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Honestamente, eu abandonei completamente o romance
e achei que nunca retornaria a ele.
Mas a Ksusha entrou em nossas vidas.
E eu decidi tentar novamente.
Há muito tempo atrás,
apenas um rio sombrio fazia o seu caminho através de pântanos,
na costa do Mar do Norte.
Mas um dia, um poderoso Czar trouxe seu exército ali
e ordenou que construíssem uma fortaleza
que teria uma torre com um grande relógio.
Ao meio-dia, o disparo de um canhão
anunciou ao mundo que uma nova cidade foi fundada.
Nesta cidade de conto de fadas, de esfinges de pedra, grifos e leões,
um dia Ingrid nasceu.
E é aqui onde morava o Gato Elisey.
Está vendo aquela estátua? É lá.
O tempo passava,
Ingrid cresceu e se tornou uma linda jovem mulher.
As pessoas daquela cidade a amavam.
E ela lhes oferecia seu sorriso.
Em um dia de primavera, Ingrid conheceu um jovem chamado Pekko.
Ele era o guardião da torre do relógio daquela cidade. O guardião do tempo.
Todos os dias, antes do disparo do canhão,
Pekko tinha que subir na torre do relógio, que protegia a cidade da desgraça.
Pekko e Ingrid se apaixonaram e logo se casaram.
E este é o Chizhik Pyzhik.
Se você jogar a moeda e fizer um desejo, e a moeda cair na base,
seu desejo se realiza.
A felicidade de Pekko e Ingrid não durou muito.
A filha deles ficou doente e morreu.
Ingrid perdeu a cabeça.
Ferido pela perda, Pekko fez as malas,
pegou sua chave da torre do relógio e deixou a cidade.
O relógio parou e a cidade mergulhou na escuridão.
Desde então, a triste Ingrid caminha pelas ruas de sua cidade sombria
procurando por sua filha.
E apenas o herdeiro do guardião pode retroceder o relógio
e devolver o tempo para a cidade.
O primeiro aviso de tempestade.
De acordo com os meteorologistas, na sexta-feira a cidade será atingida por...
Gostou da casa?
Eu achei maravilhosa.
É uma casa grande, com lareira, dois andares. O de cima será da Ksusha.
É cara.
Nós vendemos o apartamento e compramos esta casa.
E você terá a chance de terminar seu livro.
IRENA
Nossa, já está tarde e ela está em casa sozinha.
E se a sua bruxa souber disso?
Aquele vizinha velha maluca conta tudo para ela.
Ela realmente contratou ele para nos espionar.
- Vamos envenená-la. - Eu prefiro que você envenene sua bruxa.
Olga, você sabe quem tem poder para tomar a decisão final.
O período de teste está quase acabando.
Além disso,
Irena é apenas minha amiga de infância.
Parece que sua amiga de infância não consegue te esquecer.
O que ela quer?
Olga, cuidado!
Mãe?
Eu não sou sua mãe.
- Siga-me! - Mãe...
Você teve outro pesadelo?
É porque você está em uma outra casa. Você vai se acostumar logo. Deite.
Talvez nós devêssemos levar a Ksusha para ver um psicólogo?
Ela está tendo dificuldade na escola, está sofrendo bullying.
E ela fica desenhando bruxas em todo lugar.
E imaginando portas verdes.
Ela está realmente assustada...
com a sua Irena.
Está tudo bem. Ksusha vai se acostumar, tudo vai ficar bem.
E Irena não é minha.
Você é.
Esposa do escritor.
GUARDIÕES DO TEMPO
Alô, Irena. Desculpa não ter te retornado.
Estou te ligando para falar que Ksusha bateu em uma menina.
O que ela fez?
Ela se envolveu em uma briga, e não é a primeira vez.
Bem, são crianças.
Infelizmente terei que tomar providências.
Tem certeza?
Acredito que será melhor para ela voltar para nós.
Está bem, mas não vamos partir para extremos.
- Tenho o controle. - Venha amanhã às 10h.
Estaremos aí.
Droga.
Você poderia me dizer o que aconteceu?
Olha quem a está aqui. Nossa pobre órfã.
Minha mãe disse que eles a pegaram para substituir outra criança.
Mas ela provavelmente não vai ficar com eles.
Eles vão devolver ela para o orfanato logo.
Quem nasceu em São Petersburgo,
levante a mão, por favor.
E tem alguém que nasceu em um lugar diferente
e se mudou para Petersburgo com a família?
E você?
Ela não sabe onde ela nasceu. Ela veio de um orfanato.
Quietos, crianças!
Uma órfã! Vai lá chorar para a mamãe.
Ela não tem mãe! Nem pai!
Ela realmente disse isso?
Isso não faz sentido. O que você fez?
Eu empurrei ela.
Irena pediu para vermos ela amanhã.
Eu não quero ir lá! Tem uma sala escura e uma bruxa!
As bruxas vivem nos pântanos, e este lugar é onde as crianças vivem.
Vai acabar logo e depois nunca mais precisaremos ir lá.
Conte-me sobre essa torre sombria do relógio.
Se o relógio parar e começar a andar para trás,
a cidade toda vai morrer.
E as pessoas vão se transformando em bestas sem almas.
E o que podemos fazer?
Então, o que fazemos?
Nós precisamos ser gentis com as pessoas,
saber o valor do tempo,
para cada minuto nos trazer alegria.
Mas, se de repente coisas ruins acontecer,
nós vamos para a cidade sombria
e damos corda de novo no relógio.
De agora em diante,
você é a guardiã do tempo.
Pegue.
Olá, Ksusha.
Estou muito feliz em vê-la.
Como você está?
Você já se acostumou à sua nova casa?
Provavelmente está sentindo falta dos seus amigos.
Eu recebi uma ligação da escola.
Eles disseram que Ksusha bateu em sua colega de classe.
Ela é uma menina muito calma, não machucaria uma mosca.
Ksusha,
poderia nos deixar a sós um momento? Espere no corredor.
Por favor, sente-se.
- Ela tem a chave! - Chave!
Ela tem a chave!
Eu tenho a impressão
que vocês assumiram uma responsabilidade que não podem lidar.
- Mas nós... - Sua vizinha me ligou.
Aquela velha maluca conta mentira sobre nós.
Quem confiou a criança a você?
Essa velha maluca?
Ou o Estado?
Vocês sequer entendem o que é uma criança?
Irena, a mãe da Solovyeva chegou.
Com licença, eu vou com Ksenia.
E a partir de agora, atenda minhas ligações.
Por favor.
Então, eles te devolveram.
Todos nós fomos devolvidos.
- Quem está vivendo ali? - Não tem mais ninguém vivendo aí.
Um menino estava vivendo aí. A bruxa levou ele.
- E ela comeu ele... - Solovyeva!
Para baixo.
Sua mãe veio trazer suas coisas.
Ela não é minha mãe.
O que há de errado com essas pessoas? Eles adotam as crianças, brincam com elas
e depois as devolvem.
Bastardos!
Ksusha, onde você está?
Como seu livro está indo?
Na verdade, bem difícil.
Estou escrevendo na máquina de escrever que você me deu.
Fico feliz em ouvir isso.
Veja.
- Lembra? - Sim.
Você estava com a perna quebrada.
Você e Dasha fizeram uma aposta por minha causa e pularam do banco.
Eu te carreguei pelo parque todo.
- E atravessou a ponte. - Sim.
- E depois embaixo da ponte... - Sim. Me lembro de tudo.
Onde está minha mãe?
Ela está esperando por você lá fora.
Francamente, não estou chegando a lugar nenhum com esse livro.
Você quer que eu te ajude?
Irena...
Não se preocupe. Não vou levantar antigas memórias
e destruir sua família.
Eu me mudei.
Este é meu endereço.
Apareça por lá se você quiser.
Nós tomamos uma bebida, sentamos e conversamos sobre seu livro.
Certo.
Obrigado.
Haverá uma tempestade hoje à noite.
Alô?
Oi.
Mas está tarde.
Está bem, eu vou. Qual é o endereço mesmo?
Por que você não foi comer?
Você está saindo?
Sim, eu preciso ir para...
para cidade sombria e dar corda no relógio da torre.
Ele parou?
Não, mas se parar, as forças da escuridão irão até a cidade
liderados pela bruxa, rainha das cobras e sapos.
Mas não deixaremos nada disso acontecer. Por que nós somos quem?
Os guardiões do tempo?
Isso mesmo.
Está cheirando bem!
Meu peixe favorito.
Coma um pouco.
Não, obrigado. Preciso ir depressa para um lugar.
Sergei me ligou.
- Ele me ofereceu escrever seis episódios. - E quem vai dirigir? Alguém bom?
Provavelmente com boa imaginação?
Não entendi.
Eu te levo lá.
Não, obrigado. Já pedi um táxi.
É melhor você colocar a Ksusha para dormir.
Você vai ver ela?
Como? Eu já volto.
- Depressa! - Para onde nós vamos?
VOCÊ NÃO VAI RESISTIR!
Leve ela para ala quatro e prepare um ventilador.
E chame a Spiridonova.
Você acha que ela vai sobreviver?
Vai depender dela.
Coitadinha.
Nessa chuva, com uma criança, dirigindo. No que ela estava pensando?
As autoridades vão descobrir isso.
Prepare um soro intravenoso.
Então, criança,
você está dizendo que ele é seu pai?
E se ele não for?
Onde estão os documentos? Identificação? Você não tem nenhum.
Ele não é o pai dela.
Quando soube do acidente de carro, ele a abandonou.
E ele foi para o sul, na casa de sua ex-namorada.
Para escrever um conto de fadas.
E a mãe? Não é mãe dela.
Estou te dizendo, eles são ordinários.
Malandros.
A criança está só agora. O que fazemos com ela?
Devemos levá-la para o orfanato.
Ela ficará melhor lá,
na sala escura.
Me pediram para pegar uma criança necessitada.
Nós temos um quarto preparado para ela.
- Documentos. - Aqui.
Pode levá-la.
O documento está aqui e com um selo. É legalizado.
Se você tem documentos, você existe.
Sem documento,
você não existe.
- Adeus. - Por favor...
E a mãe dela está muito mal.
Você está de volta, idiota.
A mãe dela está no hospital.
Está muito mal.
Bem-vinda de volta para sua casa,
querida.
Aqui não é minha casa.
Você tem que aceitar isso.
Você vai ficar no seu quarto. Lembra aonde é?
Meu pai virá me buscar logo. Vai me levar para casa.
Ele não vai te levar para lugar nenhum.
Na verdade, ele não é seu pai.
E ele não te ama.
Nós somos sua verdadeira família.
O que você está fazendo? Estava...
Estava meio cheio!
Quem é você?
Paramon.
Eu sou Paramon.
Minha calça nova. Você destruiu, sua estúpida!
Eu não fiz nada, e ela não parece nada nova.
Exatamente.
Você não consegue fazer nada,
sua ociosa, preguiçosa.
Eles cuidam de você para nada.
Você é uma total perca de tempo.
E você destrói coisas que não são suas.
Eu não sou preguiçosa. Eu acabei aqui acidentalmente.
- Meu pai vem me buscar logo. - Pai? Vai buscar você?
É o que todos dizem.
"Minha mãe vem me buscar", "meu pai vem." Onde eles estão?
Cadê as mamães e papais?
Aqui está sua roupa de cama, querida.
Arrume sua cama ordenadamente.
Não os manche.
Você sabe o que vai te acontecer se manchar.
Então, aquele bobalhão estava aqui novamente.
Não há escapatória para este malfeitor.
Pare de olhar para mim. Faça sua cama.
Durma bem, querida.
Bobalhão?
E ela é...
uma carniça podre!
Você poderia acender uma lâmpada? Eu tenho medo de escuro.
Então?
Você estava me falando do seu pai. Onde ele está?
Que tempo ruim.
Boa sorte! Te vejo na segunda.
Que cidade!
Um acidente de carro ocorreu entre as ruas Bakunin Prospect e Kherson.
Uma mulher e sua filha ficaram feridas.
As testemunhas relataram ações inadequadas do motorista da Mercedes
trafegando na contramão.
Como você sabe sobre a cidade sombria?
Meu pai me contou.
E quem é ele?
Minha mãe diz que ele é um contador de histórias.
E meu pai diz que ele é o guardião do tempo.
Puxa vida!
O guardião do tempo?
Meu pai foi para a cidade sombria dar corda no relógio da torre.
Na verdade, eu sou um grande homem também.
Todo cachorro me conhece lá.
- Onde é "lá"? - Na cidade sombria.
Então, de novo, o que seu pai está fazendo na nossa cidade?
Ele me disse que, dando corda no relógio, você pode trazer tudo de volta ao normal.
- Sério? - Ele estava escrevendo em seu caderno.
Eu também li lá que é importante fazer antes do disparo do canhão do meio-dia.
Também tem uma...
- Bruxa! - Talvez, uma bruxa.
Então, se não fizer a tempo...
Seu pai não fez. O relógio parou.
E sua mãe não pode sair.
E você está presa aqui para sempre.
E o que eu faço agora?
Como assim "o que"? Ache o caderno.
E dê corda no relógio.
Mas como?
Como? Assim!
Santas travessuras!
Mais uma.
Puxa...
Puxa vida!
Venha.
Aceita um chá de fungos?
Por que você bebe isso o tempo todo?
Eu estou...
com sede, por alguma razão. Para inspiração.
A propósito,
eu...
também escrevo livros.
Livros românticos!
A noite estava azul
E a lua brilhava
E ali eu estava
Lindo e jovem
De gelo era meu coração
E tão pobre a minha visão
Azul era a minha felicidade
A lua iluminava a noite
À meia-noite o canhão explode! E é isso.
A cidade é muito longe.
Precisamos de um veículo.
Você tem um veículo?
Eu tinha.
Uma motocicleta.
Mas eu a perdi em um jogo de cartas. Para os vampiros.
Vampiros?
O que você está fazendo aqui, Paramon?
Eu preciso de uma motocicleta,
para chegar até a cidade.
Bem, você perdeu. Se você ganhar de novo, você pode levar.
Tudo bem.
O que você vai apostar?
Ela.
- Ele trapaceou! Uma fraude! - Vamos adicioná-la ao baralho!
Precisamos achar o caderno do seu pai para descobrirmos qual é a torre.
Paramon, eles tão chegando perto.
Puxa vida! Vampiros!
Vamos!
Puxa...
Puxa vida! Como você está vivendo neste buraco?
O que aconteceu com a nossa casa?
Esta é a cidade sombria.
Tudo é diferente aqui.
Vamos.
- Paramon! - Silêncio!
Onde estão nossas coisas?
Paramon, cadê você?
Paramon!
Paramon, o que você está fazendo?
Estou com sede.
Talvez tenha um chá de fungos em algum lugar.
Não, não tem isso aqui.
E meias?
- Uma. - O que você fez com a sua?
Como assim "o que"?
O que foi necessário.
Ele enfiou a meia aqui.
Este é o caderno do meu pai.
A ponte para essa torre...
- Rápido! - Eles nos encontraram. Para o telhado!
- Não quero ir pra lá! - Pare de reclamar!
ADMIRALTEYSKY CANAL EMBANKMENT, 13-13
Elas foram embora.
Como? Pra onde?
Como eu iria saber?
Sua esposa ficou chateada.
Eles estavam com pressa.
Ela estava murmurando algo sobre a bruxa.
E a criança...
sobre a cidade cinza.
A cidade sombria.
Preciso falar com você.
Sim.
Aquela noite o relógio da fortaleza de Peter e Paul parou.
Pode ser porque um raio atingiu a torre.
- Paramon, onde estão seus pais? - Como assim "onde"?
Eu não sei. Em lugar nenhum. Suba.
- Todo mundo deveria ter uma mãe e um pai. - Dá um tempo!
Outra possível razão é negligência da equipe.
Paramon, não consigo mais, estou com sede!
- O quê? - Estou com sede!
Eu acho que nós os despistamos.
Olha, uma estrela cadente.
Faz um pedido.
Já fiz pedidos antes. Eles não se realizaram.
Esse irá.
Explique o que tudo isso significa. O que aconteceu?
A bruxa prendeu seu pai em um looping do tempo.
E o que podemos fazer?
De acordo com a lenda, o guardião do tempo
deve dar corda no relógio da torre a tempo.
Mas seu pai perdeu esse tempo.
É a bruxa que armou tudo.
Agora a cidade vai desaparecer, junto comigo e com você.
Como filha do guardião do tempo, agora é seu dever
dar corda no relógio e devolver o tempo para a cidade.
- E salvar a sua mãe. - Filha do guardião do tempo?
Paramon, eu não sou a filha deles. Eu fui adotada!
Meus colegas de classe disseram
que logo eles iam me devolver ao orfanato.
"Meus colegas de classe disseram..."
E o que você acha?
Silêncio!
Tudo bem.
Vamos ver.
O que são esses...
Olha! Existem algumas teclas, linhas e traços desenhados aqui.
Bom, isso são letras.
Paramon, você não sabe ler? Que vergonha!
Que coisa, não!
Leia!
"O relógio parou à meia-noite.
Meu anjo se foi.
O canhão informou esta terrível notícia à toda a cidade.
A cidade que tanto amei, estava mergulhada na escuridão..."
As ruas se esvaziaram, os pássaros ficaram em silêncio.
E sons assustadores tomaram a cidade.
Você está lendo a passagem errada, estúpida.
Leia! Onde está? Aqui. Leia esta.
"A água refletia a magnífica ponte e atrás dela se via a torre."
Sim!
A torre!
E aqui que temos que chegar.
Onde a ponte...
Estou te dizendo que ela não veio à minha casa.
Ouça, tenho certeza que sua artista não o deixou.
Ela está em algum lugar com uma amiga.
Ela não tem amigos.
Por que você me deu esta fotografia?
Sinto muito.
Provavelmente ela não sabe o que pensar agora. Ela acreditou em mim.
Olha só. Vamos lá.
Pare de pensar nisso.
Não pense em nada.
Apenas trabalhe.
Escreva um roteiro. Você é um ótimo roteirista.
E se acontecer alguma coisa? Preciso chamar a polícia.
Não se apavore.
Se acalme, controle-se.
Não faça disso um problema maior do que é.
Você precisa de uma bebida.
Vamos para minha casa.
Nosso professor nos disse que tudo se resolve em família.
Então, se as crianças não têm pais,
elas podem ter problemas...
com pessoas de outro sexo.
O sexo oposto...
Precisamos comprar alguns vermes.
Por quê? O que vamos fazer com eles?
Confie em mim.
Se não comprarmos agora, onde vamos conseguir quando precisarmos?
Fique aqui. Só vou entrar e sair.
Para que precisa de vermes?
Eu disse fique aqui.
- O que quer? - Vermes. Eu preciso de alguns vermes.
Entre.
Entre. Sinta-se em casa.
Fique à vontade.
Podemos comprar roupas novas amanhã para você, se quiser.
Não, obrigado. Não é necessário.
Você precisa dormir.
Esta é sua toalha.
O banheiro é ali.
Tudo bem. Você ainda mora sozinha?
Não constituiu família?
Sabe, eu ainda não tive um homem certo. Eu quero ter uma família.
E o produtor?
Infelizmente, ele morreu.
Como eu...
chego nesta ponte?
Pegue um bonde.
E os vermes?
Ei, padeiro!
Venha aqui fora.
- Por que está aqui? - Trouxe mercadorias.
Pegue.
Quem é?
Estão aí.
- Eu te pago depois. - É uma dívida para a vida toda.
Quer dizer que vai estar quitada quando eu morrer.
Parada! Pegue-a!
Um recheio.
Bem, você teve sua chance.
Me dê a chave!
Lembranças para sua mãe! Ela se foi!
- Quanto? - Cento e cinquenta.
Eu te disse 50 ml.
Me desculpe, eu adormeci.
Eu não posso confirmar em você mesmo! Idiota!
Estúpida, você está viva?
Sim.
Eu te falei: Não faça nenhum barulho ou alguém vai comer você.
Você não falou comer.
Talvez não devíamos ter voltado.
Não!
Vamos sair daqui.
Nós temos que lavar você.
Que estúpida!
Já chega! Estou com frio.
O quê?
Já chega!
Irena?
Você está ficando louca.
Por que está vestido assim?
Meu querido...
está cansado,
precisa descansar.
Venha aqui.
É minha camisa.
Amanhã cedo vamos ao jardim de infância.
Eles dão mingau de café da manhã para Dasha.
E ela não gosta.
Quem é Dasha?
Nossa filha.
Dasha.
Você está louca.
Você está louca.
Venha aqui.
Alô?
Acidente de carro?
O estado dela é muito grave.
Por favor, deixe-me entrar um pouco. Eu preciso muito.
Você tem dez minutos.
Como?
Eles estão mordendo bem hoje? Eu te trouxe vermes.
Quebre!
Meu Deus do céu!
Vamos embora!
Vamos levar a chave para nossa chefe e depois matá-los.
Como isso aconteceu?
Irena?
Estou ligando para dizer adeus.
Está indo embora?
Sim.
Quando irá voltar?
Eu não vou voltar.
Eu não posso, nem que eu queira.
Eu não posso consertar e nem mudar nada.
A criança está morta.
- Morta... - Que criança?
Morta!
Você é louca.
Eu desejo que seja feliz.
Adeus, guardião do tempo.
Ingrid?
"O relógio parou à meia-noite"...
Não pode ser... O relógio, o acidente de carro.
"A cidade sombria a aterrorizou,
e seu companheiro misterioso a assustou."
Ela está lá.
Paramon, por que você colocou este peixe no meu bolso?
É pegajoso.
Jogue para Elisey. Ele está sentado ali.
- Pra quem? - Eu prometi para ele que traria um peixe.
Venha aqui!
Mas é uma estátua.
Isso é o que você vê, não eu.
Este bastardo bigodudo foi designado para proteger a cidade contra ratos.
Mas ele continua extorquindo peixes de mim.
Não passe dos limites como aquele gato.
Agora eu sempre tenho que dar peixes para ele.
É para isso que precisava dos vermes.
Abra a porta, senhor.
Só um momento, por favor.
Abra a porta.
O padeiro falou de um bonde.
Vamos!
Rápido!
Venha aqui, rápido!
Vamos tentar cruzar a ponte e chegar à torre.
- Se tivermos sorte. - E se não tivermos?
Meu Deus! É o Deadman!
Vamos sair daqui!
Pare!
Pare!
Você não está entendendo. Eu preciso parar o bonde.
Que bonde? Você está louco. Eu vou chamar a polícia.
O bonde...
Padeiro...
Peixe...
Gato.
É claro.
Nós conseguimos! Meu Deus!
O bastardo de bigode queria nos ajudar.
Eu não devia ter falado mal dele.
Não conseguiremos derrotar a bruxa. É o mundo dela, ela controla tudo.
Por que eu fui me envolver nisso tudo?
Vamos voltar.
Não vamos conseguir abrir o relógio da torre com esta chave.
- O que você está dizendo? - Talvez seu pai tenha te abandonado.
E você não tem mãe!
Vamos voltar!
Eu não vou voltar. Prefiro ficar aqui.
Vou acreditar na sua palavra.
Precisaremos pular na água.
Você vai?
Vou!
Certo, então!
Já abri trava mais difíceis.
Olga, ajude-a.
Mãe!
Você está todo encharcado!
- Está com frio? - Sim.
Que bom que sabe nadar.
FARMÁCIA DO DR. PEL - SÃO PETERSBURGO
Você tem que beber isso.
Senão vai ficar doente.
- E quem é você? Um médico? - Sou Pel, o farmacêutico.
Eu cuido dessa farmácia há anos.
Quantos anos?
Talvez há um ano, ou talvez para sempre.
Desde que o relógio parou,
nada mudou.
Nada mais aconteceu nessa maldita cidade.
E por que o relógio parou?
Dizem que uma pessoa do alto escalão o parou.
A bruxa!
Correto. É uma mulher mesmo.
Ela ficou está brava com alguém.
Dizem que eles realmente se amavam.
Ele a deixou, e conheceu outra pessoa.
Agora ela está sendo desprezada por todo mundo.
- O amor é assim para ela! - Acho que o relógio parou
por causa da frieza e da indiferença humana.
Ignorância e estupidez.
Estão desperdiçando o tempo deles.
E suas almas ficaram vazias.
Farmacêutico, eu não tenho nada a ver com isso.
Eles se transformaram em bestas!
Onde você está levando ela? O que você está fazendo, patife?
Pediram para eu acompanhar ela.
Quem pediu?
- Não me lembro bem. - Você quer arruinar a alma dela.
Cale sua matraca, pode ser?
Ou melhor, nos fale como chegar à torre do outro lado da ponte.
- Por que quer chegar lá, trapaceiro? - Para dar corda no relógio.
O pai dela, o guardião do tempo, colocou ele em looping.
Estamos todos presos por causa dele há muito tempo.
- E sua mãe? - A colocaram em um hospital.
E me colocaram de volta no orfanato.
Então, você é órfã? Percebi.
Atenção. A ponte está levantada.
Não podem ir pela água, a bruxa bloqueou todos os canais.
Mas há uma passagem secreta, a escadaria...
A escadaria do diabo.
Uma das escadas vai através da muralha.
Vocês precisam chegar até ela.
- Na muralha? - Exato.
Estão vendo os números na minha torre? São a chave para o portal.
Escrevam eles na muralha e o portal se abrirá.
Vão por ele e chegarão à torre.
Que números?
Onde está a rotunda? Onde você nos trouxe, farmacêutico?
Farmacêutico, para onde está indo?
Onde você nos trouxe?
Eu preciso descarregar os peixes.
Precisa fazer isso agora?
Esperem por mim aqui.
Para onde ele vai?
Isto é...
- Que lugar é este? - Este é...
eu não sei.
Quieta! Não toque em nada ou vai ficar aqui para sempre.
Paramon, o caderno!
Boa noite!
Boa noite, caros amigos e convidados
à nossa instituição.
Eu os convido
ao nosso humilde jantar.
Espero que tenham uma boa refeição.
Ksusha.
Estou muito feliz de ver você.
Parece cansada.
Paramon...
Por que está tão agitado?
Por que diabos você está atormentando a cabeça dela
com suas histórias estúpidas sobre o relógio e a torre?
Deem para ele seu chá de fungo favorito e mandem-no para o porão!
E você...
já devia estar morta há muito tempo.
Você é muito má, por isso ninguém te ama.
Mas as pessoas simplesmente tem medo de lhe dizer isso.
O quê?
- O que você disse para ela? - A verdade.
Corra!
Eu voltarei!
Paramon, olhe!
- Abra a porta! - Abra a porta agora!
Preciso de mais um tempo.
Vamos!
Paramon, a bruxa!
Estou com medo!
Olhe, o farmacêutico!
Não é o Pel!
Não é ele!
Mais rápido!
Paramon, o portão!
Um, dois, três!
É aqui,
a escadaria do diabo.
Escreva os números!
Optio exitus est...
- Então você sabe ler? - Continue escrevendo os números!
Continue.
Escreva!
Por favor, vá embora. Estou implorando. Vá embora.
Deus do céu!
Onde nós estamos?
Seis de uma coisa, meia dúzia de outra.
É como minha mãe me dizia,
"não entre em cavernas, meu amor."
Você me disse que não tinha mãe.
Talvez sim, talvez não. Eu não me lembro.
Eu tinha menos de dois anos quando ela me abandonou.
Eu fui abandonada também.
É por isso que somos andarilhos.
Ficamos vagando até acharmos uma saída.
Tentando encontrar nosso destino.
Nosso complicado destino.
Onde é a saída?
Sua escolha...
é a saída.
Ksusha.
Paramon, você acabou de dizer meu nome?
A saída!
Cada pessoa tem um relógio
que vai parar um dia.
É apenas uma questão de tempo.
Mas nem todos podem...
dar corda.
Nem todos desfrutam dessa chance.
Eu perdi minha chance e fiquei neste orfanato.
Agora estou vagando
em torno da cidade sombria com um laço no meu pescoço.
Buscando uma saída.
Mas não há nenhuma.
Existe apenas o cheiro da morte ao meu redor.
Paramon, eu também vou morrer?
Você?
Você é uma estúpida! Uma grande estúpida!
Rápido! Vamos, antes que o canhão dispare.
Esta é a ponte.
Seu pai escreveu sobre ela no caderno.
Deus do céu!
A ponte está levantada.
O Pel nos enganou.
A torre está do outro lado do rio.
Nós não conseguimos.
Sinto muito.
Paramon, por que está sentando?
Então, é tudo mentira?
É apenas um conto de fadas que os pais contam aos filhos?
Eles me abandonaram! Nós sabemos disso!
Eu moro em um orfanato, e você também!
Paramon, fale alguma coisa!
- Não deu certo. - Fale alguma coisa.
Estou entendendo.
Não há nenhum relógio, nenhuma torre. É tudo um conto de fadas!
É tudo mentira! Paramon! Estou farta, cansada!
Eu quero dormir! Paramon!
Talvez você esteja certa.
Você está certa.
Nós podemos voltar e ninguém vai julgar você.
Mas...
cedo ou tarde,
um dia...
uma questão vai surgir: Eu usei a minha única chance
para tornar minha vida melhor?
Eu tentei dar corda no relógio usando a chave
que estava pendurada no meu pescoço o tempo todo?
Como você sabia...
Vamos dar corda no relógio juntos. Sem a chave.
E, então, poderemos voltar para casa.
Paramon!
Precisamos lutar!
Vão!
Paramon!
Mais rápido!
Paramon, um navio! Precisamos pular!
Eu estou com medo!
Eu não tenho mais medo.
Seus medos sumiram! Se foram!
Pule, eu sigo você!
- Paramon! Pule! - Optio exitus est.
Por que você está sempre no meu caminho?
Paramon!
Paramon!
Não!
Paramon...
Não tenha medo.
"O relógio parou à meia-noite.
Meu anjo se foi.
O canhão informou esta terrível notícia à toda a cidade."
Você não pode me parar agora!
Ksusha!
Não! Ksusha!
Ksusha!
Você tem que fazer isto!
Você mesma tem que fazer!
Só você pode dar corda no relógio!
Ela é a do orfanato!
Não vamos deixar nada disso acontecer. Por que nós somos quem?
- Guardiões do tempo? - Exato.
Querida.
Mamãe, papai, eu tive um pesadelo.
"CHAVE DO TEMPO", ANDREY ALEXEEV
Esta é nossa nova casa.
- Mãe... - Sim, querida?
O que está escrito ali?
Optio exitus est.
É Latim e significa: "Sua escolha é sua saída."
- Olá. - Oi.
Entrega especial. Ksusha Alexeeva mora aqui?
A partir de agora, sim.
Isto é pra você.
Olha só!
Como vai chamar ele?
- Paramon. - Sim.
IRENA
O meu velho relógio
Continua correndo
Meu velho relógio
É minha testemunha e meu júri
Toda vez que você vem
Eles cantam para você
Colocando todos os sinos para tocarem
Quando você não me compreendeu
Eu pensei
Que todos os sons desapareceriam
Mas meu relógio estava correndo
Solene e triste
Eu ouvi o som deles nos sinos
É impossível reverter o fluxo do tempo
E você não pode pará-lo nem um minuto
E a escuridão sem limites Cobre minha casa solitária, solitária
Mas o velho relógio
Continua batendo
Boa noite.
Boa noite, prezados companheiros
e convidados de nossa instituição.
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