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Original subtitles

BLOCO OPERATÓRIO

Tem três lesões balísticas. Paragem respiratória. Hemorragia grave.

A meu ver, o prognóstico é reservado.

Doutor?

Doutor, este doente não vai sobreviver!

Ele já está meio morto.

Quem é você?

Uma cirurgiã, como você. De outro tipo.

Mas ele ainda não é meu, certo?

E não vai ser.

Bisturi.

THE COP. A NEW CHAPTER

EPISÓDIO 1

Obrigado.

Segundo os paramédicos, o estado é grave.

Quem o encontrou?

Joanna Kalicka.

Corre aqui todas as noites e diz que é um bairro calmo.

Questionei-a e mandei-a para casa. Estava assustada.

Foi baleado três vezes.

Encontrámos cápsulas, ou seja, estava com pressa.

E não há uma única câmara.

Ele teria uma arma?

O Andrzej? Duvido.

Guarda-a numa gaveta. Acho que nunca a tirou de lá.

Sabes o que andava a fazer aqui àquela hora?

Não. Falámos ao telefone de manhã.

Perguntou-me sobre domingo à noite.

Queria levar a Marta ao cinema, ao Iluzjon.

Já tinha combinado com a Julia.

Para ver o quê?

O Amarcord do Fellini.

Nunca vi.

Nem eu, mas é um filme da juventude dele.

Acha que a Marta já tem maturidade para ver obras de arte

e quer que ela evolua espiritualmente.

Alguém lhe bateu atrás. Parece recente.

Deve ser. Teria mencionado ao telefone.

O carro é novo, comprou-o há três anos.

Temos de chamar um reboque.

Já chamei.

Bandeja.

Disseram alguma coisa?

Vêm falar comigo quando acabarem.

A Marta está sozinha em casa?

Não, está com a minha mãe. Fica lá a dormir.

Falámos ao telefone esta manhã,

mas não sei o que fez durante o dia.

Jantou connosco.

A que horas foi embora?

Pouco depois das 20h. Não queria perder o jogo às 21h.

Ficou fã da Liga dos Campeões quando se reformou.

Essa informação é valiosa.

Telefona-me assim que souberes, está bem?

E muita força.

HOSPITAL MUNICIPAL

O que está a fazer aqui?

Um hospital é um lugar natural para uma cirurgiã, mesmo que fria.

Como descobriu?

Não sei. Partiu-se um espelho ou sei lá.

Não compreendo.

Seria terrível se conseguíssemos perceber tudo.

Estudei com um médico que está agora de serviço.

Banaś.

Todas as imagens de videovigilância de Wola, desde as 20h.

Mandem logo para o posto do Radomski.

- Olha quem apareceu. - O Jóźwiak ligou-me. Como está ele?

Estão a operá-lo. Desculpa, mas tenho de ir.

Vão ficar fora deste caso. Tu, sobretudo, és muito próximo.

Não te atrevas a fazer isso.

Todos nos lembramos como acabou o tiroteio com o Gajewski, há 17 anos.

Sei o que te chamam nas ruas: o caçador de peles.

Brincadeiras idiotas.

O "caçador de peles" não é brincadeira.

Uma nova agente começa amanhã. Vão treiná-la.

Não, eu e o Jóźwiak tratamos de tudo.

A decisão está tomada.

Então, integramo-la.

A propósito, não sabemos quem o alvejou, portanto, se fosse a ti,

punha pelo menos um homem na porta dele.

Se contasses todos os que lhe querem mal,

criavam um bairro novo em Varsóvia.

Aqui é seguro.

Devíamos queimar aquilo.

Mas ainda temos tempo.

Se o queimarmos, só cria espetáculo.

As pessoas juntam-se e isso só chama a atenção.

- Está feito e pronto. - Não temos alternativa.

Garanto-te que ninguém se mexe por um ex-polícia morto.

Já passava das 20h.

Estava com pressa para ir ver o jogo.

Vai pelo caminho mais curto para casa. Mostra-me o cruzamento.

Então?

Pausa aí.

Ali. Aumenta.

Pronto. Avança para ver aonde vai.

Pronto, seguiu-a.

Achas?

Sim. Voltava à esquerda, se fosse para casa.

Volta atrás.

Podes aumentar para vermos o que ela lhe deu?

Avança.

Agora espera, espera…

Dinheiro.

- É o que parece. - Também acho que é.

Repara que ela nem olha para o que fez ao carro.

Dá para ver os sapatos dela?

O salto alto bate certo.

Dá-me a matrícula.

Não quero alarmar-vos, mas a matrícula é francesa.

Está vivo.

Sofreu uma paragem respiratória. Vamos mantê-lo em coma induzido.

Por agora, está estável.

Não vai passar-se nada nas próximas 24 horas.

Pode ir para casa.

Por sorte, era o meu turno.

Eu sei dos procedimentos,

mas sabes perfeitamente que não é um reformado qualquer.

Podem muito bem pôr um polícia armado à porta.

Paspalhão!

E um analógico?

Veio aqui só porque se conhecem profissionalmente?

Claro que não. Nem nos tratamos pelo nome próprio.

Ele é o "inspetor" e eu sou a "doutora".

Quando duas pessoas inteligentes lidam com cadáveres tantos anos,

fala-se com uma certa intimidade.

Embora uma pessoa normal não lhe chamasse isso.

Obrigado.

Sim, vamos falando.

Vai ficar em coma induzido. Ninguém sabe por quanto tempo.

Achas que alguém destes prédios viu alguma coisa?

Devem ter ouvido os disparos.

Porém, é longe e escuro como a porra.

Vou ligar para a esquadra, para procurarem testemunhas.

- Achas que a conhecia? - Duvido.

Acho que dá para perceber pela filmagem.

Não tentou impedi-la quando ela foi embora.

Pode ter reparado no comportamento dela ou pressentiu alguma coisa.

Talvez a tenha seguido por isso.

Ela viria encontrar-se com alguém?

Achas que ela o matou?

Não, mas encontrámos cápsulas de 9 mm.

Uma mulher de saltos com uma arma na bolsa?

Foi alvejado três vezes.

Se atiras três vezes é para matar, não é para ferir.

Os saltos não impedem uma Glock.

A questão é porquê aqui.

Ela percebeu que ele estava a segui-la?

Ela conhecia este lugar?

E reparaste que não há câmaras.

Ora bem…

Serviço de bicicletas, aberto até às 17h.

Funerária, também aberta até às 17h.

Tarot aberto até às 18h.

O alfaiate fecha às 17h.

Se aquela corredora não gostasse de correr à noite,

o Andrzej estaria morto.

Vamos verificar todas as lojas?

Temos de começar por algum lado.

Talvez as matrículas ajudem.

E encontrávamos o carro e a mulher.

Estou a contar com isso.

Não fico muito tempo.

Queria ver a Marta, caso não esteja a dormir.

Vais apanhar quem magoou o avô?

Claro que vou apanhá-lo, querida.

Quem é ela?

A novata.

Agente Tamara Rudnik, inspetor.

Bem-vinda aos Homicídios, Rudnik.

- Aonde vamos? - Ao hospital.

E não achas que devíamos resolver estas matrículas francesas primeiro?

Matrículas francesas?

Não lhe disseste nada?

Disse assim por alto.

Isso é o que sabemos.

Quero saber quando o médico pensa que o Andrzej vai acordar,

porque com o que temos, esperam-nos umas semanas lixadas.

É uma marca famosa de sapatos, Pierre Rocher.

Um par custa entre 1700 e 2000 zlótis, mas pode ser mais caro.

Ou seja?

Não deixaria tanto dinheiro assim no passeio.

É o sapato daquela mulher.

- E as matrículas são de Paris. - Sabes tudo isto?

O número na barra direita indica a região.

O "75" é de Paris.

- Podes tratar disso? - Claro que sim, inspetor.

Vamos levá-la à fábrica primeiro.

Não é preciso, inspetor.

Só preciso de saber o número do Quai des Orfèvres.

Número quê?

É o que chamam à sede da Polícia Judiciária em Paris.

Bom dia.

Fala a agente Tamara Rudnik, inspetora nos Homicídios

da Polícia Metropolitana de Varsóvia, na Polónia.

Temos aqui imagens de videovigilância de um carro com matrícula de Paris.

É relativo a uma tentativa de homicídio de um polícia.

Pode transferir-me para a pessoa competente?

Sim, dou-lhe o meu código de identificação da Europol.

É claro que estamos com pressa.

Obrigada. Adeus.

- O que disseram? - Já ligam de volta.

Fica à espera.

Estaciona.

Vou ser bastante direto.

O meu prognóstico é que pode cair para os dois lados.

Por isso, não se trata de quando ele acorda,

mas se vai sequer acordar.

Farei de tudo para que isso aconteça.

Porém, duvido que ele vá gostar de saber que sou o seu médico.

Lembra-se bem dele, passados 17 anos.

Também te lembrarias se alguém te tivesse dado uma sova,

não por raptares uma rapariga,

mas porque és um médico que gosta de bater em mulheres.

Ainda temos muito trabalho pela frente.

Nestes casos, digo a mim próprio que sou sortudo, como hoje.

Já tiveste sorte antes?

Não, mas hoje pode ser o dia.

Peço desculpa.

Desculpe. Está à procura de alguém?

A minha amiga, Marzena Klimczak.

Teve um acidente de carro ontem à noite.

Estamos na ala cirúrgica, certo?

Estamos, sim.

Tem a certeza que ela está no nosso hospital?

Eu acho que sim. A mãe dela ligou-me.

Desculpe. Vim agora do aeroporto.

Não estou no país há dez anos. Estou desorientada.

Espere um bocadinho.

Podes ver aí…

- Já ligaram? - Ainda não.

Onde aprendeste esse francês todo?

Numa escola em Paris.

- De que tipo? - Normal, pública.

- Como foste lá parar? - Isso interessa, inspetor?

Obrigado.

Lamento, mas não temos ninguém com esse nome e apelido.

Peço desculpa, posso ter confundido os hospitais.

Podemos ver os dados de pacientes de outras unidades.

Acabo o meu turno daqui a meia hora.

Se esperar, terei todo o gosto em ajudar.

Doutor, não quero desperdiçar o seu tempo.

Vou ligar à mãe dela. Muito obrigada.

Novata, dividimo-nos e vais com o Jóźwiak.

Espera. Deixa-a trabalhar sozinha, se não ficamos aqui até à meia-noite.

Sim? Agente Tamara Rudnik…

Começas deste lado, eu daquele,

e vemo-nos a meio.

Obrigada por me ter ligado.

Sim, estou pronta.

Encontraste a tua amiga?

Enganei-me no hospital.

A operação correu bem. Ela está a dormir.

Vou primeiro para o hotel.

Queria chamar um táxi, mas agora é preciso ter a aplicação.

É, sim. Posso dar-te boleia.

Não quero tomar-lhe mais tempo.

Deve ter a esposa à espera.

Não estou a desperdiçar tempo.

As esposas sabem esperar.

Ninguém é insubstituível.

É polícia, não é verdade?

Polícia Metropolitana de Varsóvia. Como sabia?

A minha credibilidade depende disso.

Ficaria desapontado se eu não soubesse.

Em que posso ajudar?

Gostaria de falar consigo sobre o que aconteceu aqui ontem à noite.

Então, aconteceu alguma coisa.

Sabe alguma coisa?

Nada. Nem estava cá.

Mas há três dias, as minhas cartas disseram-me que algo iria acontecer,

que a morte se aproximava.

O DIABO

A MORTE

Está próxima, não está?

Digamos que sim.

Às vezes, não reconheço esta cidade.

De onde é que vieste?

Do Canadá.

O que fazes por lá? Se não for segredo.

Claro que é segredo.

Mas eu digo-lhe.

Sou uma espiã.

Gosto do teu sentido de humor.

Então? Vais jantar comigo?

O doutor avança depressa.

Um cirurgião tem de ter bons reflexos.

Nunca ouvi tal coisa, mas vou lembrar-me.

Porquê esperar? Vamos almoçar no meu quarto.

E pode contar-me tudo sobre cirurgia.

Tu também és rápida.

É do jet lag.

Disrupção da homeostase.

Sabe isso melhor do que ninguém, doutor.

Secreção hormonal.

Mas que porra?

Tinha medo que o vidro estragasse as fotos.

Já agora, devia lavar o carro.

Mas saíram perfeitas.

A sua esposa vai ficar feliz. Se não ficar, tratamos dela.

Depois, os seus filhos, por aí fora.

Somos monstros, doutor.

Acalma-te. Vai correr tudo bem.

Como num conto de fadas.

Como num conto de fadas.

Pode vir amanhã?

Estou a fechar, e não tenho muito tempo.

Inspetor Banaś, da Polícia Metropolitana de Varsóvia.

Waldemar Skurski. Em que posso ajudar?

Sabe o que aconteceu aqui ontem à noite?

Não faço ideia. Passei o dia fora.

- Quem estava aqui? - Dois colaboradores meus.

Pode dar-me os dados deles?

Claro.

Quer que escreva, ou tira fotografia?

Tiro fotografia.

- Pode dizer-me o que aconteceu? - Alguém andou aos tiros.

Aqui?

Aqui, no passeio.

- Que estranho… - Porquê?

Quem dispararia contra quem aqui?

A Olena, com a loja de costura?

Ou os rapazes das bicicletas?

- A que horas se deu isso? - Pelas 20h.

Os colaboradores não vão ajudá-lo.

Fecharam às 17h e, cinco minutos depois, já teriam desaparecido.

Gostaria de ter os seus dados também.

Com certeza.

Não tem segurança, nem vigilância.

Isso custa dinheiro.

Alugamos o espaço porque é barato,

não porque seja atrativo.

Quem iria assaltar-nos por três caixões?

Mas houve disparos ontem à noite.

Não foi ninguém daqui.

Depois das 20h, fica tudo fechadinho

e nem os porcos podem chafurdar na própria merda.

Inspetor Jóźwiak, da Polícia Metropolitana de Varsóvia.

Posso fazer-lhe umas perguntas?

Olá.

O espaço é seu ou apenas trabalha aqui?

É meu, mas alugo-o.

E qual é o seu nome?

Jakub Stańczak.

Estava aqui ontem à noite às 20h?

Há cinco dias que ando a renovar.

Começo às 8h e trabalho dez horas, no máximo.

Do que se trata?

Foram disparados tiros nesta zona, depois das 20h.

Sabe de alguma coisa?

Nada. Alguém se magoou?

Estamos a investigar.

Que loja vai ser esta?

Artigos de sobrevivência.

Equipamentos e roupa, talvez umas coisas militares.

Percebe do assunto?

Sim e não.

Nunca pensei viver de vendas.

Porquê?

Sou militar. Passei 16 anos no Exército.

Até estive no Iraque.

Bastou um ferimento e…

… despacharam-me em três tempos.

Deram-me uma pensão miserável.

É assim que este país trata os veteranos.

Waldemar… Waldemar Skurski.

Uma agência funerária na rua Wolska.

Adeus.

Alguma coisa?

Um ex-militar, frustrado, mas não passa disso.

A novata?

Há um bar de sanduíches aí na esquina.

Já é tarde. Temos de comer.

Com salmão?

Presunto?

- E para ti? - Queijo de cabra.

Diz lá o que descobriste.

É um carro de uma empresa.

Pertence a uma das empresas de Vincent Tavarez.

Ele tem bastantes. Herdou a maior parte da fortuna.

O falecido pai dele, o Bernard Tavarez,

foi presidente e coproprietário do clube Olympique de Marselha.

E disseram-te isso tudo?

Imagina que alguém te liga de França

a perguntar quem é o Kazimierz Górski.

- Tão importante assim? - É importante.

Antigamente, o Marselha era dos melhores.

Não houve registo de roubo, por isso, talvez esteja a conduzi-lo legalmente.

A droga não entrava por Marselha?

Mais ou menos. Pelo menos, costumava ser.

Bom trabalho.

Atende, Klara.

Sabes que não é assim que funciona.

É uma questão de confiança e de responsabilidade.

E uma promoção, se te dão tanto valor?

Já alcancei o cargo mais alto.

Acima disso é como repartir um bolo.

Então, despede-te, e eu retomo a minha prática.

Não queres isso.

Talvez não. Talvez um bocadinho?

O Bilski liga-me uma vez por mês.

Ontem, perguntou-me o mesmo,

se já estava cansada da universidade.

É espertalhão.

Teria de esperar pelos exames finais,

mas há quem pratique e ensine ao mesmo tempo.

- Atrasei-me. - Olá.

Não faz mal. Chegaste a tempo. Senta-te.

Está tudo bem?

Sim, querida. Sim.

Despede-te, estou a falar a sério.

Já não sabes o que queremos.

Entra!

Não quis pôr alguém na porta dele?

Citou a regulamentação e recusou-se.

- Palerma! - Aí estamos de acordo.

Como está a correr?

Não temos nada, portanto, nada mais a dizer.

- E a novata? - Até agora, correu bem.

Ajudou-nos muito, mesmo que ainda não tenha dado frutos.

O que fazia ela em França?

Tinha cerca de quatro anos quando os pais foram para lá trabalhar.

O pai trabalhava nas obras,

a mãe começou nas limpezas e depois foi assistente hospitalar.

Optaram por ficar mais tempo e matricularam-na na escola.

E voltaram porquê?

Só voltou a Tamara.

Tinha 15 quando os pais morreram.

O provável é que tenha sido um acidente.

Moravam nos subúrbios, num bairro muito degradado.

Os avós da Polónia eram os únicos tutores legais.

Ela confessou que teve dificuldades em adaptar-se.

Repetiu os exames finais,

mas depois enviou candidaturas para a academia de polícia em Szczytno

e passou sem problemas.

Ainda assim, desistiu a meio do terceiro ano.

Porquê?

Sobre isso, não falou.

Teve bons resultados no geral, em aptidão física e tiro.

Completou cinco semestres, por isso, é aspirante.

Primeiro esteve em Grudziadz, depois em Torun.

Herdou um apartamento em Varsóvia

e ofereceu-se para trabalhar nos Homicídios.

Olha quem fala!

Olá, Tamara!

Como está a correr o novo trabalho?

Já deves estar a trabalhar com uma equipa de homens, não é?

E são todos brancos!

São do pior!

Olá, Karim. Estás bom?

Há uma mulher.

E na Polónia, não são assim tão maus.

Mas sim, são todos brancos.

Ouve, se alguém te fizer mal,

o grupo todo vai aí.

Estamos sempre do teu lado. Damos cabo deles.

Olha. Matt, vem dizer olá à Tamara.

Olá! Como vai isso?

Estás a ver? Temos saudades.

Temos vontade de ver-te.

Porra! As saudades que tenho de vocês.

Tu vives no fim do mundo.

Não tem de vir buscar-me, inspetor.

Anda, vamos dar uma volta.

Aonde é que vamos?

Vamos dar uma vista de olhos ao Waldemar Skurski.

Porquê?

Porque não tem uma mácula, mas segundo a repartição de finanças

a agência funerária está à beira da insolvência.

E, ainda assim, emprega duas pessoas.

Ainda é cedo. Podemos apanhá-lo em casa.

Andei a ver as redes sociais do ex-militar, o Jakub Stańczak.

- E? - Parece que não gosta de ucranianos.

A Polónia não devia apoiá-los até pagarem por Volínia.

Não diz, mas deixa subentendido.

É mais direto quanto a minorias sexuais.

Há milhões que pensam como ele,

por isso, não é o único.

Está uma câmara no banco de trás.

Achas que consegues usá-la?

Esta é menos conspícua.

Namoras com alguém?

O inspetor faz muitas perguntas.

Tenho de saber com quem trabalho,

e se tens relações estáveis.

Não consta no teu ficheiro.

A sua vida pessoal é estável, inspetor?

É ele.

Dá-me a câmara.

Usar o bazar foi esperto.

Toma. Fica de olho nele.

Quem é?

Chamam-lhe Dizel.

Estava associado ao grupo do Dragan, mas esse está preso há sete anos,

e o Dizel cresceu e tornou-se independente.

Está metido em quê?

Drogas. Tudo o que se produz por aí.

Se um gajo daqui morre por causa do fentanil,

o Dizel esteve envolvido de certeza.

Sou ingénua. Porque é que ele anda a comprar picles?

Porque a coisa é um pouco mais complicada.

Eu matava esse filho da mãe sem pestanejar,

mas isso não nos compete a nós.

Eu e o Jóźwiak achamos que a Central está a abusar do controlo operacional.

Foi estúpido desligares o telefone ontem.

Não nos deixas alternativa e agora tens um problema sério.

Claro que tratamos de tudo, se quiseres.

Klara?

Legendas: João Pedro Caetano

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