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"O tempo passa muito r�pido, m�e.
Entre costuras, tesouras e moldes,
os dias s�o cada vez mais curtos.
No entanto, sinto como se fosse h� uma eternidade
que parti de Tetu�n e a vi pela �ltima vez.
Nossa velha Madri se recupera pouco a pouco das feridas da guerra.
Entretanto, as minhas parecem n�o cicatrizar nunca."
Vamos nos ver novamente?
N�o posso prometer nada a voc�.
Mas espero que nossos caminhos voltem a se cruzar algum dia.
"E quando est�o a ponto disso, aparece algo ou algu�m que as fazem reabrir."
- Arish, querida.
Quero apresentar voc� ao meu futuro sogro.
Encantado em conhec�-la.
Precisa lembrar de um nome: Manuel da Silva.
Acreditamos que come�ou a estabelecer rela��es paralelas com os alem�es.
Alimentos, minerais, armamentos...
Esperamos que possa obter algum tipo de informa��o.
O que devo fazer?
Esta � Berta Sterling.
� espanhola, mas � casada com um alem�o filiado ao partido nazista,
com muitas influ�ncias.
Da Silva vai comparecer a um jantar privado na casa dela,
durante sua perman�ncia em Madri.
Herr Da Silva, um grande empres�rio portugu�s.
Divirtam-se.
� a primeira mulher marroquina que conhe�o em toda minha vida.
Nunca esteve no Marrocos?
N�o. E lamento.
Principalmente se todas as marroquinas... s�o como voc�.
Adoraria que fosse me visitar em Portugal.
Eu mostraria os tecidos a voc� e talvez pud�ssemos chegar a um acordo.
Tenho, muito trabalho. N�o posso deixar meu atelier.
Ao menos prometa que vai pensar.
Precisa de ajuda, senhorita?
Sim. Compartimento 3, por favor.
- Bom dia. Senhorita Agoriuq? - Sim, sou eu.
Meu nome � Jo�o. Trabalho como motorista para o Sr. Silva.
- Encantada em conhec�-lo. - O prazer � meu, senhorita.
Meu patr�o quer que saiba que estou a sua inteira disposi��o
durante toda sua perman�ncia.
Muito obrigada.
� sua primeira vez em Portugal, senhorita?
Sim.
Conte-me, Jo�o: h� quantos anos trabalha para Manuel da Silva?
47 anos, senhorita.
Trabalhei para o pai e para o av�, tamb�m.
A fortuna dos Silva come�ou com uma taberna no porto.
Desculpe-me, senhorita.
Deve estar muito cansada pela viagem. Eu falo muito. Minha mulher sempre diz isso.
Arish! Bem-vinda!
Que prazer ter voc� aqui, finalmente.
Desculpe-me, mas, �s vezes, o trabalho me sobrecarrega.
Est� bem para voc� se for busc�-la no hotel �s 20 horas?
Ontem fui dar um passeio pela praia e pensei ter visto seu carro.
- Pode ser. - E antes de deitar fui at� a janela
e me pareceu que estava de volta � entrada do hotel?
Meu patr�o quer assim.
� um gesto de cortesia de parte de Manuel.
A Virgem de F�tima, para a menina.
Esta semana celebra sua primeira comunh�o. Gostaria que fosse de ouro, mas,
os escudos do meu sal�rio n�o d�o para tanto.
Certamente vai ficar encantada.
Conte-me tudo o que sabe sobre Silva e os alem�es.
Trouxe o microfilme com todas as informa��es de que falamos.
Nomes, mapas, quantidades...
Temos que conseguir esse microfilme.
Vai haver um jantar dentro de tr�s dias
na casa de campo de Silva. Precisam fechar um acordo important�ssimo.
Sei que h� muito dinheiro em jogo.
Arish Agoriuq, Marcus Logan.
- Encantada. - Muito prazer.
O que aconteceu com a Sira que deixei em Tetu�n?
Consegui que me convidasse para jantar com os alem�es.
Vou tentar peg�-lo l�.
Procure o microfilme no escrit�rio,
segundo andar, primeira porta � direita.
Ontem voc� tamb�m falou de uma lista.
Herr Weiss ordenou a Silva
que neutralize esses ingleses.
O que quer dizer com neutralizar?
Tirar do caminho, suponho.
"Sabemos que tem uma boa amiga em Portugal,
mas n�o achamos prudente que se vejam.
A Sra. Fox ser� avisada para agir como se n�o a conhecesse, caso se encontrem."
Srta. Agoriuq! Quer que a leve a algum lugar?
Acho que me perdi.
- Eu a acompanho a... - N�o, n�o.
Na verdade, acho que prefiro sair por aqui.
Por favor, n�o diga a ningu�m que me viu.
Boa noite.
Quanto quer para me levar a Lisboa?
N�o posso pedir um t�xi no hotel,
porque tenho que ser discreta.
Olhe, aceitando ou n�o,
em qualquer caso isto fica entre n�s.
O que me diz?
Quanto?
Dou-lhe o dobro. Vamos.
Aqui.
O Tempo Entre Costuras Epis�dio 10
Dou-lhe 50 escudos mais se voltar para me buscar em duas horas.
- Boa noite. - Boa noite.
Sinto incomod�-la t�o tarde,
mas preciso ver a Srta. Rosalinda Fox, por favor.
- Entre, por favor.
Que surpresa t�o maravilhosa!
O que faz aqui no meio da noite, my dear?
- Estou t�o feliz em v�-la. - E eu ainda mais.
Querida, quando me disseram que viria a Portugal
e n�o poderia ver voc�, achei que fosse morrer de desgosto.
Estou me arriscando muito,
-... mas preciso pedir a voc� um favor. - Of course. O que quiser.
- Preciso ver Marcus Logan. - Que coincid�ncia.
N�o vai acreditar, mas Marcus veio ver-me ontem;
queria saber de voc�.
- E o que disse a ele? - A verdade,
que a �ltima vez que a vi foi h� um ano em T�nger.
Rosalinda, como posso encontr�-lo?
Posso contatar com ele atrav�s de uns amigos ingleses.
S�o clientes habituais do El Galgo.
- O que � El Galgo? - Meu club.
Um neg�cio que abri em sociedade com um amigo.
Querida, est� tremendo.
Quer um ch�?
Thank you.
Por que precisa falar com Marcus?
� uma hist�ria um pouco longa.
Voc� sabe que estou em Portugal a neg�cios com Manuel da Silva.
A palavra neg�cios nestes dias � como um grande guarda-chuva preto
que pode encobrir qualquer coisa.
- Voc� o conhece? - J� ouvi falar dele.
- E n�o muito bem, na verdade. - Certo.
Mas est� prestes a fechar
um neg�cio muito importante com os alem�es.
E quer matar um grupo de ingleses,
e entre eles est� Marcus.
My God.
Procure-me amanh� no club.
Vou mandar um recado a Marcus para que v� tamb�m.
Isso � imposs�vel. Silva me tem vigiada.
Ent�o ter� de ir com Silva.
Mas isso � uma loucura.
� muito arriscado,
mas por isso mesmo � pouco suspeito.
Silva dar� por certo que voc� n�o pode tra�-lo
diante do pr�prio nariz.
Pode ser que tenha raz�o.
Calma,
vamos encontrar um jeito para que possa falar
durante uns segundos com Marcus.
E Silva n�o vai saber de nada.
- Tomara. - N�o se preocupe, querida.
- Como est� sua vida em Portugal? - No in�cio foi duro.
Sozinha, sem dinheiro, angustiada com a situa��o
de Juan Luis em Madri... - Como est� Juan Luis?
Quase n�o podemos nos comunicar, as �ltimas cartas,
h� muito tempo, foram as que ele entregou a voc�.
Foi enviado para Ronda. Foi um al�vio porque pensou
que iriam se livrar dele acusando-o de alta trai��o.
Espero que logo possa vir para Portugal e depois...
N�o sei, veremos.
Voc� trouxe o Marrocos para Portugal.
Sim.
E como � esse club noturno?
Meu s�cio, Dimitri, � um russo branco
refugiado da revolu��o bolchevique.
Decidimos abrir um night club e ele colocou o dinheiro
e eu meus contatos. Foi um sucesso desde o in�cio.
- Voc� � uma sobrevivente. - Olhe quem est� falando.
A mulher que montou do nada
o atelier de costuras mais bem sucedido de toda Tetu�n.
Com o dinheiro que ganhei com o club, sa� em busca de uma casa.
Comprei esta casa de 15 quartos com a inten��o de ter alguma renda.
Montou uma pousada?
Algo assim.
Pessoas do mundo em situa��es dif�ceis.
Eu divido com eles meu lar, e eles dividem comigo seus capitais.
Muitos me pagam em j�ias e objetos pessoais.
Look.
Ah! A Virgem de F�tima?
Voc� gosta?
Meu motorista tem uma neta que se chama F�tima,
mas n�o tem escudos suficientes para comprar uma medalha de ouro
para a comunh�o dela. Pensei em comprar-lhe uma antes de voltar a Madri.
- Leve-a. - N�o, n�o, n�o.
Insisto. Sabe que ainda guardo o estojo de costura maravilhoso
que voc� me deu em minha �ltima noite em Tetu�n?
Veja.
Tenho que ir.
- Vamos nos ver amanh� no meu club. - Sim.
Pegue, o cart�o de entrada.
Obrigada.
Sira, tenha muito cuidado com Silva.
Tem certeza que ele n�o suspeita nada de voc�?
Completamente.
J� est� muito tarde!
E da�?
Pois � claro! Mas dirija r�pido,
tenho que chegar ao hotel o quanto antes.
Por favor.
Obrigada.
Precisa ir ao quarto 302 e ver se est� tudo bem.
- O que houve?
N�o acordei na hora.
Pode fazer um favor para mim?
Pode dizer ao Sr. Jo�o que esta noite
n�o dormi muito bem e que vou ficar
descansando toda a manh�?
Permite-me?
Tinha raz�o, este lugar � fant�stico.
Boa noite, sou a propriet�ria do El Galgo
e quero dar-lhes as boas vindas. - Um prazer.
Meu nome � Manuel da Silva
e esta � minha acompanhante, a Srta. Agoriuq.
- Encantada. - Um prazer.
- Espero que aproveitem a noite. - Vamos procurar fazer isso.
- Por conta da casa. - Muita gentileza sua. Obrigado.
- Divirtam-se. - Obrigada.
Arish.
- Sa�de. - Sa�de.
- Dan�amos? - � claro.
- Boa noite.
- Logan, fico feliz em v�-lo. - Eu tamb�m.
Tenho tentado entrar em contato com voc� de mil maneiras
e ainda n�o consegui. - Voc� sabe, � o trabalho.
N�o tenho tempo nem para respirar.
- Lembra-se da senhorita? - Claro.
- Srta. ... - Agoriuq.
- Agoriuq. Encantado de voltar a v�-la.
Sr. Silva, dan�aria comigo?
Receio que deva perguntar ao meu par.
Claro que sim, n�o h� nenhum problema.
Nesse caso, ser� um prazer.
Rosalinda disse que precisava me ver com urg�ncia.
Guarde isso, � muito importante.
- O que �? - A lista dos nomes
que Silva quer tirar do caminho.
E voc� est� entre eles.
Parece que nossos pares preferiram ir para o bar.
Seguramente � porque o Sr. Logan
n�o � um grande dan�arino.
- Precisa sair de Portugal imediatamente. - Como conseguiu isso?
N�o importa. O que importa � que se afaste
de Silva o quanto antes. Ele quer matar voc�.
- N�o pretendo ir sem voc�. - O qu�?
N�o sei que rela��o tem com Silva, mas ainda h� tempo
de parar de se envolver. - Vamos sentar.
N�o est� entendendo? Sua vida est� em perigo.
E a sua?
Sira, saia daqui, volte ao Marrocos.
Agora vivo em Madri.
Ent�o, volte o quanto antes.
N�o tenho a m�nima ideia porque trocou seu nome,
nem o que faz em Portugal, nem que rela��o mant�m com Silva.
N�o tenho nenhuma rela��o com ele.
Vim a Portugal para comprar tecidos para meu atelier.
Ele � meu amigo, e s�.
Sira, n�o se engane, Manuel da Silva n�o tem amigos.
Est� se metendo em assuntos obscuros e voc� deveria ficar fora disso.
Sei cuidar de mim perfeitamente.
Fa�a como se estivesse falando alguma bobagem,
est� olhando para n�s.
Sorria.
Talvez dev�ssemos nos juntar a eles, n�o acha?
� claro. Mas aos menos me permita acabar a m�sica.
Sem d�vida.
N�o posso ir.
- Por qu�? - Porque n�o posso, s� isso.
Se voc� n�o vai, eu tamb�m n�o vou.
Sira, no Marrocos,
se eu n�o tivesse que partir,
n�s dois sabemos...
Eu imploro a voc�, por tudo que nos une.
Sira, v� embora. V� embora de Portugal comigo.
� a� que voc� se engana.
N�o h� nada que nos una.
E se houve, j� n�o existe mais.
E jamais haver�.
Sinto muito.
Voc�s nos abandonaram.
� que esses sapatos est�o acabando comigo.
- Tenho que ir, sinto muito. - T�o cedo?
Foi um prazer voltar a v�-los. Boa noite.
- Cuide-se, Logan. - Silva.
Pe�o-lhes licen�a, tamb�m.
N�o disse uma s� palavra em todo o caminho.
- Est� acontecendo alguma coisa com voc�? - N�o, estou bem.
Achou que eu n�o ia perceber?
O qu�?
- Pegue. - Obrigada
Eu vi Logan e voc�.
N�o sei a que voc� se refere.
Estavam... discutindo.
N�o me pareceu que estivesse � vontade com ele.
O que ele disse a voc�?
� melhor esquecermos dele, de verdade.
Pode me contar. Nada que voc� me disser
desse sujeito vai me surpreender, realmente.
Bom...
Fez um coment�rio um pouco inconveniente sobre Franco
e n�o gostei.
Sinto muito. N�o se preocupe, n�o voltaremos a v�-lo.
� o que espero.
Veja se compreende,
tinha que ferir seus sentimentos para que sa�sse de Portugal.
O que n�o entendo � por que relutou tanto
para come�ar algo com Marcus. Ele estava louco por voc� em Tetu�n.
As feridas ainda estavam abertas.
- Mas j� havia passado um bom tempo. - N�o o suficiente.
Al�m disso, mais cedo ou mais tarde Marcus acabaria partindo.
N�o queria passar o mesmo que com Ramiro.
Mas ele jamais a teria deixado dessa maneira,
cedo ou tarde teria voltado.
E o que importa isso agora?
Depois do que eu disse a ele
acho que n�o vai querer me ver novamente.
N�o voltei a amar ningu�m assim.
Seu amor me fez forte para suportar a solid�o.
E acredite, eu estava muito s�.
Voc� fez o que devia fazer.
Ent�o, por que me sinto t�o mal?
Porque o amor faz doer, darling.
D�i muito, mas voc� deveria saber disso.
E como foi com Silva?
- Bom... tenho convite para amanh� � noite jantar em sua casa de campo.
Preciso conseguir um microfilme que lhe deu
um de seus amigos alem�es, ou o que seja.
Mas n�o pode apanh�-lo assim, sem mais nem menos.
Se descobrirem que voc� o pegou, ter� problemas.
E fa�o o que, ent�o?
Vou conseguir um microfilme vazio para voc� fazer a troca.
Vou mandar ao seu hotel.
Amo muito a voc�.
E eu a voc�, Sira.
Muito obrigada. Um momento.
Feche, por favor.
Srta. Arish, preciso lhe dizer uma coisa.
J� sabe que n�o consigo deixar de falar.
- Sim. - Espero que compreenda que minha fun��o
� velar por sua seguran�a e bem-estar
... por ordem do Sr. Silva. - Claro, Jo�o.
Mas por que est� me dizendo isso?
Esta manh� eu a vi entrar no hotel pela porta de servi�o.
� uma pena...
porque...
... queria que fosse uma surpresa. - O que quer dizer?
Para sua neta.
Mas � de ouro, senhorita, n�o posso aceitar.
� em agradecimento por tudo que fez por mim.
Como pode entender, n�o podia compr�-la tendo voc� por perto.
- Mas ... - N�o, Jo�o, nem mas nem meio mas.
Talvez seja melhor n�o contar ao Sr. Silva
e eu tamb�m n�o direi nada a ele. Assim voc� pode ficar tranquilo.
Obrigado, senhorita. Minha neta vai ficar encantada.
N�o h� de que.
- Voc� tem uma casa linda. - E voc� faz sombra a ela.
Alegro-me que voc� goste. Vamos?
Arish, preciso confessar que a convidei com segundas inten��es.
Esta noite tenho que fechar um acordo de neg�cios importante.
Meus poss�veis s�cios vieram com suas esposas.
Como voc� tem experi�ncia com suas clientes, pensei que poderia...
Manuel, podemos falar com franqueza.
Se quer que entretenha as mulheres de seus s�cios,
n�o h� problema algum.
� um prazer poder ajudar voc�.
Mas n�o vou poder lhe dar a aten��o que merece.
Fique tranquilo. Poder� me recompensar de outra maneira.
Arish, apresento-a ao Sr. Almeida.
- Um prazer. - Encantada.
O casal Weiss.
- Gute nacht. - Fala alem�o?
Bem, poucas palavras.
Com licen�a.
Apresento-a a Sra. Almeida.
- Um prazer. - A Sra. Ribeiro.
- Muito prazer. - Um prazer.
- Est� usando um vestido lindo. - Muito obrigada.
Seu vestido tamb�m � lindo. Quem � sua costureira?
Na verdade sou eu mesma.
Fez este vestido?
Sim. Tenho um bem-sucedido atelier de alta costura em Madri.
Acho que j� ouvi falar. Frau Langenheim n�o � cliente sua?
- � uma de minhas melhores clientes. - Meus Deus! Seus desenhos s�o famosos.
Acha que poderia nos receber em seu atelier?
Se forem a Madri, certamente.
O que acha do meu vestido? Foi car�ssimo.
� muito bonito.
Amigos, apresento a voc�s o casal Bernhardt.
Perdoem o atraso, nosso carro estragou.
"Minha empresa vai se encarregar da administra��o."
"Johannes Franz Bernhardt. Eu o conhe�o.
Quanto?
Comparecemos a uma mesma recep��o em Tetu�n,
quando Beigbeder era Alto Comiss�rio.
Na d�vida, mantenha-se afastada do casal Bernhardt.
� um homem muito perigoso."
Que flores maravilhosas s�o essas que usa no cabelo?
S�o orqu�deas. Umas flores ex�ticas.
- S�o muito bonitas. - Obrigada.
Senhoras
nosso �ltimo convidado, o Sr. Bernhardt.
- A Sra. Almeida. - Muito prazer.
- A Sra. Ribeiro. - Um prazer.
- E esta � minha querida amiga, Srta. Arish Agoriuq.
- Nos conhecemos. - Creio que n�o.
A menos que tenham se encontrado em algum lugar em Madri.
- Bom, n�o sei, talvez no Embassy? - N�o, n�o.
Fico muito pouco tempo em Madri ultimamente,
viajo muito e minha mulher gosta do mar.
Assim que estamos instalados em Denia.
N�o. Seu rosto me � familiar, mas de algum outro lugar.
Certo.
Com licen�a senhores, vamos passar ao comedor, por favor.
Escolhi um card�pio especial
que espero esteja de seu agrado.
Excelente. Se concordarem,
depois de jantarmos, vamos discutir
os detalhes do acordo. - Fant�stico.
- Excelente. - Sr. Silva,
o senhor conversou com seus compatriotas?
Asseguro-lhe que chegaremos a um acordo...
satisfat�rio para todos. - Assim espero.
Srta. Agoriuq, conhece a baronesa Struther?
Sim, � claro. � uma mulher encantadora.
Gosta da sopa, Sra. Ribeiro?
- Est� muito boa. - Sim, � deliciosa.
- E a Gloria von F�rstenberg? - Tamb�m. � uma de minhas clientes.
Na verdade, quase todas minhas clientes s�o alem�s.
Embora espere que depois desta viagem
as portuguesas tamb�m passem a ser, por favor.
A verdade � que n�o entendo essa obsess�o que as mulheres tem
por seus vestidos. - Bem, Coco Chanel diz
que quando uma mulher se veste de forma comum
apenas se v� o vestido.
Mas quando se veste com eleg�ncia, ent�o se v� a mulher.
Ora! E o que mais diz essa tal Chanel?
As mulheres precisam da beleza para que os homens as amem,
mas tamb�m precisam da estupidez para que amemos a eles.
- Em que trabalha, Sr. Ribeiro?
Minha fam�lia viveu no campo toda a vida.
Mas agora sou dono de uma mina que me far� imensamente rico.
Uma mina de que?
Sabe que o restaurante Hostller est� prestes a abrir suas portas em Madri?
Sim? J� ouvi maravilhas a respeito dele.
Quando for comer l�, n�o esque�a de pedir seu famoso baumkuchen.
�timo. N�o se preocupe, farei isso. Como disse que se chama?
- Baumkuchen. - Baum... kuchen.
Ai! Que desastrada. Sinto muito.
Essas manchas de vinho s�o dif�ceis de tirar.
Sim. Se me d�o licen�a, vou ao banheiro. Vou ver se consigo tirar.
Com licen�a. Volto logo.
Poderia dizer onde est� o banheiro, por favor?
Continue por este corredor. Vai encontr�-lo na segunda porta � direita.
Muita gentileza.
Volto em seguida.
Estou procurando o banheiro.
Creio que me perdi. Manchei-me com vinho.
O banheiro est� no piso de baixo.
Ah! Acho que entendi mal ao gar�om. J� que n�o falo portugu�s.
Se me permitir, posso acompanh�-la.
Muito obrigada.
Desculpem.
Conseguiu tirar a mancha?
Bem, ficou uma marca. Mas com certeza no hotel v�o resolver.
E se n�o, sempre pode fazer outro.
Sim. Essa � a vantagem de ser sua pr�pria costureira.
Sinto muito a interrup��o.
Do que falavam?
O que est� fazendo aqui?
Pensei que tinha ido embora de Portugal.
Sira j� avisou que voc� corre perigo. Precisa partir sem demora.
Eu sei, mas n�o consegui embarcar no avi�o.
Por que n�o?
Sei que est� acontecendo algo grave. E voc� vai me contar.
N�o insista, Marcus. N�o posso responder todas as suas perguntas.
Por que n�o?
Voc� tamb�m n�o me contou tudo e eu respeito isso.
Apenas pe�o que fa�a o mesmo.
O que h� entre Sira e Silva?
Pode ficar tranquilo de que n�o h� nada, Marcus.
S� est�o fazendo neg�cios juntos.
Essa � a verdade?
Sira s� se importa com voc�.
- Mas ela disse ... - Tudo o que ela disse foi para proteg�-lo,
para que fosse embora do pa�s immediately.
E agora, por favor, escute Sira
e desapare�a antes que seja tarde demais.
Est� de carro?
Aqui n�o, tenho um em Estoril.
S�o as chaves do meu.
� um Packard Phaeton amarelo.
Est� estacionado tr�s ruas abaixo.
V� agora mesmo para a esta��o e pegue o primeiro trem que saia de Lisboa.
Obrigado.
Bem, senhoras,
e agora, se n�o se importam, vamos nos retirar para conversar.
Gostariam de ir ao sal�o para jogarmos cartas?
- Por que n�o? - Est� bem.
�timo.
N�o � justo que o gasto com m�o de obra saia do nosso bolso.
Os senhores j� t�m seus pr�prios empregados.
Mas n�o s�o suficientes para este volume de trabalho.
Este chocolate est� delicioso.
Imposs�vel.
� uma confeitaria de Lisboa que faz a partir de uma receita su��a.
Est� bom, n�o �?
Perd�o?
O que achou do chocolate?
Ah, est� �timo, sim.
H� semanas que estou preparando este encontro
e � fundamental que cheguemos a um acordo hoje mesmo.
Por favor.
As condi��es mudaram. � l�gico que voltemos a exigir-lhes.
Por isso n�o vamos pagar.
Est� certo.
Vamos ouvir cada uma das partes e tentar chegar a um acordo.
Talvez pud�ssemos assumir alguns gastos com os trabalhadores eventuais.
Minha sobrinha acaba de ter um beb�.
Que �timo. Menino ou menina?
Menina.
Eu tenho dois meninos.
Se os alem�es querem a exclusividade do wolframio
e que n�o negociemos com os ingleses,
v�o ter que aumentar o pre�o.
Estamos dispostos a chegar at� os 600.000, nem um escudo mais.
E com a condi��o de uma baixa no pre�o.
- � um pre�o razo�vel. - Nem pensar.
Desculpem.
O senhor est� louco.
Se querem 3.000 toneladas ao ano, esse � o pre�o.
700.000 escudos por uma tonelada de wolframio � uma barbaridade.
Shhhhh, cavalheiros. Baixemos a voz, por favor.
O que acham de 650.000?
Para que isso siga adiante todos temos que fazer um esfor�o.
Pobrezinha.
Que horas s�o?
� muito tarde.
Estou morta de sono.
E eu estou muito cansada para prestar aten��o �s cartas.
Tudo esclarecido ent�o.
O primeiro pagamento ser� feito imediatamente
e eu mesmo vou me encarregar dos tr�mites.
Finalmente. Voc�s s�o muito teimosos, senhores.
N�o mais que o senhor.
Um prazer fazer neg�cios juntos.
Obrigado, o prazer � nosso.
Foi um verdadeiro prazer conhec�-la.
Igualmente.
E n�o tenha d�vida que irei visit�-la em seu atelier quando v� a Madri.
Ser� um prazer cont�-la entre minhas clientes.
E lhe digo o mesmo.
Fico feliz por termos resolvido tudo hoje.
Confio que v�o manter a palavra e n�o voltar�o atr�s.
Tudo vai estar resolvido em menos de dois dias. Acredite, Bernhardt.
Senhorita.
Sabe? Estava lembrando um pouco e j� sei de onde a conhe�o.
- Ah, sim? - � claro.
Nos encontramos em uma recep��o, n�o se lembra?
- N�o, n�o. Na verdade n�o. - A do embaixador italiano.
A que aconteceu no cassino. - Ah! Sim, sim.
Eu sabia. Nunca esque�o um rosto.
Boa noite.
Gute nacht.
- Adeus. - Gute nacht.
Alegro-me que esteja t�o satisfeito.
Finalmente consegui fechar o neg�cio.
E em parte foi gra�as a voc�.
Arish, voc� foi uma anfitri� assombrosa.
Muito obrigada.
Realmente n�o ficou chateada?
Agora me arrependo por n�o ter dado um pouco mais de aten��o a voc�.
N�o, n�o se preocupe. Eu me diverti muito.
Talvez agora eu possa emendar meu erro.
Na verdade tenho que ir embora.
Lembre-se que amanh� parto para Madri.
N�o poderia retardar sua partida?
N�o. Realmente.
Adoraria ficar uns dias mais. Mas n�o posso.
Tenho o atelier muito negligenciado.
As clientes j� est�o me chamando.
Ent�o... isto � uma despedida.
N�o, � um at� logo. Acredito que vamos voltar a nos ver.
Deus a ou�a.
Espero que tenha se divertido.
Sim, muito.
Foi uma noite muito interessante.
Soube que vai partir amanh�.
E, lamentavelmente, n�o vou poder lev�-la at� a esta��o,
porque amanh�, como sabe, � a comunh�o de minha neta.
Bem... espero que desfrutem. Merecem.
Se me permite dizer, foi um prazer conhec�-la.
Para mim tamb�m.
Fiquei com vontade de conhecer sua mulher.
N�o faltar� oportunidade. Na pr�xima vez que venha...
Claro.
Cuide-se.
Um momento, por favor.
O que est� fazendo aqui?
� sobre Marcus.
N�o saiu de Lisboa.
Estava muito preocupado por sua rela��o com Silva e veio me ver.
O que aconteceu?
Dei a ele as chaves do meu carro e disse que fosse para a esta��o,
e pegasse o primeiro trem que sa�sse da cidade.
E ele fez isso?
Quando sa� do club,
meu carro continuava estacionado no mesmo lugar,
e tinha marcas de sangue.
Meu Deus!
Tinha que contar a voc�.
Rosalinda, voc� precisar ir.
N�o � seguro que a vejam comigo, voc� precisa ir embora.
Venha, voc� tem que ir.
Quem �?
Sou eu, abra.
Marcus! O que houve com voc�?
Um dos homens de Silva me fez uma visita n�o muito agrad�vel.
O que aconteceu com o bra�o?
Nada, um arranh�o.
Deixe-me ver.
Passei toda a noite dando voltas.
N�o me atrevia aparecer sem estar completamente certo de ter despistado aquele homem.
J� n�o confio em ningu�m.
N�o est� parecendo nada bom.
De onde tirou isso?
� wolframio, n�o �?
No jantar n�o pararam de falar das minas de wolframio, toda a noite.
Sira, conte-me no que est� envolvida.
Tire a camisa. Vou costurar o ferimento.
- Estou machucando muito? - Posso aguentar.
Quem melhor que uma costureira para costurar minhas feridas, heim?
Por que n�o me ouviu quando falei para ir embora?
Voc� j� sabe.
O que sabe do wolframio?
Bom, que � um mineral... e pouco mais.
Na verdade n�o entendo por que � t�o importante.
O ouro e os diamantes s�o muito mais valiosos.
Por que todo mundo fala das minas?
O wolframio � chave para a guerra.
Mas por qu�?
Eu n�o entendo. O ouro vale muito mais.
Mas com ouro n�o se fazem armas, Sira.
O wolframio � um mineral fundamental para a fabrica��o de armamento.
Os alem�es v�o como loucos atr�s de todas as jazidas.
Quem controlar o wolframio... controlar� o curso da guerra.
Est� pronto.
Agora � melhor que v� embora.
Sira, afaste-se de Silva. Por favor.
Esta mesma tarde vou de trem para Madri. N�o se preocupe.
E n�o vai voltar a Portugal?
N�o. Por enquanto n�o tenho nenhuma inten��o de voltar.
E para o Marrocos?
Tamb�m n�o.
Vou para Madri.
L� tenho o atelier.
- Tenho minha vida. - Fico feliz.
Desde que nos despedimos n�o consigo deixar de pensar em voc�.
- Marcus. - Shhh...Sira,
tivemos a m� sorte de nos encontrar em um momento muito dif�cil.
- Quem �? - Manuel.
J� vou!
- Sira, tenha muito cuidado. - N�o se preocupe, Manuel confia em mim cegamente.
J� vou!
Desculpe. Voc� me pegou quando estava me vestindo.
Posso entrar?
Claro.
- O quarto est� um desastre. - N�o importa.
Esta manh� acordei e...
percebi que a �nica coisa que gostaria de fazer
era v�-la novamente.
E me despedir de voc� do jeito que merece.
Ent�o cancelei todos os meus compromissos.
N�o era preciso se incomodar.
Asseguro a voc� que n�o � nenhum inc�modo.
Tenho um carro esperando para que nos leve � esta��o.
Agora?
- Mas n�o � muito cedo? - Sim. � verdade que vamos com tempo de sobra, mas
tinha a esperan�a de acompanhar voc�... pessoalmente.
Eu gostaria muito.
Mas ainda tenho que terminar de preparar a bagagem.
Se � por causa das malas, n�o se preocupe.
A camareira deste andar pode ajudar voc�.
- Tenho que me arrumar. - Est� linda.
- Certo. - Excelente.
Vou esperar no hall.
Vou descer em seguida.
J� se foi.
- Deu tudo certo? - Voc� deixou o chap�u sobre a mesa.
- Ele viu? - Acho que n�o.
Se n�o tem certeza, � melhor sairmos daqui o quanto antes.
Isso � imposs�vel, est� esperando por mim no hall.
Recep��o?
Sim, j� podem retirar a bagagem do quarto 302.
Isso mesmo. Obrigada.
- N�o esque�a a pulseira. - Obrigada.
- Vamos, sairemos por tr�s. - N�o, Marcus. Pode ser que n�o tenha visto o chap�u.
Na d�vida, tenho que descer. N�o posso desaparecer, ele pode suspeitar.
- Ou�a-me. - N�o, ou�a-me voc�.
Assim que tenhamos sa�do, voc� vai atr�s. Tenho que ir com ele. De verdade, n�o insista.
Realmente, n�o insista. � melhor que eu v� com ele.
N�o se preocupe, posso cuidar de mim mesma.
Foi uma pena que n�o tiv�ssemos mais tempo em Tetu�n, n�o �? - Uma pena.
Uma pena.
- Sim? - Mensageiro.
J� vou.
Entre, est� tudo no quarto.
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