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Caro público,
deem as boas-vindas ao palco à minha querida amiga Kathleen Madigan!
Olá, Milwaukee.
Muito bem.
Vocês parecem espetaculares.
Esta viagem foi divertida.
Da última vez que estive aqui, no hotel onde fiquei,
havia uma convenção da Mary Kay.
Pois é. Pensei: "A sério? Ainda se faz isso?"
Eu…
Achava que isso tinha desaparecido como as vendas da Tupperware.
Não.
Cadillac rosa atrás de Cadillac rosa.
Pensei: "Meu Deus!" E depois entrei no elevador.
Estavam tão empolgadas!
E eu disse: "Isto da Mary Kay parece ser mais excitante do que pensava."
E a senhora diz: "Querida, não há nada acima
da Mary Kay e de Jesus."
Pensei: "Veio depois.
Que o amaciador."
Isso é fantástico.
Adoro estar no Centro-Oeste. Sou de lá.
E gostava de salientar que, como povo pioneiro,
éramos desistentes.
Nós…
Começámos em força.
Depois, desistimos algures a meio.
Sim, porque pensem nisso.
Quando vou a Washington e ao Oregon, e há prédios que dizem 1837,
fico: "Alguém conseguiu."
"Alguém deixou a Carolina do Norte ou a Virgínia para…"
Nunca teria saído de lá.
Não percebo. São tão agradáveis e bonitos.
Não quero ir para a escuridão, onde há ursos
e não temos mapas nem telefones, numa carroça.
Não.
Mas depois penso, se fosse a esposa, teria tido de ir, não é?
Depois, fantasiaria
com o estado onde o teria matado…
… na viagem, certo?
Era no Iowa, caso estejam a pensar qual era a fantasia.
Um pouco a sul de Des Moines, e não é nada pessoal.
É só que, no Iowa, não há uma colina, um ramo ou uma montanha para parar o vento
e nunca tive tanto frio na vida.
Se fosse a pioneira, teria ficado sentada na carroça
a carregar o mosquete o dia todo.
À espera que ele voltasse, adormecesse e depois…
… rolava-o para fora da carroça e voltava à Carolina do Norte
e diria: "Voltei!
Não é espetacular? Ele? Não quero falar disso.
Foi muito trágico. Não falo disso."
Aquelas pessoas chegaram tão longe. É o que…
E acho que desistir…
Fomos os desistentes e acho que foi boa ideia.
As pessoas dizem sempre: "Não desistas dos teus sonhos."
Não, às vezes, percebe que tomaste uma decisão péssima.
E para.
Para com isso enquanto podes.
Imagina que chegaste ao Iowa ou ao Missouri, de onde sou.
Sabes o que se segue?
O Kansas e o Nebrasca.
Meu Deus! Numa carroça!
Não quero fazer isso de carro.
E fizeram-no de carroça.
Quando se sai de Kansas City,
há um cartaz enorme que diz:
"Não há nada durante 32 mil quilómetros.
Hashtag-Recompõe-te.
Hashtag-Nãoéabrincar."
Não estão a brincar.
É a sério. Não há nada.
Continuas a avançar pelo Kansas e nada.
Então, do nada,
há uma portagem e uma senhora a trabalhar lá.
E digo: "Onde vive? Na terra?
Vai lá para baixo, à noite, com as moedas?"
Não faço ideia de como esta senhora…
Sim, e pergunto-lhe: "Eu nunca faria isto,
mas estava a pensar, o que aconteceria se não lhe pagasse,
abalroasse aquela cancela e simplesmente continuasse a conduzir?"
Diz ela: "Não sei, mas sei que nunca mais poderia
atravessar o Kansas de carro."
Digo: "Devia pensar noutra ameaça."
Mas penso que houve quem conseguisse.
Chegaram ao Montana. E quantos morreram pelo caminho?
Foi horrível.
É por isso que acho que, no ano 2025,
se conseguires provar… Se estás no Wyoming,
no Montana, ou algures lindo,
e conseguires provar que um dos teus parentes chegou de carroça,
legalmente, devias poder matar quem chega de novo.
Sim.
Como fazem com os veados no Centro-Oeste, é uma lotaria.
Alguém aparece num jato privado.
Só um.
É isso. Não parece justo.
Gosto que sejamos desistentes no Centro-Oeste.
Os meus desistiram em St. Louis.
Atravessaram o Mississípi
e foi: "Sentem-se. Viveremos aqui."
Foi ridículo.
Não podes voltar.
Oito pessoas afogaram-se. Por amor de Deus! Não podemos…
E se houver outro ali?
Aqui está bem. Muito bem.
Faremos o melhor disto.
Por isso, acho que as pessoas no Centro-Oeste não…
Os outros estados têm tanto orgulho.
Como o Texas.
A Califórnia. "Nunca sairei daqui. Adoro."
Perguntas no Centro-Oeste: "Gostas de onde vives?"
Respondemos: "Sabes…
Não é mau.
Basicamente, foi onde parámos."
Acho que o Centro-Oeste…
Os meus amigos na Califórnia não entendem.
Dizem: "Vocês não têm praia, mar nem nada.
Que têm vocês?"
Respondo: "Estacionamento."
Nós…
Temos montes de estacionamento.
Temos uma quantidade absurda de assassinos em série
e isso mantém-te alerta num bar.
Percebem?
Não falem com toda a gente.
Só por terem o sotaque do Wisconsin
não significa que são boas pessoas.
Tem de se beber umas cervejas.
Mas a maioria é do norte do Centro-Oeste.
E culpo os invernos de lá por isso. São demasiado longos.
É muito tempo para estar tanto frio.
Ficas no apartamento, não sais o suficiente
e pensas em cenas estranhas,
como: "Como será que seria
e quanto tempo levaria até darem conta
se comesse todos no prédio?"
Tipo…
Sim.
Não somos muito woke.
Não acho o Centro-Oeste woke, desperto.
Mas também não gosto da ideia de que estamos a dormir.
Não estamos.
Somos como um cão velho num sofá, a dormir a sesta com um olho aberto.
Ainda podemos morder-vos,
só não estamos interessados nos vossos problemas.
Preferimos dormir uma sesta. Não nos vamos envolver.
Tenho alguns amigos woke.
Mas fico sempre surpresa
com como não são woke como acham ser.
A maior foi quando o Harry e a Meghan foram à Oprah
e disseram que a família real era má, distante e racista.
Era a insinuação deles, no mínimo.
Depois, os meus amigos woke disseram: "Dá para acreditar?
Que eles eram racistas?"
Sim.
Isto é…
Surpreende-te que as pessoas idosas no castelo…
O castelo…
Como achas que arranjaram o castelo?
Não são muito simpáticos enquanto grupo.
Acho que não somos muito culturais.
Tudo bem. Nunca pensei muito nisso enquanto crescia.
Tinha primos que cresceram em Washington
e vieram para um encontro.
Foi no 8.º ano e eles diziam: "Na visita de estudo em D.C.,
fomos ao Smithsonian e conhecemos um astronauta.
Fomos ao Teatro Ford ver onde Abraham Lincoln foi baleado."
Eu disse: "Parece espetacular."
Nós, em St. Louis, pelo quarto ano consecutivo,
fomos à fábrica da cerveja.
E…
Conheci um cavalo Clydesdale.
Não é um astronauta, mas chama-se Stan
e é muito baixo para o anúncio,
por isso, é mais um animal para fazer festinhas.
Fiz um trabalho
sobre porque se fica com mais ressaca com Budweiser do que com Bud Light.
E era uma escola católica. Nós…
As freiras só nos queriam meter no autocarro.
Até Anheuser-Busch.
Sou do tempo de ter tido freiras que eram professoras.
Agora, já não há.
Não há freiras. Nenhuma.
Sem trocadilhos.
Os meus sobrinhos andam na escola católica, não têm freiras.
Discuto sempre com a minha mãe.
Ela diz: "A Igreja Católica não devia mudar
e andar à vontade do vento.
Devíamos manter…"
Digo: "Sim, fazemos como queres, mãe.
Mas esgotam-se.
Ninguém quer ser freira, não neste país.
Enganas uma senhora num país pobre com um hambúrguer.
Ela inscreve-se, mas…"
É verdade. Ninguém se inscreve.
Talvez por não sermos flexíveis.
Podíamos fazer ajustes. Não digo para mudar tudo.
Só alguns ajustes.
Estão a pedir…
Para ser freira, é para a vida toda.
Mãe, a Geração Z não trabalha às sextas-feiras.
Eu não…
Ainda bem para eles. Se se safam assim, concordo.
Se aliviássemos as restrições nisso…
Em vez de dizer…
E vão dizer
às da Geração Z: "Vão casar com um homem invisível.
Têm de casar com Jesus quando forem freiras."
As amigas mais velhas diriam:
"É invisível? Isso é espetacular!
Que mais tenho de fazer?
Casa e comida grátis? Para já, alinho."
Mas as jovens, não.
Elas nunca… Ajustem um bocadinho.
Uma reunião de cinco minutos no Vaticano
e dizer: "Ouçam-me sobre as freiras.
E se não for preciso ser freira o tempo todo?"
Podias ser freira, às vezes.
Normalmente, estou de folga e disponível às segundas,
15 às 18 horas.
Quero dizer,
tenho de sair mesmo às 18 horas para o pickleball, mas posso.
As igrejas estão a fechar. Em St. Louis,
fecharam cinco paróquias. Cada uma é um pequeno funeral.
"Não St. Sabina. Fiquei tão bêbeda na fritada de peixe deles."
Adorava…
A cerveja deles era a melhor.
Era sempre a mais fresca.
Mas foi tão triste.
A arquidiocese fez uma reunião gigante em Chicago.
"Como podemos gerar interesse pelo catolicismo?
Estamos a perder membros. As paróquias estão a fechar."
Durou três dias.
O tipo sai da reunião e diz: "Temos uma ideia.
Achamos que aumentará a popularidade.
Seria espetacular se voltássemos a rezar a missa em latim."
É essa a vossa ideia após três dias?
Olha lá, Chico-Esperto, só dez pessoas falam latim, sim?
E já são católicas.
É o Papa, uns cardeais
e o meu irmão mais novo alega tê-lo tido no liceu.
Não sei se é verdade.
Isto é porque estes tipos não saem que chegue.
Não entendem a nossa concorrência.
As megaigrejas. Meu Deus!
Quero pegar nestas igrejas católicas antigas
e dizer: "Já entraram numa? Na megaigreja?"
Têm a porra de um parque aquático.
Tipo…
Há cabeleireiro de cães, tratadores.
Há amas.
Há toda uma Disney World naquele sítio.
Há comodidades, ginásios.
Que oferecemos nós?
Temos uma sala para crianças de 1957.
Que acham ser espetacular para as senhoras,
para levarem os bebés quando choram.
Temos de elevar a fasquia.
Já fui a megaigrejas com amigos.
São muito simpáticos. Adere-se sem nada.
Entras e dizem-te: "Amas Jesus?"
"Quem não ama?"
"Bem-vinda."
Está feita a reunião.
Não acontece isso, se quiseres ser católico.
Não. Muito mais difícil.
Uma das minhas amigas, que tem 35 anos, diz: "Não fui criada na religião
e estava a pensar tornar-me católica."
Nem pensei no que me saiu da boca.
Só disse: "Céus!" Tipo…
É muito tarde, és demasiado velha.
Isto é como esquiar na neve. Tens de saber se és novo.
Ao ficares mais velho, vais magoar-te.
Não é uma coisa boa.
Não faças isso.
Não tornamos nada mais fácil.
As megaigrejas são tão acolhedoras.
Temos de ter um panfleto com o que temos.
Quais os nossos pontos fortes.
As megaigrejas assustam-me quando dizem:
"O serviço religioso dura o dia todo ao domingo."
Meu Deus! O dia todo?
Céus! Não.
É a 1.ª coisa no panfleto católico.
O serviço religioso dura 45 minutos ou menos, sobretudo no futebol.
As megaigrejas apanham-te sempre com esta
à saída.
"Não se esqueçam de que temos estudo da Bíblia quarta-feira."
O quê? Não.
Não posso vir na quarta nem estudar a Bíblia.
Cheguei até aqui sem nunca a ler.
Não gosto do tipo de letra.
Acho-o muito perturbador.
Nunca me incomodou nunca ter lido a Bíblia.
Mas há oito meses, incomodou-me
porque ia haver um eclipse solar.
Todos diziam online: "Pode ser um sinal do arrebatamento."
E penso: "Merda! Tenho de descobrir o que isso é.
Eu podia…"
E se for o momento e eu nem sei?
Há um comediante, o Andrew,
cujo avô foi um evangélico da TV Batista do Sul, um tipo famoso.
Pensei: "O Andrew deve saber."
Liguei-lhe: "Andrew, fala a Kathleen.
Em cinco minutos ou menos,
podes explicar-me o que vai acontecer no arrebatamento?"
Diz ele: "Há muitas interpretações."
E eu: "Já meteste água, Andrew.
Isso não me importa.
Só quero saber o que tu achas."
Diz ele: "Vou dizer-te o que me ensinaram na nossa religião.
Vai haver um momento no tempo,
pode ser hoje, daqui a cinco ou a cem anos,
em que todos os que aceitaram Jesus Cristo como seu salvador…
Jesus vai voltar e eles vão ser arrebatados
com ele para o Céu."
As vossas coisas continuarão cá.
A roupa, o carro, a carteira, tudo.
Vocês vão desaparecer.
E ele disse: "Depois, Kathleen, tu e os teus amigos…
… serão o que chamamos 'os deixados para trás'."
E eu disse: "Está bem. A questão é que vou ter saudades tuas, Andrew.
Gosto de estar contigo.
Mas, até agora, só me disseste
que ficarei com os meus amigos judeus,
luteranos e metodistas e que ficamos com as tuas coisas todas,
portanto…"
Qual é o lado negativo? Qual é o senão?
E ele diz: "Há um senão. Não vai ser bom.
Durante sete anos após o arrebatamento,
haverá provações, adversidades, guerras e fomes.
Não vai ser um bom tempo para estar vivo na Terra.
No entanto, no fim desses sete anos, Jesus vai voltar outra vez.
E se tiveres aceitado Jesus Cristo, nesse período de sete anos,
como teu salvador, também serás arrebatada."
Eu disse: "Por isso é que disseram isso aos católicos."
Não nos podem dizer que há uma última chamada.
Só vamos agir no limite do prazo.
Isso faz parte de nós.
No marco dos seis anos e meio, alguém dirá:
"Pessoal, atinem.
Temos de nos recompor. Ele vai voltar."
E começa a discussão.
"Que devemos fazer?"
"Têm de aceitar Jesus como salvador."
"Pensei ter feito isso no crisma."
"Claramente não, pois ainda estamos aqui.
Ainda estamos aqui."
"Pronto, está bem.
Não é preciso zangares-te."
Disse ao Andrew: "Acreditas nisso?"
A sério, ele disse: "Às vezes.
Depois, às vezes, penso: 'Não!'
Mas depois, às vezes, acontece tudo seguido.
Acontecimentos mundiais em que penso: 'Foi muito próximo
do que me ensinaram.'"
Eu disse: "Está bem.
Quando viste essas coisas seguidas? Foi recentemente?"
Ele diz: "De vez em quando."
Eu digo: "Achas que esta coisa toda aconteceria até ao outono…
… na tua opinião?"
Diz ele: "Que importa a estação, Kathleen?"
Digo: "Não quero parecer reles,
mas estava a pensar que estou em três ligas de fantasia
a 200 dólares cada.
E tens de meter lá o dinheiro até 1 de setembro.
Se souber que não estamos cá a 3 de outubro,
não vou pagar.
Depois, vou jogar futebol grátis durante um mês
e digo uma treta sobre o meu Venmo estar avariado.
'Não sei, eu enviei.'"
Adoro futebol de fantasia. Adoro.
E fico triste por o ter descoberto tão tarde.
Sabem que mais?
Queria tê-lo aprendido em miúda.
Então, criei uma liga de fantasia para os meus sobrinhos
com menos de 13 anos.
Só dá com 13 ou menos.
Para poderem a jogar como deve ser.
E…
A entrada era 20 dólares, que achei muito benevolente.
Não, a mensagem…
"Não tenho. Não tenho 20 dólares, tia Kat."
Respondo: "Tretas! Fizeste a 1.ª comunhão.
Tens 20 dólares. Para.
Eu própria te dei cem, chico-esperto.
Não te lembras?
Gastaste tudo? Devo ligar à tua mãe?
Ou queres mandar 20 dólares à tia Kat
e fingir que esta SMS nunca existiu?
Adoro-te."
A minha mãe diz:
"Não lhes vais ficar com o dinheiro se perderem, certo?"
"Claro que lhes vou ficar com o dinheiro, mãe.
É assim que os ensinamos
que, às vezes, jogar é triste."
Há altos e baixos.
O jogo tem altos e baixos.
É um compromisso para a vida, têm de saber viver com isso.
Posso dizer-vos que dois em cada 14 miúdos têm problemas de jogo.
E ela diz: "Não podes dizer isso de um miúdo de 11 anos."
Podes, pois.
E eis como… Não vais entender, mãe.
Depois do jogo de segunda à noite,
na terça de manhã, no futebol de fantasia, o mercado está aberto.
Ou seja, podes arranjar gente nova.
Podes propor trocas.
Fazes o que quiseres para montar a equipa.
Terça-feira de manhã, começa.
E com os dois viciados, as mensagens chegam segunda-feira à noite
para a minha receção de terça.
Querem que ligue o telemóvel.
"Olá, tia Kat.
Sou eu. Vi que tens o Patrick Mahomes.
Reuni um bloco com sete trocas para analisares.
Estás acordada? Está?
Estás num aeroporto?
Enfim, se não estás a ler isto, saio da escola às 15h11.
Queria uma resposta."
Meu Deus!
Todos querem o Patrick Mahomes e nem é o melhor número.
O Lamar Jackson é melhor.
Sou do Missouri, torço pelos Chiefs.
Mas, sinceramente, torço pelos Chiefs,
pois sou secretamente apaixonada pelo Andy Reid.
Pois é.
Se não veem futebol ou não o conhecem, é um treinador.
Sempre foi treinador.
É muito bom treinador.
Mas parece como se a morsa mais fofa do mundo
pudesse andar e treinar futebol ao mesmo tempo.
Adoro que pareça sempre ligeiramente interessado no jogo.
É uma espécie de…
E adoro mesmo…
Porque respeito uma pessoa que sabe quem é.
Ele escolheu, ao longo de 35, talvez 40 anos,
num desporto em que as pessoas estão na melhor das formas,
todos os dias está rodeado destas pessoas,
e optou por permanecer gorducho.
Não quer saber.
"É assim mesmo! É preciso determinação."
Todos os dias, aquele homem tem de passar por um ginásio para chegar ao gabinete.
Isso é…
Todos os dias, olha para as passadeiras e diz:
"Hoje, não, Satanás."
Adoro-o.
E a minha outra paixoneta é o Keith Morrison do Dateline.
Sim, adoro-o.
A minha irmã diz: "Céus! Parece tão cansado."
Sim.
Cada uma daquelas rugas é outro homicídio
que não foi resolvido. Ele…
… preocupa-se com a América, Kate.
Ele preocupa-se.
Nem sabia que isto era possível.
Há uns meses, decidi fazer uma maratona de Datelines, certo?
E continuei o fim de semana todo.
De repente, a minha TV disse: "Não há mais Datelines."
O quê?
O quê? Não havia uma quantidade infinita?
Como assim, não há mais? Como pode ser?
É a América. É no que somos bons.
Matarmo-nos uns aos outros. Por favor.
Não há ninguém com uma tia,
"cujo sorriso ilumina a sala", que possamos matar…
… para eu e o Keith termos algo para fazer na sexta-feira?
Isto é ridículo.
Nos últimos três que vi,
não sabia que seriam os últimos três,
alguém ia dar um tiro a alguém na cara
e essa pessoa teve de implorar.
Pessoas, estados e origens díspares.
Achava interessante. Todos diziam a mesma coisa.
Todos dizem: "Não dispare. Tenho filhos e netos."
Penso: "Isso é verdade. Essa é boa.
Não tenho nem um nem outro, por isso…"
Temos de pensar nisso.
Que vais dizer para salvar a vida?
Então, pensei… O meu pai era advogado e dizia:
"Numa situação com um louco,
a tua função é inundá-los de informação
para acharem ser mais loucos
e saírem voluntariamente da situação."
Pensei: "Acho que era isso que faria."
Dizer-lhe o que se passa.
"Vá lá, pá, não dispares.
Mandei pôr deque no meu jacúzi.
Isso levou uns oito meses.
E a questão é esta.
Sabias que madeira falsa custa mais que verdadeira?
Não é uma treta?
Queria cedro e ele diz: 'Que tal um Polytec…'
E eu disse: 'Quero mesmo cedro.'
'Mas tem de o envernizar. Tem de pensar nisso.
Se puser cedro, vai envernizá-lo todos os anos
e vai ter farpas…'
Fiquei a pensar nisso.
E outra razão para não me matares
é que tenho mais dez seguidores no TikTok e esforcei-me muito.
Pronto, adeus. Até logo.
Sim.
Segue-me no TikTok.
Obrigada."
Gosto muito do TikTok.
Se fores viciado, é perigoso, porque nunca para.
Não tem fim. Nunca.
Que é o que gosto nisso.
Mas está em sarilhos.
Estão sempre a ouvir isso.
O governo está zangado porque o TikTok é da China.
Mas ninguém está zangado com o Zuckerberg, dono do Instagram e do Facebook.
E o meu irmão diz:
"Há muita desinformação no TikTok."
Eu digo: "E não há no Facebook, Pat?
Quantas vezes tive de dizer à mãe
que não há nenhum tubarão-branco no rio Hudson?
Quantas vezes, Pat?"
Acho que são ambos culpados disso.
Mas disse: "Financeiramente, porque estamos tão zangados?
Por comprarmos coisas à China?
Não sei porque estamos tão zangados."
Diz ele: "Porque o governo tem medo
que os chineses entrem nos nossos telemóveis
e roubem a informação que lá temos."
Eu disse: "A questão, Pat,
é que eu daria 500 dólares para ver um filme da pessoa chinesa
a quem calhou o meu telemóvel."
Espero mesmo que ele goste de gatos. E…
Vai ter de ver umas 3700 fotos de gatos
pela casa toda e pelas espreguiçadeiras.
São todos parecidos. Não saberá dizer o que está a ver
até metade, quando dirá: "Aquele é mais cinzento na cara.
Pronto, estou a perceber."
Ele diz: "Não são só as tuas fotos parvas, Kathleen.
As tuas pesquisas no Google dizem muito."
Eu digo: "Meu Deus! Esse é outro filme por que pagaria, Pat.
Sei que tens emprego e estás ocupado, mas vamos tirar cinco minutos
e ver as minhas últimas pesquisas.
Veremos como isto pode ajudar alguém numa guerra ou…
Vamos vê-las, porque não me lembro, Pat.
Pronto, aqui.
Eis a primeira.
'Hidden Valley Ranch existe mesmo?'
Porque eu ia para Napa e apostava que era para lá.
Certo?
Deve ser no norte da Califórnia, certo?
Eis a segunda, Pat. Não desligues.
Eis a minha 2.ª pesquisa.
Na segunda, eu estava… Eu lembro-me disto,
estava aborrecida no avião, ficava maluca.
'Qual era o nome da seita em San Diego
que se matou a usar sapatilhas roxas para saltar para um cometa?'
Estava a pôr-me maluca.
Depois, a terceira. Pronto para esta, Pat?
'Porque não precisam os meus gatos de tosquia?'"
É estranho, não?
Nunca.
Eu tenho gatos.
Não os fui buscar. Queria esclarecer isso.
Um dia, eles simplesmente apareceram.
Abri a porta da frente
e havia quatro gatinhos cinzentos e brancos,
alinhados como soldadinhos, a olhar para a casa.
E são muito fofos.
Alguém disse…
O problema é esse. O problema é mesmo esse.
Fiquei muito emocionada.
Não estava a pensar.
"Caramba! Já viste no Instagram.
Podem viver 33 anos.
Pensa na tua idade.
Estes gatos viverão mais do que tu.
Não te envolvas."
Não, nada disso.
Digo: "Que vou fazer?"
Pensei: "Não sei.
Gostava de ficar com eles, mas estou muito tempo fora."
Então, fiz a quarta pesquisa no Google.
"Que fazer com gatos-bravos que encontrei perto de mim?"
Vivia em Nashville, um pouco para o interior.
Apareceu um número do município
e pensei: "Boa."
Liguei, o município de Davidson,
e digo: "Olá! Encontrei quatro gatinhos.
Se os apanhar, levar para aí,
pagar as vacinas e tudo, conseguem que os adotem?"
E ela diz: "Neste momento, há mais de 87 459 gatos em Davidson.
Acha que queremos saber de mais quatro?"
Digo eu: "Não sei.
Não sei do que querem saber ou não,
mas, então, deviam ligar à Google
e dizer-lhes para tirarem o vosso número de lá."
E ela diz: "Deixe-me perguntar isto sobre os gatinhos.
Estão socializados?"
"Não sei. Quero dizer, não fomos tomar um copo.
Podia…
Podia pôr umas tacinhas de cerveja lá
e ver se os ponho a falar comigo,
mas, para já, é só muito olhar e julgamento.
E sinto-me julgada.
Os olhares deles são como lasers na minha alma.
Não consigo olhar para eles…"
Ela diz: "Bem, a gata mãe tem aparecido?"
Não posso crer que isto seja uma conversa… Não sei.
Não vi uma gata mãe.
Presumi que uma gata campónia vadia tinha abandonado aqui os filhos.
E que anda por aí a prostituir-se, a beber e a fumar na mata,
e estes miúdos agora são problema meu. Então…
Ela diz: "Bem, temos de saber.
Se a mamã gata aparecer, não vai tocar nos gatinhos."
Digo eu: "À noite, segui-os e vão…
Fizeram um túnel sob o ar condicionado,
que está preso à casa.
Fizeram um túnel até à cave.
E acho que é onde passam a noite."
Ela disse: "Excelente. Vai fazer assim,
vai ligar-me amanhã.
Vai à mercearia, compra um grande saco de farinha,
pega na farinha
e vai espalhá-la nesse buraco à noite.
Depois, de manhã, vai lá espreitar.
Se houver pegadas grandes, a mãe aparece aí.
Se não houver, quer dizer que a mãe não aparece.
Nada disto resultará se chover."
Quero só lembrar que este é um número do governo.
Digo: "Sabe que mais? Fico com eles.
Fico com eles, obrigada.
Foi uma conversa maravilhosa, mas fico com eles."
Nem sei o que fazer com eles.
Tive animais, mas em miúda, os meus pais faziam tudo.
Liguei ao veterinário.
"Encontrei uns gatinhos, devem precisar de vacinas…
"Sim, traga-os cá." Ótimo.
Fui lá e a senhora que trabalha na receção…
Não sei se existe reencarnação,
mas, se existe,
é a primeira vez dela como pessoa.
Não está a correr bem. Foi um erro terrível.
Ela era um gato. Devia ser sempre gato.
Isto foi uma péssima ideia.
Ela é o gato de rua mais mau que já…
Zero sentido de humor. Muito séria.
Ela diz: "Sei que ligou, tem quatro.
Inscrevi-os para o pacote de vacinação a 62 dólares cada,
mas há duas vacinas extra, se quiser gastar esse dinheiro."
Pergunto: "Está bem, para que são essas extra?"
Ela diz: "A primeira é para a sida felina."
Não sei o que me fez fazer isto,
mas disse: "O quê?"
Disse-o exatamente assim. Foi uma reação natural.
Diz ela: "Não sei porque acha isso engraçado."
Respondi: "Nem eu."
Vou ter de ir para casa, e pensar sozinha:
"Porque me ri da sida dos gatos?"
É porque nunca ouvi falar.
Faço espetáculos beneficentes, angariações de fundos
e nunca me ligaram a dizer: "Pode vir até cá?
Queremos angariar dinheiro para os gatos que têm sida."
Nunca ouvi falar.
Não.
Eu disse: "Sim. Querem todos essa.
Não quero que ninguém apanhe sida.
É algo horrível, não é?"
Digo: "Qual é a outra?"
Ela diz: "A segunda é a vacina para os mosquitos."
Digo: "Bem, estamos em janeiro."
Diz ela: "Os mosquitos não tiram férias."
Eu digo: "Sabe que mais?
Chumbei a ciências, mas acho que está enganada.
Mas não vou discutir, porque me arranca os olhos."
Eu disse: "Sim, querem mesmo essa vacina.
Não tenho filhos, tenho dinheiro extra.
Dê-lhes tudo o que tiverem.
Herpes…
Pneumonia pneumocócica, tudo o que tiver lá atrás.
Se os puder pôr a Skyrizi, parece divertido."
Sim.
Em semana e meia, estão a fazer pesca à mosca no Wyoming.
Vai ser tão giro, com as patinhas deles.
Eu disse: "Sim, eles querem tudo."
Ela diz: "Tenho de anotar os nomes
e registá-los no computador se vão ser clientes permanentes."
Pensei: "Clientes? Meu Deus!"
Eu disse: "Está bem, mas os nomes deles são…"
Vai parecer racista. Só vos estou a preparar.
Não é racista. É um tributo. Uma homenagem, se quiserem.
Porque aqueles quatro gatinhos eram tão bons a fazer túneis
que optei por lhes dar o nome de quatro barões da droga mexicanos.
Que também são espetaculares a fazer túneis.
Não sei se alguma vez viram o 20/20,
mas santo Batman! Há lá em baixo um shopping
e Taco Bells.
São bons nisso. São mesmo bons nisso.
Então, o mais cinzento e gorducho é o El Chapo.
É ele lá atrás.
O do lado é o El Mencho,
que é o protegido do El Chapo, no México.
Saberia isso se visse o Narcos,
mas não parece uma senhora que vê o Narcos.
O que é sobretudo branco foi muito fácil, El Blanco,
porque é só o que sei dizer em espanhol,
além de "oprima nueve",
"prima nove" quando me põem em espera no Walgreens.
Acho que não se deve chamar um gato "Prima Nove".
No quarto, fiquei sem ideias,
então, pensei: "Há mulheres narcotraficantes
e, se estivesse no México,
Kathleen seria Catalina.
E, se fosse narcotraficante, seria encurtado para 'El Cato!'"
Então, dei o meu nome ao quarto, ou seja, El Cato.
Ela diz: "Não vou pôr 'El' atrás de cada um dos nomes deles.
É muito confuso no computador."
Eu digo: "São os nomes cristãos deles.
Se quer dançar com o diabo, a escolha é sua."
Mas ia a sair e esqueci-me,
então, virei-me e disse: "Esqueci-me. Bolas!
Quero pôr-lhes chips, caso decida ficar com eles,
assim, posso vê-los no telemóvel, em viagem."
Achei que serviam para isso. Não tinha um animal há 30 anos.
Diz ela: "Não é isso que fazem."
Digo eu: "Que fazem? Pensei…"
Diz ela: "Não, pomos a sua informação num chip e o chip no gato.
Suponhamos que o Chapo foge.
Alguém o encontra e leva-o a um local onde fazem a leitura.
Nós ligamos-lhe e dizemos: 'Temos o Chapo.'"
Eu digo: "Que desilusão!
Então, o que queria
é que pusessem quatro iPhones nos gatos,
não sei…"
Também não me devia rir disso.
Vim-me embora, fiquei com eles
e arranjei ajuda
para lhes dar de comer quando não estou.
Mas já não tinha um gato há tanto tempo que me esquecera do que são capazes.
Cheguei a casa, há uns tempos,
e o Chapo não estava a usar a pata traseira.
E chorava.
Pensei: "Merda! Partiu a pata?"
Pu-lo na transportadora, vamos, levam-no.
Sai uma senhora, 20 minutos depois, com radiografias
e diz: "Está pronto. São 185 dólares."
Eu digo: "Está bem. Que tem ele?"
Diz ela: "Nada. É só um fingido."
O quê?
"Acontece. Os gatos fazem muito isso quando não têm atenção suficiente.
Sim.
Acho que não dá muita atenção,
mas agora já lhe chamou a atenção. Atenção no valor de 185 dólares."
Penso: "Meu Deus!"
Agora, não acredito em nada do que faz.
Pode aparecer com os olhos nas patas
e eu digo: "Para. Põe os olhos no sítio.
Para. Não caio nessa outra vez, Chapo. Não."
Nashville passou
a capital da despedida de solteira,
o que irrita muitos dos locais e eu acho infinitamente divertido.
E adoro… Apoio cada segundo.
Elas chegam bêbedas e partem bêbedas.
Miúdas de 21 anos bêbedas por todo o lado. Simplesmente bêbedas.
Caem dos bares com pedais. Ninguém se importa.
Uma é atropelada por um Toyota: "Tanto faz, continuem."
Há uns meses, fui a casa e estava na recolha de bagagem da Delta.
Trabalha lá uma senhora mais velha que vejo todas as semanas.
Vimos que eram do Wisconsin.
Miúdas com coisas dos Packers,
mas com chapéus de cowboy rosas, uma despedida de solteira,
e estavam no cimo da escada rolante. Não sei o que o desencadeou,
mas o grupo todo caiu escada abaixo.
Meu Deus!
E a senhora da Delta disse: "Sra. Kathleen, não vá ajudá-las.
Não faça isso.
É ridículo. São 10h30 num domingo de manhã."
Eu disse: "Sim, mas são do Wisconsin.
Eles não têm esse tipo de regras.
Elas beberam no aeroporto. Estão superestimuladas."
Achei que uma delas podia estar gravemente ferida.
Pensei em ir até lá,
mas elas levantaram-se todas.
Porque são jovens
e não querem saber se caíram 18 degraus
com pregos e lâminas. Estão a borrifar-se.
Uma estava tão excitada por estar lá
que correu, saltou para cima da mala, andou nela à volta do carrossel
e através da lavagem de carros.
Pensei: "Meu Deus! Ela desapareceu."
Mas as despedidas costumam
ficar na Baixa, na Broadway, onde ficam os bares e tudo.
Não costumam andar pelo Tennessee.
Mas, este verão, quis ir a uma cascata
que fica a 1h40 da Baixa de Nashville.
Fiz o meu amigo Brian ir,
porque tens de conduzir por umas zonas tipo Fim de Semana Alucinante.
E pensei: "Não vou fazer isto sozinha."
Chegámos lá, pegámos no caiaque e tal,
e temos de remar 3 km até à cascata.
Três para ir e três para vir.
Chega uma carrinha.
Sai uma despedida de solteira.
Meu Deus! Descobriram-na. Certo?
Ouço-as dizer que são de Salt Lake City
e cada uma tem um pacote de oito águas com gás. Cada uma.
Mas penso: "O problema é que são muito novas
e precisam de alguém como eu para vos levar, pois não têm geleira.
Estão 35 graus em Nashville, meninas.
Vão vomitar água com sabor a mirtilo
a meio caminho da cascata
e mal posso esperar por participar nisto. Estou ansiosa por vê-lo."
Pensei: "Sabem que mais? Eu vou."
Disse ao meu amigo Brian:
"Vou ali fazer umas perguntas àquela rapariga."
Remei calmamente e disse: "Olá, chamo-me Kathleen.
Posso fazer-te umas perguntas?"
E ela disse: "Não."
Deve ter achado que eu era da polícia marítima ou isso…
Eu digo: "Está bem. Só estava a pensar…
Ouvi-vos dizer que eram de Salt Lake City.
Como encontraram esta cascata?
Vivo cá há muito tempo e nem eu sabia dela."
Ela disse: "Céus! Não sei.
Só vim como convidada,
sou uma adição.
Só queria umas fotos para o Instagram.
Não sei onde estou."
E pensei: "Não é espetacular?"
Aos 21, pode dizer-se: "Nem sei onde estou."
E não é perturbador.
Porque, aos 81, essa frase vai ser perturbadora.
Tipo…
É que, acima dos 80, fica estranho.
Os meus pais tinham 70 anos e pesquisava-lhes:
"Um sítio divertido para mandar os meus pais num cruzeiro."
Agora, pesquiso: "Qual a quantidade normal de demência?"
A personalidade muda.
A minha mãe roubava umas coisas,
como açúcar, adoçante, merdas dessas.
Mas a parada subiu.
Ela diz: "Tiras-me os óculos da minha mala?"
Eu digo: "Sim, claro." Meto lá a mão e…
Ela diz: "Isso é o frango."
Eu disse: "Que frango?"
"Não quero ouvir um sermão sobre isso,
mas roubo muito frango do buffet do casino
porque eles vão deitá-lo fora, Kathleen,
e o teu pai adora-o,
e não me apetece fritar frango.
Tenho 83 anos. Não volto a fritar frango.
Não vou fazê-lo. Por isso, não quero um sermão."
Eu só disse… Não disse mais nada.
Estão surdos. O meu pai está surdo.
Em casa, tudo bem.
Em público, não, porque fala muito alto.
Fala tão alto, mas não se apercebe. Vamos a comer algures e ele diz:
"Quem é aquela senhora naquela mesa?"
Eu digo: "Eu conheço-a, pai.
Chama-se Jane e é amiga da mãe."
"A sério?
Ela sabe que parece um cavalo?"
"Agora, deve saber.
Aposto que está a pensar nisso,
já que o gritaste a uma cabine de distância."
A saúde deles fica muito má e cada vez pior.
O meu pai teve dois enfartes, mas leves.
Foram leves e ele tentava…
É quando nem falam um com o outro como antes.
É direto ao assunto.
Ele tentava sair do sofá e a minha mãe diz:
"Senta-te, Jack. Tens danos cerebrais."
"Caramba, mãe! Menos."
"Não, ele tem de ouvir isso, pois não para de se tentar levantar.
Tivemos aqui os bombeiros sete dias nos últimos 13, Kathleen.
Achas normal?
Achas normal ter um bombeiro preferido?
Porque ele acha."
Depois, teve um terceiro enfarte e forte.
Esse causou danos, certo?
As pessoas diziam:
"É bom teres a tua mãe para ajudar, certo?"
É?
É melhor ter duas pessoas de 83 anos a gritar contigo
ou só uma que podes controlar?
Porque se são um duo, lutam em equipa
e fazem dupla nas coisas que vão ou não fazer como casal.
"Não queremos assistência médica.
Ninguém entra nesta casa.
E ninguém entra na cave."
"Tens um laboratório de metanfetaminas lá? Que se passa na cave, mãe?"
Sim, ficas…
Depois, pensas: "Está bem."
"Pode ser? Há…"
Tenho montes de irmãos e cunhados, todos prestativos,
mas a minha mãe queria fazê-lo, mas devíamos deixar?
A dada altura, chegou e disse:
"Acho que desisti sem querer da fisioterapia do teu pai."
"Como se faz isso, mãe? Como se desiste sem querer?"
Tenho curiosidade.
Ela diz: "Porque umas jovens,
perguntaram-me à saída aonde íamos
e respondi: 'Para a Florida. Saudinha, vão pela sombrinha.'
Mas estava a brincar.
E recebi um pacote de saída."
Meu Deus!
É tão difícil ser aceite naquelas coisas.
Tens de te candidatar, recusas e esta treta toda.
E eu digo: "Pai, vem comigo. Vamos."
Fica empolgado. Após o 3.º enfarte,
não sei o que aconteceu, mas tomava canábis.
O ser humano mais feliz a andar na Terra.
Ele diz: "Ótimo. Aonde vamos?"
"Vamos reinscrever-te na fisioterapia.
E não percebo porque agora falas como um chefe do crime dos anos 20."
Não entendo.
"Quem é o responsável por esta confusão? Fazemos assim…
Quem é o cabecilha que me mantém tanto em casa?
Será o teu irmão?
Achas que é? Sabe ser matreiro.
Acho que é o cabecilha."
Sim, é mesmo o cabecilha. Não há dúvida.
Vamos inscrevê-lo.
E isto é sério.
A rapariga dá-me uma prancheta
com umas 18 páginas de coisas que tenho de preencher
e ele está comigo, mas meio tonto.
Digo: "Pai, temos de preencher isto, podes ir."
"Vai ser divertido. Qual é a 1.ª pergunta?"
Define "divertido".
Digo: "A 1.ª pergunta é:
'Que remédios tomas?' Tenho de pôr todos."
Ele diz: "Boa pergunta.
Estava morto por dizer isto. Estava a tomar Eliquis,
que é um remédio para prevenir enfartes.
Até agora, já vou em três, portanto…
Acho que é justo escrever que o Eliquis é uma merda."
Depois, diz: "Não. Não escrevas isso.
Expulsam-nos por falar mal.
Põe: 'Eliquis é um remédio inadequado para grande parte da população.'"
Se for assim, isto vai demorar dias, certo?
Era só uma…
Eu disse: "Pronto. Há mais remédios?"
Ele diz: "Sinceramente, não me lembro.
A tua mãe saberá, mas pode mentir
porque, às vezes, dividimos os remédios, mas não vos dizemos."
"Que remédios andam a dividir, pai? Só por curiosidade."
"Uns dias, tomo meio comprimido para a tensão,
mas ela está muito stressada e faço-a tomar a outra metade.
Ela tem de se acalmar. A tua mãe tem de aprender a ter calma."
Pensei: "Podíamos estar aqui mais duas ou três horas
a preencher isto como deve ser,
ou podíamos cagar-nos para isto."
Tem 83 anos. Teve enfartes.
Tem stents. Teve tudo.
Então, pensei: "Sabes? Não importa."
Pus círculos em todas as páginas a dizer que tinha tudo.
Tudo. Pus círculos em tudo.
"Sim, tem tensão alta…
Cancro da pele? Céus! Montes.
Cortou a cabeça, o pé…"
E entreguei à rapariga.
Ela olhou para aquilo e começou a folhear.
Ela disse…
Eu disse: "É, não é? A medicina moderna.
Porque ainda fala. Veja essa porcaria toda.
Ouve-o ali ao canto? Como um urso amigável.
E sabe a minha mãe? Conhece-a.
A pequenina. Sim, a meia-leca.
Ela é oca.
Já retirou imensas partes do corpo."
Falta-lhe um pulmão, um útero, um monte de nódulos linfáticos.
Se lhe cortarem a cabeça, qual personagem dos Monty Python,
e a virarem de pernas para o ar…
Nada.
"Ela também ainda fala. Ambos ainda falam.
Explique-me isso."
E não acho que os médicos ajudem muito
com as orientações quanto ao que devemos fazer com toda a gente.
Talvez seja uma questão legal, não sei,
mas o meu pai teve um quarto enfarte e ainda fala.
Mas o neurologista entrou
e disse: "Bem, este é o 4.º enfarte,
mas, daqui a um dia ou dois, está pronto para ir."
Perguntámos: "Para onde?
Para onde acha que vamos?"
Diz ele: "Vão levá-lo para casa."
Digo: "Céus! Não temos qualificações.
Sou comediante. Ele é financeiro.
Ela é professora. Ele tem um emprego chique.
Nem sei explicar. Não somos…"
Ele diz: "A mãe disse ser enfermeira."
Eu digo: "Na Guerra Civil.
Olhe para ela.
Tomava coquetéis com a Clara Barton.
Eu não…"
Não é uma pessoa moderna.
E tem uma falta de tato terrível. Já não se importa.
Ela borrifa-se. Vai fazê-lo beber uísque,
morder-lhe a bengala e partir-lhe as pernas.
Ela não é a solução.
E depois só lançam palavras.
"Bem, talvez um lar?
Se é a qualidade de vida…"
Nem sabia nada sobre isso.
Liguei ao meu amigo Tom, pois sabia que a mãe estava num.
E pergunto: "Como é a cena do lar?
Como está a correr?"
Diz ele: "Não sei. A minha mãe saiu."
"O quê?
Como assim, saiu?
Pensava que era uma solução permanente."
Ele diz: "Eu também.
Não nos dizem que 17% deles,
quando lhes tiram o medicamento que tomavam há 35 anos,
voltam a saltar como galinhas.
E aí já não os aceitam.
E eu já vendi a casa da mãe.
Agora, tenho de comprar outra casa à minha mãe
que ela diz que é bom que seja parecida com a original.
É uma loucura."
Depois, fiquei mesmo zangada. Para um médico,
algumas perguntas não são algo legal,
mas algo fácil que podem responder com sinceridade.
Não. O meu pai disse…
Após quatro enfartes, o lado esquerdo não funciona.
Ele diz: "Desculpe."
Diz ao neurologista:
"Só uma pergunta. Quando posso voltar a conduzir?"
E achei mesmo que o médico…
Não seria mau dizer:
"Bem, temos de esperar para ver."
Algo simples, certo?
Não. Ele diz: "Sr. Madigan,
quando se sentir melhor, podemos tentar isso."
Vamos ver-nos à nora com isso.
O meu pai ficou empolgado e disse:
"Veem? Eu disse-vos.
Só porque não sinto o lado esquerdo… Não conduzo com o lado esquerdo.
Conduzo com o pé direito e o meu lado direito.
A vossa mãe conduz com os dois pés
e por isso é que querem vomitar se andarem com ela,
porque há muito…"
Ficas…
Digo: "Se pudesses, aonde querias ir a guiar, pai?"
"À Florida."
Adoram a Florida.
E iam todos os anos, desse por onde desse.
Depois dos 80, ficou estranho.
Há uns anos, ligaram em setembro
a dizer: "Vamos à Florida."
Eu disse: "Vem aí um furacão.
Está no Weather Channel. É um categoria 3."
O meu pai diz: "Não me digas que acreditas nisso."
"No tempo? Sim, acredito.
Na ciência? Sim, acredito."
E ele diz: "Bem, nós vamos."
E desligou o telefone.
Tenho seis irmãos.
Penso: "Não quero ser a única a ter esta informação."
Temos um grupo da família e somos umas 27 pessoas.
Se optares por ativar isso,
tens de estar preparado porque vai ser o dia todo.
Todos têm algo a dizer. Ninguém se consegue calar e ficar em silêncio.
Pensei: "Pronto."
Nem importa.
Podes escrever uma palavra sem significado.
Escreve: "A cor azul." E começava.
"É uma merda de cor para uma cozinha.
Era para a tua cozinha?"
"Quem escreveu 'merda' aqui?
Há crianças aqui. Parem de dizer asneiras aqui."
E a minha mãe contribuiu:
"Obrigada, Monica. Estava ansiosa pela ioga de cadeira."
Então, escrevi: "Quem é a Monica?"
A minha irmã disse:
"A mãe está no grupo errado. Ignora."
E alguém escreveu: "Podem remover-me deste grupo, por favor?"
E outra pessoa escreveu: "Remove-te tu, idiota."
Depois, alguém escreveu: "Não podes, porque quem é o cretino de verde?"
Parece que, num iPhone…
Tenho um Android e apareço em verde em alguns iPhones.
Mas o que não sabia, e perguntei ao meu irmão mais novo:
"É verdade que não podem sair por eu estar lá?"
E ele diz: "Sim, Kathleen.
Se uma pessoa com iPhone começa um grupo e adiciona uma pessoa com Android,
ninguém pode sair do grupo."
Nunca me senti tão poderosa na vida.
Pensei: "Sim!
Sim!
Ninguém vai sair enquanto eu não disser."
Revoguei o envolvimento.
Finalmente, escrevi: "É só para avisar
que os pais dizem que vão à Florida
e vem aí um furacão."
O meu irmão ligou e disse:
"Não posso crer que não fizeste nada."
"Que imaginaste, Pat?
Eu atrás do carro deles a dizer: 'Não vão para a Florida'?
Primeiro, não me teriam ouvido, porque estão surdos.
Faziam marcha-atrás, atropelavam-me e matavam-me.
Agora, quando batem em algo, não param,
continuam a andar. Nem se importam com os danos.
Já não se importam com nada.
E eu ficaria morta na entrada.
Ninguém repararia até eu não aparecer noutra cidade.
Depois, aparecerias no Dateline
com o Keith Morrison e ias conhecê-lo."
Ele diz: "Quando chegarem, devemos ter uma conversa.
Uma conversa de família sobre tirar a chave ao pai."
Eu disse: "Adoraria assistir à conversa
em que dizes ao pai que lhe vais tirar a chave,
porque eu não consigo."
Ele fê-lo ao meu avô, o pai dele.
Mas teve de ser, pois o meu avô…
Ele era muito bom condutor.
Mas, um dia, quando tinha 87 anos,
atropelou o mesmo homem duas vezes num dia.
Ficaram…
Isso faz com que te ejetem, avô.
Ele atropelou-o no banco e, depois, no Denny's.
Tinham a mesma rotina matinal.
Eu disse: "Pat, esqueces-te
que não quer dizer que resulte.
Não resultou com o avô.
O pai tirou-lhe o carro e as chaves, e foi embora.
Nessa noite, o avô chamou um táxi,
foi a um stand e comprou outro Cadillac."
Ligou-me e disse:
"Queres ver o meu carro novo?"
"Claro."
"Faz-te de parva. Não contes ao teu pai."
"Nem uma palavra."
Fui lá e havia um carro lindo
e ele disse: "O outro tinha oito anos, fartei-me.
Quando voltei de comprar o carro,
juntei tudo o que tinha, Kathleen,
e posso fazer isto mais quatro vezes.
Se é este jogo que o teu pai quer fazer com a herança dele, ele…
Ele vai acabar
com um stand de Cadillacs usados no jardim."
Digo: "Não lhe vais tirar a chave, Pat.
Querem ir à Florida. Deixa-o ir."
O pessoal do Centro-Oeste adora a Florida.
Pergunto: "Que fazem aqui?"
Bebe-se muito durante o dia, que eu apoio.
E se quiser… Sim.
Se não tivesse de trabalhar à noite, era a loucura.
Imagino isso. Penso: "Posso ter um problema."
Mas pensava isso com idosos.
"Se calhar, nunca pensei bem nisso."
Uma vez…
Conto essa história antes de sair.
Mas queria agradecer a todos aqui
que ouvem o meu podcast. Chama-se Madigan's Pubcast.
Obrigada.
Pensei: "Posso ter um problema com bebida."
Foi aí há ano e meio.
Tinha um espetáculo para fazer em Banff, no Canadá, certo?
É o sítio mais bonito onde já estive.
As Rochosas do Colorado até parecem pequenas.
É tão deslumbrante e… Felizmente, não era inverno.
Não esquio. Não gosto do frio.
Mas adoro golfe.
Disse ao meu amigo Ron: "Devias vir comigo.
Vou fazer um espetáculo, ficamos e jogamos golfe."
Ótimo. Vamos fazer o check-in.
Há um cavalete gigante junto à receção.
Diz: "Vinho grátis das 15 às 19 horas,
pátio das traseiras com vista para o rio Bow e o campo de golfe."
Penso: "Nota para mim mesma."
Então, vamos jogar golfe, estamos no 13.º buraco
e ouço uma corneta à distância,
mas não muito longe.
E digo: "Merda!"
E ele diz: "O que é?"
Digo: "A cena da corneta.
É a cena da prova de vinhos
e não vamos chegar a tempo."
Ele diz: "Acho que temos de falar de reabilitação."
Eu disse: "Que estás a dizer?"
Ele diz: "A corneta que estás a ouvir
são alces."
"O quê?"
Pergunto: "O quê?
Não posso!
Pensei que só faziam isso nos desenhos animados. Como o Bullwinkle?"
"Isso era um alce americano.
Sim, aquilo é real.
São animais selvagens a chamar outros animais para fazerem sexo com eles.
Inventaste na tua cabeça
que há um homem numa varanda algures, vestido para o Kentucky Derby,
com uma corneta a chamar-te para beber álcool, Maddie."
Pronto.
Muito bem. Adoro-vos, pessoal.
Por falar nisso, vou tomar um copo.
Muito obrigada.
Obrigada, Milwaukee. Obrigada.
Legendas: Ana Sofia Pinto
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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