheiro.
Procurem outro lugar. Ponham-se no caralho.
Têm espaço ali.
Vamos, Marito. Resolvemos isso depois.
- Está bem. - Até logo.
Filho da puta.
Foram as nossas boas-vindas.
Eu disse-te, Marito. Não te disse?
- O quê? - Que isto é uma pocilga.
Temos de aguentar até a nossa sorte mudar.
E se não mudar?
Estou a dizer-te, Colômbia. O Mario é demais.
Uma vez, comeu uma formiga e cagou-a viva 30 minutos depois.
- Não acredito! - Juro por Deus!
Cagou-a viva, eu vi! Estava viva quando a comeu.
Não é como se tivesse ressuscitado nas entranhas dele, mas mesmo assim.
Meia hora!
Estava nas fezes do Mario.
Estava a nadar na merda!
Inacreditável!
Já agora…
Porque não mostras a cocaína que tens aí escondida?
Filho da puta!
Farejas cocaína mais depressa do que um cão pisteiro.
Dás-me um bocado de cocaína? Vá lá.
Está protegida pela Maria.
Traz cá a Maria. Dá-me um pouco.
Vamos para ali. Como a arranjaste tão depressa?
Contactos, meu!
Foram uns compatriotas.
Colombianos?
Sim, meu.
Da Virgem para o Diosito.
Saiam todos!
Cortaram a droga com laxante. Já me estou a cagar.
- Saiam. - Fora daqui!
Vá lá.
Está tudo preparado.
O Coco toma banho sozinho. Depois, come a sobremesa na cantina.
É a única altura em que os filhos não o protegem.
Falei com o guarda para termos a cantina vazia.
Nós vamos agarrá-lo e fazê-lo em picadinho. Entendido?
Vamos lá.
Estamos a brincar às casinhas.
Onde estão os idiotas?
Deves saber onde estão, não?
Patón!
- Então? - Então, Borges?
Como estás?
- Bem, e tu? - Também.
- Estás aqui há muito tempo? - Sim, há algum tempo.
Está tudo bem?
Quero dizer, entre nós.
Sim, está tudo bem.
Falamos depois.
Está bem.
Voltaram. Estejam à vontade.
- Nós limpámos a casa de solteiro. - Marito. Barny.
Estivemos na lavandaria, a lavar a roupa.
Com muito detergente em pó.
- Não? - Sim.
Sim. Amaciador, tudo.
Vá lá.
Vá lá, conta-lhes.
O quê?
Senta-te aqui, Marito.
- O que se passou? - Escuta, Mario.
Conto-lhes?
Estávamos a lavar a roupa
e, de repente, entraram uns gajos.
Começaram a falar em voz baixa,
mas nós escondemo-nos e conseguimos ouvir tudo.
Eles começaram
a planear uma espécie de…
- Emboscada. - Exato.
Vão matar o Coco, Marito.
Vão apanhá-lo desprevenido no duche…
Não, ouviste mal. Vai ser na cantina, totó.
Na cantina?
Sim, porque, pelos vistos, deixam-no sozinho na cantina à noite.
Ora, ora… Aquele sacana careca, o soldado do Galván.
Bom trabalho, miúdo.
Muito bem.
Estiveram ambos bem!
- Estávamos ambos lá. - Não fiques com ciúmes.
- Trabalho de equipa. - Sim.
Desculpem. Posso continuar a varrer? Ou vão chupar-me a pila aí sentados?
Isso não se diz! Continua a limpar.
Nem se conseguem rir!
Só tens o que mereces, cabrão!
Isso mesmo! Sangra, cabrão!
Não te mexas.
Vem cá.
És mesmo durão!
Estás bem?
Quem caralho são vocês?
Mario Borges.
Dá cá.
Dá cá isso.
Dá-me.
Afasta-te. Tu também.
E agora? Gostas, filho da puta?
Venham comigo.
Vamos!
Como souberam?
Tudo começou comigo e com o Colômbia. Aquele ali.
Cumprimenta-os.
Eu estava a contar-lhe a história de quando o Mario cagou uma formiga viva.
No Natal em casa da Gladys.
- Basta. - No WC…
Já chega!
O meu irmão e o colombiano estavam na lavandaria.
E ouviram uns imbecis que entraram a traçar um plano para te matar.
Vieram ter comigo, avisaram-me,
organizámos a tua defesa e fomos buscar-te.
Defesa? Não me faças rir.
Foi tudo uma cilada, não foi?
O quê? Ele está a dizer que os vimos.
Nós ouvimo-los.
Desculpa, Coco.
Posso tratar-te por Coco?
Nós arriscámos a vida para te salvar.
Se não fôssemos nós, estarias na morgue.
Entendes?
Há algo que não bate certo.
Se sabiam, porque não me avisaram?
- Sabem quem sou. - Exato.
Foi por isso que decidimos salvar-te
e que fique bem claro que estamos do teu lado.
Se tivéssemos tido tempo, tínhamos-te avisado e quê?
Agradecias-nos e pronto. Por favor, Coco!
O que se passa?
Aproveitaram-se da situação.
Bom, isso é a tua perspetiva. Não fizemos mal, certo?
Gostamos de ser reconhecidos pelo bem que fazemos.
É verdade.
Agora temos de tratar dos cadáveres.
- Já estamos a tratar disso. - Certo.
Estamos bem.
Como agradecimento,
o que querem?
Um lugar para dormir e para guardar as nossas coisas.
Trata disso.
Afastem-se!
Afasta-te, barbudo. Sai da frente.
Muito bem! Bazem daqui!
Toca a sair. Esta cela pertence aos Borges.
- Porquê? - Porque eu disse, cabrão!
Baza!
Pirem-se! Vamos lá!
Vai-te foder!
Temos de os manter sob rédea curta para não causarem problemas.
Concordo.
São agressivos.
Desfaçam as malas. É tudo vosso. Qualquer coisa…
Obrigado, meu.
Vocês podem ficar. Há muito espaço.
Saímo-nos bem.
- Sim. - Saímo-nos bem!
Agora vamos manter-nos firmes e defender o que é nosso.
- Fiquem atentos. - Sim.
E, como sempre,
quem é que nos salvou a todos?
Claro, como sempre. E eu?
Eu também ajudei!
- Não me lembro disso. - Estes idiotas acham-se os maiores.
- E depois? - Cresçam e apareçam!
Somos uma equipa.
Isto está vazio.
- Onde está a cerveja? - Borges!
- Sim? - Tens uma visita.
- O quê? - Tens uma visita.
A hora de visita acabou.
Quem me visita a esta hora?
Isso é confidencial. Cala-te e anda.
Não vás, Marito. Isto cheira mal.
Pior do que na nossa casa nova.
Deve ser o advogado que a Gladys mandou.
- De certeza? - Sim.
- Eu vou contigo, Mario. - Não. Instalem-se.
Comam qualquer coisa. Até logo.
- Não façam asneiras. - Não!
Porque estás a apontar para mim?
- Qualquer coisa, diz, Marito. - Sim.
- Filho da… - Cala-te! Ou obrigo-te a calar, cabrão.
Tem calma, cabeça-dura.
És o anfitrião. Vim visitar-te à tua nova casa.
Tens de me pagar pela merda que me fizeste, cabrão.
Tu pensas que te roubei,
mas eu tenho a certeza que tu me roubaste.
Vives à grande, Antín.
Agora que és um secretário da merda.
Secretário da Segurança Nacional.
Tenho linha direta para o presidente 24 horas por dia.
Escuta, filho da puta.
Disseste-me que o resgate da filha do juiz Lunati
era de 3 milhões de dólares.
A minha parte era de 300 mil dólares.
Certo?
Quando abri a mala e contei o dinheiro, havia 186 mil dólares.
Onde estão os 114 mil que faltam?
Não me fodas, Antín.
Com os esquemas que tens vens ameaçar um recluso?
- Vai-te foder. - Escuta, idiota.
O país está em crise. Perdemos as eleições.
Sabes o que aconteceu ao dólar?
- O quê? - Foi com o caralho!
E tu não és um recluso qualquer.
És um imbecil do caralho que sabe demasiado sobre mim.
Dá-me o dinheiro
ou mato a puta da tua mulher, o teu irmão e corto-te os tomates com um vidro.
Entendeste, filho da puta? Não me fodas.
Vamos, Capece.
Não quero sopa, mamã!
Obrigado pela laranja.
A tangerina.
A tangerina típica.
É estranho ver-vos aqui.
Atenção a todos!
Não sejas mal-educado. Para de comer. Estou a falar.
Vejam bem aqueles tipos ali. Estão a vê-los?
Estão a vê-los ou não?
O Coco deu-lhes a sua bênção.
Este é o único aviso. Na próxima vez, passamos ao castigo.
Entendido?
- Entendido ou não? - Sim.
Qualquer coisa, digam.
Obrigado, meu. Até logo.
Ouviste bem, Pastor?
Ouviste ou não?
Somos aliados do pessoal da pesada.
Estou a falar contigo, mal-educado. És surdo?
Pois é, ele não se chama Pastor.
O nome dele é Miguel.
Ele tem dois nomes. Vão conhecê-lo melhor.
Vá lá, novato.
És amigo das miúdas? Elas não te vão salvar.
Dá-me um tabuleiro, amigo.
Não quero molho. Fico com refluxo.
Apetece-me dar cabo dele. Está tão perto.
Esquece, meu. O Mario disse para não fazermos nada.
Está tudo bem.
Disseste a verdade a todos?
Ou não?
Fazes-te de desentendido? Vocês sabem?
Prestem atenção, idiotas esfomeados!
Sabiam que ele é chui?
Polícia?
Bófia?
Moina? Judite?
Tem mesmo cara de polícia.
Já todos sabem.
Não importa. És um cabrão.
Vê como se instalou.
- Tem o seu grupo de palhaços. - Come.
- Como é possível? - Senta-te.
- Senta-te e come. - Está bem.
- Come. - Não acredito nisto.
Espera. Deixa-me dizer uma coisa.
Mais uma coisa.
Vou dizer mais uma coisa e não falo mais.
Tenham cuidado com este gajo!
Ele fodeu-nos a vida em San Onofre. A vida de todos em San Onofre.
- Ele é um traidor, certo? - Sim!
Claro. Todos o odeiam.
Todos.
Até a cabra da Molinari o deve odiar.
Vem cá, filho…
Vai-te foder, filho da puta!
Tu já vais ver, filho da puta!
A culpa foi tua, Miguel.
- No fim disto, estarei à tua espera. - Cala-te, imbecil.
Filho da puta!
Juan Pablo Borges.
Eu avisei-te, pessoalmente.
Este idiota provocou-me.
E tu, Palacios.
Pensei que tinhas aprendido depois da solitária.
O que nos vão fazer?
Vocês obrigaram-me a fazer isto.
Mas…
… têm de aprender de alguma forma.
Para vos livrar dos pecados, podia usar métodos…
… mais sofisticados.
Mas seria um desperdício de tempo e dinheiro.
Felizmente, tenho pessoal qualificado.
Especializado…
… neste tipo de casos.
Porque com pessoas como vocês,
a única coisa que funciona é a brutalidade mais primitiva.
O macho alfa
domina os seus lacaios
usando o seu instrumento mais básico.
Agora, temos um dilema.
Qual de vocês usaremos como exemplo
para o outro…
… entender?
Podia atirar uma moeda ao ar,
mas seria uma perda de tempo.
Por isso…
… cara ou coroa?
Cara ou coroa?
Com esse rosto, serás sempre cara.
O que me vais fazer, cabrão?
O que me vais fazer?
O que me vais fazer?
Solta-me.
Tira-me daqui.
Solta-me. Baza, filho da puta!
É verdade.
Quanto mais jovens são…
Solta-me!
… melhor ficam gravadas as lições
na mente e no corpo.
Soltem-me!
Soltem-me!
Legendas: Ruben Oliveira
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.