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Bem -vindos ao cinema.
O filme já vai começar, mas antes, temos uma mensagem para você.
Em caso de emergência ou falta de energia, luzes se acenderão
Não é permitido fumar, fotografar ou filmar durante a edição.
Aqui, agora ele parou de responder as mensagens.
Ah, não tenho paciência. Eu posso com isso. Depois do ótimo dia que eu tive no
hospital, ele vem com essa e fecha com chave de ouro. Acho que ele começou.
Ah, não sei o que você aceita aí.
Aceito nada.
Não aceito nada.
Ah, para com isso, amiga. Eu tô irritada, então por quê?
Porque eu acho uma pauta de consideração.
Por que você não terminou com ele, então?
Não é uma combinada do nada, vem com crise, não sei lá o que.
Aí ele desligou o telefone e disse que não vinha mais. Não,
mas ele não quer sim.
E a gente não se vê há um tempão. Para, a gente tá aqui, não tá?
Amanhã ele vai te ligar pedindo desculpas. Eu não vou atender.
Ah, isso aí, tá bom. Só se ele ligar duas vezes. Amiga, amanhã ele vai vir
maior historinha, você já vai cair na... Ô, ô!
Roda! O pessoal acha que tá em casa assistindo TV, porra, fica falando alto.
O que você tá olhando?
Você não falou que o filme era foda? Eu não falei nada, tu que falou.
Não falei porra nenhuma, o cinema tá vazio, não tem ninguém. Tá, e daí?
E daí que eu achei que tava todo mundo querendo ver a porra do filme, né?
É isso, mano, não tem ninguém aqui, pô. Caramba, Bruno, para de reclamar, tá,
pô?
Eu devia ter ido tomar um chope com as minhas amigas mesmo.
Me enche o saco, Paula.
Uma chope com a amiga, porra nenhuma.
Para de tirar essa onda. Vira pra frente.
Você pode conhecê -los depois.
Eu queria pelo menos saber como estão os meus pais.
Não dá.
A gente não pode levar telefone, computador, qualquer coisa.
Nem por lá?
Eu saiba, não.
Ele pediu que eu nem ia poder visitar os meus pais, mas eu não sabia que eles já
completamente têm comemoração.
Eu tenho que falar desse juiz pra cá, por causa da Yannick.
Porra é essa, Paulo?
Agora até isso é culpa minha.
Ô, irmão!
Ó o filme aqui, porra! É, o filme, porra! Ô, o filme aqui, porra! Ô, filha,
imagina aí, cara! Ô, ó o filme!
Porra!
Ó o filme aí!
Isso é praga do Rafa, com certeza.
Com certeza.
Ronel, não. Não é possível que ninguém tá vendo essa porra.
Ô, irmão!
Ô!
Tá passando filme errado aqui, porra!
Ô!
Fabiana? Caralho, é a Fabiana.
Peraí, que porra é essa? É a Fabiana que tá ali. Ô, ô, ô, fica sentado aí, cara.
Ô, fica quieto. Fica quieto o quê, maluco? Minha namorada que tá ali, pô.
falou que é no banheiro.
Minha namorada é porra nenhuma, rapaz. Fica quieto, senta aí, pô. Bruno, vai lá
fora reclamar, pede pra voltar o filme.
Não adianta ficar gritando não, pô. Vai lá fora pra ver o que tá acontecendo.
orelha dela.
Ele tá mostrando a orelha dela pra gente. Peraí, que porra é essa? O que tá
acontecendo? Não faz alguma coisa.
Caralho.
Irmão, senta uma mulher mesmo. Vai falar com ela lá fora.
Essa porra é pegadinha.
Tua mulher armou pra cima de tu, é isso. O que tu tá falando, irmão? Quem armou
o caralho? Senta aí, pô. Fica quieto. Fica calminho aí, que tua parada é com a
tua mulher, não é comigo não, hein, pô. Mas que fudeu, babaca. Olha o que o cara
tá fazendo com ela, pô. Que fudeu o caralho, rapaz. Tô tentando te ajudar,
Tô tentando te ajudar o quê, irmão? Vai tomar ela lá fora pra ver o que tá
acontecendo. Calma aí. Calma aí também, pô.
Eu sei, meu.
Qual foi? Tá filmando. Aí o cara tá com uma câmera aqui, ó.
Como é que é? Calma aí. Qual foi?
Calma. Não, o que que tá acontecendo?
Tá filmando?
Calma. Não, calma o caralho. O que que tá acontecendo, porra? Tá maluco, rapaz?
Tá maluco o quê, filho da puta? Fala o que que minha namorada tá fazendo ali,
porra? Tá maluco, sei lá.
Sai de cima de mim. É pegadinha essa porra? Bruno!
Quer postar essa porra na internet, caralho? Dá essa porra aí pra ele.
Tira a mão de mim.
Porra, tá pensando que a gente é palhaço, caralho? Tira a mão de mim.
Porra.
Porra é.
O que está acontecendo agora?
Aconteceu.
Não sei.
Acho que foi hoje de madrugada.
Cadê a Fabiana?
Por que é dessa vez?
Voltaram com o filme.
Acho que não deram explicações pra gente.
A gente dera, Fred.
Acho que é tudo culpa minha.
Fala pro cara, porra!
Fala pro cara, porra!
Fala pro cara, porra!
Caralho, é a Fabiana, porra!
Caralho, que maluquice.
Caralho! Caralho!
Tá trancada a porta!
Tá trancada?
Tá trancada também essa daqui.
Bruno, volta aqui, as portas estão trancadas. Não tá trancada porra
Paulo. Essa porra é história.
Paulo!
A gente tá preso aqui!
Vou lá resolver essa porra.
Eu acho que eu tô vendo alguma coisa.
Caralho!
Alguém tem que ajudar ele.
Eu vou lá também.
O que aconteceu?
Bom dia.
Eu não sei. O que é que houve? Mais um garoto na porta?
Eu não sei.
Eu vou lá fora resolver essa porra. Bruno, você tá maluco? Vou descobrir que
merda é essa que tá acontecendo aqui.
Não, você não vai. Não viu o que aconteceu agora com o garoto?
Não vi porra nenhuma. Tava escuro pra cacete.
Só vi um moleque berrando na porta. E você vai lá fora fazer o quê? Gente,
alguém viu alguma coisa.
Não sei, não deu pra ver. Foi muito rápido. Mas o que era? Uma pessoa. Acho
era o mesmo cara que tava na tela.
Eu vou lá fora. Vou contigo.
Espera. Bruno, fica aqui.
Você pirou, Paula.
A gente precisa sair dessa merda desse cinema. Alguém atacou o garoto.
Não viaja, Paula. Alguém atacou o garoto aonde? Tinha alguém lá fora, não tinha?
Eu acho que sim.
Porra nenhuma, gente.
Isso aqui é uma sessão de cinema, um filme de terror.
O moleque já deve estar lá fora com a namorada dele rindo da nossa cara.
Você acha que ele tá certo?
Não sei.
Por que não pode?
Porque a gente tem que ficar aqui, na casa da vovó, com o papai e com a
dele. Só podem estar de sacanagem.
Eu queria ir pra casa.
Eu também.
Calma, rapaz. Calma o quê?
Você também acha que alguém atacou o moleque lá na porta?
Não sei.
Que a namorada dele tá no filme, que a gente tá preso nessa merda de cinema.
É isso?
Porra nenhuma.
Isso aqui é pegadinha.
Ninguém vai me fazer de otário, não. Eu vou foder com quem tiver rindo da gente
lá fora.
Bruno!
Eu acho melhor ir lá também.
A gente não sabe o que tá acontecendo. Eu vou lá, espera.
Tá trancada.
Calma aí. Você tá louco?
Onde você vai com isso aí?
Vai.
Vai, porra.
Não vai ver.
Essa porta também tá trancada.
Caralho. Calma, Regina. Tem que ter uma explicação. Abre essa porta!
Chega dessa merda!
Abre, porra!
Eu sou advogado e vou processar geral dessa porra!
Abre essa merda, porra!
Chega dessa merda!
Fica com ela.
E daí? Ninguém vai ouvir.
Vai cantando.
E a gente faz o quê?
Espera algum filho da puta abrir essa porta?
Eu não sei.
Mas a gente tá preso aqui.
Aí precisa pensar.
Mas a gente faz o quê? Eu não sei ainda.
Bruno! Só tem uma saída mesmo.
Vai acalmar sua namorada, vai.
Joel.
Não tô acreditando nisso.
Meu celular não tá funcionando, Bruno.
Como é que é? Eu tentei, mas não tá com sinal.
Também tá fora de área.
Vou ligar pra polícia.
Caralho, meu celular tá sem sinal.
Como assim sem sinal? O que você quer fazer?
Eu não sei, Eduardo. Eu pensei que vocês soubessem.
Me desculpe.
Por quê?
Ah, ter trazido você para ser roubado aqui, né? Não viaja, Eduardo.
Era essa noite que eu estava planejando para a gente.
Espero que não mesmo.
Eu prefiro dizer que você gostava de comida japonesa. Eu devia ter levado
para comer um sushi.
Relaxa.
Na verdade, eu ia fazer isso depois daqui, né?
Isso aqui deve ser só uma brincadeira mesmo.
Não importa.
Esquece isso.
O que foi?
Nada, estava só pensando.
Tem que pensar aqui do meu lado?
Se isso aqui for uma brincadeira, você está com a câmera.
Deixa de ser babaca. Estou fazendo piratinha de merda para pôr na internet,
cara. Não tem nada com isso, não.
Vocês acham que alguém vai aparecer no final da sessão?
Não sei.
Mas aí teria que esperar duas horas.
Por que duas horas?
Porque é mais ou menos o tempo do filme.
É, a não ser que ele tenha pego todo mundo lá fora.
Vocês estão de sacanagem que estão achando que isso é sério, né?
Tá, mas alguém tem que aparecer. Algum funcionário do cinema, sei lá.
Alguém vai aparecer.
Alguém trabalha aqui, alguém está na rua.
Não é possível.
É a última sessão.
Vem cá, alguém aqui conhecia o garoto?
Garoto. O da namorada.
Aquele babaca?
Não.
A gente também não.
O que é?
Estão de sacanagem, né? E se exportaram mesmo, gente?
Música Música
Não! Não!
AAAAAH!
A Jardineira
Música Música
Eu quero passar, é suficiente pra
poder me gravar.
A jardineira abandonou o meu jardim, só porque
agora resolveu mostrar de mim.
Não!
Ei.
O celular de vocês tá com sinal?
Não, nem de vocês.
Não, também não.
Não, o meu também tá sem sinal.
O que é que ela faz?
Estão enganadinhas.
Qual é, mãe?
Será que tem algum?
Não é possível que nenhum celular tenha sinal. Ele deve estar usando algum
bloqueador. Qual é essa de bloqueador? Como é que tu sabe disso?
Não que seja da sua conta, mas eu trabalho com isso. Paula.
E aquela porta ali?
O quê?
Dá para o segundo andar.
O saguão do segundo andar tem uma escada com várias janelas que dão para a rua.
Ah, lógico. Eles trancaram tudo aqui embaixo e esqueceram de fechar lá em
né? Você acha que tem mais de um?
Sei lá, Paula. Deve ser uma porra de uma equipe inteira.
A porra já deve estar bombando na internet com geral rindo da nossa cara.
Que porra de convite de merda é esse, hein, Paula?
Peraí, convite.
Como assim?
Que porra de convite? Convite pro filme.
Que porra de convite é esse? Quem convidou? Que convite? Sei lá.
Chegou um convite duplo pra pré -estreia na casa da Paula. Eu também recebi o
convite.
Peraí, Eduardo.
Onde é que você conseguiu esse convite? Não, não.
Chegou pelo correio.
Entregaram lá em casa.
Todo mundo tava querendo assistir esse filme. E ninguém achou estranho a porra
do saguão vazio, essa merda desse cinema vazio numa pré -estreia de um filme.
Isso não tem sentido. O convite não era nem pra mim.
Como assim?
Eu tô só te acompanhando, Camila.
Vocês estão de comédia, né?
Supirateiro de merda. Vai debochar da puta que te pariu. Tá achando o que,
bicho? É uma oportunidade de fazer uma cópia de um filme desse. Uma pré
-estreia. Numa pré -estreia que eles seguram o seu celular lá na porta e você
entra com essa merda de câmera.
Mas ninguém ficou com o celular de ninguém.
O saguão tava vazio. Não tinha ninguém lá na frente. Tinha a merda de um
funcionário. O atendente. Será que é o atendente? Sei lá, Paulo.
Nem toda pré -estreia eles ficam com o celular na porta. É, mas eles sempre
checam se alguém tem uma câmera, né?
Caralho. Presta atenção.
Eu ponho a câmera na mochila. Se dá pra filmar, eu filmo. Se não der, foda -se.
E ninguém checou sua mochila?
Não tinha nada na porta. A gente chegou correndo, Regina.
Tá, mas alguém pegou uma pipoca, um refrigerante, um cartãozinho de combo,
lá.
Eita, que pariu.
Só tinha o atendente na porta quando a gente chegou.
Tinha também o rapaz da buboniária. É verdade.
Então tinha mais gente lá fora.
Tinha, mas aí eu não sei quantas pessoas eram.
É, aí também eu não prestei atenção.
O que foi?
Só tem a gente no cinema.
Tá, mas aí?
E aí que todo mundo aqui foi convidado.
Mas peraí, o que o cara tá querendo com a gente?
Vem cá, alguém aqui se conhece?
Não.
Todo mundo aqui foi convidado.
Só tem a gente no cinema e ninguém se conhece. Tem que ter um motivo.
Tem alguma saída no banheiro?
Não, que eu lembrei, não.
Caralho, a gente precisa sair daqui. Você não vai lá em cima, Bruno. A gente
pode ficar aqui parado esperando.
Então vai você.
Beleza, eu vou. Não vai droga nenhuma.
É muito mais seguro a gente ficar junto aqui. Só tem duas portas, a gente vigia.
Até a hora que ele apagar todas as luzes de novo. A gente não sabe nem o que tá
acontecendo.
Eduardo, você não vai.
Gente, a gente precisa tentar sair daqui.
Então vamos lá em cima. Você não vai, Bruno!
Eu só falei que eu vou! Então vai, porra! Por que ele tá parado aqui?
Calma aí, eu vou junto, não tem problema.
Então alguém tem que ir.
Eu ainda acho que é uma pegadinha. A gente tem que sair dessa merda. Você não
vai lá em cima, Bruno!
Caralho, Paula, que merda!
Então eu não vou lá em cima e a gente fica preso nessa merda de cinema a noite
inteira. Calma, calma. Mas assim, eu vou com eles lá, vocês ficam aqui embaixo.
Certo? Você vai ficar aqui comigo, Bruno.
Tá bom, Paula.
Tá bom.
A gente precisa se proteger. Eu vou colocar essa chave, por exemplo, aqui
os dedos e qualquer coisa eu dou um choco nele. Procura na bolsa de vocês se
alguma coisa que possa ajudar.
O que foi?
Tome cuidado.
Tá.
Não, tô falando daquele cara.
De quem?
Você acha que ele tem alguma coisa a ver com isso?
A gente não conhece essas pessoas, Eduardo.
A gente oferece qualquer coisa. Eu já volto.
E aí?
Tá bom.
Aí o quê?
Como foi?
Nada. Foi nada ainda. Mas ele não disse nada?
Ainda não sei o que você vai fazer lá em cima. Alguém tem que ir.
Se acontecer alguma coisa.
A gente cria.
Tá bom, isso eu preciso dar de cuidado de médicos. Eu volto correndo, mas eu
tenho que ir lá em cima. Eu tenho que tentar tirar a gente daqui.
Por quê?
A menina foi torturada.
O que que tem?
Eu conheci ela.
Ela era Fabiana mesmo.
Caralho, Camila, como assim?
Então isso tudo é verdade.
Acho que sim.
Quem era a menina?
Ela sofreu um acidente. Na verdade, ela foi atropelada. Foi uma coisa horrível.
Na beira da morte, eu ajudei a cuidar dela.
Caralho.
Foi foda.
Ela ficou vários dias internada.
Ela quase morreu.
Mas... O que você está pensando?
Meu Deus!
Meu Deus! Meu Deus, Bruno!
Calma! Meu Deus!
Meu Deus, Bruno!
Calma, vou dar um jeito pra gente sair daqui. Calma!
É o garoto.
Tá morto.
Bruno, eu quero sair daqui, Bruno! Eu não quero ficar aqui, Bruno!
Bruno, eu quero sair daqui, Bruno! Me tira daqui, Bruno!
Eu não quero ficar aqui, Bruno!
Eu quero ir embora!
Me solta, Bruno! Eu quero ir embora!
Bruno!
A gente tem que sair daqui.
Será que ele ainda está lá em cima?
Só tem um jeito de saber.
Todo mundo junto, com as costas na parede.
Obrigado!
Tudo bem.
Ele passou por aqui. A gente ouviu. Cadê ele?
Eu tô bem. Ele não pegou ninguém.
Juliana!
Eu tô bem, Eduardo.
Tá todo mundo bem.
A luz apagou e ele passou muito rápido por aqui.
Eu acho que ele se escondeu no banheiro do cinema.
Se escondeu no banheiro?
É, ele passou pela gente. A gente viu a porta fechando.
Ele tá lá dentro do banheiro do cinema. Eu vou pegar esse merda lá.
Não faz isso. É exatamente isso que ele quer, garoto. Pra que ele ia se esconder
no banheiro?
Relaxa. Eu sei me defender.
Espera, garoto. Espera a gente voltar.
Aí ele apaga a porra toda e foge daqui.
Deixa ele fugir, rapaz. Cara, espera eles voltarem. Não vou esperar porra
nenhuma.
Abre essa porta!
Rapaz, não faz isso. Espera a gente voltar.
É a nossa chance. O cara tá encurralado no banheiro. Ele não tá encurralado. Ele
tá armado. Tá só esperando vocês.
Para com isso, Bruno. Por favor.
Para com isso você.
É a única chance que a gente tem. O cara tá preso lá dentro.
Rapaz, eu sei o que eu tô fazendo.
Então não vai sozinho.
Ei.
Ei.
Porra. O que foi?
Vai com ele.
O quê? Ele no banheiro?
Porra nenhuma. Vocês são malucos.
Eu vou sozinho mesmo, não precisa desse pela saco, não. Vai lá, irmão, boa
sorte. Você não quer sair dessa também, cara? Eu quero, mas eu quero sair daqui
vivo. Desce tu e vai lá com ele, porra. Porra, a porta tá trancada. A gente nem
sabe se o cara tá lá dentro, não deu pra ver direito daqui. Ele tá lá dentro, eu
vi. Eu tô pouco me fudendo, eu não vou entrar naquela porra. Bruno, fica aqui.
Quer saber, vocês que se fodam, eu vou resolver essa porra sozinho. Bruno!
Vai com ele, vai com ele, cara, vai com ele, cara.
Sacanagem, né?
Caralho, maluco, filho da puta. Você vai deixá -la sozinha de novo.
Você tá de sacanagem se acha que eu te resolvi, né?
Deixa tu pra caralho.
Poeta.
Caralho, cadê esse cara? Não sei.
Sua mulher tá te chamando.
Caralho!
Caralho! Caralho!
Caralho! Caralho!
Caralho! Caralho!
Vocês têm que entrar no banheiro. Ele travou a porta.
Puta que pariu. A gente tem que descer.
Tem que achar uma saída.
E aquela porta ali?
O que a gente faz?
E aquelas portas que dão para o saguão?
A jardineira abandonou o meu jardim, só porque a roda
resolveu passar de mim. A jardineira abandonou o meu
jardim, só porque a roda resolveu passar de mim.
Vou abrir a leste, eu quero passar.
Peço licença para...
Me tira daqui, filho da puta.
Me tira daqui, porra.
Me tira daqui, porra. Me tira daqui, porra.
Me
tira
daqui, porra.
Não fiz nada contigo, porra.
Caralho, cara, me tira daqui, cara!
O cara vai tomar... Vai fazer...
Tira
daqui, cara.
Caralho, cara, o que é que você está fazendo?
Caralho, cara, o que é que você está fazendo?
Tem que o celular, tipo...
Juliana! Ela tá morta!
aconteceu alguma coisa.
Tá tudo trancado aqui em cima também.
Tudo?
Tudo. Caralho. Então a gente tem que descer.
Eu acho que sair não é mais a solução. Ele tá antecipando tudo.
Você tá falando sério? É melhor a gente se reunir e se proteger dele. Ele deve
estar pensando que a gente vai continuar tentando sair.
Não, mas peraí. A ideia foi sua da gente subir aqui. É, as portas estão
trancadas. Não tem como a gente descer. A gente tá aqui por sua causa, pô. Elas
estão lá embaixo.
E daí? Como assim daí, pô? A gente não tem como descer. A gente tá preso. As
minhas estão sozinhas lá embaixo.
O que é que você tá falando, Robert? Só tentei uma parada que não deu certo.
E calma o quê, pô? Muito conveniente essa porra, né?
Calma. Você tá maluco, rapaz? Ele tá calmo demais com essa porra toda.
Calma, o que ele tá fazendo?
Como assim que eu tô fazendo? Ele tá calmo demais.
Ele fez questão de separar a gente das meninas.
Calma, rapaz. Você não vai querer fazer isso, né?
Você tá maluco?
Rapaz, eu sou ex -policial. Você não vai querer brigar comigo, né? Baixa essa
porra desse tripé. Eu não tenho nada a ver com essa parada, não. Tudo que eu
quero é sair daqui tanto quanto você.
Abaixa isso.
Abaixa isso, ele está falando a verdade.
Que verdade?
Do que você está falando?
Ele é ex -policial mesmo.
Como é que você sabe disso?
Ele é ex -policial.
A gente se conhece.
Os dois se conhecem aqui, ó. O que que tá acontecendo aí em cima? Eles se
conhecem, os dois. Camila, você conhece ele?
Ele trabalha no hospital, é o segurança.
Por que vocês não falaram isso pra gente?
Calma, cara, a gente não sabia, não dava pra confiar.
Era o funcionário do cinema.
Funcionário? É, eu vi. Ele pegou meu convite. Eu vi. Ele tinha um óculos
parecido com o meu. Era ele.
Então não tem mais ninguém lá fora.
É possível que eu não achei estranho. Tudo vazio quando a gente entrou. Eu
entrei tão apressada que eu não vi nada.
É, galera.
Agora fodeu, hein?
Calma. A gente precisa pensar.
Você se conhece, né?
E trabalha no mesmo hospital que eu.
Você é médica?
Sou residente.
Por que você não falou isso pra gente antes? Olha a merda que a gente tá
mentindo, garoto. Você contaria?
Me trata porra com vocês, é isso?
Não.
Não, eu acho que não.
Mas só vocês se conhecem. Ah, mas não tem motivo. Eu nunca briguei com
Calma, se alguém faria alguma coisa com você assim, alguma pessoa que você
brigou, aprendeu, sei lá.
Então sua amiguinha e o fiel são camaradas?
Eu não sabia não, cara.
Ah, nem pra você ela contou?
Maneiro, hein?
Ele tá na sala de projeção.
Ele tá lá dentro.
Dentro da sala. Dá pra ver pela janela.
Como é que você tá?
Acho que eu quebrei alguma coisa.
Calma, Esperança mexe.
Eduardo!
Camila! Eduardo!
Vai lá, calma elas.
O que que houve?
Seu braço tá quebrado.
Mas eu não tô descendo tanta dor.
É adrenalina.
Camila! Eduardo, o que que tá acontecendo, porra?
Tá tudo bem. Ele caiu e se machucou, mas tá bem.
Caiu? Quem caiu? O Eduardo?
Eduardo! Eduardo, como é que você tá?
Calma. Calma.
Calma.
Respira.
Calma, não tá tão ruim assim.
Só vou precisar examinar melhor, ok?
Dói aqui?
Não. E aqui?
Não.
Dói aqui?
Não.
Eu tive que colocar seu braço no lugar e a dor vai melhorar.
Respira fundo.
Respira fundo, já volto.
A
gente
precisa de alguma coisa pra imobilizar o braço dele.
Você conhece o rapaz?
Não tenho certeza.
Não teve dia que estava maior confusão no hospital?
Que dia não é confusão, né?
Esse dia teve um acidente.
Uma vã atropelou um bloco de carnaval, se lembra?
Lembro.
Foda -se, a gente tem que descer.
A gente precisa descer.
Cuidado com o braço.
Descendo?
Como descendo? A porta está trancada.
Camila!
Eduardo! Regina, a gente tá tentando voltar!
A porta tá trancada!
Eduardo, fala comigo, Eduardo!
Ele... Ele tá lá em cima!
Lá em cima?
A gente precisa de ajuda pra trazer ele pra baixo!
Vocês deixaram ele sozinho lá em cima!
Muito obrigado.
Muito obrigado.
Fechei em cima e embaixo.
Deve ser do outro lado.
Regina! Oi, fala, Camila.
Regina, procura por trincos nos cantos da porta.
Quê?
Trincos. Essa porta é dupla. Tem que ter trincos nos cantos. Olha nos cantos.
Usa o celular pra iluminar aqui.
Deixaram ele lá em cima.
Amém.
Regina!
Regina!
Regina! Regina, cadê Regina?
Me volta!
Cadê Regina?
Me volta!
Regina!
Regina, cadê você?
Regina! Regina!
Regina! Regina, cadê você? Regina!
Regina!
Regina!
Regina! Regina!
Não! Não!
Não!
Obrigado.
Não!
Obrigada.
Obrigado.
Essa porra é comigo? Essa é a filha da puta? Seu filho da puta, essa porra é
comigo? Por que você tá fazendo isso?
Você não sabe, doutora Camila.
Espero o quê?
Quer um estímulo pra lembrar?
Espera. Quer mais um estímulo?
Salva ele.
O que?
Opera ele.
Eu não consigo. Salva ele, você não é médica?
Não consegue?
Não consegue?
Filho da puta, não deixou entrar no hospital naquele dia?
Que dia? Do que você está falando?
Vocês são reis da merda, né?
Tratam a gente que nem lixo, a gente só queria ver o pai.
Mas vocês estão cagando pra isso.
Pai, do que você está falando?
Do meu pai, que você deve morrer no hospital.
Eu?
Lembra? No dia do acidente.
Só porque ele estava dirigindo uma van.
Mas não sou ninguém.
Por favor, não deixe ele morrer.
O que é assim?
No chão frio?
Sem uma maca?
Isso não é normal?
Caralho, por que você está fazendo isso?
A Regina não tinha nada a ver comigo.
Sua amiga é só um efeito colateral.
É.
Acho que não deu pra salvar, né?
Por que que ela tá fazendo isso?
Eu não sou ninguém.
Esse porquinho ficou em casa.
Esse porquinho comeu rusbi.
Esse porquinho não tem nada.
Esse porquinho voltou chorando o caminho inteiro de volta pra casa.
Já temos.
A sorrir, eu pretendo levar a
vida, pois chorando eu vi a
mocidade de vida.
A sorrir, eu pretendo levar
a vida, pois chorando...
A torre eu pretendo levar a
vida Pois chorando eu vi a mocidade
Mestre Cartola, fundador da gloriosa Estação Primeira, você é uma saudade.
Viverá na nossa lembrança, através das suas músicas, suas poesias e a sua
verba.
Você era e é um gênio.
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