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PISTAS PARA LUGAR NENHUM
Diane, s�o 6h18, quarto 315.
Hotel Great Northern, aqui em Twin Peaks.
Dormi bem. Quarto de n�o-fumante. Sem cheiro de cigarro.
Bela considera��o para com quem viaja a neg�cios.
Um cheiro leve de abetos no ar.
Como o Xerife Truman disse...
tudo o que prometeram, cumpriram neste hotel...
Acomoda��es limpas com pre�o razo�vel.
O telefone funciona. O banheiro � perfeito.
Sem goteiras, bastante �gua quente e press�o boa e constante.
Isso pode ser uma vantagem da cachoeira do lado de fora.
Colch�o firme, mas n�o demais.
E sem protuber�ncias como naquela vez que falei em El Paso.
Aquilo foi um pesadelo.
Mas voc� j� me ouviu contar essa hist�ria uma ou duas vezes.
N�o foi, Diane?
Ainda n�o testei a televis�o.
Parece que tem TV a cabo, n�o deve haver problemas de recep��o.
Mas o teste de qualquer hotel, como voc� bem sabe, Diane...
� a x�cara de caf�...
e vou voltar com o resultado dentro de meia hora.
Diane, lembrei-me disso de novo hoje cedo.
H� duas coisas que ainda me incomodam...
e eu falo agora n�o s� como um agente do FBI...
mas tamb�m como ser humano...
O que houve mesmo entre Marilyn Monroe e os Kennedy?
E quem matou mesmo JFK?
Espere a�, espere a�.
Sabe, esta x�cara de caf� est� maravilhosa.
N�o sei quantas x�caras de caf� tomei na vida e esta...
Esta � uma das melhores.
Quero dois ovos, bem duros.
J� sei, n�o me diga, faz mal para as art�rias.
Mas � duro abandonar velhos h�bitos.
T�o duro quanto quero que os ovos estejam.
Bacon, supercrocante, quase queimado. Cremado.
Est� �timo.
E quero o suco de toranja.
Desde que as toranjas...
sejam espremidas na hora.
Meu nome � Audrey Horne.
Agente Especial Dale Cooper, do FBI.
Posso me sentar aqui?
Srta. Horne, ou muito me engano, ou seu pai � Benjamin Horne...
o dono deste belo estabelecimento.
Ent�o, acho que pode sentar onde quiser.
Quero dizer, tamb�m, que ser� um prazer.
Obrigada.
Est� aqui para investigar o assassinato de Laura Palmer.
Era amiga de Laura Palmer?
N�o exatamente.
Laura dava aula para meu irm�o mais velho, Johnny, tr�s vezes por semana.
Johnny tem 27 anos e est� na terceira s�rie.
Ele tem problemas emocionais.
� de fam�lia.
Gosta do meu anel?
Muito bonito.
Sabe, �s vezes, eu fico t�o vermelha que � intrigante.
Suas m�os co�am?
GABINETE DO XERIFE DE TWIN PEAKS
Bom dia, delegado.
-Bom dia, Agente Cooper. -Oi, Lucy.
Agente Cooper, pedi geleia especialmente para voc�.
O xerife est� na sala de reuni�es. � a porta do outro lado...
Vou procurar por ele na sala de reuni�es.
Ei, tr�s para tr�s.
Xerife, vamos trazer James Hurley da Cela 4 e falar com ele j�.
Ele amava Laura Palmer. Aposto que ela lhe contou...
o que sabia sobre Mike e Bobby e sabe-se l� o que mais.
Ent�o, vamos ter uma conversinha com os dois criminosos.
Vamos fazer uma busca no carro de Bobby e ver o que descobrimos.
Tamb�m vamos verificar a aut�psia de Laura Palmer...
e ver o que descobrimos.
Tamb�m vamos falar com o Sr. e a Sra. Palmer...
mas vamos lhes dar uns dias para lidar com o sofrimento.
J� planejei o resto do dia, vamos nos encontrar aqui em tr�s minutos.
Harry, preciso muito urinar.
A prop�sito, o caf� do Great Northern?
Incr�vel.
Harry, como sabe, eu ajudei Laura a nascer.
Eu a conheci a vida toda. Era a melhor amiga da minha filha.
N�o consegui fazer a aut�psia...
ent�o chamei Joe Fielding, de Fairvale.
Ele fez o trabalho, eu ajudei.
Eis o que ele descobriu.
Hora da morte calculada entre meia-noite e 4h.
Ela morreu por perder muito sangue.
V�rios ferimentos superficiais...
nenhum s�rio o bastante para ter causado a morte.
Marcas de mordida nos ombros, tamb�m na l�ngua.
Talvez feitas por ela mesma.
Les�es nos pulsos, nos tornozelos, no bra�o, onde foi amarrada.
Estamos aguardando os exames toxicol�gicos para uso de drogas.
Nas �ltimas 12 horas...
ela teve rela��es sexuais com pelo menos tr�s homens.
E examinaram Ronnette Pulaski tamb�m.
Sim, senhor.
Para mim, n�o h� d�vida.
O mesmo criminoso atacou as duas naquele vag�o de trem.
Doutor, quando Ronnette poder� falar conosco, se � que poder�?
Ela teve uma les�o cerebral grave, � cedo para dizer.
Al�m disso, h� o impacto psicol�gico do medo...
talvez...
de testemunhar o que acontecia com Laura antes de ela...
T�o linda.
Quem faria uma coisa dessas?
GRANDE GATINHA
Leo.
Leo, amor, preciso trabalhar, e Norma deve chegar a qualquer momento.
Leo?
Terminou de limpar minhas botas?
Sim, eu as limpei e lavei a roupa tamb�m.
Toda?
Bem, sim.
N�o lavou, n�o.
Est� bem, Leo, quando chegar em casa eu lavo.
Agora, Shelly.
Est� bem.
Sangue.
Shelly? Norma chegou.
Shelly, voc� me ouviu dizer que Norma chegou?
Sim, ouvi, Leo.
Vou ao restaurante hoje.
Seja uma boa menina e me guarde uma fatia de torta.
Claro, Leo.
James, voc� foi preso por suspeita de assassinato.
O assassinato de Laura Palmer.
Voc� n�o tem antecedentes criminais, n�o �?
Nenhum. N�o, senhor.
Voc� filmou este v�deo?
Aquela moto � sua, n�o �?
Sim, senhor.
N�s tr�s fomos para l� no domingo retrasado.
James, voc� amava Laura.
Voc�s dois estavam se vendo em segredo.
Ningu�m na escola, nem suas amigas sabiam disso.
Ela era a rainha do baile...
e namorava o capit�o do time de futebol.
Por quanto tempo mais acharam que poderiam esconder esta rela��o?
Bem, escond�amos porque era assim que ela queria.
Por qu�? Ela tinha medo de Bobby?
Acho que sim.
Sabia que ela estava usando coca�na?
Sim.
Alguma vez usou coca�na com ela?
N�o, eu tentei faz�-la parar.
-E por um tempo ela parou. -Por que voltou a se drogar?
Aconteceu uma coisa h� alguns dias.
O qu�? O que aconteceu?
N�o sei.
Acho que alguma coisa a assustou, porque n�o queria me ver.
N�o queria nem falar comigo.
Quando a viu pela �ltima vez?
Na noite em que ela morreu.
Ela saiu de sua casa l� pelas 21 h30.
� meia-noite e meia, parei a moto no sinal da Sparkwood com a 21.
Ela desceu e saiu correndo.
N�o a vi mais.
Voc� e Laura brigaram?
N�o exatamente.
Mas ela disse que n�o poderia mais me ver.
Por qu�?
Ela n�o disse.
Reconhece este colar?
Sim, senhor.
PRIMEIRO DIA!
James, o que houve no dia 5 de fevereiro?
E quem tem a outra metade deste cora��o?
James, adivinhe por que estou t�o feliz hoje?
Porque sua pele est� muito macia e voc� est� perfumada?
-N�o. -Por qu�?
Porque eu acredito mesmo que voc� me ama.
Agora, meu cora��o � seu.
N�o sei.
Droga.
Onde est� aquela camisa?
N�o!
Ei, Bopper.
Desde quando Leo Johnson me liga na casa dos meus pais?
Leo ligou para voc�?
Sim, ontem. Procurando voc�.
Queria saber onde estava a outra metade do dinheiro.
O que disse a ele, Snake?
Pelo que eu sabia, ele n�o tinha direito a nada.
Porque achei que o acordo era entregarmos para ele hoje.
Sim, bem...
Eu j� lhe dei a metade.
Quando voc� o viu?
-Eu o vi na outra noite, certo? -Que noite?
Na noite em que Laura morreu.
Fui ver Leo...
porque os US$10.000 estavam esquentando meu bolso.
E a outra metade?
-Est� no cofre de Laura. -Voc� n�o pegou de volta dela?
Ela deveria me entregar hoje.
Mas ela morreu.
Como vamos arranjar US$10.000 para Leo?
N�o sei, Snake. Talvez possamos vender l�mpadas de porta em porta.
Isso � �timo, � simplesmente... Isso � �timo.
-N�o tem gra�a, Bobby. -N�o estou rindo.
Temos sorte. Temos sorte de estarmos presos.
Porque voc� sabe o que vai acontecer com Leo quando sairmos.
Cale a boca, cara.
N�o fale mais nada sobre Leo Johnson.
Voc� n�o conhece Leo Johnson.
Socorro.
M�e?
M�e.
Oi, querida.
S�o 10h30. Por que n�o me acordou? Tinha que ir ao gabinete do xerife.
Eles ligaram hoje cedo e disseram que poderiam ouvi-la amanh�.
Seu pai e eu achamos que precisava descansar.
Voc� nos acordou chorando durante o sono ontem.
-Lembra-se? -N�o.
Mesmo?
Estamos p�ssimos por voc�.
Sentimos muito.
M�e, � muito estranho.
Sei que deveria estar triste, e estou. Parte de mim est�.
Mas � como se...
� como se eu tivesse o sonho mais lindo...
e o pior pesadelo de uma vez s�.
Seu pai disse que voc� saiu ontem � noite...
para encontrar um rapaz chamado James Hurley.
Isto tem alguma coisa a ver com ele?
Podemos manter isto s� entre n�s?
Claro que sim.
James e Laura estavam juntos nos �ltimos dois meses.
S� eu sabia disso.
M�e, James foi muito bom para ela.
Voc� n�o sabe como Laura era problem�tica.
Ontem, eu tive de v�-lo.
N�s �ramos as duas pessoas mais �ntimas dela.
Mas me sinto mal agora.
Por que, meu anjo?
Porque n�s percebemos...
que todo esse tempo...
n�s est�vamos nos apaixonando.
Ent�o parece que tra� minha melhor amiga.
E se for verdade...
ent�o por que estou t�o feliz?
Ah, querida.
Diga-me o que quer fazer.
Vamos ver esses caras separados ou juntos?
-N�o, podemos v�-los juntos. -Certo.
Oi, Ed.
-Como vai a cabe�a? -Bem, est� sens�vel.
Mas meu orgulho d�i mais.
Ed, este � o agente especial Dale Cooper.
-Prazer. -Alguma liga��o com James?
Sou tio dele, ele trabalha na minha garagem.
Sua m�e est� viajando, eu cuido dele na aus�ncia dela.
Voc�s v�o prend�-lo?
N�o, podemos liber�-lo sob sua cust�dia.
Bem, deixem-me entender. James est� sendo acusado?
Bem, eu tinha uma pequena d�vida, que ele j� me esclareceu.
N�o matou ningu�m.
Mas diga-lhe para se cuidar...
porque vamos liberar Mike e Bobby hoje tamb�m.
-Vou dizer. -Agente Cooper...
um tal de Sr. Albert Rosenfeld quer falar com o senhor.
Parece interurbano.
-Com licen�a. -Claro.
Tem aquele som de ar aberto, sabe, parece o vento soprando.
-Parece o vento soprando nas �rvores. -Sim, Albert.
Harry, estive pensando sobre ontem na Casa da Estrada.
E tem algo errado.
Sim, quando vi aquele curativo...
achei que talvez Nadine tivesse descoberto sobre voc� e Norma.
Se Nadine descobrisse sobre Norma e eu...
estaria tocando harpa para os Astros Celestiais.
N�o � verdade?
Estava l� para ver Norma, mas tamb�m estava de vigia.
E me lembro de Mike e Bobby pegando Donna.
E eu me levantei e fiquei tonto.
Estava de p� antes de chegar l�.
Nem me lembro de ser atingido.
Como assim, n�o se lembra?
Bem, tenho certeza de que tinha droga na minha cerveja.
Jacques Renault cuidava do bar.
Albert, traga os rapazes.
Pode ficar com o corpo o dia todo amanh�.
N�o, n�o d�, eles v�o enterr�-la na segunda-feira.
Albert, ou�a.
Se voc�s vierem por Lewis Fork, recomendo um lugar para almo�o...
O Lamplighter Inn.
Eles t�m uma torta de cereja de matar l�.
-Oi, Nadine. -O que est� fazendo aqui, Norma?
Posso lhe perguntar a mesma coisa.
E eu vou lhe dizer...
Comprei cortinas novas para minha casa.
Ed comprou-as para mim ontem, na Gentleman Jim's...
e n�s as penduramos juntos.
S�o em um tom de bege.
Passei a noite toda acordada ontem. Sabe o que eu estava fazendo?
N�o, n�o sei.
Inventando um trilho completamente silencioso para cortinas.
E sabe como funciona? Sabe o que o faz funcionar?
A ideia me veio �s 4h da manh�...
quando esperava meu marido sair da unidade de tratamento intensivo?
Bolas de algod�o.
Meu Deus, esses trilhos v�o ficar silenciosos.
Teve de pagar fian�a?
N�o, conversei com Harry. N�o h� acusa��o.
A mam�e ainda est� viajando?
Sim, est�. Vamos embora daqui.
Vamos precisar de ajuda dos Garotos da Bookhouse.
Algu�m tem de me proteger.
J� est� tudo certo.
Oi, Mike.
Bobby.
Antes de come�armos, voc�s dois acertaram suas hist�rias?
Se dissermos a verdade, n�o precisaremos acertar nossas hist�rias.
Al�m do mais, o xerife nos disse que estamos aqui por brigar.
E foi leg�tima defesa.
Certo.
Bem, acho que podem ir, ent�o.
Agora?
Ah, pessoal, mais uma coisa.
Rezem para que James Hurley fique s�o e salvo...
porque se alguma coisa acontecer com ele, vamos atr�s de voc�s.
Xerife, por que est� a� sentado? Temos aonde ir, pessoas para ver.
Acho melhor come�ar a estudar medicina.
Por qu�?
Porque come�o a me sentir como Dr. Watson.
"Dia bom" para voc�, Pete.
N�o, Josie, a express�o � "bom dia".
E o dia mal come�ou.
Pete...
quero lhe agradecer por ontem. Por me defender de Catherine.
Esque�a isso.
Catherine estava errada ontem.
-Ponto. -Obrigada mesmo assim.
-Ol�. -Pete, � o Harry.
Trouxe o Agente Cooper comigo. Viemos ver a Sra. Packard.
Vou fazer caf� fresquinho.
-Oi, xerife. -Sra. Packard.
Dale Cooper, FBI.
Sem d�vida se lembra dele da reuni�o de ontem.
Prazer, senhora.
Agente Cooper, lembra-se de Pete Martell.
-Claro, Pete. -Pode apostar.
Voc�s aceitam uma x�cara de caf�?
Sra. Packard, disse a palavra m�gica.
-Adoraria uma x�cara, obrigado. -Claro, eu vou servir.
Sr. Cooper, como vai querer?
Preto como a meia-noite em uma noite sem luar.
Bem preto.
-Por favor, sentem-se. -Obrigado.
Sra. Packard, vou direto ao ponto.
Sra. Packard, soube que havia contratado Laura Palmer...
para vir aqui duas vezes por semana, ajud�-la com seu ingl�s, certo?
Sim.
Quando a viu pela �ltima vez?
Na quinta-feira � tarde, quando a serraria tocou o apito das cinco.
-Ou seja, �s 17h? -Sim.
E quando ela foi embora?
Em uma hora, quando a aula acabou.
N�o a vi mais.
O que achou dela na quinta-feira � tarde?
Algo a incomodava.
N�o tivemos uma conversa franca a respeito.
Mas ela me disse algo que ficou na minha cabe�a...
disse...
"Acho que agora entendo como se sente pela morte do seu marido."
Ela disse a que se referia?
N�o.
Mas depois do que houve com ela, n�o paro de ouvir isso na cabe�a.
Como uma melodia apavorante.
-Com licen�a. -Sem d�vida.
Ent�o, Harty, h� quanto tempo est� com ela?
Como voc� soube?
Linguagem corporal.
Deus do c�u.
N�o faz muito. Seis semanas.
Andrew morreu h� um ano e meio.
Pessoal, n�o bebam esse caf�.
Voc�s jamais imaginariam. Havia um peixe na cafeteira.
Desculpem.
Sim, Catherine, estou ouvindo.
S� achei que devesse saber...
o quanto seu embuste sentimental nos custou ontem.
Sabe o que s�o embustes, n�o sabe?
Fechar a serraria nos custou US$ 87.000 e uns trocados.
Acha mesmo que meu irm�o Andrew teria gostado disso?
Jocelyn? Sra. Packard?
O que s�o embustes?
Bobagens, trapa�as, muitas vezes arma��es enganosas ou trai�oeiras.
Por que voc� sempre se apressa tanto?
Faz mais de uma hora.
Lembro que houve uma �poca...
em que voc� ficava a tarde toda.
Na do�ura do que passamos juntos, esta hora logo parecer� um dia.
Conte isso para outra.
N�o sou nenhuma camareira burra...
procurando confus�o no arm�rio de vassouras.
Desculpe.
N�o quis ofender sua sensibilidade delicada.
Ah, n�o. O erro foi meu.
Eu tinha me acostumado a administrarmos neg�cios e prazer.
Querida...
Para mim, � tudo a mesma coisa.
N�o me venha com "querida", seu safado.
Tamb�m n�o sou nenhuma colegial.
Qual � o pr�ximo passo?
Vamos aumentar?
Talvez n�o precisemos fazer nada.
Com mais algumas trag�dias locais...
Josie talvez acabe falindo a serraria sozinha.
Neste ritmo, vai levar anos para a serraria falir.
N�o quero esperar mais.
Al�m disso, o idiota do meu marido pode ver o livro...
e perceber nossa matem�tica criativa.
Talvez seja a hora...
de fazermos um fogo.
Est� falando de neg�cios ou prazer?
Estou falando da Serraria Packard.
Toda aquela madeira seca por l�.
Uma fa�sca isolada.
-Uma noite. -Alguma noite.
Quando Pete tiver sa�do para beber com o urso vigilante.
Agora eu me lembro...
como todas aquelas horas viraram dias.
Sarah, querida.
Sinto incomod�-la, amor...
mas Donna Hayward est� aqui.
Tome isto.
Vou mand�-la entrar.
-Tente n�o aborrec�-la. -Est� bem.
N�o sei o que vou fazer.
Sinto muita saudade dela.
Sente saudade dela?
Sim, eu sinto muita saudade dela.
Eu sinto muita saudade dela.
Laura.
Ah, Laura, minha filha.
Laura, minha querida.
Leland, Leland.
Ent�o, nenhum de voc�s viu Ronnette depois da aula, naquele dia.
Exatamente.
E, segundo sabiam, ela foi trabalhar depois da escola?
Sim, na Loja Horne do centro.
O que ela fazia na loja?
Era vendedora.
No balc�o de perfumes.
Ela brincava...
que era o emprego mais cheiroso que j� tivera.
Com licen�a.
DEP�SITO DE OXIG�NIO 203 NECROT�RIO 205
Quantas vezes j� lhe pedi...
para n�o incomodar os h�spedes com este barulho?
Cerca de 4.000 vezes.
Audrey...
Julie me disse que voc� esteve com os noruegueses...
antes que todos eles decidissem, em massa...
retornar ao seu pa�s...
sem assinar os contratos.
� verdade?
Sim.
Voc� n�o teria dito nem feito nada...
que possa ter precipitado a volta deles, teria?
Quero dizer, presumo que se trate de uma coincid�ncia.
Papai...
Eu fui l� verificar aquele buf� rid�culo.
E, enquanto estava l�, mencionei estar triste.
Pelo qu�?
Pelo assassinato brutal da minha querida e �ntima amiga Laura.
Voc� percebe...
o quanto sua pequena atua��o custou � nossa fam�lia?
Se fizer outro truque desses...
vai esfregar bid�s em um convento b�lgaro.
Ah, papai, estou morrendo de medo.
Laura morreu h� dois dias.
Eu perdi voc� h� anos.
Pelo que estamos por receber, agradecemos ao Senhor.
Am�m.
Robert, esperava que pud�ssemos...
discutir o que houve nos �ltimos dias.
N�o necessariamente o que houve de f�sico...
mas sim as ideias e sentimentos que isso envolve.
A revolta, para um jovem como voc�, � um fato da vida.
Francamente, � um sinal de for�a.
Em outras palavras, Robert...
eu respeito sua natureza de rebelde.
Mas, como seu pai...
sou obrigado a conter esse fogo da contrariedade...
com os limites estabelecidos pela sociedade...
bem como os vigentes na nossa fam�lia em si.
Robert, percebo que est� relutante em dialogar comigo, seu pai.
H� momentos em que o sil�ncio vale ouro.
O sil�ncio pode ser tomado de v�rias formas. Como um sinal de intelig�ncia.
Quanto mais quietos ficamos, mais ouvimos.
Agora, sou um homem tolerante. Minha paci�ncia tem limites.
Esclarecer seu caminho � a aspira��o de todos os indiv�duos...
na nossa exist�ncia anuviada e tempestuosa.
Robert, voc� e eu vamos trabalhar para esclarecer o seu.
Vamos apoi�-lo, Bobby.
Quer alguma coisa para acompanhar, xerife?
Talvez o Agente Cooper queira provar uma fatia de torta.
-Torta de cereja? -� a melhor nos tr�s condados.
Pode pedir � Norma para vir aqui, Shelly?
-Com certeza. -Nada � certo, Shelly.
Cara, ainda n�o tirei o gosto do caf� filtrado com peixe...
da boca.
Nem eu.
Shelly Johnson, com J?
O marido � caminhoneiro, Leo.
Fichado por delitos leves.
Senhora do Tronco?
-Isso. -Oi.
Posso lhe perguntar sobre o seu tronco?
Muitos perguntaram.
Boa noite, Harry.
Norma, quero lhe apresentar o Agente Especial Dale Cooper.
Departamento Federal de Investiga��o.
Norma Jennings.
� verdade que Laura a ajudava no programa de Refei��es a Domic�lio...
entregando jantares quentes para idosos reclusos?
Sim, Laura ajudou a organizar o programa.
Tem os nomes de quem estava na rota dela?
-Posso consegui-los para voc�. -Pode fazer isso?
E mais duas fatias desta torta incr�vel.
Est� bem.
Cara, voc� deve ter o metabolismo de um abelh�o.
Para sua informa��o, eu os ouvi falando sobre Laura Palmer.
Sim.
Um dia, meu tronco ter� algo a dizer a respeito.
Meu tronco viu alguma coisa naquela noite.
Mesmo? O que ele viu?
Pergunte a ele.
Imaginei.
Obrigada, Norma. At� amanh�.
Oi, Leo.
Trouxe torta para voc�.
Onde est� minha camisa?
Que camisa?
Minha camisa azul favorita.
� a segunda coisa que voc� perde neste ano.
Agora, voc� vai aprender a cuidar da minha propriedade.
Ou seja, garantir que as coisas n�o se percam ou estraguem.
-Ah, Deus, por favor, Leo. -Isto vai machuc�-la.
N�o.
Eu atendo.
Entre.
M�e, pai, este � James. James Hurley.
-Como vai, James? -Prazer, senhor, Sra. Hayward.
Prazer em conhec�-lo, James.
Bem, espero que esteja com fome.
-Eileen cozinhou muita coisa. -Sim, senhor.
Quer algo para beber?
Temos refrigerantes, ponche...
e cidra espumante.
Ponche. Seria �timo, obrigado.
-Eu pego. -Est� bem.
Por que n�o se sentam � mesa...
enquanto eu vejo o assado?
-Aqui est� seu ponche. -Obrigado, Donna.
Acho que n�o conhe�o seus pais, James.
N�o, senhor. Meu pai morreu quando eu tinha dez anos e minha m�e viaja.
Ela escreve para o jornal, �s vezes.
Ed Hurley, do Posto do Big Ed, � tio de James.
Sua esposa � a mo�a da venda no olho?
Sim, senhor, � minha tia Nadine. Ela � uma figura.
Will? Pode me ajudar aqui, por favor?
Com licen�a.
Podemos conversar depois do jantar.
� bom ver voc�.
� bom ver voc� tamb�m.
Aquele filho-da-m�e.
Primeiro, a sua namorada, depois, a minha.
� uma pena s� podermos mat�-lo uma vez.
Oi, e a�, doutor?
Aqui � Laura Palmer, se ainda n�o adivinhou.
Vou lhe gravar mais uma dessas fitas...
que, como j� sabe...
eu enviei ao senhor em um dos envelopes que me deu.
Hoje � quinta-feira, dia 23, e estou muito entediada.
Na verdade, estou meio estranha.
Meu Deus, James � muito gentil, mas � muito pateta.
Deveria ter lhe conhecido h� muito tempo, Dr. Jacoby...
porque, neste momento, estou no limite das gentilezas.
Sei que vou me perder naquela floresta de novo hoje.
Eu sei disso.
Lembra-se de que lhe falei sobre aquele homem misterioso?
Bem...
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