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- Emergência, aguarde. - Deixa-me explicar. Dá-me uma hipótese.
Podes desligar isso?
- Emergência, posso ajudar? - Hania...
Quero denunciar uma suspeita...
Ele está vivo.
Mas ninguém pode saber.
A tua família seria a mais prejudicada.
Não...
Eu conto-te tudo.
Acalma-te, está bem?
SETE MESES ANTES
Lembras-te da noite em que o Maciek desapareceu?
- Larga-me! - Cala-te.
Não!
THE HERITAGE
- Vamos à polícia. - Para!
Ela conseguiu fugir.
Ela conseguiu fugir.
Ela fugiu. Ouves-me?
Maciek!
Eu matei-o, mãe.
Não vão deixar passar.
Vão procurá-lo.
Têm de se ir embora, os três.
Não vale a pena, Paweł.
Ele saberia o que fazer.
Estou?
Há algum problema?
Temos de comunicar isso.
Se o fizermos, o Maciek morre.
Eu também, provavelmente.
Ajudas-nos?
Não podemos fazer isso.
Maja...
- Não! - Vá lá, Maja.
Serão só uns meses.
Até estarmos juntos de novo.
Vai ficar tudo bem, vais ver.
O Paweł tratou do CCTV e nós tratámos do resto.
INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO MARINHA FILIAL DE HEL
Mais para cima.
Só tatuei números em focas.
É o melhor que consigo.
Tira a roupa.
Tem de a ter vestida.
Paweł,
segura-lhe a cabeça.
Segura a cabeça!
Deixei o carro dele num estacionamento em Gdańsk.
Vai demorar até alguém reparar.
Paweł...
Obrigado.
Porque é que o pai deixou tudo à Maja?
Por favor...
Queria ajudar-te, entendo isso. Mas porquê ela?
Ele sabia que ela não poderia vendê-lo sendo menor.
O pai não quis ajudar-me.
Ele fez isso por medo.
- E ele lixou-me na mesma. - Medo de quê?
Estou nisto contigo, estou a ajudar. Porque fez isso? Porque tinha medo?
O acampamento...
A terra está cheia de sangue.
Sempre esteve.
Como assim?
Sabes como o pai conseguiu o terreno?
O plano é o seguinte.
O corpo ficará preso nas redes.
Se o encontrarem, tem de parecer um acidente.
O iate foi destruído pela tempestade.
A cabeça caiu, decompôs-se e foi devorada pelos peixes.
O "Johnny" deve afastar-se.
Temos de fazer dois furos no fundo.
Numa tempestade destas, chega para o afundar.
O Maciek está algures na Suécia ou Dinamarca. Não sei bem.
Não quis saber.
- Há quanto tempo se passa isto? - O quê?
Com a Ola?
Seis meses.
Ajudei-a na fuga do Maciek.
Hania, tentei falar contigo,
mas senti que tu... - Não me importa o que sentiste!
Viste-me enterrar o meu irmão.
Viste-me chorar por ele.
- Porra, Wojtek! - Foi para a segurança da Maja.
Porque estão a gritar?
Estamos só a discutir. Nada de mais.
Vai lavar os dentes. Já vou.
Que está ela a fazer?
Deve precisar de pensar.
E é por isso que vai levar o teu barco?
E então? Devo anotar isso no diário de bordo?
Não podes não escrever nada?
Miúdos...
Obrigado, Czesio,
por este extrato do registo predial.
Pois, nem eu.
Não sei como é possível alguém ter arrancado essas páginas.
Mas, como podemos ver,
a cultura jurídica aqui é muito diferente.
Ouve,
podes verificar-me mais uma coisa?
Quando morreu exatamente esse Władysław Dzwonkowski?
Nove de setembro.
Agora vais ficar em casa, percebes? Não vais a lado nenhum.
Não quero ver-te no trabalho.
Vais algemar-me ao radiador?
É muito importante. É o meu filho.
Mas, para já, está na minha barriga.
Trata-se da saúde dele.
Faz-lhe pior o teu pânico que o meu trabalho.
Eu e o Władek ficamos nervosos.
Esse não é um bom nome.
Já falámos sobre isso.
Não quero chamar Władek ao meu filho.
Há muitas outras opções.
Não, não há. É Władysław como o meu pai.
Está bem.
Já podes ir.
QUERIDO MACIEK...
"Lamento, mas não podemos ir.
Não vamos.
Seguimos as tuas instruções.
A terra está nas mãos do Paweł.
Mesmo que quisessem recuperar o dinheiro, eles já sabem que não o temos.
O seguro está tratado.
Devo receber o dinheiro em poucos dias.
Vou transferir-te metade do dinheiro para começares de novo.
Sem nós.
Não posso passar a minha vida a fugir com medo.
Não quero viver com medo para sempre,
nem quero que a nossa filha tenha medo.
Lamento, mas não seríamos felizes.
Daqui a uns anos, quando a Maja for mais velha e desde que seja seguro,
ela vai visitar-te aí.
Agora,
por favor, deixa-nos viver."
OLÁ PAI, SOU EU...
Podemos falar lá fora?
Esta é a casa do meu pai. Não vou falar contigo lá fora.
Hania...
Sei que não tenho desculpa.
Não planeei isto.
O Maciek está vivo?
Onde está agora?
Na Dinamarca.
Mas nem eu sei exatamente onde.
Planeámos encontrar-nos mal recebesse o dinheiro do seguro e...
... recomeçar do zero.
Então,
com o Wojtek, é só sexo?
Ou mais conversas sentidas acompanhadas de vinho?
Diz!
É complicado.
Não.
Não é complicado.
Ou o Wojtek dorme contigo porque a mulher dele é fria,
ou ele ama-te.
E estão a planear um futuro juntos.
Ele ia dizer-te.
Mas aquele...
... tipo dos seguros não parava de bisbilhotar.
Hania...
- Maja, espera. - Vai-te lixar!
Também é difícil para mim.
É difícil comer o Wojtek?
Ou ser uma cabra cruel que escreve ao seu homem
que não quer continuar a fugir?
Em vez de admitir que tem outra pessoa?
Isso é difícil.
Devíamos estar nisto juntos, mãe.
Família.
Mas decidiste ficar sozinha.
Então, pronto.
Sim, sou a única notária aqui na península,
por isso posso de facto conhecer a maioria dos residentes de Hel.
Perfeito.
Deve lembrar-se de um Władysław Dzwonkowski?
A 6 de setembro de 2004, assinou uma escritura de venda
de uma propriedade de 20 hectares de terra com um parque de campismo
por 130 mil zlotys.
Já viu os preços dessa altura?
Se bem me lembro,
o preço correspondia ao valor de mercado do imóvel.
Certo.
O vendedor foi Władysław Dzwonkowski. O comprador, Jan Mróz.
E isso aconteceu no seu escritório.
Provavelmente, até nesta mesma sala.
Desculpe, mas o que é que isso tem a ver com o processo do seu seguro?
Estou a tentar perceber isso.
Mas o que torna o caso muito complexo
é o Sr. Władysław Dzwonkowski ter falecido, infelizmente,
apenas alguns dias após a transação.
Não sei o que estás a insinuar,
mas só concordei em falar consigo como um gesto de boa vontade.
Não sou obrigada a fazer isto.
E essa boa vontade está a esgotar-se.
Obrigado.
Ajudou-me imenso.
Ia acabar tudo de qualquer forma.
Achas que pode contar a alguém?
Quem?
Não sei, à polícia?
Ela odeia-me e é capaz de tudo para me magoar.
Mas à família?
Não fará mal ao Paweł nem ao Maciek.
Sobretudo ao Maciek.
Eu estaria perdida sem ti.
Bom dia.
Gostava de falar.
A minha mãe trabalha na Alemanha durante nove meses por ano. Volta no Natal.
Não serei de grande ajuda.
Está bem.
Vamos diretos ao assunto.
O seu pai comprou um terreno com um parque de campismo
ao exército através de concurso público.
Sabia disso?
Tinha seis meses quando ele desapareceu. Não me lembro dele.
A sua família não falava sobre isso?
É uma grande extensão de terra.
Será que fez um acordo com o Johnny?
O Johnny ajudava sempre o meu pai.
Ele era como um pai para ele.
Foi o que a mãe disse.
Ele pô-lo no exército.
Quando o expulsaram por beber, arranjou-lhe um emprego.
Também me contratou na Kormoran quando o dinheiro era escasso.
Ajudou?
Ajudou.
O teu pai vendeu esse terreno ao Johnny por 130 mil zlotys.
Pago em dinheiro.
Três dias após a transação, ele desapareceu.
Não tínhamos mesmo esse dinheiro em casa.
Sem o pai, a mãe mal conseguia sustentar-nos.
Veja.
Jan Mróz testemunhou
que bebeu álcool com o seu pai até às duas da manhã.
"Depois disso, Władysław Dzwonkowski,
provavelmente sob a influência do álcool,
decidiu levar o seu barco a motor para o mar."
O barco foi encontrado a sete milhas náuticas da costa,
mas o corpo do seu pai nunca foi recuperado.
Não quero fazer acusações precipitadas,
mas não é interessante considerar a hipótese de que...
... o Mróz mentiu no tribunal?
Mas porquê?
Porque...
... o seu pai não lhe queria vender o terreno.
Então, o Mróz matou-o.
Depois simulou um acidente no mar e falsificou todos os documentos.
O seu pai não recebeu nenhum dinheiro dele.
CÃOZINHO A CHAMAR
CANDIDATO À CÂMARA DE HEL SEDUZ ADOLESCENTE?
COMENTÁRIOS: ABSURDO! NOJENTO! ELA ENLOUQUECEU?
O QUE VÊ ELA NELE?
Não podíamos falar ao telefone, Wera?
Há jornalistas a bisbilhotar.
Quem matou o meu pai?
Não faço ideia.
Matou?
Sei que ele foi para o mar naquele dia e nunca mais foi visto.
És uma grande desilusão.
O Maciek contou-me, mas...
... pode não ser verdade, que...
... o nosso pai mudou o testamento porque o Maciek viu algo
e chantageou-o. Mas na altura,
ele tinha 18 anos e fumava muitos charros.
O pai estava zangado com ele, discutiam.
Não se davam nada bem e talvez...
... o Maciek tenha imaginado tudo.
O que imaginou ele exatamente?
No dia em que o teu pai desapareceu, ele viu-os juntos no parque de campismo.
Estavam a beber vodka e ficaram muito bêbados.
Estavam a conversar e começaram a discutir.
E a andar à porrada. E...
... ficou violento.
Depois, o meu pai...
... arrastava o corpo...
- Olá, chefe. - Então, Kocur? Caso encerrado?
Chefe, encontrei pistas verdadeiramente incríveis.
A propriedade de que lhe falei foi transferida para um amigo da família Mróz
num concurso fraudulento da Agência de Propriedade Militar.
Poupa-me a essa treta histórica. Tratas da apólice do Maciek Mróz.
Eu entendo, eu sei. Mas há uma ligação forte.
A viúva do Mróz está a ter um caso com o cunhado.
E provavelmente é ele...
Espera. Consegues anular essa apólice?
Sim.
Isto é, as pistas são fortes, mas faltam literalmente algumas peças.
- Lamento. - Falta-te um cérebro.
O prazo é daqui a três dias. Vou ter de lhe transferir o valor total.
- Mas só preciso de mais dois dias, chefe. - Vais voltar para Varsóvia.
De comboio. O check-out do hotel é daqui a meia hora.
Tem de se devolver o carro antes das três.
Não...
Não acredito. Ele só tinha de tratar de uma única coisa.
Porra!
Não acredito!
Estou?
Pai?
Pai, és mesmo tu?
Tenho de te contar uma coisa sobre a mãe.
Está bem.
Envia-me a localização.
Amo-te. Adeus.
Olá, Mna. Mróz.
Stanisław Kocur.
Trabalho no caso do seguro de vida do seu falecido pai.
É estranho ainda não termos falado, não é?
Sou menor. Não pode falar comigo sem a minha mãe.
E não é polícia, por isso não tenho de responder.
"Siga o dinheiro." O lema dos crimes financeiros.
Devia ter falado consigo primeiro.
Deixe-me em paz, está bem?
Recebeu uma herança superior a 20 milhões de zlotys.
Mais metade do seguro do seu pai.
O dinheiro segue-a.
Não se pergunta como o seu pai morreu?
Não me parece ter sido um acidente.
Deixe-me em paz, ou digo à polícia que me tentou violar.
Nada.
Nada mesmo.
JAN "JOHNNY" MRÓZ CAPITÃO DA MARINHA
Todos receberam algo, menos eu.
Nem a família. Nem a empresa. Nem sequer um único barco.
Odeio-te.
Como eu te odeio, porra!
Podes desembuchar isso de uma vez?
Hania...
Quero esta casa.
E metade do terreno.
Hania...
Paweł, choraste a morte do nosso irmão comigo, seu idiota!
Todos ganharam algo, receberam a sua parte. E eu não?
É um pouco injusto.
Quero a casa, dois barcos e metade do terreno.
- Está em nome do Paweł. - Não me interessa como o fazes.
Não é assim tão simples.
Se não conseguir o que quero,
vou à polícia. - A herança é minha de qualquer maneira.
Agora, têm de me seguir.
E então?
Hania, desculpa.
- Porra! - Desculpa.
- Seu idiota de merda! - Chega!
Para com isso!
Vocês são todos iguais a ele.
Somos família. Devemos apoiar-nos uns aos outros.
Que família de merda?
Estou fora desta família.
Vai-te foder!
Vão-se todos foder!
Desculpem interromper.
É o meu trabalho.
Venho declarar
que o pagamento do seguro de vida do Sr. Maciek Mróz foi recusado,
uma vez que a sua morte parece ter sido encenada.
Merda!
Os pormenores do caso
serão comunicados às autoridades competentes.
E, neste caso, o código penal prevê uma pena de prisão para si.
E para a menor, Maja,
um centro de correção adequado à sua idade.
Espere.
Tenho uma proposta.
Podemos chegar a um acordo?
Nenhum homem é uma ilha.
Todos temos alguma dívida.
E não falo de dinheiro.
Por isso, quando chega a nossa vez,
fazemos de tudo para retribuir.
Mesmo que isso signifique
termos de alinhar com coisas que não queremos em absoluto.
Legendas: Ana Sofia Pinto plint.com
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