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Revis�o e Sincronia: Marcelo Tadeu Saltarelli
Legenda de Mar�o de 2017
Ap�s a morte de Julio Cesar, Roma governou o mundo sob a ditadura de Tib�rio.
Na prov�ncia conquistada da Galilea
O Rei Herodes e a Rainha Herod�as mantiveram-se no trono.
A corte de Herodes era t�o licenciosa
que a Rainha enviou a jovem princesa Salom� a Roma.
Um homem apareceu na Galilea, e muitos pensaram que era o Messias.
Era o Profeta conhecido como Jo�o o Batista...
O dia do Julgamento Final se aproxima.
O Senhor recompensar� aos justos e castigar� aos in�quos.
O rei Herodes e a Rainha Herod�as...
est�o condenados porque vivem no pecado.
- N�o est�o casados. - Mas, mestre, eles s�o.
N�o segundo a Lei de Mois�s.
Herodes tem quebrado o s�timo mandamento.
tomou a esposa de outro homem.
E Herod�as � igualmente culpada, por viver em adult�rio...
despreza a lei dada por nosso Deus.
A m�o de Deus cair� sobre o Rei e a Rainha.
Eles sofrer�o sua ira.
Mas estejam tranq�ilos, meus amigos.
A justi�a se elevar� como um rio poderoso.
A verdade ser� clara como o cristal.
Repentina.
Cessem de fazer o mal. Aprendam a fazer o bem.
Aliviem ao oprimido. Procurem a justi�a.
J� que seu amor estar� com v�s como uma manh� de rocio...
e florescer�o como uma rosa.
O que averiguaste, meu querido conselheiro?
Sua Majestade, o Batista retornou do deserto.
Fala contra ti inclusive pior que antes.
- Quantos escutam seu veneno? - Muitos.
N�o s� a plebe, mas tamb�m os homens ricos agora lhe seguem.
Deve ser detido, ou come�ar� a pregar na cidade.
M�cha, espere aqui. vou ver o Rei.
Sim, Majestade.
Majestade, rainha.
diga lhe que me retirei.
Recordo quando n�o te retirava sem vir comigo.
- Deseja ver-me? - Que estranho conseguir t�o r�pido
uma audi�ncia com o Rei! - � tarde. Estou cansado.
N�o t�o tarde nem t�o cansado para esperar a outra.
- Muito bem. Estou esperando a outra. - E sua esposa � a intrusa.
- Acreditava que por fim tinha ficado claro isso.
- Conhe�o -te.
por que vieste? O que quer?
O Batista retornou. E desta vez, deve ser silenciado.
Chama-me ad�ltera. N�o importa o que haja entre n�s...
ele amea�a a Casa de Herodes. Quer lhe destruir.
� inofensivo. O que diz n�o pode fazer mal.
Muitos enchem suas pris�es por muito menos.
Permite que um louco pregue a trai��o.
Deve p�r fim nisso.
- Detenha-o! - me deixe sozinho.
- antes que seja muito tarde. - Saia! J� disse.
Estou lhe avisando.
Ser� sua morte, ou a nossa.
Ezra...
ouviste?
ouvi tudo, Sir.
Ela cai sobre mim como uma praga de gafanhotos sempre que o batista aparece.
Ela sabe o que me acontecer� se lhe ocorrer algum dano...
e me pede sua morte.
- Mas n�o posso permitir -lhe que continue me atacando.
- N�o levante sua m�o contra ele.
Mas ele prega a rebeli�o. N�o posso permitir isso.
Recorda a profecia.
Recorda quando seu pai, Herodes o Grande, era rei da Judea.
Tr�s S�bios vieram do Oriente proclamando...
que um menino rec�m-nascido cresceria para ser o Messias.
- N�o precisa lembrar me isto. - Em seu cora��o, sim.
Nunca esque�a o que escreveu seu pai, nem quando lhe embargou o terror...
ao pensar que o Messias poderia lhe destronar um dia.
por que repete isso?
Para que n�o siga o caminho de seu pai.
Recorda o castigo do Senhor que caiu sobre ele...
pelo sangue que fez derramar.
Sangue inocente.
Recorda a estranha enfermidade que caiu sobre ele.
A dor insuport�vel que o atacou.
Sua mente e corpo converteram-se em c�mara de tortura.
Seu pai sofreu uma agonia, uma agonia sem al�vio.
J� basta! Basta! Ainda posso ouvi-lo gritar.
Estas tentando proteger o Messias de mim.
N�o se Jo�o for o Messias.
Muita gente cr�.
Est� escrito que o Messias aparecer� como um profeta.
Mas h� muitos profetas na terra.
O Messias � o profeta e n�o outro.
Nasceu em tempos de meu pai. Agora tenta me derrocar.
Sei que Jo�o � um grande profeta.
Um Santo.
fa�a lhe mal...
e o que aconteceu com seu pai acontecer� a ti.
Morrer� na agonia como ele.
Se n�o pregasse contra o trono...
Imagine se chega a Roma coment�rios de que tolero a trai��o...
O que escreveu o ilustre Julio Cesar?
Vim, vi, e venci.
Que f�cil foi sua tarefa. Todo que teve que fazer foi ganhar batalhas.
Eu devo manter a paz.
Esse � o legado imposs�vel que herdei.
E n�o me atrevo a acreditar na grande ilus�o...
fazer a guerra para conseguir a paz.
N�o tenho as for�as suficientes.
J� nos estendemos atrav�s do mundo...
at� os limites do universo.
Devo manter os lugares conquistados por outros m�todos.
Bem, os assuntos do dia.
Poncio Pilatos...
Comandante da 9� Legi�o.
Salve, Cesar Tib�rio.
Salve.
Poncio Pilatos...
nomeio-te Governador de nossas prov�ncias orientais.
Deve averiguar onde h� mal-estar e agita��o...
que possam provocar dist�rbios.
Necessitamos paz no Oriente. � de vital import�ncia militar.
- Haver� paz. - N�o posso te dar soldados...
preciso deles para manter a ordem na �frica.
Dependo de sua reputa��o. Nesta ocasi�o use as luvas...
n�o as espadas.
- O grande Cesar me honra. - N�o suficientemente...
em vista de seus triunfos na Brit�nica.
Partir� amanh� de noite.
E levar� minhas felicita��es ao Rei Herodes, na Galilea.
diga-lhe que dever� duplicar os impostos.
De l� seguir� para Jerusal�m.
- Esse ser� seu quartel general. - Cesar ordena, eu obede�o.
Ave, Cesar.
Uma peti��o do senador Marcelo Fabio.
Ave, Cesar.
Uma peti��o de meu sobrinho Marcelo?
por que ele mesmo n�o a apresenta?
Marcelo Fabio est� aflito por isso.
Assuntos urgentes no foro...
fazem que seja imposs�vel apresentar sua peti��o pessoalmente...
para a considera��o do poderoso Cesar.
Prossiga.
A Cesar Tib�rio, o mais generoso dos imperadores.
Humildemente, solicito sua permiss�o para me casar...
com a Princesa Salom� da Galilea. Espero sua condescend�ncia...
e pe�o que me conceda uma dispensa especial.
Escreva.
Ao Senador Marcelo Flavio.
Meu amado sobrinho...
em resposta a sua peti��o, que te permita...
o matrim�nio com a Princesa Salom�...
por que lhe favorecem os deuses sobre todos outros mortais?
Concederam-lhe um presente divino, Salom�.
O que diz, Marcelo? diga-me.
"Recorda a lei, do douto senado. Um romano s� pode casar-se com uma romana.
E n�o preciso te dizer que a Princesa Salom� tem m� reputa��o."
M� reputa��o?
porque desfrutei a vida aqui.
N�o devia ter pedido permiss�o a Cesar.
S� piorou as coisas.
Se me ama, n�o permitir� que nos detenha.
Quero que esteja comigo para sempre.
Mas n�o quer desobedecer a Cesar.
por que tem tanto medo, Marcelo? O que ele pode fazer?
tirar suas posses?
- Que o fa�a! - Pode fazer algo pior.
- Pode me privar de meus... - Seus preciosos direitos romanos.
- Significam mais que eu para ti. - S� estou sendo pr�tico, Salom�.
N�o poderia te pedir que se casasse comigo se fosse um escravo.
Uniria a me ti como escravo.
- Mas como romano, eu... - Salom�, espera.
Isto � para ti.
"Do Imperador Tib�rio � Princesa Salom� da Galilea...
provocaste a indigna��o imperial...
por tentar superar sua situa��o de...
de estrangeira".
"Abusaste de nossa hospitalidade at� esgotar nossa paci�ncia.
portanto, fica banida de Roma."
Banida?
"Ser� conduzida a uma galera que zarpar� amanh� a noite.
Ter� uma escolta at� sua casa na Galilea."
Mas... mas vivi em Roma desde que era uma menina.
O �nico lar que tive est�
est� aqui. - Eu sei.
Ent�o eu...
estou banida de Roma.
Para assegurar-se que o sobrinho de Cesar casa-se com uma romana...
- n�o com uma B�rbara. - Por favor, n�o o fa�a mais dif�cil.
E o �, Marcelo?
Quanto...
se me deixa ir t�o facilmente.
Haver� um dia em que minha palavra ser� lei.
- Ent�o. - Ent�o a princesa da Galilea...
recha�ar� sua peti��o.
- Por favor. - N�o me toque!
Sou uma B�rbara. N�o suje suas m�os.
Meu nobre romano.
Com um cora��o de puro m�rmore.
Todos est�o cortados pelo mesmo patr�o.
Abram caminho para Sua Excel�ncia Poncio Pilatos.
Abram caminho! Abram caminho!
Claudio!
Sob seu comando de novo, Senhor.
Pensei que estavas na Galilea.
Vim a Roma de licen�a, senhor.
Alegra-me te-lo comigo de novo, comandante.
Como nos velhos tempos na Brit�nia, n�o �?
Tens mais feridas desde ent�o?
N�o, nenhuma.
Seu novo posto � bastante diferente.
Espero que tenha aprendido sobre esta gente depois de cinco anos...
no servi�o diplom�tico. Ser-me-a �til,
se me servir bem a metade do que o fez na Brit�nica...
e manteremos a esses b�rbaros tranq�ilos.
Capit�o Quintus...
Devemos partir imediatamente ou perderemos a mar� at� manh�.
Partamos. Estou preparado. Falta ainda um passageiro.
- Que passageiro? - A Princesa Salom�.
- E quem �? - A enteada do Rei Herodes.
Temos ordens de Cesar de escolt�-la at� sua casa.
Bem, por que n�o est� aqui?
Eu tamb�m tenho ordens e as cumpro.
N�o espero por ningu�m. E menos por uma mulher.
Possivelmente haja uma mulher pela qual valha a pena esperar.
- Nenhuma. - Nem sequer essa?
Hmm?
Princesa Salom�. O Proc�nsul Poncio...
Que impertin�ncia!
Claudio, me mostre meus aposentos.
Temo que seus aposentos foram invadidos.
Mais forte com esses remos
Mais forte!
Nos alojamos no camarote?
N�o, meu est�mago n�o est� acostumado ao perfume dos gale�es.
Prefiro ficar aqui em cima.
Ceder seus aposentos a uma Princesa da Galilea...
� diplomacia de primeira ordem.
O protocolo dita que d� um passo a mais.
Apresente-se � Princesa.
D�-lhe as boas-vindas na primeira noite a bordo.
O protocolo dita? Sou o governador. Eu dito.
Ent�o te liberarei de uma desagrad�vel obriga��o.
- Eu apresentarei seus cumpridos. - N�o enviarei ningu�m a ela.
Ah...
� poss�vel que a princesa n�o se desse conta que invadiu seus aposentos.
Talvez posso persuadi-la para que renuncie a eles.
Talvez? Fa�a-o.
Sim, Senhor.
Mantenham o ritmo!
Mantenham o ritmo!
Voc�, a�, ponha um pouco mais de entusiasmo.
O governador deseja...
O governador deseja dar-lhe as boas-vindas oficiais.
E quanto a ocupar seus aposentos...
devo pedir-lhe...
Outro romano galante.
Governadores, Senadores, Comandantes. Todos iguais.
Homens de ferro, feitos para governar.
Uns mentirosos sem cora��o. Sabe que o Cesar me desterrou.
E ainda vem me dar as boas-vindas oficiais.
Como um romano puro-sangue a um b�rbaro.
Que mais?...
Extra-oficialmente.
- Minhas inten��es eram... - N�o me interessam suas inten��es.
A �nica coisa que quero � que n�o haja nenhum romano a meu lado.
Nenhum romano perto de mim.
Permanecerei aqui o resto da viagem.
N�o quero saber nada de v�s...
e espero que essa cortesia me seja devolvida.
Farei que se cumpra seu desejo.
Todos os romanos do navio lhe evitar�o.
Nenhum romano te dirigir� a palavra. Nenhuma palavra.
A bordo do navio ou na viagem por terra.
Bem, Comandante?
Lamento dizer que n�o pude fazer nada.
- Ordenaste-lhe que se v�? - Em nome do Governador.
- E ainda recusa-se a ir? - Ordenou-me que sa�sse.
Isso fez, Claudio?
O homem mais importante da Galilea...
que sabe como dirigir estes estrangeiros.
Temo que a princesa esteja al�m da diplomacia.
Sim. Entretanto...
n�o renunciarei.
Com todas suas for�as!
Ei, voc�! mais forte.
Espero que sua ama esteja de melhor humor esta manh�
Senhor, � princesa gostaria de tomar um banho.
N�o necessita minha permiss�o para isso.
Sua banheira foi separada com as outras coisas.
A princesa pede que a envie com suficiente �gua para banhar-se.
- O mar est� cheio de �gua. - �gua do mar n�o.
- �gua de beber? Pode lhe dizer que... - Permita que eu me ocupe disso.
�gua do mar!
- N�o disse ao comandante...? - Disse.
Recorde-lhe que n�o quero nenhum romano aqui.
Posso me banhar sem sua vigil�ncia.
Diga-lhe que me deixe.
Senhor, a princesa deseja que v�.
Saia daqui!
Empurre esse remo com mais for�a!
Voc�, mais forte!
Mais forte! Mais r�pido!
Mantenham o ritmo!
�gua.
�gua.
Vamos, mais forte!
Mantenham o ritmo!
�gua.
�gua.
�gua.
Desejaria que se preocupasse igualmente com minha comodidade, comandante.
Por que desperdi�ar um escravo?
Por que n�o? O mundo est� cheio deles.
Terra � vista!
Terra � vista!
Diga a sua ama que o liteira est� preparada.
N�o subirei nessa... nessa...
Informe-lhe que � a �nica liteira que pude encontrar.
Diga ao romano que prefiro caminhar antes de...
diga a sua ama que se incline para frente. Assim se mover� menos.
Diga-lhe tamb�m que n�o beba muita �gua ou ficar� doente.
Eu lhes batizo com �gua...
mas o que vir� depois de mim � maior que eu...
e n�o sou digno de atar a correias de suas sand�lias.
Ele lhes batizar� com o Esp�rito Santo...
e com o fogo.
O que � isso? Uma esp�cie de reuni�o.
Seu chefe estava-lhes jogando �gua sobre as cabe�as.
Tire os do caminho. Quero acampar no outro lado.
Sim, Senhor.
Estamos aqui para santificar o nome do Senhor.
Que sua f� seja seu escudo.
Tiranos de Roma!
Aqueles que vivem no �dio e na disputa se desvanecer�o no universo.
Chegar� o dia em que as lan�as romanas se converter�o em p�.
Calem esse traidor!
Os que desprezam os limpos de cora��o...
e os que fazem o mal, ser�o destru�dos.
Os escravizadores do mundo ser�o destro�ados sob as rodas...
N�o mate esse homem!
Vamos, r�pido. Saia daqui.
- Mandou me chamar? - Sim.
Informaram-me que voc� desobedeceu minha ordem. Por que?
- Disse que esse traidor devia ser silenciado. - Sinto muito. N�o ouvi sua ordem.
O homem que aquele soldado quase matou era Jo�o o Batista, um profeta.
Sua morte teria agitado o povo.
- Esse agitador j� viveu muito. - Siga meu conselho, Senhor.
Conhe�o esta gente, como respeitam a um homem santo.
N�o tolerar�o que se machuque a um profeta.
Por que causar problemas?
Cesar nos ordenou manter a paz.
Deixa que te ajude a mant�-la...
at� que te familiarize com a natureza do inimigo.
- Quem era? - O Comandante.
- O que � esse c�ntico? - O povo crente...
do outro lado do Jord�o.
� estranho.
� como se nunca tivesse vivido aqui.
Claudio.
- Fiz tudo o que pude para lhes deter. - Eu sei.
Pilatos, o novo governador, � um soldado rude.
N�o deve falar contra Roma onde seus inimigos possam te ouvir.
N�o posso continuar pregando no deserto. Agora, pregarei na cidade.
N�o. � muito perigoso. Espere at� ter mais seguidores.
N�o h� tempo a perder. O reino dos c�us est� perto.
Esta gente deve saber que h� esperan�a.
Jo�o, permane�a fora da cidade.
- N�o ter� prote��o. - O Senhor me proteger�.
Como? Enviar� mil espadas para te guardar?
Claudio, com o tempo aprender� a p�r toda sua f� no Senhor.
Sei que chegar� esse momento, embora tenha estado muitos anos matando...
Os caminhos dos conquistadores s�o equivocados.
Poderia chegar a muitos cora��es romanos...
se estivessem t�o abertos como o teu ao horror dos assassinatos e da escravid�o...
N�o chegar� ao cora��o de ningu�m se te matarem.
E morrer� se pregar na cidade.
Quando eu o fizer, n�o arrisque sua vida por mim como o fez hoje.
Se Roma souber que me segue, acabar� na roda da tortura.
Ensinaste-me que um homem deve servir a sua f�.
Sim, mas h� muitos modos de servi-la.
Nunca com uma espada.
Agora v� antes de que notem sua aus�ncia.
Quieta!
� perigoso. N�o se mova.
Por que guarda tanto rancor aos romanos?
- Porque eu sei o que � um romano. - Diga-me.
Um homem sem cora��o governado por Cesar.
Condena a todos os romanos porque Cesar te baniu?
- Sabe porqu� o fez? - N�o importa o motivo.
Porque uma vez amei a um romano.
Mas ele escolheu Cesar...
em lugar de uma b�rbara.
Que escolha mais est�pida!
N�o voltarei a amar a um romano...
nunca.
- � uma caravana romana. - Prepara-te para receb�-la.
Senhora, a Princesa Salom� est� na caravana.
Minha filha?
Fa�am os preparativos para lhe dar as boas-vindas.
Estou a sua disposi��o.
Me leve ate seu rei. Eu levarei sua mensagem.
- Majestade.
- Comandante, bem vindo de volta a Galilea.
Me alegro muito de estar aqui.
Espero que tenha descansado bem em Roma.
Eu gostaria de ouvir o relato de suas conquistas como se fossem minhas.
Deve me contar tudo com detalhe, meu querido comandante. Com detalhe.
N�o tenho nada a contar que possa interessar sua majestade.
Vem com uma acompanhante digna...
Digna de um novo Governador, Poncio Pilatos.
Pilatos?
Ele � agora o Governador destas prov�ncias.
Trago-te suas felicita��es e sua peti��o de uma audi�ncia assim que seja poss�vel.
A sua conveni�ncia, sem d�vida.
Que imerecida honra! Cesar envia t�o grande soldado para governar...
nossas pobres prov�ncias. A que se deve este favor?
Estou seguro de que o Governador Pilatos preferir� esclarecer isso ele mesmo.
J� me esclareceu seu gosto em quest�o de mulheres.
Pilatos conquista uma maravilha. Uma j�ia como esta.
� incr�vel. Quem � ela?
A Princesa Salom�.
Minha enteada?
- Salom�. - M�e.
Que surpresa enviada pelo c�u!
Deixe-me v�-la.
Ainda ontem era uma menina quando a enviei para Roma.
Voc� est� tal como te recordo, m�e.
Venha. Deve estar esgotada.
Por que n�o avisou de sua chegada?
Teria enviado a guarda do pal�cio ao seu encontro.
Embora sua companhia honraria � filha de um imperador Romano.
Sabia que quando voltasse traria o melhor que Roma pudesse te dar.
Sabia que em solo romano encontraria a felicidade.
N�o, m�e.
Cometi o engano de querer me casar com um romano.
E Cesar me baniu.
A filha do Herodes banida de Roma?
OH, m�e, me perdoe.
O que �?
Senhora, o rei solicita uma audi�ncia.
Diga a Sua Majestade...
N�o, espera. Eu o direi.
Levem a princesa a seus aposentos.
A apresentarei ao rei mais tarde .
� a primeira vez em anos que entra em meus aposentos .
Venho dar as boas-vindas � sua filha.
A final, n�o a vejo desde que era uma menina.
E n�o imagina o que mudou nestes anos.
Posso imaginar a diferen�a, querida.
Mas s� o sentido do dever me traz aqui.
N�o seu dever de marido.
Onde ela est�? Tenho outros assuntos a atender.
Est� indisposta.
Apresente-lhe meus respeitos.
E sugiro que n�o esteja indisposta para o jantar desta noite...
em honra ao novo governador.
O fiel conselheiro de Sua Majestade!
Acabo de saber que Cesar nomeou um novo governador.
O rei j� me disse isso.
Parece-lhe estranho que meu marido entre aqui?
Por que? S� queria dizer que...
N�o se incomode, meu querido conselheiro...
n�o temos segredos o um com o outro.
O rei n�o veio por mim, veio para ver minha formosa filha.
- Formosa? - Como nenhuma.
Uma estranha beleza no pal�cio?
- Micha. - Majestade.
Pergunto-me se a beleza deve ser desperdi�ada...
ou utilizada com um prop�sito.
� estranho. Estava pensando no mesmo.
Diria que tenho feito tudo o que posso...
para proteger minha filha do rei?
N�o poderia ter feito mais.
Enviou-a a Roma para mant�-la longe do rei.
E agora que est� perto dele...
e seu apetite cresceu muito mais...
Sim, muito mais, Senhora.
N�o poderia utilizar sua beleza em minha vantagem?
Est� totalmente dentro do poss�vel.
Senhora, posso sugerir por seu bem, que n�o perca tempo...
em utilizar essa vantagem?
- Sim, Micha.
Por que a princesa n�o est� aqui?
Sua aus�ncia � um insulto.
- Sauda��es de Cesar Tib�rio. - Seja bem-vindo.
Majestade, esta � minha filha.
Recordo quando era uma menina.
O broto se transformou em uma formosa flor.
Obrigado, Majestade.
Ou deveria dizer, a mais formosa flor que cresceu em Roma...
linda al�m da minha expectativa.
Se o Governador est� pronto para o jantar...
Espl�ndido! T�o saboroso como qualquer manjar de Roma.
N�o comeste nada, querida.
Sabe?...
Tenho com sua m�e uma enorme d�vida.
Ela enviou a Roma quando era uma menina.
Estou certo que poderemos nos conhecer melhor agora.
Depois de Roma, temo que achar� isto muito aborrecido.
Farei todo o poss�vel para que se divirta.
Voc� gosta da ca�ar?
Navegar?
Pedirei uma barca�a real aos eg�pcios.
N�o deve se incomodar. Encontrarei um modo de passar o tempo.
Ajudar-te-ei.
Sim, Capit�o?
N�o temos segredos para o Governador.
Majestade, o Batista est� na cidade.
Diz-se que falar� na pra�a do mercado amanh�.
O Batista?
N�o era esse agitador que cruzou nosso caminho no Jord�o?
- Sim, Senhor. - Ordena algo, Majestade?
N�o, deixem-no falar.
Sir, permite que os agitadores falem ?
Ele � um homem de paz, n�o causa problemas.
� uma amea�a, Excel�ncia.
- Uma amea�a... - A Rainha exagera...
a import�ncia de um simples pregador.
Ele acusa a Casa de Herodes em nome da religi�o.
Sua Excel�ncia estar� de acordo.
Qualquer um que ameace o trono deve ser silenciado.
Esse homem n�o diz nada contra n�s.
Fala contra Roma. Eu ouvi.
Roma prega todos traidores em uma cruzes, crucifica-os aos milhares.
Os rebeldes devem conhecer seu amo.
Entretanto deixa que um traidor fale.
Eu sou o rei aqui. Governei sem causar problemas a Cesar.
Onde conduz a rebeli�o?
O Batista � inofensivo. Ningu�m lhe escuta, salvo uns poucos mendigos.
Se eu o detivesse, diriam que que interferi na religi�o.
Isso inflamaria o povo.
Deve permitir que proceda � minha maneira.
Muito bem. Governe a seu modo. Mas ningu�m deve falar contra Roma.
- Essa � minha responsabilidade. - E s� tua.
Se n�o for capaz de evitar os dist�rbios...
o comandante me relatar� isso.
Amanh� saio para Jerusal�m. Devo me retirar.
Assim joga os romanos contra mim.
- Para nos salvar a ambos. - Quer dizer para salvar voc�.
Est�vamos falando... sobre o que fal�vamos, querida?
Se sua majestade me desculpar, a viagem me deixou esgotada.
Sair�o ao amanhecer.
Comandante!
Voc� esteve aqui muitos anos. Tenho certeza que nada te escapa.
Quem � esse Jo�o o Batista?
- Um profeta. - Um profeta?
Mas por que minha m�e o teme?
E o rei, ele parece aterrorizado.
O que acontece aqui?
Por que os denuncia?
Acredito que prega uma nova religi�o.
Minha m�e diz que ele ludibria o trono.
Fala de um mundo diferente, baseado na justi�a e no perd�o.
Justi�a e perd�o!
Estranhas palavras para um romano.
Essas s�o as palavras do profeta.
Como disse, nada escapa a um homem de minha posi��o.
A verdade sobre ele. parecer que te escapou.
Claudio!
Tinha que se reunir comigo para receber as instru��es finais.
Ela sempre tem que ter prefer�ncia sobre mim?
N�o se preocupe. Prepararei sua sa�da imediatamente.
Princesa! Princesa!
Princesa, por favor, n�o v� ao mercado. � perigoso.
- O Guia est� aqui? - Est� esperando na terra�o.
Venha.
Percorram as ruas, procurem nas esplanadas...
a um homem que procure o Senhor.
Porque em verdade lhes digo...
que o c�u de que falo pode encontrar-se aqui, sobre a terra...
se n�s vivermos como filhos de Deus...
e n�o como aves de rapina, como aqueles que nos governam.
Povo da Galilea...
Herodes � um rei estrangeiro.
Descende de uma tribo de pag�os do deserto.
N�o nasceu na f� de nossos pais.
Embora diga que cr�, burla-se...
dos mandamentos do Senhor. Governantes que n�o observam...
as leis de Deus s� podem trazer desastres a seu povo.
N�o paguem tributos � Casa de Herodes!
N�o deixem que sigam cometendo novos crimes...
ou a mis�ria e a destrui��o cair�o sobre v�s.
E n�o ficar� dessa casa pedra sobre pedra.
T�o certo quanto todos os rios correm para o mar...
o dia do julgamento chegar�.
Porque a ta�a do desespero est� cheia.
A iniq�idade senta-se no trono.
O rei abandonou o povo pelo vinho e as rameiras.
E a Rainha vive em uma lux�ria pecaminosa...
sem ter piedade das afli��es dos pobres.
- Sua maldade e sua iniq�idade... - N�o diga isso da rainha!
- Falarei contra o pecado. - Ela n�o fez nada.
- � uma adultera! - Isso � mentira. Mentira!
Deixou seu marido para casar-se com seu irm�o.
Tem infringido a lei que nos foi dada.
A lei. Palavras! N�o infringiu nenhuma.
Trouxe preju�zos a todo o povo.
Ao colocar-se ela mesma cima da lei...
destruiu a igualdade da justi�a.
- Farei com que lhe fa�am calar. - � filha de Herod�as!
Sim.
- Sou sua filha. - Me escutem, Galileos!
N�o permitam que os pecados se perpetuem de gera��o em gera��o.
Filha de Herod�as, sei que seu cora��o fala por sua m�e.
Mas n�o seja cega em rela��o � maldade de suas a��es.
Embora seja sangue de seu sangue...
sua alma � tua.
N�o tolere sua perversidade.
Onde foste vestida assim?
� pra�a do mercado.
Ouvi o Batista falar.
Esperava que n�o lhe ouvisse nunca.
Converteu minha vida em uma mis�ria.
Por que o rei permite que te humilhe?
- Ele teme lhe deter. - Teme?
- Por que o rei deveria ter medo...? - Por causa de uma profecia...
feita na �poca de seu pai, Herodes o Grande.
- Que profecia? - "Se um rei da Casa de Herodes...
ferir o Messias...
ele morrer� em agonia."
O rei acredita que o Batista � o Messias.
E teme que se lhe fizer mal...
morrer� com terr�veis dores como seu pai.
Como um rei pode acreditar nessas coisas e permitir que algu�m fale contra ti!
E pedir a minha morte.
N�o, m�e. Ele n�o incita �s pessoas a te fazer mal.
Chama-me ad�ltera.
S� h� um castigo para esse crime...
- Ser lapidada pelo povo. - Basta!
Mas � inocente.
Infringi uma lei absurda...
- e por isso me querem morta. - OH, m�e.
M�e, v�! Deixe este lugar. Irei contigo para onde for.
N�o posso deixar a Galilea.
Mas o que te ret�m aqui?
- O rei? - N�o, o rei, n�o. O trono.
O trono. O que importa isso quando sua vida est� em perigo?
O trono � mais que a vida para mim.
� o legado que te deixo...
minha filha.
Ser� a pr�xima rainha.
O trono ser� teu, mas s� se o guardar para ti.
Faria qualquer coisa para que o herdasse.
Suportei um matrim�nio sem amor, a humilha��o de uma amante...
inclusive ser lapidada.
Por conseguinte Roma espera arrecadar os seguintes impostos...
da prov�ncia...
N�o queria te incomodar.
Continuaremos mais tarde.
Sinto pelo meu comportamento de ontem � noite.
Ent�o j� n�o odeia a todos os romanos?
N�o a todos.
O que houve?
Me diga.
Quanto me ama?
Qual � a medida do amor?
O que se pede ao ser amado...
e o que se concede.
Qualquer coisa.
- Um favor. - O que quiser.
- � isso uma promessa? - Sim.
Me ajude a salvar a minha m�e. Detenha o Batista.
Isso n�o posso fazer.
- Por que n�o? - N�o posso interferir.
- Voc� pode det�-lo! - N�o posso fazer nada.
Poderia informar a Poncio Pilatos.
Mas det�-lo? N�o tenho tanta autoridade.
Significa que n�o quer dizer que n�o quer utiliz�-la.
Chegou tarde, meu querido conselheiro.
Minha filha j� me informou o que foi dito na pra�a do mercado.
Informou-te tamb�m de que o Batista falar� de novo esta noite?
Esta noite!
J� est�o se reunindo para ouvi-lo.
Seguir� pregando at� que me lapidem.
O que acontecer� se o povo ver que n�o � castigado?
Se n�o fizermos nada...
a plebe considerar� que � um ind�cio da aprova��o do rei.
Tenho receio disso, Senhora.
Ele deve ser detido esta noite.
E Sua filha persuadir� o rei?
Ela n�o pode precipitar-se nos bra�os de Herodes.
Precisamos de tempo.
E n�o o temos.
Micha, voc� deve silenci�-lo.
Majestade, deve se recordar...
que o assassinato de Jo�o o Batista pode fazer...
que o rei suspeite de ti.
- E em sua ira poderia... - � um risco que devo correr.
Os desesperados s� podem sobreviver com medidas desesperadas.
Majestade.
Os caminhos torcidos endireitar-se-�o.
E o �spero se tornar� suave...
para que recebamos a salva��o de Deus.
chegou o dia em que os homens...
devem deixar de fazer iniq�idades e conhecer senhor.
� verdade que vivemos uma �poca de viol�ncia...
em que os homens voltam-se uns contra outros.
Mas como o mesmo Deus � nosso pai e temos o mesmo destino...
todos somos irm�os.
E essa � nosso grande esperan�a, a humanidade prevalecer�.
Quando os homens verem que o �dio e o medo s�o inimigos da humanidade.
Guardas!
Guardas!
Guardas! Guardas!
Um assassino tentou matar Jo�o o Batista!
Detenham-no e o levem ao rei. Eu lhes recompensarei.
Fale desgra�ado, enquanto tem l�ngua.
Sua lealdade � elogi�vel. Coloque-se a servi�o de seu rei...
e conservar� sua vida. Quem te mandou fazer isto?
Pedi-lhe que viesse porque seus ouvidos s�o mais agudos que os meus...
nas intrigas do pal�cio. De quem suspeitas?
N�o tenho a menor id�ia.
Nem uma?
Deve ser algu�m pr�ximo ao trono...
muito pr�ximo...
que sabe que a morte do profeta significa a minha. Esta de acordo?
Pensaria que lhe prestava um servi�o, n�o que ia contra ti.
Ent�o deixe que recompense ao meu leal servidor.
N�o sabe quem foi?
Se soubesse, eu mesma lhe recompensaria.
Bem, desgra�ado, continue mudo? Talvez o po�o da tortura...
solte sua l�ngua. Levem-no.
� tarde e estou cansada. Se isso � tudo...
Isso n�o � tudo. Sua m�o estava por tr�s dessa adaga.
- Ele n�o agia sozinho. - Talvez seja por uma boa causa.
- Se tentar de novo... - Amea�a-me?
Aprender� que eu sou o rei aqui.
Eu ordeno quem vive e quem morre. E o profeta deve viver.
Por que? Por que est� louco?
Louco? Eu?
Est� deixando que destrua a Casa de Herodes.
Eu a destruirei se n�o sair de minha vista. Fora!
Ela o matar�. Eu sei.
Contratar� a um assassino ap�s outro at� que um deles o mate.
- Deve proteg�-lo, senhor. - Como?
Ela conseguir� mat�-lo.
E quando o Messias morrer a mando da Casa de Herodes...
Eu morrerei.
O que devo fazer? Tenho que esperar como um cordeiro o meu pr�prio sacrif�cio?
Por que o profeta est� me fazendo passar mais atribula��es que a Job?
Por que prega contra mim? Que mal lhe fiz?
N�o sabe que quero proteg�-lo?
Espere.
Sim.
Farei com que o tragam ante meus ministros.
Julgaria a um homem santo?
Um profeta est� acima da lei que defende?
Este profeta fala contra seus soberanos.
Que responda por sua trai��o!
Para que isso?
O sentenciaria?
Nesse caso cumprir-se-ia a profecia.
Por fim encontrei uma forma para que o profeta...
advenha-se com a raz�o.
A que termos pode um profeta advir-se com um rei?
J� o ver�.
Capit�o! Traga Jo�o o Batista ante mim pela manh�.
Senhor, O que vais fazer? Quais s�o suas inten��es?
Amanh� saber�.
Soltem o Batista!
O Batista n�o fez nada de mau!
Ele n�o cometeu nenhum crime.
Abaixo a Casa de Herodes!
M�e!
Soltem o Batista! Liberten-no!
N�o cometeu nenhum crime!
N�o posso acreditar.
Libertem o Batista!
Me perdoe por ontem � noite.
- Te perdoar? - Voc� o prendeu.
Sabia o que significava para mim. Obrigada.
Voc� foi trazido aqui para que responda a uma acusa��o de trai��o.
- Quem dar� testemunho contra mim? - O povo da Galilea.
N�o vejo aqui ningu�m do povo.
V� meus ministros que representam o povo.
Acusam-no de levantar o povo...
contra a Casa de Herodes.
Eu n�o prego a viol�ncia. S� os in�quos recorrem a ela.
Prop�cias a viol�ncia denunciando o trono.
Eu pe�o ao povo que n�o pague tributos a governantes in�quos.
Ent�o poria
outro rei em meu lugar? - Sim.
Um que governasse segundo a lei de Deus. Com justi�a e miseric�rdia.
Admite sua lealdade a algu�m que n�o seja o rei?
Aquele a quem eu reconhe�o est� acima dos reis da terra.
Ent�o � inclusive mais poderoso que Cesar?
Ele � o Rei dos Reis.
Far� que tremam todos os C�sares e todos os Herodes.
Tirar� o jugo dos oprimidos, solucionar� todas as injusti�as...
trar� o dia do julgamento para todos os maus governantes do mundo.
E quem � esse rei dos reis?
� o Messias.
Mas voc� � o Messias.
Ent�o � voc� o rei que reinaria sobre mim.
Ele n�o se declara a si mesmo o Messias.
Me escutem, eu nunca disse ao povo que sou o Messias.
S� que o Senhor me enviou...
a despertar a consci�ncia da humanidade para a chegada do �nico santo.
Muitas pessoas que ouvem suas den�ncias teem dito que � o Messias.
Ent�o falhei para com o que vem depois de mim...
porque ainda n�o preparei o caminho como devia.
Qual � seu julgamento?
Senhor, ele reconhece a um rei superior a ti.
� culpado de trai��o!
- Trai��o! - � culpado!
S� procuram atingir seus prop�sitos.
Qual � a recomenda��o de meus ministros?
Deve ser castigado como todos os traidores.
- Deve morrer. - Crucificado.
- Lapidado at� a morte. - Deve morrer.
- Morte ao traidor. - Levem-no � cruz.
Meus ju�zes pronunciaram senten�a sobre ti.
Voc� a pronunciaste. A culpa � tua e s� tua.
Burlaste a justi�a
sentenciando a um homem justo. - Basta!
Me escute antes de que seja muito tarde.
Sabe que n�o nasceste na f� de nosso povo.
N�o lhes ofenda cometendo um sacril�gio...
contra o que eles consideram sagrado.
J� tornaste seus cora��es contra ti rompendo a lei de Mois�s.
N�o volte a m�o contra ti
assassinando a um homem santo. - Basta! J� disse.
- Rezarei por ti. - Reze por eles, anci�o.
Porque o Senhor est� ao meu lado.
Ouviste o julgamento de meus ministros.
Se pedires clem�ncia e eu lhe conceder isso...
Pedirei por sua alma.
Ra�a de v�boras!
Fa�am o que quiserem comigo.
Mas o dia do julgamento est� perto e todos os malvados ser�o condenados.
O Senhor far� justi�a.
Fa�am-no calar! � cruz com ele.
Fora todos!
N�o lhe toquem. Fora!
V� como seus inimigos est�o contra ti.
E a Rainha te assassinaria. Todos os que est�o no poder o assassinariam...
a n�o ser por mim.
Julgaste-me para me demonstrar sua amizade?
Sim. Sou seu �nico protetor.
Eu, e s� eu, posso te salvar agora.
Tudo o que te pe�o � que n�o me denuncie ante o povo.
N�o pode comprar o sil�ncio com minha vida.
Dou lhe o que quiser fora da Galilea. Me prometa que nunca retornar�...
e te deixarei livre. - Minha miss�o est� aqui.
Ent�o fala s� de religi�o.
- Deixa em paz a Casa de Herodes. - N�o posso.
Porque est� apoiada no pecado.
Foi-me ordenado que limpe o pecado...
que ofere�a o arrependimento a quem escute.
Ofere�o-lhe isso agora.
Volte para Deus.
- Como? - Abandone o trono.
N�o. Isso n�o posso fazer. � minha vida.
Eu te falo de uma vida mais duradoura.
Te arrependa.
N�o deixarei o trono.
E n�o posso te deixar pregar mais tempo contra mim.
O porei sob guarda aqui no pal�cio onde n�o possa fazer mal.
Guardas!
N�o encontrar� a paz se me encarcerar.
S� o Senhor pode aliviar o terr�vel mal que carrega em sua alma.
Levem-no.
Anci�o. O que lhe aconteceu a nosso profeta?
O que o rei fez com ele?
- Ter-lhe-� ferido? - Encarcerou-lhe.
- Liberten-no! - Obrem pacificamente.
Nada podem ganhar com a viol�ncia.
Mas, Anci�o...
Senhor, isto � mais que uma sugest�o. Deve manter a paz.
- Pe�o-lhe que liberte o prisioneiro. - Isto n�o concerne a Roma.
Algo que trate de paz concerne a Roma.
- A paz n�o est� amea�ada - Cada minuto que ret�m o Batista...
aumenta o perigo de que corra sangue e haja desordem.
Agora h� menos perigo.
Separaste-o de seus seguidores.
Tratarei bem dele. Ele pode fazer tudo o que desejar.
- Qualquer um pode v�-lo. - Continua sendo prisioneiro!
- O povo se revoltar�. - Eu farei que se calem.
Comandante, n�o tem autoridade para me obrigar a liber�-lo.
Sele tr�s cavalos. Vamos para Jerusal�m imediatamente.
Claudio!
Por que a princesa chama o romano?
- Aonde ele vai? - O que importa?
Ele � mais amigo do que qualquer um aqui.
Querida, acredita que fui descuidado?
Permitiste que um louco levante o povo contra minha m�e.
O comandante fez com que o prendessem.
Isso � o que ele te disse?
Esse c�o romano � um mentiroso. Claudio me pediu que o libertasse.
Libert�-lo?
Esse romano me rogou e me amea�ou...
dizendo que far� todo o poss�vel para libert�-lo.
Fui eu quem ordenou sua pris�o.
Sinto te desiludir, querida.
Perdi minhas ilus�es com os romanos faz tempo.
Espl�ndido.
Ser realista � o come�o da sabedoria.
E os s�bios sabem que n�o importa nada salvo procurar o prazer...
no presente.
A vi muito pouco desde sua volta.
N�o tive ocasi�o de te dar as boas vindas.
Pela volta a casa de uma princesa.
Majestade, � muito generoso.
Por favor, use isto no banquete em honra de meu anivers�rio.
O presente deveria d�-lo eu, n�o receb�-lo.
Sua presen�a ser� o presente mais valioso de todos.
Deixe-me ver se o artes�o fez justi�a a sua beleza.
N�o h� seda nem bordado de ouro que possa comparar-se.
Majestade, eu... eu n�o posso aceitar isto.
Por que n�o?
� mais apropriado que o d� � rainha.
Mas � meu desejo dar-lhe isso.
N�o � meu desejo receb�-lo.
Aceite-o por mim. Que seja um s�mbolo entre n�s.
Que possa saber o muito ...
o muito que me agrada.
Permita que seja a rainha quem o agrade Majestade
E ter que negar-me o que mais quero sobre tudo?
Uma mulher com quem possa esquecer.
Permite muitas concess�es embora seja rei.
E esquece que...
a rainha � minha m�e.
Por que tiveste que interferir?
Herodes tem uma boa causa para encarcerar a esse provocador.
A deten��o de Jo�o o Batista pode ter s�rias conseq��ncias.
Poderia come�ar uma rebeli�o que se estenderia atrav�s das prov�ncias.
Deve ordenar sua liberta��o.
Claudio, como romano deveria ser voc� quem pedisse sua execu��o.
Excel�ncia, temos lutado juntos muitos anos.
Posso falar com franqueza?
Nunca pensei que falasse de outra maneira.
Roma n�o pode seguir assim, governando com a espada e o l�tego.
Se queremos sobreviver devemos reconhecer
que uma nova for�a est� chegando ao mundo.
Uma nova for�a?
A religi�o deste profeta. Trar� esperan�a aos conquistados.
Trar� paz a todos os homens...
lhes ensinando como viver em paz com seus semelhantes.
Esta f� se estender� por todo mundo e ganhar� os homens...
onde Roma sozinha n�o p�de conquist�-los.
Cesar � a �nica f� poss�vel para um romano.
Eu acredito que a religi�o deste profeta estender-se-� por toda a terra.
Seja seu protetor, e conseguir� a imortalidade.
Sim, a imortalidade. Pense nisso.
Seu nome ser� gravado nas p�ginas da hist�ria.
Seu nome ressoar� durante os anos. Poncio Pilatos...
O campe�o de uma nova religi�o.
Imortalidade.
Em poucos anos nos teremos convertido em p� e nos ter�o esquecido...
sem importar o que tenhamos feito.
O nome de Cesar perdurar�.
- Mas Poncio Pilatos? Nunca. - O Deus do Batista � eterno.
Una-se a ele e seu nome nunca desaparecer�.
Uma nova religi�o que marchar� atrav�s do mundo. Um Deus que � eterno.
Estiveste aqui durante anos. E eu, umas poucas semanas.
Mas j� conhe�o este pa�s melhor que voc�.
Est� cheio de profetas. Aqui mesmo em Jerusal�m...
h� um carpinteiro que inclusive proclama que � o filho de Deus.
Dizem que faz milagres.
Milagres?
Dizem que pode fazer caminhar aos coxos e ver os cegos.
E se a plebe em Jerusal�m acreditar nestas tolices...
que creiam.
Mas n�o tolerarei que ningu�m denuncie Roma...
com o pretexto da religi�o. E este seu profeta o faz.
- Mas, Excel�ncia... - Claudio.
Como pode pedir sua liberta��o sabendo que � um traidor?
N�o posso entender que um valente soldado e um brilhante oficial...
converteu-se em traidor.
Encontrei uma lealdade maior que Roma...
A humanidade.
Se n�o fosse seu amigo...
se n�o tivesse lutado contigo em muitas batalhas...
e compartilhado muitos perigos na luta...
Se n�o estivesse seguro de qu�o corajosamente serviste a mim e a Roma...
mandaria que o executassem por trai��o.
Entretanto, o deixarei em seu posto.
N�o penso te deter.
Mas n�o posso permitir que volte para a Galilea.
Ficar� aqui em Jerusal�m at� que parta uma galera...
que te leve a Roma.
Sim, Excel�ncia.
Claudio!
Sinto muito, Claudio.
Claudio! O �ltimo vest�gio da 9� legi�o.
Vemja. Una-se a n�s. Dirigimo-nos � minha vila.
N�o, Espere. Diga-me...
Conhece esse carpinteiro que diz ser o filho de Deus?
Refere-te ao homem que faz milagres?
Ao grande curador que cura a todos s� lhes tocando?
Dizem que converteu a �gua em vinho durante umas bodas em Cana�.
Imagine o dinheiro que nos teria economizado.
- Bem, venha conosco. - Espere!
- Onde ele est� agora? - Ouvi dizer que foi a Bet�nia.
Por que? Quer v�-lo?
Bet�nia.
Posso ver.
Posso ver.
Posso ver.
Posso ver.
Posso ver.
Posso ver.
Posso ver.
Abaixo a Casa de Herodes! O Profeta � inocente!
Libertem o Batista!
O Batista n�o fez nenhum mal!
Libertem o Batista!
O Batista deve ser livre!
Abaixo a Casa de Herodes!
- Ele � inocente! - O rei � um id�latra!
- O que ocorre majestade? - Meus s�ditos reais...
ajudam-me a celebrar o anivers�rio de meu nascimento.
Parecem amea�adores em sua lealdade.
Sigamos com a festa.
Abaixo a Casa de Herodes!
- Morte � Rainha! - Rainha-a � uma adultera!
Morte � Rainha!
Nunca tinha ouvido � multid�o gritar dessa forma.
Loucos est�pidos!
Logo saber�o como recompenso os que me traem...
Morte � Rainha!
Micha, tome cuidado.
Eles assaltar�o o pal�cio. Me lapidar�o.
Nada a n�o ser a minha morte poder� lhes satisfazer.
Micha, v� r�pido. Tente acalm�-los.
Abaixo a Casa de Herodes!
Cuidado. Uma pedra pode te acertar.
- M�e, n�o podemos ficar aqui. - Devemos ficar aqui.
Se acontecer da plebe me depor, voc� ser� a pr�xima.
- Sua vida significa para mim mais que... - N�o deixarei que privem minha filha...
de sua heran�a depois de tudo o que me sacrifiquei.
-Escute. E voc� fala de... - Eu falo de seu futuro.
De seu destino.
A plebe n�o � nada sem um guia.
Se pudesse fazer com que o rei destrua ao Batista antes que seja tarde...
H� um modo.
Sim, sim.
Uma possibilidade de salvar o trono.
Salom�...
s� voc� poderia consegui-lo.
Mas...
O que posso fazer?
Convencer o rei para que destrua o Batista.
- Mas como posso...? - Pode persuadi-lo.
- Como? - Com sua incr�vel beleza.
Dance para ele esta noite.
Dan�ar para ele?
M�e, voc� sabe que uma mulher que dan�a para o rei
torna-se em sua propriedade. - Sim, conhe�o o costume.
- Pretende que me entregue a...? - Pelo trono, sim.
O Batista deve ser livre!
Soltem o Batista!
O rei � um id�latra!
Romanos! Romanos! O Batista deve ser livre!
Romanos pag�os!
- Por que chora? - Me tire daqui!
Claudio, por favor, me tire daqui.
- De verdade quer partir ? - Sim! Sim!
H� algo que deve ouvir. Algo que deve saber sobre mim.
- Logo poderemos ir juntos. - O que �?
Venha comigo.
Onde est� a princesa? Afastaste-a de mim.
Lhe ordene que venha.
Ordene voc� mesmo.
Trago estranhas not�cias.
Muito estranhas.
Enquanto estive em Jerusal�m, ouvi falar de um profeta que faz milagres.
Se isso for certo, s�o grandes not�cias.
Ouvi dizer que este profeta d� a vista aos cegos, cura aos doentes...
que alimenta a milhares de pobres...
simplesmente multiplicando uns peda�os de p�o.
Fui a Bet�nia onde disseram-me que ele estava.
Fora de Jerusal�m...
vi uma prociss�o como nunca tinha visto, seguindo a um homem.
Os coxos, os pobres, os cegos o seguiam.
Aqueles cujas costas tinha estado inclinada fazia anos.
Aqueles cujas cabe�as tinham estado humilhadas por anos de vergonha.
Seguiam-no.
E muitos que eram c�ticos, que se burlavam dele...
eles tamb�m o seguiam. Uni-me a essa prociss�o.
Seguimos-lhe at� uma tumba onde jazia um homem chamado L�zaro...
que estava morto h� quatro dias.
A irm� do L�zaro, que era crente...
implorou-lhe que fizesse ressuscitar a seu irm�o.
Ouvi como ele dizia...
"Sou a ressurrei��o e a vida.
quem cr� em mim embora tenha morrido viver�.
E todos aqueles que vivem e que cr�em em mim, n�o morrer�o"
Disse isso. Eu o ouvi. E ent�o foi para a tumba.
E enquanto outros moviam a pedra, ele levantou a cabe�a e rezou.
Disse...
Pai, agrade�o-te que me tenha ouvido...
e sei que sempre escutaste-me.
Mas digo isto para que esta gente que aqui est� ...
creia que foste tu que me enviaste.
E quando disse isto, gritou com voz muito alta...
"L�zaro, levante-te"
E L�zaro saiu da tumba. Eu o vi.
Vi um homem que tinha morrido quatro dias antes sair da tumba!
Todos nos pusemos de joelhos.
E depois disse ao L�zaro que tirasse a mortalha e voltasse para a vida.
E o que tinha sido um cad�ver converteu-se em um homem.
N�o s� vi o L�zaro sair do sepulcro...
mas sim falou com ele. Eu tamb�m lhe falei.
o que lhe tinha feito levantar-se da tumba...
chamava-se Jesus.
Meu bom Jesus.
O Messias.
Quando eu o batizei, ouvi uma voz do c�u que dizia...
"Este � meu filho muito amado em quem tenho minhas complac�ncias"
Falei com esse Jesus.
Disse-lhe que estava encarcerado.
- Disse que viria a Galilea. - Nunca voltarei a ver Jesus.
- Eu te liberarei antes de que chegue aqui. - N�o temo � morte.
Toda minha vida estive rodeada pela maldade.
vivi segundo crit�rios falsos.
Entreguei-me inexplicavelmente a todos.
E conheci a maldade.
Pela primeira vez, vejo que h� bondade no mundo.
Ver a bondade � estar acordado ao Senhor.
Saibam que minha b�n��o vai com v�s...
durante o tempo que vivam.
V�o em paz.
V�o.
- Como poder� lhe salvar?
- Continuo sendo comandante da guarda do pal�cio.
Mas est� cheio de soldados de Herodes. N�o pode.
� o �nico modo.
N�o.
- H� uma forma melhor. - Qual?
Dan�arei para o rei. E farei com que liberte o Batista.
Dan�ar para o rei?
- D�-te conta de...? - Nunca me possuir�.
N�o. N�o deixarei que dance para ele.
Est� disposta a partir. Libertarei o Batista e irei contigo.
- Rebecca. - Sim, Princesa.
Venha comigo.
Tenho ordens de Sua Excel�ncia, o governador. Solte-o!
S� posso libertar o prisioneiro por ordem de sua majestade o rei.
Daria por ela a metade de meu reino.
N�o, me d� a cabe�a do Batista.
Guardas! Guardas!
Saiam!
M�e!
Eu sou carne de sua carne.
Nunca mais quero ver o teu rosto.
Escute. Os ouve?
Poderia abrir as portas e deixar que o povo o matasse.
Tamb�m poderia lhes atravessar com minha espada.
Mas isso seria um final muito r�pido. N�o.
Viva. Viva torturado.
O sangue do homem que mataste subir� a sua garganta e te afogar�.
Ezra!
Ezra!
Ezra, Ezra
Que Deus e sua miseric�rdia sejam conosco.
Amem a seus inimigos.
Bem diga aos que lhes amaldi�oam.
Fa�am o bem a aqueles que lhes odeiam.
E orem por aque lhes ultrajam...
e lhes perseguem.
Para que sejam filhos de seu pai que est� nos c�us.
Que faz sair o sol sobre maus e bons...
e que faz chover sobre justos e injustos.
Bem-aventurados os pobres de esp�rito...
porque deles � o reino dos c�us.
Bem-aventurados os que choram porque eles ser�o consolados.
Bem-aventurados os mansos...
porque eles receber�o a terra.
Bem-aventurados aqueles que t�m fome e sede de justi�a...
porque eles ser�o saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos...
porque eles alcan�ar�o a miseric�rdia.
Bem-aventurados os puros de cora��o...
porque eles ver�o Deus.
Bem-aventurados os pac�ficos...
porque eles ser�o chamados...
filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem persegui��o por causa da justi�a...
porque deles � o reino dos c�us.
Este foi o princ�pio.
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