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Pai Nosso, que estais no Céu,
santificado seja o Vosso nome.
Venha a nós o Vosso reino.
Seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
e perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Padre.
Ámen.
Dizes-me o teu nome?
Diz-me o teu nome.
Abdelhakim.
DIZ-ME O TEU NOME
Porque não?
Depois do que aconteceu!
Catorze facadas.
Ninguém percebe nada.
Mas acusam os mesmos de sempre.
Há medo.
FORA DROGAS
VIOLADORES ASSASSINOS
PREGUIÇOSOS LADRÕES
Só se repete uma expressão.
"Os mouros."
"Os mouros."
"Os mouros."
... se desceram ou não.
Radi, por favor, esforça-te.
Percebo que estejas nervoso.
"Malditos mouros." É assustador. E se vierem atrás de nós?
- Nada acontecerá. - E se acontecer?
Não estão na Alemanha.
Lá, queimam barracões com africanos e turcos. Aqui, não.
Quando há medo, ninguém pensa.
Melhor. Comprar-te-ão mais haxixe.
Falaste com o padre Ángel?
Para quê?
Não podemos deixar o Radi e a sua família.
Que parte não compreendes?
A Badra está morta. O Radi está preso.
- Não foi ele. - Não sabes.
Claro que sei.
E tu também.
E o Omar e a Fátima.
Tenho de me afastar algum tempo.
Não sejas ingénua.
Achas que resolverás tudo indo para casa da tua mãe?
Quero parar de pensar.
Isto não vai parar.
Não assim.
Então, como?
Com mais exorcismos?
O Radi é uma vítima.
A Badra é uma vítima.
Eu sou uma vítima.
Sonia, ouve-me.
Fala com o padre Ángel.
Temos de continuar os testes ao Radi e retirar o que está dentro dele.
- Prometi-o ao Omar. - Lamento.
Tens de fazer algo, antes que piore.
E, acredita, vai piorar.
Porque não falas com o padre?
Vão deportar-me daqui a dois dias.
Já não há tempo.
Fá-lo pela Badra.
Achas que foi o miúdo?
Então?
Não dizes nada?
- Sobre? - O que aconteceu à rapariga.
Não ias fazer queixa para expulsar os mouros?
Já fiz, mas inspecionar as caves vai levar meses.
- Há outra opção. - Que opção?
Se houver algo tóxico, terão de investigar.
Podemos pedir uma inspeção ao juiz.
Quem falará com o juiz? Tu?
- Todos sabem que quero as terras. - Pede ao teu mouro.
- Mouro? - O que vende haxixe.
- Não faço ideia. - Tens de fechar o maldito buraco.
- Denuncia. - Esquece!
Não vês quão rápido isto é?
- Que raio podemos fazer? - Esperar.
Esperar o quê?
Esperar o que vem aí.
Esta aldeia vai para o inferno.
Pouco importa quanto rezem, implorem ou chorem.
E vão chorar.
Vão chorar.
Por um lado, há a justiça juvenil.
Não podemos julgar menores de 14 anos.
É inimputável.
- E há o que o médico legista disse. - O que disse ele?
As feridas no corpo da Badra têm uma trajetória descendente,
o que indica terem sido feitas por alguém mais alto que ela.
O que exclui o Radi,
porque ele tem 1,52 m, e ela, 1,60 m.
- Foi alguém de Fuensanta, então? - Não sabemos.
- A investigação vai demorar. - Sim, muito.
Se ele está inocente, há que dizê-lo.
Vão cair-nos em cima. Não vamos aguentar.
Não podemos atuar à margem do...
- É um processo judicial... - Temos de fazer algo.
Fátima.
Eles sabem. Deixa-os trabalhar.
Não, não sabem.
Eles sabem como fazer o trabalho deles.
Por favor, façam o vosso trabalho.
Obrigada. Tenham um bom dia.
Bom dia.
Fátima.
Que Deus nos proteja.
Oxalá.
O exorcismo já era de loucos antes. Imagina agora.
Acha que não sei?
- Então, como me podes pedir? - Porque não tenho alternativa.
É o que a família quer, e o Safir.
- Falaste com eles? - O Omar ligou ao Safir.
Ouve, Sonia.
A Guarda Civil está a examinar tudo o que acontece aqui.
- Então, que fazemos? - Não nos metemos em mais problemas.
O problema é esse. Ao não fazer nada, piora tudo.
Como assim?
O Safir que faça.
Ele é o imã.
Isso é impossível. Vai ser deportado para Marrocos amanhã.
De Marrocos a Espanha, são 30 km.
O que queres dizer?
Trazemo-lo de volta.
Claro, vocês querem arruinar-me a vida.
Primeiro, um exorcismo islâmico, agora, tráfico de pessoas.
Quanto custaria isso?
Umas 400 mil pesetas. Meio milhão, no máximo.
Meio milhão de pesetas?
Sim, é um amigo de confiança. Trouxe-me e a outros miúdos.
Mesmo que seja muito seguro,
não sabemos o que o Safir fará em Marrocos!
Se calhar vai para a aldeia dele, no...
... fim do mundo, e não conseguiremos contactá-lo.
O que foi?
BILHETES CEUTA - TÂNGER
Tens uma visita.
Vamos.
- Dois minutos. - Muito obrigado.
É o bom de se ser padre. Deixam-nos ir a qualquer lado.
Falou com a Sonia?
- Acho que não adiantará. - Claro que sim.
Só tem de seguir as minhas indicações.
Não farei exorcismos,
sobretudo agora.
Em Río Blanco, o ambiente está... tenso,
e eu não me vou envolver em algo que não percebo bem.
Como assim?
A Sonia teve uma ideia.
Vamos trazê-lo de volta esta semana.
O quê?
É uma pousada em Tânger. O Musta ligar-lhe-á para organizar tudo.
Organizar o quê?
Estamos a juntar dinheiro para o trazer.
Tem de ser o Safir.
O Safir é o imã.
Estou a ajudar-vos, porra! Diz-lhe, Marga, já estás cá há muito.
Eu? O chefe é o Miguel.
Oiçam, têm um crime por resolver e nem a merda de uma pista.
Estou a dar-vos ideias.
Porque, segundo tu... A ver se percebi bem isto.
Debaixo das ruínas, há gases malévolos que atordoam as pessoas
e as transformam em psicopatas com facas.
- Caraças... - Inspeção. Chama-se "inspeção".
Só peço que enviem peritos para examinar o local.
Se não houver nada, ótimo. Mas, e se houver algo tóxico?
- Define "tóxico". - Perigoso.
Como óleo de colza ou amianto.
- Ou o teu namorado de Maqueda. - Vai à merda!
Rober, se há algo tóxico,
Fuensanta é fechada, e isso lixa-te também.
Não, eu limparia as ruínas,
e suportaria o custo.
Porque não vais ao Dep. da Saúde? Eles tratam destas coisas.
Já fui, mas são muito lentos.
Se vocês pudessem falar com o juiz...
- Não estarás obcecado? - Com o quê?
Fuensanta é o projeto da Sonia, e como ela te fez o que fez...
Não estou a perceber.
Ela traiu-te com um mouro, em Tânger,
quando jogavas no Atlético de Tetuán.
Mas ele perdoou-lhe.
- Por ser tão moderno... - Marga.
É por isso que não te promovem. Porque não pensas.
Trouxeram um tipo de Burgos dez anos mais novo.
- Como sabes que não o pedi eu? - Basta!
Ouve, antes, pedi como favor.
Agora, vão fazê-lo, porque estou a mandar.
Ou peço ao general Estrada, um bom amigo,
que vos ponha no País Basco.
Se vos matarem num atentado e voltarem num caixão,
enviar-vos-ei flores.
Porque, sim, adoro perdoar. Sou mesmo moderno.
Aqui está quase um milhão de pesetas.
Para o que for preciso.
Onde o arranjaste?
É dinheiro da tua ONG?
É dinheiro público, Sonia.
Podem processar-te por desfalque. Perderias a licença para sempre.
Sabe o que lhe disse?
À Badra?
Que nada lhe aconteceria. Para confiar em mim.
Estava sentada aí.
- Não podias saber. - Ou não quis.
E está a falar-me de desfalque?
MOUROS LADRÕES PREGUIÇOSOS
O que se passa?
O que foi?
- Venham cá! São uns cobardes! - Qual é o teu problema?
Volta para o teu maldito país, mourozinho!
- Sai daqui! - Desce cá!
Maldito mouro! Trazem-na no cu, não é?
Venha se tiver coragem!
És racista. Porque não desces?
- Sai daqui, mouro! - Sai!
Aqui tens. Da parte do juiz.
- Já a têm? - Dos peritos, tratas tu.
O quê?
Se vais àquela cave perante os mouros, precisarás de proteção.
E nós vamos dar-ta.
Por 50 mil pesetas, que doarás para comprarmos computadores.
Temos de nos modernizar.
Doem-me as mãos, mãe.
Solta-me, por favor.
Sou eu, mãe.
Olha para mim.
Sou eu.
O teu filho. O Radi.
Olha para mim.
Sou eu.
Sou eu. Ajuda-me.
Solta-me.
Ele não está aqui.
Às vezes, não está comigo. Perdão.
Lê o Corão.
Tenho medo.
Tenho medo.
Não vais matar o meu filho.
Estás a magoar-me!
Mãe!
Mãe! Ajuda-me!
Mãe!
Mãe! Fica comigo!
Mãe!
Mãe!
Sonia! Acorda!
Temos de ir já à praça principal!
- Qual é o teu problema? - Larga!
Não me toques! Embora!
Maldito mouro! O que andas a fazer?
- Basta! - O que foi, Sonia?
- Vieste defendê-lo? - Calma.
- Drogado! - Calma!
- Leva-os e vai com eles. - Se alguém lhe toca, faço queixa.
Vais fazer queixa?
- Por não o deixarmos vender droga? - Ela tem razão. Vamos acalmar-nos.
Deixem-no, ele não é o problema.
Também lhe compras haxixe?
Armam-se em galos, mas não têm tomates para o que é preciso.
- Lá vamos nós outra vez. Estamos contigo... - Não chega!
- Basta, Carmen! - Não.
Estão a cometer atrocidades em Fuensanta, e tu estás a defendê-lo.
- Vamos, Nadim. - Sabes que tenho razão.
O que propões? Incendiar Fuensanta?
- O que dizem? Por favor! - Não quero saber. Têm de sair daqui.
- Acompanho-te a casa. - Não me toque.
- Não me toque. - Basta, Carmen, por favor.
Por favor.
Não agirá até acontecer algo mais.
Por favor, suplico-te.
Estou a ver.
Não. Deixa-o em paz!
- Deixa-o em paz! - O que é, filho?
- Deixa-o em paz! - O que foi?
Ele vem atrás de ti.
- Quem? - Deixa o meu pai em paz!
Deixa-o em paz!
O que é, filho?
Não o faças!
Deixa a minha família!
Não o faças!
Pai.
Ele disse que vos mata a todos.
Estou em Tarifa, padre, mas temos um problema.
O que aconteceu?
Deu a volta.
O quê?
O jet ski, padre, deu a volta.
O vento tem de acalmar. Assim, é impossível.
Então, quando?
Parece que vai acalmar dentro de três, quatro dias.
- Três ou quatro dias. - Não. É demasiado.
Não pode ser antes?
Não. Padre, lamento, é melhor que...
Estou? Musta?
Estou?
Vou ver o Omar.
- São só três dias. - Pode acontecer tudo em três dias.
INSTITUTO PROVINCIAL DE TOXICOLOGIA
A Guarda Civil vem connosco. Esperamos cinco minutos.
- A Guarda Civil? - É só uma formalidade.
Filho.
Não te preocupes. Vou soltar-te.
Não te preocupes.
- O que fazes, Omar? - Não somos monstros, Fátima.
- Não o soltes, Omar. - É o que o jinn quer, Fátima.
Tornar-nos piores que ele.
Omar, o jinn quer que o soltes. Para.
Quero estar contigo, mãe.
O que Alá espera de nós,
o que nos pede, é que saibamos rejeitar este ser.
É o nosso ato de fé.
Não tornarmo-nos monstros.
Ele quer matar o Radi.
Para, Omar!
Se ele ficar assim, seremos nós a matá-lo, Fátima!
Para, Omar!
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno. Ele não gerou..."
- O que estás a fazer? - Alá é real.
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno.
Ele não gerou nem nasceu. Não há ninguém como Ele."
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno. Ele não gerou
nem nasceu. Não há ninguém como Ele."
Diz: "Ele é Alá, o Único, o Eterno. Ele não gerou
nem nasceu. Não há ninguém como Ele." Alá, Todo-Poderoso, é real.
Omar, ajuda-me.
Omar, tapa-o.
Radi.
Radi.
O que tem ele?
- Ajuda-nos a prendê-lo. - Radi.
Omar, a tua mão.
Temos de a arrefecer.
Sonia, por favor, destapa-me.
Não oiças.
Posso ajudar-te. Sei o que está dentro de ti.
Tira-me isto.
- Não, Sonia. - Sonia.
O que és tu?
Não!
Tem de o fazer, padre.
- O quê? - O exorcismo.
- Não... - Não temos tempo.
Ele está a morrer, padre.
- Por favor. - Entrem.
No chão.
No chão.
Radi.
- Radi. - Radi.
- Radi. - Radi.
- Radi. - Radi.
Radi.
Padre.
Por favor, não deixe o jinn levá-lo.
Expulse-o, por favor.
Por favor.
Temos de ligar ao Safir.
O jinn vai deixá-lo morrer.
Mas está no corpo dele...
Esqueça a física, os sacramentos. Esqueça o que sabe.
Só precisa da sua fé.
É de crucial importância que use a palavra de Alá.
O primeiro versículo da sura Al-Jinn é muito poderoso. Recite-o.
O Omar pode ajudá-lo.
É um diálogo que pode demorar dias.
A primeira coisa a fazer é perguntar o nome do jinn.
Saber de onde vem. E, depois, dar-lhes as boas-vindas.
As boas-vindas?
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
Sou o Tancarib.
- Ouviram isto? - O quê?
É preciso águas de rosas para provocar o jinn.
Eu trouxe. Lavei o lençol com ela.
E eu trouxe a sura, padre.
Ajudá-lo-ei a recitá-la, mas terá de o confrontar.
Vamos a isso.
Em nome de Deus, o Misericordioso.
Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos, o Bom.
Em nome de Deus, o Bom.
Em toda a criação, misericordioso para os crentes.
Um grupo de jinns disse, ao ouvir:
"Ouvimos uma bela recitação que guia para o caminho certo.
Cremos na recitação
e não adoraremos nenhum outro deus que não Deus."
Tem de obrigar o jinn a revelar-se.
Ordeno que te reveles, jinn.
Revela-te perante Deus.
Revela-te perante Alá!
Revela-te perante Alá!
- Cubra-lhe os olhos com as mãos. - Como?
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Diz-me o teu nome, jinn.
Diz-me o teu nome.
O teu nome.
Diz-me o teu nome.
Jinn, o teu nome!
Sou o Abdelhakim.
Não ouviram mesmo isto?
Não...
De onde vens, Abdelhakim?
Não há outro sítio.
Como assim?
- Diga-lhe para parar. - Não. Pergunte o que diz.
O que dizes, jinn?
De que falas, jinn?
Não são palavras.
É o quê?
Dor.
Querem senti-la?
Quem causa essa dor?
O Caçador.
Ele trouxe-nos aqui.
Porquê?
Por sermos infiéis.
Há outra pessoa.
Quem?
A Deformada.
Quem é a Deformada?
Olá?
Estão aí?
És fraco.
És fraco.
Não!
Chega!
Chega!
Para!
Chega! Não!
Quem é a Deformada?
- É um jinn também? - Não.
É a filha do Caçador.
- E como se chama? - Antara.
Porque não voltas para o teu mundo?
Porque não voltas para o teu mundo?
Não nos deixa sair.
A Antara?
Não. O Caçador.
Porque não vos deixa sair?
Foi o que Deus lhe pediu.
Porquê?
Ele quer purificar-se.
Purificar-se de quê?
Deus castigou-o com aquela filha.
Daí ter-lhe pedido o muro.
Tirem-nos daqui!
O Caçador prendeu-vos aí dentro?
Tens de me tirar. Sou só uma criança.
Não quero fazer mal. Sou só uma criança.
Levantem-lhe a cabeça.
Assim.
Aonde vamos?
Não a queres ver?
Quem?
Ver quem?
Não, para!
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Volte, padre.
Volte, padre.
Volte, padre!
Padre, olhe para mim!
Padre!
Sonia.
Sonia.
Ángel, que raio fez?
Já chamaram uma ambulância?
Aqui!
Aqui! Ele está aqui!
Ninguém sai.
- Ninguém sai. - Não percebo.
- O que se passa com ele? - Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Ninguém sai.
Legendas: Vânia Cristina
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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