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ESTE PROGRAMA CONT�M RELATOS REAIS QUE PODEM SER PERTURBADORES.
INCLUI REFER�NCIAS A CRIMES, VIOL�NCIA, E OUTROS CONTE�DOS SENS�VEIS.
OBSERVE A CLASSIFICA��O ET�RIA.
O Sr. Kivimaki chamou nossa aten��o no ver�o de 2013,
por causa de uma invas�o que ocorreu no dom�nio .edu.
Julius Kivimaki s� tinha 15 anos quando hackeou Elon Musk.
Ele derrubou redes da Playstation no mundo todo
e acionou um alerta da For�a A�rea dos EUA
ao for�ar um avi�o comercial a fazer um pouso de emerg�ncia.
Eu apontei que um cara tinha postado no Twitter
que estava entrando em um voo espec�fico,
e a� outra pessoa fez uma amea�a de bomba no Twitter.
Havia uma grava��o da liga��o, e era a voz do Julius.
Ele fez Swatting com as fam�lias de agentes do FBI.
Acho que Kivimaki era muito imaturo.
Ele estava chateado que uma garota n�o queria ser amiga dele,
e ele queria fazer com que ela pagasse por isso.
Os alarmes tocaram.
A pol�cia francesa percebeu que pegaram, por acidente,
um dos criminosos mais procurados da Europa.
Me perguntam muito isso. Como respondo a essas acusa��es?
Que � uma palha�ada. O que eu deveria dizer?
Ele achava isso divertido,
e gostava de machucar ou ver outras pessoas sofrendo.
As pessoas acham que � piada, mas n�o �.
� um crime s�rio que pode levar a consequ�ncias significativas
para as v�timas desses casos.
Ele levava uma vida de luxo global.
Ent�o ele sumiu
e virou um dos criminosos mais procurados da Europa.
Foi a primeira vez que vimos um ataque digital
ter um impacto direto em algu�m tirar a pr�pria vida.
E quando eu estiver no mesmo lugar que ele,
eu vou mat�-lo.
Kivimaki � um hacker talentoso que precisa ser parado.
Esta � a hist�ria do garoto
por tr�s dos ataques hacker mais perigosos que o mundo j� viu.
KIVIMAKI: O HACKER MAIS PROCURADO
EPIS�DIO 1 A ARMADILHA DE VEGAS
PRES�DIO DE SEGURAN�A M�XIMA TURKU, FINL�NDIA
Se eu me sinto um hacker?
Bom, essa � a pergunta.
Eu acredito que algu�m possa me descrever desse jeito,
mas talvez eu fosse.
Eu n�o sei. Hoje em dia,
n�o s� porque eu estou na pris�o, mas em geral,
eu n�o penso muito nisso.
Estou mais interessado em coisas fora das telas de computadores.
Eu cresci na regi�o da cidade de Helsinki.
Passei todo o come�o da minha vida l�.
Ent�o meu interesse por computadores come�ou desde cedo.
Passei a maior parte da inf�ncia interessado em computadores.
Eram principalmente coisas idiotas de crian�a,
tentar causar algum drama ou me divertir,
como algu�m que pode estar por a� grafitando ou coisa do tipo.
Basicamente isso, mas na internet.
LONDRES REINO UNIDO
Na adolesc�ncia, Julius Kivimaki criou rapidamente uma reputa��o
no cen�rio internacional de hackers, e a m�dia prestou aten��o.
Por mais de uma d�cada, cada passo dele foi seguido por Joe Tidy,
um dos maiores jornalistas sobre crimes virtuais
e autor de um livro sobre os crimes da vida real de Kivimaki.
Eu conhe�o esse personagem h� dez anos.
Desde que eu soube dele quando ele era adolescente,
hackeando com uma gangue adolescente chamada Lizard Squad.
E eu comecei a seguir a carreira dele de longe,
e trabalhei duro para tentar entender
quem � Julius Kivimaki.
Eu conhe�o o Kivimaki online, eu conhe�o o Ryan.
Ryan C., Ryan Cleary.
E, claro, tinha esse personagem, esse nome Zeekill,
que veio de quando ele jogava,
e � o nome que parece que ficou marcado nele
junto com Ryan por muitos anos.
Muitos nomes e identidades diferentes para uma pessoa.
Ele � um homem misterioso.
A escola era entediante.
Basicamente tudo que nos ensinavam eu j� sabia fazer.
Come�aram a nos ensinar ingl�s, eu j� escrevia e lia em ingl�s,
falava ingl�s, lia livros em ingl�s,
e tentavam nos ensinar os b�sicos aos poucos.
Ent�o eu sempre achei uma perda de tempo.
Muitos hackers come�am bem jovens,
e muitas vezes tentam encontrar indiv�duos que pensem como eles.
E os lugares onde se encontram pessoas assim
s�o grupos de chat internacionais,
ou redes do Tor, ou diferentes f�runs.
Claro, pode chamar de escapismo,
mas, quero dizer...
Imagino que � isso que a maioria dos jovens fazem,
seja brincando na rua com os amigos ou jogando online com os amigos.
Voc� tenta encontrar algo para fazer
e n�o ficar preso em casa fazendo li��o de casa.
E parece ser onde Kivimaki passou grande parte da juventude.
Aprendendo com outros
e querendo ser parte de um grupo de hackers.
Eu s� procurava alguma coisa empolgante na vida.
Para um jovem n�o h� muita coisa empolgante.
CIDADE DE NOVA YORK NOVA YORK, EUA
BALSA DE STATEN ISLAND
Allison Nixon � uma das maiores investigadoras virtuais do mundo.
H� mais de dez anos
ela se infiltrou em grupos de hackers adolescentes
e focou em um nome em ascens�o:
Julius Kivimaki.
Ela recebeu amea�as de morte, foi assediada por hackers irritados
e teve que se esconder para ficar em seguran�a.
Na �poca,
tinha uma rede de comunidades hackers com uma pequena associa��o
em diferentes f�runs e redes sociais,
e eles se auto identificavam como "a cena".
Dentro da "cena", havia v�rias pessoas
que exibiam tend�ncias parecidas �s de Kivimaki em diferentes n�veis.
Tinha uma mistura ecl�tica de pessoas
que, por um lado, se interessavam por tecnologia.
Elas podiam querer aten��o, mas n�o eram necessariamente odiosas.
Eram apenas nerds.
Por outro lado, dentro da cena, tamb�m tinha pessoas
que viam a tecnologia como um meio para um fim.
E o objetivo dessas pessoas era buscar a inf�mia,
essencialmente fazer o mal.
O que vimos dentro da cena
foi basicamente essa transi��o de hackers "das antigas"
para essa nova gera��o de hackers focados em causar o mal.
CIDADE DE NOVA YORK NOVA YORK, EUA
Primeira mensagem de voz,
enviada: Segunda-feira, 27 de maio, �s 3h44.
O amor n�o nos � estranho
Voc� sabe as regras, e eu tamb�m
� cl�ssico.
Vai continuar vivendo
Voc� n�o vai ter isso com outro homem
Eu s� quero dizer o que eu sinto
Vou te fazer entender
Certo, j� chega disso.
Mas...
Sim, ele sentiu a necessidade de me mandar um Rickroll.
Meu nome � Blair Strater. Na internet eu uso o nome r000t.
E sou o saco de pancada favorito de Julius Kivimaki.
Julius Kivimaki conheceu o hacker estadunidense Blair Strater
atrav�s de um grupo secreto.
O que come�ou como uma amizade, logo ficou t�xico
e terminou com os dois como inimigos jurados.
Na �poca,
eu, e basicamente todo mundo que n�o tinha uma vida,
ficava em um site chamado 4chan.
E no 4chan as pessoas postavam links para grupos de IRC,
e eu entrei para o "Hack The Planet".
Eu e Zeekill est�vamos basicamente no mesmo lugar, na mesma hora.
Minha mem�ria daqueles primeiros anos � muito confusa,
e eu geralmente preciso olhar os registros que guardo,
mas as outras pessoas me dizem:
"Voc�s eram realmente bons amigos e se davam bem."
E eu falo: "N�o lembro disso."
Zeekill, objetivamente falando, � muito engra�ado.
E eu daria um palpite
de que, no fim das contas,
eu e ele est�vamos l� pelo mesmo motivo.
Tem uma frase daquela �poca da internet
que �: "fa�a pelas risadas".
Voc� faz uma coisa porque � engra�ada, voc� acha que vai ser engra�ada,
e eu sinto que isso provavelmente era o maior atrativo
para mim nesses lugares,
e foi provavelmente o que atraiu o Zeekill para esses lugares.
Est�vamos entediados. Quer�amos nos divertir.
A internet � cheia de divers�o.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
NEWARK NOVA JERSEY, EUA
CENTRO DE CAMPO DO FBI NEWARK, EUA
O FBI se interessou logo por grupos de hackers.
Um dos agentes que mais se aprofundou foi Ryan Brogan,
um ex-desenvolvedor de software que virou agente especial do FBI
e um especialista no cen�rio clandestino.
A primeira vez que ouvi falar de Julius Kivimaki
foi provavelmente quando eu
pude investigar o grupo chamado Hack The Planet.
Meu nome � Ryan Brogan.
Sou um agente especial no FBI,
e sou respons�vel por investigar crimes virtuais
al�m de outras viola��es pelos �ltimos 16 anos.
Foi provavelmente em 2012.
O grupo come�ou a fazer invas�es digitais
em um grande grupo de alvos de alto n�vel, ou v�timas, se preferir.
A pr�pria Divis�o de Newark,
n�s est�vamos em uma posi��o �nica, onde t�nhamos uma grande visibilidade
desse grupo em particular.
Hack The Planet era...
Parecia ser um grupo online de indiv�duos de certa afilia��o.
Acredito que jogavam juntos
e adicionalmente eles cometiam invas�es ou fraude em computadores.
Em rela��o aos alvos que eles tinham,
havia institui��es como Educause, MIT,
outras entidades do governo tamb�m.
Todas passaram por invas�es nos computadores
que vieram desse grupo em particular.
Durante os anos de Lizard Squad e HTP,
essa subcultura basicamente fez uma mudan�a
de puramente tecnologia e hackear da forma antiga
e mais para causar o mal
s� por causar o mal de uma nova forma,
usando a tecnologia e hackeando para conseguir isso.
Falando sobre esses grupos,
Hack The Planet e Lizard Squad, eu n�o sei.
Sinceramente, me parece bobo falar neles desse jeito,
porque o Hack The Planet meio que fingia ser
uma coisa mais s�ria e exclusiva, e...
As pessoas naquela �poca viam o Lizard Squad s� como crian�as,
mas, por outro lado, basicamente tinham as mesmas motiva��es.
Ver com o que conseguiam se safar
e brincar com nossos brinquedos.
De certa forma, fazer barulho.
Agora, com as criptomoedas,
h� um incentivo universal de lucro
para fazer qualquer atividade nos computadores.
Na �poca, era...
Ainda havia essa ideia dos anos 80 e 90...
Havia uma sensa��o de competi��o amig�vel.
No Hack The Planet, especificamente,
eu tive a possibilidade de entrevistar v�rios deles.
E ap�s conversar com alguns deles e fazer entrevistas,
eu diria que as motiva��es deles realmente se alinhavam
com expor vulnerabilidades de seguran�a digital.
Tamb�m era um grupo de indiv�duos
que realmente gostava de explorar sistemas de computador.
Desenvolver malware e ver como as coisas funcionavam.
O HTP tinha pessoas muito competentes no grupo.
Julius n�o era uma delas.
As pessoas do lado mais antissocial da cena,
basicamente respeitavam as pessoas
com base no quanto elas podiam causar o mal.
Ent�o a atitude na comunidade era:
"Se voc� causar mais danos, ser� mais respeitado."
Eles tentavam superar uns aos outros em quanto dano podiam causar.
Ele agia diferente de alguns deles.
Ele queria...
Acho que ele at� me disse que queria fazer invas�es digitais
s� pela emo��o de fazer aquilo,
pelo prop�sito de prejudicar os outros.
Uma coisa que nunca � dita,
e � muito importante para entender
tanto Zeekill quanto o risco que pessoas como ele representam,
� que nada que ele fez envolve realmente algum tipo de habilidade.
Ou ele recebeu alguma coisa
ou mandou algu�m fazer alguma coisa por ele
sob algum tipo de amea�a ou coer��o.
E o jeito como tudo isso se conecta ao Hack The Planet
� que ele e v�rias outras pessoas
diriam que ele era, entre aspas, um "membro do Hack the Planet",
e nem ele e nem eu �ramos parte.
�ramos s� pessoas que ficavam no canal do chat.
Eu fui associado com alguns grupos de hackers de renome,
como Hack The Planet ou Lizard Squad,
mas eu era s� um garoto que estava em canais de chat
e nunca tive um papel importante em nada.
Eu s� ficava assistindo de fora.
Quase como um torcedor deles.
LAS VEGAS NEVADA, EUA
BEM-VINDO � FABULOSA LAS VEGAS
No ver�o de 2013,
ficamos sabendo que membros do Hack The Planet
viajariam para uma confer�ncia em Las Vegas.
Come�amos a planejar uma opera��o
para juntar provas relacionadas ao meu caso
e o caso do agente especial Brogan.
Eu achei que essa seria uma t�cnica muito boa para usar
para provar definitivamente, por assim dizer,
que Julius Kivimaki � Zeekill,
porque com a visibilidade que t�nhamos
n�s entendemos que o indiv�duo por tr�s do nome Zeekill
estaria em Las Vegas naquele quarto de hotel naquela hora espec�fica.
SUL DE NEVADA - LITEWEIGHT 12 QUIL�METROS AT� A MINA
Com apenas 15 anos,
Julius Kivimaki embarcou em um voo para Las Vegas
sem imaginar que o FBI j� estava atr�s dele.
Quase uma d�zia de agentes federais estava seguindo ele.
Observando, rastreando, esperando.
LAS VEGAS NEVADA, EUA
Liderando a opera��o estavam os maiores especialistas em crimes virtuais do FBI,
os agentes especiais Nathan Burrows e Ryan Brogan.
O Sr. Kivimaki chamou nossa aten��o no ver�o de 2013,
por causa de uma invas�o que ocorreu no dom�nio .edu.
A investiga��o preliminar
levou ao envolvimento dele
como parte do grupo de hackers Hack The Planet.
Meu caso era inteiramente focado
em uma invas�o no provedor de dom�nios .edu.
O grupo prejudicou um dos servidores de l�,
dando a eles acesso a atualiza��es e mudan�as
de informa��es de dom�nios.
Meu nome � Nathan Burrows.
Fui agente especial no FBI de 2003 at� 2015.
Na �poca, eu trabalhei principalmente com invas�es a computadores
e crimes contra crian�as.
Antes da opera��o em Vegas,
t�nhamos algumas informa��es sobre o Sr. Kivimaki.
N�o t�nhamos toda a identidade dele.
Ele era muito bom
em criar identidades falsas,
dando pequenos peda�os de informa��es verdadeiras
junto de informa��es falsas,
o que tornava particularmente dif�cil identific�-lo por completo.
O que descobrimos
foi que dois indiv�duos viajariam
para se encontrar em Las Vegas em uma confer�ncia chamada DEF CON.
� a maior confer�ncia de hackers do mundo.
E 99,9 por cento das pessoas que participam
n�o s�o criminosas, s� para ficar claro.
Mas ocasionalmente temos um ou dois criminosos frequentando.
�s vezes essas pessoas com a motiva��o de causar o mal
acham que s�o parte da comunidade.
Ent�o �s vezes elas aparecem.
E isso significa que �s vezes o FBI tamb�m aparece.
Achei que seria uma oportunidade fant�stica
para descobrir quem eram esses dois indiv�duos,
Julius Kivimaki sendo um deles.
O agente especial Brogan e eu viajamos mais cedo,
antes dos membros chegarem em Las Vegas.
Conseguimos preparar uma declara��o
e falar com um juiz aqui em Las Vegas
para obter um mandado de busca
antes do encontro desses membros do Hack The Planet
que ia acontecer aqui.
POL�CIA METROPOLITANA DE LAS VEGAS
PRES�DIO DE SEGURAN�A M�XIMA
Eu fui a Las Vegas visitar a confer�ncia de hackers DEF CON.
Sim. O que mais posso dizer?
Gostei da comida em Las Vegas. � bem diferente.
Zeekill foi convidado a vir para a DEF CON
para passar tempo com a Starfall
em um quarto incrivelmente grampeado.
Dentro do quarto,
ele usou cart�es de cr�dito roubados para pedir pizza, frango, prostitutas,
tudo que Las Vegas tem a oferecer.
Tendo passado a vida toda na Finl�ndia at� ent�o...
N�o temos tacos ou coisas assim aqui.
Kivimaki se hospedou no lend�rio Bellagio Hotel em Las Vegas,
sem saber que o FBI estava vigiando cada passo dele.
E, para piorar as coisas,
o FBI montou uma armadilha s� para ele.
Quando conseguimos um mandado de busca,
sab�amos aproximadamente a hora
e o local do encontro deles,
e nos instalamos perto do local de encontro,
que era um quarto no Bellagio.
Eu fui ver um cara que agia como se fosse meu amigo.
Fui para o quarto de hotel dele, ele chamou o FBI.
Oi.
Ent�o, aqui � a Starfall.
Starfall � uma das hackers mais misteriosas do mundo.
Ela n�o gostava do jeito como Julius Kivimaki agia,
ent�o ela contra-atacou.
Acho que podemos dizer
que eu fui uma das fundadoras
do Hack The Planet.
Na verdade foi minha ideia
envolver Julius, Zeekill.
Depois eu percebi que foi um erro gigantesco.
Eu fui informante do FBI,
basicamente porque eu decidi
que Zeekill � o motivo para estarmos sendo investigados.
Zeekill est� enriquecendo �s custas das nossas atividades.
Ele est� mentindo e dizendo
que teve a maior parte do envolvimento,
quando na verdade ele estava l�
porque eu acreditei em algumas mentiras dele.
Em certo ponto, quando confirmamos
que todos os membros que iam participar estavam presentes,
executamos o que chamamos de busca de batida e aviso.
Ent�o n�s entramos e confirmamos um indiv�duo
e a identidade de Julius Kivimaki.
Os federais invadiram o quarto.
E ele tentou pular pela janela do oitavo andar,
e infelizmente deixam elas seladas, ent�o n�o abriu.
Mas eu teria adorado v�-lo se espatifar no ch�o.
Enfim, foi quando percebemos que ele n�o era o pai dele, certo?
Ele estava fingindo ser o pai, um engenheiro da Nokia.
Descobriram que ele n�o tinha 30 e poucos,
ele tinha uns 15 anos e tinham um grande problema.
Se ele s� tivesse 15 anos, eles o prenderiam.
Se fosse apenas um estrangeiro, eles o prenderiam.
Mas por ser um garoto de outro pa�s,
devem mand�-lo para casa com leite e biscoitos.
Naquela hora, n�s descobrimos que o Sr. Kivimaki estava no quarto,
e o agente especial Brogan e eu conversamos com ele.
Pudemos fazer perguntas para confirmar a identidade dele
e se ele usava v�rias identidades diferentes.
Ele confirmou isso para n�s.
Ele disse que na �poca fazia parte do grupo Hack The Planet.
Eu fiquei surpreso com o descaramento dele, vamos dizer,
em admitir alguns dos crimes que ocorreram.
E � claro, quando eu pude identific�-lo com certeza,
fiquei surpreso por ele ser t�o jovem na �poca.
N�s estabelecemos que na �poca ele era menor de idade
e tivemos de entrar em contato com os pais dele,
avisar que est�vamos interrogando o filho deles.
Eu usei meu telefone fornecido pela ag�ncia na �poca
para ligar para o pai dele.
Eu lembro dele tentando arrancar o telefone das minhas m�os.
Alguns colegas meus tiveram que empurr�-lo
e impedir que fizesse aquilo.
Marcamos uma reuni�o com os pais dele no sagu�o do hotel.
Quando entramos no sagu�o,
observamos o Sr. Kivimaki com os pais.
Eles tiveram uma discuss�o acalorada.
Eu n�o sei bem do que estavam falando,
porque falavam em finland�s.
Naquela hora em particular,
tivemos que impedir o Sr. Kivimaki de atacar o pai dele,
ent�o foi mais um evento incomum que aconteceu comigo.
Eu n�o lembro se eles sabiam do escopo das a��es dele na internet,
mas reagiram como qualquer pai reagiria.
Ficaram tristes pelo filho e pela situa��o dele.
Falando com eles sobre a atividade online do filho deles,
conseguimos um mandado de busca para o quarto deles.
Ent�o eles pareciam ter algum tipo de entendimento,
mas, depois de falar com os pais de muitos desses hackers,
eles geralmente nem sempre possuem o entendimento completo
do que os filhos podem estar fazendo na internet.
N�s confiscamos o notebook dele
e depois conduzimos uma investiga��o forense nele.
Acho que ele me perguntou se estava preso
e, como n�o t�nhamos um mandado de pris�o,
a resposta era obviamente n�o.
"Voc� n�o est� preso e pode sair quando quiser.
Por�m n�s temos um mandado de busca
e exigimos que voc� entregue os seus aparelhos."
PRES�DIO DE SEGURAN�A M�XIMA TURKU, FINL�NDIA
Eles pegaram meu telefone, um notebook e me soltaram.
N�o foi nada de mais.
Voltei para o meu quarto,
onde fui confrontado de novo por agentes do FBI.
Eu n�o lembro em detalhes a conversa que tivemos.
Eles n�o perguntaram muita coisa.
Eu vi a Represa Hoover e tal.
N�o chegou a estragar minhas f�rias.
Uma coisa que me pareceu incomum tamb�m
foi que depois que n�s tiramos
o outro indiv�duo de l�
e acabamos detendo o outro indiv�duo,
ele perguntou se podia ficar l� pelo resto da viagem,
porque era um quarto melhor que o dele.
Eu lembro de perguntar a ele:
"Quer ficar aqui depois do seu amigo ter sido detido pelo FBI?"
E ele n�o parecia achar que isso era incomum.
Claro que n�o permitimos que ele ficasse l�,
e ele teve que voltar para o hotel dele com os pais.
Ent�o isso foi incomum.
Ap�s conduzir o mandado de busca
no quarto de hotel dos pais do Sr. Kivimaki,
eles logo sa�ram dos Estados Unidos.
Ent�o tivemos que trabalhar com as autoridades finlandesas,
que foram incr�veis na colabora��o na �poca, e ainda s�o.
N�s conseguimos inform�-los
sobre o que aconteceu.
O FBI tinha diversas investiga��es em v�rios setores,
ent�o o FBI tinha um grande interesse nos casos de Kivimaki.
Eu acho que ele percebeu que n�s o pegamos no flagra,
porque ele ficou agressivo e come�ou a falar sobre o NBI
e fazer perguntas sobre comportamentos anteriores da pol�cia que eu n�o sabia.
Ent�o dissemos para ele relaxar, que s� viemos conversar,
eu s� ia olhar o computador dele.
Kivimaki � interessante no sentido de que,
enquanto ele faz atividades obviamente criminosas,
ele n�o esconde bem os rastros.
N�o faz�amos ideia do tamanho da investiga��o que viria pela frente.
HELSINKI, FINL�NDIA
Longe de Las Vegas, do outro lado do mundo,
a pol�cia finlandesa chegava perto do pr�prio suspeito virtual deles,
e o rastro levou ao mesmo adolescente, Julius Kivimaki.
Foi no outono de 2013,
quando est�vamos investigando outro grande incidente cibern�tico
onde t�nhamos um suspeito finland�s.
Ele estava sob cust�dia na �poca.
Ele disse nas interroga��es que uma das a��es
fora feita com outro amigo chamado Kivimaki.
Ent�o, como l�der da investiga��o pr�via,
decidi que t�nhamos causa prov�vel o suficiente
para suspeitar de Kivimaki
e mandamos dois investigadores para fazer uma busca na casa dele.
Foi a primeira vez que ouvi falar nele.
Meu nome � Jukka-Pekka Risu.
Sou superintendente investigador s�nior na pol�cia criminal de Helsinki,
e eu investigo crimes cibern�ticos
e tenho liderado investiga��es preliminares em crimes cibern�ticos
desde 2003.
Meu primeiro encontro com Kivimaki foi na busca domiciliar.
Eu mandei dois investigadores para uma busca na casa dele.
Um dos investigadores que foi para a busca foi Antti Kurittu.
Era ver�o de 2013, em julho,
quando ele estava na Black Hat e na DEF CON em Vegas,
quando o FBI interrogou ele e Starfall em um quarto de hotel.
Ent�o ele voltou para a Finl�ndia dessa viagem,
e alguns meses depois, em setembro,
n�s fizemos a busca domiciliar
e come�amos nossa investiga��o contra ele.
Ent�o ele teve um ano bem cheio pela perspectiva da lei.
N�s fomos at� l� e tocamos a campainha,
e um jovem atendeu a porta.
Aquele era o irm�o dele.
Quando est�vamos no corredor,
eu escutei um teclado mec�nico fazendo barulho ao fundo,
e, S� pela velocidade de digita��o,
eu percebi que era algu�m bem familiar com computadores
e provavelmente a pessoa que est�vamos procurando.
Foi estranho. Eles...
Pelo menos nos documentos,
eles disseram estar investigando algum incidente
que tinha a ver com uma operadora de celular da Finl�ndia.
Isso acabou sendo mentira. Eles mentiram nos documentos.
Foi assim que conseguiram o mandado para entrar na minha casa.
N�s o vimos no quarto, digitando no teclado,
digitando alguma coisa rapidamente,
e pedi para ele se afastar do computador.
Dei uma olhada na tela do computador
e vi v�rias sess�es SSH abertas em servidores.
Naquela altura, ele usou o p�
para pisar em uma extens�o conectada ao modem ADSL dele,
e a� desligou tudo.
O hacker adolescente foi pego em casa com a guarda baixa,
mas quando tentou interferir com a busca,
as coisas evolu�ram rapidamente.
Os oficiais o detiveram e o levaram para a delegacia.
Come�amos a investigar o quarto dele.
Ele tinha um computador, estava ligado,
ent�o eu fiz uma verifica��o preliminar
para ver se era seguro transportar, se era seguro desligar, tirei fotos.
Eles chegaram, pegaram meu computador
e come�aram a procurar por coisas no meu computador
que n�o tinham absolutamente nada a ver com o crime
que eles disseram estar investigando nos documentos.
N�o sei, acho que � assim que fazem as coisas aqui.
Ele tinha alguns discos r�gidos,
e neles n�s encontramos muitas provas
ligadas �s atividades dele como parte da HTP
e as comunica��es dele do Skype, os registros de IRC
e as c�pias dos servidores que eles usavam.
Ele acumulava todos esses dados naquelas m�quinas.
Ele foi surpreendentemente descuidado,
dada toda a experi�ncia que ele tinha fazendo essas coisas.
Geralmente os criminosos tentam esconder as provas dos crimes deles.
N�o guardam como trof�us.
Kivimaki foi preso imediatamente ap�s a busca domiciliar
em 23 de setembro de 2013,
e foi colocado em deten��o preliminar pelo tribunal
em 26 de setembro de 2013, tr�s dias depois.
No caso de Kivimaki, a coopera��o internacional
ou a coopera��o com o FBI foi bem r�pida.
Eles tinham uma investiga��o internacional ocorrendo contra ele.
Ent�o eles j� tinham provas coletadas nos EUA.
Ent�o quando eles descobriram que prendemos Kivimaki aqui na Finl�ndia
eles entraram em contato conosco.
O Departamento de Pol�cia de Helsinki foi muito sol�cito
e assumiu nossos casos contra o Sr. Kivimaki.
Nosso contato l� era o detetive Risu.
Conversando com alguns dos investigadores do NBI,
eles entendiam a seriedade das a��es dele.
Pelo meu entendimento, as leis na Finl�ndia
funcionam de forma diferente dos EUA.
A autoridade finlandesa, NBI, foi fant�stico trabalhar com eles,
e eles fizeram o poss�vel
dentro do contexto das provas que conseguimos apresentar.
Em certo ponto, o FBI determinou que seria melhor
se um de n�s fosse at� l� para encontrar o Sr. Risu.
Em uma semana, arranjamos um encontro na Pol�cia de Helsinki,
e os agentes do FBI vieram nos ver.
Eu cheguei de manh�.
Estava lindo. Era um dia bem bonito.
Dava para sentir a energia da cidade.
Tivemos reuni�es com o Departamento de Pol�cia de Helsinki
o dia seguinte inteiro.
Eles foram bem receptivos na �poca.
A maioria dos outros pa�ses n�o viu, incluindo os EUA e o FBI,
n�s realmente n�o t�nhamos visto esse tipo de atividade antes.
Ent�o essa era uma coisa nova.
PRES�DIO DE SEGURAN�A M�XIMA TURKU, FINL�NDIA
Eu tinha uns 16 anos.
Eles me prenderam, me colocaram em uma cela.
Foi bem triste. Voc� literalmente n�o tem nada.
Bom, tem um r�dio e uma torneira com �gua.
Mas sem janela nem nada.
S� uma caixa de concreto, uma cama de concreto para dormir.
Me deixaram l� por um m�s
enquanto investigavam essa...
suposta invas�o em uma operadora de celular
para a qual eles n�o conseguiam apresentar nenhum documento.
Mas a� eles expandiram
para o que conseguissem encontrar no meu computador.
Kivimaki foi solto da deten��o pr�via
em 21 de outubro de 2013,
e depois foi proibido de viajar por 60 dias.
Ent�o no fim, no julgamento em Espoo,
Kivimaki foi condenado por 50.000 ataques hacker
e outros crimes atribu�dos aos ataques dele com a HTP.
Como ele era menor na �poca e tinha r�u prim�rio,
aos olhos do sistema legal finland�s,
ele teve uma senten�a suspensa de dois anos,
ent�o nunca foi para dentro de uma pris�o.
Eu n�o levei a s�rio na �poca. Tinha 16 anos.
Eu imaginei que n�o me prenderiam por muito tempo.
E n�o prenderam.
Ent�o eu s� passei meu tempo lendo uns livros.
N�o foi grande coisa.
Uma das coisas que me marcaram em Kivimaki
que o colocam em um n�vel separado dos outros hackers
foi que muitas vezes os hackers com quem lidamos
eram s� uns caras que se conheciam da vida real,
que eram amigos da escola,
dois ou tr�s caras que se reuniam e causavam confus�o na internet.
Mas Kivimaki estava envolvido em um grupo internacional
que tinha um nome conhecido.
Ent�o era uma diferen�a grande entre ele e os outros.
Fomos para Haia com Antti Kurittu em abril de 2015
para fazer uma apresenta��o combinada em uma confer�ncia.
E depois da apresenta��o, que tamb�m envolvia Kivimaki,
descobrimos que ele fora notado em diversos lugares,
ele j� era conhecido.
Bom dia, fam�lia Tubar�o.
Aqui � Lindsay Allen, diretora da Escola Elementar de Southbury,
com informa��es importantes sobre e-mails com mensagens amea�adoras
que foram enviados sobre nossa escola.
Por favor saibam que levamos essas amea�as a s�rio
e continuaremos trabalhando com a administra��o do distrito
e a Pol�cia de Oswego.
"Swatting" � quando voc� tenta fazer uma equipe da SWAT
entrar na casa de algu�m com as armas preparadas.
Infelizmente, o Swatting ficou comum nos Estados Unidos
pela disponibilidade de VPNs e liga��es feitas pela internet
que fazem ser dif�cil de rastrear.
"Eu tenho uma bomba, eu vou explodir tudo",
ou "eu estou com um ref�m que eu vou matar."
Swatting � um tipo de trote,
mas comparar os dois
seria chamar uma tempestade de brisa.
E, infelizmente, desde ent�o tivemos mortes
e pessoas se machucaram por causa desse tipo de atividade.
E ela foi levada para fora da casa, estava confusa e assustada,
e n�o fazia ideia do que estava acontecendo.
Kivimaki era totalmente obcecado por Ryan Brogan.
Era estranho o quanto ele era obcecado.
"Quando acaba?" Voc� nunca sabe quando acaba.
Voc� nunca est� na posi��o de saber que acabou.
EM 2024, KIVIMAKI FOI CONDENADO A SEIS ANOS DE PRIS�O
POR UM DOS MAIORES VAZAMENTOS DE DADOS.
21.000 INOCENTES TIVERAM SEUS REGISTROS DE TERAPIA EXPOSTOS.
ELE AGUARDA A APELA��O EM UM PRES�DIO DE SEGURAN�A M�XIMA.
SE VOC� FOI V�TIMA DE CRIMES VIRTUAIS, ENTRE E CONTATO COM A POL�CIA
OU COM A UNIDADE DE CRIMES VIRTUAIS. APOIO E RECURSOS EST�O DISPON�VEIS.
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