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Original subtitles

O NAUFRÁGIO DO HEWELIUSZ

BASE DE RESGATE DE DARŁOWO, POLÔNIA 10 MINUTOS APÓS O PEDIDO DE SOCORRO

CTA de Darłowo, aqui é o segundo tenente Mączka.

Entendido.

Merda…

Tenente!

- O quê? - O Heweliusz está afundando.

O navio de pesquisa?

De passageiros, 60 pessoas a bordo.

Merda… Onde eles estão?

Ainda não sabemos.

- Declare alerta total a todos. - Certo.

- Chame o navegador. - Sim, senhor.

Consiga as coordenadas urgente.

Mayday.

É do cargueiro polonês Jan Heweliusz.

- Estamos prestes a emborcar! - Eu sei.

Jan Heweliusz, qual é a sua posição?

Waldek, qual é a nossa posição?

Que merda de cargueiro!

O radar não funciona!

Inclinação muito forte. Não consigo ver a terra!

Repito: mayday.

Todas as embarcações…

Pronto, desenrosque!

Senhores, rápido, saiam daí. Voltem para o hangar!

001, 002, 003, confirmem se estão prontos para decolar.

001 pronto para decolar.

002 pronto para decolar.

003 pronto para decolar.

Entendido. Aguardem autorização para decolar.

Verifique se a Mentzel evacuou.

E não volte aqui.

- Mas, capitão… - Mandei não voltar.

Se salve. É uma ordem!

Vamos morrer aqui!

- Onde estão os botes? - Aqui!

Vamos morrer aqui!

Cadê os botes salva-vidas?

Cadê a ajuda?

É você.

Cara, faça alguma coisa, não posso morrer aqui.

Não posso morrer. Sou mensageiro militar.

- Suba para o convés. - Sou mensageiro militar.

Não posso morrer.

Siga-o até o convés! Vá para lá!

Senhora!

O capitão ordenou a evacuação. Pediu que eu ajudasse a senhora.

Este é o traje de emergência.

Precisa vesti-lo. Aqui.

Não vou a lugar algum. Vou ficar aqui.

Senhora, não tem como salvar o cargueiro.

Por isso que vou ficar.

O resgate será rápido.

Temos chance!

Não haverá resgate.

Viu como está lá fora. O socorro não vai chegar.

Por favor, me deixe ficar aqui.

Só quero um pouco de paz. Entende?

Não vou sair!

- Mas o capitão disse… - Ele não precisa saber!

Vá agora.

Vá!

Precisamos decolar. Cada segundo conta.

Sem coordenadas, caramba?

Estamos a 16 milhas de Kolliker!

Dezesseis milhas a sudoeste de Kolliker Ort!

Waldek, reduza os manetes a zero.

Que cara é essa? Krzysiek, Leszek, vocês também! Se salvem!

Dezesseis milhas a sudoeste de Kolliker Ort!

Andrzej…

Até breve.

Dezesseis milhas a sudoeste…

Não! A sudeste de Kolliker Ort!

Dezesseis milhas a sudeste de Kolliker Ort!

Merda do caralho!

Capitão!

Witek, o que está fazendo aqui?

Capitão, eu trouxe um traje!

Vista e vamos.

Saia daqui!

Capitão, ainda pode se salvar. Por favor!

Salve os outros!

Ficar aqui não muda nada, Andrzej! Nada!

Estou implorando!

Estou implorando!

Dê isso a alguém.

Se salve, Wituś!

Perdão…

Me perdoe, de verdade.

Mayday!

Aqui é o cargueiro polonês Jan Heweliusz!

CTA de Darłowo, aqui é o tenente Słowik.

Entendido. Certo, senhor.

Puta merda.

- O que foi? - Desligue os motores.

- O quê? - Desligue os motores, porra!

Desligar motores.

Os alemães assumiram o resgate. Estaremos de prontidão.

Não podemos ir até lá.

Puta merda…

- Consegue ver? - Sim.

Vou…

apertar o botão pra gravar. Pronto.

Aí está você.

Sim, espere…

Aí!

- Quero ver. - Veja.

Aí está. Nossa… viu?

Agora estamos dando zoom, veja…

Dando zoom…

Certo?

E agora? Você sumiu. Desapareceu.

Para onde você foi?

Venha cá. Espere, precisamos…

Aí.

Você sumiu.

Esses óculos…

Pronto. Agora me dê um beijo.

- Pai… - Faça o que eu digo.

Ótimo. Agora afastamos…

Mãe!

Jola, querida, agora você está no nosso filme.

Olhe, posso dar mais zoom. E mais rápido, veja.

Agora mais beijos, pra eu guardar.

Como é "primeiro plano" em inglês?

- Zoom? - "Zoom" é da câmera.

É "close-up".

Quando meu pai saiu da última vez…

não dei beijos nele porque…

eu estava grudada em um filme na TV.

NAUFRÁGIO DO HEWELIUSZ: SEM INDENIZAÇÃO? EMBRIAGUEZ PODE SER A CAUSA

Que absurdo é esse?

Não se preocupe com isso.

A manteiga tinha acabado.

Eles têm que pagar algo.

Não têm.

E aquela intimação pelo correio? O que é?

É do Tribunal Marítimo.

Não posso perder o trem.

Beijos, tchau.

VARSÓVIA, POLÔNIA 12 DE FEVEREIRO

Que ele siga em paz a eterna vigília.

Pelo que estão escrevendo, não será assim.

Eu sei, Jola. Vi aquele artigo desprezível.

Farei tudo que eu puder para publicarem uma retratação.

Dos mortos, se fala bem ou não se fala nada.

Ele agiu com honra.

Como um capitão.

Deve se orgulhar do seu pai.

Ele foi corajoso e leal. Permaneceu na ponte até o fim.

Preferia que fosse covarde, mas estivesse vivo.

Agora que encontramos o corpo, você pode pedir indenização.

- Pena termos sabido pela TV. - Eu sei, sinto muito.

Mas esses repórteres são uns urubus.

Mais uma vez, minhas sinceras condolências.

Ligou para aquele advogado?

Ele vai assumir.

Capitão.

Capitão…

É verdade que será juiz civil no Tribunal Marítimo?

Sim.

Recebi a intimação.

Devo comparecer como parte interessada.

Sim, é possível.

"Parte interessada"? Para mim, isso é "réu".

Chamaram todos os sobreviventes. Por quê?

Acho que é só formalidade. Aparentemente, são as regras.

Você leu os jornais?

- É só besteira sem sentido. - Estão escrevendo merda!

O capitão sabia o que estava fazendo quando ficou na ponte.

E agora querem falar esse monte de merda.

Houve um acidente. As causas precisam ser apuradas.

Apurar as causas?

Sério mesmo? Você sabe bem o que aconteceu.

O sistema de lastro estava quebrado…

Tchau.

O sistema de lastro estava quebrado.

Dois motores funcionavam mal.

A maldita superestrutura

fazia adornar tanto que o vento chacoalhava o tudo.

Essas foram as causas.

A responsável é a Baltica Ferries, e sabe disso.

É o que você precisa falar no tribunal. Você precisa.

Precisa defender a reputação do capitão, da tripulação e a sua.

É a sua reputação também.

É a sua reputação também.

Você precisa fazer isso.

Ei! Olhe o Kaczy.

Está indo vender alguma coisa?

Era melhor roubando Blaupunkts na vizinhança.

Foda-se esse cara.

Olá, senhor!

CASA DE PENHOR

Espere lá fora.

Essa gravação…

reduz bastante o valor.

Bem… certo.

Fico com isto também.

Certo. O que temos aqui?

Uma chaleira, um espremedor, um videocassete…

Por tudo isso, posso te dar…

15 milhões.

O quê? Só 15?

Só o estéreo já vale…

Certo.

Que seja. Prejuízo meu.

Vinte.

Aqui.

Obrigada.

Tem garantia?

Não sei, acho que não.

Meu marido trouxe da Suécia.

Sem condições. Isto não presta.

É sucata sueca.

Compre um Junkers. Marca alemã.

Vai durar mais, com certeza.

Não, senhora, guarde esse dinheiro.

Sei o que aconteceu.

Li nos jornais sobre a indenização.

E um aquecedor daqueles…

vai custar muito dinheiro.

Quanto?

Um Junkers? Cerca de 60 milhões.

Tudo de bom. Tchau.

Obrigada.

Tchau.

NAUFRÁGIO DO HEWELIUSZ: SEM INDENIZAÇÃO? EMBRIAGUEZ PODE SER A CAUSA

Que absurdo!

Jornalistas têm imaginação fértil.

Estamos sem aquecimento em casa.

O aquecedor quebrou. Está um gelo lá dentro.

Como pagaremos se culparem a tripulação?

De quanto precisa?

De 60 milhões.

Mariola, venha aqui um instante.

Mariola, ligue para o RH e diga que a Sra. Skirmuntt está indo lá.

Devem dar a ela 60 milhões, está bem?

Obrigada.

- Bom dia. - Bom dia.

Droga…

Não sei… Não vejo datas disponíveis.

- Talvez Nowak cubra você? - Está bem.

Bom dia, Sra. Ułasiewicz.

- Halinka, terminamos depois. - Certo.

Por favor, sente-se.

- Aceita um café? - Não, obrigada.

Desculpe incomodar. Queria falar sobre a Agnieszka.

Claro.

Vou à Pomerânia um tempo, para as audiências.

A Agnieszka ficará com meus primos.

Se acontecer algo na escola, ligue para este número.

Que bom que ela voltará à escola.

Não entendi.

A Agnieszka não vem à escola faz duas semanas.

Achei que soubesse.

- Ei! - Oi.

O que está fazendo?

Arrumando fotos. Como foi na escola?

Bem. A Gabrysia me fez uma cópia do Guns N' Roses.

Sei que não vai à escola faz duas semanas.

O quê? Isso não é verdade.

Falei com a diretora hoje.

Não quero falar sobre isso.

Me fale o que está acontecendo.

Você sabe.

Meu pai morreu e nem pude me despedir dele.

E na escola?

Na escola me tratam como uma leprosa.

Filha do maldito bêbado que afogou todo mundo!

- O quê? - É o que falam de mim, mãe.

Sabe o Kaczy?

Filho do caminhoneiro que morreu. Ele me persegue e me ameaça.

Não quero voltar lá.

Por favor, me transfira de escola.

Está bem.

Enquanto eu estiver fora, fique com a Hania e o Janusz.

Pode estudar em casa.

Mas depois, voltará à escola.

Seu pai não matou ninguém e vamos defender a reputação dele.

O Markiewicz deve esperar aqui.

Vou subir. Depois venho buscá-lo.

Oficial, e então?

A senhora sabe que é informação sigilosa.

Não venha com essa. Só quero falar com ela. Não há mal nisso.

Não diga a ninguém que sou sua fonte.

Pode deixar.

Obrigada.

O que você quer?

- Vim falar do seu filho. - Meu filho?

- Qual é o assunto? - Algo que diz respeito a nós duas.

Não temos nada em comum.

Há um tempo, seu filho vem intimidando minha filha.

- Ele é agressivo com ela. - Então deve ter motivo.

Motivo? Que motivo?

- Não se faça de boba! - Não estou me fazendo.

- Por que vocês estão nos atormentando? - Nós?

Não foi meu marido quem matou o seu, foi o contrário.

Meu marido não matou ninguém.

Foi um acidente. O mar é imprevisível.

- Estavam bêbados. - É mentira.

Saiu nos jornais.

O Andrzej é inocente. Tenho certeza disso.

É tão triste pra você quanto pra mim. Deixem minha filha em paz.

Espere!

Meu marido não foi enterrado com honras.

Não houve salva de tiros. Nem orquestra.

E eu tive que pagar tudo sozinha!

Você não precisa ir a casas de penhor ou pedir fiado para pôr comida na mesa.

O que devo dizer ao meu filho agora?

Que os que mataram o pai dele são heróis?

Que merecem honras?

Ou talvez até medalhas, né?

Só deixem minha filha em paz.

É tudo que eu peço.

O que foi, Hania? Vá caçar o que fazer.

ESTETINO, POLÔNIA

Sra. Ułasiewicz?

Ignacy Budzisz.

- Olá. - Olá.

Deixe que eu levo sua mala.

- E a bolsa? - Não precisa, obrigada.

Então vamos.

Por aqui.

Venha comigo.

Obrigada por me deixar ficar na sua casa.

Vai ser uma boa mudança para mim também.

Sou viúvo há três anos. Moro sozinho.

Além disso, nestas circunstâncias, é melhor você economizar.

Esse caso não vai se encerrar com uma ou duas audiências.

- Aqui, este será seu quarto. - Obrigada.

Quer provar um pouco?

É licor de noz.

Por favor, sente-se.

É da nogueira do meu jardim.

Gostou?

É muito bom, mas bem forte.

É pra dar coragem.

Você precisa ser forte.

Pode se servir.

Esse julgamento será…

uma caça às bruxas.

Você vai ouvir coisas horríveis sobre seu marido.

O tribunal foi montado para incriminá-lo.

Supostamente é formado por capitães

prontos para defender o nome de um colega, mas…

na verdade, vão proteger o cargo deles.

Cada um deles está envolvido nesse caso de algum modo.

Um trabalhava no Heweliusz, outro não partiu para salvá-lo,

outro autorizou a viagem.

Então…

eu não contaria com uma grande indenização.

Seu marido comandava a embarcação, afinal.

E o capitão, com autoridade máxima, abaixo apenas de Deus,

é sempre em parte responsável por uma catástrofe assim.

Mas, neste caso, acho que Deus tem muito mais culpa.

Não ligo pro dinheiro.

Só quero defender a reputação do meu marido.

Exatamente.

É por isso que lutaremos.

VOCÊS MATARAM MEU MARIDO

Estamos na prefeitura de Stargard Szczeciński.

Como podem ver, tem uma multidão reunida aqui.

STARGARD SZCZECIŃSKI, POLÔNIA

Todos aguardam ansiosos por novidades.

Por que o capitão matou a tripulação?

- Com licença! - Uma foto!

- Sra. Ułasiewicz, o povo quer a verdade. - Nada a declarar até o fim do julgamento.

Respeitem isso.

É verdade que seu marido estava bêbado?

Tudo que posso dizer é que…

repetir informação falsa sobre o capitão Ułasiewicz estar bêbado

é difamação.

E difamação é crime.

- Última pergunta! - Com licença, senhora!

Bom dia. Sejam muito bem-vindos, senhores.

- Bom dia, professor. - Olá.

Fico feliz que tenha aceitado presidir este caso.

Vocês já se conhecem.

Piotrek, já se conhecem?

Professor Pyzel, autoridade em direito marítimo internacional

e autor de vários artigos sobre acidentes.

Henio, não me bajule, diga a verdade.

Fazíamos atletismo juntos na faculdade.

E esvaziamos mais de uma garrafa juntos, por assim dizer.

Perfeito. A pessoa mais importante aqui, nossa taquígrafa, Barbara.

- Professor Pyzel. - Prazer.

- Barbara Bożych. - Olá.

Senhores.

O papo está bom, mas é hora de cumprirmos nosso dever.

Dez minutos.

Minha toga.

Bom dia.

Senhoras e senhores,

bem-vindos à sessão do Tribunal Marítimo em Stargard Szczeciński,

onde investigaremos as causas da catástrofe do cargueiro Jan Heweliusz.

Paço a palavra ao juiz civil capitão Kubara.

Muito obrigado, Excelência.

Antes de iniciarmos a audiência,

com a permissão do juiz-presidente,

quero chamar o presidente da Baltica Ferries,

empresa dona do Heweliusz, o Sr. Wiesław Kosiorek.

Ele pediu para ler uma declaração.

Presidente, vá em frente.

Era um dia normal na nossa empresa.

Nada indicava que seria o mais trágico da nossa história.

Se eu pudesse voltar no tempo…

jamais, repito, jamais teria permitido que o Heweliusz partisse.

Mas vale lembrar que temos uma missão.

Oferecemos serviços de transporte.

Conectamos países, apoiamos a logística,

levamos materiais de construção a obras, pessoas ao trabalho, presentes a crianças.

Carregamos o peso de guiar o rumo do mundo.

Os que morreram no Heweliusz não eram só funcionários…

eram meus amigos.

Perdão.

Portanto, qualquer insinuação de que a culpa é da empresa

por não garantir padrões adequados,

é um ataque cruel à memória deles

e à empresa a qual dedicaram os melhores anos da vida deles

e era como uma segunda família.

Acima de tudo, quero apurar a verdade.

E a verdade deve ser objetiva,

não conveniente.

Estou à disposição.

Ajudarei no que puder.

Não fugirei de responsabilidade alguma.

Muito obrigado.

Obrigado, presidente, pela declaração.

Agora o tribunal convoca a primeira parte interessada.

Senhor Marek Celej.

Desculpe, não entendo em que condição fui chamado aqui.

Como parte interessada.

Então estou sendo acusado? De quê?

Sr. Celej, quem faz perguntas aqui somos nós.

Mas eu nem sei a natureza da acusação.

Sr. Celej, por favor, acalme-se.

Isso é um absurdo.

Eu é que deveria processar.

Eu tinha 300 milhões guardados naquela barcaça,

e vocês me deram nove!

Sr. Celej, mantenha a compostura!

Estamos falando de uma tragédia.

Da morte de pessoas queridas.

Já se acalmou?

Ótimo. Então diga seu nome completo para o registro.

A luta do Heweliusz contra a tempestade no Mar Báltico em 13 de janeiro

terminou na madrugada de 14 de janeiro.

Uma tempestade com força superior a 12 na escala de Beaufort,

tombou o cargueiro em poucos minutos.

A tripulação nem conseguiu lançar os botes salva-vidas.

O vento soprava a cerca de 140km/h a 150km/h.

Além disso, o próprio cargueiro estava em péssimas condições.

Bom dia.

Pois não?

Podemos conversar?

Aluś, abaixe o volume.

Obrigada.

Obrigado.

De nada.

E então?

Acho que poderíamos ajudar um ao outro.

Como?

Basta dar depoimento de que seu marido reclamava da embriaguez da tripulação.

Que o capitão arrumava brigas,

fazia escândalos,

corria pelado…

ou seminu, pelo cargueiro.

Ele corria pelado?

Precisamos de algo concreto.

Mas meu marido nunca disse isso.

Talvez tenha dito, talvez não.

Mas alguém o afogou.

É simples.

Você nos ajuda…

e nós retribuímos o favor.

E como seria?

Quer que eu minta?

Sabe que ninguém nesse caso é inocente.

Não entendo.

Sabe o que seu marido realmente fazia no trabalho?

- Ele era caminhoneiro. - O que ele transportava?

O que ele transportava?

Não posso contar à senhora.

Mas com certeza não eram fraldas, nem ração de galinha.

E o caminhão que afundou não era dele, certo?

Preciso ir.

Então temos um acordo?

Vai nos ajudar?

Sim.

Obrigado pelo café.

Segundo uma das teorias, começou a entrar água no cargueiro

por um buraco no portão de popa.

Isso levou à tragédia.

Concorda com essa afirmação?

Acho que quem navega cargueiros sabe que durante uma tempestade

entra mais água por cima do que por um pequeno buraco.

E o convés escoa rápido,

o que todos os senhores aqui sabem muito bem.

Então não foi por isso que perdemos estabilidade.

Ordem, por favor.

Silêncio, por favor. Ordem!

Mas vai concordar

que o capitão Ułasiewicz bater o portão no cais de Ystad no dia anterior

pode ter contribuído pro acidente.

Excelência…

lembre o juiz civil de não sugerir respostas à parte interessada.

Advogado, eu não dei a palavra ao senhor.

E não me diga o que devo fazer.

De qualquer forma, não é representante do Sr. Celej.

Ele nem teve tempo de achar um representante.

Soube que seria parte interessada há poucos dias.

Vim pra defender a reputação do capitão Ułasiewicz.

Muito bem, mas agora sente-se.

Certo. Então, pelo que entendi,

a partida atrasou naquele dia porque consertavam o portão de popa.

Que fixação nesse portão!

Meça as palavras, Sr. Celej.

Não foi o que houve.

O atraso foi por outro motivo.

O capitão disse pra esperarmos no porto.

Por quê?

Esperávamos algo chegar. Atrasou duas horas.

E então vimos que se deixássemos mais caminhões embarcarem,

ficaríamos muito pesados.

Por isso, o capitão mandou parar o carregamento.

Prossiga.

Essa era uma situação incomum?

Cargueiros costumam ficar sobrecarregados,

mas dessa vez o carregamento foi supervisionado por soldados.

- O que soldados faziam lá? - Ordem!

Exijo ordem!

Soldados? Quer dizer fiscais aduaneiros?

Não, soldados mesmo. Só que estavam à paisana.

Na evacuação, um deles me disse que era mensageiro militar.

Ele supervisionou o carregamento.

- Com licença. - Mensageiro militar?

Acredito que isso não seja o tema da audiência de hoje.

- Perdão. - Não é? São fatos novos.

De fato.

- Senhoras e senhores, por hoje… - Uma pergunta.

Estão todos cansados…

- Uma pergunta. Posso? - Está tarde, capitão Binter.

O tribunal encerra a sessão de hoje. Obrigado a todos.

Obrigado a todos. Sr. Celej, o senhor está liberado.

- Você falou bem. - Acha mesmo?

Podemos fazer algo a respeito disso agora?

Fazer o quê? Ninguém sabia daquilo.

Srta. Basia, me passe a transcrição.

Excelência, por que interrompeu a audiência?

Os devaneios da parte interessada não acrescentavam nada ao caso.

Não acrescentavam?

A informação sobre os soldados é crucial. O que faziam lá?

Veja aqui. A partir do parágrafo 23, tudo isto é desnecessário.

Não é relevante para o assunto.

- Claro. - Pode ser riscado.

É um documento oficial.

É errado. O que está fazendo?

Isto é uma investigação.

Piotruś, nós apenas achamos

que a última parte dos devaneios do Celej não acrescenta nada ao caso.

O carregamento foi supervisionado por militares, e querem acobertar?

O que está havendo?

Piotruś, não exagere.

Não exagere.

- Zosia. - Boa noite, capitão.

Quero ver os registros de carregamento do dia do naufrágio.

- Vou pegar. - Obrigado.

- Aqui está. - Obrigado.

- Café? - Não, obrigado. Não vou demorar.

Eita…

Obrigado, Zosia.

- Tchau, Capitão. - Tchau.

Piotruś!

- Não cansa de trabalhar? - Desculpe, estou com pressa.

- Isto é pro Borchólski. - Certo.

O que ele queria?

Ver os registros de carregamento do Heweliusz.

Boa noite.

Boa noite.

- Cadê o presidente? - Está na emissora de TV.

O que ele está fazendo lá?

Acho que tem a ver com o julgamento.

Presidente, o que poderia nos dizer?

Não como presidente, mas como ser humano.

Esta é a minha tragédia pessoal.

Sinceramente, acho que nunca vou superar

o que aconteceu no dia 14 de janeiro.

Eu conhecia aquelas pessoas. Conheço as famílias delas.

Éramos próximos.

Sinto muito.

Deve ser muito difícil pro senhor.

Desculpe, não sei o que mais posso dizer.

Claro, é compreensível.

- Com quem quer falar? - O quê?

Quem procura?

- Muito obrigado, tchau. - Obrigado.

- Muito obrigada. - Agradeço.

- Espero que tenha ficado bom. - Ficou ótimo.

- Com licença, preciso ir. Tchau. - Tudo de bom. Obrigada.

Oi, Piotrek.

O que faz aqui?

O que o Heweliusz estava transportando?

Como assim? Diversas coisas.

Sabe do que falo. O que tinha lá?

Por isso saíram tão tarde do porto?

Saíram tarde por causa do portão de popa.

- É mesmo? - É.

E por que a carga real era mais pesada que a declarada?

- Sabe que sempre varia. - Não em 30 toneladas!

O que os soldados faziam lá?

Não sei nada sobre isso.

Pare de fingir, Wiesiek. Você sabe que eles estavam lá.

Transportavam armas.

Eram armas. Por isso o Kowalik foi ao local do naufrágio.

Cale a porra da boca, Piotrek!

Ficou maluco?

As paredes têm ouvidos aqui.

Não sei o que transportavam.

Entende? Não sei. Sou só o presidente.

A Baltica Ferries pertence ao Estado.

Legendas: Jenifer Berto

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