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E agora vamos mudar de assunto.
Diego Bauterman, o tenista argentino.
Lembra dele?
Garanto que sim, mesmo que não goste de tênis,
talvez tenha ouvido as declarações após ele vencer
o último Open da Austrália.
Vamos relembrar.
Tenho que agradecer ao Dr. Marlow por tudo o que ele fez por mim.
Nunca pensei que pisaria lá...
Posso ter um momento a sós, por favor?
Não sei se ele está me vendo,
mas obrigado, doutor, devo tudo a você.
Bauterman se aposentou do tênis há seis meses
após sofrer um ataque de ansiedade durante uma partida.
Seus amigos próximos relataram
que ele queria priorizar a saúde mental
e que se submeteria a um tratamento com o Dr. Marlow.
O famoso psiquiatra é conhecido principalmente
porque seus pacientes melhoram em tempo recorde.
E me pergunto: qual é o segredo por trás do método Marlow?
Qual é?
O médico nunca dá entrevistas, mas hoje...
temos seu braço direito aqui.
Sim, aqui, no Las Noches de Abril, receberemos a filha
do gênio da psiquiatria moderna, a Doutora...
Eviana Marlow.
"SHADES"
Tradução e Sincronia por Tati Saaresto
S01E08 (FINALE) TENENTE CASTRO
Queria me ver?
Sim, entre.
E então?
Desculpe.
Posso comer alguma coisa?
Como?
Perguntei a um dos funcionários, mas você precisa autorizar.
- Vou chamar um garçom. - Obrigado.
Doutora, já que está aqui,
talvez possa me dar uma mão. Recebi os resultados
do laboratório de toxicologia...
e preciso que um especialista traduza.
Se importaria?
Todos os pacientes apresentam dextroanfetamina e metanfetamina,
extrato de kanna, alcaloides da cravagem...
É daí que o LSD é extraído, não é?
Sim.
Que efeitos esse coquetel poderia ter?
Estados de consciência alterada, distorção da realidade.
Isso explica as alucinações
que os pacientes sofreram no fim de semana.
Sim, explicaria.
Mas não os deixaria inconscientes.
Poderiam ter recebido um sedativo.
A maioria desaparece do corpo em algumas horas.
Mas deve ter sido fornecido por meio de alimentos ou bebidas.
E eu sou responsável
por tudo que os pacientes ingeriram desde que chegaram.
Eu dei alucinógenos,
mas não narcóticos.
E admite isso assim?
Sou médica em Psiquiatria e Psicofarmacologia.
Conheço meu trabalho.
Drogou seus pacientes sem autorização.
Isso não é verdade.
Por favor, abra a gaveta à direita. Encontrará uma pasta.
São autorizações que os pacientes assinaram na chegada.
Página 9, cláusula 22.
Poderia ler em voz alta?
"Consinto com a aplicação do método psiquiátrico escolhido,
desde que seja endossado por estudos contrastados
e/ou publicados".
As doses eram muito precisas e completamente legais.
Tudo perfeitamente calculado e controlado.
Inclusive o assassinato do médico.
Acha que alguns alucinógenos transformam alguém em assassino?
E por que forneceu drogas?
Você não entende.
Meu pai criou o método Marlow,
baseado nos estudos de Albert Hoffman,
pioneiro no desenvolvimento de alucinógenos em psicoterapia.
Espera.
Seu pai sabia
- que drogava seus pacientes? - Não.
Ele desenvolveu sua pesquisa na Suíça,
com seu parceiro, Dr. Castell.
Mas ele a descartou há muitos anos.
E você decidiu resgatá-la.
Desde então, as técnicas de análise melhoraram,
como demonstrei em minha pesquisa.
Eu aprimorei o trabalho dele.
Elaborei um tipo de alucinógeno e sua dosagem
de acordo com a idade, sexo, peso e transtorno do paciente.
O que seu pai pensava sobre isso?
Esperei a publicação e propus a implementação do método.
Impressionante.
Era revolucionário.
Se você sonhar em desenvolver esse método,
vou arruinar sua reputação.
Seria um sucesso para nós dois,
a oportunidade de fazer algo juntos.
Achei que ele ficaria orgulhoso.
Mas aí descobri o motivo da sua rejeição.
Ela.
Sofía Hernán.
Foi uma das primeiras pacientes a testar o tratamento do meu pai.
Era viciada em cetamina e cocaína.
Teve uma recaída depois que o marido a deixou.
Ela tinha um filho que ficava com o avô
enquanto ela se submetia a esse tratamento inovador.
Ela confiava no meu pai.
Mas algo deu errado e, na manhã seguinte à cerimônia,
suas alucinações retornaram.
Causaram um colapso nervoso.
Ela não sobreviveu.
Nunca relacionaram a morte dela ao tratamento do meu pai.
Mas ele sempre se culpou.
E com razão, se me permite dizer.
O problema não eram as substâncias, Tenente,
era a dosagem.
Tentei dizer ao meu pai mil vezes, mas ele nunca me ouviu.
E para provar isso a ele...
você drogou esses pacientes sem ele saber.
Pela ciência sempre vale o risco.
Porque as descobertas são aplicadas mais cedo ou mais tarde.
Por que neste fim de semana?
- Por que esses pacientes? - Não foi por causa deles.
Foi por causa do Dr. Castell.
Um antigo colega do meu pai me escreveu
porque tinha lido meu trabalho.
Ele ficou impressionado com meu progresso.
Me incentivou a implementá-lo.
Quando contei que meu pai recusou,
ele disse algo chocante...
"A utopia é o começo de todo progresso".
Ótima citação.
Ia me encontrar com o Dr. Castell ontem à noite.
Queria mostrar meu progresso, mas ele não apareceu.
Considera drogar pessoas um progresso?
Eu medicava
pacientes legalmente
para ajudá-los a chegar ao fundo do trauma.
Se você já conversou com eles,
sabe que funcionou.
- Foi uma conquista. - Conquista?
Por que continua falando assim? Seu pai foi assassinado.
Um desses pacientes, após sofrer uma alucinação,
poderia tê-lo atacado. O que há de errado com você?
Com a dose que eu administrei,
- é impossível. - Não.
Não importa o que diga,
drogou seis pacientes psiquiátricos contra a vontade deles.
Poderia ter colocado eles em risco, colocou a vida do seu pai
- em risco. - O contrat...
Esses contratos não valem nada!
Eu vou levá-la ao tribunal.
Então diga adeus ao seu trono.
Não vou a lugar nenhum, Tenente.
Por favor, sente-se.
O que está acontecendo?
Só sigo ordens, senhora.
- Ana, por favor, a perna. - Deixa ela em paz,
está nervosa, como todos nós.
- Eu também, desculpe. - Que atencioso.
Pode parar, por favor?
Como você está?
Mal posso esperar para que isso acabe.
Já sabe quem cometeu o crime?
- Não. - E por que estamos aqui?
Direi o que vai acontecer.
- E não quero repetir. - Não queremos que você se canse.
Podemos chamar nossos advogados?
Sim, depois dos depoimentos na delegacia.
Ficarão detidos lá aguardando a decisão do juiz.
- Isso é loucura. - Mas você sabe que sou inocente.
A única coisa que sei
é que o assassino do Dr. Marlow está nesta sala.
E todas as suas digitais estão na arma do crime.
Todos tiveram a chance de batizar o vinho
e alguns de vocês...
tinham motivos suficientes para matar o Dr. Marlow.
- Por que está me olhando? - Por hora,
o melhor que podem fazer é colaborar.
E se não for o caso?
Seriam acusados de obstrução da justiça.
Estou surpreso que alguém como você pergunte isso.
Não foi isso que eu quis dizer.
E o que quis dizer?
E se nenhum de nós for o assassino?
Nesse caso...
vários fatores devem ser considerados.
Que fatores?
A vinícola tem um vinhedo extenso.
E as câmeras de segurança não o cobrem por completo.
Nesse caso, o assassino teria que entrar na propriedade
por um ponto cego.
Poderia ter acessado a sala de barris
e, uma vez lá, deve ter batizado o vinho
que seria usado na cerimônia.
Depois, teria que esperar a cerimônia terminar
e todos vocês ficarem inconscientes.
Deve ter pegado a adaga
e colocado as digitais de todos nela,
e depois matado o médico a sangue frio.
Após o assassinato, teria saído da sala,
trancado e abandonado a vinícola pelo mesmo lugar,
sem deixar vestígios.
Parece possível, não sei o que vocês acham.
E é, se não fosse por um pequeno detalhe.
Só o Dr. Marlow e sua filha têm a chave
da sala de cerimônias.
E a chave do médico estava em seu paletó.
E pelo menos vinte pessoas
viram a Dra. Marlow
em um restaurante no momento do assassinato,
então é impossível ela ter cometido o crime.
E também é impossível que alguém tenha matado o médico
e voltado
para guardar a chave no paletó dele.
Ela tem razão, Tenente.
Nenhum de nós poderia ter feito algo assim.
Olá, Héctor.
Estava te esperando.
Como você sabia?
Hoje em Las Noches de Abril, Dra. Eviana Marlow.
Pela entrevista que Eviana deu há alguns meses.
É um prazer para nós tê-la aqui esta noite.
Sei que Vrindavan não gosta de aparecer diante do público
e dar entrevistas.
É um prazer e uma honra
apresentar sua única entrevista.
PSIQUIATRA É um prazer estar aqui.
Doutora, dezenas de casos bem-sucedidos,
uma lista de espera de muitos e muitos meses.
O próprio Bauterman, como ouvimos,
define o método Marlow como algo mágico.
Não, não é mágica, é apenas ciência.
Muitos anos de pesquisa e trabalho.
Era um programa no horário nobre
e já anunciavam há semanas a participação de Eviana.
Você certamente tinha visto.
Você já utilizou, em algum momento,
alguma ajuda extra?
A que você se refere?
Nossa equipe de pesquisa encontrou um artigo
escrito por seu pai na década de 1990,
e você publicou um recentemente,
abordando o uso de alucinógenos na terapia psiquiátrica.
Acha que usamos drogas em nosso tratamento?
Você disse, não eu.
Garanto que não usamos psicofarmacologia em Vrindavan
desde, exatamente, 8 de junho de 1996.
Foi o dia em que sua mãe faleceu.
Não podia ser coincidência.
Você revisou o arquivo e encontrou a análise toxicológica.
Encontraram traços de alucinógenos,
mas, sendo um viciado conhecido,
não relacionaram isso ao meu tratamento.
Mas você, sim.
Como você sabia?
Que seria hoje à noite?
Eu sei quando alguém manipula o vinho.
E Eviana sempre fica na vinícola durante as cerimônias.
Hoje, curiosamente,
ela tinha outro compromisso.
Imagino que você tenha algo a ver com isso, certo?
E com o fato de minha filha fornecer alucinógenos
- aos meus pacientes. - Eu a enganei.
Ela acha que vai encontrar com o Dr. Castell.
Você se passou por Castell
para encorajá-la a colocar a pesquisa em prática.
Você a usou para transformar todos eles
em possíveis suspeitos.
E foi fácil.
Sua filha é movida pela ambição.
Não.
Não era ambição,
era desespero.
Quando se está desesperado, pode-se acreditar
e fazer qualquer coisa, até mesmo...
se tornar um assassino.
Porque você veio me matar a sangue frio, não é, Héctor?
Claro, não é a mesma coisa
se a vítima estiver acordada
e puder olhar nos seus olhos.
Mas é preciso.
Isso completará sua descoberta.
Só preciso saber uma coisa,
o que houve com a minha mãe?
O que fez com ela?
Eu queria completar meu método e ela era a cobaia perfeita.
Achei que ela chegaria até o fim, mas estava errado.
Ela estava muito fraca
- e cometeu suicídio. - Não.
Você a matou.
Não importa.
Ela era só uma viciada em drogas.
Não.
- Não fale assim da minha mãe. - Tudo bem.
Não vamos falar assim da viciada.
Não fale...
assim da minha mãe.
- Foi só um erro de cálculo. - Cala a boca, porra.
Eu disse para não falar assim da minha mãe.
Três, dois, um.
Você já está lá.
Sinais de luta?
Curiosamente, não.
Ao que parece, não demonstrou resistência.
Tenente Castro?
GUARDA CIVIL
Senhor.
Sr., o que faremos com a Dra. Marlow?
Nos vemos na delegacia.
Sim, senhor.
Garza.
Bom trabalho.
Tenente.
Eu vou levá-la ao tribunal.
Então diga adeus ao seu trono.
Não vou a lugar nenhum,
Tenente.
Porque, se eu for, serei forçada a publicar isso.
Meu pai não sabia de nada, mas sei que é familiar.
Assisti ao vídeo três vezes. Uma bela descoberta.
Parabéns.
- O que você quer? - Um pedido de desculpas.
Deve achar que sou idiota se achou que poderia me enganar
se passando pelo Dr. Castell.
Garanto que não usamos psicofarmacologia em Vrindavan
desde, exatamente,
8 de junho de 1996.
Existem maneiras mais eficazes de motivar alguém a agir.
Eu só precisava te dar o culpado pela morte da sua mãe
para ter o que me foi negado.
Agora, posso aplicar o método Marlow corretamente.
Eu não vou permitir.
Não vai me impedir da cadeia.
Tem a vida inteira pela frente, Tenente.
Aproveite ao máximo.
Agora, está pronto para o seu renascimento.
Não fale assim...
- da minha mãe. - Foi só um erro de cálculo.
Três.
Dois.
Um.
Você já está lá.
"SHADES"
AOS QUE LUTARAM CONTRA SEUS DEMÔNIOS
E RESISTIRAM PARA VIVER MAIS UM DIA.
AOS QUE NÃO SOUBERAM OUVIR. AOS QUE PARTIRAM EM SILÊNCIO.
NENHUMA DOR DEVE SER SOFRIDA NA SOLIDÃO.
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