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Zulu
Está tudo aqui.
Agora, por favor, eu gostaria que a senhora conferisse.
Oh, doutor, mas quem sou eu para duvidar da integridade do senhor?
Mas como o seguro só morreu de velho porque sabia contar?
Eu vou contar.
O que foi que já é?
Foi fazer?
O senhor não entendeu? Ele está mandando matar um homem, esse Leandro Dantas.
O senhor conhece?
Assassinato? É, como diz o grande escritor russo Dostoyevsky,
por baixo de uma grande fortuna sempre tem um grande crime.
Calma, doutor.
Tudo bem, doutor?
Tudo bem?
Tudo bem.
O que é que o senhor pretende fazer?
Eu que lhe pergunto, doutor.
Com todo o respeito que tem pela sua história, pela sua família, eu que lhe
pergunto. Devo ou não devo investigar essa denúncia?
Não sei o que dizer.
Minha história foi feita com suor.
Não com sangue.
Uns 500 mil.
Meio milhão, que dinheiro. Agora, por favor, a Sarab devolve os e -mails.
Claro que eu sou uma mulher de palavra, né?
Olha só.
Quem é que podia dizer que uma coisinha nanica feita essa aqui ia valer esse
dinheirão todo?
Todos os e -mails estão aqui.
Cada palavra.
E mais um monte de ponta e de exclamação, o senhor pode conferir. Não
necessário. Eu sei que a senhora não faria nenhuma turista.
O senhor não vai destruir isso agora, não?
Não.
Pois eu devo lhe dizer, doutor Cavalcante, que... que eu tenho uma
porcaria aí, que é pra garantir a minha integridade física. Fora sua... sua
vigarista!
Eu espero não ver mais a senhora na minha frente. Eu espero encontrar meu
que sumiu por causa da tua mulher.
Padrinho, eu vou dar uma saída agora para resolver um negócio, mas eu volto
rapidinho.
Fica com o carro e tira o dia de folga.
Quem é esse menino?
Ah, doutor Jaime, é o filho de um funcionário aí da vinícola. Ele deve
sozinho ali porque não tem com quem brincar. Quer que eu mande ele embora?
Não.
Deixa.
Tá precisando de alguma coisa? Cadê dona Isabel?
Ela e Antônio ainda estão lá na casa do doutor Antônio.
O senhor fez boa viagem?
Ótimo.
E então?
Descobriu o endereço daquele magrelo?
Elegei.
Mas consegui?
Boa.
Borracheiro.
Esse cara realmente é um nada.
Bora simbora que eu tô doidinho pra fazer uma visita pro desfortunado.
Você conseguiu o pendrive?
Está tudo aqui, Celeste.
Sabia que você ia conseguir.
Vamos esquecer tudo.
Vamos voltar para a nossa vida.
A nossa vida que eu te amo.
Amor.
Sempre me amou, Celeste.
Então você tem uma maneira bem particular de demonstrar seu amor.
Eu errei.
Eu sei que eu errei.
Eu deixei de te amar nunca.
Foi tudo uma brincadeira, uma ilusão. Brincadeira, Celeste.
Brincadeira.
Ilusão. Brincadeirinha.
Fugaz, ligeira.
Ampaça, como dizem os franceses. É isso?
E por que você não me convidou para participar da brincadeira?
Mas agora eu quero me divertir.
Eu vou me divertir.
Eu estou me convidado para a brincadeira. Tenho esse direito, não
Claro que tenho.
Nós vamos nos divertir, Celeste.
Como você nunca se divertiu em toda a sua vida.
Nós vamos começar a brincar.
Antônia, eu ainda não acredito como o Leandro conseguiu enganar vocês três.
Tô com ódio.
Tô com ódio.
Me acabou de ficar tão idiota.
Tu não desconfiou em nenhum momento.
É, não.
E agora, como vai ser, hein?
Como vai ser pra encarar tua mãe?
Não sei.
Não sei se ela ia aguentar, não.
E tu agora tem um bebê, né?
Para de fumar?
Parei, parei.
O cabra fugiu mais uma vez. Mais uma vez o cabra fugiu.
Dê seu jeito.
Mas encontra quem magrela.
E Antônio?
Tu vai contar pra ela o que aconteceu com ele? Não, não.
Já sofri muito com essa história.
Eu não posso correr o risco de perder Antônio.
Bonito isso aí que tu falou agora.
O quê?
Que não pode correr o risco de perder.
Nem parece Leandro falando.
É porque esse é o jogo.
Ou você seduz ou é seduzido.
Aí tu perdeu.
Ou ganhei.
Não sei.
Quem é?
Fortunato. Amigo do Leandro.
Por que você não atendeu?
Ele pode ter notícia de Leandro. Ia fazer alguma diferença.
De repente ele sabe onde o Leandro está, né?
Depois eu falo com ele.
Tô com cabeça agora nem pra falar, nem pra decidir nada.
Pelas suas mãos eu me sinto mulher.
Não tô ouvindo, Celeste. Não tô ouvindo, tá baixo.
Pelas suas mãos eu me sinto mulher.
Leandro, meu amor, deitar ao seu
lado e sentir o calor do seu corpo. Mais devagar, mais devagar. Pensa nele.
Pensa nele.
Fale devagar.
Pensa nisso.
Só vai surrando. Isso.
É sua mãe.
Sua mulher.
Por favor.
Leia, leia, Celeste, leia. Por favor.
Está começando a ficar divertido.
Está muito inibida. Pensa nele.
Você não ficava com ele assim na cama. Ficava assim.
Leia.
Leia.
Meu homem.
Meu macho.
Chega.
Chega.
Não vou acabar com o que eu fiz. Meu homem.
Meu macho.
Meu homem.
Meu macho.
Meu homem.
Meu macho.
Então era assim que você falava com o Leandro, não é?
Meu homem.
Meu macho.
O que você vai fazer?
Você vai ficar sabendo.
Quando eu tiver a resposta.
Você vai ter que se entregar à polícia, Jair.
O que o senhor está falando, doutor Antônio?
Eles têm uma gravação com sua voz.
Doutor Antônio, eles estão fazendo uma armação contra mim. Agora, eu não
botar o senhor no meio.
Eu sei que Isabel se envolveu com esse rapaz, eu sei. Os dois me traíram.
Eu entendo.
Entendo, mas nada justifica um assassinato. Doutor Antônio.
Eu sempre te vi como um pai, eu só tenho que me ajudar.
Sempre te vi como um filho.
Mas agora aqui... Doutor Antônio.
O que eu vejo é um... Um criminoso.
Não me julgue nesse momento. Não. Não me julgue. Eu estou vendo que vou ter que
lavar o bastão. Eu não posso.
Se eu for preso, todo mundo vai saber o que a Isabel fez comigo. E daí?
Chega! Não!
Eu devia ter matado a vagabunda da sua filha.
Eu dediquei a minha vida a ela.
Eu vivi pra minha família! Dei meu sangue! E pra quê?
O que eu tive em troca?
Nada!
A sua filha não vale nada.
Não fale assim da minha vida, entendeu?
O senhor não tem vergonha?
Me diga uma coisa, aquele maldito do Leandro, será que ele foi o primeiro ou
será que ela tinha uma coleção? Abre a boca!
O senhor é pai de uma vagabunda, de uma ordinária, de uma rapariga, de uma
piranha!
Eu não sei.
Eu vou chamar o médico.
Antônio Braga foi o pioneiro dessa cidade.
Um bravo que acreditou que existia vida na terra seca.
Que insistiu e acreditou num sonho, mesmo quando todos disseram que ele
enlouquecido.
O sonho é a coisa mais forte que existe.
E esse homem corajoso era o meu avô.
que me contava histórias e que me ensinou a amar o solo, que mesmo
árido alimenta nossa família até hoje.
Ele me ensinou a andar de bicicleta também.
E nesse dia eu caí e eu não quis subir na bicicleta de novo.
E eu lembro que ele disse...
Toda vez que a gente cai, por mais doído que seja,
pensa em se levantar.
A avó vai ser um tanto mais difícil pra todo mundo sem você.
E hoje, nós realizamos o último sonho dele.
Que é ter enterrado aqui.
Ao lado da minha avó.
Dona Maria Inês.
Vocês vão ficar juntos de novo, como queriam.
Na beira do rio São Francisco.
Enquanto a água pura... Leva tudo.
Até o pior dos sofrimentos.
Obrigada, amor.
Pela última lição.
Um grande amor.
Vem até a morte.
Te amo.
Obrigada, Jesus.
Fala. Peraí, peraí, esse telefone tá limpeza?
Sei.
E aí, encontrou alguma coisa?
Nada, rapaz.
O fim de uma égua parece que se evaporou.
Eu já não sei mais o que é que eu faço.
Bigode, bigode, oh, escuta.
Você tem que achar alguma informação sobre esse Fortunato, nem que você tenha
que lamber cada metro da cidade, entendeu?
Eu tô esperando o senhor, doutor.
Essa ladainha de velório não acaba mais, não?
Não, aqui tá terminando, tá chegando o fim.
Vou só conversar com o padrinho e te encontro.
Tá.
Pode me deixar aqui.
Dona Isabel?
Dona Isabel, desculpa. É que tem um menino aí da orquestra sanfônica. É o
Ele está querendo falar com a senhora.
Tem que ir agora.
É porque ele tá insistindo muito, desde ontem.
E o bichinho mora tão longe. Fala com ele, né, Isabel?
Peça pra ele esperar um pouco, que eu já vou lá falar com ele.
A sua
filha
fez um discurso comovente.
Meu...
Pedi pra que Antônia falasse por mim que eu não ia conseguir.
Doutor Antônio se manteve íntegro a vida toda.
Grande homem.
A vida dá cada rasteira na gente, meu amigo.
Jaime.
Você sabe por onde anda aquele seu sommelier, o Leandro?
O Leandro Dantas, aquele safado.
Os cafedeiros, por quê? Eu ando com muita vontade de botar a mão naquele
canalha.
Ele tem um assunto pendente com nós dois.
Eu não sei do que você está falando. Eu estou falando de Leandro.
E de nossas mulheres.
Eu não sei do que se trata. A Isabel mal conheceu o Leandro. Sabe sim, Jaime,
sabe. Você também não está com vontade de botar a mão naquele desgraçado.
Cavalcante, pra mim, o Leandro morreu.
Tá agonia o quê?
Aquela imprensa, sabe? Ficar aqui assim.
Está tudo certo.
O namorado foge. Minha mãe pinta. O meu avô morre.
E eu ainda estou grávida.
Era uma piada.
Tudo vai se ajeitar.
Antônia.
Aquele cara de novo.
É admirável essa amizade do senhor com o doutor Antônio. Eu sou testemunha. É,
infartou na minha frente. Podia ter acontecido com qualquer um. Claro, até o
coração é falacioso.
Mas alguém mais presenciou o fato?
Rapaz, eu estava sozinho e não pude fazer nada.
E antes de morrer, o doutor Antônio não comentou sobre uma gravação da polícia
onde sua voz aparece?
Eu sei do que se trata.
A gente já é crescido, doutor.
Então vamos deixar de tremer lei, vamos resolver isso.
É que talvez não seja tão fácil assim, doutor. Porque veja bem, um homem
primeiro morre nas suas terras, depois o outro tem um infarto na sua frente. É
uma coincidência.
Veja.
O senhor está insinuando alguma coisa?
Insinuando? Nada, doutor. É que quanto mais coincidência, mais fica custoso de
desembaralhar o problema.
Tempo é dinheiro, doutor.
Essa prosa a gente continua na delegacia, é mais confortável.
Obrigado, Dona Isabel.
Obrigado.
Então, Juca, o que você quer tanto falar comigo?
Para a senhora, Dona Isabel.
Para mim?
Obrigada. Juca!
Juca, espera!
Dona Isabel, tome cuidado.
Jaime é um monstro.
Ele descobriu tudo e matou Leandro por causa da senhora.
Oscar de Bois.
Antônio, tu atende. Eu desligo o celular, né?
Alô? Antônio?
Olha, eu tô fora de sertão.
Eu tô precisando falar com vocês sobre Leandro.
Eu não quero ouvir falar sobre essa pessoa. Por favor, eu tô num momento
complicado hoje.
É, mas vai ter que ouvir.
Teu pai tá mentindo.
Quê?
Leandro não fugiu, não.
Sabe onde ele tá?
Olha, eu te explico tudo.
Tu pode se encontrar comigo agora?
Onde?
Combinado, eu tô indo.
Pra fazer o que, Antônio?
Tá na hora de ir embora, Antônio.
Eu vou levar a Ana Clara em casa, vai na frente, depois eu encontro vocês.
Tem certeza? Não quer ficar comigo, a sua mãe tá abalada.
Não vou demorar, pai.
Vem, vamos.
Tchau, tio.
Quero que você fique de olho em Antônio.
Algum problema, Padre? Não.
Vou deixar que Antônio não vai sair da minha vista, não.
Para mim é simples.
Muito simples.
E Isabel?
Ela se sentiu mal e foi embora com o motorista de São Antônio.
Ela não lhe falou, não?
João, tome cuidado com o que você fala no celular.
Aleluia, irmão.
Aleluia, doutor.
Estava aqui pensando que a essa altura, vocês já tinham enterrado a família
todinha já. Mudou tudo.
Fortunato vai ter que ficar para depois.
Não jogue devagar, não deixe cair na ribanceira. Jogue esse, jogue esse,
lá.
Querguinho, deixe isso aqui, jogue esse.
Mas jogue devagar, para não cair na ribanceira.
Agora vem brincar com esse aqui, ó.
Adivinha o que eu acabei de conseguir?
Uma reserva no nosso restaurante.
Tive que implorar pra conseguir uma mesa. Tava tão lotado.
Roberto.
Roberto.
Roberto.
Eu mandei fazer um teste de DNA pra saber se Tiaguinho de fato é meu filho.
Ele é seu filho.
Como é que você tem dúvida? Como é que você tem coragem de fazer uma coisa...
Cala a sua boca!
Você não tem vergonha na cara pra falar nada?
Servir bebida nesse enterro, foi? Claro que não.
Que ideia idiota.
Deve ser tristeza.
Ela era bem apegada ao avô. É perda de tempo, rapaz.
Daqui a pouco a gente vai ter que levar essa aí no médico.
Olha, a gente devia estar atrás desse tal de Fortunato.
E não dessa aí. Cala a boca!
Antônio!
Vamos por aí.
Cadê ele?
Onde é ele?
O quê?
Ele morreu.
O quê?
O quê?
O quê? Mataram ele.
O quê?
Teu pai mandou matar ele.
Agora tem gente vindo atrás de mim pra me matar.
Vamos resolver isso agora. Espera.
Tu não tá vendo que ele tá com ela?
Ela não pode saber de nada.
Pai amarelado, tu não tá doido de machucar a Antônia.
A gente vai pegar ele sim.
Mas não na frente dela.
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