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Ela também te chamou?
O que se passa?
Não faço ideia.
CEMITÉRIO
Não me tinha atrevido a vir.
Nem para pôr flores.
Achei que seria melhor se esperasse uns dias.
Mas não funciona assim.
É melhor enfrentar estas coisas.
Enfrentar o quê?
Não sei de que se trata isto.
Queria dizer-vos antes que oiçam na aldeia.
O Safir voltou
e vamos às ruínas de Fuensanta.
- Como assim? - Vamos purificá-las.
- Eu, o padre Ángel, o Musta e o Safir. - E qual é o plano?
Encontrar e libertar o que estiver lá. O Safir tem uma intuição.
O Safir tem uma intuição? E que intuição é essa?
És uma idiota, Sonia.
Podes insultar-me e denunciar-me.
Podes engolir comprimidos como fazes há dez anos.
- Que raio sabes? - Ou podes mudar.
Nós os três estivemos lá em baixo.
E vimos coisas que nos aterrorizam.
E, por isso, fugimos.
Mas não vou fugir mais.
Não quero ter medo de vir aqui, à campa da Badra.
Nem angustiar-me por não saber o que tenho cá dentro.
Quero compreender.
Quero enfrentar.
E a única forma é voltar àquele lugar.
- Estás a pedir-nos para ir contigo? - Ninguém vai lá.
- Fá-lo-emos esta noite. - Não, são demónios.
Não sei. Mas, se forem, enfrentemo-los, Carmen.
- Não. - Vamos tentar.
Não.
Estás a fugir de novo.
- Ela pode denunciar-vos à Guarda. - Deixa-a.
Vão fazer o quê? Multar-nos?
Vamos lá de qualquer modo.
A questão, Rober,
é o que queres tu fazer.
DIZ-ME O TEU NOME
Alá é grande.
Alá é grande.
Alá é grande.
Alá é grande.
Alá é grande.
Alá é grande.
Confiamos nesta solução,
mas precisaremos da ajuda de todos.
E se a Guarda Civil aparecer?
Levar-te-ão para Marrocos.
Temos de os manter longe das ruínas até acabarmos.
E se tiverem um mandado?
- Terão de os empatar. - Como?
Fuensanta é a nossa casa.
Sim?
Desculpe. Vou desmontar a bateria e bazar.
Sem pressa, a Sonia não chegou.
O teu fã norueguês.
Deve ser um CD com temas dele para eu ensaiar.
Podias levar a bateria para Fuensanta.
Não. Não gostam, padre. Não me deixariam ensaiar.
Se purificarmos as ruínas, talvez te perdoem.
Devias ter-me perguntado antes de falar com a Carmen.
Pelo menos, convenci o Rober. Virá connosco.
Para ti, é uma excursão?
Dá-nos jeito ajuda. Sobretudo agora, que o Musta vai embora.
- Não vou. - Claro que vais.
- Vou descer convosco. - Não.
Vais para a Noruega, juntar-te à banda de black metal.
- O avião parte daqui a dois dias. - Não quero saber. É um sinal.
Sonia, é a minha gente.
- Não vou. - Diga-lhe, padre. Não precisamos dele.
A Carmen virá. Com ela e o Rober...
A Carmen é um problema.
Tudo o que se passa em Fuensanta destabiliza-a.
Mais uma razão para o fazer.
Ou esqueceu-se do seu provérbio chinês,
enfrentar a aniquilação pode salvar-nos?
- Todos temos de o fazer. Até ela. - Não, ela não.
- Porquê? - Não está pronta.
Muito bem...
Quando fizemos o exorcismo ao Radi, vi...
... coisas...
... terríveis.
- Como todos. - Não me refiro a medos. Imagens.
Imagens muito...
... perturbadoras.
Não sei se terão sido...
... alucinações ou algo fabricado pelo jinn.
O que viu, padre?
Acho que a Carmen está mais envolvida do que achamos.
Não me parece que a possamos salvar.
Talvez seja demasiado tarde para ela.
Parece que o Omar lixou tudo em Toledo.
Tentou tirar o Radi do hospital à força e com um machado.
- Foi detido. - Meu Deus!
Vou ligar à Fátima.
Vocês sabiam?
Mas que raio?
Para aí!
- Nadim, que raio fazes? - Paga-me o que deves!
Não há dinheiro aqui. Não te enganes.
- Vais arranjar sarilhos! - Já arranjei.
Ou achas que me ficava assim?
Ele não atende.
Como vai atender? Deve estar no tribunal.
Acusado de quê?
Tentativa de rapto, destruição, ameaças...
- Rapto? É o filho dele... - Então, usa um machado?
- Tenho de ir a Toledo. - Agora?
Eles precisam de ajuda, padre.
E vais ajudar com a acusação e com esta confusão que temos aqui?
Faz o que quiseres, mas eu,
eu esperava uns dias para ver como corre.
Ajudá-los-emos a partir daqui,
fazendo o que temos de fazer.
O que quer isso dizer?
De que estão a falar?
Rezar.
Estamos a falar de rezar.
FECHADO
Carmen!
Carmen, estás aí?
Tenho uma consulta agora.
Carmen!
Perfeito. Vai ser perfeito.
Parabéns!
- Vem aquecer-te, Safir. - Obrigado.
Estão a preparar tudo.
Procuro refúgio em Deus, do malévolo Satanás.
Em nome de Deus, o Bom.
Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos,
o Bom, o Rei do Dia do Juízo Final.
Adoramos-Te e a Ti recorremos.
Guia-nos no caminho certo.
Não sentirás falta?
Nunca imaginei
deixar Río Blanco assim.
Expulso, após fazer a Ruqyah?
E pensava eu já ter feito tudo.
Talvez Deus me esteja a enviar sinais para voltar à Argentina.
Voltarias?
A Buenos Aires, não. Nunca. Não.
Mas quem sabe?
Uma casinha em Salta,
onde não haja possessões diabólicas
nem pessoas que percam a cabeça.
Se servir de consolo,
os teus paroquianos sentirão a tua falta.
Talvez prefiram um padre ortodoxo, que não se desvie do dogma.
Esse padre não estaria aqui,
comigo.
E não é ele que os vai salvar.
Talvez não salvemos ninguém, Safir.
O que é isso? Pessimismo?
Realismo.
Não sou muito bom nisso de salvar.
Desta vez, serás.
Ángel!
Ángel!
Meu Deus!
Ángel!
- Ángel! - Não podes.
Deixem passar. Tenho de falar com o padre Ángel.
Ángel, ouve-me!
- O que fazemos? - Nada.
Ángel!
- Ela é capaz de ficar até anoitecer. - Ouve-me!
E se descermos já?
Há que esperar que a água arrefeça.
- Deixem-me passar! - E ainda há algo a fazer.
Deixem-me passar!
Tenho de falar com o padre Ángel.
- Não! - Porquê?
Não!
Não, Ángel! Pelo amor de Deus!
Irá tudo para o inferno!
Em nome de Deus, o Bom. Louvado seja Deus,
Senhor dos Mundos,
o Bom, o Rei do Dia do Juízo Final.
Adoramos-Te e a Ti recorremos.
Guia-nos no caminho certo daqueles que agraciaste,
não dos que têm raiva ou dos que estão perdidos.
Veste-a.
Respira calmamente.
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno. Ele não gerou
nem nasceu. Não há ninguém como ele. Alá é verdadeiro."
Dá-ma.
Agora, dá-me a mão.
Devolvo com as palavras perfeitas de Deus por cada diabo, demónio e mal.
Tens de acreditar no que vou fazer.
Em nome de Deus.
Em nome de Deus, o Bom, o Misericordioso,
procuro refúgio no Criador dos homens,
no Rei dos homens, no Deus dos homens.
Em nome de Deus, o Bom, o Misericordioso,
busco refúgio no Criador dos homens!
No Rei dos homens, no Deus dos homens!
Rober!
Rober!
Rober!
É tentativa de homicídio. Chega para os expulsar a todos.
Rober!
- Estou a ouvir-te. - Então, fala!
- Já devem estar em Burgos. - Esquece o Nadim!
Temos de ir atrás dos outros. São cúmplices, decerto.
Não quero saber.
Não. Não podes fazer isso.
Desta vez, vão mesmo lixar tudo!
Talvez seja do que a aldeia precisa. De se lixarem todos!
Não digas isso. Estiveste lá em baixo. Viste o que se passa.
- Não quero saber. - Não faças isto.
- Não me faças isto, por favor. - Carmen, deixa-me em paz, por favor.
Já não aguento mais.
Mas que raio?
Para nos avisarem de algo, gritem.
Se não respondermos, não desçam.
Esperem até amanhã.
- Amanhã? - Foi o que disse.
Comecemos.
Temos de ver os quartos.
Separemo-nos em dois grupos. Musta, comigo.
Se virmos uma barreira, não entramos.
Chamamos os outros e trazemos as latas, sim?
Sim.
Vamos.
Aqui.
Pode ser aqui.
Há que abrir mais.
Sonia?
Ángel?
Ángel?
Acudam.
Acudam.
Acudam.
Acudam.
Acudam!
Acudam.
Eles mataram-no.
Mataram o Rober. Os mouros mataram-no!
Acudam!
Merda!
Sonia?
Sonia!
Aqui.
- Aqui, onde? - Aqui.
Sonia?
Aqui.
Aqui.
Sonia!
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Quem és?
Aquele que habita no abrigo do Mais Alto
submeter-se-á à sombra do Todo-Poderoso.
Ele salvar-te-á da cilada do caçador.
Ele cobrir-te-á com as suas penas, e não temerás o terror da noite.
Direi do Senhor: "Meu Deus, em quem confiarei."
Se disseres "o Senhor é o meu refúgio",
nenhum mal te derrubará, nenhum desastre se aproximará da tua casa.
E responder-lhe-ei, estarei com ele na provação,
libertá-lo-ei e glorificá-lo-ei.
O que estão a fazer?
Céus, não...
São infiéis.
São inocentes.
Eu também.
Também sou inocente.
Somos todos.
Nem todos.
Para! Para, por favor!
Fina!
Para!
Fica sossegado! Para!
Para!
Venham cá, cabrões!
- Violadores! - Filhos da puta!
Não!
Onde estão eles?
Onde estão os mortos?
Ninguém sai.
Carmen.
Carmen!
Carmen, ouve-me.
Temos de os encontrar.
Ninguém sai.
Fá-lo.
Pela Badra. Fá-lo.
Foste tu?
Ninguém sai, Sonia.
Nem o que tens dentro de ti.
Vai crescer e crescer
até te matar. - Cala-te!
Fá-lo.
Vais sentir-te melhor. Fá-lo.
Fá-lo, por favor.
Fá-lo.
Sonia.
Sonia.
Sonia.
Encontrámo-los.
Dá-me a água de rosas.
Ele é Alá, o Único. Alá, o Independente.
A quem todos imploram.
Ele não gerou nem nasceu.
Não há ninguém como Ele.
Não haverá mais morte, lágrimas, mágoas nem dor,
porque a antiga ordem das coisas deixou de existir.
Ámen.
Procuro refúgio no Senhor, do mal que Ele criou
e do mal dos invejosos e da maldade dos invejosos.
Procuro refúgio no Senhor do povo, o Rei do povo,
do mal do sussurrador, que sussurra no coração dos homens.
Estava tudo aqui, Carmen.
A tua dor,
a dor de todos.
- Já não importa, padre. - Importa, sim.
Vamos enterrá-los bem, para que possam descansar.
Ninguém vai descansar.
Já não.
- Já saiu. - Para de dizer isso.
Não fazem ideia...
Nenhuma ideia do que se passa lá em cima.
O que fizeste?
- Temos de a tirar daqui. - Sim. Cuidado.
Calma.
É melhor que te vás embora.
Não.
Já não podemos fazer nada.
E tu também.
A Sonia tem razão.
Musta, vai-te embora.
Mas eu fico.
Precisam de mim aqui.
SALA DE OPERAÇÕES 6
O que se passa?
O que se passa?
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno.
Ele não gerou nem nasceu. Não há ninguém como ele.
Alá é real."
Alá é grande.
Alá é grande.
Senhores, já chega! Não.
- Afastem-se. - Aí!
Afastem-se, por favor. Não repito.
Já chega. Toca a acalmar.
Vamos todos acalmar já! Raios!
Como estás?
Não havia nada.
Nem bebé, nem feto,
nem placenta.
Nada.
Dizem que nunca viram nada assim, tão real.
Histeria.
Foi a palavra que usaram, "histeria".
Fosse o que fosse, já acabou.
- E a culpa não é tua. - E é de quem, padre?
Do jinn?
De Satanás? Da Carmen?
A Carmen perdeu a cabeça.
Se eu não lhe tivesse dito...
Todos a tentámos ajudar. Tu também.
E de que serviu isso?
Encontrámos os corpos.
E o jinn, padre?
Onde está?
E os demónios?
Tudo o que aconteceu foi obra deles.
E os mortos de ontem também?
Porque o que eu vi...
... foi algo nosso, humano.
O que é humano vem de Deus, como o erro nasce da perfeição.
E pronto?
- Conforma-se com isso? - Não.
Não é conformismo.
É fé.
Fizemos aquilo em que acreditámos.
A verdade é que já não sei no que acreditar.
Achei que, no fim disto, acabaria
a ser batizada ou a cumprir o Ramadão.
E não me teria importado, juro.
Se tivesse respostas.
Ninguém tem.
É isso que é aterrador.
SERVIÇOS FÚNEBRES
Que trouxeste para jantar?
- Creme de verduras. - E porque cheira a mar?
- A mar? - Não te cheira a mar?
Sim. Parece que cheira.
Alá é grande.
Alá é grande.
Sonia.
Sonia.
Sonia.
Vai correr tudo bem.
Verás.
Amo-te muito.
Já está tudo.
Estes são a Paula e o Julio.
Serão os teus pais de acolhimento até se tomar uma decisão.
Olá. Como estás?
Queres dar um passeio connosco?
Como te chamas?
Dizes-nos o teu nome?
Então? Estás com vergonha?
Está tudo bem, sim?
Olha...
Diz-me o teu nome.
Legendas: Vânia Cristina
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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