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Alguém me tira daqui.
Socorro.
Socorro. Eu não estou morta. Não.
Nem te ouvi chegar.
Você só me escuta se eu quiser.
Engraçadinha.
Como é que foi sua noite?
Foi boa.
Você tava com o Michel?
Uhum.
Você não tem nada pra me contar, não?
Não, você já colocou outro GPS em mim?
Você tá bem apaixonada por esse rapaz, não tá, filha?
É, menina.
Ser mãe é viver na ignorância mesmo.
Agora é... Bom, tá que a educação que eu te dei faz alguma diferença, né?
Por que você não me conta alguma coisa?
Contar o quê, gente? Tava com o Otto ontem, jantei, nada demais. Como?
Como você se apaixonou pelo meu pai?
Não, Luna, por favor. Mãe, pelo amor de Deus, me conta.
Ele é meu pai, eu preciso saber.
Por favor.
Conta.
Ah, eu... Eu tava na mata.
Eu precisava colher material pra minha pesquisa.
Era noite de lua cheia.
Aí eu fui andando e... e alguma coisa me dizia que eu não tava sozinha.
Aí de repente eu vi umas pegadas assim no chão e fui... fui seguindo.
Até que de repente eu vi um lobo guará.
Me olhando assim com os olhos zamba.
E eu nem sabia que lobisomem existia.
Não de verdade.
Aí no dia seguinte eu fui tomar uma cerveja com uns amigos no bar.
E vi um homem me olhando.
Com os mesmos olhos, ambas.
Era o seu pai.
Foi ali que eu me apaixonei por ele.
Eu não tive nada a ver com o acidente.
Nada. E a Flora morreu?
Não, pai.
Não, pai, acho que não.
Ela não vai ficar arrasada.
Ela o quê?
Pensa nessa cachorra. A Flora está no hospital entre a vida e a morte.
E a Flora é importante para você?
Não. É claro que não.
Mortal.
Humana.
Terrestre.
Louca da cabeça.
Luna.
Filha.
Acabaram de me ligar.
Aconteceu um acidente e a Flora está no hospital.
O mãe vai pra casa, o mãe é melhor.
Não adianta, não arreda o pé daqui.
Oi, gente.
Um socorro.
Obrigada, eu devia ter vindo. Que loucura tudo isso, meu Deus.
Essa área é restrita a médicos.
Vocês estão precisando de alguma coisa?
Estava tentando fazer minha mãe ir embora pra casa com a Luísa, mas ela não
do pé daqui.
Cheiro de morte.
O que é que você queria, menina? Só que é um hospital.
Gente, desculpa. A Luna tá... Esqueci.
Precisam de você.
Não se toque.
Vai.
Amém.
Muito ter superpoder. Você... Você podia me transformar em vampira.
Transforma em vampira. Assim você não me mata e me transforma em vampira. Dá uma
mordidinha aqui.
Só uma mordidinha.
Espera.
Tem alguém aqui.
Você não pode entrar na hora que quer. Posso.
Eu trabalho aqui.
Aliás, você também.
E é por isso que você tem que me contar que mantém relações sexuais com a Luna.
Isso não é da tua conta. É.
O sexo mexe com a bioquímica do corpo.
Ela não é sua namoradinha.
Ela é o meu objeto de pesquisa.
Eu achei que tinha sangue frio, era eu.
Eu dediquei a minha vida inteira a estudar sua espécie.
Quantos anos você tinha quando renasceu vampiro?
Vinte.
Tadinho.
Não vai nunca deixar de ser só um garoto cheio de hormônio.
Lóbulo frontal.
Formação constante.
Eterna. Não vai amadurecer.
Não vai conseguir nunca controlar seus desejos.
Ser vampiro é controlar meus desejos o tempo todo.
Por exemplo.
Agora, eu adoraria ir direto na sua jugular.
Está nervoso?
É verdade.
Os neuroreceptores de dopamina nunca vão se afinar.
Como você é arrogante.
Humano. Você está apaixonado pela Loba.
Como se fosse um primeiro amor.
A Luna não é meu primeiro amor.
Eu reparei a forma como você olha para a mãe do nosso objeto de pesquisa.
Mas eu já fiz a minha escolha.
Jesus ouviu minhas frases!
Filha!
Gente, cuidado, cuidado.
O povo do hospital falou que você ia ser transferida. Falaram que ia abrir sua
cabeça. Milagre, milagre. Graças a Deus. Foi ótimo. Que bom. Está aqui com a
gente. Graças a Deus. Meu amor.
Minha linda.
Me tira desse lugar de morte, mãe.
Vamos embora.
Vamos. Vamos embora.
Vamos embora. A sua irmã voltou pra gente.
Mãe. Ela voltou, mãe. Minha linda.
Quer que eu faça mais um?
Bom apetite, hein?
Igual você, Luna.
Sempre imaginei como você estaria. Você tá tão grande, tão bonito, forte.
Parece que eu tô vivendo um sonho.
A gente te procurou muito, viu, Rua?
Né, filha?
Como é que você encontrou a gente?
Jornal.
Achei um jornal que tinha a sua foto e o nome da escola. Eu vim.
E o nosso pai?
Não é melhor assim mesmo.
Não, eu quero conhecer meu pai. Ele é um tirano.
Eu fugir porque eu não quero ser como ele.
Quero ser igual a você, mãe.
Um cientista? Não.
Quero ser humano.
Você não ia me contar da sua hora, não?
Não comenta nada com a Elisabetta. Vou tentar se enrolando. Primeiro o Tonho,
depois isso.
Ai, a Flora não vai ser um problema.
A Luna vai descobrir pelo cheiro.
E não vai dizer nada.
Nós também guardamos um segredo dela.
Esqueceu? Agora, Ala, vai. Espera aqui.
Esse cachorro está esquisito, hein?
O Caramelo, parou.
Para com isso.
Caramelo.
Aí, o povo falou que o negócio que você teve na cabeça lá era grave, que era
para você morrer.
Agora você tá assim? Tu tá reclamando, filho? Vai. Eu não tô reclamando, não,
hein? Ô, Neto, a sua irmã tá toda machucada. Nem tá mais doente, gente.
Já tô me sentindo bem aqui.
Não se pode nunca acreditar nesses médicos. O importante é que a minha neta
bem.
Isso.
Tudo bem mesmo você dormir aqui?
Eu sempre dormi no chão.
Eu não preciso disso tudo, mãe.
Agora eu vou cuidar de você, meu filho.
Passei tanto tempo procurando uma pista, Juan.
Mas o seu pai não queria que eu te encontrasse. Ele disse que você ia fazer
pra mim.
Eu não tinha o direito de te dizer isso.
Sim.
Ele disse que pessoas podem fazer coisas
horríveis.
Pra amor.
Que você queria mudar a minha essência.
Seu pai tem as convicções dele.
Eu tenho as minhas também.
Mas você já é adulto, pode escolher no que acreditar.
Eu quero ficar aqui.
minha mãe com você, mãe.
Você não sabe a felicidade que eu sinto em te ouvir me chamar de mãe.
Felicidade e tristeza também.
Por tudo que o Martim me tirou.
Me tirou também.
O que foi sua barriga?
Não, não, não, não.
Não foi nada.
Não, Lu, dorme, dorme, que já tá tarde.
E aí, gente?
Manda beijo fora.
Deus ajudando a galera.
Meu Deus.
O que foi, Luísa?
Meu anel rolou pra debaixo do armário.
Eu vou chamar o papai. Peraí que eu vou tentar te ajudar.
Onde foi que você derrubou?
Aqui.
Nossa,
mas você tá melhor mesmo, hein? Tô.
Como é que tu vais explicar para o Otto que precisamos de mais?
Ele sabe que o ser um faz cada vez menos efeito.
Aproveita e explica para a Elisabetta.
Oi, Elisabetta. Bom dia.
É noite aqui.
O Otto me disse as notícias.
Que notícias?
O irmão de Luna chegou.
Nós agora temos dois werewolves.
Vai precisar comparar o seu genoma com o da Luna, tá?
É.
Eu sinto que a gente tá diante de uma descoberta que vai ajudar a humanidade
toda a encontrar a cura de várias doenças. É.
O que eu tenho é uma doença?
Não, filho. É uma mutação.
Ah, tá.
Vona, você leva seu irmão até o laboratório?
Aí eu vou adiantando com o Otto.
É que a Flora já voltou pra casa.
Eu vou pra lá.
Mas pode deixar que eu vou dar a colheira.
Preocupa não, filho. Eu volto mais tarde pra te buscar, tá?
Oi, bom dia.
Finalmente acordou.
Olha o café reforçado que a vó preparou pra você.
O pessoal já tá na rua.
Vó, eu te agradeço, mas eu não vou conseguir começar aí não. Eu passei
ontem. Você tá pálida mesmo?
Tô.
Mas esses machucados estão melhorando rápido.
Ó, já matei o leitãozinho lá pra fazer a pururuca, viu?
Pra comemorar sua volta, Flora. É, ainda deixei fazendo sangria. Bora fazer
aquele talhado que nós gostamos?
Que foi, ô menino estranho? Tá com saudade de comer porco, é?
Você acha que tem alguma chance do seu ex -marido aparecer?
Se o Martim tentar levar o Juan de novo, eu nem sei o que eu sou capaz de fazer.
Seria bem interessante comparar o material genético com o seu. Eu não
dele pra nada.
Ele não ajudaria. Essa pesquisa aqui é a minha vida.
Estou aqui lembrando de quando eu li um artigo seu pela primeira vez.
A primeira impressão que eu tive é que dava pra sentir cada página que eu lia,
suor por trás de cada achado.
Cientista, mulher e líder.
Você acha que se não fosse perfeito, eu ia conseguir investimento?
Mas a partir daí eu comecei a consumir tudo que você produzia, todos os seus
textos, artigos, pesquisas, ensaios, como se fosse uma
paixão platônica,
intelectual.
Agora, gente, pra quê?
Né?
Né.
E não é mais platônico, né?
Não é.
Sendo patética.
Agora estou igual a você, não sou?
Dá -me o teu braço. Não, não, não. Eu tenho meia agulha. Não,
não, não. Dá -me o teu braço.
Vai,
vai, vai.
Vampira!
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