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Passaporte!
Belo carro.
Onde o conseguiu?
Ele ficou durante a guerra na Su��a.
- Como voc�? - Como eu.
Est� vindo da Su��a.
A garota, tamb�m.
Preciso ver seu rosto.
Posso falar com voc�?
- Ela n�o � a Eva Braun. - Claro que n�o.
Ela foi morta pelo marido.
Ela veio do campo de concentra��o.
- Mostre seu rosto! - Por favor!
Cale a boca!
Mostre-me seu rosto, agora!
Desculpe!
Tudo bem.
Deixe-a passar!
- Art Subs - 6 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - rMonta -
O buraco do ferimento � de um tiro.
Acharam que voc� estava morta. Voc� teve sorte.
Voc� pode ver?
Isso � bom.
A paciente tem febre. Penicilina por via intravenosa.
Ma�� do rosto e o osso nasal est�o quebrados.
Desprendimento de lascas do osso craniano esquerdo.
Voc� era uma cantora?
Onde?
Mais recentemente, no coral St. Michaels.
Em Londres?
- Sim. - Quando?
At� 1.938.
Ent�o voc�, uma judia, voltou para c�. Por qu�?
Eles t�m adegas maravilhosas.
E h� uma verdadeira planta��o no parque.
Logo poderemos caminhar por a�.
E voc� poder�...
Quem est� pagando por isso, Lene?
- Voc�? - N�o.
Voc� herdou.
Toda a sua fam�lia est� morta.
Herbert e Marie...
- Os g�meos... - Esther?
Ainda n�o a encontrei.
Onde est� Johnny?
Ent�o, como voc� quer se parecer?
A escolha � sua.
Algumas das minhas pacientes preferem Zarah Leander,
outras a Srta. S�derbaum.
Acho que ambas est�o fora de moda agora.
Alguns senhores l� fora provavelmente
gostariam de caras novas, tamb�m.
Quero parecer como eu era.
Isso � dif�cil. Recomendo que pense melhor.
Por qu�?
Por um lado, nunca fica a mesma coisa,
e, por outro, um novo rosto � uma vantagem.
Como isso � uma vantagem?
Ser� uma pessoa nova e diferente.
Voc� n�o ser� identific�vel, o que significa...
Quero parecer exatamente como eu era.
Voc� receber� um anest�sico intravenoso.
N�o posso usar m�scara de �ter devido a condi��o do seu rosto,
mas n�o fique preocupada, voc� vai dormir profundamente.
Basta contar para tr�s: dez...
nove, oito, etc.
Sabe como os americanos dizem? "Contagem regressiva".
� de um filme alem�o, "Die Frau im Mond".
Ent�o agora conte, dez...
- Dez. - Nove...
- Nove. - Continue.
Oito, sete...
seis, cinco...
Johnny.
JUDEU. JUDEU. JUDEU...
ESTHER BLUM
Senhor!
Senhor! O que acha que est� fazendo?
Perd�o?
Desculpe. Lene Winter, da Ag�ncia Judaica.
O que aconteceu?
N�o queria deixar que alguns cart�es desaparecessem.
N�o h� outros.
- Posso dar uma olhada? - V� em frente.
JOHANNES LENZ - PIANISTA
DIVORCIADO 04 DE OUTUBRO DE 1.944
Isso j� est� parecendo muito bom.
Mais alguns dias e vamos tirar as bandagens.
Encontrei um apartamento.
Em Haifa.
Voc� pode ver o mar.
Lindo, arquitetura totalmente limpa.
Bernstein projetou.
Tenho fotos. Quer dar uma olhada?
Olhe.
N�o, eu n�o o vi.
Nelly, tudo foi bombardeado. N�o existe mais.
Eu n�o existo mais.
Nelly, lembra como se sentia h� tr�s meses?
O qu�o desesperada voc� estava?
� extraordin�rio o que o Dr. Bongartz...
Em breve, as ataduras...
Voc� me reconhece?
Voc� me reconhece?
Sim.
N�o.
Esta sou eu.
Onde conseguiu isso?
A cl�nica precisava de imagens para a reconstru��o.
Desculpe, essa � a palavra errada.
O Dr. Bongartz usou e eu simplesmente...
- Recria��o � melhor, n�o? - Recria��o.
Basta olhar para mim.
Nelly, voc� � linda.
Essa n�o � a quest�o.
O que os c�rculos significam?
S�o nazistas.
E as cruzes s�o para os mortos?
Sim.
Precisamos de uma cruz em cima de Esther, tamb�m.
� um milagre que voc� sobreviveu.
N�o h� cruz acima do Johnny.
Johnny n�o me interessa.
Aqui tem vestidos,
uma blusa de tecido ingl�s,
e h� dois casacos, um de ver�o e um forrado,
para voc� come�ar.
Foi tudo adquirido pela Srta. Winter.
Tecido maravilhoso.
Seu tamanho � 38, n�o �?
Quando voc� vai para a Palestina?
Ainda n�o sei.
Este � o banheiro,
totalmente equipado,
e em perfeito funcionamento.
Se precisar de alguma coisa, por favor me avise.
N�o, n�o vamos fazer isso.
A luz fica apagada.
Temos uma verdadeira praga de moscas.
A guerra n�o parece incomod�-las.
Eles v�m do lago em enxames.
N�o, por favor, prefiro fazer isso sozinha.
- Quando � o jantar, Elisabeth? - �s sete, se voc� concordar.
- O que voc� preparou para n�s? - Repolho recheado com p�o doce.
De onde veio o p�o doce?
N�o tenho a noz-moscada, nem manteiga,
nem pimenta preta, � horr�vel.
Mas voc� improvisa t�o maravilhosamente.
Improvisar, improvisar!
Em algum momento � preciso improvisar.
Elisabeth � realmente not�vel.
- Ela n�o � nazista? - Ela sempre odiou os nazistas.
Ent�o, voc� gostou?
Sim.
�timo.
Os pap�is do apartamento de Haifa est�o sobre a mesa.
E encontrei dois outros para n�s em Tel Aviv.
� um projeto habitacional. Eles nos d�o o terreno.
N�o foi f�cil n�s duas obtermos visto.
# Querida, fale baixinho
# O amor � uma fa�sca Que se perde no escuro
# T�o r�pido, t�o r�pido
# Eu sinto
# Para onde quer que eu v�
- Aqui est�. - Obrigada, Elisabeth.
# Que o amanh� est� pr�ximo Que o amanh� � aqui
Voc� consegue?
Sim.
Posso ouvir isso de novo?
� bom, n�o?
Eu ouvia isso em Londres antes de adormecer.
Cantaria isso para mim?
Claro.
N�o suporto mais can��es alem�s.
Quando voc� estiver melhor, vamos cuidar de seus ativos.
� muito?
S�o substanciais. Os im�veis foram tomados pelos nazistas.
Vai demorar um pouco, mas h� muito dinheiro na Su��a.
� dinheiro das v�timas, isso traz uma obriga��o.
Para qu�?
Ir para a Palestina fundar um Estado
onde os judeus possam viver em seguran�a.
Al�m disso, pegar de volta tudo que eles tomaram.
Talvez ent�o possamos cantar can��es alem�s novamente.
Gostou?
Sim.
Ent�o me d� alguma coisa.
Sim.
Estou procurando o meu marido.
Ele � um m�sico, tamb�m.
O que ele toca?
Ele � pianista.
Se ele tiver sorte, estar� em um dos cabar�s ou clubes.
Se n�o, estar� em um canto com um acorde�o.
Quais clubes?
Tente o setor americano.
Johnny, o que foi que eu fiz?
Eu s� queria dan�ar um pouco.
Me solta! Johnny! Fique longe de mim!
Johnny.
Sim.
Desculpe. Eu o confundi com algu�m.
Fique onde est�.
Eu disse para ficar parada ali.
O que voc� tem na bolsa?
Mostre-me.
Um casaco fino!
Nunca removerei isso.
� piche.
Por onde ela andou?
Pode nos deixar por um momento, Elisabeth?
Voc� o encontrou?
N�o pode vagar pelas ruas � noite.
H� todo tipo de gente l� fora.
Eu n�o saio sem um rev�lver.
N�o posso cuidar sempre de voc�, tenho que ir � Pol�nia em breve.
- Posso ficar l� por um tempo. - Quanto?
Uma semana, duas, talvez mais.
Voc� pensou sobre Haifa ou Tel Aviv?
Em Tel Aviv h� um coral judaico dirigido por Vera Stroux.
Poderia servir para voc�.
O que eu faria em um coral judaico?
- N�o sou judia. - Voc� �, gostemos ou n�o.
Eles tentaram mat�-la porque voc� � uma judia.
N�o podemos ficar aqui, Nelly.
Johnny traiu voc�.
Voc� foi presa no dia 6 de outubro de 1.944.
Johnny foi preso em 4 de outubro de 1.944.
Ele foi interrogado
e liberado logo ap�s sua pris�o em 6 de outubro.
Ele n�o foi para pris�o. Nenhuma puni��o. Pelo contr�rio.
Foi autorizado a voltar a tocar. Agora ele quer o seu dinheiro.
Voc� o viu?
- Sim. - Quando?
Dois meses atr�s.
Falou com ele?
N�o falo com traidores.
Maravilhoso! Maravilhoso!
Temos cerveja.
Temos cerveja gelada. Temos u�sque.
Temos champanhe.
Mas est�o faltando dan�arinos?
Onde est�o as garotas?
E agora as nossas encantadoras, Vicky e Lola
cantar�o a inigual�vel can��o de Cole Porter...
"Night and Day".
Noite e dia.
# Noite e dia Eu penso em voc�
# Incont�veis semanas passaram E eu s� ansiava por voc�
# Dos sonhos que eu tenho � noite
# Acordo todas as manh�s mais uma vez
# E sua doce imagem ainda est� diante de mim
# Onde eu estiver, estou com voc�
# Ouvi muitas vezes seus passos familiares
# Pararem na minha porta
# E o brilho de seus olhos
# Iluminar as horas escuras
# Da minha solid�o
# Alegremente
# Noite e dia,
# Eu sinto essa m�o amada
# Que voc� suavemente me deu Enquanto est�vamos na campina
# Das minhas esperan�as Voc� � a miragem
# Desaparece quando me aproximo
# E meu anseio permanece inalterado
# Noite e dia
# Como a chuva...
Johnny!
# Como um vento lamentoso sussurra
# S� voc�, voc�, voc�
Nelly?
Tudo bem?
Sim.
Espere um minuto, eu j� volto.
Um rev�lver para voc�, tamb�m.
Sabe como us�-lo?
�s vezes, s� mostrar � o suficiente.
Estou procurando o Johnny.
Foi ele que te deu esses olhos pretos?
Ele trabalha aqui.
N�o h� nenhum Johnny aqui.
Mas eu o vi.
N�o conhe�o nenhum Johnny. Voc� conhece?
# Johnny, seu porco, seus bolsos est�o vazios
# Mas a adega est� cheia, ent�o realmente h� abund�ncia
# O mundo � um cais coberto de meninas
# Os marinheiros cruzam olhares quando elas d�o uma pirueta
- Que tal um caf�? - Dois.
- J� vem. - Voc� � o Johnny?
- A boneca aqui quer trabalhar. - Mas n�o bata nela novamente.
Johannes, mexa-se!
Deve falar com ele, senhorita.
Com licen�a, senhor.
� a garota errada.
Por favor, voc� precisa sair.
Est� procurando trabalho?
Voc� tem um apartamento?
Ele � seu?
Espere, senhorita.
Venha, n�o temos muito tempo.
Podemos ganhar muito dinheiro.
Voc� � muito parecida com algu�m.
- Com quem? - Minha mulher.
Viva, ela era pobre, morta, ela � rica.
O qu�? Por qu�?
Ela e toda a fam�lia foram mortos.
Por aqui.
Pode ficar com o quarto.
Eu durmo aqui.
N�o posso receber a heran�a dela.
N�o h� prova de que esteja morta.
- Talvez ainda esteja viva. - Ela est� morta.
Vai se passar pela minha esposa.
Vou instru�-la.
Vai reaparecer como sobrevivente,
e pegar as propriedades dela.
Vamos dividi-las.
H� 20.000 d�lares nisso para voc�.
Mas voc� n�o pode sair pelas pr�ximas semanas.
Ningu�m pode v�-la.
Vou cuidar da alimenta��o.
- Tem cerveja americana ali. - Johnny!
Por favor, n�o me chame assim.
E como devo cham�-lo?
Johannes.
Vai me chamar de Johnny em p�blico.
- At� l� � Johannes. - P�blico?
Sim, quando voltar como sobrevivente.
Qual � o seu nome?
Esther.
N�o sobraram muitas Esther.
Qual era o nome da sua mulher?
Nelly.
Estarei de volta �s quatro.
Por favor, me deixe dormir at� tarde.
Eu...
realmente pare�o com ela?
N�o. Mas vai parecer.
Lene?
Lene!
- Nelly? - Sim.
N�o, n�o acenda a luz.
Voc� o viu.
Sim.
O que aconteceu?
Est� aberta.
Por favor, volte para fora.
Refa�a sua entrada.
Entre novamente.
Sem a bolsa.
N�o olhe para mim, s� d� alguns passos.
Basta entrar e descer a escada.
Basta continuar e descer a escada.
Tinha esperan�a que voc� n�o fosse voltar.
- Por qu�? - N�o vai funcionar.
Aqui est�o dois d�lares.
E um cart�o de racionamento. Sinto muito.
Pegue.
Agora saia.
- Mas dever�amos praticar! - N�o vai funcionar.
- Por que n�o? - Porque voc� n�o vai conseguir.
Agora pegue... Pegue o dinheiro
- e saia. - Poder�amos ao menos tentar.
- Leve sua bolsa. - S� por alguns dias.
Se eu n�o conseguir, vou embora.
Por favor.
Por favor.
Sente-se no outro lado.
Aqui est� uma amostra.
Voc� deve ser capaz de escrever como ela.
Pratique.
� uma lista de compras.
Sim, � por onde vamos come�ar.
Agora pratique.
� tudo que voc� tem?
Vou ver o que posso arranjar.
Pratique.
Tem um pouco de comida sobrando.
Obrigada.
O esfor�o foi em v�o.
N�o h� dinheiro na gaveta.
O qu�?
Ah, isso.
- Eu precisava de exemplos. - De qu�?
Da caligrafia dela.
Eu terminei a lista de compras
- e precisava de mais material. - Mostre-me.
Est� em cima da mesa.
Voc� n�o escreveu por cima?
N�o.
Sente-se.
Nunca vou me acostumar a dirigir pela esquerda.
Escreva isso.
Nunca vou me acostumar a dirigir pela esquerda.
Escreva.
Eu estou viva e voltarei em breve.
Assinado, Nelly Lenz.
Esta � a assinatura dela.
� quase id�ntica.
Bom. Volte a dormir, continuamos amanh�.
- Bom dia. - Bom dia.
Eu trouxe algumas coisas para voc�.
S�o coisas da Nelly?
Elas foram queimadas.
Os sapatos s�o dela.
Eles s�o de Paris!
Experimente-os. Experimente os sapatos.
- Voc� comprou para ela? - Acho que sim.
Eles servem?
Foram juntos para Paris?
Preciso saber essas coisas.
Experimente o outro. Caminhe com eles.
Est�o apertados?
Ent�o, por que est� andando assim?
Precisamos praticar isso.
Eu acabei de levantar.
Ainda n�o tomei caf�.
A �gua est� fervendo. J� vamos comer.
Agora, ande normalmente.
Est� muito comprido.
Voc� pode costurar?
- Encurt�-lo. - O vestido?
Os dela iam at� logo abaixo do joelho.
Sempre bonitos e curtos, largos e arejados.
- Pode cuidar disso? - Esse � o meu caf�?
Seu cabelo est� horr�vel.
Algo tem que ser feito.
Nelly sempre tingia o cabelo.
- Mais alguma coisa? - Sim, um monte.
Estamos apenas come�ando.
Se conseguirmos, quando terminarmos aqui,
voc� vai pegar um trem para o leste
e vamos nos encontrar na esta��o.
E eu vou estar...
com um vestido vermelho e sapatos de Paris?
Voc� acha que algu�m deixa os campos assim?
Ningu�m vai acreditar.
Voc� viu os retornados.
Todos com queimaduras e rostos deformados.
Ningu�m olha para eles. Todos os evitam.
Mas queremos que eles olhem para voc� e digam, � a Nelly!
Nelly conseguiu! Ela est� de volta!
Ela est� usando um vestido e lindos sapatos
porque est� muito feliz.
� isso que vai nos dar o que queremos.
Quem vai esperar na plataforma,
ou quem poderemos encontrar.
Nomes e alguns detalhes.
Decore tudo.
Estarei com voc�, vou ajudar.
Se necess�rio, tenha uma crise de choro.
Como se estivesse abalada.
Ou apenas abrace-os, e eu vou intervir.
Vamos praticar.
Aqueles com cruzes est�o mortos.
Saiba mais sobre eles.
Essa foi tirada em Lichtenberg. Ele era um nazista.
- Este? - Sim.
E ela tamb�m.
Voc� tem alguma foto da Nelly?
Eu gostaria muito de v�-la.
Depois. Estude esses agora.
- Que cor de olhos Nelly tem? - A mesma que voc�.
- Que cor � essa? - Azul.
Bom dia.
Bom dia.
Encontrei a solu��o para o seu cabelo.
N�o � a minha mulher, � uma atriz.
Nelly gostava dessa imagem.
O estilo, a maquiagem.
O cabelo.
Ela copiou. Para as performances.
Em todas as apresenta��es, na verdade.
Acha que pode conseguir?
Voc� sabe se maquiar, n�o �?
Eu trouxe alguma coisa.
E algo para o cabelo.
A cor deve estar certa.
Isso n�o vai funcionar.
N�o posso chegar de um campo assim.
- J� expliquei isso. - N�o, isso �...
Eles querem a Nelly, n�o uma maltrapilha.
� no que estamos trabalhando.
Se estou chegando...
de um campo, algu�m vai me perguntar
o que eu passei l�, o que eu...
O qu�?
Como ele era.
- Vou precisar de uma hist�ria. - Que tipo de hist�ria?
- O qu�? - Qualquer coisa.
Como...
como est�vamos sentadas em uma t�bua,
nuas e...
passando pelo meio da roupa
de quem tinha acabado de chegar,
enquanto os oficiais nos rodeavam.
Nos revistavam atr�s de dinheiro,
ou j�ias que escond�amos,
e ent�o aquela...
menina, aquela menina...
olha para mim.
Aquela menina olha para mim...
- De onde vem essa hist�ria? - Ela pegou o vestido da m�e...
De onde tirou isso?
Eu li.
Ent�o diga isso.
Se algu�m perguntar.
Sim.
Mas eu garanto, ningu�m vai perguntar.
Nenhum desses vai perguntar.
Certo. Ningu�m.
Voc� fez muito bem. Com o vestido.
Johnny!
Falei para n�o me chamar assim.
Aonde voc� est� indo?
- Eu tenho que sair. - Eu tenho que sair, tamb�m.
Espere.
Voc� me reconhece?
Johnny.
Chega! Chega!
Com que voc� untou seu rosto?
A maquiagem dos olhos est� errada.
Seu andar, tamb�m.
Est� tudo errado.
Voc�, pelo menos, decorou?
- Eu tenho que sair. - N�o, n�o...
- Eu preciso. - Voc� n�o pode sair.
Se voc� sair e algu�m te reconhecer,
- foi tudo em v�o. - Ningu�m vai me reconhecer.
Eu tenho que sair!
Por favor.
Primeiro o merceeiro parou de vender para n�s.
Depois, o Sr. Schmidt-Ott, o vizinho da frente.
Nelly foi proibida de cantar.
Os mais amigos n�o vieram.
Sigrid e Walter Hochbaum moravam no terceiro andar.
Eles pararam de vir, tamb�m.
Eu tive que esconder Nelly no inverno de 43.
Lehmann n�o a deixou ir ao abrigo anti-bomba.
T�nhamos certeza que ele denunciaria Nelly em breve.
Ele tinha inveja do nosso apartamento.
Um amigo que morreu no front
tinha uma casa-barco em um lago nas proximidades.
Foi aonde a levei.
Como nos conhecemos?
Coloque o chap�u. Tem gente vindo.
Vamos.
- Voc� sempre caminhava com ela? - Sim.
� noite?
Tamb�m, sim.
Aonde voc�s iam?
Voc�s tinham lugares favoritos?
Claro.
Quais eram eles?
- Vamos. O tempo est� mudando. - E da�?
Vamos nos sentar ali?
Pare com isso!
Voc� n�o ouviu?
- O que foi? - As fotos na gaveta s�o minhas.
- � claro. - Ent�o, n�o mexa!
- N�o olhei as fotos. - Pare de brincar, Nelly!
Eu sei que voc� n�o � ela!
N�o sou eu que deve convencer!
- Onde est� o seu chap�u? - No banco.
Vem para uma cerveja mais tarde? - Claro. Olha!
Como � lindo estar apaixonado!
Tome.
Eu n�o teria sobrevivido ao campo se n�o fosse o Johnny.
Eu s� pensava em como voltar para ele.
E quando eu finalmente cheguei aqui
eu simplesmente tinha que procur�-lo.
E quando eu finalmente o encontrei
ele n�o me reconheceu.
E foi...
Lene, foi como se estivesse morta outra vez.
E...
agora ele est� me fazendo voltar a ser Nelly novamente.
N�o posso ir para a Palestina.
Aonde voc� vai, ent�o?
- Com Johnny. Voltar para ele. - Imposs�vel.
Lene, j� estou de volta com ele
- Eu sou eu de novo. - N�o.
- Quando ele fala dela... - Dela!
Estou com ci�mes... de mim!
- Quando vai dizer a ele? - N�o sei.
Lene, � como se estiv�ssemos nos conhecendo.
Pela primeira vez.
E como isso vai continuar?
Logo eu chegarei de trem. Ele vai inform�-la sobre isso.
Ent�o eu estarei aqui novamente.
Ser� o meu retorno.
Depois ele vai atr�s do seu dinheiro.
Sabe o que me enoja?
N�s judeus escrevemos,
cantamos e fomos escravos...
alguns foram soldados, todos foram mortos por gases.
Agora os sobreviventes voltam e perdoam.
Esquecem as c�maras de g�s e perdoam...
todas as acusa��es de covardia e de trai��o.
N�o concordo com isso, Nelly.
Lene, eu sei que ele a ama.
N�o acredito que ele a traiu.
Quando voc� estava sentada no escuro
pensei que tinha atirado nele e precisava da minha ajuda.
E honestamente, eu teria preferido isso.
Vou esperar por voc� aqui.
Sra. Lenz!
Estou t�o feliz em v�-la novamente.
Seu marido, tamb�m?
Voc� sabe como s�o os homens nos dias de hoje.
E como eles s�o?
Posso oferecer-lhe algo?
Temos caf� de verdade.
Para os nossos convidados.
Elsie, fa�a-nos um caf�.
Voc� sabia que eu estava escondida no barco?
N�o.
N�o.
Eu vi voc�...
na janela...
quando fui presa.
Voc� e seu marido.
Foi horr�vel.
O que poder�amos ter feito?
Eu disse o mesmo para o seu marido.
Ficamos com muito medo.
- E voc� conhece nosso filho... - Meu...
marido esteve aqui de novo?
Sim, depois de sua pris�o.
Quando?
Imediatamente ap�s.
O que est� fazendo aqui?
Deve ter sido frio...
no inverno.
Como foi com os propriet�rios?
Voc� estava certo.
A dona da casa n�o perguntou sobre os campos.
Mas ela me chamou de Sra. Lenz.
E ela chorou.
Voc� estava aqui no dia em que Nelly foi presa?
Quem disse isso?
A dona da casa.
Vamos embora.
Voc� traiu Nelly?
�s vezes...
n�o � uma trai��o de verdade.
Voc� a escondeu...
Tinha que se preocupar o tempo todo com ela.
Depois voc� � preso e interrogado.
Finalmente voc� � subitamente liberado.
Voc� se apressa para ver como ela est�.
Voc� n�o nota que est� sendo seguido.
Ent�o � tarde demais.
Voc� fica ali
e n�o h� nada que possa fazer.
Voc� tem que assistir Nelly sendo levada embora.
Des�a.
Venha.
Faremos Nelly retornar na pr�xima semana.
Na esta��o estaremos eu,
Sigrid, Monika,
Frederike, Walther e Alfred.
Um trem vai chegar, muitas pessoas v�o sair.
Voc� estar� sentada na parte de tr�s.
O trem vai come�ar a se mover,
ent�o eles v�o te ver...
com o vestido vermelho...
e os sapatos de Paris.
A Nelly do passado.
Eles ficar�o aliviados.
V�o correr em sua dire��o.
Sigrid ser� a primeira. Ela sempre �.
Ela vai fingir estar sem palavras.
"Eu n�o acredito!"
"Nelly!" Ent�o ela vai abra��-la.
Alfred, como sempre, vai dizer, "Pequena Nelly."
Tamb�m poderia ser, "Como voc� cresceu".
Monika vai falar do marido.
"Eu sempre soube que voc� iria voltar."
Frederike vai reclamar da vida e de Berlim.
E quanto a n�s?
Vamos andar at� o outro.
Muito hesitantemente.
N�o vamos falar...
nos beijar ou nos agarrar.
Vamos apenas nos abra�ar.
Voc� vai colocar a cabe�a no meu ombro
e vamos os dois fechar os olhos.
N�o vamos fazer mais nada.
Nada. Por muito tempo.
REFER�NCIA. A SRA. SCHWARZ ESTEVE A MEU SERVI�O
DE MAR�O A SETEMBRO DE 1.945.
ELA � UMA EXCELENTE GOVERNANTA.
Ela deixou-lhe uma carta, tamb�m.
Estou entregando a voc�.
Mas onde est� Lene, ent�o?
Voc� n�o sabe?
A Sra. Winter atirou em si mesma na quinta-feira.
Cara Nelly,
Eu disse que n�o h� caminho de volta para n�s.
Mas para mim n�o h� como seguir em frente.
Me sinto mais atra�da pelos nossos mortos
do que pelos nossos vivos.
N�o posso esconder isto de voc�.
Seu marido se divorciou de voc�
pouco antes de sua pris�o.
Estou anexando uma c�pia do documento.
Adeus,
Lene
Espere. Vou pegar a chave.
O trem chega por volta das oito. Uma hora e meia � suficiente...
para um banho, maquiagem e cabelo?
Ou voc� precisa de 45 minutos?
Alguma pergunta, Nelly?
Me chama assim, agora?
Um deslize, eu acho.
Temo que isto v� doer um pouco.
Os prisioneiros de Auschwitz eram tatuados.
Com um n�mero no antebra�o.
Algu�m vai perguntar sobre o seu n�mero.
E voc� ir� sussurrar...
que voc� cortou.
N�o vai haver mais perguntas.
Saia.
EM NOME DO POVO ALEM�O!
04 DE OUTUBRO DE 1.944
JOHANNES LENZ... DIV�RCIO... NELLY LENZ
Nelly!
Eu n�o acredito!
� t�o...
N�o sei...
Me d� um abra�o.
Eu disse ao Wolfgang...
Nelly vai voltar, eu sei disso.
Se ele pudesse ver voc�...
Se...
Bem, Nelly...
Christina est� morta.
Minha filha est� morta.
Mas agora v� para o Johnny. L� est� ele.
Vamos, crian�as. A comida est� esfriando.
N�s sentimos sua falta.
Dois dias atr�s eu passei no est�dio.
O banco circular onde voc�s sempre se sentavam juntos.
A ilumina��o p�blica estava de volta.
Um piano estava tocando. Algu�m estava cantando.
Eu fechei os olhos.
E por um instante era como antigamente.
Sim... E agora voc� est� aqui, Nelly.
N�o tenho que fechar os olhos para v�-la.
Nunca mais.
Pelo seu regresso, Nelly.
- Para Nelly. - Para Nelly.
Nelly...
Voc� � meu amor.
Voc� � minha vida.
N�o importa o que aconteceu.
Venha.
Venham.
"Speak Low".
- "Speak Low"? - Sim.
Eu sempre quis...
cantar com Johnny de novo...
um dia...
em Berlim...
# Fale baixinho
# Quando voc� falar de amor
# Nossos bons momentos Sempre acabam
# T�o r�pido, t�o r�pido
# Fale baixinho
# Quando voc� falar de amor
# Nossos momentos juntos s�o breves
# Como navios � deriva
# Somos varridos para longe
# T�o r�pido
# Fale baixinho
# Querido, fale baixinho
#O amor � uma fa�sca Que se perde no escuro
# T�o r�pido, t�o r�pido
# Eu sinto
# Para onde quer que eu v�
# Que o amanh� est� pr�ximo
# Que o amanh� � aqui E sempre t�o ef�mero
# O tempo � t�o velho
# E o amor, t�o breve
# O amor � ouro puro
# E o tempo, um ladr�o
# � tarde
# Querido, � tarde
# A cortina desce
# Tudo termina
# T�o r�pido, t�o r�pido
# Eu espero...
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