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Original subtitles

No início, não havia nada.

Nada, exceto Deus.

Quanto tempo Deus existiu?

Ninguém é velho o bastante para saber.

O ambiente de Deus não era exatamente populoso.

Era conveniente, pois Deus olhava o nada e não desejava nada.

Deus não se interessava por nada.

Nem ser Deus O animava.

Podemos pensar em Deus como... um tubo.

Sim, um tubo.

Vou explicar o porquê.

As únicas ocupações de Deus eram ingerir, digerir e excretar.

Sua comida celestial apenas O atravessava.

Deus não guardava nada. Como um tubo.

Legendado por Cabine de Projeção

Responsável: Lzito

Os olhos das pessoas têm uma característica incrível.

São espectadores.

Mas ouvidos não são ouvintes.

E narinas não são cheiradoras.

Mas os olhos são espectadores.

Qual a diferença entre olhos que olham e os que não olham?

Essa diferença tem um nome: vida.

Deus não tinha espectadores.

Sua filha é uma plantinha.

Perturbador, não?

Mas os pais de Deus eram otimistas.

Por isso, a condição lhes agradava por enquanto.

Eles já tinham outros dois filhos que eram o mais vivos possível.

Então, não disseram não a uma plantinha pacífica.

E essa era a maior força de Deus: Deus era inabalável.

Os muitos peregrinos que visitavam Deus, cócegas, vulcões...

sinfonias eloquentes...

...não O perturbavam.

Muitos invejariam tal poder.

O poder da tranquilidade.

Ainda assim, todos queriam ouvir o primeiro som de Deus.

Ver seu primeiro gesto. Viver Seu primeiro qualquer coisa.

Mas Deus permanecia fazendo Seu primeiro nada.

E, lentamente, o interesse se esvaiu.

Deus foi quase esquecido completamente.

Dias, semanas, séculos se passaram.

JAPÃO, 13 DE AGOSTO DE 1969 Parem. É aqui.

O que aconteceu naquele dia continua sendo um mistério.

Dizem que coincidência não existe.

Eles querem explicar tudo.

Mesmo assim, uma substância pequena pode fazer a diferença.

Uma partícula de poeira...

...pode mudar tudo.

Muitos anos de vida...

- Posso assoprar agora? - É a minha vez.

- O que está acontecendo? - Estou com medo.

Fiquem calmos. Terremotos são comuns no Japão.

Para debaixo da mesa, crianças.

Deus finalmente tinha um olhar. E um corpo.

O que Ele podia fazer com isso?

Era uma boa notícia?

Meu bebê. Tudo bem?

Bebê?

Quem é "bebê"?

Deus não é um bebê.

Deus imediatamente tomou a palavra para estabelecer os fatos.

Ele se expressou em Sua voz celestial...

Exato, sim.

É um milagre.

Que maravilha, querida.

Não. Não é nada bom.

Seus lábios formam palavras. Os lábios de Deus só fazem som.

O que fazemos agora?

- Já sei. Vou ligar para a mamãe. - O quê? Patrick!

Não importava o esforço de Deus, Ele só podia gritar seu desespero.

Este corpo era Sua jaula.

Ela jogou os brinquedos pela janela de novo.

André, pare.

- Quando ela parar também. - Mãe, ela pega minhas coisas.

Por favor, Juliette.

Estou cansado dessas meninas.

Ohayou gozaimasu.

Arigatou, Kashima-san. A senhora quer entrar?

Desculpe, tem sido difícil ultimamente.

É meu.

Pare com isso, pare de gritar.

Eu não aguento mais. Não pode continuar assim.

Não consigo mais nem ensaiar, e você...

Parece um cônsul encalhado.

- Adivinha quem trouxe isto de volta. - Não brinca.

Sim. Nossa querida proprietária.

Me assustei. Ela estava me esperando atrás da janela.

Ela viu a janela? O que ela deve pensar de nós?

Ela me ofereceu a ajuda de uma mulher

cuja família costumava servir à família dela.

Que vergonha.

Ótima ideia. Ligue para ela.

Pare ou jogo suas coisas pela janela.

- Patrick, pode abrir? - Já vou.

Ohayou, Ni... Mãe?

Pois é. Como estou feliz em vê-lo.

Embora eu ache você esperava esta jovem senhora.

Nishio-san.

- Vovó. - Meus queridos.

- Como vocês estão grandes. - Meu dente está mole.

- Um sorriso estonteante. - Quem é aquela senhora?

Mãe, crianças, esta é Nishio-san.

Ela veio nos ajudar.

Entre. Douzo. Não fique aí fora.

Deixa comigo.

- Vovó, trouxe chocolate? - Sim.

- E quadrinhos? - Claro que sim.

Você não parece muito bem.

Não esperávamos mais você.

Eu tinha que me preparar para este evento.

Veja que terno lindo.

Mas seis meses...

Prazer, sou Danièle. Muito obrigada por sua ajuda.

Sogra?

Olá, querida. Você parece exausta também.

Ali está meu pequeno milagre.

Vou lhe mostrar a casa. Deve ter mudado desde sua infância.

Olhe na cama.

Esperem aqui, crianças. Farei o necessário.

Olá.

Sou sua avó. Feliz em finalmente conhecê-la.

Que coisinha. Sei exatamente do que precisa.

Sempre carrego um agrado.

É chocolate branco da Bélgica. Sua terra natal.

Prove.

E o milagre aconteceu.

- Mamãe, venha ver. - Papai.

O que foi?

Pelo prazer do chocolate branco, eu percebi: Deus era eu.

Esta é minha grande amiga Amélie.

Foi assim que nasci, aos dois anos e meio...

nas montanhas de Kansai,

diante da minha avó, pelo milagre do chocolate branco.

Deveríamos abrir um champanhe?

O prazer era eu.

De agora em diante, eu estaria onde o prazer pudesse ser encontrado.

O prazer fez meu corpo finalmente agir.

O chocolate despertou meus sentidos.

Em poucos dias, compensei o tempo perdido.

Embora eu não os tenha desperdiçado.

Um ser humano de dois anos e meio deve ser capaz de andar.

Andar não é tão difícil: cair para frente,

um pé à frente e recomeçar.

Mas...

Correr...

Correr te liberta.

É o que bandidos e heróis fazem.

E é mais cansativo.

Mas, aos dois anos e meio, alguém deve, especialmente, falar.

O que era aquela fera de pescoço longo?

E qual era o poder maravilhoso que substituía "algo"...

...por "nada"?

Esse era o milagre de um Deus.

O que poderia ser mais divino que essa destruição?

Naquele dia, conheci um irmão.

- Venha, Amélie. Deixe Nishio-san... - "Aspirador".

Quero meu lanche.

Patrick, Amélie disse a primeira palavra.

- Que maravilha. Qual foi? - "Aspirador".

Aspirador?

Que palavra celestial. Muito bem, Amélie.

Tente dizer outra coisa, Amélie. Tente "ma-mãe".

Obviamente, significava muito para eles.

- Mamãe. - Muito bem, Amélie.

- Sou eu, sua mamãe. - Minha vez.

"Pa-pai".

- Papai. - Exato, ótimo. Papai.

Que resposta estranha.

Como se eu tivesse que nomeá-los para confirmar sua existência.

Pare.

- Juliette. - Ela disse meu nome.

- Vovó. - Querida. Que milagre você é.

Meu irmão gostava de me provocar.

Ele lia quadrinhos a tarde toda nas minhas costas.

- Ela não quer dizer seu nome. - Ela é só um bebê.

Ela só sabe algumas palavras.

Não, eu sei muitas mais.

- Você sabe falar? - Eu sempre soube falar.

Ela fala como uma imperatriz.

Que criança maravilhosa. Ela escolhe as palavras.

Querido, não fique emburrado. Champanhe.

Sorte que você estava lá, vovó. Foi a única a me ver como eu era.

Vamos sentir sua falta, vovó. Você volta logo, né?

Sim, mas da próxima vez, terão crescido mais.

Cuidem dos seus pais, eles precisam.

- Onde está Amélie? - Verdade, cadê ela?

- Quero me despedir. - Vou procurá-la.

Entre no carro, estamos atrasados.

Jesus!

- O que faz aqui, sua danada? - Aonde vai, vovó?

Para a terra do chocolate branco.

Vou sentir tanto sua falta.

Não a achei. Ah, aí está você.

Venha, vovó vai perder o avião.

Mete o pé, motorista.

Mamãe, a vovó volta logo?

Não imediatamente. Ela vai para a Bélgica. É longe.

- Bem no fim do mundo. - No fim do mundo?

Eu não quero.

Por que ela não fica? Não é justo.

Ela tem que ir para casa. Não seja um bebê.

Ai.

Que feio, André. E Amélie, não chute.

- Meu aparelho quase quebrou. - Ela não sabe, é pequena.

Parem! Chega!

Para o quarto, agora!

Eles não entendiam.

Aquela Bélgica maldita tinha me dado o chocolate branco,

mas levado minha avó.

A única que não me via como um bebê.

Era insuportável.

Eu sou um youkai.

Venha.

Este é Otoroshi.

Um youkai que protege os deuses.

Ele geralmente vive em um santuário abandonado.

E quando alguém se comporta mal lá...

...ele faz um som estrondoso.

Ele pode até pular de um lugar alto para esmagar a pessoa.

Sua função é ensinar uma lição.

- De novo. - Há muitos youkai.

Fica para depois.

Me ajuda?

Arigatou, Ame-chan.

Floresçam.

Floresçam todas.

A primeira primavera da minha existência.

A natureza celebrava minha chegada.

As plantas floresciam ao meu comando.

Nishio-san. Nishio-san.

O que faz aqui tão cedo?

Eu queria ler a continuação. Mas o livro está na cozinha.

Vamos pegá-lo.

Olá, Kashima-san. Bom vê-la.

Queria agradecer por este trabalho.

Olá, Nishio-san. O que faz com esta criança no jardim?

Estávamos no lago. Amélie estava me procurando.

Não perca seu tempo com ela.

Você deve manter a honra da minha casa.

Fazendo o que meus inquilinos não conseguem.

Não se esqueça disso.

Tem razão. Mas cuidar de Amélie os ajuda também.

Como aquela senhora parecia triste.

Vá para casa. Eu já vou.

O que ela tinha?

Uma boca tão rígida, um olhar sombrio.

Eu via apenas uma explicação: ela não queria me amar.

Ela devia seguir o exemplo de Nishio-san.

Me amar era bom para ela.

Pobre Kashima-san.

Ela provavelmente sofria da doença da contenção.

Amélie, onde você estava?

O que é isso, papai?

Uma carpa. O símbolo dos meninos. Maio é o mês dos meninos.

Por que maio?

Não sei.

- Por que o mês dos meninos? - É uma boa pergunta.

- E quando é o mês das meninas? - Não tem, eu acho.

Por que uma carpa?

Por que bebês sempre perguntam "por quê"?

Estou pronto, papai.

Vamos. Querida, voltaremos logo.

Não era justo.

Por que não um mês das meninas?

Nenhum dia ou bandeira para nós.

E por que uma carpa?

Quero vê-las de verdade!

Podemos dar um jeito.

Nishio-san deve conhecer um lugar para isso.

Deixei meu santuário com relutância, mas eu precisava.

Eu tinha que saber por que carpas pareciam mais meu irmão do que eu.

Que lindo.

Estamos quase lá.

Então este era o lar das carpas?

Venha comigo, Juliette.

- Onde estão as carpas? - Rápido, pai.

Espere, Juliette. Não sei, querida.

Olhe ali.

Vamos, Ame-chan. Por aqui.

Obrigado, Nishio-san. A gente se encontra.

Algumas dessas carpas têm até cem anos.

Tudo bem, Amélie?

Carpas são muito feias.

Também não gosto muito delas.

Por isso é o símbolo dos meninos.

O peixe mais estúpido.

Ou talvez porque elas têm bigodes grandes.

Aquele peixe estúpido era um bom símbolo para o sexo feio.

Amélie, Nishio-san.

- Vamos voltar, está chovendo. - Já vamos.

Venha, Amélie, você vai derreter.

Ainda não. Quero ficar na chuva.

Não me surpreende. Você é a chuva.

A primeira parte do seu nome, Ame, significa "chuva" em japonês.

Esse nome me caía tão bem.

Como a chuva, eu era preciosa e perigosa...

inofensiva e mortal, silenciosa e barulhenta.

E, acima de tudo, eu me sentia invulnerável.

Se formos agora, eu te ensino a escrevê-lo.

A chuva era eu.

O último a chegar é um molenga.

Tirem logo essas meias!

Nishio-san, me ensine a escrever meu nome em japonês.

Que tal trocar de roupa antes?

Você disse quando chegássemos em casa.

Realmente, eu disse. Bem... Levante o dedo.

- Assim? - Sim, muito bem.

Fique perto da janela e me dê sua mão.

Primeiro, uma linha horizontal para o céu.

Depois, você desenha o começo de um quadrado...

e uma linha vertical entre o ar e a terra...

e, agora, quatro pequenas gotas.

É assim que se escreve "ame", o ideograma da chuva.

- Não vejo bem. - Espere.

Melhor assim? Vamos, vamos nos trocar.

Eu sempre soube. Agora eu tinha a confirmação.

Eu era japonesa.

Eu nunca tinha visto meu pai chorar antes.

Ele parecia um bebê gigante.

Por que está chorando, papai? Está com medo da tempestade?

Querida...

O papai chora porque a mãe dele, sua avó, nos deixou.

Ela foi para a Bélgica, mas vai voltar.

Não, Amélie. É diferente. Vovó se foi para sempre.

Ela morreu, Amélie. Sinto muito.

Morreu?

Sim. Você não entende isso ainda.

Vá brincar. Falamos disso depois.

Morte. Eu sabia o que era.

Oh, meu amor...

Mas não era por isso que eu entendia.

Minha avó tinha me livrado dela e, logo depois, foi a vez dela.

Como uma troca.

Mas por quê?

O que é isto?

Um koma. Significa "pião" em japonês.

Tente com o seu.

Veja, é assim que se faz.

A previsão é de forte precipitação no sul...

com possíveis inundações na área de Kobe...

Nishio-san, por que morremos?

Por que morremos?

Talvez porque Deus queira?

Deus? Mas eu nunca quis que minha avó morresse.

O quê, sua avó morreu?

Sim, mamãe disse.

Meu Deus. Sinto muito. Eu não sabia, Amélie.

Tá bom, mas por que morremos?

Quando se vive muito, como sua avó, ficamos cansados.

É como ir dormir.

Isso... é bom.

E se morremos jovens?

Bem, veja...

Vi muitas pessoas morrerem durante a guerra.

Fale-me sobre a guerra.

Acho que não quer ouvir histórias assim.

Sim. Conte-me, por favor.

Muito bem. Vou tentar.

...famílias de luto...

Foi há muito tempo. Eu era pequena.

Estava tomando café da manhã com meus pais e minha irmã,

quando começou a chover bombas.

E não pela primeira vez em Kobe.

Mas, naquele dia, senti que as bombas eram para nós.

E eu estava certa.

Ao meu lado, houve uma explosão enorme.

Por milagre, eu estava viva.

Tentei mover meus braços e pernas, mas não consegui.

Só então entendi que estava soterrada.

Estranhamente, me senti segura.

Então o ar ficou escasso.

Comecei a cavar e cavar.

Sem saber para onde ir.

Comecei a escutar.

Pensei: onde há som, há vida.

Pelo contrário: a morte reinava lá.

Naquele dia, perdi minha família.

Não te assustei muito, né?

Ficou triste como meu papai?

Sim. Mas o tempo cura muitas feridas.

E a memória deles permanece e me guia pela vida.

Você ainda os vê?

Não como você me vê agora.

Eles seguem um caminho diferente.

Talvez se tornem algo novo.

Tento imaginá-los e falar com eles.

Isso me faz bem.

Logo haverá uma celebração importante.

Um evento importante no Japão.

Colocamos velas no rio, como em um aniversário.

Para honrar os que não vemos mais e acompanhá-los em seu caminho.

Posso ir com você?

Talvez.

Se a mamãe concordar.

Então, me ajude a preparar.

Quanto tempo o papai ficará na Bélgica?

Dois meses. Mas vai passar rápido.

- Ela não aguenta. - Aqui.

- Não, aqui. - Tome, Juliette.

Arigatou.

- Pode trazer chocolate para nós? - Não, eu quero torrone.

Certo, eu levarei os dois.

Vocês não têm mais nada a dizer?

- Vaza. - Você não me deixou falar.

Amélie não está?

Ela acabou de sair. Foi ao rio com Nishio-san.

Elas colocarão a vela na água.

Ah, sim, o festival dos mortos. Legal que ela viva isso.

Agradeça a Nishio-san por compartilhar isso com ela.

Sim, elas adoram ficar juntas. São muito apegadas.

Seu voo é amanhã, né?

Graças a Deus. É triste sem você.

Assim que eu chegar, iremos ao mar.

- Vamos logo. - Estamos com pressa.

- Onde estão papai e Amélie? - Tenham paciência.

Quero ficar com você.

Você não pode perder.

E seu pai voltou da Bélgica. Ele quer te ver também.

Então, por que não vem junto?

Sabe, há muito tempo, eu estava naquela praia com minha família.

Era muito bonito.

Eu era pouco mais velha que você.

É como o fim do mundo. Tem que ver.

Venha cá, filha. Senti muito sua falta.

Espero vocês aqui.

Tchau, Nishio-san.

- Até logo. - Itte rasshai.

Um dia ensolarado para curtir a praia de Tottori

Aqui está "Love Vacation" de The Peanuts

Pena que Nishio-san não estava lá.

Mamãe, posso pegar o pote de vidro?

O pote de vidro? Claro, querida.

Seria este o fim do mundo?

Será que minha avó estava lá?

Mamãe.

Papai.

Acabou, está tudo bem.

André veio nos avisar. Ele viu seu pote na beira da água.

Se não fosse ele...

Obrigada, André.

Ela disse meu nome.

Eu via meu irmão como uma equação matemática.

Sem ele, eu não estaria aqui.

Eu teria gostado disso?

Bem... Não teria como saber, de qualquer forma.

- Boa noite, Nishio-san. - Boa noite, senhora.

Posso ajudar, senhor?

Sim, obrigado. Pode tirar Amélie do carro?

- Foi um dia intenso. - Pode deixar.

Que pote lindo.

É para você.

Pode abrir.

Obrigada.

Nishio-san, Venha rápido. Hayaku oide.

Ame-chan, arigatou.

Juliette, acorde. É meu aniversário de três anos.

Olá, Kashima-san. Obrigada por me receber.

É tarde demais para explicações.

Perdoe-me. Passo muito tempo com Amélie e...

Esse é exatamente o problema. Ela roubou seus sentidos.

Eles tiveram uma morte. Ela perguntou sobre a morte.

Não é da sua conta. Não pode misturar nossas culturas.

Perdoe-me, senhora. Não quis desrespeitar.

Foi desrespeitoso com nossos ancestrais

que a tenha levado ao rio.

Eu só estava cuidando de uma criança.

Você não entende. Ao se apegar, você trai seu povo.

- Esqueceu o que fizeram conosco? - Não é culpa deles.

Estou tentando ajudá-los. E amo aquela criança.

Como ousa dizer isso?

Esqueceu tudo, então? Depois da guerra, nos tiraram tudo.

Amélie, o que faz aqui?

É meu aniversário.

Perdoe-a, Kashima-san. Vou levá-la de volta.

Apegar-se a ela é um erro.

A guerra acabou, Kashima-san. Há trinta anos.

- Os pais dela eram crianças. - Meu marido...

E meu filho.

Você aceita que seu pai, sua mãe e sua irmãzinha...

Não a assuste.

Nunca devia ter vindo. Vá, não quero mais vê-la.

Um dia ela crescerá e a esquecerá. Como você esqueceu tudo.

De que lado você está?

Nada restará desse seu apego vil.

Perdoe-me, Amélie.

- Nishio-san... - Nishio-san, Nishio-san.

- Não, Nishio-san. - Nishio-san, espere.

Nishio-san, não.

Nishio-san, volte.

São problemas de adultos. A culpa não é sua.

Kashima-san foi má com Nishio-san.

Elas viveram coisas que você não entende ainda.

Mas não tem a ver com você.

Desculpe, Amélie. Não consegui impedi-la.

- Parabéns, Amélie. - Sente-se, Juliette.

Temos que assoprar velas hoje. Três anos não é pouco.

- Vamos fazer um bolo delicioso. - Primeiro na cozinha...

- Vou tirar uma foto. - Eu acendo as velas.

Saia da frente, André.

Que gracinha.

Papai, papai.

Feliz aniversário, Amélie.

Assopre. Assopre.

Posso assoprar?

Parabéns.

Feliz Aniversário.

Uma surpresa te aguarda, meu bem.

Aqui, querida.

Pode abrir.

Surpresa.

Vimos como se divertiu com as carpas.

Ganhou uma para cada ano.

Cuidado, tem que alimentá-las todos os dias de suas vidas.

Patrick, essas feras vivem séculos.

Até voltarmos para a Bélgica, então.

Voltar para a Bélgica?

Sim.

Somos belgas, querida.

Mas eu sou japonesa.

Nem sempre fazemos o que queremos.

O papai trabalha para a Bélgica.

Se a Bélgica nos chamar de volta, temos que ir.

Ele não devia ouvir, a Bélgica é longe.

Quero ficar aqui, é minha casa.

Não, Amélie. Nosso país é a Bélgica.

Teremos que ir para lá. É a nossa casa.

No meu terceiro aniversário, tudo mudou.

Tudo o que eu amava, eu perderia.

Mas, por enquanto, ficamos aqui.

Você ainda pode aproveitar e se preparar.

Eu fui má?

Era um castigo?

Ou tudo apenas desaparece um dia?

Eu também esqueceria tudo?

Nishio-san, meu santuário, o Japão...

...as flores, tudo?

Isso que era a vida?

Uma bocarra voraz que engole tudo?

Carpe diem.

O dia da carpa.

Kashima-san.

Começo a entender sua tristeza.

Você perdeu tudo.

Nunca mais vou alimentar as carpas.

Nunca deixarei o Japão.

Aos três anos, voltei ao início.

Quando não havia nada.

O que faz aqui, danada?

Estou morta, eu acho.

Ainda não.

Quase, porque estou vendo você.

É verdade. Mas aqui não é lugar para você.

É entendiante aqui. O mundo é tão grande.

E triste.

Tudo desaparece, tudo se vai.

Eu não estou mais aqui, mas você me vê, certo?

As memórias ficam.

Já que deixarei o Japão...

perderei Nishio-san e as montanhas...

serei expulsa do meu jardim...

e tudo que tenho será perdido...

...tenho que lembrar de tudo.

Você disse quando chegássemos em casa.

Realmente, eu disse. Bem...

- Levante o dedo. - Assim?

Ame.

...e, agora, quatro pequenas gotas.

Amélie, volte.

Querido, olhe. Amélie está acordando.

- Oi, Amélie. - Está bem?

Você nos assustou de novo.

Ela deve estar com dor na testa.

Silêncio, crianças.

Você bateu a cabeça no fundo.

- Eu tenho um buraco? - Sim, eles costuraram.

- Com agulha e linha? - Sim.

Cuidado, querida, ou vai sangrar.

Alguém especial veio te ver.

Está feliz, meu amor?

Kashima-san salvou você.

Kashima-san?

E ela ligou para Nishio-san, que veio na hora.

Ame-chan.

Obrigado por voltar.

Você também voltou. Vai ficar conosco por um tempo?

Ficarei com você enquanto estiver aqui.

- Amélie, cadê você? - Vamos.

Vamos, Amélie.

Pronto. Está bem?

Aos três anos, notamos várias coisas e não entendemos nada.

Depois de quantas andorinhas

podemos crer que a primavera voltará?

Cicatrizes desaparecem como neve ao sol?

Minha querida Nishio-san, meu sol.

Onde quer que eu vá, vou sempre guardar

estes anos preciosos ao seu lado.

Quero ver tudo, sentir tudo. Dar todo o amor possível.

Cheia de paixão, escrever cada capítulo da minha existência.

Com os olhos bem abertos.

Bem, então não sou Deus.

E acredite: é muito mais agradável assim.

Legendado por Cabine de Projeção

Responsável: Lzito

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