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No come�o da Primeira Guerra Mundial,
a Legi�o Estrangeira Francesa abandonou Marrocos
e uniu-se aos ex�rcitos aliados para derrotar os alem�es
nos campos de batalha da Europa.
A sua coragem tornou-os nos soldados franceses
mais condecorados na Grande Guerra.
Ap�s o Armist�cio, os legion�rios sobreviventes regressaram a Paris
a 14 de Novembro de 1918.
Legion�rios, descer!
A LEGI�O ESTRANGEIRA
Apresentem armas!
Marchemos, filhos da P�tria,
que chegou o dia da gl�ria.
O sangrento estandarte da tirania,
est� j� levantado contra n�s.
Est� j� levantado contra n�s.
N�o ouvis bramar pelos campos
esses soldados ferozes?
V�m degolar
os nossos filhos e as nossas esposas.
�s armas, cidad�os!
Formai os vossos batalh�es!
Marchemos,
Marchemos,
que um sangue impuro
empape as nossas rugas.
Se vos unis � Legi�o Estrangeira Francesa,
recordai que n�o existir�o perguntas.
Vamos, uni-vos � Legi�o.
S�o livres de nos acompanhar.
O que dizes?
Porque n�o? Perdemos.
N�o temos raz�o para voltar para casa.
Dumkoff!
O que fez?
� um ladr�o de j�ias.
Este gato � famoso na Riviera.
De verdade, cigano?
Demoramos tr�s anos a apanh�-lo, mas conseguimos.
Tenho aspecto de delinquente?
Para mim n�o. Maurice,
tem aspecto de delinquente?
Para mim n�o.
- Para ti? - N�o.
- Para ti? - N�o.
- Para ti? - N�o.
- Para ti? - N�o.
A mim parece-me um general.
Muito bem.
N�o o deixe escapar! Gendarme!
Porque � um tipo excelente.
Porque � um tipo excelente.
Porque � um tipo excelente.
E sempre o ser�.
E sempre o ser�.
E sempre o ser�.
Porque � um bom companheiro.
Porque � um bom companheiro.
Porque � um bom companheiro.
E sempre o ser�.
E sempre o ser�.
E sempre o ser�.
Quem � o amiguinho?
Achava que n�o se faziam perguntas.
Piadas s�o com os seus amigos, n�o comigo.
� russo. Manifestou vontade em se alistar na Legi�o.
O que fez?
Embebedou-se, partiu dois caf�s em Montmartre,
e enviou quatro homens para o hospital.
Nada mais?
ATAQUE �RABE EM MARROCOS
MASSACRADA UMA COMPANHIA DA LEGI�O
Desaparecem dois arque�logos das escava��es de Erfoud.
E o �nico oficial vivo, aparte de si,
que tenha servido em Marrocos, o comandante Fresson,
est� a caminho da Martinica.
N�o t�nhamos escolha.
Senhor Ministro, permita-me apresentar-lhe o comandante Foster.
Coronel. Como est�?
Comandante Foster, este � o senhor Marneau,
diretor do departamento de �frica do Norte no Louvre.
Senhores, por aqui. Sentem-se, por favor.
Colocou o comandante Foster ao corrente, coronel?
Sim, senhor.
Ministro, as escava��es de Erfoud
foram fechadas no princ�pio da guerra.
Posso perguntar por qu� decidimos reabri-las?
Em Setembro tive uma intui��o do final da guerra.
� curioso que a tivesse em Setembro.
Os meus homens nas trincheiras...
n�o tiveram qualquer intui��o.
Comandante Foster, por favor.
Excel�ncia, dediquei a minha vida a aumentar o prest�gio de Fran�a
como centro cultural do mundo.
N�o s� por prazer pr�prio ou educa��o,
tamb�m pelas grandes somas de dinheiro que geram estes tesouros.
� custa de uma companhia da Legi�o.
E de dois dos seus arque�logos.
� o pre�o, comandante. O tesouro de Erfoud n�o tem pre�o.
Para mim n�o.
Senhor Marneau,
o que havia exatamente em Erfoud?
Uma cidade
que leva quase tr�s mil anos coberta pela areia do deserto.
Onde est� enterrada a Joana d'Arc berbere.
Chamam-lhe o Anjo do Deserto.
A lenda diz que, enterrada com ela,
h� uma fortuna incalcul�vel em ouro e j�ias.
O que, seguramente, � muito mais do que gastou a Fran�a
para ganhar a guerra.
Desculpem.
Tem a certeza de que o tesouro est� ali?
Total.
Para encontr�-lo apenas precisamos de uma escava��o �rdua
e de prote��o adequada.
Comandante Foster,
conhece o l�der �rabe,
- El Krim? - Sim.
Ministro, no princ�pio da guerra, fui um dos oficiais que lhe jurou,
em nome da Fran�a,
que as escava��es n�o se reabririam sem o seu consentimento.
Mas acha que pode control�-lo?
Poderia falar com ele.
Poderia tentar mat�-lo.
Mas ningu�m pode control�-lo.
Talvez o senhor Marneau se tenha precipitado.
N�o podemos voltar atr�s.
Os seus objetivos s�o s�lidos.
Que continuem as escava��es.
Al�m disso, combatemos durante quatro anos terr�veis,
e no final humilhamos o imp�rio alem�o.
Ministro, lamento. Por favor, desculpe-me.
- Senhor. - Coronel.
Bom dia, coronel.
Sente-se.
Podemos certamente arriscar uns quantos legion�rios
em benef�cio da Fran�a.
Al�m disso, s�o quase todos estrangeiros.
N�o fa�as isso.
Senta-te.
�s marroquina?
Passei 12 anos em Marrocos.
Sabes o que � uma trincheira?
Cavei trincheiras por toda a Europa.
Comi nelas, dormi nelas.
Devia ter sido general do ex�rcito norte-americano.
Deram-me o nome de um general: William Sherman.
Apago a luz?
N�o.
Preferes assim?
Sim, assim.
Agora a Legi�o � o meu ex�rcito.
E n�o o ex�rcito americano gabarolas.
Os cabr�es expulsaram-me.
O �nico que fiz foi dizer-lhes o que pensava deles.
Devia ter estado l�.
Onde?
Alistei-me na legi�o por que perdi a guerra.
Disse aos meus pais que ia de f�rias conhecer
os campos de batalha. Ficar�o furiosos quando descobrirem.
� a primeira vez que n�o viajo em primeira classe.
Pareces acostumado a viajar em primeira.
Na realidade, n�o.
Triand,
como est� o Foster?
N�o sabe?
Foster salvou Triand da pris�o perp�tua numa pris�o militar.
Triand espancou um oficial que tinha matado um legion�rio sem motivo.
Permita-me, sargento.
Comandante Foster, senhor Marneau, senhor Mollard,
apresento-lhes a senhora Picard.
Um americano na Legi�o Estrangeira Francesa.
Sim,
por isso lhe chamam Legi�o Estrangeira, capit�o.
O comandante Foster � um her�i de guerra.
N�o h� her�is nas guerras, s� sobreviventes.
Comandante, n�o seja t�o modesto conosco.
Modesto?
Parti com 8.OOO homens. Regressei com 2OO.
Creio ser digno dessa mod�stia.
N�o, obrigada.
Est� doente, senhora?
Pensam escavar em Marrocos, n�o � verdade?
Sim.
Roubar t�mulos, melhor dizendo.
� assim como se chama no meu pa�s.
Estamos no neg�cio dos t�mulos, n�o �?
Voc�s esvaziam-nos, eu encho-os.
O que chama "roubar t�mulos", comandante,
� a busca da nossa heran�a cl�ssica.
S�o os segredos dos nossos antepassados.
Interessam-me muito mais os vivos que os mortos.
A vida � algo f�cil de fazer.
Qualquer camponesa �rabe pode faz�-la.
Mas criar uma obra de arte que enrique�a a vida, � dif�cil.
Teoria interessante.
Gostaria que a explicasse �s vi�vas do meu batalh�o.
Desculpem.
Necessito uma bebida.
Meu Deus, oxal� viaj�ssemos em primeira.
Desculpe, volto j�.
Posso tomar uma bebida, por favor?
Sim, claro.
Obrigado.
Siga-me, senhor.
Concede-me esta dan�a, senhora?
N�o dan�o com desconhecidos.
- N�o sou um desconhecido. - N�o?
Sou o Marco.
Ficaria feliz se aceitasse isto. Eram da minha m�e.
- Por favor. - Ei, cigano, outra garrafa.
Desculpe.
Empregado?
Obrigado.
Apanha!
Alto!
Exijo uma explica��o, senhor.
O que faz em primeira classe?
Tinha sede. Pensei em vir beber algo.
Entendo.
Como se chama?
Marco.
Todos me chamam "O cigano".
Marco, O cigano.
Isto serve?
- Claro. - Muito bem.
Sargento, sirva uma bebida ao senhor Marco.
O que acha da Legi�o, senhor Marco?
N�o sei muito sobre ela.
Senhor.
Senhor.
Obrigado.
Sargento, o copo do senhor Marco est� vazio.
Beba.
A Legi�o...
� o ex�rcito mais disciplinado do mundo.
Do mundo, senhor Marco.
Tome outra bebida.
Esta � uma li��o de disciplina, senhor Marco.
Bebeu bastante, comandante.
Est� tudo bem.
Beba, senhor Marco.
� uma ordem.
Retire-se!
As minhas p�rolas, Henri.
Onde est�o as minhas p�rolas?
Calma, Sybil, t�m de estar por aqui.
S�o suas? Encontrei-as no conv�s.
Obrigada, senhora. Muito obrigada.
Obrigado.
Porque n�o est� a usar as p�rolas da minha m�e?
A sua m�e pediu-as no barco.
O que mais sabe fazer al�m de roubar e saltar como um macaco?
Leio a palma das m�os. Sou metade cigano.
Muito bem, o que v�?
Uma mudan�a dr�stica no seu modo de vida.
Para melhor, claro.
Pode dizer isso a qualquer uma.
Sim, mas poderia dizer que voltaremos a ver-nos?
Onde viu isso?
N�o vi.
Senti.
Agora tenho a certeza.
Fique com eles.
Dar-lhe-�o sorte.
Foster!
Foster!
Foster!
Foster!
Foster!
Achei que n�o tornaria a ver-te no deserto.
Um soldado tem de ir para onde o mandam.
Estou surpreendida por n�o usares uma medalha pela tua grande vit�ria em Erfoud.
N�o foi uma grande batalha.
N�o valeria o teu tempo.
Mas pareces ter muito mais tempo do que eu previa.
Uma vez disseste-me: "Foster,
a minha miss�o na vida � unir todas as tribos de Marrocos".
Mesmo assim tens tempo para me vires cumprimentar.
Como poderia ignorar a chegada de um velho amigo?
Trago um presente para o Presidente da Fran�a.
Os arque�logos de Erfoud.
� o Marchant! E o Delacorte!
Arrancaram-lhes os olhos e cortaram-lhes a l�ngua.
Vejo que aprendeste...
a gozar vendo homens a sofrer.
Meu Deus!
Tenho ordens para continuar com as escava��es em Erfoud.
E eu tenho ordens de uma autoridade mais alta para impedi-lo.
De Al�!
Fico maravilhado com a aud�cia dos franceses.
Acham-se com direito de dividir outros pa�ses, outros povos.
Podes trazer 1O. OOO comboios de legion�rios.
N�o conseguir�s levar nada da nossa terra.
O deserto d�-te as boas-vindas, Foster.
Porque trouxe t�o poucos com ele?
Porque n�o trouxe mais homens para matar-nos aqui mesmo?
Comandante Foster, deveria saber
que um dos homens que acaba de matar,
era o pai da senhora Picard.
Quartel general da Legi�o Estrangeira Francesa em Bousaada,
Marrocos.
- Nome? - Hastings, Frederick.
- Profiss�o? - Era estudante.
O teu n�mero � o 26891. Jamais o esque�as.
- Chamas limpo a isto? - N�o, senhor.
N�o te movas!
- Nome? - Fran�ois Gilbert.
D�-me isso.
Onde achas que est�s?
Est�s louco?
- Profiss�o? - M�sico.
O teu n�mero � o 26892.
Jamais o esque�as.
- Nome? - Marco Segrain.
Profiss�o?
Primeiro ministro de Fran�a.
O teu n�mero � o 26893.
Jamais o esque�as.
Sim, senhor.
T�m os vossos uniformes,
e j� acham que s�o legion�rios.
N�o s�o.
N�o s�o nada.
Movam-se!
Senhora Picard!
Senhora Picard!
- Ia agora mesmo v�-la. - Do que se trata, comandante?
N�o demorarei muito, eu...
Se veio pedir desculpa, perde o seu tempo.
N�o, n�o venho pedir desculpa.
N�o me importa.
O meu pai era um especialista em hist�ria de arte.
Contemplava a beleza com os olhos e explicava-a com a l�ngua.
Quando disparou, n�o tinha nada disso. N�o creio que desejasse viver.
Senhora,
fiz os preparativos para o seu regresso a Paris.
N�o h� nada � minha espera em Paris.
Aqui tamb�m n�o encontrar� nada.
N�o me importa.
Boa tarde, comandante Foster.
Carregar!
Apontar!
Fogo!
Acho que n�o consigo nem atingir o alvo.
Se me vissem a us�-las, far-me-iam cozinheiro,
ou qualquer outro trabalho horr�vel.
Carregar!
Apontar!
Fogo!
Meu Deus, no branco! � incr�vel!
Desta vez falhei.
Continuai a andar.
Vamos, continuai a andar.
Para a frente, vamos.
Continuai a caminhar.
Companhia, alto!
Dez minutos.
Tenente Fontaine,
desculpe, mas n�o posso marchar com estas botas.
Est�o-me pequenas.
Ent�o marcha sem elas.
Quem �?
Um canalha, mas muito rico. Compra e vende de tudo.
J�ias, mulheres, qualquer coisa.
Boa noite. Est� sozinha?
� �bvio, n�o?
Sim, mas tamb�m � estranho ver uma mulher t�o bonita sozinha
rodeada por estes legion�rios. Por favor, venha comigo.
Sou o seu anfitri�o, Leon. E voc�...?
Estou sedenta.
Esta � a minha mesa privada, para...
clientes especiais.
Sempre � agrad�vel saber que se � especial.
Permita-me comprar-lhe a sua primeira bebida no caf� do Leon.
- Champanhe. - Oh, Champanhe!
Para uma mulher como voc�, o champanhe � a �nica bebida.
Prefiro o whisky.
Mas como � t�o am�vel, farei um esfor�o.
Por si, e pela nossa amizade.
Espera muito pelo pre�o do champanhe.
- Talvez possamos fazer neg�cios. - Agora n�o.
Porque n�o?
S�o lindos.
Deixe-me oferecer-lhos.
4O francos.
Tive um par como este.
Dou-lhe 6O.
S�o uns brincos especiais.
Pertenceram � mulher mais bonita do mundo.
E fiquei-lhes muito apegado.
Quero-os.
15O francos.
Sinto muito, senhora,
n�o est�o � venda.
Mas sei como os pode conseguir.
Boa noite, senhora Picard.
Gostaria de jantar comigo?
Lamento, est�vamos de sa�da.
Boa noite.
N�o percas tempo, Marco. Ainda est�s vivo.
Esperei que um soldado regressasse a casa,
e nunca regressou.
Agora estou t�o morta como ele.
Tudo o que amo morre.
Mantenham o ritmo!
N�o fiquem para tr�s!
Vamos, continuai a andar!
Vamos!
Continuai!
Mantenham o ritmo!
A cabe�a erguida!
A andar!
Continuem!
Vamos! Continuai a andar!
Continuai a andar!
Vamos!
Continuem!
- A cabe�a erguida! - Vamos, a andar!
Continuem! Vamos, vamos! Continuem!
Sahib.
H� 4O legion�rios aqui perto.
N�o fa�am nada.
Apenas...
os observem.
Alto!
Larga esse homem.
Na Legi�o, ou se marcha ou se morre.
Apanha a sua mochila, a sua espingarda, e une-te � coluna.
Vai, por favor, Marco.
Companhia marche!
Desculpe, professor. Est� aqui a senhora Picard.
- Quem? - A senhora Picard.
- Est� aqui? - Fora.
Um momento.
Senhora Picard, que am�vel em vir.
Desculpe, acho que conhece o meu assistente, o senhor Mollard.
- Como est�? - Como est�, senhora.
Sente-se.
Desculpe, poderia deixar-nos um momento?
Sim, senhor.
Vamos, sente-se. Deseja beber algo?
Mencionou os bens do meu pai.
Sim, claro.
Aqui est�o.
Temo que n�o seja muito.
Guardava quase todos os seus objetos pessoais em Erfoud.
O seu pai era um bom homem.
N�o creio que a minha m�e estivesse de acordo consigo.
Contribuiu muito para o conhecimento da hist�ria.
� custa da sua vida e da sua fam�lia.
Valeu � pena, senhor Marneau?
Faria um sacrif�cio igual?
Creio que sim.
Ent�o est� t�o louco como o meu pai.
Senhora, o que fazemos com as coisas do seu pai?
Guarde-as no Louvre, com o resto do passado.
Companhia!
Descansar!
Duas baixas, senhor.
Como?
Um caiu. E O Cigano voltou para ajud�-lo.
O que h� amanh�?
Treino manual, montagem de armas.
Dois legion�rios!
N�o abra as portas!
Se continuarem a� amanh� quando voltarmos, muito bem.
Se n�o, tamb�m muito bem.
Apresentam-se o 26893 e o 26892, senhor!
Numa marcha, um homem morre onde cai.
N�o voltamos atr�s pelos atrasados.
Vou me lembrar, senhor.
Creio que o recordar�.
Quantas horas mais?
Dizem que oito.
N�o acredito que consiga.
Sargento.
Solte o Cigano.
Os legion�rios partem para Erfoud de manh�.
O que disseram?
Pediram-me que procure
Leva-os.
Quero um relat�rio di�rio das suas atividades.
Ser� feito.
Obrigado.
O prazer do amor...
n�o dura mais que um instante.
As dores do amor duram toda a vida.
Deixei tudo pela minha adorada S�lvia.
Anime-se, professor.
Amanh� come�amos o trabalho em Erfoud.
Espero que El Krim e os seus homens n�o nos esperem.
Todos pressentem que esta pode ser a sua �ltima noite.
H� anos que pressinto que esta � a �ltima.
As penas do amor duram toda a vida.
N�o estejas triste.
Deixa que devolva o sorriso � tua cara triste.
Vamos!
Vamos!
O teu lugar n�o � este.
Porque n�o vens comigo?
O seu amigo n�o � homem.
N�o conseguiu faz�-lo. N�o conseguiu fazer nada.
Desculpa.
Senhora Picard?
Posso acompanh�-la?
Dizem que veio da Europa h� muitos anos.
Seguiu o seu amor at� aqui.
Tamb�m dizem que era muito bonita.
Ele era um legion�rio, claro.
Morreu no deserto.
Ela nunca foi embora.
E o que fez?
Fez de tudo para sobreviver.
Encaixa perfeitamente comigo.
Posso entrar?
Oferece-me uma bebida?
Sirva-se.
O meu marido era soldado.
Mas estava morto muito antes de ir para a frente de batalha.
Matou o seu amor por mim.
Por isso vim, porque n�o quero matar o Marco.
N�o quero que me ame.
Queria ser como voc�, comandante.
� muito dif�cil ser como eu.
� necess�rio algo mais que duas semanas em Marrocos.
Sim, � necess�ria uma vida nas trincheiras e...
no deserto.
Tive a minha parte, comandante.
N�o aqui, mas...
tive a minha parte.
De certeza que n�o quer beber comigo?
N�o.
Deve achar muito divertida a minha presen�a aqui.
Acho-a muito divertida.
Acha? Ent�o ria.
Porque n�o ri? N�o sabe?
N�o, suponho que n�o. Um homem como voc� n�o.
Quer essa rapariga ou pode ser qualquer fulana?
N�o!
N�o!
N�o, n�o!
N�o, n�o, n�o!
N�o, n�o, n�o!
N�o, n�o!
N�o, n�o!
N�o, n�o, n�o!
Companhia!
Aten��o!
Informar.
Informar.
Batalh�o n�mero um, todos presentes e preparados, senhor!
Batalh�o n�mero dois, falta um homem, senhor!
Onde est�?
L� dentro, senhor.
N�o.
Alguns de voc�s tentar�o desistir.
Outros tentar�o fugir.
Nenhum dos meus homens jamais conseguiu.
Se o deserto n�o os apanha, far�o os �rabes.
Se os �rabes n�o os apanham, far�o a Legi�o.
Se a Legi�o n�o consegue...
farei eu.
N�o sei qual � pior.
Enterrem esse homem l� dentro. Com o seu uniforme.
Tenente Fontaine,
- a companhia est� �s suas ordens. - Sim, senhor.
Companhia!
�s minhas ordens!
Esquerda! Esquerda!
Armas ao ombro!
Em frente!
Marchem!
Senhora Picard, que bom v�-la.
Quanto custa sair de Marrocos?
Depende de quem saia.
Um legion�rio.
Isso seria muito caro.
Que tenho de fazer para tir�-lo daqui?
N�o h� por aqui muitas mulheres europ�ias,
e muito menos...
mulheres europ�ias bonitas.
Tenente Fontaine,
porque � que o capit�o Lanier n�o fortificou este lugar?
N�o achou necess�rio.
N�o havia amea�as de ataque,
nada.
Obviamente enganou-se.
Fortifiquem-no.
Sim, senhor.
Tenho uma guarda para fazer. � o meu primeiro servi�o.
Espere, senhor.
Tem-nas?
Pode ir, legion�rio.
Comandante!
Ontem � noite perdemos um homem, senhor.
Est� na hora de fazer uma visita a El Krim.
Prepare o primeiro batalh�o.
Primeiro batalh�o, preparado para partir.
Marneau!
J� come�ou!
Desapareceu um homem. Depressa se multiplicar�o por dez.
E outra vez por dez.
Diga-me que vale a pena.
N�o podemos comparar os tesouros da antiguidade
- com a vida das pessoas. - Porque n�o?
Pede aos meus homens que se arrisquem pelas suas antiguidades!
O trabalho da Legi�o � arriscar-se, n�o �?
Espero que o seu homem esteja vivo.
Mas em qualquer caso, continuarei a escavar.
Coluna, alto!
Trocamos visitas como a burguesia francesa, Foster.
Foi id�ia tua?
Um dos meus perdeu a paci�ncia.
El Krim, n�o aceito intimida��es.
Vim conversar contigo.
Deixa que os franceses construam as suas estradas e as suas escolas.
Deixa que vos d�em medicamentos e comida.
Estradas com sinais franceses,
escolas que ensinam franc�s.
Comida francesa, medicamentos de m�dicos franceses.
Essa � uma invas�o muito mais sut�l do nosso patrim�nio, Foster.
A amizade com a Fran�a tem um pre�o demasiado alto.
� muito alto levar o teu povo at� ao s�culo XX?
O s�culo XX franc�s! O que tem de glorioso?
O vosso s�culo XX ainda n�o cumpriu 2O anos
e v� que trouxe ao vosso mundo.
Devasta��o!
A devasta��o chegar� a Marrocos.
Apenas tu podes impedi-lo.
Nenhum homem pode prever isso. S� Al�, o grande.
Al�!
Al�!
N�o disparem!
Um dos meus homens perdeu a paci�ncia.
Le Boudin!
Companhia! Em marcha!
Quero que analise estes textos, Mollard.
Sim, senhor.
Com sorte esta poderia ser a entrada dos corredores
que conduzem � c�mara mortu�ria.
Devia ter estado ali.
Onde?
Eu era guarda especial da fam�lia real.
Estava fora.
Levaram-nos.
Percorri a R�ssia.
N�o consegui encontr�-los.
Em Julho... deste ano,
mataram-nos,
a todos.
A todos.
Uma corda! Vou descer.
Senhor.
Uma cova. Pode ser o t�mulo.
Encontraram o t�mulo em Erfoud!
Sargento Triand!
Retirem a corda do buraco.
Ei, estamos preparados para subir.
Triand, quero seis homens.
Ponha o caix�o num camelo, e mantenha-me informado.
Cabo,
retire a corda.
Conseguem ouvir-nos?
Dos franceses. Um presente para o teu povo.
Como podem oferecer algo que j� � nosso?
Os franceses desejam honrar-te.
E tu que desejas, Foster?
Que aceites isto como um sinal de paz.
Tirem esses homens do buraco.
Levantem o acampamento.
Preparai-vos para ir para Bousaada.
Recolhei tudo! Levantamos o acampamento!
Voltamos a casa!
Comandante Foster,
Onde est�?
O que fez com ela?
Devolvi-a aos seus propriet�rios.
Devolveu-a?
Disse que a Legi�o era o corpo mais disciplinado do mundo.
Do mundo, Foster!
Hip�crita! Onde est� a sua disciplina?
Trabalhei toda a minha vida para isto!
Pode ser que a sua vida acabe.
E � um bom lugar para morrer.
Comandante.
A minha t�nica, r�pido!
Marneau, diga-me uma coisa.
Se pudesse escolher neste momento entre o Anjo do Deserto e a sua vida,
o que escolheria?
Por favor, senhor, as ordens.
Os homens esperam as suas ordens.
Os homens est�o nas trincheiras?
N�o h� trincheiras, senhor.
Porque n�o as escavaram?
Os homens constru�ram um muro de prote��o, senhor.
De prote��o!
Para proteger-nos de qu�?
Estes homens est�o mortos!
Desejam morrer!
Por isso nos alistamos na Legi�o!
N�o para viver, sen�o para morrer!
E morreremos todos.
E para qu�?
Para que uns franceses gordos
possam arrotar ao ver tanto ouro no Louvre.
Senhor, quais s�o as nossas ordens?
Marneau, voc� queria ser famoso, e ser�.
Mas n�o por encontrar o Anjo do Deserto.
Sen�o por conseguir o que nenhum l�der marroquino conseguiu
nos �ltimos doze s�culos:
Unir as tribos �rabes.
Por favor, senhor.
Porque se trata disso, n�o � verdade, El Krim?
Utilizaste-nos.
Esperavas o momento em que abr�ssemos a tumba.
Para assim poder lan�ar as tuas tribos numa guerra santa.
N�o te importava nada o Anjo do Deserto.
N�o.
N�o te incomodaste em dizer �s tribos que to t�nhamos devolvido.
Utilizaste-o.
Utilizaste-o.
Tal como me utilizaste a mim.
Senhor...
por favor.
Por favor, senhor, os homens esperam as suas ordens.
Que ocupem os seus postos.
Aos seus postos!
- Fogo! - Fogo!
Cubram o flanco esquerdo!
Cubram o flanco direito!
Ocupem essa zona!
Formem uma linha dupla!
Retrocedam!
Retrocedam com ordem!
Os do flanco, retirada!
Fogo!
Fogo!
Cigano,
dispara aos ginetes da colina.
Lamento, velho amigo.
Mas era a �nica forma.
Agora as nossas tribos uniram-se.
Bedu�nos, berberes, riff.
Resistiremos a todos os estrangeiros at� vencer.
Deixarei dcom vida para que o mundo inteiro saiba o que se passou hoje.
Desculpa, Marco.
Fiz um acordo com a senhora Picard, � uma d�vida que gostaria de saldar.
Preparei uma passagem para que abandones Marrocos.
Deram-me sorte.
Fica com eles. A ti tamb�m te dar�o.
O que v�s agora?
Felicidade.
Alguns de voc�s tentar�o abandonar.
Outros tentar�o fugir.
Nenhum dos meus homens jamais conseguiu.
Se n�o os apanha a Legi�o,
far� o deserto.
Se n�o � o deserto,
ser�o os �rabes.
Se n�o s�o os �rabes,
serei eu.
N�o sei qual � pior.
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