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Acho que estou a ouvir o pap�.
O pap� vem a�.
Ol�.
- Obrigada. - Ouve,
na pr�xima noite em que o meu pai cozinhar, vais tu buscar.
Por que demoraste tanto?
Os empregados do restaurante de comida r�pida.
Em Montreal, onde estive na semana passada, os empregados eram bilingues.
Aqui, nem falar sabem.
- Talvez o teu pedido fosse confuso. - N�o podia ser mais simples.
Disse ao tipo: "Queria um hamb�rguer, por favor."
Ficou a olhar para mim.
"Um hamb�rguer. Deixe-me fazer-lhe um desenho."
"Hamb�rguer."
"N�o � para comer aqui. Para levar."
"Para levar. Eu ponho uns pezinhos no meu hamb�rguer."
"V�?"
Onde est�o as batatas?
N�o sei desenhar batatas.
Ol�, sou o Ray e vivo em Long Island com a minha mulher, a Debra.
Ela � bestial com os mi�dos, com a casa, com tudo.
N�o sei como ela consegue.
Temos uma filha, a Ally...
e dois rapazes g�meos de dois anos.
O problema n�o s�o os mi�dos.
Os meus pais vivem do outro lado da rua.
Isso mesmo.
E o meu irm�o vive com eles.
Nem todas as fam�lias desfilariam numa correia transportadora,
mas a minha f�-lo, porque...
Toda a gente adora o Raymond.
Pois.
Ol�, bom dia.
- Bom dia, pai. - Bom dia.
O que � o pequeno-almo�o?
- Que tal panquecas? - �ptimo.
Preciso de ovos, manteiga, leite, xarope e panquecas.
J� que vais sair, podes ir ao banco, � loja de ferragens e � lavandaria?
Como apenas cereais.
Que fazes todo o dia enquanto eu trabalho?
Recebo homens.
Anda, Ally.
�ptimas novidades, Ray. Entraste.
Entrei para qu�, e isso passa?
Todos os homens t�m certos momentos da vida...
que definem quem ele �, no grande c�rculo da... vida.
Esta noite, tu e eu vamos ter um desses momentos.
N�o o deixo despir-me e erguer-me � lua, pai.
Outra vez, n�o.
P�quer comigo e os rapazes.
N�o, por favor. Por que n�o pede ao Robert?
O teu irm�o � pol�cia.
� muito sens�vel a esta coisa do jogo.
E se ele nos prender?
Ia gostar da pris�o. Faz-se bricolage.
N�o percebo. Est�s a dizer que n�o? Ao teu pai?
N�o estou a dizer que n�o. N�o quero ir.
N�o queres ir?
Depois de me perseguires durante anos no liceu para jogares?
Quando � que o persegui para jogar �s cartas com os seus amigos?
Est� bem, n�s n�o fal�vamos muito durante os anos de liceu.
Eu n�o te dei muita aten��o. Desculpa.
Seja como for, temos quatro tipos, precisamos de um quinto.
O qu�? N�o, detesto aqueles tipos. Gozavam sempre comigo.
N�o o far�o mais. A tua cabe�a j� tem um tamanho normal.
Anda. Faz isto pelo teu velhote.
- Tem mesmo de ser? - Isso mesmo.
�s 22:00 no Nemo's. � uma loucura. Melhor do que Las Vegas.
Comida, divers�o, jogos emocionantes.
O novato leva o rem�dio para a azia.
- Nemo, o que cozinhaste hoje? - Alm�ndegas de lasanha.
- Queres dizer lasanha e alm�ndegas? - N�o. Alm�ndegas de lasanha.
Tinha de limpar o frigor�fico.
O inspector sanit�rio?
Queres que fale com ele?
Como falaste com o juiz no julgamento do teu div�rcio, Garvin?
Sa�-me bem no acordo.
Est�s a viver no ACM.
A� est� ele! O meu rapaz!
- Aqui estou. - Ol�, Ray!
� s� isto? Est� c� toda a gente?
Frank, este palerma diz que s� apanharia dinheiro de um urinol...
se fosse mais de $1.
Alguns de n�s t�m princ�pios.
Alguns de n�s t�m 87 c�ntimos.
Ent�o, Ray, sentes-te vencedor?
Nem por isso.
Senta-te aqui. Junto ao meu ouvido bom.
- Este � s� zumbidos. - O qu�?
V� l�. Foi assim que come�ou o v�rus �bola.
Paguem, sete cartas. Nada de espreitar.
Isto n�o � bestial?
O meu filho e os meus amigos a conviverem num jogo de homens.
Nada de espreitar.
Ray, ainda escreves sobre desporto?
Sim.
Conta-lhes dos pr�mios que ganhaste este ano.
Pronto, vamos jogar.
Pr�mios? Ena. Quem teria imaginado?
- O qu�? - N�o � nada pessoal,
mas tinhas a maior cabe�a que j� vi num mi�do.
- Era enorme. - Esquisita.
Costum�vamos receber chamadas do circo.
V�o jogar �s cartas ou gozar comigo toda a noite?
N�o te preocupes, temos tempo de sobra para as duas coisas.
Senhora e senhores, os Perdigotos.
Aposto que isto � t�o grande como a minha cabe�a.
- Que est� a fazer, pai? - A empilhar as tuas fichas.
Empilhe as suas fichas. As tr�s.
Est�s a fazer bluff, Raymond. Pago para ver.
Para ver? � melhor ir ver um m�dico.
Full house. Rainhas e oitos.
Desculpem, rapazes. Estou em grande.
Ray, n�o � suposto ganhares o dinheiro todo.
Sim, talvez tenha uma vantagem injusta.
Toda a noite pude ver...
os reflexos das vossas cartas nas vossas carecas brilhantes.
Tem um pouco de respeito.
N�o te preocupes. O mi�do n�o ganha mais.
� altura de um jogo de homens.
P�quer de cinco cartas. Sem segundas escolhas.
S� se jogam as cinco cartas recebidas.
Sim, eu percebi, pai.
Algu�m tem um anti�cido ou bicarbonato de s�dio?
- N�o. - Eu n�o.
Nesse caso, desisto.
Eu come�o.
Tem calma.
Porqu�? N�o diz aos seus amigos para terem calma.
N�o s�o meus filhos.
Bem, eu aqui tamb�m n�o sou seu filho, pai... Frank.
Somos iguais. Sei o que estou a fazer.
- Desisto. - Desisto.
Est�s a exibir-te?
Isto � como quando eras mi�do e enfiavas bolinhos de cacau pelo nariz.
Aumento $50.
Nessa altura, eu tinha seis anos.
E eles cheiravam bem.
Cubro os seus $50 e aumento mais $50.
Eu disse-te: "N�o enfies os bolinhos no nariz."
E o que fizeste? Enfiaste 25 pelo nariz acima.
Tivemos de ir para o hospital.
Cubro-te...
e aumento.
� a sua oportunidade de recuperar...
todo o dinheiro que gastou no hospital nessa noite.
Raios partam!
Ol�, querida.
Que se passa? Por que chegaste t�o tarde?
Porque ganhei muito dinheiro.
Isso � bom.
Depois, perdi algum.
Quanto?
Dorme.
- Ent�o, quanto? - N�o o suficiente para perder o sono.
- V� l�, diz-me. - Dorme.
Pronto, n�o durmas, mas amanh� vais estar rabugenta.
Perdeste mais de $50?
Sim.
- N�o perdeste $100, pois n�o? - N�o.
Centenas.
Quantas centenas?
O qu�?
- Quantas centenas? - Vinte e tr�s.
Para o meu pai.
Perdeste $2.300 para o teu pai?
Acalma-te, vamos recuperar o dinheiro.
- Quando? - Quando ele morrer.
Nem acredito que perdeste tanto dinheiro.
A culpa � do meu pai.
Ele estava sempre a dizer-me para desistir, como se fosse um mi�do.
E provaste-lhe que n�o, perdendo todo o teu dinheiro?
Isso mesmo. Sou dono de mim.
Caso n�o tenhas notado, temos de pagar a universidade a tr�s filhos.
Talvez tenhamos sorte e eles n�o tenham capacidade para entrar.
Julguei que est�vamos a poupar para comprarmos uma casa maior,
para podermos deixar este bairro.
Achas que eu queria perder tanto dinheiro?
Sei que foi errado,
mas tens de saber que foi por uma boa raz�o.
Tinhas uma boa raz�o?
� como quando o meu pai me dizia para n�o enfiar os bolinhos no nariz.
Essa hist�ria outra vez, n�o.
D� vontade de fazer logo o qu�? De enfiar os bolinhos no nariz.
E, agora, est�s maluquinho.
� a mesma coisa que h� 30 anos.
Ele estava sempre a dizer-me para parar de apostar...
- J� percebi. - Ainda bem.
Sinto-me melhor. Vamos esquecer isto e vamos dormir.
Esquecemos assim os $2.300?
Pronto, queres arrastar a conversa.
Ainda bem que os perdeste para o teu pai.
Porqu�?
Porque podes l� ir e pedir-lhos de volta.
- N�o posso fazer isso. - Porqu�?
N�o sou uma crian�a!
N�o, �s um adulto maduro que perdeu $2.300...
porque o pap� lhe disse para n�o o fazer.
Est� bem, sou uma crian�a.
Mas se voltar l� e pedir o dinheiro de volta, serei um beb�.
N�o quero ser um beb�.
N�o me empurres.
Frank, d�-lho.
N�o vou devolver o cheque ao Ray. Ganhei-o justamente.
Se n�o deres o dinheiro ao Ray, n�o �s o homem com quem casei.
Ganhei outra vez.
- N�o posso aceitar o dinheiro, m�e. - Podes, sim.
Frank, por favor.
Esquece, quero ensinar-lhe uma li��o.
N�o te metas nisto.
Quem brinca com o fogo, queima-se.
E, mais importante,
obrigado, volta sempre.
N�o acredito no que ou�o.
�s capaz de tirar dinheiro � carne da tua carne?
Ele precisa de alimentar a fam�lia dele.
Estamos bem, m�e.
V� como eles vivem aqui, Frank.
As car�ncias.
- Que se passa aqui? - Nada. Que fazes aqui?
Sou pol�cia. Chego a casa �s 3:00.
Nem m�e, nem pai, nem sandu�che. Comecei a preocupar-me.
Robbie, isto � muito mau. Nunca estive t�o enervada na minha vida.
N�o lhe contes. Ele � pol�cia.
- Contar-me o qu�? - Nada.
O Ray e o Frank jogaram p�quer esta noite
e o Ray perdeu $2.300 para o teu pai.
Por que n�o lhe contas que choro durante o sexo?
Jogaram a dinheiro?
Infringiram a lei?
Jog�mos. Ningu�m se magoou.
Percebo. N�o � ilegal se ningu�m se magoar?
Interessante.
- Robert, queres gelado? - N�o posso ficar.
Tenho de ir dizer aos passadores, ladr�es e �s senhoras da vida,
que n�o � ilegal se ningu�m se magoar.
Mio famiglia.
- Ol�, querida. - Ol�, av�.
- Que est�s a fazer? - Estamos a p�r a cobertura nos bolos.
Que bom. Cobertura de lata.
� muito mais f�cil do que a caseira.
Em que posso ajud�-la, Marie?
Querida, queres ir lavar a cara para a av�?
Linda menina. Obrigada.
Isto � para ti.
Mas julguei que o Frank...
N�o, ele n�o sabe de nada. Este dinheiro � meu.
Tem dinheiro seu?
O meu pai era muito s�bio.
No dia do meu casamento, pegou em mim, deu-me $200 e disse:
"Toma, isto � para ti, se alguma vez ganhares ju�zo e deixares o Frank."
Ena.
O meu pai s� me deu $50.
H� 45 anos que lhe vou juntando mais, pouco a pouco.
Quem sabe quanto tempo o meu casamento durar�, n�o �?
O dinheiro � liberdade.
De que tamanho � a sua liberdade?
$46.000.
O qu�?
Sim. Agora, � o nosso segredo.
Ol�.
- Ol�, m�e. - Ol�, querido.
- Como est�o? - Bem.
Debra, devolve o dinheiro � minha m�e.
Como � que soubeste?
M�e, olhem para voc�s. Qual foi a �ltima vez que riram juntas?
Exacto. Agora, devolve-lhe o dinheiro.
- Ray, por favor. - N�o, saia daqui.
V�. N�o queira que lhe d� uma mangueirada.
Obrigado.
De nada, seu teimoso.
Ias aceitar esse dinheiro, n�o ias?
Se n�o fosses tu e o teu est�pido orgulho, a tentar superar o teu pai,
nunca terias perdido o dinheiro, para come�ar.
Errado. Sou p�ssimo no p�quer, teria perdido de qualquer forma.
� para veres o que sabes.
- N�o me falas? - N�o.
Continuo a ganhar.
Ol�, Ray.
Vejam o que achei no mealheiro da Ally.
$2.300.
N�o � poupada?
V� l�, m�e.
Digo-lhe, n�o foi f�cil arrancar-lho das m�os.
- O que fizeste? - Dei-lhe $2.300.
N�o vamos aceitar o dinheiro dele.
- Onde arranjaste $2.300? - N�o interessa.
N�o os quero, m�e.
N�o se mexam.
- Robbie, n�o devias estar no trabalho? - Estou a trabalhar.
Ouvi tudo. Isto pode ficar feio. M�e, vou pedir-lhe que saia.
- Est�s a dizer-me para sair da minha... - Agora!
Por favor.
V� o que fizeste aos meus filhos.
Muito bem. Sentem-se.
J�, os dois. V� l�.
Aqui.
- Querem um caf�? - Sim.
Vamos ver como isto corre.
Vamos esclarecer uma coisa.
Ambos violaram a lei.
A lei que eu jurei fazer cumprir.
Esse facto s� pode ser alterado se nenhum dinheiro tiver mudado de m�os...
na noite em quest�o, no tal Nemo's, Pizzaria...
e Especialidades Caseiras.
- Isto � entre mim e o pai. - Exacto. Est� tudo bem.
Est� tudo bem?
Julga que n�o sei que � a ponta do icebergue?
Vai meter-se em sarilhos, pai.
E quando isso acontecer, vai levar consigo...
o Eddie, o Stan e aquele Garvin divorciado.
Tu n�o vais fazer nada.
N�o vou fazer nada?
Queres p�r-me � prova? Anda!
Ouve, mi�do,
eu percebo o que est�s a passar.
N�o � culpa tua teres-te metido com um mau elemento.
Que est�s a fazer?
De pol�cia bom e pol�cia mau.
S� que demora mais tempo, porque sou s� um.
Sei por que est�s a fazer isto.
- � porque n�o te convidei para jogares. - N�o.
O meu estatuto de segunda nesta fam�lia...
n�o influencia as minhas responsabilidades profissionais.
- H� outro jogo para a semana. - Tarde demais!
Basta. Vou-me embora. Pela �ltima vez, n�o aceito o dinheiro.
Perdi-o, � tudo. J� sou crescidinho.
Se aceitar o dinheiro, que mensagem passo aos meus filhos?
Que, aconte�a o que acontecer,
podemos ir ter com o nosso pai e ele resolve tudo?
Tens raz�o.
Tenho raz�o em qu�?
Devias poder ir ter com o teu pai...
e ele devia poder resolver tudo.
Toma. S� um bom pai, cabe�udo.
Obrigado, pai.
Que se passa contigo?
Estou feliz por ter corrido tudo bem.
N�o queria ter de algem�-los.
Tamb�m fico feliz.
E podia ter resultado muito bem.
Esse dinheiro ainda � meu.
Querias jogar �s cartas, estamos a jogar.
O que tens?
Um par de cincos.
Um full house. Valetes e oitos.
Muito bem, meu jogador, podes tirar.
Tenho frio.
Legendas Ripadas por: Skywriter
Correc��es e Revis�o: fr3aky
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