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Falamos daqui a pouco, Gerber.
Detetive, encontrámos mais de uma dúzia de caixas de explosivos.
Estes sacanas estavam a planear algo.
- Tratem disso. - Sim, senhor.
Vai-te foder, seu cão fascista.
- Vão! - Vamos!
- Mais rápido! O que esperam? - Não parem! Mexam-se!
Mexam-se! Estão a ouvir-me?
- Mais depressa! - Vamos!
- Vamos. - Vamos embora!
- Já. Estou a falar convosco. - Vamos!
- Esperem. - Parem.
Pois.
Já! Mãos no ar.
Este?
Este serve.
Não dura muito tempo consigo, Detetive.
Vamos levar este.
A estação tem de ser mantida limpa.
Os Jogos, sabes?
E quero falar com ele à moda antiga,
só para garantir que ele me conta tudo o que sabe.
- Vamos. Leva o teu chapéu. - Detetive.
Eu dou-lhe apoio.
Não é preciso. Estão ocupados.
Vão!
Vamos!
- Um por um. - Vamos! Mais depressa!
- Eu… - Cala-te, seu idiota!
Idiota. Seu imbecil!
Sabes o que vai acontecer aos teus amigos?
Acabarão todos num campo de concentração.
E garanto-te que nenhum deles viverá para ver o Natal.
- Há coisas por que vale a pena morrer. - Ouviste, Benk?
Vamos voltar. Ele quer ir para um campo e dar a vida pela causa.
- Não, tio… - O quê? Que "tio"?
- Decide-te. - Tio, por favor. Imploro-lhe.
Por favor, imploro-lhe.
- O que fazias lá? - Poemas! Estava só a ler os meus poemas.
Foi a minha primeira vez.
Quem te apresentou?
O Tilemans, um amigo do secundário. Disseram que gostavam dos meus poemas e…
Uwe Gerber, o que sabes sobre ele?
Conheci-o hoje. Acho que é uma espécie de líder.
Eles ouvem-no. Ele fala muitas vezes.
Mas o que diz ele? Factos!
Piadas, tudo!
Que temos de ter cuidado e manter a calma. Que os nazis vão provocar as pessoas.
Porque precisavam de explosivos? O que iam explodir?
Não sei, eu não…
Juro que não disseram nada. Foi a minha primeira vez lá.
Só li…
Estava só a ler poesia. Só li os meus poemas.
Estava só a ler…
OS ASSASSÍNIOS DE BRESLAU
O que queriam explodir?
O teu rabo, seu nazi.
Um mundo melhor está a nascer!
Vai-te foder, seu nazi.
Prefiro morrer.
Não vos vou dizer nada.
Só quero saber o que se passava entre o Uwe Gerber e a Zelda.
O Gerber tinha um caso com a Zelda?
Não só com ela.
Quem mais?
A tua mulher.
Era uma piada.
E quanto ao Gerber?
Ele recusa-se a falar. Não vai dizer nada.
Então, obriga-o a falar.
Disse-me para o fazer como deve ser. O Ocidente está a ver.
Vocês são 19 e não preciso de todos.
Um de vós só tem de começar a falar.
Podias ser tu.
Podias estar em casa hoje.
Ou podias estar num campo.
Qual preferes?
- E deixam-me ir? - Sim.
Nós tratamos disso.
E não querem nada por escrito?
Queremos informação.
Dão-me um cigarro?
Informação primeiro.
Obtenham a informação mais recente aqui.
Estás louca?
As pessoas estão a ligar-me. Estás a tentar envergonhar-nos?
Não.
Já falámos sobre isto. Estou à procura dele.
Mas não o encontraste. Tive de tratar do assunto sozinha.
Não lhes posso pedir que o procurem. O que iriam dizer?
Não sabemos onde ele está, não sabemos o que está a fazer.
Não está a tomar a medicação.
Sabes o que acontece se ele não a tomar.
Anda, eu levo-te a casa.
Confessas o homicídio de Ann Ricken, também conhecida como Zelda?
Assim como Bernard von Blumenstein e Leon Rosenblum?
E também a violação da Virgem Maria.
Achas que isto tem piada, Gerber?
Achas que gosto de perseguir lunáticos patéticos que decidiram
que queimar e cortar partes do corpo de alguém é a melhor forma
de expressar o que se passa nas suas mentes retorcidas?
Achas que és o primeiro a ter essa ideia?
Eis o que eu acho.
Estavas a ter um caso com a Zelda.
Apaixonaste-te por ela.
Disseste-lhe que eras o tesoureiro da organização
e, pior ainda, contaste-lhe o teu maior segredo.
Sobre o teu trabalho.
E isso foi um erro.
Como sempre, quando um homem confunde o coração com a pila.
Achas que ficámos sentados a noite toda a beber vodca?
Os teus amigos são muito faladores.
Quando o primeiro começou a falar, todos quiseram participar.
E, agora, o Subchefe Benk
vai dizer-te o que eles nos disseram.
Eis o que aconteceu.
A Zelda e o Blumenstein queriam fugir para a América.
Infelizmente para ti, sabiam o teu segredo.
Que eras o tesoureiro da organização,
por isso, pediram-te uma grande quantia ou entregavam-te à Gestapo.
Sabes? Não te censuro. Eu também ficaria chateado.
Mas, afinal, trabalhas para uma organização terrorista comunista
e sabias que, se a matasses,
alguém viria atrás de ti, como nós.
Então, tiveste de encobrir o rasto.
Trabalhas no hospital. Tens acesso a cloro.
E queimar-lhe os olhos devia apontar-nos
para um assassino louco, mas, acima de tudo…
… afastar as suspeitas de ti.
Acham mesmo que me importava com ela?
Tenho uma esposa e um filho pequeno.
A Zelda era só uma prostituta.
E têm de condenar um comunista para tratar das pontas soltas nazis.
Não têm nada contra mim.
Isto nem sequer é válido em tribunal.
Doze dos teus 19 colegas testemunharam.
E todos disseram o mesmo.
Que tu planeaste o ataque terrorista
a oficiais do governo.
Devias ter explodido a sede do NSDAP, em Breslávia,
no dia de abertura dos Jogos.
Roubaste a dinamite de uma pedreira
para a trazer para o edifício e escondê-la entre as caixas de vinho.
E o teu homem, um tal de Klinsmann, devia ter ajustado o temporizador.
Continuo?
Sabes melhor que eu que serás executado por tentares o ataque.
Não tens nada a perder.
Se confessares o homicídio,
farei com que vejas a tua esposa e filho antes da execução.
Tens um filho lindo.
No teu lugar, quereria vê-lo uma última vez antes de morrer.
Nunca matei ninguém na minha vida.
Tens até ao meio-dia.
As provas são fortes, mas ainda tenho dúvidas.
Dúvidas? Insististe que era ele.
Só preciso de mais tempo.
Preciso de reunir mais provas para o tribunal.
Não temos tempo, Podolsky.
Se quer que ele confesse, mande os seus rapazes.
São melhores nisto que eu.
Não o posso torturar.
A imprensa ocidental tem de o ver no julgamento são e salvo.
A investigação tem de ser transparente, limpa e lícita, como o Terceiro Reich.
Alguma prova. Algo que indique claramente um criminoso.
As impressões digitais do local do crime não coincidem.
Ele pode ter usado luvas.
Tinha um motivo e uma oportunidade.
Obrigado, Podolsky.
- Obrigada. - Estou mesmo muito feliz. Ótima decisão.
Lena.
Onde estiveste?
Estava assustada, não queria estar sozinha.
Aconteceu alguma coisa?
Dormi em casa da Ewa. Podes confirmar.
Só estava assustada.
Deixa-me entrar.
Eu amo-te, Lena.
Está tudo bem.
O meu marido volta hoje de Munique.
Vou buscá-lo à estação ao meio-dia.
Avisas-me quando ele voltar a viajar?
- Talvez. - Talvez?
- Talvez sim ou talvez não? - Talvez não saiba.
Adeus.
Adeus.
Eu sabia.
O Obersturmbannführer Holtz ordenou que lho desse pessoalmente.
Seis da tarde, Sede da Polícia de Breslávia. Salve Hitler!
Muito bem, podem ir.
Alguém me pode dizer o que se passa aqui? Os seus homens são mestres do secretismo.
Devido a um ataque planeado,
ordenei uma busca a todas as residências dos comunistas.
A segurança do Reich e dos seus cidadãos é de extrema importância.
E porque estou aqui?
Por favor.
CLORO Cuidado Veneno!
O meu pessoal encontrou-o.
Encontraram isto?
Onde?
Temos provas. O Gerber não tem de confessar.
Resolvemos isto numa audiência.
Adulterou aquelas provas.
Porque achas isso?
Porque eu estava naquele apartamento. Revistei-o de cima a baixo.
Não vi um relatório sobre isso.
Acho que é bom que não haja mais dúvidas. Certo?
Muito bem, vamos levar o nosso pessoal.
Vou perguntar uma última vez.
Admites a tua culpa?
Não.
Quero um julgamento.
Ainda tens de me escrever isso.
O que devo escrever?
Algo como: "Eu, Uwe Gerber, declaro-me inocente
e recuso fazer uma declaração".
Queres um julgamento, certo?
Tenho de terminar este interrogatório e encerrar oficialmente o caso.
Não admito ter matado três pessoas. Uwe Gerber
"Com base na minha experiência profissional,
de acordo com as provas recolhidas,
sem qualquer dúvida,
concluí que o suspeito
Uwe Gerber cometeu os atos de que é acusado,
nomeadamente… "
Em todos os meus anos como polícia, ninguém escreveu um relatório por mim.
Não leves isto a peito, mas este relatório irá agradar
aos média ocidentais.
Seja como for, o superintendente Barens disse-me que as formalidades
não são o teu forte.
A sério?
E é precisamente esta formalidade que exige que lhe diga
que o suspeito se declarou inocente e se recusou a prestar declarações.
A investigação está encerrada.
Além disso, os testes psicológicos confirmam as tuas conclusões.
Inga Eissmann Especialista em Psiquiatria
Até a ciência está do teu lado.
De que mais precisas?
Se tivesse mais dois dias…
Daqui a duas semanas, o Führer abrirá os Jogos Olímpicos em Berlim.
Gostaria que a imprensa esquecesse este assunto desagradável até lá.
Apanhámos o assassino.
O caso está encerrado. O Terceiro Reich é um estado eficiente e legal.
Fizeste um excelente trabalho, Podolsky.
Eu assino.
Mas vai libertar o Dr. Krakauer.
Não depende de mim. Ele foi legalmente condenado.
Sabe como reduzir legalmente a pena dele
para que possa jantar com a esposa amanhã à noite.
Está bem.
Mais alguma coisa? Ou posso ir para casa?
O Führer felicita-te pelo caso.
E eu também.
Salve Hitler!
Agradeço ao superintendente da Polícia Criminal, Leopold Barens,
pela sua disciplina e excelente organização,
e ao Detetive Franz Podolsky,
uma lenda da Polícia de Breslávia,
que foi condecorado hoje pelo Führer pelo seu serviço ao Terceiro Reich.
Juntos, provámos hoje
que o Terceiro Reich é um estado de lei e ordem.
Ninguém que se vire contra ele ficará impune.
Muito obrigado. Salve Hitler!
- Uma pergunta sobre o caso. - Sabe a data do julgamento?
Parabéns, Detetive.
Pensei que, se me desse uma entrevista…
Tens um cigarro, Fox?
Vamos sentar-nos no hotel?
Não vou falar contigo.
Já temos provas irrefutáveis de que foi o Gerber.
Prestaste um grande serviço a uma causa digna.
Tenho dúvidas em relação ao suspeito.
Falámos sobre as tuas dúvidas.
E o que aconteceria se as aprofundasses demasiado.
Pede-me ajuda, ameaça-me, depois elogia-me…
O que se segue?
O Jürgen é teu paciente.
És uma médica muito boa.
Provavelmente entendes a mente dele melhor que a Gerda e eu.
Achas que, sem a medicação dele,
ele devia andar pelas ruas?
Sozinho?
Sem supervisão?
Onde devemos procurá-lo?
Se o Jürgen não tomou a medicação e saiu de casa,
deve estar ansioso.
No estado dele, tende a procurar espaços fechados.
Um lugar com o qual está familiarizado, onde já esteve antes.
Ele não sai muito, por isso, não conhece Breslávia muito bem.
Não há muitas opções.
Um drogado ou um louco?
Nenhum dos dois.
Filho.
Pronto.
Pronto.
Meu rapaz.
Tem calma.
Pronto.
Vamos.
Desculpa, pai.
A culpa não é tua.
Vou pedir à mãe para aquecer o assado.
E talvez possamos ler aquele livro sobre o Winnetou.
Posso ouvir música?
Claro.
Jürgen!
Não sei se a sua esposa ficaria satisfeita por me vir ver a esta hora.
E neste estado.
Saia. Falamos cá fora.
Li o seu relatório.
Não foi o que disse antes.
O suspeito não tem uma personalidade volátil.
Está a fingir ser um psicopata.
Elogiaram-no na rádio, esta noite.
Por apanhar o criminoso.
Chamam-lhe "A Lenda de Breslávia".
Onde quer chegar?
Nem sempre fazemos o que queremos.
Também assinou um relatório hoje, não foi?
Boa noite.
Sou como tu, Podolsky. Estou a limpar a cidade.
Era o que queriam.
Cabrões!
Ela vai entrar no Luxus, Detetive. Ninguém a está a seguir.
Pó?
Não. Só álcool.
Não a percas.
Sim, senhor.
Para, seu pervertido!
Vira-te.
Vira-te!
Erwin?
- Não tens vergonha? - Não.
Tratas a tua própria esposa como um dos rufias que queres prender
e não estás envergonhado?
Queres prender-me, Detetive? Fui muito marota.
Estou a garantir que não fazes nada estúpido.
E ambos sabemos que consegues.
Achas que encontraste uma jovem esposa que aceita, se curva, te chupa a pila
e não faz perguntas?
Não, pensei que era a futura mãe dos meus filhos.
Talvez não sejas feita para isso.
Nunca terás filhos, Podolsky.
- Nem comigo nem com mais ninguém. - Estás a falar de quê?
Falei com o médico.
Estás pedrada.
Não te disse porque sabia que isso te destruiria.
- Mas, agora, quero destruir-te. - A sério?
É por tua causa que não engravido.
És infértil, não adianta.
- Só dizes tretas. - Ai é?
Talvez não devesses ter passado metade da vida em bordéis.
Em que prostituta ejaculaste o teu filho de sonho?
Desculpa, Lena.
Lena.
Lena…
Dás mais um passo e rebento-te os miolos.
Não voltará a acontecer.
Nunca mais me verás.
Têm o Queimador de olhos!
O Queimador de olhos foi apanhado! Exclusivo! Leiam tudo!
Detalhes chocantes!
O Queimador de olhos foi apanhado! Exclusivo! Leiam tudo!
Detalhes chocantes!
Como é que isto aconteceu?
Foi uma pena. Negligência do lado do diretor.
Que negligência?
Matou-o para ele não prejudicar a investigação.
O Uwe Gerber suicidou-se.
Leste o relatório da Dra. Eissmann? Tinha uma personalidade volátil.
De que raio está a falar? Estou farto desta charada.
É como uma prostituta a fingir ser virgem.
Que ditadura do caraças.
Olhar para ti enche-me de nojo.
Se a única forma de evitar este aborrecimento for trancar-te numa cela,
não hesitarei.
Pode ver o que está a acontecer.
Podolsky, vai para casa.
A propósito, Detetive,
só queria que soubesses que sou um homem de palavra.
Fiz perguntas sobre o teu amigo.
Fui informado que o Sr. Krakauer
morreu, ontem à noite.
Pneumonia.
É invulgar nesta altura do ano.
Franz!
- Franz! - Ele é um idiota.
"Envolto em lenda e mistério. Ele não gosta de falar.
A mente dele analisa constantemente as almas dos assassinos que captura.
Um verdadeiro detetive."
Foi o que escrevi.
Mas o artigo ainda não está acabado.
Pode falar-me mais sobre o criminoso?
Era um louco?
Porque queimou os olhos deles?
É um herói. Tem o direito de falar.
Muito pelo contrário.
Sou só uma prostituta útil, tal como tu.
Perdão?
O Gerber…
Não foi ele. As provas foram plantadas.
E, esta manhã, foi encontrado morto na cela.
Porquê?
Apanhei-o e sou um polícia corajoso.
Se puseres isso no teu jornal, serás um ótimo jornalista.
Pela glória do Terceiro Reich.
Vamos fazer um brinde.
À lenda da nossa cidade.
Ao anjo da guarda de Breslávia, graças a quem podemos dormir em paz.
Um brinde ao Detetive Podolsky!
Um brinde!
ROSA VERMELHA
Tradução: Lúcia Fonseca
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