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O que é que ele está sempre a repetir?
- Uzhas, uzhas... - O que é isso?
- O horror. - O horror é o que vais ter, cabrão!
Não consigo arranjar a estação de rádio, Sargento.
Não vás muito longe, o capitão vai querer interrogá-lo.
O que é que...
Ray, calma. Calma!
Ei... Ray, sou eu.
Não, não! Ray, para!
Ray, por favor, sou eu, Cantera, estou aqui.
Sónia!
Ray, calma, sou eu e estou contigo.
Sónia!
- O que é que está a acontecer? - Não sei.
Ei, ei...
Faz alguma coisa! Faz alguma coisa, foda-se!
Ray...
Por favor, estou aqui, Ray...
Sónia!
Aguenta, aguenta... Fica aqui.
Ei, por favor...
- O que é que aconteceu? - Não sei...
- Como é que não sabes?
É a primeira vez que vejo uma coisa assim!
Sónia, Sónia...
- Ei... - Espera.
Ray, fica comigo, por favor.
Ray, por favor, aguenta.
Ray, por favor, ouve-me.
Por favor...
Afasta-te!
Vamos, Ray.
Vamos.
Por favor...
Sónia, por favor...
Por favor...
Que merda é que lhe injetaste para fazer o coração parar?
Um sedativo.
- Um sedativo? - Sim...
PONTO NEMO "MUTAÇÃO CÓSMICA"
Capitão!
Capitão!
Marco!
O Marco fugiu com uma das lanchas.
- Algo me bateu nas costas. - O Ray morreu.
Como?
Como assim, morreu?
A doutora matou-o!
Ela não faz a mínima ideia do que está a fazer!
Controle-se!
Controle-se.
Diga-me. O que aconteceu?
O Ray e eu fugíamos às regras.
- Éramos um casal, Capitão. - Eu sei.
Mas ainda assim, Cantera...
Ainda assim, agora não é o momento.
Vai ter tempo para a tristeza.
Quero que me conte o que aconteceu.
Eu também não consigo explicar.
Depois de ver as feridas, o que eu fiz foi dar-lhe uma anestesia
para controlar as convulsões
e para estabilizar os sinais vitais. Foi só isso que eu fiz.
- Já terminou? - Sim.
Isto sai de qualquer tipo de lógica médica.
E tenho a certeza que o que eu lhe dei não lhe causou a paragem cardíaca.
Negligência, essa foi a causa.
Vocês estão a perder o juízo. Um sedativo não mata pessoas.
Mal administrado, mata.
Vão continuar a fazer acusações?
Nesta situação, deviam de apoiar em vez de atacar.
Qual é a tua sugestão, Nazareth? Perdemos mais um colega.
Estamos dependentes de um médico que não tem respostas. O que fazemos?
Talvez não existam ou nem as sabe!
Se calhar há algo mais a acontecer e nós nem sabemos.
A doutora é uma geneticista de renome, preciso de uma resposta convincente.
Então Capitão, acho que o melhor para descobrirmos o que aconteceu...
é fazer uma autópsia.
Não, não...
Nem penses nisso!
Depois do que lhe fizeste, vais querer abri-lo?
Larga-me... Larga-me, caramba!
Assim não se consegue nada.
Capitão,
por favor.
Capitão!
É como eu lhe digo: se quiser saber o que aconteceu,
tenho que lhe fazer uma autópsia.
A decisão é sua.
Faça-lhe a autópsia, a Nazareth vai ajudá-la.
Sónia, devias comer alguma coisa.
Obrigada, Santos, não...
Não tenho fome.
Estou agoniada.
Nunca fiz uma autópsia.
Pois.
Tu não me pareces o tipo de pessoa que se intimida facilmente.
Tenho a certeza que a vais fazer bem.
Dizia um poeta, Manuel António, que era marinheiro também...
"Fomos ficando sós,
o mar, o barco e nós".
O barco já não está, mas o mar e nós, sim.
E tu, Sónia,
se calhar és a pessoa mais importante desta expedição.
E nós precisamos de ti.
O que tem acontecido aqui...
tem sido tão insólito para vocês como para mim.
E tudo o que tem acontecido tem sido muito tentativa e erro.
E isto só acontece porque não há ninguém que decida.
O capitão também tem que decidir muitas coisas.
Ele tem a responsabilidade do que acontece aqui,
mesmo não tendo o barco.
E quando voltarmos à civilização, quem vai ter de dar a cara
e responder pelo que aconteceu, é ele.
O que tu tens de fazer é descobrir a causa da morte do Ray.
E provar-lhes que estão errados.
Santos, posso pedir-te um favor?
É importante para mim.
Se comeres, sim.
Acompanhas-me na autópsia?
Eu não quero que voltem a duvidar das minhas intenções.
Queres que vá contigo?
Quero saber quem foi.
O Marco fugiu com a ajuda da América
e ela vai ficar isolada até sairmos daqui.
Além dela e de um russo que prendemos,
só um de nós podia ter tirado o Ray de lá,
por isso, quero uma resposta.
Vou dar-vos uma primeira e última oportunidade.
Quem levou o corpo do Ray deve dar um passo à frente.
Não vai ter consequências graves, dou-vos a minha palavra de capitão.
Ninguém?
Às vezes, as explicações mais simples resolvem as questões mais complexas.
E seria lógico perguntar quem levou o corpo do Ray,
mas é ridículo.
Neste momento o mais coerente é perguntar se o Ray está mesmo morto.
Os monitores não mentem.
Então, que outra justificação tens para isto?
Não ouviste o capitão? Alguém o levou.
Eu concordo com a Zoe.
Tu também o tentaste reanimar e não conseguiste.
Tu viste-o morto com os teus próprios olhos.
Qual é o teu problema?
Primeiro acusas-me de negligência e agora mentes?
Tens de ouvir mais, Sónia.
Nem tudo é explicado pelos monitores.
Isto é absurdo. Isto é absurdo.
Tu podes acusar-me de tudo, do que quiseres.
Mas não me podes acusar de não ter compromisso com a ciência.
Não podes usar elucubrações pessoais.
Catalepsia.
O quê?
No século XVIII, muitas pessoas foram enterradas
supostamente mortas, mas estavam a dormir.
Não estamos no século XVIII,
a catalepsia está bem estudada, tem a ver com narcolepsia...
Ofende-me que eles possam achar que podíamos confundir
catalepsia com paragem cardíaca.
Vamos ver uma coisa,
para evitar erros humanos ou conspirações,
nós temos máquinas que monitorizam sinais vitais.
Por isso, por favor, guarda as tuas lições históricas
para ti e para os teus ouvintes ignorantes de impacto fácil!
Cada vez tens menos razão.
Não fazes a mínima ideia do que está a acontecer.
Primeiro-sargento!
Há uma maneira de saber se alguém levou o Ray.
- Como? - As câmaras do laboratório.
Se encontrarmos o local onde estão as gravações,
vamos poder esclarecer tudo isto.
Tanto você como eu e o cabo, procurámos por todos os cantos
deste buraco e não vimos nenhuma sala de controlo.
O facto de não termos encontrado não quer dizer que não exista.
Tudo bem. Alguma ideia?
Eu se calhar posso ajudar-vos.
Ao modificar o ecobatímetro podemos estabelecer
uma nova gama de distâncias que ignore os primeiros metros
e nos mostre o que há por detrás.
Estás a hackear a máquina!
O que é que hackeaste mais?
Parece que tens muita experiência.
O meu pai foi um espião na Guerra Fria.
As habilidades, a única coisa boa que herdei dele.
Já entraste em algum site oficial do governo...
ou no telemóvel da tua ex?
Tenho limites.
Feito!
Já está?
Se houver uma coisa atrás da parede, isso deteta?
É isso?
Sim, mais ou menos.
Aqui em baixo.
- Vai dizer ao capitão. - Ok.
Funciona?
Rebobinei até o início das convulsões do Ray.
- De certeza que quer vê-lo outra vez? - Por favor.
Avance.
- Não parece que tenha havido negligência. - Isso é um pedido de desculpas?
Vamos ver o que acontece a seguir, foi para isso que viemos.
Ativa-se com o movimento,
por isso, a seguir deve vir a parte em que o levam.
Vá. Continua.
Está a ver, capitão? Está vivo.
Como vêem, eu não o matei.
E como vêem, ninguém o levou.
Por onde é que saiu?
A última câmara é a do elevador.
É o único acesso.
Vá, mostre-me isso.
E não há movimento nenhum registado no elevador.
Não saiu por lá.
Isso quer dizer que ainda lá está.
É impossível, procuramos por todo o lado. Não está lá em baixo.
Então vamos perguntar a quem conhece melhor este lugar.
Vamos, quero falar com o russo.
Senta-te aí.
Bem,
vamos começar.
Nome e trabalho, pergunta-lhe.
Como se chama?
Yuri Afanasyevich Bulgakov.
É engenheiro naval. Yuri "alguma coisa" Bulgakov.
Muito bem, Yuri.
Pergunta-lhe porque é que destruiu a estação de rádio.
Sr. Bulgakov, o meu nome é Noah.
Porque é que destruiu a estação de rádio?
Porque não pode sair nada desta ilha. Nada.
O que aconteceu nesta ilha?
Yuri...
Coisas horríveis.
Horrores contra a humanidade.
Eles cometeram erros que nunca deviam...
Erros que nunca deveriam ser repetidos.
Ele tem a sua missão.
Diz que eles lhe deram uma missão.
Eles? Quem são eles?
E de que missão está a falar?
Os homens do mar.
Os homens do mar?
Marinheiros?
Quais marinheiros, se isto está abandonado?
Preciso de saber exatamente o que se passou aqui
e porque é que nada pode sair daqui.
Traga um isqueiro!
Eu tenho.
Ei, o tabaco.
É a mesma marca que encontramos na caverna.
Diga-lhe para continuar. O que aconteceu nesta ilha?
O nosso capitão quer saber o que aconteceu aqui.
Sente-se!
Ninguém pode sair desta ilha.
Pergunta-lhe porque é que não o vimos. Onde é que estava escondido?
Ninguém pode sair desta ilha...
Nada pode sair daqui.
Nada pode sair daqui.
Ninguém pode!
Ninguém pode!
Não, por favor.
Ninguém pode...
Vamos lá fora, vamos apanhar ar.
Está limpo.
Ele diz que este é o acesso à rede de túneis ocultos da base.
Ei, aonde é que vais?
Vamos.
O que é isto?
Túneis de ventilação.
Comunicam-se com o exterior e com todas as áreas importantes da base,
incluindo as baterias costeiras.
Sargento.
- López, vem atrás. - Recebido.
Quieto.
Está limpo.
Está limpo.
Ele diz que a casa é dele, ele mora aqui. Existe uma saída para o exterior.
O túnel dá para a uma caverna perto de alguns assentamentos.
Porque é que ele se esconde aqui?
Não, não, eles não me deixam falar.
Não posso falar, não, não.
Porque eles...
Eles não o deixam falar com ninguém.
Quem são eles?
Quem são eles?
Ele diz que eles não são perigosos,
mas que o nosso amigo é perigoso.
Temos que matá-lo, senão vamos morrer todos.
Capitão...
Capitão,
Ninguém vai matar o Ray, pois não?
Capitão,
veja isto.
Se calhar podemos pedir à doutora para fazer uns sedativos.
Vamos precisar de inibidores que evitem movimentos violentos
e ações rápidas.
- Nazareth, por favor. - Desculpa.
Obrigada.
Vai ao armário buscar
inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina.
Ok.
Que digam IRSN.
Noah...
Viste?
Sim, sim.
Sim, estão aqui.
Obrigada.
Sargento, deixe isso aí.
Aqui em cima.
Ok.
Tu e tu vão para os pontos altos no exterior que o Yuri disse.
Em caso de fuga, podem vê-lo.
Levo a câmara?
Sim, precisamos saber o que é que vem aí.
E nós vamos juntos pelos túneis.
- Ok. - Ok, Capitão.
A Sargento não vem, vai ficar na base.
Capitão...
Como?
Não quero outro confronto com o grupo
e já está muito envolvida emocionalmente.
Mas não se preocupe,
vou trazer o cabo de volta,
vivo.
Que merda é esta?
Vazio.
Estão arrancados.
- Larga isso Mónica, eu levo. - De certeza?
- Sim. - López, à direita.
Recebido, Sargento.
Limpo!
Limpo.
Espera.
Ele esteve aqui.
Bolsas de sangue.
Estavam no frigorífico do laboratório.
Se calhar foi buscar mais.
Ajudou-o a crescer e a desenvolver a sua metamorfose,
mas isso não quer dizer que se transforme em...
Em quê?
Ray...
Ray, calma.
Ray...
Ray, ouve-me.
Eu sei que tu não és assim.
Calma, por favor.
Olha para mim.
Sou eu.
Ray, olha para mim. Olha para mim, por favor.
Precisamos todos de ti.
Preciso que voltes, Ray.
Ei...
Olha para mim, por favor.
Olá.
Olá.
Calma.
Calma.
Já passou.
Sim, sim.
Ei, olha para mim.
Vais ficar bem, está bem?
Eu prometo-te.
Ray, por favor.
Não, não, Ray!
- Está aí? -Ray, calma.
Primeiro-sargento, afaste-se dele.
- Dispare, Sargento. - Não, Capitão!
- Cabo, dispare. - Não!
Ray, olha para mim.
- Cantera, afasta-te dele. - Não!
- Afasta-te! - Não, não!
Sai daí!
Para!
Não, não!
- O que estás a fazer? - Não, não!
Sai daí! Largue a arma, Primeiro-sargento.
- Não. - Ponha a arma para o chão!
Não!
Se alguém disparar, eu mato-o. Não me obrigue a fazê-lo, por favor.
Não faça isso.
Essa arma para o chão já!
Tranquem-na numa cela!
Não sei como os inibidores da serotonina causaram...
A confiança está-se a acabar, doutora!
Foi-se embora, Capitão!
Todos para a sala de jantar, agora!
- Porta 2 fechada, Capitão. - É o ferro.
O ferro é um dos componentes mais importantes do sangue
e é um mineral essencial para os processos de muitos seres vivos,
como a reprodução, a metamorfose e...
Não é por acaso que tanto a iguana
que acabava de pôr ovos, como o Ray...
estejam à procura de alimentos ricos neste nutriente.
Como o sangue.
É muito provável que...
se o Ray não encontrar nutrientes suficientes,
vai morrer.
Então é melhor deixá-lo morrer do que matá-lo, certo?
Não é tão simples.
O Ray já não é um humano.
Transformou-se num animal ou algo assim.
Mas o instinto de sobrevivência vai fazer com que ele procure o ferro
em qualquer lugar.
Ele sabe onde o pode encontrar.
Mas as iguanas são animais herbívoros, certo?
Nem todas as iguanas.
Há algumas que não, a iguana preta, por exemplo,
é um animal oportunista que come ratazanas, come frangos...
Pode até comer os próprios filhos. Mas não é por isso que mata pessoas.
Além disso, o Ray ainda é humano, pelo menos o ADN dele ainda é.
Porque isto é um caso de manipulação genética.
Então queres dizer que o que anda aqui à solta é um canibal?
O que ele come é indiferente. O importante é não estar perto de nós.
Destruam o ovo que trouxeram da caverna,
não vamos fortalecer mais ainda o instinto dele.
Não!
Não.
Destruir esse ovo seria imprudente.
E matar o Ray também.
Deveríamos capturá-lo, mantê-lo vivo.
Isto é uma descoberta científica incrível que pode ajudar a ciência.
Vocês viram o membro dele, nós cortámos o braço
e mesmo assim continuou a crescer!
Tem uma capacidade de regeneração incrível!
Tem um potencial médico incalculável.
Incalculável... é o seu perigo.
O estudo é um grande avanço para a ciência e para a medicina.
Um avanço para quem?
É um monstro. Ainda não percebeu?
Um monstro?
É uma criatura digna de compaixão
como o Capitão ou como eu.
Este monstro que você diz tem propriedades que podem ajudar
a muita coisa...
ao transplante de órgãos, à regeneração de tecidos,
à cura do cancro, a doenças degenerativas...
A tanta coisa! Tem uma possibilidade infinita!
Fala de propriedades regenerativas, mas aqui nada foi regenerado.
Era suposto ter crescido um braço novo no sítio do braço, certo?
E não uma garra capaz de matar qualquer um de nós.
Vamos lá ver uma coisa...
O objetivo da expedição não era científico?
Ouviram todos o Yuri, mas parece que ninguém a escutou.
Lembram-se do que é que a América disse lá na cova?
Eu sim.
Temos de aprender com a história.
E agora, mesmo sabendo que os russos, com toda a sua capacidade económica,
militar, médica, não conseguiram evitar isto e tiveram que deixar a base,
o que é que lhes faz pensar que vocês podem?
Essa é só a sua opinião. É só isso.
Lamento, mas o objetivo desta expedição mudou.
Não vão poder ganhar o Prémio Nobel de Medicina, mas...
pelo menos, vão poder contar o que se passou.
Vamos embora.
O quê?
Quando brincas com Deus,
corres o risco de criar o inferno.
Vamos.
Santos, atrás. López, vai com o Capitão.
Não vou ficar à espera que essa coisa venha atrás de nós.
E não confio muito no que as cientistas dizem.
Lembram-se dos bidões de gasolina que o Yuri tinha?
Vamos fazer coquetéis molotov, para sermos mais destrutivos.
Se me permites, Capitão,
qual é a necessidade de ser tão cruel?
Não é crueldade, Santos.
Os vírus só são mortos com muito frio ou muito calor.
E parece que este maldito frio não faz efeito nenhum.
López,
vamos buscar os bidões.
Então?
A ti sim, Santos. Desculpa.
Eu sei que não querias estar contra nós.
E também sei que aceitas as consequências.
É por isso que te admiro.
Sabias, não sabias?
Eu também te admiro, Santos.
Mas não vou pedir desculpas a mais ninguém.
Cantera, tens o que todos gostavam de ter.
Bravura, coragem, perseverança,
lealdade.
Mas está a faltar-te uma coisa.
Sou marinheiro há 40 anos e ao longo deste tempo
conheci pessoas duras,
pessoas inflexíveis, rígidas.
E mesmo por causa disso...
acabavam por se partir.
Aonde é que queres chegar com esta conversa, Santos?
Quero que penses bem, que sejas racional.
O capitão precisa de ti.
E eu preciso do Ray, Santos.
Tinha o meu pescoço mesmo ao lado da boca dele.
E ele não me mordeu. Percebes? Ele não me mordeu.
Santos, podemos recuperá-lo.
Não sei, Cantera.
Tens o direito de lutar pelo que acreditas e por quem amas.
Mas duvido que consigas fazê-lo aqui.
Tens de fazê-lo de forma coerente, de acordo com o teu cargo...
e com os valores da Marinha em que estás.
Percebes?
Primeiro-sargento, baixe a guarda.
Fala com o capitão.
O Santos disse-me que mudou de ideias.
É verdade?
- Não, Capitão, não mudei de ideias. - Era o que eu pensava.
Continuo a achar que não devíamos matar o Ray.
Mas sou uma oficial da Marinha e cumprirei as ordens do meu Capitão,
quer concorde ou não.
Não posso permitir que nos ponhas em risco.
Estou de acordo, Capitão.
Se acha que é melhor retirar-me as armas
ou manter-me isolada, eu vou entender.
A minha atitude fez com que perdesse a confiança em mim
e recuperá-la requer tempo.
Um tempo que não temos.
Primeiro-sargento, preciso de si ao meu lado.
Não me dececione novamente.
Capitão...
Dê-me outra oportunidade, não o vou dececionar.
Lamento, Capitão, mas não tenho outra escolha.
Desculpe.
Desculpe.
Isso, muito bem, tira-me daqui.
Cala-te!
Não tens nada que ver com isto!
Capitão!
Capitão... Ei!
Capitão, vá, Capitão!
Onde está a Cantera? Onde é que ela foi?
América, onde está a Cantera?
Eu não tenho nada que ver com isso.
Santos! A Cantera está em perigo.
Capitão, vá, ande...
Temos que a encontrar antes do Ray.
E se ele vier buscar-me? Não quer saber, não é?
Capitão, tire-me daqui já.
Estás mais segura tu aí dentro do que nós aqui fora.
Vamos. Vamos, Capitão.
Sargento, está à escuta?
Cabo, à escuta?
Aqui!
Ray...
Espere!
Em posição!
- Vamos! - Vamos!
Vamos, Santos!
Ray, por favor...
Afasta-te dela!
Solta-a!
- Dispare quando o tiver ao alcance. - Já estou pronto, Capitão.
Agora!
Não!
Filho da puta!
Merda!
Cantera...
Primeiro-sargento, aguenta.
Aguenta, Cantera. Aguenta.
Vai-se converter.
Podemos levá-la ao laboratório para a doutora fazer alguma coisa.
Vão-se embora, agora.
- Cantera... - Vamos!
Vamos! Vamos... López!
Obrigada...
por tudo.
Meu Capitão...
Estou bem.
Obrigado, meu Capitão.
Recuperem o corpo dela. Protocolo oficial.
Ela devia de estar aqui.
Vamos buscar reforços?
Ouviste o tiro, não deve de estar muito longe.
A Primeiro-sargento,
Cantera,
foi infetada pelo Ray,
e ela decidiu tirar a vida dela...
para não pôr o grupo em risco.
O sargento e a cabo estão agora a recuperar o corpo dela.
Vamos enterrá-la com as honras da Marinha.
Acredito que agora estamos todos de acordo
em que temos de acabar com aquela coisa e com tudo o que tenha que ver com ela.
E outra coisa...
A partir de agora é melhor ninguém sair da base,
até sabermos como caçar aquela criatura.
Estás bem? Sim?
Espera.
Olha ali!
Capitão!
Vimos um barco de resgate.
- Um barco? - Preparem as fogueiras
- em grupos de três e se não separem. - De acordo, Capitão.
E a Cantera?
Atirou-se ao mar, Capitão.
Vamos.
Deve estar a duas ou três milhas da costa.
Sinalizadores?
Vem alguém?
Certo, parece que finalmente vamos sair daqui,
mas vais de uma cela para a outra, por isso...
Há-de vir buscar-me.
Vai precisar mais de mim do que pensa.
- Capitão... - Tudo pronto para partir com o barco.
Eles não nos vêm resgatar.
As baterias costeiras estão operacionais, Capitão.
ESTA PRODUÇÃO NÃO SERIA POSSÍVEL SEM A COLABORAÇÃO DA BRILAT.
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