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Eu vou entregar meu papo.
Vem, você vai comigo pra polícia.
Vem!
Eu não vou.
Eu não sou ninguém nessa cidade, Antônia.
É teu pai que manda aqui.
Ele pode mandar no mundo, mas não passa.
Do bem e do mal.
Isso não é uma pessoa.
Os caras que mataram o Leandro estão vindo aí pra me matar agora.
Eu só vim aqui pra dizer que o Leandro te amava.
Ele não ia fugir sem você, não.
Amava eu, minha mãe, Celeste.
Quantas mais?
Olha, tu me escuta.
Eu tinha o Leandro como um irmão.
Eu tenho ainda ele como um irmão.
A única pessoa que ele amava de verdade.
Amou de verdade mesmo. Ele está sentindo por você.
Só por você.
Não é mentira, não. Tu sabe que é verdade.
Tu sabe o que tu sente aqui, eu.
Eu vou -me embora.
Ele tá indo embora. Bora pegar ele.
Tu tá
doido? Para, João!
Guarda essa arma, bigode.
Guarda!
Tu tá fazendo merda atrás de merda.
Eu nunca ia te machucar, nunca.
Eu nunca ia te machucar.
Cleonice!
Cleonice!
Pois não, doutor?
Meu Deus do céu, minha nossa senhora, o que foi isso, doutor? Quem foi que
esteve aqui em casa?
Eu não vi ninguém. Quem esteve aqui atrás de mim? Eu não vi ninguém. Quem
no escritório?
Não tinha ninguém aqui. Cleonice, alguém entrou no meu escritório. Quem foi?
Fui eu que entrei.
Com licença.
que você matou a Leandro.
Quem é a Leandro?
Que brincadeira é essa?
Oh, meu amor.
O médico me disse que isso podia acontecer.
Você tá... É delírio. Não é delírio. É sim. Primeiro você teve sua crise
nervosa. Teve tonteira. Não conseguiu se levantar. Tá aí na cadeira de roda.
Depois você perdeu seu pai. Você limpa a sua boca pra falar...
Seu pai tava muito preocupado com você. Meu pai tava preocupado porque meu pai
era um homem bom. Ele tava sofrendo, sabendo que a filha dele tá
Isso nunca aconteceu!
Pra me pedir ajuda pra cuidar de você.
Não, você não vai fazer isso comigo. Agora você imagina o doutor Antônio,
homem sofrendo e chorando por sua causa.
Isso é mentira! E eu ainda acho que foi por isso que o coração dele não
aguentou.
E ainda arrisco dizer...
O doutor Antônio morreu por sua causa.
Isso é mentira.
Isso é mentira.
Mas eu falei que eu ia cuidar de você.
Eu prometi pra ele.
Eu vou pegar o seu remédio que tá no quarto.
Foi nesse armário que eu encontrei a carteira e o celular de Leandro. Eu não
do que você tá falando, Isabel.
Realmente eu não tô entendendo essa conversa de Leandro.
era o homem que eu amava.
Não existe, Leandro.
Nunca existiu.
Eu vou denunciar você pra polícia. Ah, é?
Denuncie.
Quem é que vai acreditar em você?
Quem é que vai acreditar numa louca?
Essa arma que você matou, meu amor, foi... Isabel, calma.
Calma.
Calma, Isabel.
Doutor Jaime, Doutor Isabel, o que está acontecendo?
Isabel.
Cláudice. Isabel, calma.
Cláudice, me ajuda, ele está querendo me matar. Cláudice, a sua patroa não está
bem, está precisando de ajuda.
Você cala a sua boca.
Cala a sua boca.
Calma.
Vou chamar o médico.
Não deixa ela sair daqui.
Não deixa ela sair desse escritório, Cláudice.
Calma que ele está...
Dá licença, Dr. Jaime. O que é, Cleonice?
Eles chegaram.
Pode mandar entrar.
Sim, senhor.
Dá licença.
Adeus, Isabel.
A briga de amor que eu não causei.
Nada do que posso me alucinar.
Hoje a sociedade do sertão chora a morte de Antônio Braga. Tanto quanto o que
não sei.
Nada do que quero me sofrer.
Não saber, ainda não quis.
Só uma palavra me devora.
Aquela que o meu coração não diz.
Só o que me cega, o que me faz infeliz.
Eu aqui e eu ali.
Nunca consegui entender direito essa danada dessa televisão.
É uma mágica, né?
Seus peritos descobriram alguma coisa?
Esse populacho Ribeirinho fala mais do que o necessário.
A minha equipe. Só investiga o que eu quero que seja investigado.
Não se preocupe, doutor. O senhor sabe que quando eu quero, eu posso ser um
homem muito discreto.
Qualidade inestimável.
É por isso que a gente se entende tão bem, né?
Esse caso logo, logo vai estar encerrado.
Muito bem.
Muito bem, muito obrigado.
Obrigado por você ter vindo aqui na minha casa. Foi um prazer, doutor.
foi meu.
Boa noite, doutor.
Boa noite. Seja feliz.
Muito obrigado.
Atiraste na frente de Antônia.
Que cagada que tu fez.
Tu? Dizer que esse Fortunato já tava morto?
Uma cagada.
Foi tua, doutor.
E tu queria que eu fizesse o quê?
Que contasse que o Magrela tá debaixo do teu bigode quando tu deixou ele fugir?
É? Quer que eu conte também que hoje tu quase atira na filha dele, quer?
Imbecil. Agora nós estamos lascados.
O Caba, o Caba tá vivo.
E essa desgraçada vai ferrar a gente.
Tu não vai atender, não?
Opa, padrinho.
João, eu quero a notícia da minha filha. Não consigo falar com ela.
Desculpa, não tenho ligado antes.
Antônia saiu naquela hora, passou na casa de algumas amigas e... E agora tá
na casa da Ana Clara. Eu tô com saudade da minha filha, João.
Eu acredito que ela retorne ainda hoje, padrinho.
No mais tardar, o senhor vai estar com ela amanhã.
Eu já perdi muita coisa.
O senhor teve um dia ruim, Padre.
Acho que o melhor agora é descansar.
Não se preocupe, não.
As coisas vão voltar para o lugar.
Nem que eu tenha que me virar em dez.
Para mim, já deu.
Se essa piranha passar na minha frente de novo, eu faço ela de todo jeito que
posso.
A Antônia não era só a minha mulher não, bigode.
A Antônia é meu caminho.
O atalho pra minha cadeira.
A cadeira que eu tenho todo direito.
É simples.
A Antônia é a minha cadeira.
Com licença, Dr. Jaime.
É a Antônia.
Alô, minha filha.
Antônia, aonde você está? Eu estou preocupado.
A gente precisa se encontrar.
Você pode vir me encontrar?
Que voz é essa? Por que você não vem para casa, minha filha?
Eu preciso te ver.
Meu filho, o que você está fazendo aí?
Eu sei onde é.
Eu estou saindo de casa agora.
O que é isso?
É o resultado do exame de DNA.
Você não está curioso?
Você está?
Roberto, nós estamos juntos há muitos anos.
Você me conheceu, eu era uma menina.
Você é uma parte da minha vida ao seu lado.
Sempre fomos cúmplices.
Companheiros um do outro.
Eu acho que ainda posso te pedir uma coisa, não posso?
Deixa que esse exame decida o nosso destino.
Porque se Tiaguinho não for nosso filho...
Eu vou embora hoje mesmo daqui com a roupa do corpo, não vou exigir nada e
mais você vai ver a gente.
Você está disposta a correr esse risco?
Agora que ele foi o nosso filho, vamos esquecer tudo.
Vamos tentar de novo.
Porque eu sei que você me ama.
Eu sempre te amei.
Sempre.
Esqueci as mágoas e... Tô com a canota viva.
Eu não vou mais pedir desculpa.
Porque eu já assumi meu erro.
Tu vai viajar mesmo, é?
E tu vai pra onde, hein?
Vamos aqui, tia.
Não posso mais ficar aqui, não.
Eu vou embora do sertão.
É, essa cidade aqui tá muito triste mesmo.
Só gente velha que fica aqui.
Tu me chamou pra quê? Pra me dar notícia do meu filho?
Olha que eu vou lhe dizer uma coisa.
Eu procurei Leandro por tudo quanto é canto.
Eu tenho conhecido lá na polícia, eu liguei para todos os amigos dele lá de
Paulo. Ninguém sabe nada, ninguém sabe nada, nada.
Eu estou com sofrimento aqui dentro do meu peito que você não tem ideia.
Tem uma amiga minha lá de São Paulo, amiga mesmo, sabe?
Ela é vidente e ela falou uma coisa para mim que eu nunca mais esqueci, que ela
disse assim, teu filho Leandro, ele é um moço bonito,
alegre, sedutor, vistoso.
Ele vai ter todas as mulheres que ele quiser no mundo e não vai acontecer nada
pra ele se... Presta atenção.
Se o quê? Se ele não se apaixonar por ninguém.
Ele tava gostando de alguém, tava?
Eu não sei, tia.
Talvez.
Se você for pra São Paulo, se você encontrar com ele, você diz pra ele que
hora que ele quiser, eu vou estar aqui esperando por ele pra trabalhar com ele.
Eu não vou mais me encontrar com ele. Tá, mas se você encontrar com ele,
em qualquer esquina aí da vida, você diga pra ele que a minha
felicidade só vai estar completa mesmo.
Na hora que ele aparecer, pai, eu dar um abraço bem forte nele.
Pra eu dizer que eu amo ele.
Eu vim só me despedir, tia. Oh, meu amigo.
Pedir sua bênção.
Tu vai com Deus.
Tu vai com Deus. Que Deus te proteja, meu amigo.
Tu vai com Deus.
Benutinho.
Eu vou -me embora, tia.
Vai com Deus.
Tônia! Tônia, minha princesa, eu tava com saudade de você.
Porque a minha mãe foi mais uma vítima.
Eu não entendi, Antônia, do que você está falando. Você mandou internar minha
mãe.
A Eunice me contou.
Foi por vingança.
Desferimento de vinganças.
Antônia, a sua mãe não está bem.
Ela precisa de um tratamento. Já já ela vai estar em casa com a gente. Ela
precisa de amor.
carinho, atenção, como eu.
Mas, Deus, você não entende, né?
Não entende?
Fala, meu pai.
Antônio, eu amo a sua mãe.
Eu te amo, Antônio.
Tudo que eu fiz na minha vida foi pra ver vocês duas felizes. Tudo que eu
conquistei foi pra dar conforto pra vocês duas.
O que é isso?
Estou
grávida.
E você matou o pai do meu filho.
E aquele rato do João que te ajudou.
Eu estou grávida do Leandro.
Do homem que você mandou assassinar.
Sem culpa.
Do homem que eu amo.
Que eu amo.
Mas isso não interessa.
Eu me desgraço.
Todos os dias da minha vida.
Por ser sua filha.
Agora o macaquinho vai descer da árvore. Pula, Tiaguinho, pula!
Não é o pai.
Não, meu filho.
Agora não dói mais.
Ah, macaquinho, macaquinho da árvore, macaquinho da árvore, macaquinho da
árvore.
Ô, Celeste.
Vem com a mãinha, vem. Vem, meu filho.
Listo chegou o gato e sentou -se no cobre de Dona Penta. Depois apareceu o
visconde que entrou pra dentro da lata.
Já imaginou o visconde dentro da lata?
Não. Antônia.
Silvio.
Pai.
Pai. Pai.
Pai.
Não.
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