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INTIMIDADE
T�nhamos combinado? - N�o.
Entra, entra...
Caf�?
Em geral p�em a cozinha em baixo, mas nesta � em cima.
N�o d� l� muito jeito, farto-me de entornar coisas.
Mas como o gajo de cima nunca est�,
entorno-as e ningu�m v�.
Portanto, vives aqui?
J� perguntaste da outra vez.
Dou-lhe um arranjo quando tiver massa.
S�o CDs, l� em baixo nas caixas? - Eu mostro-te.
Desculpa.
� a faixa do bus, � cabr�o!
Esse � o lan, que te vai dar uma ajuda.
Esteve uns tempos no Atlantic.
Que dia � hoje? - Quarta. At� logo.
Fazes-me um favor e p�es-me o caf� no frigor�fico?
Bebo-o depois.
O Steve despediu-se S�bado quando fech�mos, j� te tinhas ido embora.
E o franci� tinha c� deixado o curr�culo h� quinze dias,
portanto telefon�mos-lhe. Parece bom puto...
Parecem todos, mas que tal termos algu�m que queira mesmo trabalhar?
Estou farto de imbecis que s� fazem isto enquanto esperam outra coisa.
Risca-lhes a superf�cie e v� se n�o s�o todos actores,
bailarinos, ou mariquices do g�nero.
Juro-te, estou at� acima com idiotas destes
que n�o param de chatear clientes com o que realmente s�o.
��Ah, e onde tira esse curso?�� ��Como o concilia com o trabalho?��
N�o � quase sempre inventado? - Talvez, mas engalinha-me.
Um bar n�o � um restaurante, um bar n�o � um restaurante...
Os frequentadores da noite s�o diferentes.
Sou o chefe-barman, ou seja, fa�o o que me d� na gana
e tu fazes o que eu mando,
portanto ignora o que ouviste, n�o tens uma semana para te adaptar,
ou fazes j� o clique, ou nunca. Onde est� a tua vodka?
cerveja, mas a noite � diferente,
h� quem queira sempre o teu coiro...
Grande palerma...
V�s ali o grandalh�o de fato?
Desde as 4 que n�o p�ra de beber,
� hora de fechar vais ter de o p�r na rua.
E aquela que vem a entrar agora: � das que pede sempre o mesmo
mas quer que lhe perguntem o que vai tomar;
fa�o as noites h� j� tr�s meses e ainda n�o variou uma vez.
Ol�, amor, hoje vem muito bem disposta?
S� dancando em cima do balc�o � que me d�o aten��o?
Que � que ela toma?
Ela j� to diz... E n�o contes com gorjeta.
Susan? Estamos c� em cima!
Pap�, eu gosto de todos.
O Alex n�o vem � minha festa, eu n�o deixo.
N�o deixas? Mas que feio... Quem � o Alex?
O Alex � parvo.
Tens frio? Um bocadinho?
De certeza? Bom, daqui a nada vou fazer ch�.
Despachem-se e des�am, v�o brincar.
Os mi�dos parecem estar bem...
Ama-los muito, h�?
Tens frio?
Tenho, mas sabe bem.
E pr�xima Quarta... Volta a ser na Quarta?
Ent�o, achas que serve?
Acho, os clientes gostaram dele.
Boa noite.
Duas vodkas, ofere�o eu.
O barman que ��serve�� paga um copo ao patr�o.
A mulher que vem todos os dias,
aquela com quem conversaste...
Hoje disse-me, ��Voc� � irm�o do Joel?��
Disse o qu�? - ��Voc� � irm�o do Joel.��
Eu n�o disse sim nem n�o, e tomou isso por um sim.
Tudo bem, at� gosto do nome.
Quando era mi�do fartava-me de ouvir o Billy Joel.
Nada me ser� poupado? Quantos anos tens, afinal?
Quem a princ�pio era louca por ele, era a minha irm�.
Tinha todos os discos dele e eu ouvia-os tamb�m.
H� c� algum? - Por amor de Deus, poupa-me.
H� quanto tempo trabalhas c�?
Desde que me nasceu o mais velho, h� seis anos.
Antes era m�sico. Tipo, como o Billy...
Tem piada, nunca te vi pai de filhos.
Um dia, h� um ano, sa� de casa e fui para a de um amigo.
�s vezes acontecem coisas assim simples, na vida;
uma noite torna-se a �ltima que dormes em casa.
Na tua casa, com a mulher e os filhos...
Na manh� seguinte, abres a porta e bates com ela.
E se j� n�o estiver ningu�m, isso ajuda.
J� tinham todos sa�do, facilitou...
N�o disseste nada, foste-te e pronto?
Dizer o qu�?
O Billy Joel, nem acredito...
N�o andavas � procura de um s�tio onde dormir?
e teres de voltar a comprar tudo.
N�o quis que me dessem tralha,
a tralha dos outros d�-me v�mitos.
Se queres mesmo dar cabo de mim, leva-me a um ferro-velho.
lsto � tudo novo, sem defeito, sem passado...
Tomem um copo comigo.
N�o, primeiro mostro-te a casa, venham dar uma vista d�olhos.
Aqui � o meu quarto... Sem interesse, nada para ver.
Mudaste montes de coisas... Aquilo estava ali, Victor?
Faz s�culos que ali est�!
O teu quarto.
Gostas? Achas bem?
Que foi? - Nada, gosto muito.
N�o havia s�tio no Jay? - Victor, n�o chateies!
Agora vive numa casa, n�o ta mostrou?
N�o passa de um quarto no r�s-do-ch�o, nada como isto.
E preciso de ajuda na renda menos que tu...
Podia l� saber!
H� montes de raz�es para o Jay precisar tanto de massa como eu.
Ele n�o abre o bico, mas imagino...
Quando deixas a fam�lia, ela depena-te;
casa, putos... Esfola-nos de tudo.
Tu vives com algu�m?
Tu �s bicha? - Que � que achas?
Fodes tudo o que te aparece?
Victor, deixas o gajo em paz?!
O Jay e eu �ramos como irm�os.
G�meos, � que n�s somos.
Qualquer de n�s podia ter ficado na rua de m�os a abanar,
mas n�o, juntos at� debaixo de �gua.
E de quantos dizes o mesmo na tua vida?
Fart�mo-nos os dois de andar ao deus-dar�,
mas a cada curva da estrada sempre fizemos o que quisemos.
E a puta da diferen�a est� a�.
Escravos dos desejos, � o que n�s somos.
O Victor � como aqueles tipos todos impec�veis
que te tocam � porta para te propor TV por cabo.
Vendo-te um televisor por bom pre�o para o teu quarto.
Que � isto?
lsto d� cabo de mim...
Talvez n�o queiras um h�spede, afinal?
Tu precisas de dinheiro, ele, onde dormir...
A coisa � simples, por que t�m de a complicar?
Pronto, talvez seja eu, talvez tenha baralhado tudo...
Olhem, esque�amos tudo.
Por mim tudo bem, se puder ajudar!
N�o tenho nada contra.
Tenho a minha pr�pria vida, n�o me venhas pedir mais nada.
O Victor d� o quarto, mas ponto final.
Deixas a massa na mesa e assunto arrumado.
Em dinheiro, nada de cheques.
O meu filho disse-me que quer fazer belas-artes.
Quando eu tinha dezasseis, costumava pintar...
Tem piada?
N�o te faz bem viveres sozinho.
A s�rio, estando sozinho mal h� merdas, caem-te em cima.
Ouves-te a ti pr�prio?
Preciso l� de conselhos teus. Obrigado pela visita.
E deixa-te de merdas sobre aquilo dos g�meos.
Que baboseiras s�o essas? S� sabes mesmo chatear.
Ol�, rico! - Tudo bem consigo?
Que foi?
Espera...
Olha.
Ah, tiveste um desastre?
Talvez fa�as o mesmo por mim, um dia...
V�, vamos l� mudar isso.
Hoje os teus olhos est�o de pernas para o ar.
De pernas para o ar, como?
Porque quando me ponho assim,
ficam como sobrancelhas.
A tua cara v�-se das duas maneiras.
Do lado da tua m�e, todos t�m grandes olheiras.
Espera, acho que as sinto...
Eu n�o tenho! - Talvez venhas a ter um dia.
N�o venho nada.
Espera, espera...
N�o precisas.
Victor, que porra vens c� fazer? Desanda!
Desculpa, sei que devia ter ligado.
N�o sei onde fui buscar que nunca recebias c� ningu�m...
Eu sei, � est�pido.
eu costumava adorar.
Desculpa...
Mas olha, o teu amigo lan nunca apareceu.
Disse-te alguma coisa? - N�o sei de nada.
N�o tens a� por acaso nada que seja um estimulante?
Sinto-me um bocado em baixo...
N�o toco nessas coisas. - Tens c� tudo o que precisas?
Mando-te instalar o cabo assim que quiseres, sabes isso?
Nunca disseste que andavas com algu�m.
��N�o ando com ningu�m��, disseste.
� a senhoria, veio ver se tinha tudo o que precisava.
Est� bem, eu percebo.
Pessoalmente sempre achei melhor nunca ter nada a ver com eles;
come�a a haver afecto e depois n�o consegues pedir-lhes nada,
quando o aquecimento se estraga, ou...
A casa nunca mais acaba! Vives s� tu aqui?
Alguma coisa que a tua senhoria fa�a especialmente bem,
tirando pregar-te caga�os? Tu viste a tua cara?
Est� bem, dois dias, podes ficar dois dias.
Mas s� dois.
Cada pessoa tem a sua cara, n�o �?
Cada um tem uma s� sua, � fant�stico.
Olho-as e bem vejo que s�o todas diferentes,
mas ponham-me amanh� na mesma carruagem com a mesma gente
e n�o reconheco nem uma.
As chatices que tenho tido...
Vejo-a Sexta?
Porqu�, n�o quer que v�?
Que tal foi o seu dia? - Nada de muito especial.
Tens os bilhetes?
� ali, ao fundo das escadas.
N�o pode esperar demasiado da Laura.
Parece-nos ter todas aqueIas quaIidades por gostarmos deIa,
nem j� reparamos que � aIeijada.
N�o digas ��aIeijada��, nunca deixo usar essa paIavra.
N�o se iIuda, m�e, eIa �.
E isso n�o � tudo. - Como ��n�o � tudo��?
A Laura � diferente das outras. - A diferenca � a favor deIa.
Nem toda; aos oIhos dos outros � terriveImente t�mida
e vive num mundo aparte.
E tudo isso a faz parecer esqui- sita aos oIhos de terceiros.
N�o digas ��esquisita��. - E o que eIa �.
N�o faco tenc�es
de aturar disparates, Laura,
portanto senta-te direita at� eIes chegarem.
O Tom esqueceu as chaves, ter�s de Ihes abrir tu a porta.
Pode abri-Ia a m�e... - Estarei na cozinha, ocupada.
Por favor, v� � porta, n�o me obrigue a ir!
OIha, o teu irm�o e mr. O�Connor; abres-Ihes a porta, amor?
V� I� a m�e, por favor!
D�s-me um s� motivo...
Vou j�, s� um segundo!
...para teres medo de ir abrir a porta?
Laura WingfieId, abre ime- diatamente aqueIa porta.
Est� bem, m�e...
Laura, este � o Jim; Jim, a minha irm� Laura.
N�o sabia que o Shakespeare tinha irm�s...
Gostou? - N�o aprecio muito teatro...
N�o t�m muito espa�o?
N�o s�o uma companhia que representa muitas pe�as,
mais um grupo de actores que escolhe uma para...
Quanto tempo ainda temos? - Quinze minutos.
As bebidas s�o comigo.
Uma Guinness, se faz favor. Que � que toma?
Obrigado, ent�o uma Coca.
S� uma Coca? - S�, ainda vou trabalhar.
E tu, que queres? - Pode ser tamb�m uma Coca?
Nem umas batatas fritas?
A mam� vai bem hoje, n�o achaste?
O qu�, que disseste?
Que achei que a mam� tinha ido muito bem hoje.
Adora vir assistir, vinha todas as noites, se pudesse.
Eu, quando a vejo, fico todo nervoso, a pensar...
��Bolas, vai esquecer o texto��. Ou ��Vai trope�ar��.
Ou olho as pessoas para ver se est�o a gostar.
Mas ele s� tem olhos para a pe�a,
� muito bom nisso. Gramas � brava, n�o �?
Pronto, vamos l� � segunda parte...
Gosta do Tennessee Williams?
Quero deixar uma pessoa e n�o sei como.
Em que param as coisas?
n�s fodemos e vai-se embora,
sem eu lhe pedir que volte nem nada.
Pronto, uma vez pedi, mas...
Que � que dizias?
uma coisa destas uma vez
e de repente tornou-se um h�bito.
Pronto, n�o � desagrad�vel para mim ter...
N�o, acontece que �, � exactamente isso
eu acho a situac�o...
Uma chatice. Mas s� agora, antes n�o,
mas agora, de repente, a coisa tornou-se t�o pesada...
De repente, esta porcaria das quartas-feiras,
� como se as dev�ssemos um ao outro ou coisa assim.
E j� n�o funciona.
Ela percebe, as pessoas percebem.
Como fazias para acabar?
Deixava andar, as coisas acabam por si.
Mas d� para imaginar o desesperada que deve ser?
- �s quartas, das 2 �s 4 - para querer isso e s� isso?
Quem te diz que est� mais desesperada do que tu?
Por que h�-de ela estar?
N�o lhe disseste que voltasse nem ela te pediu,
mas ainda assim abres-lhe a porta de cada vez.
H� desespero nisso.
Nem todos os dias encontramos quem queira o mesmo que n�s.
Talvez lhe d�s at� muito e nem te apercebas.
Espera, como � que sabes? Nem a conheces.
Mas imagino-a, e de certeza que tu lhe d�s muito.
N�o sei, custa-me a crer que queira o mesmo que eu...
Nem tenho a sensac�o de estar com algu�m.
E que diz ela disso tudo? - Sei l�, n�s n�o falamos.
Victor?!
A tua graxa secou toda. - Nem c� devias estar para ver.
Porra, � sempre o mesmo contigo? Eu disse dois dias.
Vou-me embora amanh�!
Hoje � Quarta, sabes muito bem que n�o devias aqui estar de tarde.
Est� bem, pronto... Bastava teres-me dito.
V�, deixa isso... Larga, trato disso depois.
Se tivesses problemas, contavas-mos?
N�o foste ao bar?
Para qu�, se l� vou � s� para beber.
N�o � soluc�o.
Pois, n�o � solu��o...
Vem rever a pe�a, �?
N�o admira, a noite em que veio foi t�o baril...
E a prova � que voltou.
E n�o � fan�tico do teatro, se bem me lembro?
Trabalha aqui?
Sei que � o que parece, mas n�o.
J� me esqueci o que se passa agora.
Na pe�a...
As pessoas depois n�o falam muito da pe�a,
v�em-na e depois d�o de frosque. E isso f�-la triste.
Por isso ou�o o que dizem � sa�da e conto-lhe depois.
Eu sei, devia estar-se nas tintas e em geral apreciam-na,
as pessoas gostam de a ver. Em princ�pio...
Claro, tamb�m depende do papel que ela tem...
A minha mulher entra na pe�a.
Pois, � a que faz da mulher, da Amanda.
Ah, � Laura? J� nem sei...
Mas j� devo ter contado isto? Sou mais palerma...
Nunca consigo ver se algu�m vai bem ou mal,
quando vou ao teatro.
Mas em geral os que v�m t�m opi- ni�o sobre tudo, � interessante.
Misturo-me com eles no intervalo, para ouvir e, de repente,
disparo uma pergunta.
E n�o me sinto nada parvo por perguntar.
Ali�s, ningu�m liga que eu esteja ali ou n�o.
Mas n�o sabem quem voc� �?
N�o, falo dos outros, dos da companhia;
est�o habituados a ver-me por c� e de vez em quando, ajudo-os.
Chame-me est�pido mas sinto-me como peixe na �gua.
Est� muito bem, aqui...
Pois, e de mais do que de uma maneira.
E estou com ela, esta paix�o podia afast�-la da fam�lia.
� verdade, n�o acha?
Quando se gosta mesmo duma coisa �s vezes esquece-se tudo o resto.
E n�o quero que ela seja v�tima disso.
Portanto, a Claire e eu resol- vemos n�o p�r nada de lado.
Chamo-me Andy. - Jay...
Ela chama-se Claire, �?
Quem? - A tua mulher.
N�o te tinha dito?
Conto montes de coisas e deixo de fora o mais importante.
Deve ser raro um gajo fazer o que tu fazes?
N�o sei, eu c� se fizesse isto quereria conhecer opini�es.
E que falassem comigo depois. Mas talvez s� eu pense assim...
A� por deforma��o profissional, eu sou motorista de t�xi.
Portanto, levo um cliente atr�s, estou a fazer um servi�o,
mas se n�o falo com ele sinto como se fizesse metade do meu trabalho.
Jogamos uma partida? C� em cima, l� em baixo, tens por onde escolher.
E tu, �s casado?
Quando estamos com algu�m
h� s� um per�odo muito curto em que damos coisas um ao outro.
Sem que nenhum tenha de pedir.
Porque depois s� fazemos exig�ncias um ao outro.
Talvez a diferenca entre ela e as outras � esta n�o te pedir nada.
Mas tu, que aprendeste? Metes-me medo...
N�o aprendeste nada com a sa�da de casa?
Talvez s� devesse andar com gente na maior.
� isso, s� um tarado ia querer isto,
expor feridas e merdas do g�nero n�o � o meu estilo.
E ela tamb�m tem outro.
E tu, n�o? - Eu? N�o, ningu�m.
Esta tipa � tudo o que tenho.
Aonde vais?
Um tipo cheio de pinta acaba de passar; se d�s licen�a...
Joan, ol�.
Joan, esta � a Claire. Ent�o, correu bem a tourn�e?
Correu, como elas todas... Adeus.
Uma tourn�e calhava-me agora mesmo bem,
para me p�r o sangue a ferver.
N�o estou muito p�ga?
P�ga, tu? P�gas n�o t�m esse ar.
J� estive noutro casting hoje de manh�
e como a minha casa � muito escura, tenho tend�ncia a...
Com que ent�o, d�s aulas? - Sim, s� a amadores.
Aparece um dia, �s vezes acontecem coisas...
Quando s�o?
sextas, �s tr�s.
Est� bem, Sexta apare�o.
Sabes que quando te conheci te achei para o empertigado?
Como cagando-te para os outros. Mas n�o, � s� o ar que tens.
E temos todos a merda de uns dias, �s vezes...
Por exemplo, a minha mulher: � muito bonito, o teatro e tudo,
mas bem vejo que faz de mais.
Mas que hei-de fazer?
Pois, ainda outro dia eu estive a pensar,
e gente que gosta uma da outra, mas que gosta mesmo...
Que � que podia interpor-se entre os dois e foder tudo?
Que � que achas?
Falas de gente que se ama ou que � s� amiga?
N�o, que se ama... Sei l�, at� podem ser amantes.
Tu por exemplo, Andy,
que era capaz de foder o teu casamento, de vez?
V� o meu exemplo: estou a trabalhar num bar,
enquanto espero que apare�a outra coisa,
h� qu�, uns seis ou sete anos.
A princ�pio era para ser provis�rio,
mas agora amarrei-me �quilo, como um parvo.
Mas sendo honesto comigo mesmo,
a �nica vez que posso dizer ��O Jay disse que fazia uma coisa e fez��
foi quando sa� de casa. - Ah, �s casado?
Bem me pareceu ver em ti um desgosto qualquer.
S� que quando pensas em coisas destas, guarda-las para ti?
Quando vai tudo pia abaixo e s� pensas em sair, guarda-lo para ti?
A quem contaste que te ias embora?
A uns amigos... S� a um, ali�s.
Quando se magoa realmente algu�m.
Mas � verdade, � um bom exemplo do que me punha mesmo na pior.
S� que quando est�s tu envolvido nunca d�s por nada.
Foi s� quando me vi outra vez no passeio
que percebi o infeliz que era.
At� onde tinha descido. Descido bem baixo, at�...
Porque, afinal de contas, � t�o mais f�cil ficar...
N�o achas? N�o achas que � geralmente o que acontece?
Mas e tu, como � que as coisas comecaram entre voc�s os dois?
Entre quem, eu e a minha mulher?
Calma a�, afinal que � isto? E a minha vida particular.
mas isso nem este gajo sabe!
lsso vai, matul�o? Pede uma bebida ao Mozzie.
N�o v�s l� para fora, sim? P�e na conta.
lsso vai, Luke? - Bem, obrigado.
Que � que dizias de uma m�e que se deixa comer regularmente
e que depois volta para casa, como se n�o houvesse nada?
Volta para a fam�lia...
E isso com um jeito incr�vel para a dissimula��o,
porque como � que se pode...
Como pode, depois de passar o dia a ser comida por outro,
voltar para casa para o marido, para mim, Jay,
para o marido e os filhos, como se n�o tem havido nada?
Perguntas-me mesmo a minha opini�o?
Pois, gostava de saber.
Bom, eu c� acho...
Sei l� que � que acho, al�m de n�o faltarem por a� gajos como tu.
S� que n�o te serve de consolac�o?
Porque tem de voltar para casa, � noite?
De beijar os putos, dar-lhes mimos,
servir-se de um copo,
servir o pobre desgra�ado sentado � mesa � frente dela...
Talvez at� tenha de contar o dia dela,
��por acaso cansativo, amor,
mas at� que nem foi mau...��
Depois de ter passado o dia a ser comida por...
Um cabr�o que, ainda por cima, n�o lhe diz uma palavra.
Andy, joga, porra!
Ou o Jay toma o meu lugar e procuro outro parceiro.
E sabes que mais?
Era quando ela me olhava com mais atenc�o.
A Susan, a minha mulher.
Voltava para casa nessas noites e devorava-me com os olhos.
P�ra l� com isso...
N�o podia deixar de comparar, n�o era?
Quando depois voltava para casa e estava ali, ao teu lado,
mais feliz do que alguma vez j� foi...
Est�s-me a ouvir?
Ent�o, que � que achas?
Acho que desde que volte para casa, todas as tardes...
� o suficiente.
Achas?
N�o me admira que digas isso, nem sequer te levo a mal;
acho que at� passares por uma coisa destas
te sentes muito protegido, n�o �?
E depois, quando te acontece a ti, at� nem ficas muito admirado?
N�o �?
O que est�s a dizer...
� por n�o querermos ver?
Porra para isto, vou-me � embora, para a merda da cama.
A tua mulher andava com um sacana assim?
Disseste que ele nunca lhe dizia palavra...
Ouvindo-te falar nisso t�o irritado
parece que quem acabou lixado foste tu.
O casamento, Jay,
� uma coisa maravilhosa.
uma viagem tramada, mas...
Uma raz�o de viver.
N�o tinha dito que n�o jogava nada bem?
N�o lhe ligues, � l� verdade, o Jay at� joga muito bem...
H�s-de voltar � tona.
Por acaso, at� j� voltei... - N�o estou ralado.
J� te falei da mulher que vejo uma vez por semana �s quartas,
e que fodo? Suponho que seja melhor que nada...
Ela adora, e � c� uma cama...
Deves ser daqueles a quem o sexo n�o diz muito
mas para mim conta a valer.
A que dia dizes que se v�em? - As quartas.
Quarta-feira � um �ptimo dia para mim...
Farto-me de trabalhar, �s quartas.
Mas aos s�bados � que a coisa marcha bem de verdade.
Que te faz pensar que n�o me interessa uma boa foda?
L� por n�o falar nisso?
A gaja tem marido, dizes? - Eu n�o disse...
Olha, nem sequer sei. At� que � uma boa pergunta.
Vamos a outra partida?
Hoje n�o h� espect�culo, s� c� estamos os dois...
N�o h� espect�culo?
N�o, desculpa, por acaso s� passei por c�...
A tua mulher hoje entra noutra pe�a?
N�o, n�o, nada disso...
Hoje � o dia em que d� a merda do curso de arte dram�tica,
l� na parv�nia.
Hoje n�o querias que te ajudasse com qualquer coisa?
Sim, lembrei-me se n�o vinhas comigo � companhia de seguros.
Mas podemos ficar em casa...
Aonde vais?
Tenho de ir, tamb�m tenho que fazer.
S�o s� duas...
N�o vou ficar aqui sentado todo o dia feito parvo.
E n�o s�o duas, s�o dez para.
E se ficares e ouvires tocar, n�o v�s � porta.
N�o h�-de tocar, mas n�o vais � porta.
Mas o que tens de fazer... N�o pod�amos fazer juntos?
las-te embora...
N�o foste l� a casa Quarta? Porque eu n�o estava...
Que bom, tamb�m n�o pude.
N�o t�nhamos combinado?
N�o, nada...
Bom, vamos?
N�o assim...
O preservativo.
Gideon!
J� c� estou, vamos.
Vamos, j� c� estou.
Qual � a ideia? - Quero p�r a� as m�os.
lsto n�o � tocar, n�o deixa que lhe toque onde quero.
N�o � tocar, � tatear.
Como faco uma cena de amor se ela n�o quer?
N�o pudemos vir mais cedo, entregavam hoje o sof�-cama.
E estiveram a experiment�-lo? - Concentrem-se na cena, v�.
Ol� a todos.
Gideon, ol�, como vai isso? Melhor da constipa��o?
N�o te v�s embora. Posso dar-te um beijo?
A minha Bettynha...
Bettynha, porqu�? E n�o me chamo Betty.
Ah, a minha Bettynha... Olha-me nos olhos.
Vejo pontos dourados nos teus.
V�, d�-me um beijo. - D�-me tu um.
N�o sei por que me ralo...
N�o faco mesmo ideia.
A Betty parece uma t�bua de engomar,
nunca tocou ningu�m na vida. E o Dave, arrogante como sempre.
Voc�s est�o rid�culos, n�o acredito em nada que dizem.
lsso � l� uma cena de paix�o.
Eles conhecem-se h� s�culos,
calculei que j� tenha havido ��contacto��...
N�o, � a primeira vez que ele lhe toca, est� desajeitado...
Escolheste um mau dia. - N�o, eles s�o bons!
Talvez n�o seja bom nisto,
mas estou t�o dentro do papel que sinto como se estivesse s�.
Como daquelas vezes que se est� t�o concentrado
que nem se d� pela outra pessoa.
Percebe o que quero dizer? - V�, continua.
Preciso de falar contigo, Betty, mas n�o aqui, a s�s.
Tu vens comigo? - Tamb�m quero falar contigo.
Quero beijar-te, dar-te beijos t�o longos...
T�o ternos...
Onde?
Na tua boca, no teu corpo.
N�o, aonde me queres levar?
A minha casa.
Vem a minha casa.
Quando?
Pronto... Fiquemos por aqui, quando n�o d� n�o d�.
Par seguinte.
Mas a semana passada, quando improvis�mos a cena,
disse que ela estava boa.
Eu j� estava pronto para a comer, gosto desta mulher!
O que eu sei... - N�o, n�o sabe, n�o sabe nada!
O que sei � que o que devias estar a fazer
devia levar a Betty a pegar nas coisas dela,
arranjar uma desculpa e atravessar meia-Londres para te ir ver!
E n�o era o que eu fazia? - Quem disse que era t�o longe?
Ningu�m disse mas �!
Tem de ser.
Estou t�o contente, nem calculas. J� pensava em desistir,
pensava mesmo a s�rio, estava farta do teatro,
n�o se ganha um �nico chavo,
mas ao ver aqueles dois, t�o normais...
Foram brilhantes, n�o achaste? Foi fant�stico, renovou em mim...
Esqueci uma coisa, tenho de voltar. Vai tu andando.
Sente-se bem?
N�o � isso, � que...
Acabo de perder uma pessoa.
Algu�m chegado?
Foi repentino? Sinto muito.
O meu dedo mindinho dobra-se para o lado, dobram-se os dois.
Como se cada m�o tivesse ideias muito pr�prias.
Mas olhe, se me perguntasse
eu dizia que foi horrorosa comigo e com o Dave, h� bocado.
Mas n�o fique com pena,
algu�m atormentar-me assim � a �ltima gota.
Mas sabe, Claire,
o que mais admiro em si
� de em tr�s tempos conseguir alienar o grupo inteiro.
E orgulho-me de si quando o faz, n�o � f�cil ser-se odiosa.
N�o fale comigo, Betty.
Nunca ningu�m percebe o que quer dizer.
S� que est� na profiss�o certa.
E eu que o diga, j� fiz outros cursos de teatro, e este...
N�o podemos continuar as duas assim,
eu n�o percebendo uma palavra do que quer dizer...
Desculpe, n�o a ma�o mais.
N�o est� a aprender nada, Betty.
E tamb�m eu n�o.
Mas n�o somos do g�nero de desistirmos � primeira?
Eu sei ser horrorosa, mas voc�s voltam.
Sou m� actriz mas n�o paro de encontrar gente que me acha
��perfeita para o papel��, recusando-mo � mesma.
Quando n�o se � dotado, � o que nos resta;
insistimos sempre, n�o desiludimos ningu�m,
temos as nossas tercas e quartas,
metemo-nos nisto e naquilo...
N�o � meter-se, o que faz connosco. - E sim, mas comigo.
V�, Victor... - Que porra fazem voc�s a�?
Ca�ram os dois do c�u, foi? Estavam muito chateados?
N�o viemos � tua procura, s� pelo ambiente...
Pregas-me cada vergonha...
Parecia porreiro ao telefone, quando ligaram.
Uma coisa digo, cada dia escolhes melhores s�tios onde morreres.
S�o tr�s da manh�, vivo a minha vida...Vai-te foder, Jay!
Levem-no, por amor de Deus, ele quis bater-me.
Anda, ainda morres enregelado.
Eu c� n�o, nunca adoe�o. J� nem a cerveja me embebeda.
��Vai para casa - disse o parvo - est�o l� � tua espera��.
Que � que lhe fiz?
Por que me fala assim?
N�o v�s que se est�o todos nas tintas?!
Para as tuas calcas desca�das e o teu cu de fora?
Olhas-me para ti, porra?
Quando o Jay se farta de ti nem sequer to diz;
continua a sorrir, j� pensando noutra coisa enquanto se afasta.
Podes explorar pessoas e ser ingrato,
mas ao menos assumes isso...
Gostava era de saber o que dizem um ao outro.
Que � que sabes da vida? J� viveste com algu�m?
A minha vida est� bem, n�o chateies.
Merde, a minha camisa.
O Jay anda muito secretivo...
Nem sequer diz quem anda a foder.
Passas a vida a carpir-te, mas ele est� pior do que tu.
Porque fazes montes de coisas, consegues libertar o organismo.
Mas o Jay fica doente. Talvez ele n�o saiba gostar.
Talvez nunca tenha gostado, n�o acontece a todos.
Por que dizes isso? Sacana de merda...
V�o-se foder os dois.
Sabes, acho que tenho Alzheimer.
Palavra, acho que tenho... Olha, toca aqui.
Que � isto?
Olha, a da esquerda est� a engatar-te.
Tem de ser melhor que comeres a senhoria.
Conheci o cantor na faculdade e �ramos amigos.
Era um gajo mesmo baril e muito atinado.
E a banda dele tamb�m era boa, nunca havia de ir muito longe
mas havia ali qualquer coisa, a base estava l�.
S� tinham de livrar-se do parvo do guitarrista,
ele estava sempre a...
E tinha c� um destes egos.
Mas puseram-no com dono e ele tornou-se baterista.
Tem piada, conhec�-los. - Ent�o, tu vives aqui?
Vivia a tr�s ruas daqui com uma amiga, mas zang�mo-nos.
E � muito chato, porque n�s �ramos amigas at� � morte.
A Natasha, viste-a h� bocado. Gosto dela mas j� n�o � o mesmo.
N�o achas que � preciso tempo at� se conhecer mesmo algu�m?
Talvez venhamos a ser bons amigos, mas n�o sei...
E gosto mesmo desta casa,
� a minha casa, decorei-a eu, arranjei-a eu toda
e quando as pessoas a v�em ficam a saber algo de mim,
v�em as paredes, o que l� pus, v�em as minhas coisas
e v�em um pouco de mim, mas...
Anda c�.
Anda, fica e dan�a comigo.
N�o, p�ra...
Sinto muito.
Mesmo muito.
Faz favor!
Est� trancada...
Que h� dentro do frango, h�?
V�, come mais do frango.
N�o gostas da pele? - N�o, obrigado.
N�o queres comer nada?
Faz muito tempo que n�o os via, h�?
Toma, trouxe-tas...
Hoje n�o � Quarta?
Ela � bonita?
Quem �?
Ningu�m que conhe�as.
Que � que vais fazer? - Tomar conta de mim, eis o qu�!
Algu�m tem de tomar.
Bom, adeus, meninos.
Cheguei primeiro.
Tudo bem contigo?
E contigo? - Tamb�m.
lsso vai, Jay? Se daqui a bocado te apetecer uma partida...
Espero que gostem da 2a. parte, � bem mais c�mica que a primeira.
E mais curta, v�o poder tomar um copo depois.
Ol�, Jay! Gosto de te ver, est�s a ficar cliente ass�duo?
Vais gostar da segunda parte, � boa.
Devia acabar o cigarro l� fora...
N�o aguentas a segunda parte, n�o �?
Divirtam-se.
J� parou de chover... De onde vem a m�sica?
Do Paradise HaII, em frente. - Damos um pezinho de dan�a?
Ou j� tem o carnetcheio? Deixe c� ver.
J� est�o todas reservadas, terei de apagar aIgumas...
Uma vaIsa! - N�o sei dancar...
Esse compIexo de inferioridade... - Vou pis�-Io!
V�, estique os bra�os um boca- dinho e deixe o resto comigo.
J� danca muito meIhor. - Danco?
Muito meIhor!
Choc�mos contra qu�? - A mesa.
N�o partimos o unic�rnio de cristaI, espero?
Partimo-Io mesmo? - Agora � como os outros cavaIos.
TaIvez seja dos maIes que v�m por bem.
Nunca me perdoar�, aposto que era o seu preferido.
Com licenca...
Anda, vais poder ajudar.
E quero apresentar-te a minha mulher.
Jay, olha... A Claire, minha mulher.
A grande actriz, como sabes.
Ele � doido por teatro.
Apesar de pouco ter visto... - Pouco ter visto?
Vai-se sempre no intervalo. - Sempre?
N�o tem cara de agente...
E veio aqui espreitar se est�vamos todos bem?
Que pena, todas as minhas melhores cenas s�o na 2a. parte.
O Jay � um fan�tico do Tennessee Williams.
J� eu n�o posso dizer o mesmo;
as mulheres nas pe�as dele s�o todas t�o hist�ricas...
O Jay � aquele de que te falei,
o que deixou a mulher, que agora odeia.
Sei que te devo ter contado.
E agora v� uma mulher, v�-a uma vez por semana.
E n�o a v� s�, se � que percebi bem...
Bom, vou andando.
Boa noite a todos. - Boa noite, Claire.
Ah pois, os sapatos...
Santinha.
Bom, eu n�o demoro, volto j�.
Ainda n�o estou pronta.
Tenho de ir andando, at� mais logo.
Prazer em conhec�-lo. Fica para um copo?
Queres que feche?
O facto de nunca dizeres nada, fez-me pensar.
Uma tipa que cala tanta coisa...
Pois, tudo o que te escondi � de meter medo?
Olha, sabes que mais? Sabes? Muito tranquilizador, realmente.
Juramento de fidelidade, de apoio, de confian�a...
Por que ias abdicar de tudo? Terias sido a primeira.
Mas n�o � por isso que c� estou, n�o � por isso que aqui estou.
A dado passo - s� para tornar claro aonde quero chegar -
a dado passo pensei que o que faz�amos era s� o que querias,
era por saberes mais do que eu.
Achei que tinhas descoberto qualquer coisa,
que me tinhas ultrapassado
mas que havias por acabar dizendo-me o que sabias.
Era isso o importante,
que a dado passo do futuro havias de me dizer o que sabias.
Mas claro, vais continuar de bico calado?
Que fazes tu com ele, porra? - E meu marido.
N�o querias falar? Pronto, estamos a falar.
Oferece a casa.
Portanto �s o desgra�ado do tipo que conseguiu ��voltar � tona��.
N�o � assim? Que queres que diga?
At� que � bom... Ver-te assim pela �ltima vez,
ou ainda podia acabar ralando-me contigo, est�pida que sou.
L� dentro, por instantes, pareceste mesmo triste...
Mas pensa em tudo o que � teu, para o que voltas,
a tua fam�lia, o teu puto, o marido que te adora,
o teu emprego, o teatro que te apaixona...
Todos te d�o aten��o, n�o �? Toda a gente.
At� eu, que n�o te conhe�o e que n�o conheces,
aqui estou eu, ouvindo-te, interessado em ti.
Num teatreco mixuruca de merda tresandando a mijo.
Mas � o que te d� gozo?
N�o te imaginei assim...
N�o me imaginaste assim? Mas que chata me sa�ste!
Naquele primeiro dia deves ter ficado admirad�ssimo com tudo?
Que eu te quisesse, que n�o armasse uma grande hist�ria,
que n�o parecesse magoar-me n�o dizeres nada...
N�o me ralou tu n�o dizeres nada.
N�o me imaginavas assim? N�o me imaginavas assim?!
Pois eu n�o te imaginava de maneira nenhuma.
Para mim � mais simples, ficou tudo explicado � primeira.
E gosto quando � assim, quando n�o se perde tempo.
Eu volto j�.
A mam� n�o foi bem hoje?
Foi. Mas ela vai sempre bem?
N�o, o pap� diz que ela � ��desigual��.
Mas pode l� saber,
s� viu as primeiras noites e n�o pode comparar.
Gosto de ver uma pe�a muitas vezes
porque nem sempre percebo tudo � primeira.
Tens namorada? Alguma mi�da de quem gostes na escola?
Como correm as coisas entre os dois?
Anda, vamo-nos embora.
Diz adeus ao senhor.
Vai c� estar, na Quinta?
Quando se est� de luto,
quanto a mim deve-se levar a vida o mais normal poss�vel.
Mas isso n�o podes dizer a quem organiza as aulas nocturnas?
Afinal de contas, morreu algu�m!
Sabes, Betty, ningu�m morreu...
Realmente morreu.
Bom, se ningu�m morreu, ent�o trata-se de ti.
Mas se sentes que vais morrer, quero estar contigo.
Ali�s, sinto-me lisonjeada por estar aqui,
quando eu morri n�o tive ningu�m perto,
tive de passar por aquilo tudo sozinha.
E aguentei, mas companhia n�o faz mal a ningu�m.
Devia ir para casa...
Portanto, em princ�pio, se est�s a s�rio,
h� um programa para o dia em que se morre.
Primeiro, rir com imbecis: fizemos isso a noite passada.
Depois h� o dizer uma coisa a algu�m,
uma que queiras dizer mesmo, boa ou m�.
Uma coisa que nunca disseste.
Porque no dia da tua morte tens total liberdade de palavra.
Em princ�pio...
Conheci um homem, nada parecido comigo;
n�o sei como usar as energias mas ele sim, sabe bem o que quer.
E um dia descobriu como virar as coisas contra mim.
E de um s� golpe tirou-me tudo o que me tinha dado.
Mas era o que queria, acho. Estragar tudo.
E resultou. Entre n�s os dois, se resultou.
Como foi, o dia em que morreste?
lsso j� passou...
J� me recompus.
J� n�o h� nada a dizer.
Gracas a Deus...
A Claire quer parar de dar aulas.
Fiquei trist�ssima. - Anda cansada, � s� por isso.
D� demasiado dela pr�pria, digo sempre isso.
E os cursos que costuma dar s�o sempre nuns s�tios
em que passa mais tempo nos comboios do que a dar a aula.
N�o fiz muito sentido mas sei que percebeu...
Mas n�o h� nada a fazer, a Claire � assim mesmo!
come�ar a representar.
Naquela idade, j� n�o era nenhuma mi�da,
e nunca tinha feito nada.
Mas pronto, foi em frente sem pensar duas vezes.
E quando nos conhecemos...
- n�o, obrigado - eu sa�a duma rela��o que tinha acabado mal,
n�o sentia pressa nenhuma de recome�ar logo outra.
Eu n�o tinha planos...
Mas ela viu-me. Decidiste-te por mim
e pum, atiraste-te de cabe�a ao bom do Andy, n�o foi?
Pessoas que s�o muito fortes
fazem coisas perfeitamente incompreens�veis.
N�o �? - Pois...
Vou trabalhar.
Ainda bem que vieste. - Mas vou andando...
N�s levamos-te.
Obrigada, at� Ter�a.
J� gosto muito dela...
N�o tenciono sair de casa nem nada.
Pronto.
A Claire diz ao Andy que n�o o vai deixar.
N�o estava preocupado.
Encontraste tu o Jay ou foi ele procurar-te?
Estou-me nas tintas! Sabes o que � o mais triste?
O que me magoa mais, sabes o que �?
Que nunca ser�s actriz, nunca!
N�o me � f�cil dizer isto, n�o me d� gozo,
mas pronto, � a verdade e tu tens de viver com ela!
Pergunto a mim pr�prio que � que dar�s aos teus alunos.
L� gostarem de ti...
Para eles � qualquer coisa, sempre � melhor que nada.
Repara, tamb�m tenho parte da culpa nisto tudo,
porque nunca acreditei, nunca, desde o princ�pio,
nem um s� minuto!
Mas tive de me atirar de cabe�a, como o idiota que sou.
Encorajando as tuas fantasias,
da mi�da que n�o sabe o que quer e que acaba fazendo tudo.
E eu, feito parvo, a guiar um t�xi dia-sim, dia-sim!
Quanto �quele estupor, que se acha t�o esperto,
um dia destes... - Est�s a ser chamado.
Olha, sabes? Nem sequer estou admirada.
Lembras-te da tua express�o ao conhecermo-nos?
Leio o mesmo tormento nela, mas � como gostas?
que conhe�o!
O caso com o Jay foi afinal de contas uma sorte para ti?
Um adulteriozinho pat�tico;
claro que tens de ser contra, quem n�o seria?
N�o tenha medo, a ele n�o interessa porra nenhuma
mas conhece Londres como a palma da m�o.
Nem sequer sabes quem sou!
Nem sequer sabes como me magoar.
Se me conhecesses sabias que o que chamas de falta de jeito
magoa-me um bocado, claro, mas n�o me h�-de matar.
N�o costumas estar t�o fulo logo no princ�pio da semana...
Joel! O mesmo, por favor.
Se trabalhasses como deve ser nem tempo tinhas para reparar.
Que bar mais simp�tico...
D�s-me uma cerveja?
Quer dizer, � como ir �s putas?
V�s uma gaja uma vez por semana, n�o dizem nada...
S� que ela arranjou maneira de te dizer que era casada?
que te entusiasmasses.
Aposto que j� fez o mesmo antes, nem pensar que �s o primeiro.
Aquilo acabou, j� n�o a vejo.
la sugerir que a partilh�ssemos,
mas se percebi bem n�o resta nada a partilhar?
Um dia por semana n�o chega para arrasar com um casamento?
Estou a brincar, estava s� a brincar...
Amo-a mais e mais a cada dia que passa.
S� queria que soubesses isso.
lan, v�s os sacos pretos? - J� tos trago para baixo.
Pronto, agora vou andando.
Est� bem... Obrigado, Victor.
Bom, vou indo... Vou l� abaixo buscar o casaco.
Achei que tinhas dito qualquer coisa e eu n�o ouvi,
e que fosse disso que me culpasses.
N�o sei nada a teu respeito e vou culpar-te de seja o que for?
Passou-me alguma coisa ao lado? O qu�?
Pergunta-me o que quiseres, tens-me aqui.
Est� bem, eu pergunto. Por que contaste ao Andy?
J� que n�o era importante. N�o valeu a pena, h�?
Tanta trapalhada por nada?
Mas que sei eu, talvez seja j� costume, entre os dois.
Dizes-lhe a cada vez, e depois...
Porra, tu n�o eras algu�m a quem se diga que apare�a,
aparece, fode e vai-se embora, como se de nada fosse.
Que ia eu pensar?
Como querias que eu fosse? la parecer-me com quem,
para manter toda a gente contente,
vir a casa de um homem e enfiar- -me nos bra�os dele, por querer.
H� muito tempo que n�o desejava algu�m.
E foi contigo que quis recome�ar.
N�o devia dizer tal coisa, n�o era?
Sei que me deste qualquer coisa que nunca pedi,
que ningu�m faz isso, nunca, e que te devia estar grato.
S� que pelo contr�rio, condeno-te por isso mesmo.
Seres t�o ligada a algu�m...
D� cabo de mim.
Estares aqui, ao meu alcance, d� cabo de mim.
Portanto, sou divorciado, tenho dois filhos
que j� se v�o habituando a n�o me ter em casa,
sou amigo de uns tantos, ali�s, o melhor amigo deles...
J� � alguma coisa.
E sou tamb�m o ��homem da Quarta��
de uma mulher a quem nunca pedi nada,
que se contenta com isso, para quem isso n�o � problema.
E isso p�e-me doente.
Tudo isso.
N�o sei o que vim aqui fazer. Desculpa...
N�o perdeste nada, Claire.
N�o perdeste nada
porque eu n�o disse nada.
N�o calculei que seria assim,
que havia de ficar t�o ligado a ti.
Pensei que acabava por passar.
Fica comigo...
J� que voltaste, fica.
Volta.
Fica...
Agora.
Fica agora.
N�o, Jay.
Deixaste-o?
Desculpem, tenho de ir andando.
Vais deitar isto fora?
Desculpem, volto depois para acabar isto.
Vou-me embora.
Traduc�o de Correia Ribeiro
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