All language subtitles for Espetaculo de Sangue (1967) (pt-br)

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Original subtitles

Senhoras e senhores!

E agora, o único ato desse tipo, no mundo, executado sem rede.

O maior desafio da morte em corda bamba. Gaspar, o Grande!

ESPETÁCULO DE SANGUE

Dê-me as folhas dos recibos, Dorando.

Suas mãos estão tremendo.

Mônica, como pode ficar sentada aí nessa calma...

conferindo recibos, depois daquela catástrofe horrível?

-Como pode ter tanto sangue frio? -"Realista" é a palavra!

Foi bom eu ter assumido o controle depois do que aconteceu.

Se dependesse de você, teríamos o pânico em nossas mãos.

Sim. É uma coisa boa você ser desumana.

Estamos administrando um circo. Não uma escola de charme.

E o mais importante é que a plateia deve ser distraída.

-Sim. O show tem que continuar. -Sempre.

Não importa o preço para você?

Sim, é como na guerra.

Tropas são substituíveis.

Tanto os soldados como os generais.

Substituíveis!

Você está dizendo isso para mim?

Você acha que pode se virar sem mim?

Ainda não.

E se eu insistir?

Estou farto. Só o que tem a fazer é comprar meu número.

Eu não estou pronta ainda.

Você sabe muito bem que não posso pagar para você sair.

Você terá que esperar.

Ouça, eu quero sair agora.

Estou indo embora.

Você é uma sórdida e miserável máquina de somar.

O que quer fazer? Arruinar meu circo?

E tem a audácia de... Entre!

-Senhora Rivers? -Sim.

Sou o Detetive Sargento Hutchins. Este é o Detetive Constable Bradford.

Como posso ajudá-los, senhores?

Bem, primeiro devo dizer-lhe que nada do equipamento de Gaspar...

deve ser removido ou tocado até que seja examinado por nossos peritos.

Claro. Agora, tenho algumas perguntas.

Quem construiu a aparelhagem usada no espetáculo?

Gaspar mesmo, com o grupo de construções.

-Mais alguém a manejava? -No circo todos fazem isso.

Ele sempre a examinava pessoalmente.

Se o senhor quiser, eu posso lhe dar os nomes dos ajudantes.

Bem, vamos precisar mais do que isso.

Por favor, reúna todos os seus artistas e ajudantes...

-às 10 da manhã, pare perguntas de rotina. -Sim, claro!

Compreenda que esta investigação pode durar alguns dias...

e até lá ninguém pode deixar o circo.

Ninguém.

Boa noite.

Boa noite.

Bem, Dorando. Você ouviu a lei.

Ninguém sai.

Não fique tão deprimido. Eu ainda preciso de você.

Você sempre vence, não é, Mônica?

Se você tivesse um cérebro na cabeça, veria que vence também!

Como assim?

Bem, até agora tivemos uma temporada fraca.

E agora, com o acidente e toda essa publicidade,

vamos ter grandes bilheterias.

As pessoas têm uma curiosidade mórbida sobre a morte.

Especialmente, quanto às mortes violentas.

É por isso que estou certa que o circo estará lotado amanhã à noite,

com as pessoas torcendo para que se repita o espetáculo de ontem.

Isso realmente excita você.

Eu não a tinha visto animada assim desde que começamos a turnê.

Pobre Dorando.

Por que você está sempre tão deprimido?

O que posso fazer para animá-lo?

Sabe de uma coisa? Posso até deixar que durma comigo hoje à noite.

Mas primeiro, há algumas coisinhas que precisa providenciar.

Eu quero que você pegue fotografias de Gaspar...

e mande para os jornais. Para enfeitar a história.

Depois quero que telegrafe para todas as agências de Londres, Paris e Berlim.

Quero um número espetacular em substituição.

Mas isso vai me tomar a noite.

Qual a diferença? Eu tenho o sono leve...

Eu tenho um número para senhora, os Gorraras, que considero sensacional!

A última vez que eles se apresentaram,

dois de seus cavalos caíram mortos na arena, de velhice.

E quanto aos Fabulosos Glen?

Eles ainda são os melhores ciclistas acrobatas no seu ramo.

Quando sóbrios, o que não é frequente.

Olha, eu não perco o meu tempo com esses veteranos fracassados.

Alguns são mais velhos que meus elefantes e têm o dobro das rugas.

Eu quero coisas novas. Caras jovens com números sensacionais!

Eu gostaria de falar com você, Sra. Rivers.

-Sobre o quê? -Meu número.

-Frank Hawlkins é o meu nome. -Nunca ouvi falar de você.

Bem, sou novo deste lado do mundo.

Mas ouvi você dizer a eles... que você queria algo novo e excitante.

-E você, é claro, preenche isso? -É claro que sim!

-Você não tem um agente? -Eu prefiro cuidar de mim mesmo.

Veja, Bruno, que temos um número duplo:

Agente e artista, reunidos em um só.

Depois que ver meu ato, concordará comigo.

Eu devo concordar que não é do tipo tímido! O que faz?

-Corda bamba! -Isso é que é sorte!

Certamente sabe o que aconteceu com o último que tínhamos, Gaspar, o Grande!

Eu vi o número dele ontem à noite. Ficou dependurado.

Deixe a graça para o Bruno e o resto dos palhaços.

Eu não tenho tempo para suas piadas lúgubres.

Apenas me dê os detalhes de seu número.

-Corda bamba, 60 pés acima... -Já sei, acima de uma rede de segurança.

Não, nem tanto!

Por que não vê o número pessoalmente? Um só espetáculo. E depois decide.

E se eu gostar? Quanto?

Eu deixo o dinheiro a seu critério.

Veja meu número hoje à noite. Se achar que não merece dinheiro alto...

Bem, este lugar está cheio de saídas.

Nesses termos...

faremos negócios.

Senhor Hawlkins!

Está com muita pressa, Sr. Hawlkins?

Eu não gosto de ser abordado, principalmente por estranhos.

Bem, já deixaremos de ser estranhos. Meu nome é Harrison Liston.

Eu sou especializado na representação de números de circo e novidades.

Não me interessa o que você faz.

-Nunca nos vimos antes. -Mas eu o conheço, Sr. Hawlkins.

-Que diabos você quer? -Eu quero te ajudar.

Eu vi o senhor vender seu número ainda há pouco.

Formidável, Sr. Hawlkins. Formidável! Até certo ponto.

Até estragar seu caso deixando o dinheiro a cargo de Mônica Rivers.

Eu cuido de meus próprios negócios. Agora, por que não cuida de sua vida?

Você precisa de mim de outras maneiras.

Afinal, o senhor é um estrangeiro neste país.

Eu posso amaciar alguns detalhes incômodos.

Olha, eu não quero nada de você.

Por que não me deixa em paz?

Como eu disse, posso amaciar alguns detalhes incômodos...

como a sua situação trabalhista.

Afinal, Sr. Hawlins, não vai querer que as autoridades da Inglaterra...

saibam o que aconteceu no Canadá, não é, Sr. Hawlins?

Nem as dificuldades com as leis trabalhistas.

Está bem. Está bem!

Nunca mais chegue perto de mim.

E agora, é meu privilégio especial... apresentar este demônio da corda bamba.

O Magnífico Hawlkins!

Senhoras e senhores,

vão assistir ao único número desse gênero...

no mundo inteiro.

O Magnífico Hawlkins apresenta-se sem rede,

a 60 pés acima das baionetas de aço...

e usando uma venda nos olhos.

Ele desafia a morte a cada passo.

E agora chamo a atenção de todos para a arena bem abaixo do arame.

Senhoras e senhores, em seu passeio da morte,

O Magnífico Hawlkins!

A CIDADE DE LIVERPOOL

Aqui está o seu contrato.

Obrigado, Sr. Dorando.

Eu espero que as cláusulas estejam a seu gosto.

Saiba, no entanto, Sr. Hawlkins,

que este salário tira um pouco de cada artista deste circo.

Você é mais velho do que eu, Sr. Dorando.

Mas sei que concorda que só obtemos o que merecemos.

Nem mais, nem menos.

Pode guardar suas tiradas para você mesmo.

E sobre a minha caravana particular?

-A Sra. Rivers me prometeu que... -Não me interessa o que ela prometeu.

Nos negócios do circo, minha decisão é final.

Além disso, não precisamos ter um carro extra na caravana.

A menos que queira ficar com o meu.

Não, obrigado. Não é tão confortável quanto o meu.

Obrigado, por deixá-lo comigo.

Na próxima turnê, se ainda estiver conosco e continuar um sucesso...

Vamos pensar em sua caravana particular.

Talvez eu não tenha que esperar tanto.

O meu nome é Hawlkins! I-N-S, Frank Hawlkins!

Fica bonito, não?

Não fique empolgado, meu filho.

Eu já pintei muitos nomes nesses carros. E já apaguei muitos também.

Eu ia terminar a pintura do seu nome... Mas acabou a tinta.

E agora, senhoras e senhores.

O Circo Rivers apresenta o maior número de elefantes do mundo.

E agora, Jody, O Elefante Maravilha.

Pesando mais de cinco toneladas,

vai passar sobre seis moças deitadas no chão da arena.

É bem melhor que na cantina.

Devíamos jantar sempre juntos.

Eu estou louco por você, Mônica.

-Eu gosto de você, Frank. -Só isso?

Por que deveria ser mais?

Você ainda é um estranho para mim.

Na verdade, eu sei muito pouco sobre você.

Você, bem... você não fala muito sobre seu passado.

Porque só me interessa o futuro,

nosso futuro.

Não tão depressa, Frank!

Eu gosto de você, Frank. Mas vamos devagar.

Por que não? Do que você tem medo?

Há muito tempo...

Um dia eu te conto esta história.

Há muito tempo perdi a capacidade de amar.

Vamos aproveitar o que temos hoje.

Tornar esta vida louca do circo mais suportável!

Mônica, você sabe mesmo fugir de um assunto.

Se você quiser que eu soletre para você, vou fazer:

Para mim, o que temos não é mais importante que um cartão de felicitações.

E às vezes, não muito dispendioso.

Farei com que mude de ideia.

-Você vai tentar e fracassar. -Por quê?

Excesso de obstáculos.

Como Dorando?

Ele é apenas meu parceiro de negócios.

Bem, eu odeio esse velho devasso!

Ele não larga de você. E o que faz lhe vigiando o tempo todo...

-Isso cheira a ciúmes. -Pare!

É isso que quero dizer.

Você fica todo esquentado e estraga tudo.

Agora, olhe, Frank.

O que faço com minha vida é assunto exclusivo meu.

Vou me lembrar disso.

E agora...

Eu preciso dormir.

Boa noite, Mônica.

Senhora Rivers.

Espere um minuto, Bruno.

Senhora Rivers. Venha depressa. Algo terrível aconteceu.

É o Sr. Dorando.

Ouçam-me todos vocês. Eu sei o choque terrível que tiveram.

Mas não adianta nada permanecerem aqui. Por favor. Voltem para a cama.

Por favor.

Voltem a dormir!

Esse é o remédio dela para tudo. Como se fôssemos crianças.

Se me ouvirem, não vamos nos recolher.

Ainda não.

Está bem claro que há um assassino à solta neste circo.

E ninguém está seguro até que ele seja pego.

Eu estou apavorada.

Depois de ver isso, estou com tanto medo que ouço meus ossos tremerem.

Até eu admito.

Pela primeira vez na vida, meus nervos me incomodam.

Eu sou mais forte que dois cavalos.

Todos sabem que quando dobro uma barra de ferro com meus dentes,

isso é real. Ferro!

Mas eu não posso lutar contra o que não vejo.

Exatamente!

É por isso que temos que descobrir quem está por trás desses assassinatos.

Assassinatos?

Você não acha que a morte de Gaspar foi um acidente, não é?

Só um tolo acreditaria nisso.

Quem é você? O chefe da polícia?

Bem, o que sabe sobre o caso?

É verdade! É melhor fazermos o que a Sra. Rivers disse.

Irmos para a cama. Deixem o trabalho da polícia para a polícia.

E o divertimento para nós.

Você! Não arriscaria o pescoço nem para salvar sua mãe.

Por que não se cala?

Olhe para ela. Mal pode esperar para voltar para a caravana...

e para sua garrafa de bebida.

Quem você pensa que é?

Por que vocês dois não vão correndo se meter nos carros?

Mas eu não tenho medo de vir para fora e dizer...

que todos sabemos que Mônica Rivers

não perde o sono por causa desses assassinatos.

Eu mesmo a ouvi dizer que o crime era bom para os negócios.

Então, isto não nos diz que está por trás deles?

Eu pergunto: quando tivemos essas lotações esgotadas?

O circo nunca fez tão bons negócios!

Eu digo para vocês que ela está envolvida nisso tudo.

Matilda, você está louca! É uma maluca, uma lunática.

Eu também acho.

Todos nós sabemos que não pode ser a Sra. Rivers.

Fale por você mesmo. Todos sabemos que é um escravo dela.

Ouçam, cada um deve ter sua chance de falar.

Você! Você que se diz clarividente. Você adivinha o futuro.

Quem você diz que é o responsável?

Sobre esses crimes? Deixe-me em paz. Eu não sei nada!

Tudo que te interessa é ler palmas das mãos.

-Por que você não fala? -Sim, isso é urgente!

Então conte. O que as estrelas, suas folhas de chá,

e sua bola de cristal dizem?

Me dizem para eu cuidar da minha vida.

Você não é só uma farsante, mas também uma covarde!

Compreendem? Temos que pegar o caso em nossas próprias mãos...

e parar com essas mortes antes que assassinem a todos, um por um.

E digo mais uma vez: é a patroa!

Ouvem os leões? Farejam sangue.

São muito sensíveis.

Ontem à noite estavam inquietos.

Antes de ficarmos entusiasmados, deixe-me fazer umas perguntas.

-Você, Emil! -Mas por que eu?

Vou refrescar sua memória.

Ano passado, na Berlim Ocidental,

contou-me que Dorando lhe prometeu um aumento.

E daí?

Mas ele nunca lhe deu o aumento. Então, guardava rancor contra ele.

Eu não iria matar por dinheiro!

-Não? -Eu não faria isso.

-Você sempre passeia sozinho à noite. -Sim, é verdade. Eu mesmo já vi.

Então podia ter sido você.

O que faz andando sempre sozinho no meio da noite?

Eu vou respirar ar puro.

Ar puro? Quem acredita nisso?

Você me disse que odiava Dorando.

E você, Romy, uma vez me disse que odiava Gaspar porque ele zombava de sua barba.

Talvez tenha sido você!

Imbecil! Como eu poderia cometer um crime?

Sou a pessoa mais fácil de ser identificada aqui no circo.

Qualquer um vê minha barba antes de me ver.

Mas você! Eu te ouvi ameaçar o Gaspar por se meter com sua esposa.

É verdade. Avisei para se afastar.

Olhe, eu posso ser todo pele e ossos, mas ainda posso usar uma arma.

De qualquer forma, ela me deixou. Não aguentou os hematomas.

Sim, ainda acho que foi você...

Chega! Chega, todo mundo!

Não conseguiremos nada lutando entre nós.

-Acreditem em mim. À culpada é a patroa! -Está certa! Não conseguirão nada, ponto.

Sua ordinária! Sua ingrata miserável!

Recolhi você e seu amante, Lazlo, quando morriam de fome.

Adiantei dinheiro para o seu número e tiveram êxito.

E como você me paga? Dizendo mentiras pelas minhas costas?

-Não pode nos amedrontar. Eu ainda digo... -Calada, ou corto sua língua!

Consigo uma dúzia de números como o seu.

E vocês! Se não fosse por mim, morriam todos de fome.

-Estamos com medo! -E nervosos!

Eu sei o que vocês são.

Olhe, deixem que eu me preocupe. Agora, voltem para suas caravanas.

Estamos com a matinê de amanhã toda vendida e quero um grande espetáculo.

Lazlo!

Eu dou a você o benefício da dúvida.

Digamos que você deixou-se levar.

Mas aquela boca mole da Matilda...

é melhor você controlá-la. Obrigue-a a calar-se!

Ou cancelo seu número e boto os dois na rua.

Mandou me chamar, Comissário?

Brooks, detesto estragar sua figura, mas terá que remover esta flor da lapela.

-Você sabe que sou alérgico ao pólen. -Desculpe, senhor.

Diga-me, superintendente, quando ainda era um garotinho,

você já quis fugir e juntar-se ao circo?

Não, senhor. Em absoluto.

Eu tive uma vida muito feliz com o amor dos meus pais...

mais uma mesada generosa de duas tias amorosas.

Bem, poupe-me dos detalhes, porque você acabou de entrar para o circo.

Para o circo? Posso perguntar em que função?

Bem, certamente não será como artista. Quero que vá à Liverpool.

-O Circo Rivers? -Exatamente!

Fico feliz em saber que anda lendo algo mais do que páginas sociais.

Bem, acho que sou como à maioria das pessoas, senhor.

-Ler sobre esses crimes me dá arrepios. -Sim, mas sua tarefa é impedi-los.

Agora é um pouco tarde para isso, não?

Pelo menos para o Sr. Dorando, com aquele prego cravado na cabeça.

Eu vi umas fotos bem horríveis lá embaixo.

Senhor, entendi que iam trazer uns suspeitos até aqui.

Que suspeitos? O assassino não deixou nenhuma pista.

De qualquer forma, Brooks,

você tem que caçar um animal selvagem, no seu ambiente nativo.

Você não tira um tigre na selva da Ásia...

-para matá-lo no Hyde Park. -Concordo, senhor.

A polícia local descobriu alguma coisa?

Nada. Pelo relatório deles, o assassino deve ter usado luvas especiais.

E o terreno em volta foi pisado...

por gente demais para se conseguir alguma pegada.

Este circo é propenso a acidentes demais, não?

Se bem me lembro, lá aconteceu outra morte horrível!

Este caso também está na minha agenda.

Três semanas atrás, em Leeds, um grande astro deles,

um virtuoso da corda bamba, chamado Gaspar, o Grande,

morreu enforcado por sua própria corda que se rompeu sob seus pés.

Acha que foi acidente?

Bem, a morte do segundo homem faz com que a primeira pareça um assassinato, não?

Dentro de uma hora posso partir, senhor.

Antes de partir, superintendente, aceite um conselho paternal.

-Estou pronto para ouvir, senhor. -Este terno que você está usando...

parece novo e muito caro.

-É um Savile Row? -Claro.

E sapatos sob medida. Vestir-se bem é um fetiche para você.

-Certo, senhor. Eu não bebo, não jogo... -Eu sei, sua maior preocupação,

além de seu trabalho, é vestir-se com elegância.

-Sim, senhor. Seu conselho? -Só isso.

Deixe suas roupas caras em caixas à prova de traças.

Você achará neste circo um ambiente um tanto desarrumado.

Brooks, concentre-se em seu trabalho. Você é o homem certo para isso.

É por isso que estou deixando você lidar com isso sozinho.

Há mais uma cidade em seu itinerário antes deles chegarem aqui em Londres.

Fique de olho neles.

Muito bonito!

Você nos tem nos dedos, use-os da próxima vez que entrar na minha caravana.

Desculpe, mas como pode ver, estou com as mãos ocupadas.

Por que você não se sente em casa?

Obrigada. Pensei que poderia gostar de um pouco de companhia.

Então, eu trouxe uma garrafa.

-Eu não bebo. -Nesse caso, me assista beber.

-Você faz disso um hábito? -Beber?

Entrar nas caravanas de homens à meia-noite.

Só se eu gostar deles.

Eu fico lisonjeado, mas você poderia esperar por um convite.

Bem, percebi que você é do tipo reservado, Frank.

A mulher tem que provocar você. Por isso estou aqui.

E agora que você me pegou?

Isso não é um pouco perigoso?

Não se preocupa em Lazlo descobrir?

Neste momento ele está na cama, roncando...

Aliás, é tudo que ele faz na cama.

Por mais que eu queira, querida,

vou ter que lhe mostrar a porta e lhe desejar boa noite.

Qual é o problema, Frank? Não gosta de mim?

Eu te acho muito atraente.

Só que está vendendo seu charme na cama errada.

-Você não diria isso para Mônica Rivers. -O que diabos ela tem a ver com você?

Não precisa ser tão rude, Frank.

Eu estava apenas tentando ser amável.

Pois eu espero que represente melhor em cena do que aqui.

Bem melhor, lhe garanto.

Você quer me derrubar, Matilda. Realmente você quer.

Entendi! Você não está preocupado que Lazlo descubra, está?

O que você quer dizer?

É de Mônica que você tem medo.

Deve estar brincando. Por que me preocuparia com ela?

Eu sei tudo sobre você e ela.

-Quem se importa? -Eu me importo, por sua causa.

Bem, muito gentil de sua parte.

Ela é perigosa, Frank. Muito perigosa.

Você pode pensar que vai durar para sempre, mas está errado.

-Lembre-se de Dorando. -Onde quer chegar?

Ele também pensava que era o único na vida dela...

e quando ela não o quis mais, se livrou dele.

É melhor ter cuidado com a língua, Matilda. Ou vai se meter em encrenca.

Eu não me importo. Eu não tenho medo da Mônica e ela sabe disso.

Eu digo que ela matou Dorando. E um dia vou provar.

-Você é louca! -Sou? Apenas lembre-se do que eu disse.

E da próxima vez que ela abraçar você, certifique-se...

de que suas mãos amorosas não estão segurando um punhal.

Você é uma linguaruda. Saia daqui. Fora!

Matilda, querida! Tome mais cuidado para não cair assim.

Vai danificar seu cérebro.

Sua vaca! Vou te ensinar a rir de mim.

Você...

Wanda!

Wanda!

Sua vaca!

E você! Você também terá o seu.

Encrenqueira! Tudo o que faz é criar problemas.

Espere até eu te levar para a caravana.

E agora vamos tocar o novo sucesso do Kenny Gleen Group!

Uma festa e tanto! Você gostou?

Do que está falando, Mônica? Não me venha com ideias erradas.

Ideias erradas?

Só porque você está entretendo uma mulher em sua caravana...

no meio da noite, vestido assim?

Agora, use a cabeça. Não pensa que a convidei, pensa?

-Sim! -Você está errada.

Matilda apareceu aqui no vagão sem ser convidada e a mandei embora.

Depois de duas horas!

Imediatamente! Foi por isso que deu confusão.

-Por quê? -Por que o quê?

Bem, certamente você não é nenhum santo.

E ela é atraente, de certo modo vulgar! Por que a expulsou?

Ela começou a falar demais.

Sobre mim?

Ela é louca.

Ela acha que você assassinou Dorando.

E você? O que pensa?

Confie em mim, Mônica.

-Dizem que isso dá sorte. -Espero que esteja certo.

Mesmo assim, no futuro, vou olhar por onde ando.

-Já veio a um circo antes? -Na plateia. Uma vez ou outra.

Foi o que pensei. Você não parece um homem de circo.

E um homem do circo nunca teria pisado em bostas de elefantes.

Sim, certo. Vou tentar evitar que aconteça de novo.

Está procurando alguma coisa?

Sim, na verdade, estou. Quem sabe pode me ajudar?

-Procuro pela Sra. Rivers. -Por quê?

-Você se importa? -Não é mais um repórter, é?

Não, não. Não sou repórter.

Disseram-nos para correr com eles, se aparecer algum.

-Vou levá-lo até a Sra. Rivers. -Obrigado.

Ficou surpreso, hein?

Ninguém nota a diferença quando estou atrás dessa porta.

Faço isso o tempo todo. Venha.

Qual é o seu nome? Bem, vou ter que apresentá-lo, não?

Não posso simplesmente te botar para dentro.

Não, claro que não. Sou o Detetive Superintendente Brooks.

Você é um detetive?

Mas já tivemos vários detetives por aqui. Pensei que isso tivesse acabado.

Eu sou da Scotland Yard.

Entre!

Senhora Rivers, tem um homem à sua procura.

Detetive Superintendente Brooks.

Faça-o entrar, Bruno.

Ele é da Scotland Yard!

-Bom dia, Sra. Rivers. -Bom dia.

-Bruno? -Sim?

-Quem é aquele? -Você gostaria de saber, não é?

-Foi por isso que eu te perguntei. -Mas eu não vou dizer.

-É confidencial. -Não me venha com isso.

Você não sabe quem ele é. É só um moleque de recados.

Eu, um moleque de recados? Eu não sei nada, não?

Eu sei sim, viu? Ele é um detetive da Scotland Yard, viu?

Um detetive superintendente!

Desculpa, Bruno. Você sabia mesmo, não é?

Todos esses interrogatórios são mesmo necessários?

Eu já contei para a polícia local tudo que eu sabia.

E eles chamaram a Scotland Yard, Sra. Rivers.

Você concordará que ainda existem algumas áreas que precisam ser esclarecidas.

Como quem é o assassino, por exemplo.

Sim. Sim, é claro.

Bem, qualquer coisa direi ao senhor.

Há quanto tempo Alberto Dorando era seu sócio?

-Sete anos. -Em que função?

-Gerente de negócios. -Apenas gerente de negócios?

-O que você quer dizer? -Bem, às vezes acontece que...

quando duas pessoas trabalham juntas por sete anos...

possa surgir mais que uma amizade comercial.

Bem, naturalmente como sabe, nos tornamos bons amigos.

Amigos íntimos?

Se o que o senhor está tentando descobrir era se eu dormia com Dorando,

a resposta é não.

Me desculpe se faço essas perguntas, Sra. Rivers.

Mas compreende que não podemos descartar um motivo sexual para o assassinato.

O Sr. Dorando tinha algum interesse financeiro no circo?

Absolutamente nenhum.

Eu sou a proprietária exclusiva do Circo Rivers.

Ele pertence à minha família há 50 anos. E os negócios sempre foram bem-sucedidos?

Não, não...

Não há nada de certo no mundo dos espetáculos.

Nós comemos caviar e comemos serragem.

Mas eu soube que desde a morte de Gaspar os negócios aumentaram.

É verdade.

Então não seria correto dizer, Sra. Rivers, que o circo, sem falar na senhora,

ganhou financeiramente com a morte de Gaspar?

-O que você está insinuando? -Eu não estou insinuando nada.

Estou tentando apenas estabelecer alguns fatos.

Agora, é verdade ou não?

Pode pensar em alguém...

Por que você não vem para dentro?

Eu tenho certeza que vai achar mais quente e mais confortável.

Superintendente Brooks, permita que eu lhe apresente Frank Hawkins.

Sim! Claro. Você assumiu o lugar de Gaspar, o Grande,

não foi, Sr. Hawkins? Oportunamente!

O que eu ia perguntar à Sra. Rivers era:

Você poderia pensar em alguém... que se beneficiasse com essas duas mortes?

Você não descarta nenhum suspeito, não é, superintendente?

Bem, para sua informação,

eu não estava nem perto do circo quando Gaspar foi assassinado.

-Onde estava então? -Num trem.

-Num trem! -Viajando até Leeds...

para ver a Sra. Rivers e pedir um emprego.

Isso é um pouco estranho, não? Você veio ver sobre um emprego...

num circo que já tem o número de corda bamba.

Alguém pode provar que você estava no trem?

Então não há provas de que você não viajou no dia anterior?

Por que eu mentiria?

Quem mexeu na aparelhagem de Gaspar, Sr. Hawkins,

conhecia todos os detalhes.

Sabia exatamente o que fazer e como fazer.

E ele poderia ter subido para o alto da tenda para fazer o serviço.

Bem, acontece que não fui eu. Qualquer um podia ter subido lá.

É verdade.

Qualquer homem, mulher ou criança deste circo...

foi treinado para subir em cordas e escadas.

Quando a lona é erguida, todo mundo ajuda.

Sim!

Agora, se você já terminou com suas perguntas...

e decidiu não me prender, eu irei.

-Tenho que me preparar para a matinê. -Só mais uma pergunta, Sr. Hawkins.

Na noite em que Dorando foi morto, onde você estava?

Em meu vagão. Dormindo.

Suponho que não haja testemunha para isso, ou há?

Eu estava sozinho.

Onde estava, Sra. Rivers?

Eu estava aqui.

Eu não sabia de nada até Bruno bater na porta e me acordar.

Certo, Sr. Hawkins. Por ora é só.

E não faça nenhuma viagem para longe do circo, por enquanto.

Ainda vai precisar de mim? Eu também tenho matinê.

Isso é tudo. Obrigado, Sra. Rivers. Por enquanto.

-Vai ficar aqui por muito tempo? -Até pegar o assassino,

e isso me leva ao meu pedido final.

Tem algum lugar onde eu possa ficar? Aqui no terreno do circo?

Não. Dispomos de pouco espaço.

Há um lugar. À caravana de Dorando.

Você tem as chaves?

Obrigado, Sra. Rivers.

E agora, senhoras e senhores,

apresento-lhe Phyllis Allen e seus poodles inteligentes.

-Está atrasado. -Sinto muito. Posso te ver mais tarde?

-Estou muito ocupada. -Preciso falar com você.

Olha, eu tenho um milhão de coisas para fazer.

A folha de pagamentos tem que ser feita, contas a pagar. Desculpe, estou sem tempo.

Então precisa achar tempo. Preciso falar com você.

Sorria. É sua vez!

Bruno, você pode entrar agora, por favor?

-O que disse a ele? -Meus lábios estão selados.

Meus lábios estão selados! Seu saco de ossos estúpido!

Bem, vou te dizer uma coisa: Os meus não estão!

Diga-me, Bruno, quando ouviu os gritos e a comoção,

o que você fez?

Corri o mais rápido que pude e chamei a Sra. Rivers.

Ela estava dormindo, então?

Sim! Acredito que sim, porque eu bati na porta umas cinco ou seis vezes.

Onde estava quando você ouviu os gritos?

Eu estava voltando da cantina para o meu vagão.

Eu sempre faço um lanche noturno.

Você viu ou ouviu alguma coisa de natureza suspeita?

-Antes de ouvir os gritos? -Não, senhor.

Bruno, você deve circular muito por aqui.

Você poderia pensar num motivo para alguém querer matar Dorando?

Não, não. Realmente ele era um gerente muito bom.

Eu sempre conseguia um adiantamento com ele quando estava curto.

-Quero dizer, curto de dinheiro. -Sim, é claro.

Você chamou Dorando de gerente.

Não era ele também um dos donos?

Não, acho que não.

Bem, muito obrigado, Bruno. É só, por enquanto.

Agora, não esqueça, se você vir ou ouvir alguma coisa,

que possa ajudar a resolver este crime...

-você vai me contar, tudo bem? -Sim, superintendente.

Quer entrar agora, por favor, Madame?

E o que você disse a ele? Ou seus lábios estão selados também?

Quando você lida com a lei, deve ter cuidado e dignidade,

mas as duas coisas se encontram além de sua capacidade.

Eu te disse que estava ocupada.

-Eu não tenho tempo para bisbilhoteiros. -Eu vou te dizer uma coisa, Mônica.

Você representou muito bem para este detetive.

Eu representei? E você então?

Você disse a ele que estava dentro de um trem na noite da morte de Gaspar.

Isso mesmo. Eu estava.

Bem, então por que disse na primeira vez que nos encontramos...

-que viu Gaspar morto? -Eu só estava brincando.

Você não lembra? Me pediu para não fazer piadas com a situação.

Mas e você?

Não me disse que Dorando era seu sócio?

No entanto, disse ao superintendente que você era a proprietária absoluta.

-Que diabos isso tem a ver com você? -Com você um homem nunca sabe onde está.

Primeiro você se abre, mas depois recua.

Eu sei que você gosta de deixar os homens confusos.

Bem, isso pode ter funcionado com o Dorando. Mas comigo, não!

Você tem Dorando na cabeça.

Ele era apenas meu gerente e nada mais.

-Eu sei o que ele era... -Não sabe de nada!

Mônica, você está fazendo um jogo perigoso. Toda mentira é uma armadilha.

Quando Dorando foi morto, ouvi você dizer que estava dormindo.

Bem, eu estava na cama.

Quem poderia saber disso melhor que você? Bem, depois que me despachou,

deve ter sido sua sombra que vi correndo para a caravana de Dorando.

-Você está louco! -Não negue. Eu vi você.

Frank,

o que realmente você quer?

Eu quero uma parte no seu circo.

Digamos, a quota que Dorando possuía, eu quero.

Finalmente você se revelou!

Eu quero que sejamos parceiros. Verdadeiros parceiros.

-Então quer uma parte no meu circo? -Certo, é isso.

Tudo bem, Frank. Você terá!

Entre.

-Ângela! -Olá!

Senhorita Burrows?

Lamentavelmente, Sra. Rivers, tive que trazer sua filha de volta...

e entregá-la em sua porta.

Por favor, não fique com raiva. Eu posso explicar.

Com licença, querida. Sr. Hawkins, como pode ver...

uma visita inesperada de minha filha e da diretora de sua escola.

Claro. Podemos resolver nossos negócios a qualquer momento.

E agora, Srta. Burrows, o que realmente aconteceu?

-Por favor, mamãe, me escute primeiro. -Fique quieta.

Você sempre teve jeito para criar problemas.

Sim, Sra. Rivers. Resumiu tudo: Problemas.

Ângela resiste a toda supervisão disciplinar,

e isto é algo que não podemos tolerar.

Como sabe, a nossa conceituada escola para senhoritas...

representa a construção do caráter, educação e boa criação.

Nossa reputação remonta 75 anos...

Eu conheço bem sua escola e reputação, Srta. Burrows.

É por isso que matriculei Ângela. Agora, o que foi exatamente que ela fez?

Quebrou todas as regras. Recusou-se a estudar.

Não tem nenhuma obediência. Eu mesma já a peguei fumando cigarros.

Imitando suas professoras de uma maneira nada lisonjeira.

Além de fumar cigarros e algumas brincadeiras inofensivas,

o que mais ela fez?

Ela perturba a moral das alunas.

-Bastante, bastante angustiante. -O que quer dizer?

Em certa ocasião, ela encheu sua cama com travesseiros,

amarrotou os cobertores de forma que parecia que ela estava dormindo.

E onde ela estava?

Mais tarde, foi encontrada em um armário dando risadas.

Foi apenas uma piada.

Você colocou a escola inteira em alvoroço procurando por você.

Se você estava tendo problemas com Ângela, por que não me procurou antes?

Senhora Rivers, é muito difícil de encontrá-la.

Seu circo está em constante movimento.

Qual é a posição agora?

Sua filha foi expulsa pelo conselho disciplinar da escola.

Eu sinto muito, Sra. Rivers.

Nós tentamos, mas falhamos.

Ângela agora é responsabilidade sua.

Espero que tenha mais sorte. Boa tarde.

Bom dia.

Ângela.

Ângela, o que faço com você?

Apenas me deixe ficar aqui.

Eu simplesmente não aguentava ficar longe de você e do circo.

Eu queria que você tivesse uma boa educação,

que conhecesse pessoas de fora do mundo do circo...

e fizesse outras amizades.

Eu não consegui. Eu simplesmente não pertenço a esse grupo.

Vindo de um circo, eu era diferente das outras garotas.

Elas fizeram eu me sentir excluída. Ninguém queria ser minha amiga.

-Você é tão boa quanto elas. -Eu era diferente.

E nos feriados, quando os pais das outras meninas vinham visitá-las,

-onde você estava? -Eu sinto muito, Ângela.

-Eu tentei sair, mas... -Eu sei. Você estava muito ocupada.

Eu estava sozinha e infeliz. Eu só queria morrer.

Eu não tinha ninguém.

Eu sei.

Por favor, não me mande embora de novo.

Deixe-me ficar aqui com você. Com o circo. Eu pertenço a este lugar.

Afinal, está no meu sangue. Como está no seu.

Querida! Você certamente escolheu uma péssima hora.

Você leu, é claro,

sobre as coisas terríveis que aconteceram aqui.

Eu sei. É horrível.

Eu tive pesadelos pensando no que poderia acontecer com a senhora.

Posso ficar?

Tudo bem, vamos tentar por um tempo.

Eu vou encontrar um lugar para você dormir e então...

amanhã vamos encontrar algo para você fazer.

E eu quero dizer trabalho.

Trabalho duro.

Obrigada.

Você vai ver. Vou trabalhar muito.

-E um tomate, por favor. -Certo.

-É a Ângela. -Bruno! Olá. Romy!

Que bom ver você. Sua barba está linda.

E o meu novo shampoo. É um sucesso!

-Quando você voltou, Ângela? -Hoje.

-Quanto tempo vai ficar? -Para sempre, eu espero.

-Mas e seus estudos? -Eu deixei a escola.

-Ângela, querida. -Olá, Matilda!

Ouvi você dizer que largou a escola.

Sim. Mamãe, me deu um emprego no circo.

Que pena que teve que voltar num momento como esse...

em que temos um assassino entre nós.

Matilda, querida, está na nossa hora.

Boa noite, Ângela. Tente não se preocupar muito.

Afinal, você não tem motivos para ter medo.

O que ela quis dizer com isso?

Não preste atenção ao que Matilda tem a dizer.

Eu não, mas ela sempre foi uma encrenqueira.

-Eu não entendo por que a mantém aqui. -Eles têm um bom número.

Mas talvez eu tenha que me livrar deles,

se Matilda continuar causando problemas.

Café para mim.

Eu tenho certeza que você ficará muito bem no vagão das moças.

-Claro que vou. Boa-noite. -Ângela?

Desculpe.

Boa noite.

Boa noite, querida.

Bruno!

Eu espero não ter te assustado, Sra. Rivers.

Você, seu louco, quase me mata de medo.

-Eu não queria isso. -Você não queria isso!

Eu estava no meu vagão, depois de ter acompanhado Romy.

-E eu vi a senhora sair da cantina. -E então me seguiu...

nas sombras da noite como Jack, o Estripador.

Eu não quis te assustar.

Eu só queria falar com a senhora sobre uma coisa.

Não seja ridículo, a esta hora da noite. Vá dormir!

Senhoras e senhores, agora eu lhes apresento Ingemar, o destemido.

Matilda!

Deixei instruções para você...

para que se apresentasse em minha caravana antes de seu número.

-Eu estava descansando. -Não só você.

Sua língua venenosa também, sempre ocupada, como de costume.

E soube também que você andou falando fora de hora com o superintendente.

Ele me perguntou se eu sabia de alguma coisa ou vi alguma coisa.

Então eu saí imediatamente e disse a ele que suspeitava de você.

Minha mãe já tem trabalho demais em suas mãos, cuidando do circo,

sem precisar que lhe criem mais problemas.

Ângela, querida, você é uma menina muito meiga, mas sério, isso não é de sua conta.

Senhora Rivers, é minha tarefa, caso necessário,

interrogar todos que possam estar envolvidos.

Claro, eu interroguei Matilda, como fiz com a senhora e com os outros.

Eu não estou reclamando disso,

mas eu simplesmente não quero ninguém em meu circo...

enchendo você com um pacote de mentiras.

Você está pronta, Matilda querida?

Senhoras e senhores, vocês vão testemunhar...

um dos mais perigosos e mistificadores atos...

já realizados em qualquer canto.

Diante de seus olhos, Lazlo, o incomparável...

irá serrar uma mulher ao meio.

Senhoras e senhores,

agora que já tiveram o prazer de me conhecer,

deixe-me apresentar minha linda e corajosa assistente, Matilda.

Talvez ela seja ingênua demais para ter medo...

ou talvez confie em mim completamente.

De qualquer forma, toda vez que ela entra nesta caixa...

ela sussurra em meus ouvidos: "Lazlo, minha vida está em suas mãos."

E acreditem em mim, é verdade!

E agora, eu preciso da ajuda de dois cavalheiros da plateia.

Posso ter alguns voluntários?

Obrigado, cavalheiro. E você, senhor, e você, senhor!

Obrigado.

Agora eu peço que digam com sinceridade para a plateia.

-Eu já vi algum de vocês antes? -Não.

Em outras palavras, vocês são completos estranhos para mim?

Sim, está correto.

Queiram ter a gentileza de abrir esta caixa, por cima e na frente?

Matilda, você teria bastante coragem para entrar aqui dentro?

Vocês podem observar, senhoras e senhores, que ela ocupa todo o comprimento interno.

Agora, diante da plateia,

fechem as tampas da caixa.

Obrigado. Obrigado.

Desçam a serra.

Querem examinar a lâmina da serra?

Então, veja, senhor, dois voluntários da plateia abriram a caixa,

Matilda subiu para dentro, a caixa foi fechada,

a serra rotativa foi trazida aqui para o meio e aplicada ao centro da caixa.

Agora, neste ponto, Matilda deveria ter pressionado esta mola aqui.

-O que isso faz? -Ele abre esse alçapão na plataforma,

o que lhe permitia afundar a seção do meio.

Embora sua cabeça e seus pés ainda estivessem expostos,

seu corpo estava fora do caminho e livre do perigo.

-Bem, o que deu errado? -O mecanismo não funcionou.

Dois parafusos foram removidos das dobradiças aqui.

O alçapão não funcionou e ela não pode afundar seu corpo.

E antes que ela pudesse dar um sinal a Lazlo, estava tudo terminado.

Então não poderia ser um acidente.

-Definitivamente não. -Você interrogou Lazlo?

Bem, ele está em estado de choque e sob pesados sedativos.

O médico só me permitiu três minutos com ele.

Mas pelo que ele diz e por seu currículo,

ele já realiza este truque há onze anos, sem contratempos.

É seu costume inspecionar a caixa pessoalmente, antes de cada apresentação.

-Ele fez isso ontem à noite? -Ele jura que sim.

-Você suspeita de alguém? -Não faltam suspeitos, senhor.

Começando pela Sra. Rivers.

Eu a ouvi brigando com Matilda ontem à noite.

Um pouco antes da infeliz entrar neste ataúde.

Elas se odiavam.

O suficiente para matar?

Seu carro está aqui para levá-lo ao aeroporto, senhor.

Obrigado, já estou indo.

O que sabe sobre a Sra. Rivers?

O marido dela foi assassinado há seis anos.

-Assassinado? -Sim, ele era um trapezista aqui no circo.

Houve um acidente, e...

Este circo tem um histórico de mortes violentas.

Eu verifiquei com a polícia local onde o acidente aconteceu.

Eles dizem que foi um caso claro de morte acidental.

No entanto, não acho que a Sra. Rivers sofreu por muito tempo...

porque, logo depois, ela desprezou sua viuvez...

e assumiu Dorando. Agora está envolvida com Frank Hawkins.

-Algo sério? -Acho que não. Ela é muito fria.

Tenho certeza que não deixa sua vida amorosa atrapalhar sua carreira.

Seu principal objetivo é dirigir um circo de sucesso.

Não há dúvida que essas mortes deram ao circo um glamour mórbido.

Os recentes retornos de bilheteria têm sido espetaculares.

Fale-me sobre este homem que mencionou, Frank Hawkins.

Ele também deve ser bem vigiado. Investiguei o seu passado.

Descobri que matou um homem em Toronto, Canadá, há dois anos.

No inquérito o veredicto foi homicídio justificável. Legítima Defesa.

Alguma evidência o liga ao que aconteceu na última noite?

-Não, nada mesmo. -E sobre Lazlo?

Lazlo é um quebra-cabeça.

Embora não fossem casados e Matilda tivesse seus flertes,

eles pareciam formar um casal feliz.

Mesmo assim descobri que Lazlo tem jogado fora seus ganhos conjuntos.

Talvez eles discutissem por isso.

Eu ainda não tive tempo de verificar isso.

Talvez uma maneira de descobrir tudo sobre todos eles é fechando o circo.

Eu posso sugerir que nesta fase não ganhamos nada fazendo isso.

Feche o circo e todos os meus suspeitos escapam.

Como está, eles permanecem juntos, sob meus olhos.

Tudo bem, Brooks, apoio você. Precisa de ajuda?

Eu prefiro trabalhar sozinho.

Muito bem. É só questão de mais dois dias...

antes do circo chegar em Londres. Cuide de tudo.

Tudo certo. Vejo você em Londres.

Mônica, você já decidiu sobre a minha parte?

Depois de nossa estreia em Londres, farei meu advogado redigir um contrato.

Mas do modo como me sinto neste momento, só vamos dividir problemas.

Frank...

tenho pensado em me desfazer do circo.

Me livrar disso tudo.

Você não pode fazer isso. Por mais difícil que estejam as coisas,

precisa se controlar.

Eu não posso evitar, estou muito nervosa. Eu não sou feita de pedra.

Veja, os olhos de todos estão em você, Mônica.

A forma como você age afeta a todos.

Eu sempre admirei a maneira segura como você conduz as coisas.

Bem, está se tornando pior do que eu posso suportar,

com a polícia me envolvendo, os artistas assustados e reclamando,

e suspeitando uns dos outros. Se você desmoronar,

tudo que construiu com trabalho duro irá também desmoronar.

Sabe, pela primeira vez, não é o suficiente.

Este circo está amaldiçoado.

Está se tornando um pesadelo.

Eu fico imaginando e pensando quem será o próximo.

-O que está acontecendo aqui? -Mamãe!

Gustavo vai me usar em seu número.

Desculpe-me se minha faca a assustou, Sra. Rivers.

Assustada? Estou furiosa!

Quem lhe deu o direito de tomar decisões por aqui?

Onde está Wanda, sua parceira habitual?

Ela está bebendo novamente. Não há como pará-la.

Está cada vez mais perigoso trabalhar com ela.

Sem uma parceira de confiança, eu terei que parar ou...

Não tão rápido.

Então o que faço? Ângela se ofereceu como voluntária.

Eu considerei uma grande sorte.

-Eu queria te surpreender. -E conseguiu!

Eu quero trabalhar. Combinamos isso.

Talvez não seja má ideia.

Bem, com Lazlo e Matilda fora...

certamente você vai precisar do número de Gustavo.

Deixe que eu faça.

Você não está mentindo sobre Wanda?

Veja por si mesma. Hoje ela mal consegue trabalhar.

Quanto ao futuro, deixo você tomar a decisão.

Certo.

Trato dos detalhes com você mais tarde.

E eu quero ver este número, antes da estreia em Londres.

Obrigada.

Apenas um aviso, querida.

Os perigos do número não...

se comparam aos perigos do próprio Gustavo.

Ele se julga uma mistura de Dom Juan com Casanova.

Você me lisonjeia, Sra. Rivers.

Mas acredite em mim, nada disso passou pela minha cabeça.

Conserve-a assim!

Você está linda, Romy.

Eu sempre me visto bem para a grande festa.

Eu me lembro como estava no ano passado. Brilhou sozinha.

Uma coisa que gosto quando chegamos em Londres...

são as celebrações que a Sra. Rivers nos dá.

Tudo que você conseguir comer e tudo que você conseguir beber.

Sim, podemos esquecer todos nossos problemas e concentrar em se divertir.

Bem, o que estamos esperando? Vamos!

Mônica. Desculpe-me.

Para você. Espero que afaste o mau agouro.

Brindemos a isso!

Você fez muito bem em não cancelar a festa.

Todos estão se divertindo.

Quando as pessoas estão com problemas, dê-lhes uma grande festa.

Sabe, a Revolução Francesa poderia ter sido evitada...

se Louis XVI tivesse feito isso.

Não se esqueça do que aconteceu com Maria Antonieta.

Mas eu tenho você para me proteger.

E agora, senhoras e senhores, uma grande surpresa.

Um número musical criado por nosso próprio grupo.

Se for a um baile de máscaras

E te apaixonares pelo teu parceiro

Pode ser eu

Se solavancos na noite

Te assustarem

Pode ser eu

Somos pessoas simples

Não é uma brincadeira

Olha para tua esposa, rapaz

Pode muito bem ser eu

Se for num encontro às cegas

Vá e jogue com o destino

E pode ser eu

Se caminhando no parque

Ouvir uma voz na escuridão

Pode ser eu

Se arrisque

Encontre um romance

Em quarenta anos, rapaz

Pode muito bem ser eu

A beleza é uma coisa passageira

Desaparece como uma lua no céu

Decida-se

A beleza é uma coisa passageira

Mas é uma mentira

Caminhando até ao altar

Sorria para mim

E pode ser você

Os anjos vão cantar

Quando eu passear pelo caminho

E pode ser você

Não se levante

Não vá embora

Eu quero um parceiro

E pode ser você

Eu quero um parceiro

E pode ser...

Você?

-Você poderia dançar comigo? -Eu adoraria.

Mônica, não quero te pressionar, querida, mas...

você falou com seu advogado?

Está tudo acertado.

Você terá 25% do circo e 100% de mim.

E na última parte de nossas férias... visitaremos Copenhague, Berlim e Madrid.

Eu te ajudarei a escolher novos números para a próxima temporada.

Será maravilhoso!

Eles formam um lindo casal.

Eu a acho velha demais para ele. Ele não pensa assim e é isso que importa.

Sua mãe nunca envelhecerá. Ela tem o dom da eterna juventude.

Estou faminta.

-Você me traz alguma coisa para comer? -Claro.

Ângela, você não está dançando.

Você não está se divertindo?

Você parece divertir-se por toda a família.

E há alguma coisa errada nisso?

Eu ouvi quais são seus planos com seu namorado Frank.

Eu esperava que pudéssemos ir embora quando a temporada terminar.

Apenas nós duas.

Ângela, posso lembrá-la que foi você que tomou a decisão de ficar aqui?

Sim, quis ficar porque eu ainda esperava ter uma mãe.

Mas é engraçado que todas as lembranças que eu tenho de mãe são de professoras...

e de outras pessoas que me criaram.

Eu fui desviada de um lugar para outro,

como uma bagagem com o endereço errado colado nela.

Mas, certamente, nunca lhe faltou nada.

Não, exceto aquilo de que mais precisava: Você!

Posso me juntar a você?

Por favor.

Superintendente...

Eu espero que você esteja ciente de que ainda estamos todos nervosos...

e sob tremenda tensão.

Eu tenho uma sensação estranha de que o assassino vai atacar a qualquer momento.

Isso é compreensível, especialmente em um lugar como o circo,

onde todos têm liberdade de movimentos.

Dois elementos governam um crime: Motivo e oportunidade.

Aqui há toda a espécie de oportunidade.

E quanto aos motivos? É preciso uma razão para matar.

Claro. Alguns são óbvios, não são? Como lucro imediato e vingança.

Alguns são estranhos, sutis, difíceis de definir.

Que providências você tomou para a estreia de amanhã à noite?

Eu vou mostrar, Sra. Rivers.

Com instruções especiais do Comissário Dalby,

sua noite de estreia será coberta assim:

Nós vamos ter homens da Scotland Yard...

distribuídos em todo o terreno, em pontos estratégicos.

Nas jaulas dos animais,

na linha dos vagões,

nas cantinas... e em todas saídas e entradas.

E claro, teremos homens misturando-se com a plateia...

e também nos bastidores.

Acredite, Sra. Rivers, que todas as precauções possíveis...

para prevenir que alguém ou alguma coisa perturbem o espetáculo foram tomadas.

Mas seus homens nos bastidores, eles não vão...

-Você está pronta, Ângela? -Eu posso garantir isso.

Boa sorte.

Para os dois.

Senhoras e senhores!

É com muito prazer que apresento...

a primeira aparição juntos de Ângela e Gustavo.

Dois artistas incomparáveis, com nervos de aço!

E agora um ato espetacular...

que tem emocionado o público em toda nossa temporada.

Senhoras e senhores, é meu privilégio especial

trazer para vocês aquele que desafia a morte,

o magnífico Hawlkins!

E agora, senhoras e senhores,

o magnífico Hawlkins irá realizar

um dos feitos mais incríveis já vistos na arena de um circo.

Ele ficará numa cadeira, enquanto se equilibra num fio,

com 60 pés acima das baionetas de aço.

Eu tive que matá-lo.

Eu tive que matar todos eles. Eu tinha que destruir seu circo.

Ele matou meu pai e agora estava tirando você de mim.

Matar! É só o que desejo dentro de mim!

Mamãe, eu te dei uma última chance, mas agora você se voltou contra mim.

Eu tenho que te matar!

Ângela!

Tirem esses cabos do caminho!

FIM

TRADUÇÃO: HERALDO MEDEIROS

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