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Original subtitles

Obrigado. Falaremos em breve.

O que descobriste?

Encontrámo-la.

Como já passou um dia, decidi consultar os ficheiros das Pessoas Desaparecidas.

Não há fotografia, mas consta um nome, apelido, grupo etário,

e que conduz um Peugeot cinzento, com matrícula francesa.

Quem a procura?

Um homem chamado "Jan Krüger".

Afirmou ser patrão dela. Vem falar connosco.

Bom trabalho, Jóźwiak.

Também investiguei o soldado, o Jakub Stańczak.

O Dizel…

Este encontro não foi acidental.

O Stańczak esteve no Iraque, mas não sofreu ferimentos.

A versão oficial diz que saiu há um ano, por iniciativa própria.

A razão não é conhecida.

E tem uma irmã mais velha,

a Luiza Stańczak, capitã nos serviços secretos.

Também saiu, mas há dois anos, e também por razões desconhecidas.

Como conseguiste? O Exército não gosta de nós.

Lembras-te do procurador militar,

e do caso do oficial que matou o irmão?

Esse procurador ainda não se reformou.

Está preocupado com o Andrzej.

Jóźwiak.

THE COP. A NEW CHAPTER

EPISÓDIO 2

Fugia de uma patrulha de trânsito.

E o camionista?

Tem uns hematomas.

Estava protegido neste tanque, mas vai precisar de um psicólogo.

Está devastado.

Disse-me logo que o tipo não tentou travar nem escapar à colisão.

Olá, doutora.

Olá.

Novata, é ela?

Acho que sim.

Vim porque me disseram que havia um corpo na bagageira.

O impacto podia ter-lhe partido as vértebras cervicais

ou rachado a base do crânio.

Porém, dei uma olhadela rápida

e estou certa de que já estava morta quando a puseram aqui.

Depois da autópsia, digo-lhe.

É ela.

- Tem a certeza? - Tenho.

Além disso, é o carro dela.

E o sapato, é?

É provável. Usa saltos altos todos os dias.

Está bem. Pode repetir o nome e apelido dela?

Klara Rosicka.

- Como a conheceu? - Sou o patrão dela.

Tenho uma agência focada em publicidade,

promoção e marketing político.

Fazemos parte de uma rede de agências que atuam globalmente.

Bem, globalmente, não.

Mas na Europa, nos EUA e no Canadá.

Em que circunstâncias a contratou?

Conhecemo-nos numa exposição.

Foi-me apresentada e recomendada.

- Por quem? - Pelo Kazimierz Kosmowski.

O Kosma Kosmowski?

Sim.

As pessoas chamavam-lhe Cosma, com "C".

Nos anos 80, brilhou no Olympique de Marselha.

Foi o melhor marcador umas quatro vezes.

É um empresário internacional há mais de 30 anos,

e um colecionador de arte conhecido que apoia jovens artistas.

Se ele recomenda alguém, só um totó não dá ouvidos.

O que sabe sobre ela?

Viveu uns anos em Paris, estudou na Sorbonne,

relações sociais e ciências políticas.

Fala duas línguas.

Sabe lidar muito bem com as pessoas,

é flexível, criativa e bonita.

Que mais se pode pedir?

Quando começou a trabalhar para si?

Há cerca de três anos.

Promovi-a há pouco tempo.

É, praticamente, a minha assistente principal.

Fiquei preocupado quando não veio trabalhar ontem.

É extremamente responsável. O telemóvel estava desligado.

Fui a casa dela durante o dia,

mas ninguém respondeu.

O telemóvel continuava desligado.

Marido, filhos?

Não.

Porém, julgo que namora com alguém. Pelo menos, acho que namora.

Porquê?

Organizo eventos sociais entre empresas, a que vamos com os nossos parceiros,

mas ela nunca participa.

Não socializa depois do trabalho.

É sempre a primeira a sair.

Acho que está com alguém que não quer apresentar-nos.

Não me interesso pela vida privada dos empregados,

desde que não afete o desempenho.

Estou casado há quase 30 anos

e temos dois filhos adultos.

Garanto que terá todos os documentos.

Esperamos o mesmo de vocês.

Sim.

Também precisamos de tê-lo por escrito.

Sim. Muito obrigada.

Então? Podes traduzir?

Não estudou na Sorbonne.

O Sr. Krüger é um idiota, se não tiver confirmado.

Está tudo online, basta registar-se.

Foi identificada duas vezes pela polícia francesa

por suspeita de prostituição e lenocínio.

O último registo é de há três anos.

A polícia invadiu uma orgia, numa mansão perto de Nice.

Estavam lá raparigas polacas,

o Vincent Tavarez, o "Cosma" Kosmowski e o Daniel Blanc,

o socialista derrotado nas presidenciais francesas.

Lenocínio é um crime grave,

talvez até sem extradição,

mas justifica uma fuga para o país natal.

Deve ser por isso que temos este Tavarez… Acertei?

Sim, o Vincent Tavarez.

Ele deu-lhe um dos seus carros

para ela não ser apanhada no aeroporto.

E o Kosmowski, pelos serviços prestados,

arranjou-lhe alojamento e um bom trabalho.

Bom trabalho, novata. Estamos a chegar lá.

Admira-me esse teu otimismo,

porque parece-me que ainda andamos às escuras.

Completamente.

Vira-te, novata.

Gastou muito dinheiro em roupa, sapatos,

roupa interior e cosméticos.

Também esbanjou em bijuteria.

Obviamente.

Se dormia com um candidato à presidência de França,

tinha de estar apresentável.

Mas ele não a matou aqui.

Ainda não sabemos como morreu.

Seria complicado levar o corpo desde o segundo andar,

pelas escadas,

e em plena luz do dia.

Talvez o tenha feito de noite.

E manteve-a na bagageira até ao meio-dia,

para se cruzar com a polícia de trânsito?

Tens razão.

Isto tem de ser preservado. Vamos chamar a equipa.

Espero que haja ADN dela por aqui.

No WC há várias escovas e pentes.

Recebemos o relatório de balística.

Uma Jericho, não registada.

Mas atenção que o Mateusz Romańczyk levou um tiro com esta há um ano.

Lembras-te?

Nem por isso.

Era um passador de droga.

O processo passou logo para os serviços secretos,

mas não me lembro se chegaram a identificar o atirador.

Levamos só os instrumentos. Limpem o resto.

Lixámos o resto.

Como podíamos saber que a cabra ia reagir assim?

Não o previste! Disse-te para abrandares!

Estava tudo controlado! Ninguém suspeitava de nada!

E agora aparece aquele filho da mãe!

Tu é que lixaste tudo!

Mexe-te! Não temos tempo para isto!

A palavra-passe não era complicada.

Olha a mensagem que recebeu ontem à noite.

O mesmo número voltou a ligar-lhe meia hora depois e hoje de manhã.

O número é de uma rede que opera na Bielorrússia,

portanto, as minhas condolências.

Bom dia.

Depressa, não tenho tempo.

Um relatório balístico?

Não, nessa parte, no fim.

Não diz "provavelmente" nem "talvez".

O parecer é claro:

o Gajewski foi atingido três vezes com a mesma arma,

anteontem à noite.

Quem é ela?

A agente Rudnik. Tens algum problema com mulheres?

Já suspeitávamos que alguém protegia o Romańczyk,

mas correu mal, porque telefonou-nos a dizer que queria um acordo.

Prepararam um encontro. Foi ele que escolheu o local.

Seis horas antes do encontro, já estava morto.

É, por isso, que ficámos com o caso.

E o atirador?

Em teoria, o caso continua aberto,

mas sem urgência.

Passados quatro meses, o Karol Zaremba deixou o cargo,

por iniciativa própria.

Não posso dizer-te mais.

Eu lembro-me do Zaremba.

Porque razão?

Tinha falta de dinheiro. Gostava de jogar.

Aparentemente, alguém reparou na sua pistola,

e reparou que era uma Jericho.

Onde anda? Faz o quê?

Pelo que sei, saiu do país.

Tinha uma namorada bielorrussa.

Ela geria um salão de massagens tailandesas, em Grochów.

Está fechado há muito tempo.

E não há urgência?

O Romańczyk era um canalha de primeira.

A humanidade respirou de alívio,

e qualquer um pode sofrer uma queda.

O Dizel poderia estar ligado ao Zaremba?

Não vais tocar no Dizel.

- Foi só uma pergunta. - E estou a responder.

Não tocas no Dizel.

Agora percebes o que o Banaś disse.

- Compreendo, inspetor. - Ótimo.

Agora já sabes como funcionam as coisas.

Quem quer primeiro?

Ela.

Entre 25 a 35 anos,

com 177 cm, 49 kg, estrutura corporal dentro da norma,

nenhuma alteração patológica visível,

dentes bem conservados, sem cáries.

Não deu à luz e usava um dispositivo intrauterino.

Não teve relações sexuais

nem comeu antes de morrer.

Morreu há cerca de 24 ou 48 horas.

Causa da morte: perda súbita de oxigénio.

Ou seja…

Asfixia.

Como foi sufocada?

Uma almofada é o mais provável.

Isolei fibras que encontrei no rosto,

não só perto da boca e do nariz,

mas também nas bochechas, na testa e no queixo.

Mandei-as para análise e ficaremos a saber que tecido era.

Estavam presas à epiderme,

o que indica que a vítima estava deitada de costas,

ou tinha a cabeça apoiada.

Uma almofada encaixa bem no rosto.

Um método ancestral.

Ainda estão no apartamento da Rosicka?

Isolem as almofadas.

Todas.

Ela defendeu-se?

Se está a falar de vestígios debaixo das unhas,

não encontrei nada.

Contudo, há descolorações em ambos os antebraços.

No direito, são quase iguais.

Podem ter sido duas pessoas.

Como se vê, a descoloração estende-se dos pulsos

até meio dos antebraços e não mais que isso.

Isto sugere que, se ela estava deitada de costas,

os braços poderiam estar relativamente direitos.

Por isso, não excluo a hipótese

de três pessoas envolvidas no crime:

duas seguravam-na

e a terceira asfixiava-a.

Visto que não encontrei nada debaixo das unhas,

se uma, ou duas pessoas, tivessem participado,

teríamos mais lesões externas na pele,

assumindo que a vítima se defendeu. Com licença.

É o senhor?

Teresa Mrozowska.

Está preparada?

Venha comigo.

Abre.

Reconhece este homem?

Sim. É o meu marido, o Boleslaw Mrozowski.

Obrigado.

Preciso que identifique outro corpo.

Porque o faria?

Esta mulher estava na bagageira do carro do seu marido.

Está preparada?

Sim.

Reconhece esta mulher?

Não, nunca a vi na minha vida.

O que fazia ela o seu marido?

Ele era funcionário público.

De certo modo, eu também sou funcionário público.

Ele era diretor de um departamento

no Ministério da Defesa.

Era secretário de Estado.

Era importante no Ministério?

- Isso interessa? - Interessa tudo.

Trabalhava lado a lado com o ministro.

- E a senhora, o que faz? - Sou advogada.

Agora dou aulas na universidade,

mas já trabalhei num escritório de advogados.

A mulher encontrada na bagageira foi vítima de homicídio.

Há indícios de que mantinham uma relação íntima,

e não podemos descartar que ele a tenha assassinado.

Porém, ainda não temos provas.

Se não fosse o meu filho, morria hoje.

Não suspeitava que o seu marido a traía?

Que andava com alguém?

Nunca suspeitei dele.

Não viu nada de suspeito no comportamento dele?

Quando se vive com alguém que se ama e em quem se confia,

não se nota nada.

Ele trabalhava demasiado e ficava acordado até tarde.

Para uma pessoa desconfiada, tudo seria estranho.

Porém, eu não desconfiava.

O telemóvel é dele?

É o pessoal.

Tinha um de trabalho, mas deixava-o no escritório,

Ainda assim, recebia chamadas no pessoal,

e sobretudo do ministro.

E estas chaves e comandos?

Estas são de nossa casa

e da garagem subterrânea.

E nunca vi a outra.

Não se lembra de mais nada?

Talvez sejam… da casa do primo.

Está a contrato em Filadélfia há mais de um ano.

Pode ter-lhe pedido para tomar conta da casa.

É uma casa grande.

Mas nunca lá fui.

Acha que consegue dar-me a morada?

- Posso tentar. - Envie-ma por SMS.

No telemóvel do seu marido há fotos e uma gravação,

que ele recebeu ontem à noite.

Compreendo se recusar,

mas talvez consiga reconhecer o sítio onde foram filmadas.

- Não sei a palavra-passe. - O telemóvel foi desbloqueado.

É possível que seja a casa, mas ele não a matou.

Pode ter destruído a minha vida, mas estou certa disso.

Nem sabes a pena que sinto dela.

Só a notícia desta traição pode matá-la.

Uma traição quase acabou comigo.

Nem o sargento Jakub Stańczak

nem a irmã, a capitã Luiza Stańczak,

deixaram o Exército de livre vontade.

Foram, digamos, convencidos a fazê-lo.

Saíram separadamente.

Ele da infantaria, ela dos serviços secretos,

em períodos distintos.

No caso dele,

foi pelas suas posições.

O Exército é apolítico e ponto.

O sargento Stańczak publicou nas suas redes sociais

fotografias em farda e opiniões muito vincadas.

Sabemos disso. Verifiquei as contas dele.

Então, ele está esclarecido.

No caso da capitã Luiza Stańczak,

havia cada vez mais dúvidas quanto à sua lealdade.

É um eufemismo, mas nos serviços secretos sabemos o que implica.

Consultei os registos e, talvez por razões familiares,

tudo tenha acabado nessa expulsão.

O pai deles também serviu nos serviços secretos.

Formou-se em Kiejkuty, em meados dos anos 1970.

Morreu com cancro há sete anos.

Penso que o familiar deles, o Lucjan Zachariasz, ainda está vivo.

Também serviu nos serviços secretos.

Não fez a verificação após a queda do comunismo.

Terá cometido abusos.

Reformou-se com a patente de capitão.

E é tudo. O resto terão de descobrir sozinhos.

Agradeço-lhe muito, coronel.

Obrigado, eu.

Mantenham-me informado sobre o estado do inspetor Gajewski.

Sim, coronel.

E que caso foi aquele?

Uma história trágica, cara jovem.

Ao descobrir a verdade, apercebes-te

que teria sido melhor para ti e para todos

se não a tivesses descoberto.

E deixavas as pessoas em paz, porque já estavam condenadas.

Condenadas?

Tinham VIH. Naquela altura, era morte certa.

O Andrzej ficou abalado.

- Não lido bem com estas situações. - Como a maioria.

Mas temos de concluir a identificação.

Tenho de pôr alguém no relatório.

Não conhecemos a família dela. Vamos descobri-la.

Mas isso leva tempo, o que não temos.

Quer que lhe dê algo forte?

É ela.

- Numa frase, por favor. - É a Klara Rosicka.

- Tem a certeza? - Sim.

Quero que identifique mais um corpo.

É mesmo preciso?

É, sim. Estamos a investigar um homicídio.

Está pronto?

- Reconhece este homem? - Não.

Olhe com mais atenção.

Não. Pelo menos, não me lembro da cara.

- Desculpe. - A reação é natural.

Ela não estudou na Sorbonne.

A agente Rudnik confirmou em poucos minutos.

Que faria se eu lhe dissesse que a Klara Rosicka,

o seu braço-direito, era prostituta de luxo e proxeneta,

como consta nos registos da polícia francesa?

Não posso ter-me enganado.

E no entanto…

Responda à minha pergunta.

Tê-la-ia despedido. De imediato.

Como eu pensava.

O ministro da Defesa tem algo que ver com a sua empresa?

O seu partido era nosso cliente.

E a Klara Rosicka?

Supervisionou a campanha.

Acredite, era mesmo muito competente.

Eu acredito.

E o Cosma Kosmowski impôs-lhe a sua prostituta,

que começava a ter problemas em França.

Ainda assim, também teve sexo com ela, não foi?

Não precisa de responder.

Bom, podemos excluir que a Klara Rosicka tenha alvejado o Andrzej?

Não há provas sólidas que a excluam,

mas não vejo por que razão o faria.

Novata?

Mesmo que tivesse alvejado o inspetor e corrido para o carro,

perdendo um sapato pelo caminho,

acho que teria voltado e apanhá-lo.

É extremamente difícil fugir só com um salto alto.

O mais provável é tê-los tirado.

E o teu palpite?

Violência.

Pôs-se a lutar com alguém e perdeu o sapato assim.

E, por isso, não pôde ir buscá-lo.

A doutora Seifert diz que até três indivíduos

podem ter estado envolvidos.

Ela estava na bagageira de um tipo do Ministério da Defesa,

que ela claramente chantageou.

Logo, a segunda pergunta é se foi ele quem a matou.

Porque, se foi, pode ter sido ele a disparar contra o Andrzej.

Certo, mas porque é que o Mrozowski se encontraria com ela junto às lojas,

se tinham um esconderijo onde faziam sexo

e onde ela provavelmente foi morta?

Eu pergunto-me se ela própria não estaria a ser chantageada.

O Jan Krüger disse que teria sido logo despedida.

Acho que ela tinha conquistado muito.

Tinha-se basicamente reabilitado. Tinha muito a perder.

É uma boa hipótese, mas voltemos às lojas.

O Andrzej foi baleado porque viu algo que não devia.

Ou alguém. Ou as duas coisas.

O diretor do departamento encaixa aqui,

mas não acredito que estivesse lá.

O Waldemar Skurski e o Dizel?

Isso implicaria o Cosma Kosmowski ser traficante de droga.

A prostituta de luxo seria a ligação francesa?

Mas não percebo porque é que o Dizel havia de chantagear

um tipo do Ministério da Defesa.

Bom, adiante.

O sargento Jakub Stańczak e a capitã Luiza Stańczak?

Duvido que o Andrzej os conhecesse.

Conhecia o Karol Zaremba devido ao caso.

Não há provas de que ele tenha alvejado o Romańczyk, mas é a mesma arma.

E o rumor de que alguém viu a Jericho dele não veio do nada.

Mas não consigo ligar a Luiza Stańczak ao Zaremba.

Se ele é viciado no jogo…

O Zaremba?

… andará sempre à procura de dinheiro.

Pode haver alguém que saiba disso.

Hoje, fazem-se mais contactos online do que presenciais.

Três renegados.

A rameira francesa, o figurão do Ministério

e o telefone bielorrusso.

Cheira-me a tangas russas.

E vejam só. A Sra. Mrozowska encontrou a morada da casa.

Acha que fica na rua Sëepia, mas não se lembra do número.

Bingo!

Pode ser a cena do crime.

Novata, pede a equipa forense. Têm de preservar isto tudo.

E não toques em nada.

Temos de achar a Luiza Stańczak,

ver onde mora, o que faz, por aí fora.

Eu vigiava o irmão dela.

Se ela estiver ligada a isto,

não estará em sua casa à nossa espera.

Banaś.

Sim. Vou já para aí, doutor.

É só para ambulâncias. Estacione ali.

Indolente e incompetente.

Uma simples apendicectomia corre-lhe mal.

Tem uma clínica privada para encher os bolsos com os doentes

que acabam operados pelos colegas no horário de serviço.

Não tem vocação para isto,

mas é amigo do chefe de enfermaria.

O que aconteceu?

Entrei no hospital e fui direto ao quarto dele.

Estavam lá a filha e o Zduniak.

Ele disse alguma coisa?

Disse que estava preocupado com o doente.

Mas ele só se interessa pelas suas carteiras.

A enfermeira disse que ele veio antes para ler a papelada toda.

Nunca o tinha feito.

- Disse isto a mais alguém? - Não, é o primeiro.

Do ponto de vista formal, o comportamento dele não é estranho,

mas nunca agiu assim, sobretudo com um caso sério.

Sempre fingiu não estar na enfermaria.

Achei que deviam saber.

Está ali a falar com a loira.

- Olá. - Olá.

Aqui há muito tempo?

Umas duas horas.

Tirei o dia. Não conseguia dar a palestra.

E como estás tu?

Bem.

Claro que estás.

Vou buscar a Marta à escola.

És capaz de explicar-me o que aconteceu?

Ela recusou-se a colaborar mais.

Ficou histérica e desistiu de tudo.

E bastou isso para a matarem?

Íamos fazer o quê?

Dei-te dinheiro para a segunda casa.

E ficava lá quanto tempo?

Já não era útil e ia morrer de qualquer forma.

Como argumento final.

Decidi que chegara o momento.

Foste rápida.

Dá vontade de chorar.

Entregámo-la a ti de bandeja.

Achas que é fácil encontrar putas destas?

Basta esbarrar numa e pronto, é?

- Alguém vos viu? - Não.

- Tens a certeza? - Sim.

Então, esperem, até que a situação se acalme.

Sabes que só faço isto

pela memória do teu pai?

Eu sei.

O meu pai foi um oficial,

e tu és um gângster russo.

O teu pai foi um traidor, talvez um mau comunista,

mas eu sou exatamente o que quero ser.

Agora, por exemplo, sou um dissidente bielorrusso

com asilo no teu país.

Mas também posso ser um gângster. Lembra-te disso.

Manténs-te calada e discreta.

E dá graças a Deus por eu ainda não ter perdido a paciência contigo.

HOSPITAL MUNICIPAL

Então?

Vamos supor que a Luiza Stańczak está em casa do irmão.

Acabei de segui-lo até aqui.

Toco à campainha, mostro o distintivo

e invento qualquer coisa.

Não, é melhor não assustá-los.

Se ela estiver envolvida, não deve estar aí.

Tens a novata?

Ficou à espera da equipa,

depois ia recolher documentos para os franceses.

Está bem. Fica aí até achares bem.

Se ele não sair, pisga-te.

Tenho de ir. Vamos falando.

Desculpe, entrei no quarto errado.

Enfermeira?

Enfermeira!

Legendas: João Pedro Caetano

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