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MEUS VIZINHOS, 1971 é um fragmento do longa-metragem
LES BISCOTS-NÈGRES, VOS VOISINS (1973).
No momento do restauro, foram descobertas duas impressões em 16mm de MES VOISINS,
nos arquivos do Arsenal-Institut für Film und Videokunst
e no Cine-Archives, acervo audiovisual do PCF e do movimento operário.
O negativo do filme foi reeditado para o longa-metragem.
Apenas as partes correspondentes de ambos os filmes
foram preservadas em negativo.
O restauro de MES VOISINS é baseado na impressão em 16mm
com trilha sonora óptica dos arquivos do Arsenal
e no negativo em 16mm de LES BISCOTS-NÈGRES, VOS VOISINS.
O negativo está preservado no
Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada (CNC)
e foi gentilmente cedido por Cine-Archives.
O restauro digital foi executado pelo Arsenal no laboratório de
L’Immagine Ritrovata em Bolonha e Paris em 2020.
O nivelamento da cor foi executado em estreita colaboração
com o cineasta François Catonné.
O restauro digital foi possível no âmbito de “Archive ausser sich”,
um projeto do Arsenal - Institut für Film und Viedeokunst
em colaboração com Haus der Kulturen der Welt,
como parte do “The New Alphabet”, um projecto da HKW,
apoiado pelo Comissário para a Cultura e Mídia do Governo Federal
de acordo com um parecer do Bundestag alemão.
Me chamo Sidna.
Vim para França em Outubro de 1962.
Comecei a trabalhar na limpeza, trabalhando como varredor.
Depois, procurei outro trabalho.
Trabalhei como supervisor de mercadorias na Société Alsacienne.
Ao mesmo tempo, tentava encontrar um trabalho melhor.
Fui à Renault em Flins, onde fui contratado em 1966.
Flins fica muito longe de onde eu moro.
Pedi para mudar para Boulogne-Billancourt, para ficar mais perto da fábrica.
A Renault recusou.
Tive de sair de Flins para ir para Boulogne-Billancourt,
onde fui contratado no dia 26 de Fevereiro de 1968.
Trabalhei com todo o tipo de máquinas.
No Inverno, a casa não era aquecida,
portanto ia para um hotel quando podia pagar.
Como não tinha dinheiro suficiente, adoeci no dia 2 de Abril de 1970.
Fiquei no hospital até ao dia 3 de Dezembro.
Quando saí do hospital, voltei à Renault.
Como estava melhorando, me colocaram numa oficina social,
onde o ritmo de trabalho era mais tranquilo.
Tinha um contrato de três meses.
Trabalhavam comigo um argelino, um marroquino,
um tunisino e um mauritano.
Um dia, o supervisor gritou conosco, sem razão, quando trabalhávamos.
Mas não gritou com os nossos camaradas franceses, que estavam jogando cartas.
Disse a ele que não havia razão em gritar com a gente.
Ele ficou furioso e disse: “Porque é você que me responde,
e não os outros? Você fala melhor francês do que eles?"
“Sou um homem livre. Tenho o direito de te responder.”
“Estamos doentes e estamos trabalhando. Não nos incomode.”
O supervisor disse, furioso: “Agora, é perito em leis?”
Depois, falou com o chefe da oficina e vieram me dizer:
“Você vai trabalhar com outra máquina. Vai deixar esta oficina.”
Eu respondi: “Não posso trabalhar com uma máquina grande.”
“Então, é melhor ir embora.”
A direção me disse: “Tem que ouvir o supervisor.”
Um representante sindical me disse que eu devia voltar ao trabalho.
Eu disse: “Sim, mas não posso trabalhar com uma máquina grande. Estou doente.”
Me puseram em outra seção.
Lá, um senhor me disse: “Vocês, africanos, são todos iguais.”
“Chegam necessitados e nós ajudamos.”
“Mas mal têm algum dinheiro, ele sobe na cabeça de vocês.”
Eu lhe disse: “Vim falar contigo. Não me insulte.”
“Passei 25 anos na África. Conheço vocês.”
Discutimos e ele disse: “O supervisor tinha razão.”
Eu respondi: “Você só ouve o que eles dizem.”
O chefe do sindicato falou com eles durante muito tempo.
Não quiseram que eu estivesse presente. Fui falar com eles depois.
O senhor disse: “Ele não pode voltar para a oficina social.”
“Já não há vaga na primeira oficina onde ele trabalhou.”
“Vai trabalhar em outro lugar por um mês e depois não há trabalho para ele.”
Me disseram para ir falar com o inspetor de trabalho.
Queria voltar para a minha terra,
mas me lembrei de como era na Mauritânia.
Eu trabalhava sob as ordens de um supervisor europeu.
O trabalho era muito duro
e, passado um ano, me trocaram de setor.
O supervisor disse: “Se não aceitar, faço com que te demitam."
Eu respondi: “Este é o meu país. Sou eu que faço com que te demitam.”
No dia seguinte, fui demitido.
Foi naquele momento, que decidi mudar de país,
pensando escapar desse tipo de tratamento. Mas para onde ir?
Se quiserem falar Desses países longínquos
Onde as pessoas morrem de pobreza e de fome
As crianças do Biafra e os pequenos indianos
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
Não encontrarão os seus nomes na lista telefónica
Moussa, Mohamed e Salem
E terão dificuldade em encontrar o caminho
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
A porteira me diz que são imprestáveis
Que não têm modos de cristãos
Que respiram o nosso ar e comem o nosso pão
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
É verdade que os nossos avós eram gente de bem
Que tinham modos de cristãos
Quando tomaram a terra de África dos africanos
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
Fizeram desses homens do teu avô e do meu
Varredores e soldados
Pois se o pão é caro as suas vidas nada custam
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
No concurso das misérias os seus casebres não valem nada
Nova Deli, Calcutá e Harlem
É tão pitoresco e é muito menos longe
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
Nos veem caminhando de Montrouge para Pantin
No entanto, bem que podia em uma manhã
Ir acordá-los, Vocês que dormem tão bem
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
Se quiserem falar
Desses países longínquos
Onde as pessoas morrem de pobreza e de fome
As crianças do Biafra e os pequenos indianos
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
A dois passos da tua casa
Vai ver os teus vizinhos
Viemos pela primeira vez no inverno...
Viemos pela primeira vez no inverno.
Em Janeiro de 1963.
Antes, tínhamos um alojamento para trabalhadores no 13º bairro.
13 Boulevard de l’Hôpital, Paris. 13º bairro.
Conhecemos um homem que se chamava Garbin.
No ano passado, ele…
Ele é o dono do alojamento de Ivry.
Ele era o gerente do alojamento de Ivry.
Ele me disse que comprou aqui uma casa.
Viemos para aqui, mais de 60 pessoas.
56, ou 60…
Cada um pagava…
- 15.000 francos… antes… - 150 francos.
150 francos.
- E depois… - Antes de ir embora.
Antes de virmos para aqui, demos-lhe o dinheiro.
Viemos para aqui e ele foi embora.
Depois conhecemos… o Padre Boulanger.
Ele geria o alojamento… O Soundiata.
- Ele é padre, pároco? - É.
Sim, é isso.
Ele disse que o alojamento era dele.
E o dinheiro… ele roubou. Foi embora com o dinheiro.
Cada um de nós tivemos que pagar outra vez
6.000 fracos por mês no total.
Pagamos ao dono daqui.
Antes, o alojamento era bom.
Estava tudo em ordem.
E o dono tinha aqui o escritório, conosco.
Depois, o dono foi embora.
Veio outro gerente que se chamava Kalidou.
Kenama Kalidou.
Com ele também estava sempre tudo em ordem.
Pouco tempo depois, o Kenama Kalidou foi embora.
Veio outro gerente que se chamava Choy.
Choy Ibrahima.
Com ele também estava tudo em ordem.
Pouco tempo depois, o Choy Ibrahima foi embora e veio o Joseph.
Um outro, chamado Joseph.
E ele é...
Aconteceu alguma coisa entre ele e o dono.
O dono o colocou para fora.
E então, depois disso…
Depois do Joseph.
Diallo.
Agora é ele o gerente.
É ele que está aqui agora. Bom…
Quando o Diallo veio para cá, no início estava tudo bem…
Mas depois, começaram os problemas.
Desde que moro aqui
que pago 80 francos por mês.
Até agora sempre paguei tudo.
Até agora.
Porque se não pagar, os meus camaradas não pagam.
E o gerente conhece os mais antigos. Dirá que é eu que não pago.
Aqui, são os banheiros
Tem dois banheiros para 60 pessoas.
E, se não funcionam, o xixi sai por aqui.
E, se não funcionam os dois, somos obrigados
a ir à lanchonete e comprar um café,
se precisamos ir ao banheiro.
Pronto.
E depois, quando chove...
A telha ali em cima está partida.
E, às vezes, as telhas caem, por isso que temos que colocar
panos e cartões ali em cima,
ali, onde estão as traves.
Mas ainda há algumas
que ainda não caíram, mas que vão cair.
Pronto.
E depois, ali temos…
os chuveiros, mas não funcionam.
Olha isso.
Prenderam aqui com fio.
E aqui também.
E aqui, também.
Aqui também tem fio, vê.
Até lá ao fundo, olha.
Tem até papel aqui.
Vê, em todo o lado. A cama toda. Vê.
E os colchões também.
Veja.
Olhe os colchões.
Estão todos esfarrapados.
O aquecimento a óleo também.
Pagamos por isto.
Temos que ir buscar o óleo.
Todos os dias.
18 litros.
1,88 francos todos os dias.
Aqui está o recibo do óleo.
O recibo… Cada um tem o seu recibo.
E, bom… Tudo nos custa muito dinheiro.
Mais os transportes. É realmente muito duro.
Sou do Senegal.
A maioria dos inquilinos é… são de todas as nacionalidades.
Do Mali, da Mauritânia,
da Costa do Marfim.
90% dos inquilinos trabalham.
Há alguns que não podem trabalhar,
os que chegaram recentemente.
Para nós, as condições de habitação não são boas, são muito más.
E…
Vim para ir para a Alemanha.
Estava com a minha mulher que agora está na maternidade.
Está grávida de oito meses.
Graças à Assistência Social, recebo um subsídio,
para não ter de me preocupar com ela,
até encontrar trabalho
e poder arranjar um quarto para lá viver com ela.
Entretanto,
uns camaradas daqui me receberam.
E um deles paga o meu aluguel.
É o Sr. Toureg Fayon,
com a contribuição dos outros.
Os meus camaradas confiaram em mim
e me pediram para me juntar
à delegação para ir falar
com o diretor da Associação Soundiata, que gere o alojamento.
E, quando fomos falar com ele, ele nos disse
que a responsabilidade não era deles,
mas da Prefeitura de Seine.
Nos deu a entender que tínhamos de fazer tudo o que pudéssemos
para falar com o responsável para melhorar a situação,
em vez de irmos a Orly Vitry,
mas ele disse que não podia garantir nada.
Quer dizer que ele não se compromete a fazer alguma coisa por nós,
mas que vai tentar fazer o que está ao alcance dele
para encontrar um alojamento na cidade em vez de irmos para os subúrbios.
Se não conseguirem encontrar um alojamento,
são obrigados a nos passar para a prefeitura.
Os que quiserem ir para Orly, ou para Vitry, vão.
Os que não quiserem, terão que se virar.
Acho que eles abandonaram os inquilinos.
Porque quando se dá alojamento a alguém,
deve dar assistência até ao fim.
Há inquilinos que estão aqui desde 1965.
- Mesmo desde 1963. - 1963.
São sete anos.
Sete anos como inquilino devia contar para alguma coisa.
E, no final das contas,
tivemos uma reunião com
as associações que acolhem e encaminham
os trabalhadores africanos.
Mas a reunião não resultou
na união de todos os participantes,
porque algumas pessoas pensavam que era de teor político.
Finalmente estamos na mesma posição,
esperando que alguma organização venha nos ajudar.
Você se refere a uma organização francesa?
Francesa, ou africana,
ou um organismo…
Sindical?
Sim, um sindicato, ou algo assim.
Vamos chamar todas as organizações,
os sindicatos, sejam quais forem.
Os que nos ajudarem…
Acho que…
Eu particularmente,
soube da que questão do alojamento de Croix Nivert
por camaradas que…
Como sabe, o problema de Croix Nivert
é um problema que não é exclusivamente deles.
A natureza do problema…
Seja qual for o pressuposto,
não deixa de ser um problema social e também um problema político.
Por mais que
a afirmação, ou a declaração do Governo
e dos organismos que dizem
que a imigração é ilegal,
não é verdadeira.
Você mesmo viu os tetos. Viu tudo.
E a Associação Soundiata,
que é proprietária do alojamento de Croix Nivert,
é subvencionada pelo Governo e pelos serviços públicos, sabe…
- Pelo Governo Francês. - Pelo Governo Francês.
Portanto não é um problema de imigração ilegal.
O problema é as autoridades públicas permitirem alojamentos insatisfatórios.
É uma má política de habitação.
De todas as formas, os trabalhadores imigrantes
são parte de uma política de Governo aprovada por associações privadas.
Portanto os nossos camaradas de Croix Nivert,
considerando como foram mal tratados,
considerando o estado das instalações,
eles não aguentam mais.
No inverno não têm óleo, os colchões são velhos,
E como se pode ver, eles sofrem com tudo isso.
As roupas de cama, tudo…
E é assim há muito tempo.
Portanto eu acho que,
neste momento, os camaradas de Croix Nivert
estão contatando todas as organizações,
sejam sindicatos, ou…
- … organizações políticas. - Políticas, ou…
Sim, todos que...
Talvez pudessem ajudar os camaradas de Croix Nivert,
assim como os de Pierrefitte e os da Rua de Charonne,
que estão todos em luta.
Nós…
Nós estamos tentando conseguir
juntar todas essas iniciativas
para que…
não haja pequenas queixas aqui e ali,
mas para que todos os nossos camaradas imigrantes,
que vêm da África,
tenham a possibilidade de defender os seus direitos,
sejam direitos sociais,
ou direitos laborais…
Sabe, não estamos todos de acordo,
há alguns camaradas que não concordam
com o que estamos a fazer agora.
Porque acham que é politizado.
Sobretudo os nossos líderes na África não compreenderão
as razões do que estamos fazendo.
E temos todos os motivos para temer
que os nossos líderes venham saber disto.
Os nossos camaradas têm medo. Têm medo, porquê?
Porque acreditam que o objectivo de estarmos na França
é puramente monetário.
Eles repetem a argumentação que os serviços públicos lhes incutem,
assim como os ditos sociólogos e os que pensam conhecer bem a África.
Portanto é uma argumentação falsa.
Porquê? Porque, quando viemos para cá,
não caímos de paraquedas.
Não há fronteiras entre a França e a África.
Temos de viajar 3.000, ou 4.000 quilómetros.
Portanto o problema neste momento
é sobretudo um problema económico e social.
E é necessário
que lutemos por causas comuns, partilhadas por todos os africanos.
Por isso penso
que as questões que temos neste momento
devem ser divulgadas por todo o lado,
para que as pessoas vejam as condições em que vivemos
e para que as pessoas percebam que as nossas lutas
não são lutas exclusivas dos africanos,
mas que mesmo os próprios franceses vivem nestas condições
e deviam pensar em unir-se aos seus camaradas imigrantes.
Porquê? Porque estão aqui para aumentar,
se quisermos, os níveis de produção
da indústria francesa.
Acho que o problema não devia ser
um problema camuflado.
Se guardarmos este problema para nós,
ele nos corrói
e quanto mais nos corrói…
Não é pouca coisa.
Para começar, o desgaste físico do trabalho manual nas indústrias,
onde os camaradas trabalham mais de dez, vinte horas por dia.
Depois, as condições dos alojamentos. É um problema.
Se estas condições se mantiverem,
acho que nunca ficaremos bem.
Nos põem sempre na classe mais…
como se diz entre nós, o subproletariado.
É quase como se não existíssemos.
Por isso temos de lutar até ao fim.
Percebi, mas as razões que invoco são razões de outra natureza,
- que pode ser pessoal. - De natureza moral,
porque todas as ações são analisadas de um ponto de vista político.
Todas as ações, ou gestos. Mais ainda sendo estrangeiro,
se levo as coisas um pouco longe demais,
se me torno mais papista do que o papa,
mais francês do que os franceses,
exigindo às autoridades
medidas que nem os franceses exigem,
no seu próprio país.
Bom, acredite, um francês
considera isso um ato político.
Talvez eu seja um perturbador, ou um elemento subversivo.
Por isso faço o que faço para informar as pessoas,
mas não para tentar,
exigir coisas que as autoridades nem aos franceses concederiam.
- Não é uma exigência… - Como estrangeiro, me contento…
Não se deve contentar em viver no esgoto por ser estrangeiro.
- Também tens direitos. - Mas não estou no meu país.
Sim, mas não deviam... Ouve, aqui ninguém está na sua terra.
Nem os franceses estão na sua terra. Porquê? Porque há sempre alguma coisa.
De todas as formas, como trabalhador,
ninguém está nunca na sua terra.
A razão por que aceitei responder às suas perguntas
é informá-lo,
ser, de certa forma, o porta-voz dos meus camaradas.
Mas dado que cheguei recentemente
e que ainda não estou aqui nem há três meses.
Te peço para fazer com que eu não seja facilmente reconhecido,
porque poderia me causar problemas.
Porque não estou trabalhando. Tenho a minha mulher
e receio que possa haver más interpretações
das razões que me levaram a lhe dar informações.
E corro o risco de ser deportado.
Entende? Somos ameaçados de nos botarem para fora no inverno.
Gostaríamos de saber se esta medida é unilateral,
ou se se aplica apenas a uma categoria de inquilinos,
ou se é uma diretiva geral.
Pedimos às autoridades,
mesmo que seja uma diretiva geral,
pedimos que possamos também
nos beneficiar desta diretiva da prefeitura
e ficar até depois do inverno.
Neste momento, se tivermos que ir embora, vamos.
É tudo o que tenho a dizer.
Se quiserem falar
Desses países longínquos
Onde as pessoas morrem de pobreza e de fome
As crianças do Biafra e os pequenos indianos
A dois passos da minha casa
Vão ver os meus vizinhos
A dois passos da tua casa
Vai ver os teus vizinhos
MEUS VIZINHOS
REALIZADO COM A PARTICIPAÇÃO DE TRABALHADORES IMIGRANTES
Porque o Governo não se interessa por nós.
Mesmo quando vem às convenções,
encoraja as pessoas a emigrar.
Porquê? Por razões que para eles talvez sejam políticas.
Porquê?
Porque o exército de desempregados
que está se criando nos subúrbios e nos bairros-de-lata
está se tornando cada vez mais revoltante.
Por isso os Governos africanos encorajam estas pessoas
a emigrar para evitar que se revoltem.
Após assinarem as convenções
os Governos não respeitaram sequer
essas convenções, que são convenções apenas formais.
Não as respeitam. O controle nos portos não é reforçado.
E os franceses dizem que somos clandestinos, apesar de…
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