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Original subtitles

Não tenho nada a esconder.

Sinto-me bem. Deixe-me assinar o que é preciso

e acabamos já com isto.

A senhora acabou de matar um homem. Temos de processar isso.

Disparar contra pessoas faz parte.

Andamos armados, fazemos provas de tiro.

O alvo é uma silhueta de um homem, não uma vaca.

A senhora é muito jovem.

Tenho 30 anos, quase 31.

É preferível que tenha acontecido agora, e não mais tarde.

Porque razão diz isso?

Quanto mais velha a pessoa é,

mais difícil se torna lidar com as quedas, não?

É uma tese arriscada.

Se eu tivesse a sua idade, já não me tornaria polícia.

Porque se tornou polícia?

Falhei os exames finais.

Tive de esperar um ano para voltar a tentar.

Tive resultados fracos, mas pude entrar na academia em Szczytno.

Tinham internato e pude fugir dos meus avós,

com quem vivia.

- Porquê? - Não gostava deles.

E não gostavam de mim.

Achavam-me o mal em pessoa

por crescer num bairro social na periferia de Paris.

Perdeu os pais na adolescência.

Foram mortos.

Acha que isso pode ter tido influência na sua decisão?

Não acho.

E quer falar sobre isso?

Foi um acidente.

A mãe acabou o turno mais cedo e foi buscar o pai ao estaleiro da obra.

Estavam a regressar juntos a casa.

Quando chegaram,

viram um homem branco drogado a lutar com o vizinho.

O pai tentou ajudar o vizinho e o drogado deu-lhe um tiro.

Neles todos.

No vizinho também.

Eu estava em casa de uma colega, a três ruas dali.

Disse "homem branco".

Éramos os únicos brancos que lá viviam.

Na minha turma era igual.

Foi estranho ver só brancos quando vim para a Polónia.

THE COP. A NEW CHAPTER

EPISÓDIO 4

E? Pomos mais o quê?

Orégãos.

Toma.

A Marta disse-me que começaste um doutoramento.

Sim. Não posso ser assistente para o resto da vida.

Já está pronto?

Não esperamos por eles?

Não é preciso.

Devem ter ido ao indiano.

E este jantar é mais para nós.

Se chegarem a tempo, comem o que sobrar.

Tens companhia?

Como assim?

Nada.

É normal um pai perguntar isso à sua filha adulta.

Não. Estou sozinha e não me apetece mudar isso.

A Marta dá-se bem com ele. Não quero estragar isso.

É impossível viver com ele.

Mas não deixo de preocupar-me com ele.

Está a tornar-se demasiado bom a matar. Não está?

Olá, Marta!

Olá, avô.

Sentem-se. Começámos agora.

Estou cheia. Fui ao bar com o pai.

E já sei onde foram. Cheiras a caril.

O indiano é uma tradição nossa.

Uma noite sem indiano é um desperdício, não é?

Queres provar? Acho que nos saiu bem.

Saiu-te! Eu só ajudei.

Como é a novata?

É distante, mas pode dever-se à diferença de idades.

Raciocina depressa.

E aquele tiro. Uma obra-prima.

Fiquei borrado de medo quando a vi a apontar.

Levo-te a casa?

Vou ficar mais um bocado.

Vou falar com a Marta, beber vinho com a Julia.

Depois apanho um táxi.

- Olá, Edi! - Olá, malandra.

- O Buba já aqui está? - Ainda não o vi.

Fica com o resto, para crescimento pessoal, como sempre.

Às vezes, a tua generosidade envergonha-me.

Devemos partilhar o que temos com os outros.

Tem um cigarro?

Nós conhecemo-nos?

Não, mas podemos conhecer-nos.

Sou mais velha que a tua mãe

e hoje não é Dia dos Avós.

Tenho algo que vais gostar.

É grande e duro?

Também.

Disseram que perguntaste pelo Buba e que és generosa.

O grande e duro está incluído?

AMOR

CONHAQUE

Escapou-me alguma coisa?

Não.

É o Jóźwiak. Tomas conta disto?

Tomo. Ligo à Seifert?

É a Rudnik. Temos um corpo.

Posso ver a sua identificação?

Obrigada.

Conhecia a falecida?

É a Edyta Rosolak.

O apartamento é meu. Ela era minha inquilina.

Há quanto tempo?

Há três, quase quatro anos.

Como é que se deparou com o corpo?

Combinei com ela que viria sempre no mesmo dia de cada mês,

à mesma hora, para cobrar a renda.

Foi o que fiz hoje.

Toquei à porta, mas não respondia.

Pensei que estivesse a dormir.

Tenho umas chaves, mas a porta não estava fechada.

O que sabe acerca dela?

Era uma idosa que vivia sozinha.

Não dizia nada sobre a família.

Muito álcool.

Isso é verdade.

Mas os vizinhos não se queixam.

Quanto é que ela lhe pagava?

Trabalho nos Homicídios, não sou das Finanças.

Quatro mil e quinhentos, mais as despesas.

- E pagava regularmente? - Sempre a horas.

Devia ter uma boa pensão.

Tem uma ferida na nuca.

Há sangue no canto da secretária, e alguns cabelos.

As fechaduras estão intactas.

Um acidente?

Tendo em conta a posição e a distância da secretária,

é muito improvável.

Mesmo que tivesse caído, a ferida não seria tão profunda.

- Sabemos quem é? - Robert Socha, de 32 anos. Programador.

Dentro da carteira estão alguns cartões de crédito e débito.

E 50 zlótis.

O telemóvel não aparece.

E é claro que morava sozinho.

Quem o encontrou?

Marianna Zawada. Está na cozinha. Ele trabalhava para ela.

Ela disse que a porta estava aberta.

Inspetor Artur Banaś.

Marianna Zawada.

Como é que a senhora entrou?

O prazo terminou há três dias. Ele não falhava os prazos.

Telefonei-lhe, não atendeu. Enviei mensagens e nada.

O cliente irritou-se e tive de vir.

Empurrei a porta porque ele não respondia.

O carro está lá em baixo.

BEBIDA ENERGÉTICA

- O que é que você faz? - Tenho uma empresa de TI.

Implementamos software especializado em empresas.

- Já aqui esteve antes? - Uma vez.

Ele partiu a perna e não podia ir trabalhar.

Não podia enviar um e-mail?

Alguns contratos são confidenciais.

Os clientes não querem e-mails por questões de segurança.

Por isso, usamos meios tradicionais.

Acha que está a faltar alguma coisa?

- O computador. - Estão ali os monitores.

Só os monitores.

Valia alguma coisa?

Ele montou-o sozinho.

Conhecia-o bem?

Era um programador muito bom, e não falava muito.

Colaboraram quanto tempo?

Cerca de quatro anos.

Trabalhava como freelancer, sobretudo a partir de casa.

Tinha esposa, namorada, namorado?

Não sei nada da vida privada dele.

- Foi morto? - Quem quereria matá-lo?

- Não estou a perceber. - Era toxicodependente?

Ou poria um saco de plástico na cabeça

para atingir o orgasmo mais depressa?

Está a brincar.

Guarde nessa sua memória que os polícias não brincam muito.

Podia aceitar trabalhos fora da empresa?

Ganhava bastante com os nossos projetos,

mas era independente.

Pode dar-me uma lista dos clientes para quem ele trabalhou?

- Todos? - Sim, todos.

Posso ir?

Pode.

Qual era o carro dele?

É o Carocha verde, de 1975.

Gastava o dinheiro em quê?

E é tudo? Não há mais nada?

Sim, eu percebo. Obrigada.

Devo dizer que era uma cozinheira com talento

e uma ótima gestora da cantina.

Era admirável como cuidava da alimentação e da saúde dos alunos.

Porém, despediu-a.

É uma escola para jovens adolescentes.

Ninguém pode trabalhar sob o efeito do álcool ou drogas.

Ela disfarçava bem, os cozinheiros protegiam-na,

mas descobrimos.

Como descobriu que ela consumia?

Obriguei-a a fornecer sangue para análise.

Paguei a uma empresa privada para o fazer.

Porque não chamou a polícia?

Não me apraz destruir a vida de alguém.

Sei que cometi um erro,

mas faltavam seis anos para ela se reformar.

LICEU CATÓLICO DE SANTA TERESA

Rezaremos pela sua alma, para que seja salva

e o Senhor a aceite no Seu reino.

Ela foi despedida do emprego anterior,

que também era um liceu público, por abuso do álcool e drogas.

Agora procura os defeitos passados de pessoas de profunda fé.

A Sra. Edyta administrava a cantina de forma responsável

e servia Deus diariamente.

E durante os seis anos de serviço,

nunca se apercebeu que ela estivesse alcoolizada?

Peço que se dirija a uma autoridade do modo apropriado,

ou seja, "madre diretora".

Está na hora da oração.

Não é minha "madre", é cidadã deste país,

e eu sou uma funcionária pública.

Pode responder à minha pergunta?

O meu tempo terminou, tenho muitas obrigações.

Entre 30 a 35 anos.

Tem 182 centímetros, 81 quilos.

Estrutura normal, dentição completa.

Não fumava, não abusava do álcool, sem marcas de agulhas,

septo nasal em bom estado, indicando ausência de consumo.

Um homem saudável, apesar de morto.

Morreu há cerca de três ou quatro dias.

Causa da morte: fratura da base do crânio.

A profundidade e extensão da ferida

indicam que alguém bateu com a cabeça na beira da secretária

duas, três vezes.

- Tem descoloração no pescoço. - Foi estrangulado?

O osso hioide está intacto.

Pode ter agarrado o pescoço.

Deve ter movimentado o braço direito para se apoiar.

Era destro.

Ao mesmo tempo, agarrou o agressor com a mão esquerda.

- Um homem? - Era alto e pesado.

Seria difícil para uma mulher usar tal força contra a secretária,

repetidamente.

É só uma opinião, mas não creio que tenha sido premeditado.

Bom dia, doutora.

Bom dia, agente Rudnik.

Perdi o autocarro.

Mulher, 60 a 70 anos.

Mede 167 centímetros, pesa 65 quilogramas.

Não teve filhos.

Marcas antigas de injeção nas virilhas.

No momento da morte, tinha uma taxa de alcoolemia de 0,2

e uma concentração semelhante de alguma droga,

possivelmente fentanil ou algo com efeito semelhante.

Teve relações sexuais antes de morrer?

Não encontrei esperma.

Um vizinho afirmou ter ouvido sons.

Ele disse, e cito: "Era uma mulher muito ruidosa."

Então, usaram preservativo.

E, sim, antes da autópsia

recolhemos todo o material biológico presente no corpo.

- Descarta a possibilidade de homicídio? - Não.

O que tem de suspeito?

Pagava uma renda de mais de quatro mil zlótis.

Contando com a pensão, ficaria com duzentos para viver.

Viu as garrafas?

Uísque, conhaque, gim.

Um litro de vodca sueco no congelador.

Fumava e não comprava roupa usada.

E as drogas não são de borla.

Não havia telemóvel nem computador.

Talvez não tivesse computador, mas teria telemóvel.

Contactei todas as operadoras para saber o número dela.

E que mais?

Nasceu em 1961, em Gluchów,

a cerca de 70 quilómetros de Varsóvia.

Formou-se em restauração numa escola técnica.

Parece nunca ter casado. Os pais estão mortos.

A irmã mais nova, Matylda Rosolak,

foi dada como desaparecida em 1990.

Em que circunstâncias?

Só sabemos a data em que desapareceu e mais nada.

Disseram-me que muitos casos dessa altura ainda não foram digitalizados.

Devem ter a papelada nos arquivos.

Achas que pode ser importante? Depois de 35 anos?

Não sei.

Mas gostava de descobrir.

Com autorização e um carro.

Acho que ainda temos o do Bartnicki.

Peço à Zuzanna.

Sim, Jóźwiak?

A Natalia Rybińska é a irmã mais velha dele.

Mando mensagem com a informação.

ESTÚDIO FOTOGRÁFICO RYBIŃSKI ABERTO

FECHADO

- Ele foi mesmo assassinado? - É a opinião da patologista.

Ele mal deixava entrar pessoas em casa.

Nem eu o visitava.

Tinha inimigos?

Se uma pessoa não tem amigos,

também não vai ter inimigos.

Ele não interagia muito com as pessoas.

Isso era por opção?

Se é que um menino de 10 anos escolhe tal coisa.

Mas porquê? Não estou a perceber.

Tinha 10 anos quando a mãe começou a morrer.

A partir daí distanciou-se.

A agonia dela durou quase dois anos.

Ele teve tempo para se distanciar.

E assim ficou.

- Era gay? - Não.

Teve muitas mulheres na vida.

Todas o deixaram,

e sofria muito com cada rejeição.

Deixaram-no porquê?

Era ganancioso.

Como o pai.

Fez outras coisas além de informática?

Tudo o que não tivesse que ver com fotografia.

Porquê?

Esta empresa pertence à nossa família há três gerações.

Era natural que o Robert passasse a ser o dono,

mas começou logo a escrever programas e a ganhar dinheiro.

E com isso libertou-se do nosso pai. E de mim.

- Posso tocar nele? - Claro que sim.

Porque nunca o visitou?

Ele nunca me pediu.

Achava que o tinha traído.

Estive do lado do pai que nunca jogou futebol com ele,

que não lhe ensinou a andar de bicicleta, nem fez viagens com ele.

Vivia dentro da câmara escura.

Graças a Deus, foi ao funeral dele.

Teria alguma coisa valiosa?

Alguma coisa que pudesse ser roubada?

Acho que não.

Era um abnegado. Não acumulava coisas.

Gastava dinheiro em quê?

Não sei. Talvez no jardim.

Quando a nossa mãe estava a morrer, ele mudou-se para casa da nossa tia.

Tinha um terreno perto de Varsóvia. Levava-o para lá.

Quando morreu, soube-se que lhe deixara o terreno no testamento.

Sei que ele importou umas mudas do estrangeiro.

Procuro um motivo.

Conhecia assim tão mal o seu irmão?

Eu tinha 15 anos quando a nossa mãe morreu.

O pai tinha 66 anos, alguém tinha de substitui-la.

Tive uma semana para crescer.

Olá.

Sala 1.

Agente Rudnik, dos Homicídios de Varsóvia.

Procuro o comissário.

O gabinete do comissário fica no andar de cima.

Submeta uma carta de justificação e espere.

Quanto tempo?

O comissário é um homem ocupado.

Eu também.

Mas não é comissária.

ARQUIVOS

Porque se interessa pelo caso?

Tenho o corpo da irmã mais velha.

Homicídio?

Não há indícios disso,

mas há coisas que não batem certo.

É ambiciosa.

Não tenho alternativa. A minha equipa é ambiciosa.

Deve estar...

... aqui.

Não tem muita informação.

Os pais denunciaram o desaparecimento.

Tem a transcrição do interrogatório da Edyta Rosolak.

Há também uma declaração de uma testemunha, mas nada mais.

A investigação esteve a cargo do subinspetor Zenon Michalak.

Conhece-lo?

Ora! Ainda nem tinha nascido.

Você também não.

Espere lá. Tem uma nota.

Foi afastado da investigação devido ao seu estado de saúde,

mas o caso continuou com o Walendziak,

que o encerrou três meses depois.

Quem é esse Walendziak?

É o pai do Walendziak que você acabou de conhecer.

Morreu de cancro há dois anos.

Encontra-me informações sobre esse Michalak?

Posso tentar.

Levei as chaves USB ao Radomski.

Não trouxeste a irmã?

Ela nunca aqui esteve. A infância deles foi complicada.

Só as famílias deste piso se lembravam dele.

Não chamava muito a atenção.

Não tinha contas no Facebook, no Instagram, no TikTok.

É estranho, dado a profissão.

Talvez seja por isso.

Encontrei umas chaves, mas não abrem as portas do apartamento.

Usava um calendário tradicional.

Escreveu isto há um mês:

"A Patrycja Parvulesco está morta."

É um apelido romeno?

Parece. Aparece mais vezes?

Não, só esta.

Nas últimas duas semanas,

contactou um "M" três vezes.

Às 13h, no dia 9, às 20h30, no dia 11,

e às 22h45, no dia 16.

Iam encontrar-se uma quarta vez no dia de ontem, às 00h15,

mas aí sabemos que já estava morto.

É o inspetor Artur Banaś.

Quem é "M"?

Uma mulher cujo nome comece por "M"?

Não se esqueça que ele era diferente.

Um encontro às 00h15 era o tipo de coisa que ele faria.

Assustou-me.

Desculpe estarmos na rua, mas tenho uma reunião daqui a pouco.

Esta é a lista dos clientes com quem ele trabalhou nestes quatro anos.

Só há um cliente particular no ano passado.

Assinalei-a.

Elèzbieta Neumann.

Eu tinha uma nota no computador: "Serviço em casa do cliente."

Não me recordo do assunto. Posso ir?

Qual foi o último projeto dele?

Uma firewall. Fácil de implementar.

A empresa está na lista.

Desculpe, não quero atrasar-me.

Disse que o cliente estava irritado,

mas só foi a casa dele após três dias.

Já tinha acontecido, ele não responder durante três dias,

nem a mensagens ou a e-mails?

No calendário dele, encontrámos notas sobre quatro encontros com um "M".

- O seu nome é Marianna. - Está a brincar?

Não. Já falámos sobre isso.

Às vezes, bastam três dias

para o assassino habituar-se ao que fez

e encontrar maneira de sair impune.

Você encontrou uma boa saída.

Foi ao apartamento dele e ligou-nos a dizer

que encontrou o seu funcionário que falhara o prazo.

Sabe claramente que não o fiz!

E como vou sabê-lo?

- Não queria ir ao apartamento dele. - Porquê?

Você vem comigo. Vamos tirar-lhe as impressões digitais.

Descobri há um mês que o meu marido me traía.

Fui sair, bebi uns copos e liguei-lhe.

Irritava-me ele ser tão distante, não saber nada sobre ele.

Veio no carro antigo dele e levou-me a casa.

Não disse uma palavra.

Está satisfeito?

Baixei a guarda. Mostrei-lhe a minha fragilidade.

Você é patético.

- Banaś. - Eu sei quem é o "M".

Ele ligou-me.

Olá, Natalka, é o Marcel.

Ia encontrar-me com o Robert. O telefone está desligado.

Se falares com ele, pede-lhe para me ligar.

Ou então telefona-me e explica-me o que se passa.

Fica bem.

Marcel Ambroziak. A última vez que o vi foi há 15 anos.

Não tem o meu número, por isso, ligou para aqui.

Fechei e fui para a câmara escura.

Não ouvi o telefone.

Olá.

Escreve isto: Marcel Ambroziak.

690-043-747. Pronto.

Quem é o Marcel Ambroziak?

Os pais dele moravam no mesmo prédio.

Andávamos todos na mesma escola.

Deve ter sido o único amigo do Robert depois de a mãe morrer.

Ele visitava-nos e vinha aqui ao estúdio.

Fazia-me olhinhos.

- Vocês e ele alguma vez... - Por favor, inspetor.

Tinha a idade do meu irmão.

Estava grávida de seis meses quando o vi a última vez.

Por isso, nunca imaginei que o "M" fosse o Marcel.

O seu irmão...

... escreveu no calendário, numa data específica:

"A Patrycja Parvulesco está morta."

Eu não daria muita importância a essas notas.

Ele saiu muito antes da reforma,

mas não sei em que circunstâncias.

No entanto, sabemos que ainda está vivo.

Boa tarde.

Sargento Sebastian Gwizdala.

Desculpe lá isto.

Não podia saber.

Temo que isto não dê em nada.

Vai ser um caso difícil.

Ainda assim, agradeço-lhe a sua ajuda.

Neste últimos três dias,

o Marcel Ambroziak ligou-lhe de hora a hora.

Nasceu em 1992, em Varsóvia.

É dono de uma agência imobiliária. Não tem registo criminal.

Se tivesse envolvido na morte,

não deixaria mensagens no correio de voz.

Já investiguei a vossa Parvulesco. Não aparece nas Pessoas Desaparecidas.

E não aparece nos registos de óbitos. Boa sorte.

Isto começa a cheirar-me a esquema.

Encontrei uma coisa interessante numa das chaves USB. Vejam lá.

Não estou a perceber.

Também demorei um bocado a perceber isto.

É um software bastante avançado para gerir subornos.

Podes desenvolver?

Caso envolva extorsão, prostitutas, drogas, dívidas,

fraudes bancárias, e outras coisas,

é necessário um muito bom programa para que nada disto se baralhe.

Este programa está muito bem feito.

Parece-me ter sido adaptado a necessidades muito específicas.

- Para o Marcel Ambroziak. - Encaixa.

O Robert assumiu o projeto, fez o trabalho,

mas não o entregou porque morreu.

Por isso, o Ambroziak contactou a irmã.

Achas normal que alguém como o Robert Socha

não tivesse contas no Instagram, no Facebook, ou no X?

Sim. Eu não tenho. E vocês?

Para quê?

Podes investigar isto?

Quem é a Patrycja Parvulesco?

É isso que eu preciso de saber.

Como lhe corre a reforma, inspetor?

Está genuinamente interessada?

Não. Pergunto por cortesia.

Então, pare, doutora, porque fá-lo muito mal.

Tenho uma neta.

Acho que não fui um bom pai,

por isso, tento ser bom avô.

Ela nunca recusa quando a convido para ir ao teatro ou ao cinema.

Dá-me ânimo.

Não está prestes a ser avó?

De todo.

O meu filho tem 33 anos e ainda se acha um Peter Pan.

E ainda bem, porque eu seria uma péssima avó,

que não ligaria nada aos netos

e não teria tempo para eles.

Mas vai reformar-se agora.

Não, nunca.

Ficarei naquela mesa de autópsias até cair de joelhos.

A verdade é esta, inspetor, se me escorregar o bisturi da mão,

o Sr. Gabriel só precisa de levar mais uns pontos.

Prefiro cortar corpos a cortar cenouras.

E para mais, sou uma cozinheira horrível.

Cortar cenouras é a segunda coisa que me dá ânimo.

A sério? Custa-me imaginar.

Vivo sozinho. Preciso de comer. Tenho tempo de sobra.

Cozinhar tornou-se um dever agradável.

Posso convidá-la para jantar?

Aprendi mais sobre vinhos e sei onde vendem barato.

Sim.

Estou em choque. Depois de me recompor, vou ponderar.

Entretanto, obrigada pelo café.

Sim, sou eu.

Tranquila, novata.

Obrigada por ter vindo, inspetor.

Descobri que estudaram juntos em Szczytno.

E ele, como está?

Primeiro, atirou garrafas vazias, depois apontou-nos a arma.

Mas não disparou.

No final de 1988, início de 1989,

três meninas de uma escola primária desapareceram em Gluchów.

A filha do Michalak foi uma delas.

A polícia local investigou, e claro que o Michalak foi afastado.

Os colegas resolveram-no logo.

Encontraram o autor, que confessou tudo, houve julgamento e foi condenado.

Não sei se foi prisão perpétua. Não havia pena de morte.

Um ano depois, enforcou-se na cela.

O Michalak nunca mais foi o mesmo.

O casamento dele não sobreviveu.

Bom, o que descobriste sobre a Matylda Rosolak?

Fotografei os conteúdos da pasta no arquivo e imprimi-as.

Pode ver, se quiser.

E encontrei estas fotos no apartamento da vítima.

- É a irmã mais velha dela. - E mais alguma pista?

Nenhuma.

Porque raio foste a Gluchów?

Foi ansiedade.

Tiras um velho polícia da reforma para lhe falares da tua ansiedade?

Peço desculpa, inspetor, foi estupidez minha.

A ansiedade é boa.

Mostra que temos intuição.

Por vezes falha, mas muitas vezes não.

Além disso, não me esqueço que salvaste a vida do pai da minha neta.

Vemo-nos de manhã, novata.

Legendas: João Pedro Caetano

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