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Original subtitles

O que comeu?

Levou ra��es para duas semanas.

Esteve l� dentro quase quatro meses.

N�o me lembro de comer.

Quanto tempo lhe pareceu estar l�?

Uns dias.

Semanas, talvez.

O que aconteceu a�Josie Radek?

- N�o sei. - E a Sheppard?

Thorensen?

Mortas.

Ventress?

N�o sei.

O que sabe, afinal?

Isto � uma c�lula.

Como todas as c�lulas, nasceu de uma c�lula existente.

Por conseguinte,

todas as c�lulas nasceram de uma c�lula.

Um �nico organismo sozinho no planeta Terra,

talvez no universo.

H� quatro mil milh�es de anos...

... uma fez duas, duas fizeram quatro.

Depois oito, 16, 32...

O ritmo do par que se divide...

... torna-se a estrutura de cada micr�bio,

folha de relva, criatura marinha e terrestre

e ser humano.

A estrutura de tudo o que vive...

... e tudo o que morre.

Como estudantes de medicina e futuros m�dicos,

este � o vosso papel.

A c�lula que vemos � de um tumor.

Uma doente de trinta e poucos anos. Tirada do c�rvix.

No pr�ximo semestre,

examinaremos c�lulas de cancro in vitro

e estudaremos a actividade aut�faga.

- Professora? - Ol�, Katie.

Li o texto de John Sulston ontem.

N�o estudo o suficiente. Estou a atrasar-me.

- � mais f�cil para os outros. - N�o � e n�o est�s.

- Est� bem? - Lena.

Dan.

Tenho-te procurado ao almo�o, mas nunca te vejo.

Ando a p�r a escrita em dia.

Trabalhar demasiado faz mal.

Queria perguntar se tens planos para s�bado.

A Sarah e eu convid�mos amigos.

Um churrasco, enquanto o tempo n�o muda.

J� tenho planos.

Ser� divertido.

Obrigada, Dan, mas vou pintar o nosso quarto...

O quarto.

J� passou um ano.

Podes ir a um churrasco.

N�o � uma trai��o nem um insulto � mem�ria dele.

Vou pintar o quarto.

Meu Deus.

Meu Deus!

Pensei que tinhas morrido.

Kane?

Ningu�m sabia da tua unidade.

Contactei toda a gente.

Tantos quanto pude.

Os outros c�njuges sabiam tanto como eu.

Foi secreta?

Talvez.

O que quer isso dizer, talvez?

Pronto, sim. Foi secreta. Acho que sim.

No Paquist�o, outra vez?

N�o sei onde foi, ou...

... o que foi.

Como � poss�vel?

Estava... calor?

Havia neve?

As pessoas falavam portugu�s, sua�li ou afeg�o?

Quando voltaste?

N�o sei.

Como regressaste? Em que base aterraste?

N�o sei.

O resto da unidade voltou contigo?

Tens de me poder dizer alguma coisa.

Desapareceste da face da Terra por um ano.

Mere�o uma explica��o.

O que importa?

Kane...

... como chegaste a casa?

Estava l� fora.

Fora de casa?

N�o.

N�o, estava fora do quarto.

O quarto com a cama.

A porta estava aberta e...

... vi-te.

Reconheci-te.

O teu rosto.

N�o me estou a sentir bem.

Fica comigo, querido.

Estou aqui contigo.

Homem, 31 anos. Hemorragia e convuls�es.

Fica comigo, querido. Amo-te.

Olha para mim. N�o podem fazer nada?

Pediu uma escolta da Pol�cia?

Calma!

Saiam da ambul�ncia!

O que est�o a fazer?

- Saiam! - N�o disparem!

Saiam! Mexam-se!

Saiam!

O que se passa?

O que est�o a fazer? N�o o movam.

Deixem-no!

Deixem-no!

�REA X

Deve sentir-se muito mal.

� a ressaca do sedativo que lhe deram.

Sente-se. Quem � a senhora?

Sou a Dra. Ventress.

Sou psic�loga.

Porque estou a falar com uma psic�loga?

- Estou num hospital psiqui�trico? - N�o.

Ent�o?

Onde estou? O meu marido?

Serviu no Ex�rcito durante sete anos.

Sou professora da Johns Hopkins.

Quero saber�porque estou aqui, caralho!

A sua �rea de investiga��o � o ciclo de vida gen�tico das c�lulas.

Onde est� o meu marido?

Gostava de falar sobre o�sargento Kane.

Quando voltou ele para casa?

- Exijo um advogado. - Isso n�o ser� poss�vel.

Ele explicou-lhe como voltou?

- N�o. - Alguma vez a contactou de fora?

N�o.

O que lhe contou sobre a miss�o quando voltou?

- Nada. - E antes de partir?

Ele mencionou aonde ia, o que fazia?

N�o me disse. N�o perguntei.

Mas pediu informa��o com regularidade ao comandante da unidade dele.

H� seis meses atr�s, parou.

Porqu�? Pensava que ele tinha morrido?

Quis passar adiante?

N�o � f�cil passar adiante.

N�o o fiz.

N�o respondo a mais perguntas. � a sua vez.

O seu marido est� c�.

Est� muito doente.

Com qu�?

Fal�ncia multiorg�nica.

Hemorragia interna grave.

Deve ter sido exposto a algum tipo de radia��o,

algum v�rus.

Diga-me onde ele esteve e o que fez.

Eu poderia ajud�-lo.

Um acontecimento religioso.

Um acontecimento extraterrestre.

Uma dimens�o superior.

Temos muitas teorias.

Poucos factos.

Come�ou h� cerca de tr�s anos.

O Parque Natural de Blackwater informou que um farol foi rodeado

por algo a que chamaram "um fulgor".

Um dos guardas foi l� investigar.

N�o regressou.

O acontecimento foi mantido secreto.

Desde ent�o, aproxim�mo-nos por terra e mar,

envi�mos drones, animais e equipas de pessoas.

Mas nada voltou.

E o per�metro est� a aumentar, a expandir-se.

At� � data, consumiu terras pantanosas pouco habitadas,

que evacu�mos com o pretexto de um derrame qu�mico,

mas isso n�o durar� muito mais.

Daqui por alguns meses, a �rea alcan�ar� o local onde estamos.

Em seguida, cidades...

... estados...

... e assim por diante.

Disse que nada volta de l�.

Mas algo voltou.

Sim.

Ele est� a morrer.

Sim.

Temos de chegar a um acordo sobre o que fazer consigo.

N�o me vai deixar ir para casa?

� isso que quer? Ir para casa?

N�o.

Quero estar com ele.

N�o est�s a falar comigo.

Desculpa.

Desliguei.

Pensas na pr�xima miss�o?

N�o.

Estava a olhar para a Lua.

� sempre estranho v�-la � luz do dia.

Como se Deus se enganasse. Deixou as luzes da entrada acesas.

Deus n�o cometeu erros.

Tem a ver com Ele ser Deus...

Acho que comete.

Sabes que Ele te est� a ouvir agora?

Se contornas o limite de Hayflick de uma c�lula, impedes a senesc�ncia.

Ia agora dizer isso mesmo.

Quer dizer que a c�lula n�o envelhece, fica imortal.

Divide-se e n�o morre.

Achamos que o envelhecimento � natural, mas � uma falha nos genes.

Excita-me muito quando �s condescendente comigo.

Sem ele, eu teria este aspecto para sempre.

Realmente, isso � um erro.

N�o me disseste aonde vais desta vez.

Sei que esta miss�o tem algo de estranho.

Porqu�?

O sil�ncio que a rodeia � mais alto do que o costume.

Estou a ver se me d�s uma pista.

Ent�o?

Estaremos sob o mesmo hemisf�rio.

O que me diz isso?

Se sa�res de casa e olhares para o c�u...

... veremos as mesmas estrelas.

- Ora, foda-se! - O que foi?

- Est�s a gozar? - Porqu�?

� isso que fa�o quando est�s fora?

- O qu�? - Achas que estou no jardim

com saudades, a olhar para o c�u?

- Cala-te. Est� bem. - S� de pensar

no meu querido Kane

a olhar para a mesma lua!

Para com isso.

Meu amigo celestial long�nquo...

N�o.

... por favor, cuidem do meu valente soldado.

Sabes que desrespeitas os teus antigos camaradas da tropa

e o Presidente? - E a bandeira.

J� l� chego... � puta da bandeira.

Meu her�i.

- Vai-te foder. - Est� bem.

Est� sozinha. N�o achas que dev�amos ser amigas?

- � evidente. - Sim, eu trato disso.

Ol�. Ol�.

- Estou a interromper? - N�o.

Fixe.

Pareces estar sempre sozinha.

Aposto que te sentes estranha ou pouco � vontade.

Um pouco.

N�o sintas, a s�rio.

As pessoas aqui adormecem numa posi��o fetal, a arrulhar.

� bizarro, sabes?

- Sou a Anya. - Lena.

- Muito prazer. - Igualmente.

Queres conhecer a minha equipa?

Vem conhec�-las. Anda.

Meninas, apresento a Lena.

Muito prazer.

S�o a Cassie Sheppard e a Josie Radek.

- Muito prazer. - Ol�.

Queres sentar-te?

Obrigada.

- O teu primeiro dia na Southern Reach? - Sim.

- Obrigada. - De nada.

Est�o c� h� muito tempo?

Sim, desde o princ�pio. Sou geomorfologista.

Tenho testado o campo magn�tico � volta do per�metro,

que � como usar confetes para testar um furac�o.

Eu estou c� h� dez meses.

Dez meses! Sou param�dica de Chicago.

Ia para uma ONG, mas a Southern Reach viu a minha candidatura e apanhou-me.

S� dois meses.

Sou f�sica. Vim logo a seguir ao meu p�s-doutoramento de Cambridge.

Ela � muito esperta.

Qual � a tua hist�ria, Lena?

Sou bi�loga da Johns Hopkins.

- Eu bem disse. - Bi�loga?

Eu disse que ela era esperta.

Tent�mos adivinhar e a Josie disse bi�loga, claro.

- Eu disse pol�cia. - E eu, descomprometida.

C�us. Tens sempre de te fazer a toda a gente?

Merda para isso. Dada a situa��o, posso tentar a sorte mais umas vezes.

Qual situa��o?

Bem, pode parecer loucura...

� uma loucura.

Mas vamos para l�.

- V�o entrar no Fulgor? - Daqui a seis dias.

- As tr�s? - As quatro.

A Ventress.

A Dra. Ventress?

Chefe da equipa.

- Todas mulheres. - Cientistas.

As equipas anteriores foram militares, por isso...

Pois.

O que lhes ter� acontecido?

H� duas teorias sobre o que correu mal no Fulgor.

Uma: algo os mata.

Duas: enlouquecem e matam-se uns aos outros.

Um militar conseguiu sair.

Sim. Sargento.

Ouviste o estado em que ele estava.

Kane...

Sei porque l� entraste.

Lamento muito.

E sei o que tenho de fazer.

N�o lhes falou da sua liga��o ao sargento Kane?

Pensei que complicaria as coisas.

O qu�?

O que complicaria?

Porque vai entrar no Fulgor?

O mandato da miss�o � alcan�ar

o que pensamos ser a fonte do Fulgor, o farol.

Entrar, obter dados e voltar.

Mas n�o creio que seja o seu mandato.

N�o.

Observo este fen�meno h� algum tempo.

Analiso o perfil dos volunt�rios.

Escolho as equipas.

Elas entram e eu observo.

Vejo aquilo a aproximar-se.

Isso n�o se aguenta muito tempo.

Tem de saber o que est� l� dentro? Tenho.

Tamb�m eu.

A complica��o � essa.

Quer vir connosco.

N�o posso fazer nada por ele aqui.

Soldado e cientista.

Pode combater.

Pode aprender. Pode salv�-lo.

Pediu para participar na miss�o. Sabia que todas as outras falharam

e que o �nico sobrevivente mal sobrevivia.

Foi uma escolha corajosa.

Devia-lho.

S� tento perceber o que a motivou.

Devia-lhe isso...

... por isso, entrei.

O FULGOR

... e comemos refei��es a s�rio.

Esparguete.

As bolachas da Radek. Ena, p�o de milho.

Finalmente acordaste.

D�em-me um minuto, estou um pouco desorientada.

Estamos todas.

N�o te lembras de acampar?

N�o me lembro de nada depois de chegarmos � orla.

Ningu�m se lembra.

Fizemos um invent�rio da comida.

Pelo que comemos, estamos aqui

h� tr�s ou quatro dias, pelo menos.

Imposs�vel.

Foi o que eu disse.

Pessoal, verifiquei o meu equipamento de comunica��es e localiza��o.

Funcionam, n�o h� problemas electr�nicos

e a c�mara funciona,

mas � imposs�vel enviar um sinal para fora do Fulgor.

Apesar de termos uns 20 sat�lites sobre n�s.

Vejam isto.

N�o temos b�ssola, comunica��es, coordenadas...

... nem pontos de refer�ncia.

Estamos no parque natural.

Vamos para sul, para o mar

e seguimos a costa at� chegar ao per�metro. Certo?

- Como encontramos o sul? - Tu sabes.

O ponteiro das horas para o sol.

O sul fica entre o ponteiro das horas e o 12.

Boa.

Estamos orientadas.

N�o esperavam que os comunicadores funcionassem, pois n�o?

Houve expedi��es ao longo de tr�s anos e tr�s anos de sil�ncio de r�dio.

Equipem-se e vamos embora.

J� perdemos muito do dia.

Vou investigar isto. Sair do maldito p�ntano.

Est� bem.

Vamos ver a cabana.

Parece que algu�m se vai casar.

S�o muito estranhas.

Porqu�?

S�o todas diferentes.

Dir-se-ia que s�o esp�cies diferentes.

Mas crescem no mesmo ramo.

T�m de ser da mesma esp�cie.

� a mesma planta.

Parecem presas numa muta��o cont�nua.

Uma patologia?

Pois, bem...

Se a doutora visse isto num ser humano, chamava-lhe patologia.

Que sorte!

Sheppard.

Um ve�culo.

H� algo de interesse a�?

N�o, est� abandonada. Talvez at� antes...

Radek?

Radek!

Radek!

Apanhou-me a mochila!

Radek!

Algo me apanhou a mochila!

N�o!

A minha mochila!

- Ajuda-me com ela! - O que foi?

Agarra o meu ombro.

Tr�-la. Anda.

J� a tenho.

Ela est� segura?

Est�s bem.

Est� bem.

Senta-te. Ajuda-me com a mochila dela.

Pronto, respira.

Est� tudo bem. Est�s �ptima.

- Que raio aconteceu? - Algo na �gua.

Levantem-se. V�o l�.

- Merda! - Para tr�s.

Sheppard! Cuidado!

Foda-se!

� como as flores.

Olha os dentes.

Filas conc�ntricas.

Algo est� a causar ondas gigantes no fundo gen�tico.

S�o dentes de tubar�o, n�o?

Acha que � um h�brido?

N�o se podem cruzar esp�cies diferentes.

Lena, isto pesa muito.

Ao princ�pio, as muta��es eram subtis.

Agravaram-se quando nos aproxim�mos do farol.

Formas corruptas.

Formas duplicadas.

Duplicadas?

Ecos.

Seriam alucina��es?

Tamb�m pensei nisso.

Mas todas as vimos.

Parecia um sonho.

Um pesadelo.

Nem sempre.

�s vezes, era belo.

Est�s ferida?

� s� uma contus�o.

Deve ter sido o jacar�.

Pois.

Onde aprendeste a usar uma arma?

Estive no Ex�rcito antes de ser acad�mica.

Nos fuzileiros?

Infantaria. Sete anos.

Parece que foi h� uma eternidade.

Pois.

Todas as outras vidas parecem.

�ramos jovens, eu era casada.

Quem trazes ao pesco�o, o marido ou um filho?

Marido.

Tamb�m era da Infantaria. Foi...

Foi onde nos conhecemos.

"Era" da Infantaria? Desistiu?

Morto em combate.

Lamento.

Tinha de haver algo.

O que queres dizer?

Seres volunt�ria... disto.

N�o � coisa que fa�as se tiveres uma vida perfeita.

Todas sofremos.

A Anya est� s�bria...

... logo, � uma dependente.

A Josie anda de mangas compridas

para n�o vermos as cicatrizes nos antebra�os.

Ela tentou matar-se?

Pelo contr�rio, tentava sentir-se viva.

A Ventress?

Tanto quanto sabemos...

... n�o tem amigos, fam�lia, c�njuge ou filhos.

� inflex�vel.

Tu?

Tamb�m perdi algu�m.

Mas n�o um marido.

Uma filha, com leucemia.

Meu Deus, lamento.

De certa forma, s�o duas perdas.

A minha linda menina...

... e a pessoa que eu fui.

Encontr�mos algo.

FORTE AMAYA

ENTRADA PROIBIDA OS INTRUSOS SER�O PUNIDOS

Era o quartel-general da Southern Reach.

Antes de o Fulgor o engolir.

Mais muta��es.

Est�o em toda a parte.

Malignas.

Como tumores. Aquilo � a antiga messe?

Sim.

Vamos instalar-nos l�. Venham.

H� camas e mochilas. Acham que est� c� gente?

Estamos n�s.

Acho que esteve c� gente.

Caramba!

Merda.

Esta merda pesa. N�o a posso levar.

Lena, o que achaste? Pessoal, vejam isto.

"Peyton, Mayer...

... Kane, Shelley."

S�o os soldados da �ltima expedi��o.

Esta sala devia ser a base de opera��es.

Porque riscaram alguns nomes?

N�o tirem conclus�es precipitadas.

- Talvez dev�ssemos. - Sim.

- Isto � uma planta da base? - Sim.

Aqui � a messe.

- Estamos aqui? - Sim.

As horas ao lado dos nomes s�o os turnos de guarda.

Se guardavam o per�metro, faremos o mesmo.

- Entendido. - Sim.

Talvez isto nos diga algo.

"Para quem vier depois."

Creio que somos n�s.

Um cart�o de mem�ria.

Devo poder ver isto.

Funciona.

Est�s bem?

- Est�s bem? - Estou.

Pronto.

Pronto.

- Est�s bem? - Sim.

Est� bem.

Est� bem. Merda.

O que est� ele a fazer?

Para.

Segura-o. Imobiliza-o.

Ali.

J� sabemos o que aconteceu ao �ltimo grupo. Enlouqueceram.

Havia algo vivo dentro daquele homem.

- N�o, foi um efeito da luz. - O qu�?

Sou m�dica h� dez anos.

J� raspei gente das bermas.

Vi muita coisa estranha. Aquilo foi um efeito da luz.

- As entranhas mexiam-se. - N�o, estava em choque, Radek.

- Foi uma reac��o do choque. - V� outra vez.

N�o vou ver outra vez, caralho!

- N�o eram intestinos. Era um verme ou... - V� tu, Sheppard!

Aonde vais?

- Aonde foi ela? - Ali adiante.

O que �?

N�o sei.

- N�o quero ficar aqui esta noite. - N�o temos escolha.

- Por favor. - Anda.

� demasiado tarde para continuarmos.

Anda, vamos l� fora.

Que simp�tico.

Porque n�o est�s aqui?

Tenho de partir um dia antes.

O qu�?

Hoje?

- Agora. - Merda.

Mas t�nhamos o dia todo planeado.

- �amos passear no campo... - N�o posso.

- N�o posso. - Pelo menos, podes...

Agora significa j�.

Sim.

O que foi?

Eu...

... amo-te...

... Lena.

Tamb�m te amo.

Ouve...

Encontraste a resposta?

Estou � a perder o tino.

Acho que est�s bem.

A Josie est� a descansar.

Sim.

Com a ajuda de um sedativo.

E tu, conseguiste dormir?

Um pouco.

Estou t�o assustada como a Josie.

S� o escondo melhor.

Vou ver a Ventress.

Sim.

Porque est� acordada? S� me devia substituir �s 3h.

Esta noite, j� n�o durmo mais.

Est� bem.

Veja isto.

N�s estamos aqui...

... e o farol � aqui.

A sudoeste fica Ville Perdu.

Uma pequena comunidade que evacu�mos h� dois anos.

Acho que devemos ir para l� amanh�

e seguir para a costa na manh� seguinte.

Muito bem.

Est� bem?

Ia dizer que, quando...

... n�o contou � equipa da sua liga��o ao Kane,

n�o sabia se tinha sido boa ideia.

Mas depois de ver aquele v�deo...

Pois.

N�o sei como teriam reagido.

Porque se ofereceu o meu marido para uma miss�o suicida?

� o que acha�que estamos a fazer?

- A cometer suic�dio? - Examinou o perfil dele,

deve t�-lo aferido.

Ele deve ter dito algo.

Pergunta-me como psic�loga.

Sim.

Como psic�loga...

... eu diria que est� a confundir o suic�dio com a autodestrui��o.

Quase ningu�m se suicida...

... mas quase todos nos autodestru�mos.

De alguma forma, nalguma altura da vida.

Bebemos e fumamos.

Destabilizamos o emprego perfeito.

Ou o casamento feliz.

N�o s�o decis�es, s�o...

... impulsos.

A Lena � capaz de explicar isto melhor

do que eu. - Como?

� bi�loga.

A autodestrui��o n�o est� no nosso c�digo?

Programada em cada c�lula?

O que foi isto?

N�o sei.

Josie, acorda.

Acorda, Josie, v� l�. Algo est� a acontecer.

- V� alguma coisa? - N�o.

O que aconteceu? Ouvi um barulho.

O qu�?

Algo atravessou a cerca.

- A cerca? - Est� rasgada como um�fecho-�clair.

- N�o vejo nada. - Nem eu.

- Sheppard! - Meu Deus!

Sheppard!

Foda-se!

O que se passa?

A Sheppard estava comigo e algo a levou.

Foda-se!

- Sheppard! - Merda!

Merda!

Sheppard!

Sheppard!

Temos de regressar.

- Temos de voltar j�. - Ela tem raz�o.

Raz�o? Em que sentido?

Fomos atacadas duas vezes.

Perdemos uma das nossas.

H� provas de que a equipa anterior enlouqueceu e se cortou aos bocados.

N�o sei como ela pode ter mais raz�o.

N�o cheg�mos ao farol.

Ainda n�o entendemos a causa ou natureza do Fulgor.

Temos dados, observa��es, fotos. Ela tem v�deo.

Tudo isso s� torna o fen�meno menos compreens�vel.

Vou alcan�ar o farol

e n�o me importo de ir sozinha.

T�m de decidir se v�m comigo ou n�o.

Nem notou que a Sheppard morreu.

Est� louca.

� uma cabra velha e louca.

E obrigado pela porra do apoio, Lena.

- N�o percebi que havia fac��es. - Pois.

Sim, h� fac��es.

Ent�o, concordo contigo. Devemos voltar.

�ptimo. A� t�m. Tudo bem?

- N�s as tr�s podemos... - Espera um minuto.

Dev�amos voltar, sim.

Mas demor�mos seis dias a chegar aqui.

E a costa fica a dois dias.

E, como disse a Sheppard...

... quando chegarmos � costa, seguimo-la at� chegar ao per�metro.

Achas que sa�mos se nos embrenharmos mais?

- Se quiseres.. - Se eu quiser?

Claro que n�o quero, caralho.

Isso � uma estrat�gia da treta para chegar ao farol?

N�o se trata do farol, entendes?

Acho que a melhor sa�da � pela costa.

Est� bem?

Mentiu-lhes.

Eu n�o sabia o que era voltar.

Porque seria mais seguro do que avan�ar?

N�o sabia, mas decidiu como se soubesse.

A Ventress decidiu.

A Ventress tinha cancro, nunca regressaria.

A Lena sabia que ela estava doente.

Adivinhei.

E queria continuar.

Sim. Queria.

Ela ainda pode estar viva.

Muito improv�vel.

Temos de saber.

V�. Muito bem.

Vou contigo.

Vou sozinha.

Encontraste-a?

Sim.

Est� morta.

Est�s bem?

Estou, mas...

... deixa-me em paz, caralho.

Acampamos aqui hoje.

S�o mais duas horas a p� at� � costa.

Cresceram desta forma.

Isso n�o faz sentido.

Acho que faz.

Comecei por pensar que o Fulgor bloqueava as ondas de r�dio,

que n�o se podia comunicar com a base ou usar GPS por essa raz�o.

Mas as ondas de luz n�o s�o bloqueadas. S�o refratadas e...

... acontece o mesmo com os r�dios.

Os sinais n�o param.

Est�o distorcidos.

A folha que tens na m�o.

Sabes o que terias se a sequenciasses?

- O qu�? - Genes home�ticos humanos.

O que � isso?

S�o os genes que definem o corpo humano, a estrutura f�sica.

E as plantas t�m o plano do corpo humano.

Bra�os ligados a ombros.

Pernas a ancas.

Isso � imposs�vel.

Mas � o que est� a acontecer.

O Fulgor � um prisma, mas refracta tudo.

N�o apenas as ondas de luz e r�dio.

ADN animal e vegetal...

... todo o ADN.

"Todo o ADN", como?

Ela est� a falar do nosso ADN.

Est� a falar de n�s.

Bem, isto � o quarto.

Tranquem as portas e janelas.

Isto foi um erro.

Est� bem.

Passas mais tempo longe do teu marido do que com ele.

N�o podem falar do teu trabalho nem do dele.

E h� uma forte liga��o f�sica e intelectual entre n�s.

Esqueci-me de algo?

- N�o falaste na tua mulher. - Amo a minha mulher.

Ela � inocente nisto.

V� l�, Lena.

O que se est� a passar aqui?

Achas que algo lhe pode ter acontecido?

Ou achas que ele sabe?

� isso, n�o �?

Achas que ele soube da nossa rela��o.

Ele descobriu?

Sim.

Vai-te embora.

- N�o, Lena... - Dan...

N�o me interessa falar nem o que tens para dizer.

Veste-te e sai.

N�o � a mim que odeias, � a ti pr�pria.

N�o, Dan. Tamb�m � a ti.

Nunca voltar� a acontecer.

Cabra mentirosa!

- O que se passa? - N�o.

N�o perguntas isso, caralho. Vais responder!

Irm�o. Namorado.

Marido.

Marido.

Porque n�o nos disseste?

Tu sabias.

Claro.

Tu sabias?

Est� bem.

H� duas teorias sobre o que aconteceu no Fulgor.

Uma � que algo aqui os matou.

A outra � que enlouqueceram e se mataram uns aos outros.

A Josie quase foi morta por um jacar�

e a Cass foi morta por um urso.

Isso concorda com a primeira teoria.

Mas...

... eu n�o vi urso nenhum.

Nem a Josie.

S� a Lena e a Ventress viram um urso.

Nada est� confirmado.

Tudo depende da palavra delas. Da palavra da Lena.

E o que sabemos agora...

O que sabemos

� que a Lena � uma mentirosa.

Cala a puta da boca!

Lena... �s uma mentirosa.

Mataste a Cass?

Perdeste a cabe�a?

Ou eu perdi a minha e vamos foder-nos umas �s outras?

� a segunda teoria.

Meu Deus.

Quando olho para as minhas m�os...

... e impress�es digitais...

... vejo-as a moverem-se.

N�o posso.

Se te libertar

e me atares a uma cadeira e me abrires...

... as minhas entranhas v�o mexer-se como as minhas impress�es digitais?

Mas n�o estou atada a uma cadeira.

Tu � que est�s.

Ajudem-me!

Ajudem-me!

Ajudem-me!

� a Cass?

Disseste que estava morta.

Cass! J� vou!

Cass, �s tu?

Ajudem-me!

Acudam!

N�o reajam.

Acudam!

N�o!

O que est� a fazer?

- Vou partir. - Agora?

- Ainda est� escuro. - N�o posso esperar.

Estamos a desintegrar-nos.

Os corpos e as mentes. N�o o sente?

� como o despontar da dem�ncia.

Se eu n�o chego depressa ao farol,

a pessoa que come�ou esta viagem n�o ser� quem a termina.

Quero ser eu a termin�-la.

Temos de ir, Josie.

Quanto tempo esteve o teu marido no Fulgor?

N�o sei ao certo.

Na teoria, at� um ano.

� muito tempo aqui dentro para permanecer intacto.

N�o sei se ficou intacto.

Tenho raz�o...

... quanto �s refrac��es, n�o tenho? - Tens.

Examinei o meu sangue ontem.

Est� dentro de mim.

Estar� dentro de todas n�s.

Foi t�o estranho ouvir...

... a voz da Sheppard da boca daquela criatura ontem.

Acho que ao morrer, parte da sua mente ficou...

... naquela criatura que a matou.

Imagina morrer cheia de medo e dores

e aquela ser a �nica parte de ti que sobrevive.

N�o me agradaria nada.

A Ventress quer encarar aquilo.

Tu queres combat�-lo.

Acho que n�o quero nenhuma dessas op��es.

Josie. Josie.

Josie.

Uma a uma, todas desapareceram menos a Lena.

Como justifica isso?

Tenho de o justificar?

Tem, sim.

Eu tinha de regressar.

Acho que as outras, n�o.

O FAROL

A VIDA IMORTAL DE HENRIETTA LACKS

Ol�.

Ol�.

Eu pensava que era um homem.

Tinha uma vida.

Chamavam-me Kane.

J� n�o tenho a certeza.

Se n�o era o Kane, o que era?

Tu?

Tu eras eu?

A minha carne move-se...

... como um l�quido.

A minha mente est�...

... � deriva.

N�o aguento mais.

N�o aguento mais.

N�o aguento mais.

J� viste detonar uma granada de f�sforo?

S�o luminosas.

Protege os olhos.

Se alguma vez sa�res daqui, encontra a Lena.

Assim farei.

N�o.

Cinco, quatro... tr�s, dois...

N�o.

N�o.

� a �ltima fase.

Desapareceu no caos.

Mente insond�vel...

... e agora, farol.

Agora, mar.

Dra. Ventress?

Lena.

Fal�mos.

O que dissemos?

Que eu precisava de saber o que havia dentro do farol.

Pertence ao passado.

Agora, est� dentro de mim.

O que est� dentro de si?

N�o � como n�s.

� diferente de n�s.

N�o sei o que quer.

Ou se quer.

Mas vai crescer

at� envolver tudo.

Os nossos corpos e mentes v�o desfazer-se em fragmentos �nfimos,

at� que n�o reste uma s� parte.

Aniquila��o.

Afinal, era alien�gena.

Pode descrever a forma que tinha?

N�o.

Era � base de carbono, ou...

N�o sei.

O que queria?

Acho que n�o queria nada.

Mas atacou-a.

Reflectiu-me.

Eu ataquei-a.

Nem sei se sabia que eu l� estava.

Veio c� com um prop�sito.

Causava muta��es no nosso ambiente e destru�a tudo.

N�o estava a destruir. Estava a mudar tudo.

Estava a criar algo novo.

A criar o qu�?

N�o sei.

H� umas horas, uma equipa chegou ao farol.

Foi reduzido a cinzas.

Se a coisa que encontrou estava viva...

... parece agora estar morta.

Vai dizer-me o que aconteceu ao meu marido?

Quando o Fulgor desapareceu,

a press�o arterial dele estabilizou e o pulso come�ou a acelerar.

Algumas horas depois, estava n�o s� acordado, mas l�cido.

Ainda est� em isolamento.

Eu tamb�m estou.

N�o �s o Kane...

... pois n�o?

Acho que n�o.

�s a Lena?

Ripadas por: n0Te

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