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Onde estamos?
Estamos quase lá.
Vou buscar as chaves. Toma conta das coisas.
O NOVO ZELADOR
Achei que podia ter fome.
Vão mudar-se para cá?
Sim. O meu pai é o novo zelador.
E a tua mãe?
O que tem ela?
Vi-te a ti e ao teu pai a saírem do carro, mas toda a gente tem mãe.
Ou não?
O que foi?
Lembraste-te que a tua mãe te ensinou a não falares com estranhos?
Não.
Ensinou-me a ser simpático e mostrar respeito com quem passa dificuldades.
Estou a ver.
Perdoa aqui o velho Kater.
Desculpe?
Desculpe?
Sim?
Sou o novo zelador.
Conhece a Sra. Löber?
As minhas chaves ficaram com ela.
O aquecimento está avariado.
- Avisou a administração do prédio? - Ninguém atende o telefone.
- Em que piso mora? - No sétimo.
Experimente na caixa do correio.
Mas não tenho chave nenhuma.
Obrigado.
Toma, para ti.
O que é isto?
Um presente de boas-vindas. Por conta da casa.
Para que serve?
Hás de descobrir.
Mas não contes ao teu pai.
Juri!
Vem já para aqui!
Juri?
Sim.
Tenho de ir.
- O que queria ele? - Nada.
Por aqui.
Acho que é ali à frente.
Tu ficas ali, eu durmo aqui.
O que é?
Tem um sabor estranho.
Há qualquer coisa com os canos.
- Bom dia. - Bom dia.
Tenho de tratar do aquecimento. Há ali cornflakes.
Vou precisar do teu apoio.
Está bem.
Veio mesmo.
Desculpe, normalmente isto não está tão desarrumado.
Não tem importância.
Há quanto tempo está o aquecimento avariado?
Há dias.
Estranho.
Desculpe, vou fazer algum barulho.
O que é isso?
Não faço ideia.
Deve-se ter acumulado qualquer coisa nos canos.
Querido... está tudo bem, a mamã está aqui.
Tens fome?
O que é? O que queres?
Posso?
Já lá vai algum tempo.
Não faço nada bem. Ele já nem me pede o peito.
A senhora trabalha.
Cuida dele.
Garante que ele está bem.
Então...
Amor, já reparaste que está um gelo aqui?
Quem é este?
- O zelador. - Vim por causa do aquecimento.
Então...
Então, vem cá.
Meu chorão, o papá está aqui.
É complicado?
O problema não é o seu aquecimento.
Logo à tarde há de estar a funcionar, eu trato disso.
Eu também tenho de ir.
Em breve vamos embora daqui.
Aguenta, amor.
AQUECIMENTO CENTRAL
Sim?
És tu o filho do novo zelador?
Sim.
E como te chamas?
Juri.
O que podes fazer por mim, Juri?
- Sei lá. - Errado.
Pensa bem.
Por exemplo, o teu pai.
Ele entra e sai como bem entende. Como faz ele isso?
- Tem um molho de chaves. - Pois.
Imagina que o perde.
Se o encontrar no dia seguinte, não é assim muito grave.
Nem ia notar que tinha desaparecido.
Também acho.
Não achas que neste prédio devia haver mais do que uma chave?
Espera.
Vem cá. Vem cá, bebé.
Bebé...
Merda.
- Scherbe! - Olá, Paco.
Como vais? É o teu filho?
Olha, ando um bocado apertado. Não me podes ajudar com dinheiro?
- Lamento. - Eu pago-te amanhã, juro.
- Não posso, a Gitti mata-me. - Fico-te com o casaco por 20 euros.
- Alguém te perguntou alguma coisa? - Lenin, deixa lá.
Olha, mais logo vamos juntar-nos, passa por lá com o miúdo.
Sim, vou pensar nisso.
Não vais mesmo fazer isso, pois não?
O quê?
Vivemos no mesmo prédio e, ainda assim, vais roubar-nos?
- Estava só a ver os ingredientes. - Pois claro.
Se há aqui algum roubo, são os vossos preços.
- Loan, está tudo bem? - Sim.
- Está tudo bem? - Sim.
Bem-vindos ao estado policial.
Sim?
Quem está aí?
Vejam só quem aqui está.
Entra. Entra.
Vejam quem chegou.
Senta-te.
Anda, pequenino. Anda.
Vem cá, rapaz!
Senta-te.
Deixa-nos lá ver o miúdo.
Vem cá. Sim...
Também lhe querem pegar?
Vá, está tudo bem.
Como é que ele se chama?
Aqui o pequeno borra-fraldas, como se chama?
Bem...
Essa é a cena.
Ele ainda não tem nome.
Tivemos nove meses para pensar em um, mas...
Agora que ele aqui está, parece que...
Parece que não o conheço minimamente.
Bebé...
Tu conheces-me?
Pessoal, ouçam.
Aqui, perante vocês, está um dos melhores que este prédio já viu.
Aqui o Scherbe trouxe-nos um novo membro.
Bravo! Boa!
Sê muito bem-vindo, pequeno.
Só tens de garantir que ele é acarinhado, o resto resolve-se.
- Obrigado. - De nada.
Obrigado, pessoal, obrigado.
Deita para aqui.
Quem vive aqui?
- Camarada, está tudo bem? - Quem vive aqui?
Sou eu.
- Foi o senhor que fez isto? - Com mais outros, sim.
Tem noção que isto desrespeita todas as medidas anti-incêndio do prédio?
- E é melhor se morrermos de frio? - Nada de fogo neste prédio!
Pronto, está bem.
Vá, saiam todos.
- Desculpe? - Rua, já, todos.
Fascista!
- Reparaste a torneira? - Sim.
A braçadeira está meio solta, tens de apertar mais.
Parece que afinal és mesmo meu filho.
Se agora cortares decentemente o cabelo...
- Como é que limpaste o cano? - Com vinagre.
A mãe limpava sempre os parasitas da árvore da borracha com vinagre.
Lembras-te?
Não é preciso esfregar muito, aquilo desfez-se como...
- E a comida? - Deixa no frigorífico.
Pronto, pequenino. A partir de hoje tudo vai mudar.
Já vivemos na merda há demasiado tempo.
O que achas?
Amanhã fazemos as malas e vamos embora,
recomeçamos noutro lado qualquer.
Pensamos num bom nome para ti e batizamos-te.
E depois passamos a ser uma verdadeira família, como na TV.
Vai ser o máximo.
Estranho.
Mais uma vez, está bem?
Então, como é?
Dei-vos o dinheiro!
Onde está o produto?
Anda.
Anda.
Gostas de gelado?
Sim.
Como te chamas?
Dennis.
Seguiste-me.
Sim.
Às vezes escondo-me aqui até a minha mãe voltar.
Onde está a tua mãe?
Ela volta tarde para casa.
Estás a ouvir?
Aqui nunca estamos sozinhos.
Scherbe, atrasei-me um bocadinho, vou agora para casa.
Temos amanhã a visita a uma casa nova.
A casa tem até aquecimento a funcionar.
Scherbe, acho que desta vez podemos mesmo conseguir.
Amor?
Está tudo bem, bebé. Continua a dormir, sim?
A mamã vai demorar ainda um bocadinho.
Não, por favor.
Não.
Não! Não!
Não!
Não!
Não!
Deixa-nos em paz!
Onde?
Não.
Não!
Juri...
Juri.
Anja.
Anja!
Não!
Pai...
Juri... Juri... Ela está...
Vai ficar tudo bem, pai.
Vai ficar tudo bem.
Amor?
Legendas: Mafalda Abreu
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