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Parte II
Cap�tulo X: "Pertencemos-lhe."
Mas tentemos descansar um pouco dessa sangrenta farsa.
Vejamos as crian�as do III Reich.
formosas crian�as.
Pequenas.
Brincam, ouvindo o �rg�o.
� certo que o �rg�o toca o hino oficial nazista,
mas eles ainda n�o sabem o que � isso.
O sol.
A tia,
papai e mam�e.
O trompete e o tambor. As crian�as gostam de desenhar soldados, baionetas,
armas, facas, tanques, su�sticas...
Esta � escola. A primeira cartilha: Heil Hitler!
� o que primeiro aprendem.
Outra cartilha:
"As se��es de assalto marcham. Saudemos a bandeira."
Uns versos anotados para recitar o "santo F�hrer":
"Est�s onde mais forte palpita o cora��o Alem�o,
onde trabalha o bra�o alem�o, onde riem as crian�as alem�s.
"Levamos-te no cora��o!
"Voc� � o F�hrer, o redentor da Alemanha
"Voc� � a esperan�a, a fidelidade! Voc� � o amor, a f�,
"eu te amo com todo o meu cora��o!
"Quero pertencer-te!
quero serv�-te a cada dia e a cada hora, como um fiel e bravo soldado!"
Nota:
Elas est�o aprendendo...
Agora vamos aprender a permanecer firmes,
a devor�-lo com os olhos,
a absorver cada palavra sua,
especialmente agora que dirigir� um discurso � juventude alem�.
Mas o que querer� da juventude alem�?
A juventude alem� deve ser forte,
h�bil,
ligeira como um cavalo,
veloz como um c�o de ca�a e dura como o a�o Krupp.
� tudo.
Por agora, n�o se pede mais nada de voc�s.
As crian�as est�o encantadas.
Escritos com crian�as dizem:
"Eu te perten�o."
Mas as crian�as ainda n�o entendem que � uma vergonha pertencer a algu�m,
mesmo que seja o pr�prio F�hrer.
Olham-no com devo��o.
As crian�as ter�o ainda de ouvir cada dia e cada hora, durante anos,
que ele � infal�vel,
que est� sempre certo,
que � grande, que � o redentor, a f�, a esperan�a, o amor,
que � s�bio.
Hitler disse:
"A crian�a alem� deve aprender desde a inf�ncia a entrar em brigas,
e acostumar-se � crueldade."
Aqui se habituam � crueldade. Vejam os rostos que a c�mera escolhe.
Habituam-se a lutar.
Disse uma vez:
"Aos 4 anos, colocaremos uma bandeira na m�o da crian�a,
"e a partir desse momento, como por neglig�ncia, empreender� um caminho
que continuar� at� sua pr�pria sepultura.
"H� de se converter numa massa
com a qual pode-se moldar no que se deseje."
O Caviar.
E esta � a fase culminante.
Agora ir� prestar o juramento de fidelidade a Adolf Hitler.
Ou�amos o juramento.
Juram que at� ontem eram crian�as, que at� ontem eram colegiais.
J� aprenderam e memorizaram as cartilhas.
J� sabem que Hitler � infal�vel.
Morreremos com seu nome nos l�bios.
Em seu nome, matar�o.
Em seu nome, saquear�o.
Por�m n�o s� juram os soldados.
Juram os enfermeiros, empregadas dom�sticas,
os funcion�rios, os carteiros, os ferrovi�rios.
O juramento de lealdade a Hitler o faz toda a Alemanha.
E a Alemanha inteira h� de estar ligada com garantias de ades�o.
E, desde logo, juram os membros do Partido Nazista.
Seu juramento � o mais curto.
Este � o texto na �ntegra:
"Eu juro fidelidade a Adolf Hitler,
� sua pessoa,
assim como a qualquer superior que ele me indique.
Juro obedecer, sem questionar, quaisquer disposi��es deles."
E j�!
Nem sequer lembram as palavras: "Alemanha, P�tria, Povo."
E jura obedecer sem protestar, qualquer disposi��o de qualquer superior
e j� podem colocar o quepe.
Em ess�ncia, os homens juram deixar de ser homens.
Renunciam voluntariamente ao direito e ao dever de amar o homem,
o direito e o dever de pensar, de raciocinar.
Cap�tulo XI: E, de fato, houve outra Alemanha
Sim, tamb�m havia outra Alemanha.
Eles ainda se recordam da queda do Imp�rio do Kaiser,
da Revolu��o Alem� de 1918,
justo um ano ap�s nossa Revolu��o de Outubro.
Recordam estes caminh�es cheios de soldados e trabalhadores armados,
as pessoas nas ruas,
os com�cios,
o discurso de Liebknecht.
E como se parece � nossa Revolu��o!
E como se parecem � nossa gente!
E qu�o similar ao ar de liberdade!
Por�m recordem de como terminou a Revolu��o:
com o assassinato de Liebknecht e Rosa Luxemburg,
com cru�is repres�lias.
Est�o trabalhando.
Sempre est�o trabalhando.
O trabalhador alem�o:
grande professor, grande trabalhador.
Aqui est�o.
Todavia recordaram as grandiosas demonstra��es prolet�rias dos anos 20.
Eram, ent�o, mais jovens.
Acreditavam num futuro socialista para a Alemanha.
Assim se manifestavam nas ruas.
Talvez alguns deles portando este cartaz que dizia:
"O fascismo � a fome e a guerra"
e viera a Thaelmann.
Mas nestes p�tios, recordam como acabaram as manifesta��es.
Aqui traziam os feridos
e, �s vezes, os mortos.
A classe trabalhadora alem� � dividida.
Assim � mais f�cil golpe�-la.
E assim � golpeada.
Golpeada.
E este � o beneficiado.
N�o, n�o quero dizer que o povo alem�o fora cego.
Foi enganado.
De repente se vive sob o regime de Hitler, e tem-se de ganhar a vida...
...no que seja...
...para sobreviver.
Estes s�o trabalhadores.
V�rios deles ainda talvez se lembrem da �ltima manifesta��o do Rot Front.
O Rot Front j� havia sido proibido
e manifestar-se nas ruas, era mortalmente perigoso.
Muitos deles n�o sobreviveram at� nossos dias.
Desapareceram.
Desapareceram por tr�s do arame farpado.
Sim, apesar de tudo, houve outra Alemanha.
Cap�tulo XII: "Temos de tratar a massa como �s mulheres" - Adolf Hitler
Um dos mandamentos do nazismo come�a assim:
"Voc� n�o � nada."
Quer�amos falar algo de outra forma, apenas de civis.
Quer�amos ver como vivia o homem comum desses anos.
N�o estaria gritando todo o tempo "Sieg Heil."
Mas em dois milh�es de metros da cr�nica em filme nazista,
falamos s� estas poucas que agora mostramos.
Mas, de fato, de que serve filmar pessoas se cada uma delas n�o � nada?
Certo que o mandamento diz: "N�o �s nada, mas o teu povo � tudo;"
mas como crer que o povo � tudo,
se cada integrante do povo n�o � nada?
Inicia a jornada.
Nas ruas, irrompem as negras turbas das SS.
O que h�?
Como ervilhas, se esparramam enfermeiras.
Porqu� tantas?
Haver� um ataque? Aconteceu histeria em massa?
E aqui chegam as c�meras! Est� claro:
vem o F�hrer!
J� vale a pena filmar.
final: "Voc� n�o � nada, mas o seu povo � tudo."
E o povo, como Hitler chama "a massa."
E a massa - dizia Hitler-, h� que trat�-la como �s mulheres.
E as mulheres - dizia Hitler -"
obedecem gostosamente pela for�a.
E n�o h� que contar com seu racioc�nio, basta seus baixos instintos,
suas emo��es prim�rias.
Veja aqui como exploram estas "emo��es prim�rias."
Um incidente planejado.
As crian�as lhe levam flores.
Que doce!
Explorando as emo��es, pode-se ir mais longe.
Um incidente n�o planejado: flores pela pr�pria iniciativa. Bravo! Que mais?
O nunca planejado: - Uma s�plica. - De que se trata? Desapareceu!
- Em todo caso, registraremos.
- D�i-lhe?
Sigamos adiante na explora��o das emo��es prim�rias desta massa.
- A massa � rotineira e pregui�osa - diz, e inclusive escreve, - Hitler.
N�o gosta de ler...
...pensar, tampouco.
Deve ver diante de si, um �nico inimigo
e conhecer um s� deus.
(Aqui est� esse deus)
Ent�o seguir� a um.
E cada um deles n�o � nada,
mas, juntos, s�o a massa e a massa deve ser tratada como �s mulheres
e as mulheres obedecem gostosamente pela for�a.
Al�m disse - diz Hitler -, a massa sente necessidade de lutar com algu�m.
Observa��o para futuros candidatos a F�hrer:
Com a propaganda moderna...
...� perfeitamente poss�vel e vi�vel...
...converter-se num deus no c�u, inclusive em vida.
Cap�tulo XIII: "O F�hrer ordenou, n�s cumprimos!"
"Para o bem-estar do povo alem�o, devemos batalhar cada 15 ou 20 anos" Adolf Hitler
E � chegado o momento em que o nazismo h� de cumprir sua principal,
sua fundamental
e, talvez, sua �nica miss�o.
Come�a na Espanha.
O F�hrer ordenou? N�s cumprimos.
Agora, na Pol�nia.
O F�hrer ordenou?
N�s cumprimos.
Fizemos um juramento
e pensar � negado.
Arde Vars�via.
No s�culo passado, o grande Rodin cria sua est�tua "O Pensador."
Uns 10.000 anos antes, um escultor an�nimo tinha esculpido este "Pensador",
que olha para o futuro
e parece interrog�-lo.
E esta � uma pintura rupestre. Tem 20.000 anos.
O homem ainda vivia em cavernas,
vestia peles de animais,
trabalhava com machado de pedra,
mas era um grande artista,
um criador,
um arquiteto.
Compreendia a beleza das linhas, as sutilezas das formas,
a eloqu�ncia do movimento.
As cores destes murais n�o se ofuscaram em 20.000 anos,
embora j� tenham desaparecido da terra estes animais de ent�o.
O homem primitivo conhecia at� mesmo a arte conceitual.
Voltemos, no entanto, ao s�culo XX.
Acaso seria esta a imagem de nossos tempos?
Acaso seriam estes, os monumentos que deixaremos?
Ao piloto, de cima, as casas destru�das lhe s�o serenas,
agrad�veis, inclusive bonitas
e as pessoas parecem formigas ou baratas e n�o assusta metralh�-las.
Apenas ontem, estas pessoas viviam tranquilas em seu pa�s:
trabalhavam, amavam, sonhavam.
Agora est�o atr�s de arame farpado.
N�o compreendem para onde os levam
e o que ser� deles.
Logo saberemos do que ser� deles e aonde ser�o levados.
Por hora, a guerra se lhes assemelha um pequeno passeio.
Marcham pela Europa os alegres rapazes. Marcham sorrindo.
Marcham pela B�lgica,
...Holanda...
...Dinamarca.
Passeemos por Paris.
Marchemos pelos Balc�s.
E, como turistas, subimos � Acr�pole.
Amanhecer de 22 de junho de 1941.
Nesta serena manh�, os berlinenses saber�o
que a guerra j� come�ou contra a Uni�o Sovi�tica.
No entanto, esta manh� nada difere de qualquer outra.
Resplandece t�o comum, t�o tranquila.
Ningu�m suspeita que, nesta hora,
foi decidida a sorte do Terceiro Reich.
E de fato, ignoram que a guerra j� come�ou h� poucas horas,
que j� come�ou sem pr�via declara��o,
que desde h� algumas horas, caem bombas em solo sovi�tico.
Estes s�o moscovitas,
contempor�neos nossos.
Cada qual pensa em seus assuntos.
Assim estariam sentados e pensando
em seus assuntos naquela manh� de junho.
E tudo parecia t�o simples,
como de costume,
t�o belo, t�o sereno,
mas sobre o destino de todos n�s ficaria a ferida,
a ferida irrepar�vel.
A alguns mataram-lhes o filho ou o irm�o;
a outros, o pai ou a m�e,
ou a fam�lia inteira e lhes destru�ram a casa,
ou perderam a pr�pria vida.
Mas a �nica coisa que parece importar � o que ocorre agora,
o que ocorre a voc� hoje,
agora, neste momento.
Pensam,
amam,
batem papo,
vivem.
E isto � o que mais importa.
Quem ser�o?
Eles?
Estudantes?
Futuros engenheiros ou qu�micos?
Construtores de naves espaciais? Que estar�o discutindo?
O que incomoda estes dois?
o que poderia causar tal
inquieta��o?
E esta menina estar� explicando � outra um complexo tema cient�fico,
ou lhe estar� indicando como chegar � casa de campo?
ou ambos?
Talvez sejam colegas da universidade e discutem algo de suma import�ncia.
Mas a menina quer dan�ar.
Ou talvez estejam zangadas pelo mau car�ter de uma vizinha.
Mas a menina quer dan�ar e n�o pode esperar que a velha se v�.
E a mam�e nem adverte que a crian�a se foi: e se absorve na conversa.
Ou os tr�s.
Igualmente importante � o que se passa entre eles agora mesmo.
E quanto desejam viver felizes e em harmonia!
E at� eu quisera que vivessem em harmonia e felizes,
que n�o acontecesse a eles o que a n�s
em junho de 1941,
quando o dia
se fez noite.
Cap�tulo XIV: Fascismo ordin�rio
Marcham os alegres rapazes sobre nossa terra.
Que simp�ticos,
belos,
decentes!
trabalham...
...e descansam.
De novo trabalham.
Seus nomes s�o conhecidos.
Nos bolsos de suas camisas, encontram-se estas fotos,
juntamente com as deles,
de suas esposas, suas m�es e seus filhos.
Tamb�m estas.
Levam-nas junto com as de seus filhos e suas m�es.
A que condi��o chegar� um homem
que decide levar consigo isto como boas recorda��es?
Fotos do arquivo pessoal de um chefe da Gestapo.
Irm�o e irm�.
A irm� j� est� nua.
O irm�o se despe.
Num minuto estar� morto.
Vejam junto a que, se fotografa este
farrista,
o que levar� de lembran�a.
Massacre em Lvov.
S�o fotos de um relat�rio oficial.
Mesmo num momento assim, pode-se seguir sendo pessoa.
Uma santa de nosso s�culo.
As pessoas para n�s, s�o como gado; e o gado, como n�s.
Primeira remessa de produtos ucranianos em dire��o a Berlim.
O pr�prio Ministro de Abastecimento recebe o trem.
Com motivo de t�o assinalada ocasi�o,
filmam inclusive num mercado.
Obviamente para mostrar qu�o bem se vive no III Reich: a abund�ncia.
Nestes anos vai muito bem a Sociedade Kraft Durch Freude:
"For�a mediante a alegria."
Uma sociedade dedicada ao turismo, ao lazer e ao descanso.
Uma de suas rotas tur�sticas inclui a visita
ao gueto de Vars�via.
Esta � a ponte que une ambos os lados do gueto.
Aqui est�o confinadas quinhentas mil pessoas,
condenadas a morrer de fome.
Filmagens de amador.
N�o sei quem.
N�o compreendo que "for�a"
e que "alegria"
poderia oferecer
uma visita a este gueto.
�s vezes, garotos maiores
conseguem roubar algum alimento para levar
�s suas m�es e irm�s.
Isso acaba assim.
Mas mesmo no gueto, o menino cria.
Como n�o existem l�pis, recortam figurinhas de papel.
� certo que estas figurinhas n�o s�o do gueto de Vars�via.
Do gueto de Vars�via, n�o ficou nada. Nem as cinzas.
Estes desenhos s�o de outro gueto.
As crian�as desenham, recordam o passado.
E o passado lhes parece brilhante.
Estas crian�as nasceram para serem felizes.
observam a realidade.
Sonham sair assim do gueto...
...mas saem assim...
...e assim...
O insigne escritor e grande pedagogo Janusz Korczac
vem ao gueto e se recusa a sair dele.
Permanece at� o final com as crian�as,
se as levam num desses trens.
At� o �ltimo momento, fica com as crian�as.
Conta-lhes hist�rias.
Foi encontrado morto numa c�mara de g�s,
com crian�as mortas abra�adas a ele.
Por esta porta,
passaram quatro milh�es de pessoas.
Quatro milh�es.
O trem chegou.
S�o fotos de um membro das SS,
um fan�tico da fotografia.
Bateu estas fotos, embora isso era totalmente proibido nos campos.
Aqui temos a sele��o, a escolha.
� direita ir�o os que ainda viver�o no campo.
� esquerda, os que ser�o eliminados de imediato.
� direita, os jovens e saud�veis.
� esquerda, os velhos,
os fracos, os doentes.
As crian�as com menos de 1,20 m,
� esquerda.
Algumas crian�as j� sabem
que se ficar nas pontas dos p�s, na hora da medi��o,
ser�o punidos com chicote.
N�o minta!
Ent�o for�am-nos a se despir.
E ent�o...
O mundo inteiro sabe o que ocorria ent�o:
As c�maras de g�s e os fornos.
� tudo o que resta do trem.
E aqueles que ainda iriam viver aqui,
vestiam roupas de campo.
Dentro de umas tr�s semanas, eram vistos assim.
Todos eles eram fotografados regularmente.
De perfil.
De frente.
Foram preservadas dezenas, milhares, centenas de milhares destas
fotos regulamentares.
Optamos por algumas
para que possam ver os olhos daqueles
que observaram a morte em Auschwitz.
H� muitos que desapareceram,
mas seus olhos continuam vivos.
Seus olhos ainda nos olham.
Cada um deles trabalhar� no campo
e reportar� um benef�cio ao III Reich cerca de 1.500 marcos l�quidos.
Tamb�m ser�o obtidos 200 marcos pelo "uso racional de cad�ver"
e com os pertences pessoais.
Descontando os dois marcos pelo envenenamento e crema��o,
� obtida, em m�dia, per capita,
1.631 marcos de lucro,
sem incluir o valor dos cabelos,
dos dentes,
dos ossos
e das cinzas.
A casa do comandante.
Sua esposa.
Seu passatempo.
Seus amigos.
Seu trabalho.
Do di�rio do m�dico do campo,
Doutor em Medicina,
Doutor em Filosofia
e professor tempor�rio, Josef Kramer.
S� traduziremos um par de fragmentos.
"Hoje, testemunhei um ato especial:
"� mais horrendo que o inferno de Dante.
"Encomendaram de Berlim umas cal�as, algumas botas e uns casacos novos.
"Outro ato especial:
"Desta vez, devia ser eliminado um grupo de mulheres mirradas.
"Sabiam o que lhes aguardava e as SS tiveram de recorrer � for�a.
"De almo�o houve sopa, um frango m�dio,
"toda a cerveja que se quisesse e sorvete de baunilha.
Na reuni�o, desfrutei da companhia do comandante."
Em Majdanek ficaram 800.000 pares de botas que n�o foi poss�vel enviar.
O diretor de um truste qu�mico ("ind�stria?"), solicita:
"Pedimos envio urgente de outra partida de meninas polacas.
A anterior j� se esgotou.
Prestar especial aten��o ao estado de sa�de do material escolhido."
O comandante responde:
"Estou enviando nova partida de meninas. N�o pude escolher um melhor material.
A mercadoria � a normal."
Majdanek, Auschwitz e Treblinka eram apenas modelos em funcionamento
e as escolas de dados com vistas aos enormes campos de exterm�nios
que Himmler sugeriu construir nos Urais.
Estava previsto eliminar ali, em pouco tempo,
60 milh�es somente de russos,
excluindo outros.
J� haviam elaborado os planos: vias de acesso,
rastreados os lugares e encomendados os equipamentos.
As empresas do Terceiro Reich se alistavam a um �rduo trabalho.
Choram.
Choram comovidos.
N�o, n�o quero dizer que os comoviam as c�maras de g�s.
Provavelmente nem sabiam disso.
E se lhes contassem, n�o acreditariam.
E se eles o viram com seus pr�prios olhos,
creio que diriam, comodamente, que seria necess�rio para o bem do III Reich.
� uma patologia,
uma doen�a de massa.
Estendem as m�os ao deus.
Basta-lhes tocar seus dedos.
E ainda assim, havia outra Alemanha e ainda assim, havia outra Alemanha.
Aqui temos um jovem no pelourinho.
Ostenta no peito uma placa:
"Eu disse N�O! Eu sou um traidor do povo!"
Haviam jovens que diziam "N�O" a Hitler.
Haviam pessoas que, ano ap�s ano,
teimosamente, disseram ao nazismo "Eu N�o!."
� preciso muita coragem para morrer,
mas talvez, n�o menos �nimo para dizer "Eu N�o!",
quando ao redor dizem "Sim"
para manter-se fiel � humanidade,
quando aqueles ao seu redor deixam de ser homens,
para pensar, quando o pensar � proibido.
E olha que belos rostos.
Eram poucos,
mas eram.
Sempre foram.
N�o s�o s� o orgulho do povo alem�o:
s�o suas esperan�as,
porque neles est� o futuro da Alemanha.
Cap�tulo XV: O fim do III Imp�rio
Cada ano, treinam intensivamente para a campanha invernal.
Umas palmadinhas nos joelhos. Isso.
Umas nas bundinhas. Assim...
Agora uns pulinhos...
Assim.
E pronto, n�o h� frio que assuste.
Mas, a realidade, seria...
...um pouco diferente.
Um dos soldados do cerco de Stalingrado, escreve � sua esposa:
"O que aconteceu � tamb�m, em parte, culpa minha.
"Claro que n�o � t�o grande:
"apenas a sexag�sima milion�sima parte da culpa do povo alem�o,
"mas eu j� estou pagando por esta
sexag�sima milion�sima parte."
E se todos pensassem assim!
E se pensassem sempre assim,
e n�o s� nestas circunst�ncias!
E se todos os homens do mundo, sempre pensassem assim!
Vinte milh�es de vidas.
Vinte milh�es das melhores vidas de nosso povo,
entregamos para extirpar da terra o fascismo.
Agora a guerra avan�a ao oeste.
Avan�a incontida.
Vinte milh�es
morreram,
crendo que o fascismo desapareceria
da face da terra,
de todos os pa�ses,
para sempre.
Em 8 de maio de 1965,
re�nem-se, espontaneamente,
cada um por seu lado,
na Pra�a Vermelha, os ex-soldados.
Buscam seus camaradas de armas.
Encontram alguns.
Este, do 21� Regimento de Artilharia da Guarda, n�o achar� nenhum.
N�o vieram.
Esta mulher � m�dica.
Encontrou um rapaz que salvara.
Est�o recordando como foi,
e uma menina que n�o esteve na guerra, ouve em sil�ncio.
Outro encontro.
Encontrou sua gente!
talvez o melhor dia de sua vida.
Mas, o quanto ainda havia de acontecer para este dia!
Quanto ainda ficava por fazer!
Quanto ainda tinha de recorrer!
Tinha de chegar a Kiev e logo � Vars�via,
� Rom�nia, � Hungria, � Bulg�ria, � Pol�nia:
lan�ar-se sobre a Alemanha e chegar a Berlim,
e morrer,
morrer,
dar a vida.
- Guerra total ou capitula��o - disse Goebbles-
- Querem a capitula��o? - N�o!
- Querem a guerra total?
- Sim, queremos!
Que viva a guerra total!
A guerra total.
O que se viu at� agora
ainda n�o era uma guerra total.
Este � o rosto da guerra total.
Mataram esta mulher e duas crian�as,
mataram-nas com tiros � queima-roupa.
� queima-roupa.
� queima-roupa.
Quantos destes assassinos seriam necess�rios criar para matar � queima-roupa,
para asfixiar com gases, queimar vivos ou metralhar
milh�es,
milh�es,
milh�es de mulheres e crian�as?
Quantos foram necess�rios desses executores inescrupulosos
prontos para arrasar a terra e tudo o que em s�culos criara o homem?
Mas n�o ajudou a guerra total. N�o podia ajudar.
Este � o hip�dromo de Moscou no ver�o de 1944.
S�o prisioneiros de guerra.
S�o os que tinham de cumprir a "Ordem de julho" de Hitler:
"Os eslavos dever�o cair como reserva inesgot�vel de escravos,
no estilo do antigo Egito ou Babil�nia."
Agora os moscovitas podem
ver estes malogrados amos de escravos,
vigilantes,
agricultores,
governadores.
E este a�ougueiro da Pr�ssia Oriental pode ver os soldados sovi�ticos.
S�o os homens que decidiram o desenlace desta disputa.
A mais dura,
a mais cruel na hist�ria da humanidade.
Que tem de not�vel?
Bem... nada.
Nem � visto uma Ordem.
Bem, uma medalha.
Uma vez Hitler prometeu:
"Dentro de uns dez anos, os berlinenses n�o reconhecer�o sua cidade."
Com efeito, custa reconhecer as cidades alem�s agora.
Mas o h�bito faz voc�:
su�sticas, um cartaz:
"Nossa paredes est�o destru�das, mas n�o os nossos cora��es!"
E Goebbles volta a falar da guerra total.
O discurso � o mesmo, os mesmos a ouvi-lo.
Mas h� algo de novo em seus rostos.
Observem.
Est�o pensando.
� prov�vel que ningu�m esteja ouvindo Goebbles.
Est�o pensando.
Mas mesmo assim, o h�bito faz o seu pr�prio.
Sieg Heil.
E o mesmo juramento.
O juramento � o mesmo, mas as pessoas s�o outras.
Est�o pensando.
Rufam os tambores.
Goebbles passa revista.
Busca algu�m que ainda possa mandar ao fogo
a fim de prolongar uns minutos mais sua exist�ncia.
As crian�as do fogo.
Os velhos, as mulheres.
Ensinaram-lhes a disparar lan�a-granadas Faust.
� muito simples, Madame:
aponte, endireite um pouco,
puxe e gatilho. Pronto.
As �ltimas cenas de Hitler.
Tamb�m passa revista, buscando a quem mandar � luta.
Este garoto.
E isto, supostamente,
j� � demasiado tarde.
A guerra j� estava sobre Berlim.
Esgotam-se todos os minutos do Terceiro Reich,
mas, nestes minutos, muita gente ainda morrer�.
Fim!
Cap�tulo final, inacabado...
A erva cresce.
Nascem novas pessoas.
Onde antes as paredes ca�am, agora passam colegiais.
� a Rep�blica Democr�tica Alem�, Berlim.
E estas duas meninas aborrecidas t�m de ir � escola.
Querem dar volta em cada �rvore e a todos que aparecem no caminho.
Outra �rvore para dar � volta.
E a� vem um menino.
Vale a pena parar e observ�-lo.
Que sabem do fascismo, inclusive estas meninas maiores?
Que sabem sobre a guerra,
al�m do que seus pais lhes contaram?
Que sabem da guerra e do fascismo estes jovens parisienses?
Querem dan�ar.
Querem dan�ar e amar.
E ao fim e ao cabo, t�m esse direito.
� uma bela juventude.
Que linda menina!
E sabem o que est�o cantando no clube?
A sobrinha de Hitler e o filho de Mussolini.
S�o outros tempos.
Tudo passa!
Tudo segue adiante, tudo muda!
O esporte descobre novas formas.
Assim tamb�m a arte.
E?
Precioso.
A galeria.
Chama a aten��o a isto.
Particularmente o buraco.
Comprado!
Tamb�m compram este.
Chama-se "monokini."
E isto � um concurso de cultura masculino.
O concurso se chama "Mister Alemanha."
Claro que n�o � o "Mister Alemanha", � o Mister RFA.
Existe outra Alemanha.
Na verdade uma altamente civilizada.
E, onde houver um Mister RFA,
dever� ter uma Miss RFA.
O concurso se chama "Miss Alemanha Ocidental."
As pessoas desejam amar.
Desejam ter filhos:
rapazes, meninas.
E com o menino, pode acontecer isto:
treinamento de fuzileiros para a marinha.
Am�rica.
Novamente tenta converter o homem numa besta.
Talvez sem sucesso.
Isto n�o � a Am�rica.
� a Alemanha Ocidental. Uma manobra da OTAN.
�s vezes parece que este livro foi exumado.
e que, junto a ele, voltam das tumbas isto:
cad�veres vivos com suas medalhas Hitlerianas.
Estas eram das SS.
Estes, seus ternos beb�s.
Na verdade, o prefeito de Berlim Ocidental, Willy Brandt, declara:
"Chega de falar de fascismo.
"Vinte anos se passaram,
"e j� nos esgotou a paci�ncia. Chega!
"Pr� que revolver o passado?
O fascismo j� desapareceu da face da terra."
E tem raz�o: � aplaudido.
Ent�o, em que nome de que rufam estes tambores?
e em homenagem a que este desfile
t�o parecido a uns que j� vimos?
Parece-me que o tumor cancer�geno foi removido;
por�m ficou a met�stase e n�o s� na Alemanha Ocidental.
Aqui temos Mosley. Inglaterra.
Envelhecido, enrugado.
Perdeu os dentes e os cabelos,
mas, mesmo assim, continua falando
e � aplaudido por jovens; ent�o, logo algo mudou.
E a pol�cia j� est� pronta a proteg�-lo, porque agora sair�.
Saiu...
Em seguida.
Querem peg�-lo.
E ainda assim, � incr�vel a imutabilidade das tradi��es inglesas.
Vejam que temperamento.
O que � feito da fleuma inglesa?
Vejam como atua esta "dama" (num canto da imagem), com a bolsa.
E agora estes policiais: com muito brio.
Certo que agora Mosley ter� de defender-se,
salvando sua apar�ncia.
Daqui, pode sorrir.
E aos ca�dos, colocam-nos de lado.
E se aqui pode, porque n�o na Alemanha Ocidental?
Porque n�o profanar os cemit�rios judeus, escrever isto
e desenhar su�sticas e "SS" sobre os t�mulos,
escrever: "Les queda poco?"
Escrevem: "Cr�em que o F�hrer est� morto?
Pois n�s cremos que n�o!"
Estes s�mbolos e estes escritos refutam Willy Brandt.
O mesmo revanchista que nos tirou o idioma.
� um membro dos "Esquadr�es escandinavos."
Ou este continuador da su�stica, o l�der dos fascistas americanos,
Rockwell.
E este � o F�hrer dos fascistas suecos.
Su�sticas americanas, chilenas, francesas, portuguesas...
Que variedade!
� certo que as su�sticas mudam, mas a subst�ncia continua sendo a mesma.
Talvez considerem que o o mundo tenha mudado,
que � poss�vel outro Munique,
outra marcha ao leste.
Estas su�sticas passam defronte � Casa Branca, em Washington,
e nos cartazes escrevem: "Liberem Rudolf Hess."
J� vimos Rudolf Hess. Ainda vive na pris�o.
Tamb�m seguem vivos os monop�lios da Alemanha Ocidental.
Vejam seus propriet�rios.
Vejam-nos seguros de si mesmos,
Que aristocr�ticos,
Que esmero,
satisfeitos,
que brilhantes;
e a forma de como nos olham...
...Hyssen e Flick.
Sim, as empresas n�o v�o mal.
Este � um baile da grande sociedade da Alemanha Ocidental.
A verdade � que o baile n�o � o suficiente da grande sociedade
para os Krupp, aos Thyssen, aos Flick e semelhantes.
Nunca gostaram de que fossem filmados.
Ainda n�o gostam.
Eles gostam de ficar � sombra.
Ainda assim, aqui est� a nata da sociedade: ministros, atores famosos,
grandes comerciantes,
negociantes bem acompanhados, meninas trazidas de Paris...
Por�m, enquanto elas dan�am, lembremo-nos de que
essa guerra trouxe aos Krupp, Thyssen e outros,
100 marcos de gan�ncia por morto, independentemente da sua origem:
russo, franc�s, americano
e inclusive alem�o.
Se acontecer-lhes de escrever uma outra carta
a um novo Hindenburg,
j� n�o estaria assinada com 2 bilh�es,
mas sim com 20 bilh�es de marcos.
Se a conta fosse tirada dos fuzileiros da marinha,
ia dar muito o que pensar.
Porque n�o melhor olhar os golfinhos?
Recentemente se tem visto que seu c�rebro n�o � menos complexo
nem menor que o do humano.
Inclusive dizem que t�m sua pr�pria linguagem.
Em todo caso, s�o muito inteligentes e muito bons.
Melhor que muita gente.
Est�o propondo utiliz�-los para fins militares.
Como radares, segundo parece.
Por agora,
os generais, do momento prescindem deles.
Hitler n�o contava com estes meios.
Felizmente.
Se Hitler houvesse contado com isso,
se Hitler houvesse contado com isso,
acreditam que teria hesitado um segundo?
Inclusive Truman se decidiu.
A humanidade?
N�o sei.
Talvez dela s� fica...
...isto.
Em geral, a guerra por agora, dispensa os golfinhos.
Com a t�cnica � suficiente.
Arsenal sobra.
E, no entanto, creio que o homem � racional,
que nasce bom.
Crian�as ruins, n�o h�.
Todas as crian�as em todo o mundo s�o boas.
Tudo estar� na forma de como ser�o educadas,
no que as converteremos.
Faz tempo, muito tempo,
um velhinho e uma velhinha
tinham uma galinha vermelha.
A galinha botou um ovo.
N�o um simples, mas dourado.
O vov� bateu nele e ele n�o quebrou. A vov� o golpeou, mas n�o se rompeu.
Um ratinho passou e resvalou o rabo no ovinho
e o ovinho caiu e se quebrou.
O vov� chorava... A vov� chorava...
Mas a galinha disse:
N�o chores, vov�zinha.
N�o chores, vov�zinho.
Eu botei outro ovinho.
N�o um simples, mas dourado.
Escritor: M. Romm, M. Tur�vskaia, Yu. Janiutin
Dire��o: Mikhail Romm Foto: G. Lavrov
Diretor Art�stico: L. Indenbom M�sica: A. Karam�nov
Som: S. MINERVINO, B. Venguerovski
Orquestra dire��o: E. Khachaturyan Texto: M. Romm
Praticantes dir. Art�stica: J. Stoichev, S. Kulish
C�meras: V. Zh�nov, B. Pluzhnikov
Editor: V. Kul�gina
Astes. Dir.: S. Linkova, K. Osin Assistente de c�mara: Yu. Avdeev Assistente de montagem T. Ivanova
Design Foto: B. Baldin Orientador: Henri Ernst
Editor: I. Tsizin Managing Director: Yu. Rogozovski
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