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Original subtitles

Cuidado! Isso mesmo. Atenção ao desnível.

Levem-no para o fundo.

Isso.

Merda.

Sarah.

Vamos guardar os Augustus Starcks aqui por precaução.

Avisaram-me sobre um grupo de manifestantes.

Estava na cara que ele seria cancelado.

Ele não foi cancelado.

A mulher dele só tinha 15 anos quando se casaram.

Ele era muito influente. Isto vale uma fortuna.

Vamos. Por aqui.

Pode deixar esse em exposição.

O Augustus Starck não usava azul-cobalto, ao contrário da mulher.

Esse é um Christina Starck.

Ele reclamou muito do trabalho dela como seu.

Guardem-no.

Merda!

Controlo-me por ti

Aguento os cavalos

Paciência

Sempre que o Sol nasce Estou em sarilhos

Sempre que o Sol nasce Estou em sarilhos

- Estás bem? - Sim.

Que tens aí?

Salvei-a.

Que corajosa.

Aí estás tu.

- Desculpe, ela… - Sim, tudo bem.

Dás cabo de mim.

Anda.

Mesmo quando o Sol nasce Estou em sarilhos

Mesmo quando o Sol nasce Estou em sarilhos

- Tomem. - Olá, Lenny.

Boa noite, Sarah.

Olá!

Cheira bem.

Eu ou a comida?

Certo.

Não vais pôr copos de vinho iguais?

Pensei que copos diferentes dessem um bom tema de conversa.

"Comprámos este nas nossas viagens a um homem com um primata punheteiro."

Sim.

Vamos usar os chiques.

É o cliente mais importante do banco.

Fazes o molho da salada?

Desculpa, querida. É um email do trabalho.

O dia foi bom? Mau?

O Keith Wang foi falar à gestão de fundos.

O Wang não falha.

Muito bem.

Diz tudo o que tens para dizer.

Vamos falar bastante de investimentos. Não podes gozar.

O Gerard Inchon é importante.

Tudo bem, eu falo de peelings com a mulher dele ex-modelo.

A que horas chegam o Steve e a Becca?

Pois. Eles não podem vir.

A baby-sitter cancelou, mas não te preocupes.

Tratei dos substitutos.

Quem convidaste?

Desculpem o atraso.

O Rufus teve de ir comprar lubrificante vegano.

Olá a todos.

Gerard, Paula. A Wigwam e o Rufus.

- Wigwam? - Olá.

E Rufus.

- Olá. É um prazer conhecer-vos. - Ótimo.

Parecem um dueto de folk de 1960 ou dois peixinhos-dourados.

Gerard.

Estou a brincar. É um prazer conhecer-vos.

Desculpem…

Não! Merda.

Merda.

Raios! Merda.

A Wigwam e o Rufus? Caramba!

Desculpa. Estavam todos ocupados.

Vai correr tudo bem.

Merda.

- O Rufus sacou das bolas. - O quê?

- Incrível. - E toca com colheres.

Alguém quer uma bebida?

- Sim. - Boa!

Ótima lasanha vegetariana, Sare.

Deliciosa.

Sobretudo o toque a…

Era o quê? Chernobyl?

Gosto desta saladeira, Sarah.

Obrigada. Comprei-a a um artesão local.

Sim, vive muita gente criativa por estas bandas.

Porquê?

Somos uma comunidade alternativa.

- Dá para ver. - Sim.

Mark, quando vai voltar para a civilização?

Estamos perto do meu trabalho, portanto…

Trabalha? Deixe-me adivinhar.

Caridade. Ambiente. Publicação ética.

- A Sarah conserva arte. - Certo.

- Não gosto de me gabar… - De certeza?

… mas tenho uma bela coleção de arte.

O banco criou um portefólio de criptoarte.

Fui aconselhado a evitar isso.

Eu acho a arte dos meus filhos tão boa como a arte chique.

O nosso pequeno Ziggy desenhou isto.

Já têm filhos?

Sim, quatro.

Quatro? Vão começar um culto?

Não são do Rufey, mas estamos a tentar.

E a Sarah? Planeia ter filhos?

Se planear, é privado, Gerard.

Mas queremos filhos. Não é?

Sares, é muito diferente quando são os nossos filhos.

Sim, é o que todos dizem.

- E se estiverem errados? - Considere-o um investimento.

Pagam bem por crianças em algumas partes do mundo.

Desculpe, acha mesmo que a adoção é uma oportunidade de negócio?

Devia ser. O processo de adoção é absurdo.

Guerreiros de justiça social lixaram o sistema.

- Vinho? - Nesta zona,

é só rejeitados com problemas com o papá à procura de vingança.

Qual é a sua solução, Gerard?

Pôr os miúdos todos em orfanatos privados geridos por padres sinistros?

Caso contrário, haverá uma enorme revolta urbana?

Goze à vontade, Sarah, mas boa sorte quando a revolução chegar.

Eu estarei armado e pronto.

- Tem uma arma? - Uma coleção, querida.

Considera-se um senhor da guerra suburbano?

Osama bin Negócios, sou eu.

Céus!

Os meus filhos!

Viram os meus filhos? Alguém viu os meus filhos?

- Meu Deus! Esperem! - Wigs, eles estavam com quem?

- Mamã! - Estão ali.

- Céus! Ziggy! Odin! - Mamã!

Graças a Deus!

- Mamã? - Sim, querido?

É a casa da Dinah.

Por favor! Não!

Vai, querida. Eu fico a ajudar.

Sim.

- Vamos, queridos. - Cuidem da vossa mãe.

Vamos sair daqui.

Encontraram alguém.

É uma criança.

Toma. Veste isto.

Vou falar com eles.

Certo.

Obrigado.

Ela está bem?

A menina foi salva por um roupeiro.

O polícia disse que a cama dela atravessou o chão.

O roupeiro caiu sobre ela, de portas abertas.

- O roupeiro? - A sério?

- Pobrezinha. - Foi um milagre.

Os bombeiros acham que foi uma fuga de gás.

Credo!

- Já chega, Mark. - Está bem.

A luz brilhou sobre ti, esta noite

CONFIDENCIAL

Mas eu caminharei Pelas ruas escuras sozinha

E adormecerei com um sorriso

A poupar os cêntimos Porque o oráculo mo disse…

BASEADA NO LIVRO DE

INVESTIGAÇÕES DE OXFORD

… pelo WhatsApp ou correio de voz.

Para quem se juntou agora, regressamos à história do dia.

Os serviços de emergência foram ontem a uma casa no Sul de Oxford,

onde ocorreu uma enorme explosão de gás.

A dimensão dos danos ainda não é certa,

mas um porta-voz da polícia confirmou que a casa estava ocupada.

Suspeita-se de uma morte,

mas não foram divulgados mais pormenores.

A polícia protegeu a área…

Estamos a pensar o mesmo?

Se estiveres a pensar:

"Que faz o meu marido sentadinho a ouvir notícias de treta

em vez de estar a cobrar dívidas de trabalhos por pagar",

sim, estamos, o que é assustador.

Na verdade, estava a pensar

que esta explosão nos poderia dar um dinheirão.

De que forma?

Devida diligência. A companhia de gás pode ter sido negligente.

Talvez este caso vá até ao topo.

Ou talvez fique pelo meio.

O fundo do meio.

O meio do fundo.

- Joe. - Não?

Adiante…

Talvez vá farejar a situação.

Céus! Quando farejaste isto pela última vez?

Na primavera?

Não tive tempo para lavar roupa.

Estou a trabalhar num divórcio.

Onde assino?

Para uma cliente.

Outra donzela em apuros à procura de um cavaleiro de cardigã brilhante?

Talvez.

Muito bem.

Enquanto percebes como esse caso pode derrubar o governo,

toma uns recibos.

Multa de trânsito.

Verificação de antecedentes. Teve piada. E que emoção. Fraude de seguros.

Pago, pago, pago. Com dinheiro a sério.

Carta para companhia de gás. Assunto: pedido de indemnização.

Que é isso? Não temos dinheiro para uma secretária o escrever.

Eu vou escrever.

Porque não escreves? Para que é isso?

Ninguém usa um ditafone desde 1982, Joe.

Tens razão. Em vez do dito, usam o dedo.

A boa notícia é que os últimos testes sugerem uma deterioração mais lenta.

A notícia ligeiramente menos otimista…

CONFIDENCIAL

… é que, sem acesso continuado aos nossos casos de estudo,

não temos informações suficientes para passar à próxima fase.

Olá. Hamza Malik, Informação e Ameaças.

Obrigada.

MINISTÉRIO DA DEFESA

Bem, o Ministério da Defesa não pode apressar a ciência médica.

Pois não, Dr. Wright?

Mas, neste caso, terá de o fazer.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Obrigado.

- Vemo-nos no clube. - Com certeza.

Meu senhor.

Olá.

Isso é que foi meter a pata na poça.

Não foi, Malik?

Não me lembro de o autorizar a começar uma guerra em Oxford.

Foi dada carta branca ao departamento.

Carta branca?

Isso sugere uma grande liberdade, sim.

Não o suficiente para explosões mal controladas

em cidades universitárias cheias de pessoas.

Quem foi o responsável? O Coiote do Bip Bip?

O homem destacado é…

Um idiota impulsivo?

Presumo que a bomba tenha sido ideia dele?

Foi uma decisão no terreno.

- Uma decisão no terreno, Malik? - Sim.

Adoraria ser avisado…

… sobre o que o raio do Força Ralph reservou para depois.

Talvez uma pequena bomba nuclear num centro comercial apinhado?

- Não me parece. - Não.

Não lhe parece?

Que alívio.

É bom que se ponha de joelhos no chão

e limpe a fonte de mijo que criou,

antes que se transforme num gêiser do tamanho de um arranha-céus.

Certo.

Obrigado.

Não se afastem.

Wig, as pessoas daquela casa eram tuas amigas?

- Sim. - Eram.

Ontem, por esta hora, estávamos todos a caminho da escola.

A Dinah foi andando com o Ziggy.

Eu estava a conversar com a Maddie, e agora ela está morta.

Ela usava galochas amarelas?

A Maddie? Não. Costumava usar uns ténis matacões.

Não, a menina. A Dinah.

Acho que sim. Porquê?

Acho que as vi ontem. O cabelo da Dinah era…

Como uma auréola.

Sim.

Pobrezinha.

E o pai dela? Também morreu na explosão?

O pai dela, não.

- A Maddie é… era viúva. - Pareces triste.

Vamos para a escola.

Acho que a Dinah nunca conheceu o pai.

- A mamã está bem? - Espero que ela esteja bem.

Os miúdos estão devastados.

O Ziggy está na turma da Dinah.

Olha, ele fez-lhe este cartão.

"Para a Dinah. Lamento pela tua mãe mota."

- Era "morta". - Certo.

Não corrigimos erros ortográficos. Deixa-os tristes.

- Olá, queridos. - Estás bem?

Sim.

Mamã, podemos mandá-lo à Dinah?

Posso ir ao hospital.

Vais atrasar-te, Sare.

Não, fica a caminho.

Mais ou menos.

Vale a pena tentar.

- Obrigada. - Claro.

- Obrigada. - Sim. Pode ser?

Ótimo.

- Olá. - Olá.

Venho visitar a Dinah Singleton.

Sim.

Como se chama?

Sarah. Trafford.

Trafford.

- Kim. - Sim?

É possível dar lá um saltinho

para entregar isto à Dinah?

Espere aqui.

Sente-se.

Está bem.

Algum problema?

Não, nenhum.

Vim visitar uma das suas pacientes, a Dinah Singleton.

A menina da explosão.

Isso é do seu filho?

Não, é do filho de uma amiga minha.

Levaram-na de ambulância, e presumimos que ela estivesse aqui.

Não podemos dar informações sobre pacientes.

Então, ela está aqui? Está bem?

Não tenho informações.

Desculpe. Não tem informações ou ela não está aqui?

Ou ela está aqui, mas não pode dizer nada?

Quem é a senhora?

Quem é o senhor?

É o responsável ou posso falar com outra pessoa?

É melhor ir-se embora.

O quê? Só lhe queria dar a merda de um cartão.

Vá-se embora, por favor.

Tem de se ir embora.

Está bem.

Caramba!

A saída é por ali.

Obrigada.

Veio cá uma pessoa perguntar por ela.

- Sim. - Olá.

Portas a fechar.

A descer.

Terceiro andar.

Portas a abrir.

Portas a fechar.

Merda…

A descer.

Que faz ele aqui?

Portas a abrir.

Merda.

Olá.

Pensava que tinha voltado ontem para as Cotswolds com a Paula.

Não voltámos.

Está tudo bem?

Que curioso! Não me atreveria a intrometer-me,

caso viesse cá fazer coisas de senhora.

Coisas de senhora? Só lhe perguntei se estava bem.

Que atenciosa. Estou.

Fez isso sozinha?

Na verdade, Gerard, o filho da Wigwam fez isto para a Dinah Singleton.

Quem? Não sei do que fala.

Depois da explosão, vimos a criança num cobertor vermelho.

Pensei que estivesse aqui, mas foram muito evasivos na Pediatria.

Tenho conhecidos na administração.

Que surpresa!

E, lamento, mas não podem divulgar informações a todos os vizinhos metediços.

Era só um gesto simpático para uma órfã que sobreviveu a uma explosão.

Podia perguntar aos seus amiguinhos se ela está bem.

Obrigado pelo jantar.

A comida era de morrer.

Quase literalmente.

Danny! É bom vê-lo.

A polícia concluiu a investigação, e o caso será encerrado.

Para ser justo, acabou por parecer um acidente.

E pode garantir que os habitantes locais estão apaziguados?

Está tudo impecável,

como diriam os velhos palermas deste edifício?

- Sim. - Esplêndido.

Não tenho de me preocupar com assistentes sociais

veganos de meia-tigela meterem o bedelho?

Essa foi boa.

Não.

Ou com uma vizinha metediça rondar o hospital?

Acabei de conversar com o meu contacto.

Aí está.

Vou mandar observá-la.

Observá-la.

Ela não é uma ave, Malik.

Vai acabar com isto, entendido? Não quero nada na imprensa.

Não quero ler sobre isto enquanto tomo o pequeno-almoço.

Vou solicitar a abstenção da imprensa.

Estará tudo resolvido antes que possa dizer…

- Ponha-se a andar. - Certíssimo.

Desculpe?

Que quer que façamos com a criança?

Movam-na, obviamente.

Ela ainda não está pronta para sair.

Ela é algum bolo?

O médico quer mantê-la sob "obs" na UCI.

Fale normalmente. Não estamos nas operações especiais.

Inalação de fumo.

- Ela está basicamente bem. - Basicamente bem não chega, Malik.

Porque criancinhas mortas em operações secretas desleixadas

dirigidas por idiotas psicopatas têm séries televisivas dedicadas

às suas vidas curtas e desperdiçadas.

Vai dizer ao médico

para deixar de coçar o rabo e lhe dar alta,

mesmo com o dedo cagado, se isso apressar as coisas.

Certo.

E mantenha o pirómano maluquinho fora disto.

Certo.

OCUPAS MORTOS EM EXPLOSÃO

… uma mulher.

Hoje, vamos falar do papel da mulher na literatura

e colocar a pergunta: "Terá sido uma sociedade patriarcal

e muitas vezes misógina a impossibilitar as mulheres

de revelarem as suas identidades?"

Ou haverá algo no impulso criativo…

EXPLOSÃO NO SUL DE OXFORD

… que torna o seu anonimato sinónimo de liberdade artística?

OCUPA MORRE EM EXPLOSÃO

As mulheres foram vítimas ou foi libertador assumir um alter ego,

uma identidade?

E a tendência atual de autoras

a assinar com nomes andróginos será uma espécie de embuste literário?

Ou estão a pedir-nos que avaliemos as palavras

e não apliquemos preconceitos sobre a identidade?

E, por falar em embustes,

vamos abordar o que algumas mulheres dizem ser o maior embuste de todos.

- A ideia de que podem ter tudo. - Merda.

Trabalho, filhos e uma relação.

Vou entrevistar uma muito bem-sucedida…

Vá lá.

IMPRIMIR

POLÍCIA

O quê? Não há um agente que faça a ponte com a família

ou alguém com quem possa falar sobre a Dinah Singleton?

É um ficheiro sinalizado.

Que é isso?

Eu trato disto, sargento.

Espere. O senhor esteve na explosão a falar com o Gerard Inchon.

- Falo com muita gente. - Quero entregar isto à Dinah Singleton.

A menina da explosão.

A que foi salva por um roupeiro.

Infelizmente, não a posso ajudar.

Não temos nada no sistema.

Espere. Como é possível?

Ele disse que era um ficheiro sinalizado. Que é isso?

Está interdito a pessoas como a senhora.

- Desculpe? - Mande cumprimentos ao seu editor.

Não, eu não sou jornalista.

- Sou uma pessoa normal. - Normal? Certo.

Família não é de certeza.

Não, porque a família dela morreu.

Teve mais notícias do assalto à loja de desporto?

Só isto, até agora.

- Imbecil. - Recebemos algumas chamadas.

Credo!

Desculpe.

INVESTIGAÇÕES DE OXFORD

Cinquenta libras em comida para a parvoíce da noite de jogos.

O trabalho dá larica.

Recebemos a conta de eletricidade.

Como a vamos pagar?

- Com batatas fritas? - Eu arranjo o dinheiro.

Nem recebeste das últimas duas semanas.

É um trabalho, Joe. Pediste-lhe o dinheiro que te deve?

Combinei com ela. Sem resultado, não há honorários.

Combinaste isso com ela?

- Não és advogado. - Mas ela parecia tão triste.

Vou renegociar. Escrevo-lhe uma carta.

Raios partam, Joe! Outra vez, não!

Ora, ora! Uma cliente.

Ou enganou-se a caminho da loja de queijos artesanais?

A porta estava aberta.

Estou à procura do…

… Joseph Silvermann.

Deixe-me adivinhar. Tem um marido, e ele tem uma secretária. Estou perto?

Não. Ainda há secretárias?

Certo. Uma secretária, não.

Assistente pessoal, uma secretária chique.

Tem cara de quem tem um marido atrevido nos meios de comunicação.

E que cara é essa?

Tem um olhar inocente e indefeso.

E a senhora tem cara de parvalhona.

Sinto-me vista.

Olá. Sou a Zoë Boehm.

Sarah Trafford.

- Não fumo. - Nem eu.

Só sinto saudades da parafernália.

Não sei bem porque vim. Acho que vou…

Bem-vinda à nossa modesta agência de detetives.

Adolescentes fugidos, GPS, créditos, tartarugas desaparecidas.

- Nenhum trabalho é insignificante. - Certo.

Também encontro gatos, carros.

- Chaves. - Pessoas desaparecidas.

Faz bricolagem. E pinta.

Chega dessas porcarias de detetive, Joe. Bolas!

Ele só a quer impressionar, Sarah.

Espere. E que faz a Zoë Boehm?

- O mesmo que ele, mas melhor. - Mas o seu nome não está na porta.

Porque não o faço para me armar em Philip Marlowe.

- Somos casados. - Nem por isso.

Certo. Então, não trabalham em equipa?

Não se o puder evitar.

Não se preocupe. O Joe é ótimo com clientes femininas.

E adora olhares inocentes.

É bom, porque eu sou uma nódoa nisso.

Não bebo prosecco, não crio laços emocionais

e devo acabar por comer o marido atrevido.

Agora que a Cruela foi caçar cachorros, quem quer um café?

E um bolinho.

Andou na St. Magdala?

É a escola da minha irmã. Eu andei na Oriel.

É bom no que faz? A sua mulher foi muito mordaz.

É a forma dela de mostrar afeto.

Não lhe vou mentir.

Não sou nenhum Philip Marlowe.

Mas quem é?

Ninguém. É uma personagem fictícia.

Lá isso é verdade.

Já referi que sou especialista em maridos namoradeiros?

Sim, sobretudo se as mulheres tiverem… Que disse ela? Olhares inocentes?

Para ser claro, não sou nenhum predador, Mna. Trafford.

Sei que dizer que não sou um predador seria o que um predador diria…

Pode parar de dizer predador.

Então, quanto tempo costuma demorar um trabalho?

Ainda não disse qual é o trabalho.

Bem…

Quero encontrar alguém.

Posso tratar disso.

É muito difícil desaparecer sem deixar rasto.

Pegadas online, câmaras de vigilância em todo o lado.

É preciso ser-se um perito para desaparecer totalmente.

Está bem.

Estou à procura de uma menina de cinco anos.

Chama-se Dinah Singleton.

E acho que a estão a apagar deliberadamente.

A apagar?

Eliminaram-na das notícias.

A explosão de gás.

E um enfermeiro no hospital local ficou furioso…

Óbvio. Trabalha para o SNS.

Não. Furioso quando lhe perguntei por ela, como se estivesse a esconder algo.

E há um homem de negócios suspeito chamado Gerard Inchon

em quem não confio nadinha.

Ela pode ter sido "apagada" do público

e levada para uma instalação privada por alguém da imprensa

que pagará o tratamento e a fotografará sem concorrência.

Ela tem cinco anos.

E a polícia abafou tudo.

Na esquadra, disseram que o ficheiro dela tinha sido sinalizado.

Seja lá o que isso significa.

Significa que é confidencial.

Qual é a sua relação com a Dinah Singleton?

- É amiga dos seus filhos? - Não, não tenho filhos.

Não, uma amiga minha conhece-a.

Bem, os pais dela estão mortos. Ela não tem ninguém.

Qual é mesmo a sua ligação com ela?

Eu vi-a no dia da explosão, e ela era…

A criança que gostaria de ter?

Não, a criança que eu fui.

- Olá. - Olá, Sarah.

Eis as novidades. A bisbilhoteira não desistiu.

Está a descer a toca do coelho como a Alice no País das Porcarias

e recorreu à Brigada Ligeira.

Não estou a perceber tanta metáfora, Amos.

O meu tipo disse-me que a Trafford

- contratou um detetive privado. - Que grande merda!

Muito bem. Vamos mover a criança antes que o alvo se arme em heroína.

Vamos acabar com isto.

Desculpa. Isso foram instruções?

Porque, com todo o respeito, Hamster,

eu vou tratar disto como bem me apetecer.

Toma. Leva isto e limpa lá em baixo.

- Está bem. - Não me demoro.

Desculpe? Já acabámos. Quer dar uma vista de olhos?

Está bem?

Não se preocupe. É robusto.

Expresso o que sinto

Alguma vez ouviste duas rolas

A chilrear quando amam…

PARA O MEU FILHO FAVORITO, DA TUA MÃE FAVORITA

Obrigado, mãe.

Vinte.

Quando nos beijamos

E há um salgueiro-chorão

Ele bem sabe chorar…

- Que é isto? - Estava a tirar os vincos às calças.

Não sejas asseado por mim.

Já me habituei ao teu desleixo.

Vou beber uns copos.

Tu não bebes.

De vez em quando, bebo um coquetel.

Optaste por não tomar o tradicional banho em casa?

Sim, porque a água tradicional foi cortada.

Encontrei uma carta da companhia da água sobre a falta de pagamento.

Pensava que tinha tratado disso.

Puseste-a atrás do sofá, com o resto das contas por pagar.

Não limpes a cara com isto.

Vem cá, sacaninha.

Vais gostar de saber que estou a equilibrar as contas.

Ai sim? Ótimo.

Isso significa que mandaste aquela Sarah Trafford dar uma volta?

Ou foi mais um caso de sem resultado, não há honorários?

Pareces o Bambi depois de a mãe ter sido morta.

Estou habituada à incompetência. As mentiras são uma novidade.

Desculpa. Só quero investigar mais uma coisa.

Estou a tentar não perguntar se é o teu próprio rabo.

Se for sobre a explosão de gás,

presumo que tenhas feito as perguntas habituais?

Vou ao bar ver se os enfermeiros dão com a língua nos dentes.

Quanto nos vai isso custar?

Porque não procuras causas em vez de perseguires resultados, Joseph?

Pareces a minha mãe, quando me chamas Joseph.

Às vezes, sinto-me a tua mãe.

A ir buscar-te à creche dos atrasados.

Talvez descubras algo importante no bar,

mas talvez também fosse bom investigar

a casa que explodiu, marcada como "local de crime".

Eu começaria por aí. Pelas vítimas.

Vítima. Só há uma.

Não me digas que começaste a acreditar em tudo o que lês nos jornais.

Posso perguntar aonde vais esta noite?

Perguntar não ofende.

Um beijo de despedida?

Há um salgueiro-chorão

Ele bem sabe chorar

Era assim que eu choraria Na minha almofada

Se te despedisses de mim

- Não, sente-se. - Estou ocupado.

Acredite. É uma grande oportunidade.

Lamento, Trafford, mas não é boa altura.

Deixe-me só analisar os valores para rever a proposta.

Posso falar com a minha equipa.

Sarah! Vim só buscar o meu casaco.

Deixou-o cá depois da explosão.

Que tal bebermos um copo deste belíssimo vinho tinto?

Não, obrigado. Vou conduzir. Pode dar-me o meu casaco?

- Sim. - E o lenço da Paula.

Estão no escritório. Pus lá tudo depois da explosão.

Certo.

- Sim. - Só um segundo.

Então? Conseguiu alguma resposta dos seus compinchas do hospital?

Ou vai voltar a tentar despachar-me?

A criança está ótima.

Vão mantê-la mais uns dias nos Cuidados Intensivos.

Porquê nos Cuidados Intensivos? Que aconteceu?

Inalação de fumo, segundo sei.

Quando ela recuperar, vão transferi-la para o cuidado dos serviços relevantes.

Certo.

Mistério resolvido, Miss Marple?

Se é tudo assim tão simples e às claras,

porque disse a polícia que era um ficheiro sinalizado?

Foi à polícia?

Porque não fazem uma conferência e nos dizem que ela está bem?

Que estão eles a esconder, Gerard?

"Eles"? "Nos dizem"?

O quê? A si e aos seus amigos das conspirações?

Deixe isso com os profissionais.

Concentre-se nos seus problemas, sim?

Como vai a caça ao casaco, Trafford?

Dou-lhe uma pista. É o caro.

Sim, não me demoro!

O seu marido precisa de ajuda.

Certo, Gerard.

Não foi isso que quis dizer, Sarah.

Ele está em águas infestadas de tubarões, e não há barcos de salvamento.

Belo casaco, Gerard.

Devia apresentar-me ao seu alfaiate.

É…

- Merda! - Mark, estás bem?

Mark.

O Gerard está a perder o interesse no investimento.

Merda! O lenço da Paula.

Gerard! O lenço!

Desculpe?

Olá!

Desculpe?

Desculpe, não quero ser sexista, altista nem mais nada "ista",

mas quer que peça por si?

- Sim. Uma vodca tónica, por favor. - Está bem.

- Uma vodca tónica. Obrigado. - Certo.

Ótimo.

Com o que fazem com os cortes, pandemias e carências,

vocês merecem medalhas.

Não apenas bons samaritanos de classe média a bater palmas e tachos.

Aliás, posso pagar-lhe a bebida?

Obrigada.

Malta! Este tipo quer pagar uma bebida a todos.

Percebes que o meu emprego te permite fazer o teu, certo?

Só estou a dizer que, se o teu trabalho exigir termos de implorar

a tipos como o Gerard Inchon, não vale a pena.

Mark…

Joe.

A equipa médica confirma que a menina está lá.

Sim, está nos Cuidados Intensivos, mas está bem,

e eu devia meter-me na minha vidinha.

O Gerard Inchon disse-mo, no seu estilo condescendente.

Alguém lhe deu alta e mandou a enfermeira fazer-lhe a mala.

Ninguém sabe para onde ela vai

nem acha que ela está bem, mas vão levá-la esta noite.

Merda, Joe! Está bem.

FUI À CASA DA WIGWAM!

BEM-VINDOS AO HOSPITAL DO SUL DE OXFORD

Desculpe.

Olá.

- Os Cuidados Intensivos? É urgente! - Siga por aquelas portas,

- suba as escadas e verá as placas. - Por amor de Deus!

Portas a abrir.

Portas a fechar.

Desculpe.

- É uma emergência! Tenho de ver a Dinah! - Não há visitas.

Deixe-me entrar. Vão levá-la!

- Lamento. - Deixe-me entrar!

Atenção. É o alarme de incêndio.

Saiam todos!

É para a vossa segurança. Por favor!

- A Dinah está ali? - Agora, não. É uma emergência.

Dinah!

Dinah? Desculpa.

Vamos.

Vamos, Dinah.

Dinah, acorda, querida.

Dinah!

Continuem a andar.

Vão para o estacionamento, para o ponto de encontro.

Merda!

Merda.

Para quem trabalha, Gerard? Onde está ela?

Sarah, pare. Pare!

A criança que me preocupa é o bebé que perdemos hoje.

Foi por isso que aqui estive.

Joe? Raios!

Tinha razão! Levaram-na, ela desapareceu.

Legendas: Lara Kahrel

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