All language subtitles for Cantinflas El Profe (1971)_1080p

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Original subtitles

O Professor

A� est� ela, � uma casa, semiacabada, naturalmente

ainda falta muito, igual a voc�s

mas se a casa for constru�da com bons materiais

ficar� muito boa e resistente.

Voc�s tamb�m precisam de bons alicerces.

E eles s�o a educa��o, o respeito pelos mais velhos

e, acima de tudo, vontade de estudar

de ser algu�m e servir a p�tria.

Esta casa que est�o vendo, estava deste lado

mas por raz�es geogr�ficas, declararam que tinha passado

para o lado de l�. Passou-se muito tempo, muitos anos

at� que prevaleceu a justi�a e o bom senso

e ela foi devolvida aos seus leg�timos donos.

Agora, � s� um barraco. Explico assim para que entendam melhor.

Mas o teto n�o tem telhado.

� verdade. Voc� � um bom observador.

Ela foi devolvida sem telhas, mas j� � alguma coisa.

� melhor que nada, entenderam? - Sim "profe"!

O que � isso de "profe"?

� professor, mesmo que seja mais longo.

A primeira obriga��o do estudante � respeitar o mestre.

Para voc�s, sou o "profe"... digo, professor S�crates Garcia.

Xar� daquele S�crates que disse:

"Eu s� sei que nada sei".

Mas � para isso que estamos aqui

porque tamb�m n�o sabemos.

Sua ideia de enviar um de n�s para Romeral

- nos honra e orgulha, mas... - Com todo respeito, diretor

achamos que para uma miss�o t�o digna e dif�cil

� preciso uma pessoa que sendo solteira e sem compromissos

possa dedicar todo o seu tempo a esta almejada miss�o.

N�s tr�s, infelizmente, somos casados e temos filhos.

Al�m disso, ter�amos que ver quais s�o os professores

solteiros.

S�crates � o �nico.

Vejamos, quem sabe qual � o maior lago da Am�rica do Sul?

Eu, "profe", digo, professor.

- Ent�o, Cipriano, qual �? - O lago de Chapultepec.

Que barbaridade.

S� falta dizer que ele pertence aos Sovi�ticos por estar

perto de uma montanha-russa. Quem lhe disse isso?

Foi o meu pai.

Ai filho. Desde que seu pai se meteu a pol�tico

e foi nomeado Conselheiro do Munic�pio, virou patriota

e se sente o pr�prio her�i, mas desta vez, exagerou.

Porque o Lago Chapultepec n�o � o maior

e nem est� localizado na Am�rica do Sul.

Como n�o sabem, eu mesmo terei que dizer.

Trata-se do Lago Titicaca.

N�o deem risada nem tapem o nariz

isso nada tem a ver com o que est�o pensando

nem com o que est�o ouvindo. E agora, para n�o esquecer

escrevam 50 vezes

O lago Titicaca

� o maior da Am�rica do Sul

e est� localizado ao sudeste do Peru

e ao oeste da Bol�via.

- Sentem-se. - Obrigado.

Posso falar com voc� professor?

Com todo prazer, diretor, s� lhe pe�o que seja breve

porque o que � dif�cil, eu fa�o imediatamente e o imposs�vel

- eu demoro um pouco mais. - Certo, venha comigo.

- Ainda � solteiro, S�crates? - Sim, diretor

- e sem perigo a vista. - Tal qual eu imaginei.

E n�o pense que � por falta de atrativos pessoais ou de "sex appeal".

Acontece que acho que � muito cedo para eu me entregar

nos bra�os do casamento estando como estou

em pleno desenvolvimento f�sico, intelectual

- e sentimental. - S� o que me interessa

� que continue sendo solteiro.

S�crates!

- Sim? - Preciso de voc�.

- Como? - Sim, S�crates

preciso de voc�, est� me fazendo muita falta.

Quero lhe fazer uma proposta

e voc� precisa aceit�-la S�crates.

De que se trata?

Afinal, voc� � solteiro, o que tem a perder?

Eu? Muito, muito. N�o, eu n�o posso.

Se pudesse, teria muito prazer, mas n�o d�.

Seria uma mancha para minha fam�lia. Afaste-se, por favor

- dizem que isso pega. - N�o, voc� me interpretou mal

� justamente por conhecer suas qualidades que quero confiar

mais uma grande tarefa a voc�.

Que voc� dirija a escola do povoado de Romeral

que est� sem professor h� bastante tempo.

Ora, isso � diferente. Que susto o senhor me deu.

Qual � a sua resposta?

Bem, meu lema sempre foi: onde houver crian�as para ensinar

� l� que o professor deve ir voando.

Voando n�o, por que Romeral fica bem longe

a uns 50km de S�o Bartolo. que � at� onde o trem chega.

Mais distante que S�o Bartolo?

Caramba, mais um pouco e o pessoal de l� cairia do mapa.

Lembre-se que voc� mesmo diz que o ensino � um sacerd�cio.

Digo e mantenho, por isso aceito.

Se pensasse em conforto, eu seria manicure

ou jamais teria sa�do da barriga de minha m�e.

Tem raz�o. Conhe�o seu esp�rito de sacrif�cio

- e n�o esperava menos de voc�. - Tamb�m n�o espere mais.

Com o sal�rio que pagam... Com licen�a

vou continuar com minha aula.

Pare! Espere! Olha o que seus alunos fizeram.

Eu j� sabia, diretor. Mas, de vez em quando

� preciso deixar que as crian�as liberem suas repress�es, ouviu?

Liberar as repress�es requer o uso de psicologia de alto n�vel.

Em outras palavras, para para que entenda mais f�cil

as salas de aula n�o devem ser um lugar de aprendizado duro

e sim um motivo de alegria para os garotos

- onde exista descontra��o. - Est� certo.

Por�m eu gostaria que se fizesse respeitar mais

- pelos seus alunos. - N�o, eles me respeitam.

Acontece que gostamos de brincar e de rir

pois o riso � muito importante.

Cada um tem seus m�todos, diretor.

Sim, mas n�o se esque�a de que sem sacrif�cio n�o se consegue nada.

Isso era antes. Mas j� � obsoleto.

Eu acho que aprender precisa ser gostoso e leve como o mel.

E esse incidente pode acontecer com qualquer um.

Qualquer um n�o. Comigo nunca aconteceu.

Ora, meus parab�ns, diretor.

Muito obrigado. Com licen�a, S�crates.

� vontade.

- Terminaram a li��o? - Sim, professor.

Certo. Continuaremos com a aula de geografia.

Romeral.

Onde diabos ser� que fica Romeral?

Esse professor deveria ter chegado h� muito tempo.

- Foram busc�-lo em S�o Bartolo? - Sim, foi o...

Eu n�o sei. Talvez nem lembraram e n�o foi ningu�m.

O senhor como Prefeito deveria ter ido esper�-lo.

Eu ia esper�-lo, senhora, mas acontece que...

Cale-se. Fui eu que falei para que ningu�m fosse.

At� parece que esse professorzinho � algu�m importante.

Um professor sempre �, Sr. Margarido.

N�o se preocupe, Sra. Hort�ncia.

Um homem com tanto estudo n�o pode se perder.

Desculpe, estou no caminho certo para Romeral?

Continue pela estrada, sempre em frente

e acabar� chegando l� sem problemas.

Falta muito para chegar?

Como ir�? Correndo ou a passo de mula?

- � a m�e! - Como disse?

- Perguntei se vai para l�. - Claro.

- Se quiser, posso lev�-lo. - Por que n�o disse antes?

Suba chefinho. Conversando o caminho fica mais curto.

Muito obrigado!

Vamos, cavalos, mexam-se!

Como assim cavalos, n�o s�o mulas?

Sim, mas s�o muito sens�veis.

E elas n�o andam se n�o as chamar de cavalos.

- Parece gostar muito delas. - Sim, chefinho, s�o como irm�s.

Percebe-se um ambiente familiar.

O que procura em Romeral? Se � que posso perguntar.

Nada, sou o novo professor.

Caramba! Por que n�o me disse antes?

Agora, segure-se porque vamos pegar um trecho de estrada

muito ruim. Mexam-se!

Que j� entramos no mal caminho.

- Pelo visto, gosta de esperar. - Por que diz isso?

Porque agora est� esperando o professor.

N�o � o que tem feito desde que ficou vi�va h� 10 anos, esperar?

- Olhe, Pedro... - Hort�ncia!

- Ainda n�o chegou? - N�o, padre.

- O que ser� que lhe aconteceu? - Valha-me Deus!

Espero que n�o tenha se perdido.

Rezaremos para S�o Crist�v�o, o protetor dos andarilhos.

Era, filha, j� n�o � mais.

Mas podemos encomend�-lo para S�o Pascoal Dan�arino.

Se soubesse disso, teria continuado a p�.

Viu, Sr. Margarido, dev�amos ter ido esper�-lo em S�o Bartolo.

- Pode ter acontecido algo. - E da�?

Aqui em Romeral, um professor n�o faz falta nenhuma.

Olhe, patr�o, parece que ele chegou.

Deem boas vindas ao professor! Apanhei ele no caminho!

Apanhou o qu�? Eu n�o sou fruta.

Meus ossos, meus ossos!

- Sente alguma dor, professor? - D�i tudo.

Principalmente, no quadril. Parece ter sa�do do lugar.

Mas que interessante...

olhando para a senhora, parece que a dor est� passando.

Muitas vezes, n�o tem melhor rem�dio que dois olhos bonitos.

Professor, permita que me apresente, Lucas Campusano

Prefeito da cidade, �s suas ordens.

S�crates Garcia, professor formado, � disposi��o de todos.

Principalmente, a senhora.

Sr. S�crates, vou lhe apresentar todas as pessoas ilustres daqui.

Com todo prazer. Um momento.

Deixe-me respirar, preciso endireitar. Meu quadril.

- Meu quadril. Agora sim. - Venha.

Este senhor aqui � nada menos que o Sr. Margarido Vasquez.

- Ele � o nosso... - N�o me diga, j� adivinhei.

� s� olhar para seus guarda-costas.

E este � o Padre Gon�alo.

Padre, com o senhor, acho que farei grandes coisas.

Tamb�m acho que seremos bons amigos.

Por caminhos diferentes temos um objetivo em comum

ensinar aqueles que n�o sabem e perdoar as fraquezas do pr�ximo.

As fraquezas e as "gordezas".

Porque n�o poder� negar que, �s vezes, existem indiv�duos

que, a primeira vista, n�o simpatizamos.

Sr. S�crates, faria a gentileza de dirigir algumas palavras

para nossos cidad�os e depois, o convidamos para um refresco.

- Olhe. Eu... - Nada de discursos.

Isto n�o � um assunto pol�tico. O que tiver que falar

fale na escola.

Vejam como s�o as coisas, n�o tinha vontade de dizer nada

por estar muito cansado, mas perante o convite t�o gentil

deste indiv�duo aqui, s� me resta aceitar.

Diga-me onde est� o palanque para eu discursar.

- Pois n�o, � por aqui. - Apoie-se em mim, filho.

Aqui � melhor, sinto-me mais seguro e aconchegado.

Viva o professor!

- Ajude ele, rapazes! - Obrigado.

Obrigado.

Podem deixar, eu continuo sozinho, obrigado.

Lembre-se que precisa falar com ele.

Certo, mas espere at� ele come�ar a dar aula.

Com a permiss�o de voc�s

vou me apresentar.

Sou seu criado, S�crates Garcia

o novo professor.

Filhos de Romeral, e a partir de agora

meus amigos.

Estamos reunidos aqui em "un�ssono"

para confrontar situa��es e dialogar mutuamente

um com o outro e todos com todos

para chegarmos a conclus�es que nos levem: "a qu�"

"por que" e "de qu�", vamos ver o qu�.

Que coisas bonitas ele diz, n�o acha?

A vida de um professor consciente

� um ros�rio de sacrif�cios e de sobressaltos.

E os que tive que dar para chegar at� aqui

foram muitos e fortes demais. Mas isso n�o importa

quando se vem disposto a cumprir o dever sagrado

de combater a ignor�ncia.

Porque a ignor�ncia � m�e de todos os v�cios

e, nesse caso, � prefer�vel ser �rf�o.

A esperan�a � um caminho

que abre um mundo melhor para n�s, para nossos filhos

e para os filhos dos nossos filhos.

Este sujeito � mais perigoso do que parece.

- Mas como fala bem, n�o �? - Cale-se, imbecil.

Como diz o evangelho,

� preciso dar de comer, dar p�o para o faminto

mas n�o � s� de p�o que vive o homem

quando estamos desnutridos de instru��o.

N�o, senhores, precisamos nos superar.

Lutemos por esse caminho de esperan�a

mas indo a luta

por um mundo melhor e por um futuro

por�m sem esquecer o passado.

Vamos lutar, mas com passos firmes

porque um passo em falso e todos n�s afundaremos.

Beba isso. � ch� de camomila com �gua benta.

- � muito bom para o susto. - Mas o que me d�i

n�o � o susto e sim, o corpo todo.

Aqui do lado d� a impress�o de que quebrou tudo.

Seja como for, vai fazer-lhe bem, beba.

Quer dizer que esta e a sua casa

- e � aqui que vou morar? - Sim, mas n�o se preocupe

- moro do outro lado do p�tio. - � isso que me preocupa

que esteja t�o longe, afinal, � do outro lado.

Bem, se seu marido n�o for ciumento

N�o tenho marido, sou vi�va.

Na realidade, nunca deixei de ser solteira.

E por qu�?

Meu marido morreu no mesmo dia do casamento.

Com uma mulher como a senhora, tudo � poss�vel.

- Talvez tenha sido do choque. - N�o, morreu afogado.

Mas onde se viu ir nadar depois do casamento.

N�o, acontece que no jantar do casamento

ele engoliu um caro�o de abacate.

Digamos que nesse caso, n�o houve sobremesa.

Veja como s�o as coisas, por causa de um caro�o de abacate

a senhora n�o chegou ao leito nupcial.

N�o. Tudo n�o passou de uma ilus�o � toa.

E n�o pensou em se casar de novo?

- Porque ainda est� em tempo. - N�o!

� que depois do que aconteceu eu tenho muito medo.

Pare com isso, al�m do mais, com uma casa t�o bonita

- que o falecido deixou. - N�o, n�o foi ele.

Foram meus pais. � a �nica coisa que tenho de valor.

� por isso que alugo quartos, para poder viver dignamente.

� aqui que vai dormir. Vejamos se gosta da cama.

Como eu gosto, bem macia.

Foi nessa cama que meu marido deu seu �ltimo suspiro.

E 3 meses atr�s, o professor que veio antes do senhor.

- Troque, n�o quero ir tamb�m. - N�o seja supersticioso.

Desculpe, a que horas costuma tomar o caf�?

- Quando tenho, l� pelas 7h. - �timo, servirei seu caf� �s 7h.

E do que quer o suco, de laranja ou tangerina?

- De ameixa. - Certo.

Agora, vai me perdoar, mas quero sair, estou ansioso

para ver como est� a minha escola.

Isto est� bem pior do que imaginei, padre.

Sim, � verdade. A triste verdade.

- N�o tem vidros. - A ventila��o n�o ser� problema.

Mas isto n�o pode continuar assim, � preciso fazer algo.

E vamos come�ar agora mesmo.

Para conseguir isso, � preciso que voc�s sacrifiquem algo

um pouco do que gastam aqui, para ajudar a escola

para podermos reform�-la, pois a escola est� parecendo

as ru�nas de Matusal�m ou de Jerusal�m, n�o importa.

O que importa � que com a ajuda de voc�s isso vai mudar.

Ent�o, vamos come�ar a fazer uma "vaquinha". O que acham?

Vejamos, � para a escola, � para seus filhos.

Por que n�o? Vejamos a boa vontade.

Vamos, rapazes, por favor. Vejamos quem ser� o primeiro.

Vejamos quem d� mais ou quem diz: Eu vou...

A mula!

A mula � o senhor!

Pela idiotice e pela forma que trata as pessoas, com coices.

Olhe, rapaz, beba alguma coisa. Foi para isso que veio, n�o foi?

Saiba que n�o! Vim para pedir ajuda para os seus filhos.

Ou n�o entenderam?

Mas se n�o querem cooperar com seus filhos � por que

talvez, n�o tenham muita certeza de que eles sejam seus.

Olhe, acho que est� perdendo o seu tempo, professor.

Saiba que n�o, pelo contr�rio, eu o aproveitei muito bem.

Agora sei por que as coisas est�o t�o ruins aqui

e quem � o culpado. J� nos conhecemos.

Isso sim merece um brinde porque agora j� sei

com quem terei que me ver.

Sa�de para todos! Menos para um.

E adeus, turma de b�bados, irrespons�veis.

Pais retr�grados!

ESCOLA

V�o entrando, meninos, no templo da sabedoria.

Isso mesmo. Bom dia.

Entrem, mas n�o encostem nas paredes porque a escola cai.

Entrem, meninos. Bom dia.

� assim que eu gosto. Bom dia, entrem garotos.

- Bom dia, professor. - Bom dia, senhora.

- Trouxe o meu Firmin. - Bem-vindo a escola, Firmin.

E aqui tem alguns ovos para que o ensine muito bem.

N�o precisava, com ovos ou sem ovos

seu Firmin ser� tratado igual aos outros.

De qualquer maneira, aceite, trouxe de muito boa vontade

- s�o de minha melhor poedeira. - Ora, assim eu fico sem jeito.

Mas j� que insiste. Para n�o magoar a galinha, vou aceitar.

E tomara que sejam de 2 gemas. Muito obrigado.

- At� logo, professor. - At� logo. Firminzinho

coloque-os em cima de minha mesa. Entrem!

Solte-me, n�o quero ir para a escola!

- Solte-me! - Cale-se ou eu...

Um momento, por que o menino n�o quer ir � escola?

O que h� com ele?

� que ele tem um problema muito s�rio, que me preocupa muito.

- Que tipo de problemas, rapaz? - Meu nome � Esperidi�o Cascajo.

Meu Deus!

Mas isso n�o � nome, � quase uma maldi��o.

� por isso que o menino tem complexo.

Mas meu problema n�o � esse. O que quero dizer

� que eu tive que traz�-lo

porque a m�e dele n�o tem a menor vontade de fazer isso.

- E por que ela n�o tem vontade? - Porque � muito pregui�osa.

N�o presta nem para cuidar do menino.

- Eu � que tenho que arrum�-lo. - Pelo visto, ainda n�o aprendeu.

Pode ir despreocupado e deixe o menino comigo.

Obrigado, professor.

Pelo visto, seu pai e sua m�e n�o se d�o muito bem, n�o �?

Bem, vamos ver como resolvemos isso.

Olhe, aqui tem um lugar.

Muito bem, meninos, todos de p�.

- E voc�, por que ficou sentado? - Porque me deu vontade.

Muito bem.

Quer dizer que ficou sentado porque lhe deu vontade?

Isso acontece sempre?

Pois vai ficar de p� porque essas vontades

pode contagiar os outros.

Nunca devem esquecer duas regras fundamentais:

a disciplina e o respeito pelos seus superiores.

Isso vale principalmente para voc�.

Agora, j� podem se sentar.

Eu tamb�m vou me sentar.

N�o deem risada.

O que acabou de acontecer pode ser uma grande li��o para todos.

A destrui��o de um alimento t�o nutritivo como os ovos

vai me dar a chance de conhec�-los melhor.

E de saber o quanto est�o crescidinhos.

Uma pobre mulher privou-se deles para traz�-los para mim.

Foi um sacrif�cio.

E se eu os aceitei, foi para n�o ofend�-la.

E um de voc�s fez com que eu os quebrasse.

Acham que est� certo? Acham que � correto?

Por acaso, nas suas casas est� sobrando alimento?

Mas ainda d� tempo de reparar um pouco esse incidente.

Vamos ver se o culpado tem a coragem de se confessar.

N�o foi ningu�m?

Pois eu vou descobrir quem foi.

Vou descobrir o culpado.

Cada um de voc�s pegar� um palito.

Distribua. Voc�, desse lado e voc�, do outro lado.

Agora, todos t�m o seu palito, n�o falta ningu�m.

Saibam que esses palitos s�o especiais.

O palito que estiver com o culpado ir� se esticar

portanto, ser� maior que o dos colegas

e ir� denunci�-lo sozinho.

Vamos l�, vejamos o seu palito.

Vejamos o seu. S�o iguais, do mesmo tamanho.

O seu palito. S�o iguais.

Iguais, iguais

E...

aqui est� o culpado. Foi voc�.

Reparem como o dele � menor que o dos outros.

O bob�o achou que iria ficar maior

e tirou um pedacinho. Como � o seu nome?

Felipe Gonz�les.

Felipe Gonz�les. Por que fez isso?

Como castigo, amanh� trar� escrito, 50 vezes:

"Por minha culpa, o professor ficou sem omelete". Entendeu?

Agora me acompanhe.

Um momento, quietos.

O que � isso? Por que bateu nele?

Porque ele o desrespeitou e o senhor � um professor legal.

Muito obrigado. Agrade�o a inten��o

mas quem d� os castigos aqui sou eu. Sentem-se todos.

V� se sentar, Felipe.

E n�o quero que isso se repita!

A escola deve ser respeitada e cuidada

como se fosse a sua casa.

E, de certa forma am�-la como se fosse a m�e de voc�s.

Por que a m�e?

Porque, assim como suas m�es, quando voc�s nasceram

deu-lhes os cuidados e o alimento, necess�rios

para o desenvolvimento de seus corpos.

A escola lhes d� o alimento para desenvolverem suas mentes.

Porque um ignorante, um indiv�duo sem preparo

� como uma canja de galinha sem galinha.

Ent�o, o senhor que sabe tanto

� como uma canja de galinha com muita galinha?

Digamos que eu sou um bom frango com pouco caldo.

Depois da aula, cada um de voc�s

levar� uma lata dessas. Eu tamb�m levarei a minha.

E come�aremos, hoje a tarde mesmo

uma coleta, arrecadando fundos para arrumar a nossa escola

que queremos ver bonita por que ela �, como j� disse antes

como o nosso lar. E n�o se trata de pedirem muito

e sim, de que todos possam dar. Pedir n�o � vergonha

quando se pede para uma escola.

Nem um tost�o! Muito menos para aquele infeliz.

Obrigado. Muito bem, Carmelo.

Muito bem, tamb�m.

Martin, muito obrigado.

Muito bem...

J� era de se esperar, a exce��o tinha que ser de voc�, � claro.

Mas seus colegas trabalharam t�o bem

que, felizmente, podemos nos dar ao luxo

de n�o precisar de sua ajuda.

Portanto, pode ir se sentar.

E para n�o continuar com algo t�o desagrad�vel

Vamos come�ar com uma m�sica.

Vou lhes ensinar, meus garotos

a can��o que ser� a marcha de nossa escola.

Vamos ao piano.

Por favor, muita aten��o e n�o se distraiam.

Garotos, espertos, vamos aprender

tudo que � bom n�s vamos saber

Garotos, espertos, vamos solfejar

Com o pentagrama podemos cantar

D�, r�, mi

f�, sol

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

Adivinho sim, �s vezes, n�o

Chirrin, Chirrin, meu professor

N�o adianta, tem que estudar

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

Adivinho sim, �s vezes, n�o

Chirrin, Chirrin, meu professor

N�o adianta, tem que estudar

Muito bem, garotos. Gostei muito, come�amos bem.

A escola lhe espera com seu professor

Quem sabe, sabe. E isso � bem melhor

Garotos, espertos, vamos aprender

Com o silab�rio vamos soletrar

a, e, i

o, u

Ou me deixa sozinho ou cantamos em dueto.

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

Adivinho sim, �s vezes, n�o

Chirrin, Chirrin, meu professor

N�o adianta, tem que estudar

- Meu "profe". - N�o adianta, tem que estudar.

Caramba, como a senhora canta bem.

Semitonada, por�m, muito doce.

A senhora faz tudo muito bem, acho que j� nasceu perfeita.

O senhor � muito exagerado. Mas uma coisa � verdade

a can��o � muito bonita, foi o senhor quem fez?

Letra e m�sica.

Bem, eu precisava colaborar com a "Semana de Beethoven".

- Os meninos j� aprenderam? - Em "sol" maior.

Tivemos que ensaiar ao meio-dia e fazia um calor infernal

porque amanh� ser� um grande dia.

Se n�o fosse um sacril�gio

diria que est� fazendo um milagre, S�crates.

Apenas estou transmitindo o m�todo pedag�gico que aprendi.

E outros que voc� mesmo inventou, n�o �?

N�o, acontece que os garotos tem muita energia

e � preciso empreg�-la em coisas �teis

em vez de ficar a toa na rua, n�o acha?

Claro que sim, meus parab�ns.

Al�m disso, sabe-se l� se dessa turma de moleques

n�o pode sair um artista famoso, um pintor, um Picasso

um Tamajo, um Van Gogh, um Cuevas, um Beethoven.

S�crates, Beethoven n�o pintava.

Eles tamb�m n�o, mas j� pegaram no pincel

e digamos que algo despertou neles

e nunca se sabe, padre, o que os garotos trazem dentro deles.

- Na verdade, eu n�o sei. - Mas eu sei.

Porque pintando, pintando, a vida passa voando

e das m�goas v�o se esquecendo e o senhor

- est� me pisando... - Perd�o, filho.

Olhe, S�crates, tudo isso est� muito certo

s� que eu acho que pode lhe trazer problemas.

- Acha que o Sr. Margarido... - Sim.

Ningu�m, at� hoje, se atreveu a enfrent�-lo e voc�...

Mas, continue, sem medo, a raz�o est� do seu lado

e Deus haver� de proteg�-lo.

Quem lhe fez isso, seu pai?

- Minha m�e. - Sua m�e lhe fez isso?

Professor, j� terminamos.

J� terminaram, t�o cedo? Viu, Felipe

mais uma vez, seus colegas cumpriram com seu dever

sem a sua ajuda por que voc� s� ficou olhando.

N�o pense que deixei de observ�-lo.

Vamos fazer a fila, garotos.

Venham!

Meus parab�ns, meninos, isso � saber trabalhar

e cumprir com seu dever.

E agora, vamos comemorar seu primeiro trabalho "pint�rico"

- cantando. Est�o prontos? - Sim!

1, 2, 3

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

Adivinho sim, �s vezes, n�o

Chirrin, Chirrin, meu professor

N�o adianta, tem que estudar

Agora sim, meninos.

Muito obrigado mais uma vez.

Comportem-se como aquilo que s�o.

Agora, v�o tomar banho, estudar e fazer a li��o.

Tenham todos uma boa noite.

Boa noite!

Ou�a, o prefeito quer falar com voc�, est� lhe esperando.

Comigo?

O que ser� que o Sr. Lucas, quer?

N�o gostei de sua atitude, Sr. S�crates.

Por que fez uma coleta sem o meu consentimento?

Foi para pintar a escola, o que isso tem de errado?

Para isso, precisa de uma autoriza��o.

Desde quando se precisa de autoriza��o para tirar sujeira?

Por acaso, preciso de autoriza��o para tomar banho?

Olhe, Sr. S�crates, n�o fique assim.

Venha comigo e enquanto bebemos algo

vou lhe dizer o que n�o quero que fa�a.

Ver� que vamos nos entender.

Ora, em vez de bebermos algo, � melhor me dizer aqui

qual foi o meu erro ou aquilo de que n�o gostou.

Bem, sabe o que �...

eu acho, Sr. S�crates...

que n�o deve se esfor�ar tanto com aqueles garotos.

Fa�a como os professores anteriores faziam

- cumpriam e pronto. - "Cumpriam e pronto"?

E o que acha que estou fazendo? Cumprindo!

S� que cumpro com o meu dever. Ou o que quer?

Que d� minhas aulas sem me importar se os alunos

aprenderam ou n�o, para que depois de alguns anos

estejam t�o ignorantes como quando chegaram?

Continuar�o sendo, mesmo que diga o contr�rio.

N�o, � isso que muitos gostariam, como o seu amigo

aquele tal de Margarido.

Mas o que ele tem a ver com tudo isso?

O que ele tem a ver? Como um bom "cacique"

n�o lhe conv�m que as pessoas se instruam

porque n�o se deixariam explorar, e sabe como faz isso?

Com a ajuda de funcion�rios desleais, servis e medrosos.

Est� me acusando, Sr. S�crates?

Pense o que quiser, Prefeito.

Mas agora, sabemos de que lado estamos, o senhor

do lado dos influentes e eu, do lado dos mais baixos.

Como podemos nos entender, se falamos duas l�nguas diferentes?

Ora, Sr. S�crates, acalme-se. Tente ser razo�vel.

Razo�vel com quem, com o Sr. Margarido?

Existem pessoas na qual n�o se pode confiar, e sabe por qu�?

Porque nos prejudicam. N�o, Sr. Lucas

de hoje em diante, vou dedicar 24 horas para...

Bem, 24 horas � muita coisa, mas 18 horas

a ensinar aqueles garotos a se defenderem

para que n�o sejam explorados

e para que n�o sejam t�o infelizes como foram seus pais.

- N�o seja t�o impulsivo. - N�o sou impulsivo!

- Pode arrumar problemas. - Problema eu j� tenho.

S� me faltavam suas amea�as, que devem ser oficiais.

Eu apenas falei para n�o tentar mudar as coisas.

Do jeito que estamos, estamos bem.

Estamos?

N�s somos muitos. Est�o voc�s, os privilegiados.

Mas � preciso ouvir a voz do povo

a voz que sofre, a voz da dor

a "vox populi".

A voz de Deus. E adeus!

Esse professor � pior do que eu pensava.

Sim, eu ouvi.

Com ele, terei de empregar outro tipo de m�todo.

N�o, Sr. Margarido, viol�ncia n�o.

Desde quando voc� diz o que devo fazer nesta cidade?

Nesta cidade, tem algu�m que deve sumir.

E esse algu�m se chama Sr. Margarido.

N�o se meta com ele, � muito perigoso.

- Quer mais feij�o? - J� tive minha cota por hoje.

Prefiro carne. Tem com gordurinha?

Nem que seja um pedacinho. Est� muito gostosa.

Com essa hist�ria das aulas e de pintar a escola

esqueci-me de comer, acho que amanh� vai ser igual.

N�o se preocupe, levarei seu almo�o na escola, Sr. S�crates.

- N�o, por favor! - N�o quer que eu leve?

N�o quero que me chame de senhor.

Tire o senhor e me chame apenas de S�crates.

Assim, poderei cham�-la de Hort�ncia.

Est� certo, S�crates.

Obrigado, Hort�ncia. Voc� � muito gentil.

E como se fosse pouca a confus�o com o tal Margarido

ainda surgem outros problemas.

- Ainda tem mais? - � claro, muitos.

A miss�o do educador n�o � de apenas ensinar

e sim, aprofundar-se na vida dos seus alunos.

Porque as crian�as t�m apenas duas fontes de aprendizado

o lar e a escola, se um faltar o outro n�o funciona.

� simples como uma luta de box, voc� tem uma boa esquerda

mas se n�o sabe bater com a direita

est� perdido. A vida � a mesma coisa.

Nos matamos de ensinar, ficamos dizendo o que � certo ou errado.

Damos o exemplo, e o que acontece? Voltam para casa

veem os maus exemplos e n�o sabem mais distinguir

o certo do errado, e ent�o, esquecem o que ensinamos.

N�o me diga que tamb�m j� conhece a vida de seus alunos?

Estou conhecendo. Veja o pobre Martin

que o martirizam e sofre na casa dele e para piorar

o pai � um b�bado ignorante

de quem o tal Margarido roubou as terras.

T�m acontecido certas coisas nessa cidade que o povo ignora.

E nem lhe conto do Carmelo. Dizem que a m�e dele

- A Sra. Sara. - Que voc� deve conhecer bem.

N�o � m� pessoa, s� � um pouco pregui�osa.

� isso que o marido dela fala. De qualquer maneira

terei que falar com eles. Bem, h� muito tempo

eu n�o jantava t�o bem. Muito obrigado, Hort�ncia.

N�o me diga que vai sair a esta hora.

Quando, ent�o?

- At� logo. - S�crates...

quero dizer uma coisa.

Hoje � tarde, o vi marchando com seus garotos.

E todos na cidade tamb�m viram.

E sabe o que o pessoal est� dizendo?

Que a sua vinda foi uma ben��o para Romeral.

- Bem, tamb�m n�o � para tanto... - Nisso n�o nos enganamos.

Logo identificamos quem gosta de n�s.

- Ora, eu... - E tem mais...

Sinto-me orgulhosa por voc� estar em minha casa.

Voc� diz umas coisas, Hort�ncia.

At� mais.

- Hort�ncia... - Sim?

Se eu pedisse algo voc� faria?

Pode falar, S�crates.

- Seja o que for? - Seja o que for.

- Amanh� � noite... - Sim?

Para o jantar, gostaria que tornasse a fazer

torresmo com piment�o verde.

Torresmo com piment�o verde.

- Vamos. - O que foi?

Temos algo a fazer. Ordens do Sr. Margarido.

Ent�o vamos. V� se deitar, vou demorar.

- Posso "compenetrar"? - Entre, professor.

Fique a vontade. Desculpe, ainda n�o jantamos.

- Gostaria de jantar conosco? - N�o, muito obrigado.

Quer dizer que ainda n�o jantaram e o menino j� deitou?

Sabe o que �, professor, eu me atrasei um pouco

e como o menino estava com sono...

� claro, fome tamb�m d� sono, sabia?

Isto n�o pode continuar assim.

N�o entendo o que est� querendo dizer, professor.

O que quero dizer � que a senhora n�o cansa de descansar.

Que � uma folgada. Porque hoje de manh�

seu marido teve de levar outra vez o Carmelo na escola.

e essa � uma obriga��o que compete a senhora, como mulher.

Lev�-lo limpinho, em ordem e bem alimentado.

- Mas � que eu, professor... - Pare de abusar desse homem.

Que j� tem a desgra�a de se chamar Esperidi�o Cascajo.

E est� lhe dando uma vida de... Caramba, fa�a-o feliz.

O que custa? A senhora mesmo, arrume-se, veja s� esse cabelo.

N�o tem espelho? Acha que seu marido n�o pode se cansar?

A senhora � atraente, pode ser simp�tica. Arrumada.

O que custa? Acha que o menino n�o tem vergonha de ouvir:

"Olhe, como a m�e dele anda"! N�o!

Aqui s� temos duas sa�das.

Ou a senhora muda seu jeito de ser

ou o Espiridi�o muda de esposa.

Isso sim magoa, n�o �? E ent�o?

� preciso formar um verdadeiro lar.

Que o menino sinta orgulho de voc�s, entenderam?

Sim.

Meu bem, perdoe-me.

Pare de beber! Veja o exemplo que est� dando para o seu filho.

Fiquei batendo, mas como ningu�m atendeu

- eu entrei, desculpem. - Caramba, quem � ele?

Como assim? � o professor.

- Puxa! Desculpe, professor. - N�o se levante.

N�o est� podendo, Para qu�?

Agora compreendo, agora eu entendo.

Enquanto ele se "afoga, a senhora se "desafoga" no Martin.

- Eu? - Sim.

Eu vi seu corpo hoje de manh�. Parece uma estrada

est� cheio de marcas.

Mas n�o � s� a senhora que � culpada e sim, voc�.

O que eu tenho a ver com isso?

O que teria a ver se passa o tempo todo b�bado?

Amargurado, tentando esquecer que lhe tiraram as terras.

E sabe por que as tiraram de voc�?

- Por ignor�ncia. - Isso � verdade, professor.

� que Margarido trouxe um papel

e pediu que eu assinasse com o dedo e como n�o sei ler

- nem escrever... - Por ignor�ncia.

E � isso que quer que aconte�a com seu filho?

Que n�o saiba ler nem escrever?

Que n�o possa defender seus direitos?

Pare de beber, largue esse copo que n�o vai lev�-lo a nada.

Cuide de seu filho e pare de aborrecer sua esposa.

Eu o espero na escola amanh�, Martin.

Obrigado, professor.

E a senhora quando estiver com raiva

n�o descarregue no Martin, ele � seu filho.

- Sim, professor. - � seu sangue.

- Sim. - Ele n�o tem culpa disso.

Ainda bem que a surra n�o me tirou a fome.

- Pelo contr�rio, me deu mais. - E p�de ver quem foi?

N�o era necess�rio, foi gente do Sr. Margarido.

Eu lhe falei, � muito perigoso se meter com ele.

- E agora, o que vai fazer? - Tomar meu caf� da manh�.

Essa pamonha est� com uma cara boa.

Precisa tomar mais cuidado, S�crates, depois do que houve

- o que vai fazer? - Seguir em frente.

Se fui atacado � por que os preocupo, gosto disso.

Quer dizer que sou importante.

Que pamonha gostosa, tem pimenta verde.

Gostou? Fui eu quem fez.

Voc� que fez? Ent�o, n�o posso desprez�-las.

Vou pegar duas de cada

e uma para o recreio.

Afinal, preciso manter a linha.

Est� muito bem do jeito que est�.

Voc�, melhor ainda, com todo o respeito.

- N�o poderia estar melhor. - � muito gentil.

Mesmo que fosse verdade de que adianta?

Sinto-me t�o sozinha e in�til.

- In�til, por qu�? - Bem

o que mais uma mulher deseja no mundo do que ter um filho?

E j� contei o que houve.

Todos na vida temos imprevistos. Eu, por exemplo.

- Voc�? - Pois �.

Embora n�o acredite, h� cinco anos recebi um golpe muito duro.

A �ltima namorada que tive, deixou-me por um trompetista.

Preferiu um trompetista a um homem de carreira

e de futuro como voc�?

Mas o que pode ter visto num simples trompetista?

Acho que se deixou impressionar pelo trompete.

Ele estava sempre brilhando e ela

deslumbrou-se. Como diz o ditado:

O homem � fogo, a mulher, estopa, o diabo vem e assopra.

E este condenado assoprava muito bem.

Ele tocava muito bem a Macarena.

- Quais s�o os doces? - Os deste lado.

Muito obrigado. E desculpe por estar abusando das pamonhas.

Mas como dizia minha tia Eurides:

"Quem come pamonha, perde a vergonha".

E desde que perdeu o trompete, desculpe, digo

sua namorada, n�o aconteceu mais nada?

Bem, quase nada.

Mas n�o ache que foi por falta de oportunidade.

� que comecei a pensar e disse

como disse um grande poeta que n�o disse nada

porque n�o teve tempo, mas as pessoas refletem

ent�o, vamos pegando aquilo que pegamos

e muitas vezes, n�o pegamos nada e pensei:

a que irei dedicar minha vida? A educa��o e a inf�ncia.

Feliz de voc�, pelo menos, tem algo.

Voc� tem mais, s� que n�o percebe isso.

Estava pensando, se eu lhe der aulas noturnas

quem sabe, se quiser, com o tempo poderia chegar a ser

uma bonita e inteligente professora.

Gostei da ideia. Assim, poderei "refrescar" o que aprendi.

Eu lhe "refresco" tudo que quiser

para que chegue onde quiser chegar.

Feito. Ent�o, estarei lhe esperando toda noite

para nos "refrescarmos", desculpe.

Para jantarmos juntos e assim continuarmos as aulas.

Para mim, j� � um compromisso.

Eu j� vou por que a escola me espera.

Vou acompanh�-lo at� a porta.

Ao meio-dia, levarei seu almo�o, deseja algo em especial?

Se n�o for pedir muito, j� faz algum tempo que quero comer

pato com laranja.

Olhe quem vem a�?

� bom encontr�-lo, quero falar com o senhor.

Quem quer lhe falar sou eu. Olhe como me deixaram.

Acha que mandando seus capangas ir� me assustar?

E da�? Est� querendo me culpar pelo seu acidente?

Foi um acidente? Veja s�.

Pare com isso, n�s dois sabemos quem me fez tudo isso.

Mas de nada vai adiantar por que saiba de uma vez por todas

que nada, nem ningu�m, vai me fazer mudar.

Bem, j� que falou o que queria, agora eu vou falar.

V� embora de Romeral. V� embora logo.

N�o o queremos aqui.

� o senhor que n�o me quer.

E saiba que � um prazer eu n�o agradar pessoas como o senhor.

Mas eu ir embora por isso

Vamos ver quem vai primeiro.

At� mais, "Horte". At� mais ver, Sr. "Marga".

Pelo visto, esse infeliz lhe interessa muito, n�o?

Isso � problema meu. E se ele � um infeliz

O que eu posso dizer de voc�?

ESCOLA Bom dia, filho.

- Bom dia, professor. - Bom dia.

Muito bom dia.

O que houve "profe", levou uma trombada?

Trombei com duas mulas, uma delas era o seu pai.

- Bom dia. - Ol�, professor.

- Muito bom dia. - Bom dia, professor.

Bom dia, professor.

- O que acha do meu Carmelo? - Muito bom, muito bom.

Meus parab�ns. E a senhora est� bem arrumada.

Obrigada, professor. E obrigada por mostrar meus erros.

Viu como tudo melhora quando as coisas s�o bem feitas?

Embora n�o falte quem se aborre�a com isso.

Outra vez o Sr. Margarido. Fale com S�crates se quiser

mas receio que desta vez n�o possa fazer nada.

N�o consigo acreditar no que me disseram. � terr�vel.

� claro que �, mas sabe como s�o sujos os neg�cios dele.

E agora obrigou Senaido a n�o continuar alugando a escola.

N�o vai conseguir, deve existir um contrato.

A� est� o erro, nunca houve contrato.

Tudo foi feito s� de boca.

De qualquer jeito, precisamos fazer algo.

Legalmente, nada. Infelizmente a lei est� com eles.

� o que veremos, falarei com S�crates.

Em consequ�ncia das �ltimas experi�ncias espaciais

devemos fazer algumas considera��es.

Por exemplo, hoje, j� podemos voar mais r�pido que o som.

Quer dizer, irmos de um lugar a outro

Como se algum de voc�s falasse "zas" e chegamos.

"Zas-zas", e voltamos, ida e volta. � uma compara��o.

Estamos mandando mensagens planet�rias

porque queremos nos comunicar

queremos conhecer e entender os seres de outros planetas.

Por�m, n�o entendemos a n�s mesmos.

Sabemos de coisas que acontecem na Lua

mas ignoramos muitas coisas que acontecem na Terra.

PROFESSOR

Ent�o, segundo voc�, este sou eu?

Quando � que vai mudar, Felipinho?

Para qu�? Pelo tanto que o senhor vai durar?

Pois enquanto eu durar, ficar� aqui sentando depois da aula

e vai escrever 100 vezes:

"durante as aulas, n�o devo desenhar o retrato do meu pai".

Bem, j� podem ir. E n�o esque�am que hoje � tarde

teremos aula de gin�stica.

Venha c�, Martin, deixe-me ver.

J� est� bem melhor, filho.

Minha m�e fez curativos ontem � noite.

Que bom, isso n�o tornar� a acontecer, eu garanto.

- Gra�as ao senhor professor. - N�o.

Qualquer um pode errar.

O importante � admitir o erro e n�o tornar a comet�-lo.

Algu�m disse: "Aquele que comete um erro o admite

prova a sua coragem sem limite".

- Voc� por aqui? - Que bom que o encontrei.

- O que houve, Hort�ncia? - Algo muito grave.

- Temos que falar com Senaido. - E quem � esse homem?

� o propriet�rio desta casa. Vamos, n�o h� tempo a perder.

Ora, mas do que se trata, o que houve? Explique-me.

- No caminho eu explico. - Ent�o, vamos ver Senaido.

Estou no meu direito e ningu�m vai me fazer mudar de ideia.

Como n�o?

Pare de comer e pense um pouco nas crian�as dessa cidade

que precisam de uma escola para estudar.

Precisam nada, jamais fui a escola e me dei muito bem.

Sim, s� falta zurrar para ser reconhecido pelos asnos.

- Cuidado com o que fala. - E voc�, cuidado com o que faz.

Sr. Senaido. N�o podemos ficar sem escola.

N�o ouviu? N�o podemos ficar sem escola.

Olhe, Hort�ncia, faz tempo que queria montar um bar

mas meu dinheiro n�o dava e o Sr. Margarido vai me emprestar.

� claro, tinha que ser ele.

Para ele � mais importante um antro de v�cios

- do que um lugar de instru��o. - E o que eu ganho com a escola?

Como o que ganha? A satisfa��o de que essas crian�as de hoje

sejam futuros cidad�os de amanh�

para que prestem servi�os � p�tria.

Voc� tem a consci�ncia t�o preta quanto os feij�es que come.

Um miser�vel aluguel que nem me pagam.

- E o bem que faz, n�o conta? - Sim, isso n�o conta?

N�o lhe diz nada? Por acaso n�o...

Eu vivo contando os centavos. E obrigado por pint�-la.

Nunca pensei em receb�-la t�o bonita.

Hort�ncia, vamos embora, pois isto cheira a curral.

Com todo o respeito pelos animais.

Continue comendo, � a �nica coisa que sabe fazer.

Acho que desta vez, o senhor se excedeu, Sr. Margarido.

N�o se meta naquilo que n�o lhe interessa. Sei o que fa�o.

- Mas vamos ficar sem escola? - E da�? N�o faz falta nenhuma.

E as crian�as?

Bom dia, professor!

N�o. Este n�o ser� um bom dia para mim.

E nem para voc�s, meninos.

Esta escola n�o nos pertence mais. Foi tirada de n�s.

Algu�m considera

que � mais importante instalar aqui, outro bar.

Como se houvesse poucos na cidade.

E o que mais me d�i, � t�-los feito trabalhar t�o duro

para embelezar este futuro antro de v�cio.

Mas n�o tem import�ncia. Estou muito orgulhoso de voc�s.

Sim, senhor. Menos de voc�, Felipe.

J� pode ir dizer ao seu pai

que deve estar muito feliz por ter ganhado o primeiro round.

Mas tamb�m diga a ele que faltam muitos

porque a luta ainda n�o terminou.

N�o, professor, ficaremos aqui, n�o poder�o nos tirar

N�o, n�o podemos.

A lei est� do lado deles.

E n�s n�o podemos ir contra a lei.

Ent�o, ficaremos sem escola?

Isso n�o.

N�o s�o quatro paredes que fazem uma escola.

A escola � feita pelo professor e seus alunos.

Onde eles estiverem, quer dizer

que onde "n�s" estivermos, l� estar� a escola.

Ent�o, professor, se ficarmos todos juntos na rua

seria como se estiv�ssemos na escola?

Ora, seria. � claro que um pouco desconfort�vel.

Mas tenho uma ideia

para nos instalarmos em um lugar mais apropriado.

E eu prometo que teremos a escola

mais maravilhosa do mundo!

A tripula��o das caravelas, composta na maioria

por presidi�rios e marginais

n�o acreditavam mais nas promessas de Colombo.

� claro, muito compreens�vel, tanto tempo navegando

todo dia perguntavam: "Crist�v�o, como �"?

"Como � o qu�"? Ele respondia.

"N�o �amos". "E vamos"! "Mas quando vamos encontrar"?

"Encontrar o qu�"?

Ent�o, existia uma certa discuss�o entre os navegadores.

E ele, momentos at� de motim, eu diria

porque � claro, eram ignorantes, n�o tinham ido a Escola Naval

e, portanto, achavam que a Nina, a Pinta e a Santa Maria

era como sair com "boa pinta" junto com a Nina e Santa Maria.

N�o se pode negar que eram valentes.

Sim senhor.

E assim a deriva navegavam, navegavam.

Um dia Crist�v�o disse: "Terra"!

"Onde"? Disseram todos?

Aqui no olho.

"Que � isso"? Disseram a Crist�v�o.

� que j� estavam desesperados.

Mas chegou o dia: 12 de outubro de 1492.

Quando o vigia, emocionado, sem poder se conter

Gritou: Terra, terra!

E ent�o houve o descobrimento da Am�rica.

Am�rica, Am�rica, r�, r� r�.

E eu acabo de descobrir que � hora de comer.

De maneira que a aula terminou.

E como tarefa para amanh�, temos essas perguntas.

Colombo tinha boas inten��es?

Entenderam os �ndios aquela linguagem estranha

daqueles homens brancos e barbados?

Onde foram parar os �ndios? Quem os levou?

Onde foram parar as riquezas?

Colombo com sua barba grande,

sem tomar banho e todo sujo

foi o primeiro "hippie" que pisou na Am�rica?

Quando Colombo viajava levava sempre seu

famoso ovo?

N�o percam a apaixonante aula de amanh�.

Que ningu�m falte, estarei esperando.

- At� amanh�, professor. - At� amanh�, meninos.

- Cheguei a tempo, S�crates? - Voc� sempre chega, Hort�ncia.

Que cheiro gostoso!

- Est� muito gostoso! - Mesmo?

Muito gostoso, Hort�ncia.

Se bem que trouxe muito pouco, est� ficando muito econ�mica.

Pare com isso, S�crates.

No povoado, o admiram cada dia mais.

E eu a voc�, Hort�ncia.

Nunca falou assim comigo.

Tem raz�o, desculpe.

- S�crates... - Sim?

Trouxe o que me pediu no outro dia.

- Os duzentos pesos? - N�o, minha foto.

Sua foto!. Veja s�.

Ora, mas que melhorada eles deram

capricharam no retoque. Valha-me Deus!

N�o sei por que pediu.

Para colocar na minha carteira, vai me trazer boa sorte.

N�o tem uma foto de criancinha, sem roupas, no sof�?

Porque isso nos d� uma ideia de como a pessoa se desenvolveu.

S�crates!

- Hort�ncia? - Sim?

Poderia escrever uma carta? Sua letra � melhor que a minha.

Claro, com prazer.

� para as autoridades, para que elas saibam dos atropelos

- de que fomos v�timas. - Certo, como devo come�ar?

Aqui est� o rascunho.

"Prezados senhores, meus cumprimentos e respeito".

Respeito.

- Dois pontos. - J� coloquei.

Digo, iremos tratar de dois pontos.

Certo, entendi, s� um minuto, "dois pontos".

"O primeiro, � comunicar-lhes que por mandado legal

fomos expulsos da escola, onde instalar�o um bar.

Que n�o ajudar� em nada, nem a sabedoria,

nem ao progresso e nem a ci�ncia.

Mas em troca ajudar� a tornar mais est�pidos

aos j� est�pidos habitantes de Romeral.

Que frase bonita.

De Romeral...

Pontos "suspens�rios" e a parte.

Segundo ponto. Agora estou dando

Aulas ao ar livre, que � a �nica coisa livre

que encontrei nessa cidade.

E a administra��o local n�o se faz notar.

N�o resolve o citado problema.

N�o por querer. E j� vem maltratar.

Eu sofro de reumatismo, artrite, enterocolite

sinusite e conjuntivite.

Voc� tem todas essas doen�as?

N�o, como vou ter. Temos que impression�-los.

Porque sen�o n�o v�o dar aten��o ao assunto.

Voc� sempre pensa em tudo.

E como voc� compreender�, se me chega dar tudo isso

n�o poderei seguir repartindo meus conhecimentos

nem minha sabedoria entre a inf�ncia

- Sim? - desta cidade.

Envio esta por correio a�reo esperando sua pronta resposta.

Caramba, como sou distra�do.

Estava esquecendo que amanh� � o dia do seu anivers�rio.

Tem coisas mais importantes para pensar, S�crates.

Mais importantes que voc�? N�o, Hort�ncia.

Mas estou preocupado com a carta que enviamos

e ainda n�o foi respondida. J� faz duas semanas.

� muito estranho mesmo. E se n�o a receberam?

Como n�o iria receb�-la? O endere�o estava certo.

Voc� escreve devagar, mas tem a letra muito bonita.

Estou achando que o Prefeito tem algo a ver com isso.

Pode ser, essa gente � capaz de qualquer coisa.

Tem raz�o. E acho que a resposta

j� est� no meio da correspond�ncia particular dele.

Hoje � noite, quando n�o houver ningu�m na prefeitura

darei um jeito de entrar l� e ach�-la, eu lhe garanto.

Voc� tem como me amar

Mas anda fazendo alarde

de seu desprezo

N�o tente me detestar

pois ter� que ser minha

n�o importa a que pre�o

Desdenhosa, n�o seja assim

O que lhe custa me amar

como eu

amo voc�

� voc�?

E quem achou que fosse, aquele professorzinho?

Sim, achei que fosse ele.

N�o adianta, rapazes, vamos embora.

Este � o parab�ns que cantava o Rei Davi.

Hoje � seu anivers�rio e n�s cantamos para voc�.

Acorde, meu bem, acorde.

Veja que j� amanheceu

Os passarinhos cantam a e Lua se escondeu.

Este � o parab�ns que cantava o Rei Davi

Hoje � seu anivers�rio e n�s cantamos para voc�.

Que pouca vergonha, se aproveitando desses garotos.

Aproveitando nada. Se quiseram vir cantar os parab�ns

- o que tem isso de errado? - Podiam ter se esfor�ado mais.

Parecia que estavam cantando na igreja.

Igreja? Nota-se que n�o conhece �pera.

Empreste-me seus "sinf�nicos" e ver� que tamb�m canto popular.

� claro que sim. Rapazes, o acompanhem.

Hort�ncia, esta � dedicada a voc�. Comecem, rapazes.

Chegou o seu mentor, Hort�ncia!

Trouxe seu "happy birthday to yourss"!

Sua foto est� na minha carteira

onde � guardado o tesouro mais querido

E posso olhar para ela a hora que eu quiser

porque sinto que meu amor � correspondido

Em todo caso, apenas a previno

que mesmo que n�o queira, continuarei a olh�-la.

Porque sabe que o nosso amor ser� certo

E a sua foto est� me estimulando

Eu a verei, a verei e a verei

mesmo que se esconda ou se afaste do meu olhar

E se eu perder minha carteira sem querer

mandarei o fot�grafo fotograf�-la outra vez

Esta � uma festa s� de corajosos!

Viva os garotos que me acompanham!

Eu a verei, a verei e a verei

mesmo que se esconda ou se afaste do meu olhar

E se eu perder minha carteira sem querer

mandarei o fot�grafo fotograf�-la outra vez

Bem, meninos, j� � tarde, despe�am-se da Srta. Hort�ncia.

- Boa noite, Srta. Hort�ncia. - Boa noite. E obrigada a todos.

- Queria peg�-lo assim, sozinho. - Como sozinho, ela n�o conta?

- Aonde vai? Vamos embora. - Para onde? � aqui que eu moro.

Se quiser continuar a serenata deixe-me ir deitar

para acordar musicalmente.

Eu n�o tinha me esquecido.

S�crates, voc� � um homem de verdade.

N�o seja exagerada Hort�ncia.

O que fiz n�o teve a menor import�ncia.

Claro que teve, e muito.

Certamente voc� deve estar com fome.

E tenho t�o pouco para oferecer.

Umas panquecas, uns Feij�es e uns abacates.

- Ai, n�o. Abacate n�o. - E porque n�o?

N�o. Lembre-se do que passou ao defunto?

Ai, como voc� �!

- Sa�de. - Sa�de.

A carta que fui procurar na Prefeitura, n�o encontrei.

Mas em troca achei isso.

E o que � essa pasta?

Quase nada. Os certificados de reforma agr�ria.

O que eu j� suspeitava. Essas terras j�

foram h� muito tempo repartidas entre o povo.

E o Prefeito n�o lhes disse nada e deixou

que seguissem como seu dono o Sr. Margarido.

Que canalha. E por que ele fez isso?

Como por qu�? Porque o Sr. Margarido

manda nessa cidade j� faz muito tempo.

E o Prefeito n�o faz mais que obedecer a suas ordens.

Por isso n�o os perca, guarde sob sete chaves.

Porque esses documentos s�o provas, Hort�ncia.

Sim, S�crates.

Agora, com licen�a que vou cair nos feij�es

porque tenho muita vontade.

Aqui tem sua cervejinha bem gelada.

Muito obrigado, Hort�ncia. Voc� sempre t�o am�vel.

Vamos ver que dia me faz flan com calda

porque eu adoro.

Se quiser fa�o para amanh� mesmo a noite.

Amanh� � noite n�o vai ser poss�vel.

Porque vou levar as crian�as para tomar ar puro.

- Aonde? - Como aonde?

Vamos fazer uma excurs�o.

- Excurs�o? - Sim.

Vamos fazer uma caminhadinha.

N�o se afastem de mim. N�o se afastem de mim.

- Viemos muito longe, professor. - Por que a preocupa��o?

Amanh� � feriado, n�o tem aula.

Parem! Perigo a vista.

Temos que andar com cuidado, esta regi�o � muito perigosa.

N�o se separem. Vamos, falta pouco para acamparmos.

A noite negra

estendeu seu manto

Surgiu a n�voa

Morreu a luz

E nas trevas, na minha alma triste

como uma estrela

surgiu voc�

Venha, ilumine

a estrada santa

por onde vaga

louca ilus�o

S� resta apenas

uma esperan�a

que fortalece

meu cora��o

Bem, meninos, agora, v�o dormir que j� � tarde.

O senhor n�o vem dormir?

N�o, vou ficar vigiando por que estamos numa zona perigosa.

Sempre atento ao perigo.

� s�rio, aqui tem muitos animais ferozes, e se aparecer um tigre?

Se ele os atacar, aqui estou eu.

Um le�o

um elefante

um jacar�, aqui estamos para lutar, que venham!

Voc�s v�m primeiro, est�o em minhas m�os, sou o respons�vel.

Um dia, lhes contarei quando estive na �frica.

O que � lutar com os animais, enfrent�-los, e ao perigo.

Aqui tem muito coiote, muito esquilo.

- Nos o acompanharemos. - Nada disso.

V�o descansar por que amanh� nos espera

uma jornada muito longa e muito puxada.

Portanto, durmam e sonhem com os anjos, boa noite.

- Boa noite, professor. - Boa noite.

- At� amanh�, professor. - At� amanh�.

- O que est� fazendo? - Vou me esconder.

- Para que fazer isso? - Para chatear o professor.

Imagine o susto que vai levar quando vir que n�o estou aqui.

Vai achar que me perdi.

E n�o conte nada, sen�o...

Vamos l�, pregui�osos, acordem, fiquem todos aqui!

Sim, est� faltando um. E � o Felipinho.

- Deve estar dormindo. - N�o, professor eu o vi saindo.

Saindo?

E onde diabos ter� ido aquele moleque?

Vou ter que ir busc�-lo.

Professor, professor!

- O que foi? - Fui picado por uma cobra!

- Onde? - Aqui no bra�o!

Veja isso! Cansei de falar para que n�o se separassem.

Tinha que ser voc�, Felipe. Segurem-no, com for�a!

Vai doer, Felipe. Mas a culpa � sua.

Aguente firme, morda esse len�o.

Aguente firme.

Aguente, Felipe! Segurem firme!

Aguente, Felipe!

Aguente, Felipinho!

Viu o que acontece por desobedecer?

At� quando voc� vai me hostilizar?

Teremos que conversar muito s�rio quando chegarmos.

Vamos.

Alto!

- Como foi? - Muito bem.

S� este menino foi mordido por um bicho e tem que ser

- vacinado imediatamente. - Eu os acompanho.

Desfa�am a fila e v�o para casa!

BAR

Olhem, nossa escola agora � um bar!

� mesmo, � um bar!

- Sabem de uma coisa? - O qu�?

Para que nosso "profe" fique contente, vamos destrui-lo.

- Isso, o que acham, turma? - Isso mesmo, vamos l�!

Agora v�o saber quem sou eu!

O que faremos se as autoridades n�o responderem a outra carta?

- Mandaremos outra. - E enquanto isso?

Acha que o Sr. Margarido vai deixar assim barato?

N�o, por isso precisamos preparar-nos.

Temos que continuar a luta, temos que ganhar a briga.

Ele ganhou o primeiro round, mas o melhor est� por vir.

S� conseguir� o que quer se me matar.

Cuide do Felipinho, por favor.

Parem!

Ordem no recinto, ordem!

Ordem!

Parem com isso! Ordem!

Parem, meninos, n�o v�o machucar ningu�m!

Ordem!

A culpa � dele. Foi ele quem mandou os garotos.

N�o � isso que me preocupa, Sr. Margarido.

Como isso n�o lhe preocupa? Ser� que n�o percebe?

Os meninos revoltados de hoje, far�o pior quando forem homens.

Eu sei o que digo. O ensino � o pior dos males.

Tente se acalmar, isso tem jeito.

Veremos como expulsar esse professor.

Mas existe algo pior, Sr. Margarido, muito pior.

N�o encontro a pasta com os certificados de reforma agr�ria.

- O qu�? - Isso mesmo.

Estou procurando h� v�rios dias e nada.

Sabe o que acontecer� se isso cair nas m�os dos camponeses?

Sei, ficar�o sabendo que h� v�rios anos

o senhor est� desfrutando de suas terras.

Precisamos agir e logo.

Essa pasta tem que aparecer, custe o que custar!

E lembre-se de uma coisa...

se eu cair, voc� cair� comigo.

Acha que n�o sei? E agora, para complicar as coisas, veja

um telegrama

avisando que o Governador far� visitas pelo Estado.

N�o � poss�vel. Chegar� na semana que vem.

E � meu dever lhes dizer

que o que fizeram, foi um ato repudi�vel.

Ali�s, o que fizemos, afinal, eu tamb�m entrei na briga.

E me envergonho por n�o ter podido me controlar

e me deixei levar pelos meus impulsos de...

Mas tamb�m n�o ia deixar voc�s sozinhos, n�o.

Embora, aqui entre n�s, vou dizer uma coisa

acabar com esses "botecos" e esses antros de v�cio

como aquele do tal Senaido

� um ato saud�vel, mas voc�s n�o tinham o direito de faz�-lo.

Por que, professor?

Porque n�o � certo fazer justi�a com as pr�prias m�os.

Para isso existem as autoridade e a lei

que, como cidad�os conscientes, devemos respeit�-las.

- E n�o somo conscientes? - S�o.

E se n�o forem, para isso estou aqui, para ensin�-los a ser.

Mas outra "briguinha" dessas e terei que lhes dar

aulas por correspond�ncia, l� na cadeia

e � tudo que eles querem.

E necess�rio que ele v� embora daqui logo.

- E como vai fazer isso? - Eu tenho um plano.

Mas para isso eu conto com voc�s.

Far�o o que eu disser?

Pois isso depende, de quanto.

Come�ou o aguaceiro, meninos.

Mas lembre-se que esta mesma �gua em forma de chuva

� uma ben��o para a terra

por�m, em excesso, destr�i as colheitas.

O que significa que tudo com modera��o � bom.

Como est� seu bra�o, Felipinho?

J� est� bem melhor, mas voc� deu-nos um grande susto.

Pelo visto, n�s nunca chegaremos a ser amigos.

Mas voc� tem uma qualidade, nunca falta na escola.

� que eu quero ver at� quando voc� vai durar.

� isso que pensa? Mas mesmo que eu v�

algo de mim ficar� para sempre em Romeral, minhas ideias.

Porque as ideias s�o imortais como os homens

que as tiveram.

Temos, por exemplo, Dias Miron.

Que disse aquela frase: Existem aves

que cruzam o P�ntano e n�o se mancham.

Que plumagem elas tem.

Que for�a, que express�o, que trajet�ria de poeta.

Temos Victor Hugo que tamb�m disse:

Eu que te tirei do p�ntano e voc�

que me mordeu a m�o. Porque fez isso irm�o?

Que filosofia. Outra coisa completamente diferente.

E Amado Nerbo, veja voc�

Cantava, chorava, escrevia.

Sua inspira��o era tudo para ele.

A amada vol�vel.

Da� vem a coisa da "la donna � mobile".

"qual piuma al vento"...

N�o, isso � Napolitano, � Italiano.

E esse Chopin. Bom esse Chopin n�o

escrevia, n�o era poeta. Mas tocava.

Ah, isso sim. N�o o que voc� pensa.

Tocava o piano. Ah que inspira��o.

Que coisa.

Somente apaixonados podem compor essas coisas.

� verdade, dizem que o amor � a grande inspira��o.

Eu que o diga. J� que tamb�m fiz meus poemas.

E algumas outras coisas.

Vou lhe tocar uma m�sica que pode n�o ser de Chopin

mas tamb�m tem muita inspira��o, veja se gosta.

N�o tornarei a amar

com t�o intenso anseio

Nem mergulhar

minha vida nas paix�es

N�o tornarei a amar

a t�o cru�is cora��es

N�o tornarei a amar.

jamais, jamais, jamais

Porque o amor

� uma ave passageira

que se aninha e entorpece o pensamento

N�o tornarei a amar.

nem a sentir o que sinto agora

N�o tornarei a amar

jamais, jamais, jamais

Agora, em franc�s.

Mas, n�o chore, n�o chore.

Porque o amor � uma ave passageira

que se aninha e entorpece o pensamento

N�o tornarei a amar

nem a sentir o que sinto agora

N�o tornarei a amar

jamais, jamais, jamais

Eu a canto em ingl�s, mas � um pouco comercial.

E a canto em russo, mas � um pouco picante.

- Vamos ver se aguenta. - Professor, a escola!

- O que foi? - Est� em chamas!

- J� foram avisar meu pai! - Vamos!

Minha escola!

S�crates!

�gua, �gua, depressa!

Mais �gua!

Joguem nas carteiras!

Tenha cuidado, vai cair em cima de voc�!

�gua nas carteiras, mais �gua!

Ajudem-me, por favor! Por favor, �gua!

�gua, minhas carteiras!

- �gua, mais �gua! - Aqui tem mais!

Mais �gua, depressa!

S�crates!

- Ajudem-me, por favor! - Soltem-me!

S�crates!

- Venha, por favor! - Soltem-me!

- Preciso salvar o que puder! - N�o pode fazer mais nada!

Soltem-me!

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

- Adivinho sim... - �s vezes, n�o...

- Chirrin, Chirrin... - Meu professor...

N�o adianta, tem que estudar

- Meu "profe". - N�o adianta, tem que estudar.

E agora que vai fazer?

Sem escola n�o podemos estudar.

E se n�o tiver escola, voc� ir� embora, n�o �?

Ir embora? E deixar voc�s abandonados

a sua ignor�ncia?

Isso nunca.

- Quem eu sou? - Nosso Mestre.

- E voc�s quem s�o. - Seus alunos.

Pois � isso que faz uma escola.

Isso temos repetido muitas vezes.

Come�aremos por limpar esse lugar.

- E depois? - Depois cada um

vai trazer de sua casa uma cadeira, uma caixa,

o que sirva para sentar-se. E seguir com as aulas.

Vamos.

- De acordo? - Sim!

E amanh� inauguraremos uma nova escola.

E agora n�o ser� somente ao ar livre e sim

a gosto de Deus.

E ent�o, o professorzinho j� foi?

- N�o, vai continuar dando aula. - Onde?

No mesmo lugar, ao ar livre e, digamos, jogados no ch�o.

N�o � poss�vel, esse sujeito � louco.

Ele n�o � louco.

Na verdade, estamos chateados com o que fizemos.

Tem coisas que nos fazem pensar, n�s pensamos

e, francamente, n�o conte mais conosco.

A fazenda do meu av�

fazenda com "F"

� maior do que o chap�u do meu tio.

Chap�u com "ch" bem grande, pois � um chap�u de mexicano.

Por�m, menor...

Por�m, menor que a mala de sua irm�.

Por que o espanto?

Irm� com til de rom�.

Eu lhe trouxe leite, vai lhe fazer bem.

- Como est� se sentindo? - Mal, muito mal.

Acho que estou com febre.

Sinto-me como aquele que dormiu nos trilhos do trem

o trem passou e o fez em peda�os.

Depois, algu�m se aproximou e disse:

"Est� muito ruim, acho que vai pegar gripe

porque est� com o corpo um tanto mo�do".

Est� vendo?

Acho melhor suspender as aulas por algum tempo.

Est� cada vez pior e seus alunos podem pegar uma pneumonia.

Mas n�s j� perdemos muito tempo, Hort�ncia.

- Voc� deveria estar na cama. - Sim, mas...

Acho que tem raz�o.

Bem, meninos, j� podem ir para casa

parece que as chuvas logo chegar�o aqui.

N�o esque�am as li��es.

- At� amanh�, professor. - At� amanh�.

Isto n�o pode continuar assim.

Tudo est� contra voc� e cada dia ficar� pior.

- Vou em frente, nem que morra. - Para qu�?

Acha que ainda podemos ter esperan�as?

Trago boas not�cias. O Governador chega amanh�.

Est� fazendo visitas pelo Estado

e quer ver pessoalmente como est�o as coisas por aqui.

Sabe o que isso quer dizer?

Que poderei lhe explicar sobre todas as injusti�as

e abusos do Sr. Margarido e do Prefeito e lhe pedir ajuda.

- Voc� acha? - Claro, por que n�o?

Dif�cil vai ser me deixar chegar at� ele para explicar

a situa��o e dizer o que est� acontecendo

para que ponha as coisas em ordem e que nos fa�a justi�a.

Viu como ainda temos esperan�as?

Nossa �nica esperan�a � que

aquele professor infeliz desapare�a

antes do Governador chegar.

N�o, Sr. Margarido, aceitei muitas imposi��es suas

mas n�o posso permitir um assassinato.

Quem falou em mat�-lo?

S� quero que n�o esteja aqui quando o Governador chegar.

N�o posso aceitar isso.

Vai aceitar o que eu disser.

O guisado estava muito gostoso Hort�ncia.

Como sempre, mas preciso ir porque tenho algo a fazer.

Vai sair resfriado desse jeito? N�o, S�crates, est� muito frio.

- Pode lhe fazer mal. - Preciso ver o Padre Gon�alo.

Quero que ele me apresente ao Governador.

Porque n�o espera at� amanh�? Agora � melhor se deitar.

Tem que ser hoje porque n�o quero que ningu�m se antecipe.

S�crates...

que Deus o aben�oe

E a voc� tamb�m, para n�o pegar meu resfriado.

Ate amanh�.

- Nem sinal do professor. - Tamb�m n�o soubemos de nada.

Nada, nem uma pista. Para onde o ter�o levado?

N�o se preocupe, nada vai lhe acontecer.

A n�o ser que algum de voc�s v� se queixar com o Governador.

- Voc� garante que est� vivo? - At� agora, sim.

Mas � bom dizer para todo mundo que se disserem algo

Podem ficar tranquilos, ningu�m dir� nada.

A vida de S�crates vale mais que todos os nossos problemas.

Amigos de Romeral, aqui estou, conforme prometi

para ouvir reinvindica��es ou queixas, se elas existirem

por parte das autoridades.

N�o, Esperidi�o, se falar, eles o matar�o.

Muito bem, pelo que estou vendo

aqui n�o existem queixas.

Significa que s�o muito felizes

portanto, minha presen�a aqui � desnecess�ria.

Depois do almo�o, continuarei minha viagem.

O Governador n�o deve demorar.

N�o recebeu nenhuma queixa e ningu�m quis falar nada.

Almo�ar� com o Sr. Margarido e o Prefeito, depois, vai embora.

O que faremos com ele?

O patr�o falou que n�o quer que continue incomodando.

Eu me encarrego dele.

Tenho uma velha conta para acertar e vai ser agora.

- Fale, voc� sabe onde ele est�. - Precisa falar, Felipe.

- Fale, saiba que podem mat�-lo. - Vai deixar que o matem?

Ele sempre quis ajud�-lo, tentou ser seu amigo.

J� se esqueceu do que ele fez por n�s?

- E de que salvou sua vida? - � verdade, ele salvou sua vida.

E ent�o, Felipe?

- Est� certo, vou lev�-los l�. - Vamos, depressa.

Soube de alguns rumores sobre o senhor.

- Sobre mim? - Sim, mas j� constatei

que n�o s�o verdadeiros

e que cumpriu dignamente com o seu dever.

Obrigado, Governador, muito obrigado.

Terei de viajar logo se quiser chegar a S�o Bartolo de dia.

Como desejar. Governador.

- Sa�de, senhor. - Sa�de.

Se vai mat�-lo, por que n�o faz isso logo?

Quero faz�-lo sofrer.

Vejamos quanto vai durar a sua sorte.

Escapou da primeira, vamos ver da segunda.

Ele est� l�.

- Voc� n�o vem? - N�o.

N�o, apesar de tudo, ele � meu pai.

N�s entendemos, Felipe.

Assustou, n�o �? Falei que ia faz�-lo sofrer.

Antes, foi de brincadeira, mas agora, � bem s�rio.

Isso, meninos, "pau" neles, n�o os soltem, segurem firme!

Depressa, Carmelo, antes que o Governador v� embora!

Senhores, um �ltimo brinde.

Meu desejo � que tudo em Romeral continue como est�.

Deus nos livre!

- Governador... - Quem � esse homem?

Eu posso lhe dizer, � o melhor professor que j� tivemos.

Um homem aben�oado que veio trazer-nos esperan�a e cultura.

Eu imploro, Governador, que o escute.

Governador, com todo respeito, falo como um quase morto.

E se n�o sou um cad�ver, � porque meus garotos

salvaram minha vida, e sabe quem mandou me matar

com seus capangas e pistoleiros?

Esse que est� sentado ao seu lado.

- Eu, como se atreve? - Continue.

Governador, esse homem � um tirano que h� muito tempo

explora o povo e � capaz de tudo

at� de tirar as terras dos camponeses como tem feito.

- Aqui est�o as provas. - Isso � verdade, Sr. Lucas?

- Lucas, diga que n�o � verdade. - Sim, � verdade.

Eu fui seu c�mplice e agora me arrependo.

N�o achei que fosse capaz de ir t�o longe.

Viu, Governador, como � verdade?

Pelo menos, teve coragem de admitir que o encobriu

mas fez mais ainda

impediu a educa��o das crian�as desse povoado

que � o maior de todos os crimes.

Agora, me desminta na frente do meu amigo Governador

que � o representante da justi�a. Vamos, fale!

Aqui est�o as provas, pode ver Governador, eu n�o minto.

Sente-se, velho, olhe com calma.

Fique a vontade, d� uma boa olhada, o resto eu conto depois.

Pegamos voc�, "crian�a".

Realmente, esses s�o os leg�timos donos.

Ter� que responder por esse crime, e o senhor tamb�m.

Admito minha responsabilidade, Governador.

Pelo menos, ele tem peito para admitir a responsabilidade

mas voc� se esconde como se fosse um... o que �...

um malvado, que a vida toda fez mal ao mundo

para as crian�as, a todos aqui.

Juro que vai me pagar.

Aqui est�, n�o lhe devo mais nada.

Em respeito ao senhor, meu querido professor

como podemos recompens�-lo por tudo que fez por Romeral?

- Posso pedir algo, Governador. - Pe�a o que quiser.

- Uma escola. - Voc� ter� sua escola.

- At� amanh�, professor. - At� amanh�, filhos.

E voc�, n�o chegue atrasado.

- At� amanh�, "profe". - At� amanh�, Felipinho.

- N�o se esque�a da li��o. - N�o, professor.

Aquela de ontem estava �tima, meus parab�ns.

� que meu pai me ajudou.

Seu pai ajudou? D� lembran�as a ele.

Eles est�o muito felizes e devem isso a voc�.

- Esses meninos merecem tudo. - Tem raz�o, s�o maravilhosos.

E voc� nunca pensou em ter...

um seu mesmo?

Muitas vezes, mas acho que n�o � uma quest�o de um

seria melhor se fossem dois, n�o �?

Se eu pudesse contar com sua colabora��o.

Chirrin, Chirrin, sou eu que digo

Adivinho sim, �s vezes, n�o

Chirrin, Chirrin, meu professor

N�o v�, n�o v� embora n�o.

Meu professor, n�o v�, n�o v� se casar

FIM

Legendas - Kilo Cantinflas - 100 anos

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