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se encontraste isto, podes encontrar o resto
Não confies em ninguém Nem mesmo na minha mulher.
A VERDADE OCULTA
ESTÁS A FAZER TUDO MAL
Capítulo 1 O MIÚDO SENSÍVEL
EMPREENDIMENTOS AKRON - VENDIDO
Notícia desta manhã,
Dale Washberg foi encontrado morto em casa, ontem à noite,
após um suposto suicídio.
A morte de Dale surge após a publicação de um artigo polémico
sobre o passado de corrupção dos Washberg.
Isto centra todas as atenções nas eleições para governador.
O candidato por Oklahoma, Donald Washberg, disse o seguinte sobre a morte do irmão.
Boa.
Quem estraga, paga.
O Dale era da família. O meu irmão mais novo.
Pedimos privacidade neste momento difícil e que respeitem a nossa dor.
CANDIDATO A GOVERNADOR DONALD WASHBERG
A investigação continua…
- Magnífico! - Não sabemos durante quanto tempo.
Continue com o Fox 23…
- O quê? - Esse quadro atrás de ti.
É um Joe Brainard. Devias saber quem é.
Passas o dia à frente dele.
É incrível, não achas?
- Sim, é giro. - Giro?
É um Joe Brainard, devia estar num museu.
Achas que deve estar num clube privado?
É bonito. E há muita arte aqui.
Sim, pois há.
Há tanta arte aqui que acho que ninguém repararia
se eu levasse isso escondido nas calças.
As tuas calças são muito justas.
- Pois são. - Sr. Raybon.
Só um segundo, estamos a conversar.
Estão à sua espera.
Bom…
Tem de tirar o chapéu.
Código de vestuário.
Fixe, está aqui a equipa toda.
Trabalhas aqui há muito?
Está bem.
- Olá. - Ora viva.
Deseja beber alguma coisa?
- Sim, Lee, bebe um uísque. - Não, estou sóbrio.
Quero uma cerveja e um bife malpassado com crosta crocante.
E traz-me o molho de bife, se não te importares.
- Muito prazer. - Sim.
- Temos muitos outros negócios… - Sim, de certeza que sim.
Este sítio é tão chique.
Nunca tinha cá estado.
Pois, são algumas das regalias.
Devia ter apostado numa sociedade de investimento
e não em livros antigos.
Mas também és jornalista, certo? Ou uma espécie de escritor?
Sou um historiador da verdade.
Desculpa, não percebi.
Sou um historiador da verdade de Tulsa.
Historiador da verdade?
- O que é isso? - Ainda bem que perguntaste.
Leio coisas.
Investigo coisas.
Ando por aí e encontro coisas.
E depois escrevo sobre essas coisas.
Há quem ligue, há quem não.
Sou um desempregado crónico, sem um tostão.
Digamos que sou obcecado pela verdade.
Não me digas?
Esta é a equipa.
O Bob ou Bob Risonho.
- O Johnson ou Big John. - O Big John.
A Cathy, a preferida de todos, obviamente.
E temos mais um membro.
Ora viva.
- Presumo que sejas o Lee? - Lee Raybon.
Sou o Allen.
Que força. Deves ser rancheiro.
Tu deves ser escritor.
- Não, Allen, é um historiador da verdade. - Parvalhão.
O Ray, do antiquário, diz que tens tentado contactar-me há algum tempo.
Sim, estou muito interessado naquele teu panfleto religioso.
Sim, é muito especial.
Está assinado pelo Martin Luther King.
Decorreu numa igreja no norte de Tulsa que já não existe.
Deve ser muito importante para a comunidade do norte de Tulsa.
Sim, chegam muitos negros àquela zona.
- Não só pessoas negras. - Claro.
- Também mexicanos. - Claro.
- Índios. - Índios?
O cadinho cultural de Oklahoma.
- Adoramos aquela zona. - Eu sei.
Por isso é importante que esse panfleto
seja devolvido à comunidade a que pertence.
- Desculpa? - Pois.
Quero perguntar-te uma coisa.
Onde arranjaste esse panfleto?
História interessante.
O meu avô tinha um empregado…
E ele deu-to, certo?
E, agora, posso fazer-te uma pergunta a sério?
Tenho andado a investigar-vos.
E… estou algo preocupado.
- A sério? - Sim.
O que te preocupa?
Primeiro, porque estão a comprar
todos os negócios da comunidade negra no norte de Tulsa?
É um pouco estranho.
Desenvolver oportunidades de negócio faz parte do nosso negócio.
Ou, então, pretendem expandir-se e aniquilar a concorrência.
É péssimo para a economia e para quem vive naquela zona.
Tens tomates, Lee.
Pois tenho.
Infelizmente temos outros assuntos para tratar hoje à tarde,
portanto… - Claro.
Não precisam de dizer mais nada.
Deixo-vos um cartão de visita, que fiz esta manhã,
caso queiram contactar-me.
Cathy.
INVESTIGADOR PÚBLICO
Big John e Bob. Obrigado pelo vosso tempo.
Achavas mesmo que eu te daria o panfleto?
Às vezes, temos de acenar com uma mão
enquanto obtemos o que queremos com a outra.
E não te preocupes, a comunidade do norte de Tulsa há de recuperar esse panfleto.
Já eras!
Cabrão de merda.
Foi brutal!
Já eras!
Quero agradecer às autoridades locais e nacionais
pela forma digna e humana como responderam a esta tragédia.
O Dale está a olhar por nós agora, de um lugar melhor.
Já não sofre.
A The New Yorker escreveria um artigo sobre um cagalhão no parque aquático?
Deves ter razão.
Hoje já vimos três apresentações sobre o Woody Guthrie.
Acho que já chega de histórias sobre o Woody.
- Ei-lo. - Merda.
E o artigo sobre os Washberg?
Um sucesso nacional!
Sim. Posso falar contigo?
Já soubeste? Dale Washberg.
Chega aqui. Sim, ouvi.
Substitui-me, Olivia.
Ouviste as notícias?
O Dale Washberg suicidou-se.
- Sim, é muito triste. - Sim, muito triste.
Está mesmo a pedir um artigo de seguimento.
Lee, não vamos fazer outra peça sobre os Washberg.
O gajo está morto.
Não tem nada que ver connosco. Mal o mencionei no artigo.
- Mas podem processar-nos. - Por relatar os factos?
O artigo é irrepreensível.
- Revi-o linha a linha. - Sim, eu sei.
Passei três dias no teu sofá, a comer takeaway
sob uma nuvem do teu vaporizador. - Pois.
Então, sabes que é irrefutável.
- É um artigo histórico… - Não.
… sobre o passado corrupto de uma família poderosa.
Pois, pois. Essa família ainda é corrupta.
Tens provas?
É por isso que preciso de ti. Tenho de continuar a investigar.
Em que histórias estás a trabalhar?
Em que histórias?
Há uma empresa de empreendimentos imobiliários chamada Akron.
Anda a comprar carradas de propriedades no norte de Tulsa.
Portanto, capitalismo.
Acho que não me estás a apoiar.
Porque tens de me fazer uma proposta em condições.
- Está bem. Sabes a história do Roosevelt? - Qual delas?
A primeira vez que ele ouviu o nome de Adolf Hitler,
ele soube a razão por que nascera. Comigo passa-se o mesmo.
Estás a dizer que nasceste para deter o Donald Washberg?
Dos fracos não reza a história.
Não. A resposta é não, obrigado.
Para onde estão a olhar?
Li o teu artigo sobre os Washberg.
A irritar os ricaços, os racistas e os rancheiros.
Sim, esses mesmos.
Não devias irritar os ricaços. Como hás de ganhar dinheiro?
- As panquecas são caras. - Eu sei. É esse o meu problema, Sally.
"As nossas canções mais doces falam-nos dos pensamentos mais tristes."
Shelley.
"Quero lá saber quem está em Austin, o Bob Wills continua a ser o rei."
Willie Nelson.
Um grande poeta sulista.
Na verdade, é do Waylon Jennings.
- Está bem. - Não interessa.
Confundo-os sempre.
Brancos do country.
Cabelo comprido. Nome começado por W.
Venda do espólio de um excêntrico do condado de Osage
Conheces esse homem?
É melhor não falares dessa família.
Vai começar a dizer que os Washberg roubaram a terra aos povos indígenas.
Bem, e roubaram.
Túneis ocultos, arte roubada, cenas sexuais perversas, supostamente.
Espera até leres o novo artigo. É ainda melhor.
Tenho lido esses artigos.
- Foste tu? - Sim.
- Heartland Press? - Sim.
Estou a acabar o que vim aqui fazer, portanto…
Escreves artigos polémicos sobre a família do futuro governador
e depois o irmão suicida-se.
Olha, camarada.
O que queres saber?
Andas à procura de algo.
Aliás, todas as pessoas que estão aqui procuram alguma coisa.
Podes fazer waffles e café em casa.
Algo nos faz vir aqui a estas horas da noite.
Olha à tua volta.
Só vejo uma data de notívagos, mais nada.
Não.
Vês poesia.
Não, a poesia dá-me a volta ao estômago.
Só gosto dos poemas das paredes da casa de banho.
Se acreditas mesmo nisso, talvez sejas um caso perdido.
Está bem.
E tu, o que procuras?
Não sei.
Mas vou descobrir.
O café é ótimo.
A Sally fez-te uma sanduíche.
És um bacano.
Deus te pague.
Como está a tua pequena?
- Pequena? Já está bem crescida. - Lee.
- Devolve-me o Junior Kimbrough. - Está bem.
Olha, o Dan está a dormir no escritório outra vez.
Estiveram cá dois gajos à tua procura.
Brancos.
- Foram à livraria? - Não, ficaram por aqui a rondar.
Ficaram a rondar.
Dan, acorda.
Acorda. Vá lá, meu.
Vim cá fora e disse-lhes para pararem.
- O foi? - Olá. Esconde-me isto.
- Esconder? - Guarda isto no cofre.
Vai para casa! A tua mulher mata-te.
- Já estava de saída. - Está bem.
- Nós protegemos-te, Lee. - Pois.
Nada de rondar.
Livros Usados
EMPREENDIMENTOS AKRON
TATE SENTA-SE E OBSERVA TULSA ARDE
DONALD WASHBERG para VICE-GOVERNADOR
Merda.
Quem és tu, caralho?
Sai da minha casa, ouviste?
- Desaparece daqui! - Não mandas em mim.
- Caraças! - Foda-se.
Foda-se. Não. Não! Foda-se!
- Merda! - Gostas, cabrão?
Porque isto só vai piorar.
Puseste o meu nome naquele artigo de merda do jornal.
- A Heartland Press? - Sim, ou lá como se chame.
É uma revista de jornalismo narrativo.
- O quê? - É uma revista de jornalismo narrativo.
- Não é um jornal. - Estou a cagar-me!
- Nem que seja um papel de parede. - Está bem.
Mencionas o meu nome num artigo e chamas-me nazi, skinhead.
- Nós já não rapamos o cabelo. - É um ótimo disfarce.
Foda-se.
Vocês incendiaram uma sinagoga.
Tive de incluir o vosso nome no artigo.
Eu nem sequer queria fazer isso.
Só peguei fogo a um saco de merda no alpendre deles
e a coisa descontrolou-se.
E só ardeu metade da cozinha.
Mas não mencionaste isso no teu jornaleco, pois não?
Quando muito, como me trataram levou-me ao antissemitismo.
Ótimo, aconteceu.
Vocês são skinheads conhecidos.
Não tive alternativa, é o meu trabalho.
Nem sequer imaginas como a minha mãe ficou.
- A tua mãe? - Depois de ler aquela merda.
Quer dizer… Tenho pessoas a quem presto contas.
- Não as queiras chatear. - A sério?
Seu cabrão.
Não me obrigues a voltar aqui ou será bem pior.
Sei que tens uma filha. E sei que tens uma ex-namorada.
Bem gira.
E eu fodo-te onde mais te dói.
Espera lá, o quê?
Deidra.
O meu cheque foi devolvido.
- Olha… - O que se passou?
Ontem à noite apareceram aqui dois skinheads.
O quê?
Sim, eram só dois.
Dois parvalhões idiotas.
- Nem vale a pena… - Raios.
- O meu cheque foi devolvido. - Eu avisei-te
quando começaste a trabalhar aqui, é uma livraria de raridades.
- Não ganhamos dinheiro. - Há sempre clientes.
Vender livros usados de Pela Estrada Fora e À Espera no Centeio
não paga as contas.
Sobrevivo graças a grandes vendas, universidades, museus.
- Preciso de meio dia amanhã. - Porquê?
- Vou fazer uma tatuagem. - Uma tatuagem?
- Uma passarinha. - Uma passarinha?
Tatuaste a bandeira da Confederação.
Chama-se ironia. Supremacia branca disfarçada de iconografia cristã.
- A passarinha também é irónica. - Como assim?
Não sei, uma passarinha tatuada no braço.
Está bem.
Bem, tenho de ir vender um quadro.
Vou à venda do espólio do Washberg. Têm muitos livros raros.
- Primeiras edições do Jim Thompson. - Está bem, chefe.
Paga-me.
Há um mês que não envias dinheiro.
- Há um mês? - A vida está cara, sabias?
- Eu sei. Tenho estado a poupar. - Como é que isso está a correr?
Está a correr bem. Já falta pouco. A entrada. A renda do primeiro mês.
É um dúplex. É muito agradável. Vais gostar. Fica em Brookside.
Não fica em Brookside.
Passas por Brookside de carro. Mas vamos sair do apartamento.
Apartamento? Referes-te ao sótão da tua livraria?
Não é um sótão. E ela adora.
Claro que adora. É uma criança. Ela também te adora.
O que queres dizer com isso? Tu amas-me?
- Cala-te. - O que foi? Vá lá…
Vê se te endireitas, está bem?
Não quero inventar desculpas por ti.
- É injusto. - Pois é.
Como é o teu novo namorado?
Queres lá saber.
- Quero, sim. - Não, não queres.
A sério, como é que ele é? Parece um gajo porreiro.
Se queres dizer que ele tem um emprego
e que não tenho de o meter num lar quando tiver 50 anos,
então, sim, é um gajo e peras.
Vês? Ainda me amas.
És o pai da nossa filha, não és?
- Pois. - Há limites.
Entendido.
Ele é fixe?
Preocupa-me que não seja fixe.
Sim, ele é fixe.
Ele é fixe.
E joga com o baralho todo, logo é diferente.
Mas podes pagar a renda de uma casa nova?
Vá lá.
Tu és uma espécie de escritor falhado.
Então, 90% dos escritores são falhados.
Ser-se bem-sucedido é ganhar dinheiro ou escrever um livro?
Acho que é escrever um livro.
Para ser tudo mais fácil, acho que devia ir viver com a mãe.
- Assim… - Francis…
Podemos continuar a ver-nos assim.
Calma, calma.
Ouve com atenção.
Aposto o que quiseres, na história de pais e filhas
este tipo de conversas já aconteceu imensas vezes.
E jamais filha alguma desejou que o pai dissesse: "Está bem, fixe."
O meu pai também se foi embora.
Quer dizer, há pais que se vão embora, mas eu não.
Percebeste?
As coisas estão a mudar por aqui.
Prometo. Só tens de…
Só tens de te ter paciência.
Está bem.
Está bem.
Olá, fala a Vicky. Deixe o seu nome e número.
A questão é essa, é complicado,
porque a Sra. Washberg ainda vive cá em casa.
Damos o nosso melhor.
Os bens do Sr. Washberg estão na sala e no escritório,
com algumas exceções.
Eu ajudo-vos a encontrar o que procuram.
Acho que…
Acompanhem-me.
Se sujares isso, obrigam-te a comprá-lo.
Olhem só que surpresa. Já seria de esperar ver-te aqui, Ray.
Ouvi falar de livros raros e…
Pensei logo que seria abençoado com a presença do Sr. Raybon.
Se bem que nem sequer deverias estar aqui.
Nem vens disfarçado. Queres morrer?
Eu sou assim, sempre a viver no limite.
Então, queres os livros? Não vieste à procura de mais podres?
Talvez um pouco de ambas as coisas.
Escreves um artigo sobre a família de um homem e ele suicida-se
e agora apareces na venda do espólio dele.
- Não foi assim tão linear. - Toma, bem precisas.
Dizem que ele estava quase na falência.
Sem dúvida a ovelha negra da família.
É por isso que cheira a esturro.
A família odeia-o e, de repente, ele suicida-se.
É um pouco estranho. Achas que estou a delirar?
Não, não acho. Ele era homossexual não assumido e vivia em Oklahoma.
- Eu até me suicidaria duas vezes. - Não digas isso.
És o rei das vendas de espólios. Lidas com coisas de defuntos.
Vá lá, ajuda-me.
Há diferenças entre o espólio de um suicídio e o de um homicídio?
Vá lá, o Dale era muito reservado.
Era impossível escrever sobre ele. Não encontrei nada.
Só sei que ele empatava os negócios da família.
- A sério? - A votação tem de ser unânime.
O Dale vota sempre contra e agora está morto.
- Que raio te aconteceu? - Esquece isso.
Sabes que mais?
- És um indecente. - Pois sou.
Está tudo ligado. As trevas estão sempre à espreita.
Porque estão sempre à espreita.
É melhor teres cuidado. O Donald pode ser o próximo governador.
E a viúva? Também é doida.
- Doida varrida. - É uma ralé branca
que casou muito bem. - Sim, muito bem.
Ouvi dizer que começou como stripper em Avant
e depois acabou rainha dos rodeios.
Teve de fazer muitos broches para ganhar a coroa.
Uma stripper em Avant?
- Nem sequer há uma loja dos 300. - Como sabes isso tudo?
Loja de antiguidades.
Bem, onde guardam os livros bons?
- Os melhores estão no escritório dele. - Está bem.
Até agora, estão intactos. Se calhar nem limparam o sangue.
Caramba.
Mas que raio?
Caraças.
Boa, boa.
Admira-me que não notes o cheiro a sangue.
Eu noto.
Não devias estar aqui sozinho.
Eu devia acompanhar-te.
Portas fechadas não detêm o Lee Raybon. Sabes disso.
Agora falas de ti na terceira pessoa?
- Finalmente aconteceu. - O quê?
Desistir de lutar contra a própria natureza.
Qual é a minha natureza?
Um cowboy narcisista com tendência para parecer o bom da fita.
Mas, de vez em quando, aquele velho bichinho volta a morder.
Como se fosse uma aranha venenosa que te injeta o veneno
e, pronto, decides lixar a tua vida até o veneno passar.
Ele tem as primeiras edições do Jim Thompson.
Tinha a esperança de conseguir um exemplar de Savage Night e After Dark, My Sweet.
- Algum desses te diz alguma coisa? - Não faço ideia.
- Estão ali. Estás à vontade. - Obrigado.
De nada. Mas fico à espera lá fora
porque se ficar aqui, vou vomitar.
Cheira a sangue.
E a ti.
Gosto da tua camisola.
- Betty Jo. - Esse homem não pode estar aqui.
Quem?
O jornalista, o homem de chapéu.
Que cena!
Fixe.
Olá, leitor.
Se estás a ler isto, provavelmente estou morto.
Nas seguintes páginas…
Conseguimos, sem saber como.
- Tens de te ir embora, são as ordens. - Embora? Porquê?
Escreves sobre os Washberg racistas e apareces na venda do espólio do defunto?
Mal mencionei o Dale.
- Posso comprar estes? - Andor ou despedem-me.
Vamos, andor daqui para fora.
Ele era um bom homem.
Ele era um bom homem.
Agradeço a sua preocupação.
Agradeço a sua preocupação.
Ele era um bom homem.
Ele era um bom homem.
Aqui vamos nós outra vez.
Em breve saberei quem és.
A conduzir um Kia cor de vinho.
Olá, leitor.
Se estás a ler isto, provavelmente estou morto.
Nas seguintes páginas, encontrarás um relato do que aconteceu.
Espero que tenhas os meus livros todos.
Deixei notas noutros romances policiais.
Só espero que, quem leia isto, tenha os meios para resolver a situação.
Já não posso contar com ninguém.
A minha família acha que já não sirvo para nada.
Sempre fui um empecilho.
Desde que era uma criança doente em Skiatook.
E foi piorando.
Não gostam do meu estilo de vida.
Há outros livros da minha coleção com as minhas notas.
Esses livros são…
Presta atenção:
não confies em ninguém.
Nem na minha mulher.
Ela está envolvida.
Venda do espólio de um excêntrico do condado de Osage
Trata da porcaria da prorrogação.
Sim, entra. Tu não, o meu vizinho. É um lunático.
Mas no bom sentido, assim não me aborreço.
Sim.
Vemo-nos no campo de golfe.
Mas…
Está bem.
Bom, vemo-nos no campo de golfe, seu merdas.
Tu és. Não, tu é que és um merdas.
Não, tu é que és um merdas.
Não, tu é que és um belo merdas.
Porque tu és um merdas.
Pois, provavelmente…
Provavelmente porque a tua mãe também é uma merdas.
Vai-te lixar, ó merdas.
Um merdas. M-e-r-d-a!
Tu devias estar na sanita.
Parece-me bem. Vá, paz. De merda.
Desculpa, este gajo é um…
- Merdas. - Sim, é um otário.
Olha, vim buscar o meu quadro.
E podes guardar-me isto?
É muito valioso?
Bem, é um exemplar único.
Não, guarda-o dentro do plástico, por favor.
Está bem.
Texas by the Tail? É bom?
Sim, é ótimo.
Venho buscá-lo em breve.
- Cuidado. - Está tudo controlado.
Está bem.
Muito obrigado. Aqui tens o teu taco.
Toma. Obrigado, senhor.
Vamos almoçar um dia destes?
- Claro. - Gostas de comida libanesa?
Há um novo…
E lá vai ele. Que grande merdas.
O Antiquário
De que precisas, além da minha boa companhia?
Não posso.
É mesmo um Joe Brainard?
Sabes bem que sim.
Espera lá. Onde é que eu já vi isto antes?
- Lee. - Não tens de dizer onde o encontraste.
Agora tem as minhas impressões digitais.
Quanto queres?
Oficialmente não o posso vender,
mas estava a pensar em dois mil.
- Dois mil? Por um quadro roubado? - Honorários de angariador.
Angariador.
- Agora chama-se assim? - Vale muito dinheiro, Ray.
Dou-te mil e quinhentos.
Está bem, mas vende-o a uma súper galeria. Uma daquelas mesmo fixes.
Não o vendas a estes brancos pirosos.
Eu escondo as coisas fixes quando eles aparecem por aqui.
Ou, então, digo-lhes que era de uma drag queen.
Vamos lá aos negócios.
Credo.
Acho que isto traz água no bico.
- Preciso de mais uma coisinha. - Obviamente.
Preciso que voltes à venda do espólio do Dale e me compres alguns livros.
- O quê? - Sim, os romances policiais.
Estão no escritório dele.
- Porquê? - Digamos
que estou a provar que tenho razão e não mos vendem.
Porque não falas com a tua grande amiga Vicky?
- Vocês são unha com carne. - Anda lá. Por favor.
Está bem. Tenho a gaja em marcação rápida. Espera.
Vicky. Olá, como estás?
Deves estar esgotada.
Ainda estás aí?
Vicky, queria saber
se já vendeste os livros do escritório do Sr. Washberg?
- Jim Thompson, policiais. - Do Jim Thompson. Esses mesmo.
Sim, sou fanático por livros.
Faz-me um bom preço. Eu quero-os, mas não preciso deles.
Está bem. Não tenho onde cair morto, Vicky.
O quê? Não.
Está bem. Posso fazer isso.
Obrigado. Sim, passo por aí hoje.
Obrigado, Vicky. Continua maravilhosa.
- Vou buscá-los hoje à tarde. - Fantástico. Muito bem.
O preço é mil e quinhentos.
Bem, eu…
Mil e quinhentos.
Mil e quinhentos. É pegar ou largar.
Obviamente, não inclui a minha comissão.
Faço isto de graça porque sou teu amigo.
E os burlões do sítio onde trocam os cheques?
- Os burlões… Não. - Na Mingo…
Quero voltar aos skinheads, a sério. Tenho uma ideia.
Os gajos são burros como uma porta, andam metidos…
Querida, a Martha dá-te o cheque.
Cyrus, quando precisares de mim, já sabes.
Entendido. Vigia.
Este maldito telefone.
O que foi? O que se passa?
Viste a beldade que passou por nós?
- Sim. - É isso que se passa.
Despedi o fotógrafo e agora tenho de tirar eu as fotografias.
Não estou a conseguir enviar esta fotografia para o meu e-mail.
Fazes-me um favor?
- O quê? - Levanta-te daí.
- Senta-te ali. - Está bem.
Chama um técnico de informática.
Era o meu fotógrafo.
Pareces merda de cão ao sol. Andaste à porrada?
Aqueles dois skinheads não gostaram do artigo que eu escrevi.
E queres escrever outro?
Então, convido-os para jantar? Pago-lhes um chá?
Quero atirar uns foguetes, levantar as pedras
e ver o que as baratas fazem à noite.
Sei que estes gajos estão ligados aos Washberg
e tenho provas concretas de que o Dale Washberg não se suicidou.
O Dale Washberg?
- Lês o meu jornal? - Claro.
É sobre bundas e bandidos.
Ninguém ganha um Pulitzer nem recebem prémios.
É a decadência de Tulsa no seu melhor, percebes?
Só pretendo envergonhar uns criminosos, limpar o meu bairro.
Se falar nos Washberg, vou à falência num abrir e fechar de olhos.
Nova abordagem.
Estes skinheads traficam droga e mulheres, certo? Tráfico sexual.
É o que se diz por aí.
- A sério? - A sério.
Odeio quando exploram as mulheres. Obrigado, mãe. Foi ela que me ensinou.
Droga, skinheads, tráfico sexual.
Bundas e bandidos num único artigo. Mil palavras e dou cabo deles.
Fazemos o seguinte…
Leva isto.
O que é isso?
Uma sandocha. Estás a gozar?
- Eu sei o que é. - Então.
- O que queres que faça com isto? - Espancaram-te.
Não morro de amores por ti, mas não quero que te magoes a trabalhar para mim.
Não tem balas.
Assalta um banco ou vai à Bass Pro Shop.
Está bem. Vou à Bass Pro.
- Tenho um canhão. - Para!
Não sejas parvo. Guarda a arma.
Isto não é o Menace II Society nem A Cidade do Novo Paraíso.
- Que tal um adiantamento? - Achas que sou um banco?
A Heartland Press?
Só para comprar balas e untar algumas mãos pelo caminho.
- Mil palavras, hoje até à meia-noite. - Exato.
Toma 200 dólares para ti e um conselho.
- Qual? - Não sejas estúpido.
Feito!
Brancos cheios de boas intenções.
Os mais tristes de todos.
Tudo bem, tarado?
- Toma o teu jornal. - Olá.
Fixe.
Quem é este?
É o meu primo Waylon.
Chamou-me tarado.
- Sim, tem-te chamado isso. - Porquê?
Andas com uma carrinha sinistra. Pagaram-te?
Sim. Quer dizer, não, mas tenho uma coisinha para ti.
Ora bem.
- O que é isto? - É para a gasolina, comida.
Depois dou-te mais.
Está bem. Obrigada.
- Bela passarinha. - Obrigada.
Refiro-me à tatuagem.
- Sim, eu percebi. - É mais fixe do que eu pensava.
- Eu sei. - O que faz aqui o teu primo?
Quer que lhe dês emprego.
Se nem te posso pagar a ti…
E como segurança?
Acabou de sair da prisão. É membro de um gangue da prisão.
Não precisamos. Está tudo bem.
Acabaste de levar uma coça.
As pessoas levam na tromba. É normal.
Sim, mas é o teu estabelecimento. Também me afeta.
- Viva, Waylon. Sou o Lee. - Tudo bem?
Achas que podes proteger a livraria?
Claro, conta comigo.
Sou da máfia ameríndia. Ninguém se mete connosco.
Está bem.
Quer dizer, um gangue mete-se connosco, mas…
Quem?
Merdas da prisão. Os Indígenas Mortais.
Andamos sempre às turras.
- Mas está tudo bem. - São perigosos?
Chamam-se Indígenas Mortais. O que achas?
Está bem.
Mas não te preocupes, nós somos mais perigosos.
Além disso, querem lá saber de uma livraria.
Metade desses cabrões não bate bem da cabeça. Nem sabem ler.
- Sim, está bem, eu… - Olha.
Deixa os maus da fita comigo, tarado.
Eu protejo-te. Sou um assassino. Matei pessoas. Cabrões…
Waylon, estou liso. Só te posso pagar no fim do mês.
E se não fizer uma venda grande, não te poderei pagar.
Desde que possa dormir aqui, informas o meu agente,
tratas da minha papelada…
Dormir aqui?
Claro. Entraram aqui à noite.
Não faz sentido ficar aqui a coçar a micose o dia todo.
Diz-me quem é o cabrão e eu limpo-lhe o sebo.
É só dizeres. Eu mato pessoas, Lee.
Está bem. Um mês à experiência. E vemos como corre.
- Fixe. - Está bem.
Merda.
A mãe nem vai acreditar.
Exatamente. Não é qualquer um que te traz aqui.
Mas podes contar comigo para as coisas realmente importantes.
Aí vêm sarilhos.
Como está?
Prazer em vê-lo.
Olha, um perfeito idiota.
Credo, só podem estar a gozar.
Não, hoje não venho fazer campanha. Vim só comprar gado.
- Este faz campanha desde que nasceu. - Nós vamos elegê-lo, governador.
Já que insistem, agora quero dizer uma coisa.
Meus caros, é hora de pôr isto a andar como deve ser.
- Oklahoma é sobre… - Petróleo e carne de vaca.
… pessoas simples e honestas.
É como tenciono manter as coisas.
Adoramos petróleo e carne de vaca, e se gostam disso…
Se gostam disso, é melhor votarem em mim, está bem?
- Apoiado! Sim! Ámen! - É ou não é?
Posso contar com vocês? A sério?
Obrigado. Hoje o que importa é o gado.
Deus o abençoe.
Também está nas nossas preces, Betty Jo.
Obrigada.
Muito bem.
Ora, ora.
- Muito estranho de facto. - O quê?
O quê? Conta-me.
Está bem. Estás a ver o parvalhão que estava a falar?
- Vês aquela mulher? - Sim.
O marido suicidou-se há uma semana.
E agora está sentada ao lado do irmão do falecido marido…
Não parecem íntimos?
- Sim. - Pois.
- É estranho. - Muito íntimos.
Tu sabias que estariam aqui, não sabias?
Por isso viemos cá, certo?
Não, eu queria vir cá contigo.
Isto é ainda melhor. Parece que estamos numa operação secreta.
Pois estamos. E ainda por cima temos pipocas.
IRMANDADE ARIANA VENDE DROGAS E GARINAS?
Foda-se. Aqui vamos nós.
De calibre 38.
- Calibre 38. - Onde arranjaste isto?
Negócios. Não gosto muito de armas.
Isto mata pessoas, não mata?
- São balas, está bem? - Eu sei.
- Se matares alguém, eu não posso… - Não vou matar ninguém.
Só estou a dizer que… Estas balas são boas.
Lee, se matares alguém, eu sou um advogado fiscal.
- Pois. - Não defendo homicídios…
Com quem andas metido?
Se alguém perguntar, não foi eu que te as dei.
Olá, outra vez, Sr. Kia Cor de Vinho.
E em legítima defesa? Vá lá. Isso é…
Legítima defesa? Se não houver outra opção,
então, sim, eu percebo. Mas nem te atrevas
a dizer que eu te dei isto. - Que mas deste.
Podias ter dito logo isso.
Queres seguir-me? Continua a seguir-me.
Anda lá. Tenho uma coisinha para ti.
Sabes, a minha avó dizia-me
que, quem brinca com o fogo, acaba por se queimar.
A dor é passageira.
Ou talvez não.
Não há nada pior do que um branco cheio de boas intenções.
Dizem-me muito isso.
Anda cá, seu cabrão de merda!
Pronto.
Pois.
Boa.
- Cabrão. - Vai ao chão.
- Ai sim? Seu filho da puta. - Já chega. Não!
- Não! Não vou entrar aí. - Vais, sim!
- Olha os dedos. - Deita-te!
Pois, pois. Deves ter 12 anos e vives em casa da tua mãe.
No trabalho, medricas.
Então?
Raios partam.
Tirem-me daqui, seus cabrões!
Tirem-me daqui!
- Cala-te! - Filho da puta. Se não te calas,
pomos alguém na escola da tua filha.
Foda-se.
Estás a vê-lo?
Ali está ele.
Lamento, eu…
Avisei-te para nunca apareceres no meu trabalho ou em público.
- Mas temos… - Nem que seja no supermercado.
Não te diriges a mim em público.
Mais uma vez, desculpa.
O que é que vocês querem?
Temos algo que o teu chefe vai adorar.
Quem é o meu chefe?
Suponho que sejas tu?
Eu não sou chefe.
Quem quer que seja o chefe, vai adorar.
Sim, quem quer que seja.
De que raio estão a falar?
Sei que fizemos merda antes, com o último.
É por isso que me orgulho de dizer que desta vez nos esmerámos.
Muito bem, segue-me.
Sigo-te?
- Isso é um sim? - Sigo-te até onde quiseres, Allen.
Allen?
Merda.
Parece bem lixado.
Foda-se!
O que está ele a fazer?
- O quê? - Não sei.
Saímos do carro?
- Então? - Saímos.
- Aqui? - Sim.
- Nós? - Não faço ideia.
Foda-se.
Olá, Allen. Belo sítio.
Como estávamos a dizer, pedimos desculpa por aquilo.
Cala-te!
- Allen, o que estás a fazer? - Ajoelhem-se!
Vá lá, vamos conversar.
- De joelhos! - Vamos resolver isto.
Foda-se. Merda.
Calma, está tudo bem…
Merda.
Socorro! Tirem-me daqui!
Está aí alguém?
Olá, miúdos.
Olá. Aqui dentro!
Miúdos! Para.
Olá!
Está na bagageira?
Sim! Sim, estou na bagageira! Ajudem-me!
Tirem-me daqui!
E se és um assassino?
Não, não sou um assassino. Querem matar-me é a mim.
Tirem-me daqui.
Ajudam-me a sair daqui?
Não, não se vão embora.
Sou simpático. Boa pessoa.
Desculpa lá.
Desculpa? Tirem-me daqui!
Está aí alguém?
Olá?
Quem és tu?
O Bob Wills ainda é o rei, Lee.
O que fazes aqui?
- Tenho-te seguido. - Credo…
- Espera… - Tira-me daqui!
Calma!
- Espera. - Foda-se.
Muito bem, presta atenção.
Foda-se.
- Quem raio és tu? Não. - Deixa-me explicar.
Juro que te enfio isto na cabeça. Aqui e agora.
- Acalma-te, porra. - Não me obrigues.
Acalma-te, porra. Está bem?
- Então! - Merda, foda-se. Merda.
Nem te aproximes!
Lunático do cara…
Vemo-nos no Sweet Emily's.
Grande cabrão.
Adeus, filho da puta!
Merda.
Foda-se.
Mas que porra?
Gostei do teu artigo.
A sério, leste-o mesmo?
Do que é que gostaste?
Parecia que te estava a ouvir.
A sério?
Como quando falo contigo.
A maneira como escreves sobre Tulsa. Há coisas más,
mas, no fundo, é um bom sítio.
Ora bem.
Observa-me agora. Observa-me agora.
Estou?
Olá, sou eu.
Queria dizer-te que não temos pressa e tu sabes…
Só para te dizer que já tenho o dinheiro para a casa.
Eu disse-te que conseguia.
Está bem, isso é ótimo.
É, não é?
Nós estamos no parque. O Johnny está aqui, só para que saibas.
Está bem. Fixe.
Sim, claro. Entendido.
Vemo-nos daqui a 30 minutos?
Meia hora. Está bem.
É melhor dentro de 40 minutos.
Está bem. Vemo-nos no parque.
Está bem. Até já.
Já eras!
Tradução: Ana Maria Silva
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