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Original subtitles

O marketing enfrenta um grande desafio, a saturação de mensagens.

SEIS ANOS ATRÁS…

A publicidade de massas…

AULA DE CIÊNCIA POLÍTICA E TROCA DE FACULDADE

… outrora muito influente,

já não tem o mesmo impacto, com a chegada das novas tecnologias.

FACULDADE DE PUBLICIDADE

O fascismo foi um dos fenómenos políticos mais importantes do séc. XX.

FACULDADE DE CIÊNCIA POLÍTICA

Surgiu na Europa após a Primeira Guerra Mundial, onde…

Desculpe.

Fabio, não posso falar. Estou nas aulas.

Sim, já te disse.

Está bem, chego daqui a uma hora. O que…

Ouve, o Alejandro continuará tão insuportável como sempre foi?

- Óbvio. - Sim?

As pessoas não mudam, só pioram.

- Talvez. - O que dizem as minhas amigas?

Ainda não escolheram, vá.

Equipa Menina ou Menino?

Quem acertar ganha um prémio.

Então, Su, rosa ou azul?

- Tens preto? - Porquê?

Porque estou de luto, querida.

Porque estás de luto? Morreu alguém?

Morreu a tua paz, o teu futuro, a tua carreira, as tuas noites.

Susana…

És tão chata.

- Está um pouco sensível. - Óbvio.

Caro, anda cá. Perdoa-me.

Obrigado.

Tudo bem?

Tudo mal.

Vens muito para a porta deste hotel, comer gomas?

Não.

Estou com uns amigos e quis apanhar ar.

Eu também vou ter um encontro que me dá uma preguiça impressionante.

E se os mandássemos para o caralho e saíssemos daqui?

SIMPLESMENTE ALICIA

EPISÓDIO 2 ALEJO

Deixa-me ver se percebi. Estudaste Ciência Política,

mas gostas é de publicidade?

Não, gosto das duas.

Quero fazer as duas.

Estou a fazer as duas. Se podes fazer duas coisas, porque não?

Bom, sempre que vejo um destes autocarros,

tenho imensa vontade de dançar, mas sou um péssimo dançarino.

- Ai sim? - Sim.

- Eu sou ótima. - Não.

- Sim? - Sim.

- Vamos. - Não, nem penses que eu…

É um sinal. Não está aqui por acaso. Vou subir. Senhor, pode-se?

Eu vou subir.

Vens?

- Anda. - Está bem. Por favor, vá.

Olá, com licença. Olá.

- Obrigada. - Saúde.

Saúde!

Saúde.

Alicia, anda cá.

Estivemos lá duas horas. As minhas amigas vão matar-me.

Diga à minha namorada para ela não me deixar.

Veja. Diga-lhe para não me deixar.

Não! Vem cá.

Vem. Vem cá.

- Não sou tua namorada. - Ainda não.

Tens uma coisa aqui.

Agora não encontro… Não!

- Nunca. - Para.

Alicia, onde te meteste?

Já vou! Estou aqui.

Viste? Vão matar-me. Anda.

Desculpa. Espera aí. Nem me disseste o teu nome.

- É o menos importante. - É importante para mim.

- Que bom. - Limpa a boca.

Alejo?

É mesmo o Alejo?

Quando é que ele ficou tão giro?

Álcool!

A minha aguardente!

Serve-me outra?

O que tens?

- O que se passa? - Alicialidades.

Obrigada.

Saúde.

É um menino, querido!

- Vamos à casa de banho. - O quê?

- Casa de banho. - Que foi?

Vem.

Beijaste aquele gajo? É insuportável!

- Alicia, ele é insuportável! - Não, espera, não me julgues.

- Não é insuportável. - Não.

É lindo, Susana.

Alicia, estás a trair as nossas memórias.

É o irmão da Caro. É o gajo mais vaidoso e irritante.

Sempre o odiámos.

Odiávamo-lo quando tínhamos oito anos.

Que conversa é essa? O tempo passou e passou bem.

- Mas… - Muito bem.

Porquê? Que má pontaria. Há tantos gajos, tinha de ser aquele?

É como o idiota de Cartagena.

- Nem digas o nome dele. - Não disse.

Bom, Su.

Se estivermos a dançar, a fazer algo, a tomar algo,

e o Alejo começar a falar comigo, mete-te logo na conversa,

inventa qualquer coisa terrível e diz que temos de ir para casa.

Que grande plano. Tens oito anos outra vez, é?

Não gozes comigo.

É incómodo e estou nervosa.

Não sei onde me meter. Fui eu que o beijei.

- Não! - Por favor, ajuda-me.

Vi-te a comer isto durante tantos anos, que fiquei contagiado.

- Então, lembravas-te de mim? - Sim, bem…

Muitas vezes, na quinta, em fotos com a Caro…

- Não te arrependes do que aconteceu? - Não, arrependo-me de não ter tempo.

Vou amanhã para Nova Iorque.

Eu repetiria…

Alicia, adivinha o que aconteceu!

- Susana. - O quê? Exagerei?

Sim, foi péssimo. Já não preciso de ti. Chega tarde a casa.

- Sim? - O quê?

- Vamos? - O que estás a fazer?

Contigo, tudo.

Que descarada.

O Alejo já saiu. Não se despediu?

É por isso que também saio com mulheres.

NOVO PROJETO DE REFORMA

MENSAGEM NOVA

DESCULPA POR NÃO ME TER DESPEDIDO, NÃO QUERIA ACORDAR-TE.

Ouve! Não quero ver-te a chorar outra vez, se esse for como o idiota de Cartagena.

Já superei o idiota de Cartagena. Já o tinha esquecido.

Esse Alejandro vai esfumar-se tal como o outro, Alicia.

Ninguém se esfumou.

Eu e o Alejo falamos há dois meses, todos os dias.

Pode despachar-se? Vou chegar atrasado à aula.

Devia ter comprado o livro novo, em vez de o fotocopiar.

A máquina está avariada.

Não! Não leias.

- Já contaste à Caro? - Já.

- E? - Ela pensa o mesmo que tu.

Que irritante pensar o mesmo que ela.

Sim, já sei que todas pensam o mesmo, mas o Alejo mudou.

Não disseste que as pessoas não mudam?

Equivoquei-me.

Ele é querido, Su. A sério, é muito querido.

É especial, é…

É diferente.

Se tenho problemas, ele ajuda-me.

Ele mata-me.

Adoro-o. Fico toda derretida.

Já percebi! Que seca, que lamechice.

- Merda. - O quê?

- A Caro. - O quê?

- O bebé. - Já?

Já.

- Vamos! - Vamos.

- Fica para depois. - Não, as minhas fotocópias!

Apanhei o primeiro voo quando soube.

- Olá. - Olá.

Dr. Fernández, dirija-se ao…

Vou ficar cá um mês.

Tenho algumas reuniões, mas…

- Mas vou ficar cá um mês. - Que bom.

Deixa-me ver.

Vira-te.

Ficas muito bem.

- Sim? - Sim.

- Adoro bebés. - Sim?

Dos outros.

- Queres segurar nele? - Não.

- Faz-me um bocado de impressão… - Vá.

- Não vai acontecer nada. - Espera.

- A cabeça, certo? - A cabecinha.

- Aqui primeiro? - Sim, apoia a cabeça.

O que é esta coisa?

- Estás tão sexy. - O quê?

Fica-te bem.

- Já pensaste nisso? - Em quê?

Em ter filhos.

Agarro-o aqui? A mão…

Por favor, dirija-se às Urgências.

- Olá. - Ale?

Que surpresa.

Bem, nunca vinhas cá a agora estás cá sempre.

Vou tirar um café da máquina.

Segure aqui, por favor. Espere.

Obrigada.

Olá. Deito-o?

- Sim, por favor. - Sim?

- Cuidado. - Sim.

Cuidado com a cabeça.

Pronto.

- Parabéns. - Obrigada.

- Tudo bem? - Sim.

Estou um pouco surpreendida.

Bom, estou a mudar um pouco.

- Sei que vieste pela Alicia, não por mim. - Não.

- Trata-a bem, porque eu conheço-te. - Juro que a trato bem.

Estive a pensar um pouco.

Não quero perder a possibilidade de ver crescer o meu sobrinho.

Eu sei. Sei que fui um péssimo irmão mais velho.

Meio-irmão.

Meio-irmão.

O que me entristeceu não foi que tivesses partido.

É que, quando estavas cá, mal me prestavas atenção.

Eu queria contar com o meu irmão.

Eu estou a mudar.

O que peço, por favor, é que me dês uma oportunidade.

Só uma.

Uma.

Pronto, já chega. Tenho de lhe dar de mamar.

Está bem.

- Vou sair. - Fecha a porta.

Bye.

Ela vai dar de mamar ao Pedrito.

O que vais fazer este mês?

Contigo?

Tudo.

O quê?

- Sabes o que estava a pensar? - O que estavas a pensar?

Eu sou muito aventureira.

Sim?

Não vou a Nova Iorque há séculos.

Se quiseres, posso visitar-te.

Mentira!

- Estava a brincar. Descansa. - Não.

É que estou um bocado… Nada. Ando um pouco a mil.

Tenho de entregar um romance daqui a uns meses e…

Não sei, talvez um pouco mais tarde? Que achas?

Sim?

Susana! Depressa!

- Vou deixá-las cair! - O que temos aqui?

Sobraram da produção e trouxe-as.

Adoro beber de graça, querida.

- Tempero… - Acabou-se. Aproveita, são as últimas.

Vais parar de trabalhar com este cliente? Não!

Vou deixar a agência.

Porquê?

Estou farta, Su.

Estou farta de vender mentiras baratas.

Então, que vais fazer?

O que sempre quis fazer. Tenho tudo preparado.

Apresento o pensamento político,

defendo a tese de publicidade para terminar a minha especialização

e pronto, terei tempo para montar a minha agência de consultoria política.

Ao menos, estas mentiras refrescam.

Agora, vais dedicar-te a vender mentiras que oprimem o povo!

Mas será mais fácil para ti, não?

Em que sentido?

- O Alejo tem imensos contactos, não? - Não.

Não, tem muito cuidado com o que dizes, Susana.

Não vás por aí.

Escolhi dois cursos. Não apenas um, dois.

Demorei séculos a terminá-los, com a especialização e tudo,

mas vou ter dois diplomas

e nunca precisei da ajuda de ninguém, muito menos do Alejo.

Precisar, precisar, não, mas ele podia facilitar o teu caminho.

Quem disse que quero um caminho fácil?

Quero um caminho próprio, querida.

Então, saúde!

Saúde!

ALIANÇA PELA LIBERDADE

- Vereador Rojas, sou a Alicia Fernández. - Não.

Queria dar-lhe… Sou consultora de imagem política.

E como sei que vai candidatar-se às eleições,

quero fazer parte da sua equipa. - Não. Agora não.

Mas eu já pensei numa estratégia.

Até logo.

Tenho ideias muito boas.

Adoraria trabalhar consigo. Aqui tem o meu currículo.

Obrigado.

Obrigada.

Não podes continuar a trabalhar no café.

Porque não usas o escritório que tenho livre?

Perdão. Uma água, por favor.

- Sim. - Obrigado.

Porque não.

Então, onde vais atender todos os teus clientes?

Quais clientes? Nem sequer tenho um.

Quando souberem que és a melhor das melhores,

não vais ter um, vais ter mil e um.

Porque és tão querido?

Vamos combinar uma coisa. Não quero que mo emprestes. Aluga-mo.

- Falamos à noite. - Queres desligar já?

- Houve alguma coisa? - Tenho uma reunião.

Estou com muita pressa. Beijo grande!

Isso mesmo!

Muito bem, Lau.

- Assim? Vê-se o dedo? - Várias.

Isto cheira a maçã com canela!

Prefiro que a casa de banho cheire a merda!

Gostei desta.

Nomeada para Melhor Manicura, Carolina!

Acho que já está.

Adeus, obrigada.

Encomendo uma piza e tu pagas?

A RECEBER CHAMADA

Estou?

Olá.

Sim, acabámos agora. Ficaram ótimas…

Porquê?

Não, não te preocupes.

Não te preocupes. Falamos depois, deixa estar.

Está bem, beijinho.

O Alejo não vem.

Estás cada vez mais perto dos políticos que prometem e não cumprem.

Ao menos, este cancelou, porque o outro desapareceu.

Estou à espera dele há três meses. Não acredito.

Porque não vais tu?

Há algum tempo que ele me pede isso. Pede-me muito que vá.

Insiste muito, está desesperado por…

Bem, não.

Propus três vezes e ele disse que não.

Dá sempre desculpas diferentes. Não percebo.

É caso para dizer: "Amiga, acorda."

Ele não tem redes sociais.

Quando é entrevistado, não fala da vida privada.

Dizes que queres ir lá e ele: "Não!"

Ele diz que vem cá e cancela cinco minutos antes.

Chega, o tipo tem outra mulher.

Se fosse a ti, ia atrás dele e apanhava-o em flagrante.

Ir eu atrás dele?

Ainda não nasceu o ser humano por quem me vou rebaixar.

Vês?

É como o Idiota de Cartagena, segunda temporada.

Obrigada.

- Olhem para ela! - Olhem para ela!

Que linda, a modelo!

Tinha de estragar a foto.

Ouçam lá! Vocês não davam nada por mim, estúpidas.

Vamos levá-la para a festa!

- Parabéns! - Vamos continuar…

Doutora. Olá.

- Que fazes aqui? - Nunca perderia isto.

- Disseste-me que não vinhas. - Queria fazer-te uma surpresa.

- Perdão. - Está bem.

Olá, como estás?

Não gosto que me escondam coisas.

Digamos que isto é só uma pequena mentira piedosa.

Não, refiro-me a algo concreto.

Se tens algo a dizer-me, diz já.

Sim, tenho algo a dizer.

Vou regressar a Bogotá e não quero passar nem mais um dia da minha vida sem ti.

É isso.

Há outra surpresa.

Se te interessar.

O que é?

- Não. - Sim. Querias ir comigo aos EUA.

O voo parte esta noite.

- Esta noite? Estás louco? - Sim. Não.

- Preciso de tempo para fazer as malas. - Não há tempo. Por isso, vamos.

Vamos.

Então?

- Estás louco! Mas adoro. - Só um pouco.

BEM-VINDO A LAS VEGAS

Queres casar comigo?

Sim, quero!

Boa noite, Las Vegas!

Com este anel, entrego-te todo o meu amor.

Alicia, com este anel, prometo-te todo o meu amor.

Declaro-vos marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Conseguem acreditar que o Pedrito faz seis aninhos?

SEIS ANOS DEPOIS…

- Pedrito! - Que comece a festa!

- Vamos! - Que giro.

- Imaginas-nos assim? - Perfeitamente, sim.

Pois, claro.

Já te perguntei se querias filhos e tu não me disseste nada.

Isso não quer dizer que não.

Como assim? Queres?

Se assinares um contrato que me garanta que vai ser igualzinha a ti, é para já.

Quero que seja igualzinho a ti.

- Com esse olhar sexy. - Amo-te.

- Não, que lamechice! - Acertei…

- Estás bem? - Sim.

Muitas gomas, muito milho, mas estão a esconder-me o álcool?

- Queres uma? - Sim.

- Eu também. - Queres?

Sim. Obrigada.

Olha-me nos olhos.

Usa contracetivos. Não podemos andar sempre nisto.

Quer dizer, outra Instamamã? Não.

- A tia Susy. - Não. Nem penses nisso!

- Ficava-te bem. - Olha.

- Obrigada! - De nada.

- Saúde. - Olha os tios.

- Olá. - Olá!

- Como estás? - Bem, e tu?

- Bem, obrigado. - Olá.

Olá, Martín.

Já sabem, vamos cortar o bolo. Feliz aniversário.

Sim. Já? Que horas são?

- Três. - Tenho de ir.

Comecei a preparar vereadores.

- Dê-me dez minutos. - Tenho uma reunião!

Senhor!

Obrigada!

Ela não trabalhava…

Você não trabalhava para o vereador…

- Zamorano. - Zamorano.

Zamorano, sim.

- Marcelo Beltrán? - Sim.

Sim, trabalhei para ele. Saímo-nos muito bem.

Chegámos ao Senado, mas ele teve de formar outra equipa.

Alicia Fernández. Prazer.

Tínhamos o contacto dela.

- Perdemo-lo? - Sim.

Pode trazer esses papéis, limpos, ao meu gabinete, para falarmos?

- Claro, faço-lhos chegar. - Não perca tempo. Fale com ele.

Não perca tempo.

Não te preocupes, Marcelo. Vou a caminho. Conta com isso.

Foda-se!

Pare! Encoste!

- O que foi? - Encoste!

Que susto.

Documentos.

O que aconteceu?

CARTA DE CONDUÇÃO

Alicia. Você sabe o que fez.

Posso explicar.

Estou prestes a cumprir o maior sonho da minha vida.

Não posso perder tempo. Tente lá despachar isso.

Tenho uma ideia.

Uma ideia ótima.

Podemos resolver isto.

Está a tentar subornar-me?

Nem pensar.

- Que ideia. - Bem me parecia.

Colabore, por favor.

Acompanhe-me à esquadra. Eu ajudo-a lá.

Obrigada!

Porquê a mim? Porquê?

Susana, preciso de um favor muito urgente.

Vai ao computador do meu escritório e procura a pasta "Projeto de Campanha".

Leva isso à sede da campanha do Marcelo Beltrán.

Sim, o candidato à presidência. Por favor, despacha-te!

- Acompanhe-me. - Calma.

Vamos ter calma. E ajude-me a fechar a mala.

Susana, despacha-te. Por favor, imploro-te.

Muito obrigada, cavalheiro.

Mesmo como vocês gostam.

Adoram isto. Muito bem.

Filho da puta.

Olá!

Bem-vindos a casa.

Bem-vindos a mais um vídeo de Cozinha com…

- Levaste a pasta ao Beltrán? - Hoje, temos uma receita muito especial.

Boa noite, Susana. Como estás?

Boa noite, Alicia. Estou muito bem!

- Levaste-lhe a pasta? - Sim, a secretária recebeu-a.

Sim? Ela disse alguma coisa? Eles souberam da polícia?

Qual polícia?

Nem imaginas o dia que eu tive.

Passei um vermelho, fugi da polícia e, obviamente, apanharam-me.

Agora tenho de ir a tribunal porque não vou pagar os milhões da multa.

Mas isso não importa. O que disseram? Vão ligar-me?

Su. Olá?

É contigo.

Sabes porque estou a fazer merengue à mão e não numa batedeira?

Não.

Porque tive um dia de merda!

Como não quero escolher o caminho da violência, prefiro descarregar assim.

O que tens, Su?

Acabei com a Rita.

Não! Não, não é verdade.

- Outra vez? - Vai-te foder, a sério.

Vá lá, Susana. Convenhamos que terminam, voltam, terminam, voltam.

Qualquer um se perde.

Eu é que estou perdida, sabes?

Vá. Sinto muito. O que aconteceu?

Conta-me.

Não sei, o mesmo de sempre.

Acho que as coisas estão a correr bem e a funcionar, mas não.

Eu invento sempre alguma coisa, sabes? Ou fujo e estrago tudo.

Queria ser como tu.

Casaste com o primeiro que apareceu.

Bem, eu casei com o Alejo, basicamente, porque o amo.

Sim? Mais que ao idiota de Cartagena?

O que se passa? Estás destravada hoje.

O que tem esse idiota que ver com isto? Claro que estou feliz com o Alejo. Amo-o.

Recebes um pouco de atenção e já está. Que bom.

Acho que estás um pouco sensível e a descarregar em mim, mas pronto.

Eu aguento. Sabes que mais?

Agora que falas nisso, sim, adoro receber atenção.

Quero receber atenção porque nunca a tive.

Se não fosse a minha avó, teria sido uma louca solitária.

Por isso, sim, se alguém me amar e acreditar em mim, melhor.

Qual é o problema?

Nada, desculpa. Não estou bem!

Desculpa. Anda cá.

O que se passa? Tem calma.

Ainda bem que estás aqui.

Sabes que estou sempre aqui para ti, estúpida.

- Ficas para comer o bolo, certo? - Claro. Vou comer o bolo todo.

O Beltrán vai ao teu escritório amanhã para lhe apresentares o plano.

- A sério? - Sim.

- Juras? - Juro.

Vamos brindar.

Vamos. Guaro!

- Guaro. - Guarito?

Sim, guaro.

Vamos afogar as nossas mágoas. Vamos brindar.

Está tudo bem.

Está tudo bem, linda. Vá.

Porque o mais importante agora não são as propostas eleitorais.

Podemos deixá-las para a campanha. Neste momento,

o mais importante, Marcelo, é que todo o mundo te conheça.

Muito obrigado.

O que estás disposta a fazer para conseguir o trabalho, linda?

Contigo, basicamente, nada.

Boa sorte.

Porquê? Porque é que ele se vai embora?

Ele ouviu-a durante uma hora e meia.

E não perde um minuto em coisas que não lhe importam.

Isso é bom ou mau? O que significa?

Significa que espero que tenha uma conduta impecável

e que não tenha cadastro, pois vai trabalhar para a nossa campanha.

Um político pode ter um passado duvidoso.

Mas um assessor? Nem pensar.

Não lhe vou perguntar se tudo o que está neste processo é verdade.

As provas da polícia são sólidas.

- Eu… - Eu deixava-a falar,

mas tenho centenas de infratores à espera, com desculpas inacreditáveis.

Pague e resolva isto.

Pagar? Sabe quanto querem que pague pela multa?

Que se paga.

Paga-se.

Só não quero ficar com cadastro e perder o meu emprego de sonho. Peço-lhe.

Felizmente, posso baixar o valor da multa,

ao pedir-lhes que a deixem pagar a sanção de outra forma.

Sim. O que tenho de fazer?

Serviço comunitário durante uns meses.

Está bem.

Nada disto pode ficar registado, sim?

Tem é de deixar de mentir.

Não se preocupe. Não vai haver nenhum registo disto.

Alicia?

O que fazes aqui?

Não, isso digo eu. Trabalhas aqui?

Sou o diretor da fundação.

O que fazes aqui?

Liguei de manhã para vir pagar a multa.

- És a… - Sim, sou eu.

- Não acredito. - Nem eu.

A ideia da fundação é recolher comida,

ajudar os miúdos do bairro,

as senhoras que querem fazer as suas próprias casas,

angariar fundos também,

ajudar tipos que saíram da prisão e não arranjam emprego.

Este é o meu escritório. Não trabalho aqui. Trabalho ali ao lado.

Esta é a mesa de trabalho.

Ao fim de semana, reunimo-nos aqui para planear o trabalho da fundação.

Sim, vamos falar de tudo, menos de Cartagena.

Para quê?

- Pensei que partilhámos algo importante. - E partilhámos.

E foi importante para mim.

- Sim. - Tão importante que fugiste.

Alicia, ouve.

Juro que pensei muito em ti nestes sete anos.

Quase.

Seis anos, 11 meses e 20 dias.

Fala-me lá da fundação e do que tenho de fazer.

Quero ir-me embora.

É isto que fazemos.

Ajudamos quem mais precisa e as pessoas do nosso bairro.

A sério? Quase te transformaste num santo.

Não.

Não sou um santo, nem nunca fui.

Claro que não. Eu sei.

Alicia…

Sabes que, durante estes anos todos, eu pensei muito em ti.

Sobre a tua vida,

o que tens feito, o que fizeste.

Em que sentido?

Não sei, se…

Se te organizaste.

Se tiveste filhos.

Não acredito, que lata.

Não, não tive filhos.

Se estavas tão curioso, porque não me procuraste

e me perguntaste, assim, de frente?

- O que queres saber? - Casaste?

Não.

Depois de Cartagena, o que aconteceu?

Espera. Desculpa.

Estou morto por te beijar, juro.

Não posso.

Cometi um erro contigo há anos e não vou voltar a fazê-lo.

Tenho de ser honesto contigo, comigo, com a vida, com tudo.

Abandonei-te. Fugi.

Estive muito mal, foi uma porcaria.

E tens razão.

Mas eu estava confuso e dividido. Não sabia o que fazer.

Alicia, eu…

Eu deixei-te porque…

… estava prestes a ser ordenado.

O quê?

Sou padre.

Legendas: José Cordovil

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