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Legenda por Cabine de Projeção
Alô?
Não tem ninguém no ponto?
Sim, o A.
Ela não ligou para a Isabelle para dizer que perdeu o ônibus?
Sim.
OK.
Você está esperando uma garota chamada Jessica?
Não.
Mas você não acha que a Isabelle está mentindo para você, né?
Ele não me deixou ligar.
Como posso ter certeza de que ela foi avisada?
Pare, Jessica.
Você sabe muito bem que é sua mãe
que não quer que te deem o número e o endereço dela.
A Isabelle ligou para ela, fica tranquila.
Por que ela não veio?
O que você disse?
Por que ela não veio?
Você saberá quando a Isabelle conseguir ligar para ela de novo.
Talvez ela tenha sofrido um acidente.
Ou simplesmente um imprevisto.
Mas ela podia pelo menos ligar, é minha mãe, não é?
Ela não está nem aí, a vagabunda!
Jessica, calma!
Calma!
Calma!
Por que você quer vê-la agora e não mais tarde?
Não sei.
Eu quero vê-la.
Para dizer a ela que o que ela fez, nem um animal faria.
O quê?
Me abandonar.
Ela não te abandonou.
Ela te entregou.
É a mesma coisa.
Não, não é!
Ela te entregou para que alguém cuidasse de você.
Com certeza ela sentiu que não era capaz, que era jovem demais,
pobre demais.
Mas eu também sou pobre.
E aposto que sou mais jovem do que ela.
Eu nunca abandonaria minha Alba.
O que foi?
Ela não se mexe mais.
Desde quando?
Não sei.
Desde que estou no meu quarto.
Uma hora.
Uma hora, não precisa se preocupar.
Posso?
A cabeça está para baixo.
Ela está muito bem posicionada.
O coração dela está batendo normalmente.
Escuta.
Está ouvindo?
Está batendo rápido.
Dá medo.
Já te disse, é normal em bebês.
Julie!
Você vai dar banho na Mia?
Sim, eu só ia buscar outro pijama.
Tudo bem a Jessica ir te ver?
Sim.
Tudo bem?
Aham...
Tudo.
Vamos?
Vou te ajudar.
Tudo bem?
Ela se mexeu.
Ela entendeu que precisava te acalmar.
Mia?
Minha mãe, minha mãe, ela não me quer.
Ai, você está me mordendo, Jessica?
Para, você está me mordendo, Jessica!
Ai!
Você está com sua identidade, seu celular e pelo menos 20 euros?
Sim.
Qualquer problema, você liga.
Noé, bem agasalhado?
Sim, até logo.
Até logo.
Tchau, Thauvin.
Carla?
Temos um problema com você na escala da cozinha.
A Julie te substituiu ontem. Pode cozinhar hoje ao meio-dia?
Eu avisei que só chegava depois das 17h.
Avisou a quem?
À Sylvia.
Ela esqueceu de me dizer.
Bom, eu posso fazer. O que tem?
Dá uma olhada.
Macarrão com berinjela.
Certo.
Não quer fazer seu cuscuz com frango?
Mas eu já fiz no domingo.
Não tem problema, a gente adora.
Então vou fazer com merguez.
Não tem.
Vou às compras com a Betty, podemos comprar.
Combinado.
Amanhã à noite você cozinha, OK?
OK.
O que você vai fazer?
Macarrão à bolonhesa.
A gente comeu ontem.
Tomate recheado, você sabe fazer?
Não, mas faço com você.
Obrigada. Posso ir?
Tchau.
Tchau.
Ele engordou 300 gramas.
Dá para ver.
Pode colocar suas sacolas ali.
É coisa boa?
Não.
Por que não foi buscar?
Não.
Toma.
Preciso de um lugar para sentar.
Tem um ponto de ônibus perto.
Primeiro dia depois de dois meses.
Estou com as chaves do apartamento.
Que apartamento?
Eu te disse, aquele que o lar maternal me alugou por 300 euros.
Você vai ver, é legal.
Estou me sentindo bem.
É a primeira vez que andamos juntos com o bebê, como um casal de verdade.
Não quer comemorar minha saída?
Quando vamos ver sua mãe?
Não sei.
Ainda não contei para ela.
Que ele nasceu?
Não, que a gente ia ter um filho.
Mas você disse que tinha contado.
Deixa para lá.
Robin!
Por que você não contou para ela?
Teve a minha prisão, seria demais.
Eu conto hoje à noite.
Posso ir com você?
Não, eu resolvo isso sozinho.
Se ela vir o Noé, vai ficar feliz em ser avó.
Para, Perla.
Parar com o quê?
De me dizer o que fazer.
Deixa eu fumar meu baseado em paz.
Aposto que sua mãe nem sabe que eu existo.
Aqui é muito afastado.
Para o meu trabalho de reinserção, o bairro das Veines é melhor.
Pode ir ver se quiser, mas aqui pertence ao lar maternal.
Custa 300 euros.
Lá, teremos que pagar o preço normal.
Você não me ama mais.
Por que está dizendo isso?
Não sei, estávamos sozinhos e você nem me tocou.
Você disse que não estava com vontade.
Eu não falei de prazer, mas sei lá, um carinho no rosto, na mão.
Preciso ver o chefe da oficina do Evan sobre meu trabalho.
A gente se encontra depois.
Não, eu vou com você.
Talvez a gente encontre algo para alugar perto da oficina.
Seria bom, não?
E aí, Mimo.
Onde você está?
OK, estou chegando.
É o Mimo.
Ele está me esperando com uns amigos.
Preciso ir.
Certo?
Como já conversamos, não adianta achar que um bebê vai resolver tudo.
Se ele não ficar comigo, eu não fico com o bebê.
É muito cedo para decidir.
Acho que é o Noé que está chorando.
Pode ir buscá-lo?
Eu também estou chorando.
Acho que ele está com fome.
Eu também estou com fome.
Perla. Você vai pegá-lo?
Pegue-o, Perla.
Perla, pode dar a mamadeira para ele?
Vamos, Perla, é a sua vez.
Perla.
Não.
Estou com medo.
Eu me sinto como areia.
Como minha mãe.
Areia que bebe uísque.
Você bebeu de novo?
Não.
Mas eu sinto que ela está dentro de mim.
É por isso que eu bebo.
Você não bebeu de novo, isso é bom.
Você poderia tomar seu remédio para te ajudar, não?
Não, tudo bem.
Eu tinha um canário.
Ela estava bêbada.
E o canto do canário a irritava.
Então ela o pegou na gaiola.
E o afogou na água da privada.
Você acha que ele vai me abandonar?
Não sei.
O que você acha?
Estou com sede.
Tenho água sem gás, serve?
Não tem uma Coca-Cola?
Vou buscar na cozinha.
Senhor,
diga-me que ele não vai me abandonar.
Tenha piedade de mim.
Perla?
Tudo bem?
Você está aí?
Está me ouvindo?
Você está aí?
Você acha que consegue se levantar?
Julie, me ajude aqui!
Vamos te deitar tranquilamente, tem uma enfermaria.
Espera, vou te segurar direito.
Quer vir comigo?
Segure no meu braço.
E se eu a massageasse, como faziam comigo nas minhas crises?
Você acha que consegue?
Você concorda que a Julie te massageie para sentir melhor seu corpo?
Vou chamar o médico.
Pode tirar seus sapatos?
Vou começar.
Você sente bem o formato da sua cabeça?
Sim.
Suas costelas,
que vão até a sua coluna vertebral,
sua barriga,
seus quadris.
Tudo está bem no lugar.
Me falta um rim.
O que você tem está no lugar certo.
Você sente seus braços,
depois suas mãos.
Oh, minha linda!
Ela engordou. Quanto está pesando?
5,900 kg.
Ela está se desenvolvendo bem, né?
Tudo bem?
Sim.
Você está sozinha?
Por que está me perguntando isso?
Se ele estiver aí, nem eu nem ele entramos.
Eu disse que não estou mais com ele.
Você poderia ter mudado de ideia.
Não.
Vem.
Abre.
Pode entrar.
Eu terminei ontem quase à meia-noite.
Ficou bom, não ficou?
Anda, Ariane, me deixa entrar.
Você acha que a ampliação da foto ficou boa?
Sim.
O fotógrafo me deu os parabéns.
Mas eu disse que não era meu.
Vamos sair, mãe?
Espera, vamos colocá-la no berço dela.
Não, prefiro que ela fique com a gente.
Vamos sair.
Vou dormir.
Ela não arrotou.
Eu a faço arrotar.
Deixa que eu faço.
Deixa que eu faço.
Vem, minha linda.
Vamos andar um pouquinho com a vovó.
Né, Lily?
Não vai dizer que as flores são bonitas?
São bonitas.
E você, minha Lily?
Acha as flores da vovó bonitas?
Tira uma foto nossa com as flores?
Meu celular está ali.
Um belo sorriso, hein?
Uma com nós três, vem!
Ela arrotou, vou colocá-la para dormir.
São as mesmas flores de quando você nasceu.
Lembra da foto?
Não, ela já arrotou.
Você a coloca no bercinho dela?
Vou colocá-la no moisés, ela já conhece.
Espera, deixa que eu faço.
Não, tudo bem, eu faço.
Vamos te colocar no moisés.
Por que você está fria comigo?
Não estou fria, mãe.
Diga o que você tem para me dizer, Ariane.
O que aquela psicóloga idiota colocou na sua cabeça de novo?
Hein?
Ninguém me disse nada.
Fui eu, eu decidi uma coisa.
O que você decidiu?
Por que não a deixa aqui?
Decidi que vou colocar a Lily em um lar adotivo.
Você não pode fazer isso.
Não pode fazer isso com ela.
Espera, Ariane, pense.
Pense, você não pode fazer isso.
Vem sentar, vem sentar.
Um lar adotivo, você não percebe, nunca mais a veremos.
Você sabe disso?
Ela teria pais, é melhor do que ser colocada em uma instituição.
Mas eu não queria te internar,
fui obrigada porque não tinha mais casa, você sabe disso.
Não estou dizendo por isso,
acho que é melhor para ela que tenha uma família.
Mas a família dela somos nós!
Não é minha culpa que não tenha pai!
Mas nós tínhamos decidido que eu ia abortar, foi você que não quis!
É por isso que você tem que deixá-la comigo, querida!
Eu posso decidir, fui eu quem deu à luz!
Sem mim, ela não estaria aqui.
Mãe, era você quem queria um bebê, não eu!
Minha querida, eu vou cuidar muito bem dela, eu prometo.
Vamos recomeçar do zero, hein?
Quantas vezes você já disse que íamos recomeçar do zero?
Eu sei, mas desta vez é para valer.
Vamos ficar bem, nós três, bem como nunca estivemos.
Quem é?
Sou eu.
Esqueci algumas coisas, vou pegar rapidinho.
Um minuto, estou me secando!
Ariane, vem me ajudar!
Eles estão presos aqui!
Pronto, ele já foi.
Vamos, venha comer uma deliciosa torta de damasco!
Pega lá na geladeira?
Vai querer Nescafé?
Vai querer, Nescafé??
Não vai me dizer que ficou de cara feia só porque ele veio buscar os sapatos dele.
Você viu que ele nem entrou, não viu?
Achei que ia ouvir a voz dele e tremer de novo, aquele desgraçado!
Tudo bem, não exagera.
Ele também me bateu.
E mais do que em você.
Você gosta, eu não.
Me desculpa.
Sinto muito, não foi por mal.
É porque não estou mais bebendo, estou nervosa.
Ariane!
Espera, Ariane!
Por favor, me perdoa.
Você me perdoa?
Me deixa passar.
Não, eu vou conseguir.
Me deixa passar, eu disse!
Ariane!
Ariane, me escuta.
Me escuta.
Eu sei muito bem o que você tem na cabeça.
Você não quer voltar para cá.
É pobre demais para você.
É essa a verdade, não é?
Eu posso fazer o que eu quiser.
Posso mandar o Jimmy embora.
Posso parar de beber.
Você nunca vai voltar aqui com a bebê.
Porque nesse seu lar maternal de merda, eles te viraram contra mim.
Mas com a bebê, eu consigo a grana, e é isso que eles querem.
Você entende isso?
Eles vão tirá-la de nós.
Pode ir.
Não me despedi da pequena.
Posso?
Quando você volta?
Eu nunca te critiquei por ser pobre, mãe.
É só que eu não quero o bebê.
Quando ela nasceu, você me ligou para dizer que estava feliz.
Sim, mas agora percebo que não consigo.
Que não consegue o quê?
Mas isso vai passar, é só porque é o começo.
E eu estou aqui, ok?
Não se preocupe.
Posso te dar um beijo?
Nos vemos no apartamento ou no lar maternal?
Eu telefono.
O ônibus chegou a tempo, vou com você.
Bom,
eu queria dizer uma coisa.
Bom, não vou conseguir, preciso de um papel.
Quando cheguei aqui, eu queria dar minha filha para adoção.
Eu não o fiz porque vocês
me ajudaram a não ter vergonha de ser mãe solteira.
Você, Yasmine,
conversou dias e dias
com a minha mãe, que aceitou me ver de novo com a minha filha.
Obrigada a você e a todas.
Ainda não posso voltar para casa,
mas pelo menos não estou sozinha com a minha família.
Vou morar sozinha com a Selma, em um apartamento aqui perto.
Ainda poderemos nos ver
de vez em quando, espero.
E recebi uma boa notícia hoje de manhã.
Fui aceita para o meu estágio de acompanhante de trem
Era o meu sonho!
Obrigada, Naïma, fizemos o que pudemos,
mas foi principalmente você que lutou muito, parabéns.
Que gentileza!
Que fofo.
Da parte de nós quatro e das educadoras.
Obrigada.
Sabíamos que você sonhava em trabalhar com trens.
Pensamos "não, não vamos dar isso", seria demais.
É lindo demais.
É incrível.
É muito legal.
Ele anda, basicamente.
Como assim, ele anda?
Se você apertar aqui.
Selma!
Selma, olha!
Olha, está vindo.
Os últimos botões para a marcha à ré, os últimos!
E ele volta!
Não, quero ficar aqui.
Não consigo ir.
Pega ela!
Pega ela!
Não consigo ir.
Quer me dar o braço?
Sylvie te ligou, Dylan.
Não consigo sair.
Sinto que vou ter uma recaída.
Não sei o que está acontecendo.
Não, não estou bem.
Mas eu não consigo, Dylan.
Ele já está na creche?
OK, você pode pegar sua bolsa?
Não desliga.
Fraldas, três bodies, um casaquinho, um pijama...
Está ótimo.
Ela já comeu hoje de manhã?
Sim, 210 ml às 7h.
7h.
E à noite, tudo correu bem?
Sim.
Vocês já sabem a que horas virão buscá-la?
Pensamos que, para o primeiro dia, 15h estaria bom.
15h, está perfeito.
Adèle?
Vem buscar a Mia?
OK.
Até logo.
Noemi?
Bom dia.
Ela já comeu hoje de manhã?
Sim.
Pensei que ela ia chorar quando a deixamos, e você?
Eu também, é estranho. É a primeira vez que me separo dela.
Não se preocupa.
Suas mãos estão frias, coloque-as nos meus bolsos.
Para com isso, não, para, para, eu juro que a gente vai cair, para,
para, para, para com isso.
É, é, mas eu vou.
Você está animada, hein?
Com você, sim.
Oi.
Aplique bem no tom natural do cabelo.
Porque senão, você vai manchar.
Entendeu?
Sim.
Estou indo.
Não quer tomar banho primeiro?
Não, eu gosto da cor.
OK, mas hoje à noite, não se esqueça.
Tá.
Tchau.
Tchau.
Tchau.
Toma.
Duas lavagens e você volta à sua cor natural.
Obrigada.
Bom, pessoal, vamos agradecer à Julie por ter sido nossa cobaia de coloração.
Obrigada a vocês.
Então, feliz com seu primeiro dia?
Sim.
Dá para ver que você gosta de cabelos, isso é bom.
Obrigada.
Até amanhã.
Até amanhã.
Olá, é a Julie.
Posso falar com a Lucie?
Alguém pode vir me buscar no instituto de formação?
E a Sylvia?
Não, tudo bem.
Obrigada.
Sim, sou eu.
Sei que você está na oficina e não pode atender.
Vou buscar a pequena.
Pintei o cabelo de preto.
Se eu vir um deles, talvez não me reconheça.
Te amo.
Julie, tudo bem?
Sente-se.
Incline-se um pouco para a frente.
É melhor para se recuperar.
Respira.
Está se sentindo melhor?
Você encontrou um traficante?
Você usou?
Não.
E foi por isso que você não foi buscar a Mia?
Eu esqueci!
Julie, não tem problema, está tudo bem, vamos juntas, OK?
Julie, acalme-se, não há problema nenhum.
É o primeiro dia que saí sozinha na cidade.
Amanhã será melhor?
Com certeza.
O Dylan me mostrou fotos da pequena, ela é linda demais.
Agora ela está dormindo.
Eu queria te dizer,
estou muito feliz que vocês pensaram em mim para ser testemunha do casamento,
fiquei comovido.
Vocês conseguiram sair das ruas, é magnífico.
Graças a você.
Não, não, foi graças a vocês dois.
Bom, vou passar para o Dylan.
Tchau.
Tchau.
Vou colocar a pequena para dormir.
Tchau, papai.
Vou desligar.
Lembra de hoje mais cedo?
Espera.
Vou passar na praça para dizer
para a Muriel e o Fouette não tentarem mais te vender.
Deixa para lá, não importa.
Eu te amo.
Eu também.
Se ele não tivesse trocado de número, eu teria ligado e não teria vindo aqui.
É por isso que você não insiste com ele, porque ele trocou?
Não posso insistir, não o amo, e ele também não me ama.
Então por que quer falar com ele?
Preciso dizer uma coisa a ele.
Vamos conversar mais para lá.
Por que você quer falar com ele?
Não vim pedir para ele reconhecer
a criança ou exigir alguma coisa, se é isso que os assusta.
O que você quereria exigir?
Você disse a ele que tomava a pílula, mas não tomava nada.
E quando me ofereci para pagar o aborto, você disse não.
Foi você quem quis a criança, não ele.
Não te devemos nada.
Nunca disse o contrário.
Só estou te pedindo para dizer algo a ele que nos diz respeito,
a ele e a mim.
Vou te dizer uma coisa.
Uma das coisas de que mais me arrependo na vida foi ter dito sim à minha esposa
quando ela disse que você queria vir
trabalhar aqui nos fins de semana porque estava entediada no orfanato.
Tivemos pena, você nos enganou.
Acalme-se.
Você engravidou do Hugo
para obrigá-lo a se casar e se aproveitar do nosso dinheiro.
Para! Para!
Tire-a daqui, senão chamo a polícia.
Eu te dou o número de telefone dele se
você me jurar que não vai tentar fazer com que ele reconheça a criança.
Eu juro.
Não era por causa do Hugo que eu gostava de vir aqui.
Era porque havia pessoas ricas.
E também,
eu gostava do cheiro do seu perfume
no carro quando você me levava de volta aos domingos à noite.
Por que não quis abortar?
Alô, é a Jessica.
Sim, o que foi?
Sua mãe me deu seu número.
Eu sei.
Vou ver minha mãe às 16h pela primeira vez.
Você toparia vir comigo?
Por que está me pedindo isso?
Quero mostrar a ela que não estou sozinha com o bebê.
Você concorda comigo em ficar com ele?
Não vamos abandoná-la como ela fez comigo.
Não.
Idiota!
Tenho certeza que é ela.
Se você não for, ela vai embora.
Vá perguntar se é ela.
É ela.
Oi.
Oi...
Por que você não veio ao primeiro encontro?
Tive que ficar no trabalho.
Para quando é?
Duas semanas.
Uma menina?
Como vai chamá-la?
Alba.
E você, como se chama?
Morgane.
Você se sente capaz de ficar com ela?
Não vou fazer como você.
Era por isso que você queria me ver?
Para me dizer isso?
Tchau.
Yasmine!
- Mãe! - Me solta, é a Yasmine.
Acalme-se.
Fica comigo.
Espera.
Espera, vou estacionar.
Preciso de você.
Preciso de você.
Espera.
Mãe!
- Mãe! - É a Yasmine, acalme-se.
Fica.
Não. Não, por favor.
Espera.
Mãe!
- Mãe! - Vou estacionar, vou estacionar.
Mãe, me dá.
Mãe!
Pronto, pronto.
Mãe!
Mãe!
Mãe!
Você está me vendo?
Você me vê, Jessica?
É a Yasmine, você me vê?
Você está me vendo?
É a Yasmine.
Diga.
Vamos, Yasmine, diga.
Yasmine...
Isso. Estamos no carro.
Vamos para o hospital para você dar à luz.
Certo?
Só quero saber o porquê.
Por que o quê, senhora?
Por que não posso visitar o apartamento como a pessoa antes de mim?
Porque essas pessoas querem alugar, então não estou mais procurando inquilinos.
Você está mentindo, sua racista!
Quanto é?
1.500.
De uma vez só?
Sim.
Eu poderia pagar em quatro vezes.
Não, em cinco.
300 euros por mês.
Uma caução se paga de uma vez, entende?
É uma garantia para nós.
É muito para mim.
Talvez em quatro vezes?
Não, sinto muito.
Até logo, senhora.
Estou voltando.
Estou te esperando.
Deixei recados para você me ligar.
Queria me desculpar por ontem.
Não deveria ter ficado nervosa daquele jeito.
Estou pensando.
Não quero te forçar a reconhecer o Noé.
A única coisa que importa é morarmos juntos.
Eu te amo, Robin.
Preciso de você.
Alô?
Sim, sou eu que acabei de ligar.
Sim, talvez eu tenha encontrado uma solução para pagar a caução de uma vez.
Você pode esperar até hoje à noite?
Obrigada, senhora.
Olá.
Olá.
Poderia me dizer onde está o Robin,
um estagiário que trabalha aqui há alguns dias?
Eu não trabalho aqui, mas o chefe está no escritório dele.
É logo ali, à direita.
Obrigada.
Sou eu.
Vim à sua oficina para dizer que encontrei um apartamento aqui perto,
mas o chefe me disse que você
não veio porque seu filho estava doente.
Eu ri quando ele disse isso,
mas também fiquei feliz porque você disse que era seu filho.
Pode me ligar sobre o apartamento?
Eu te amo, Robin.
Me liga.
Onde você está?
Não, eu ri, mas não na frente dele, para mim mesma.
O quê?
Não, ele não me perguntou nada, relaxa.
Você pode vir ver o apartamento?
Perto da oficina.
O problema é a caução, mas vou dar um jeito.
Você ouviu minha mensagem?
Aquela em que me desculpo por ter me irritado.
Onde você está?
Me diz onde você está.
Por que não quer me dizer onde está?
Robin, onde você...
Eu quero.
Eu também quero.
Você também?
OK.
Toma.
Você está pronto?
Sim.
Eu quero.
Vamos,
pronto, subam para fazer a lição de casa.
Obrigada por ter vindo mostrá-lo, fiquei muito feliz.
Você deveria vir quando fecharmos no domingo.
A Jeannot vai adorar vê-lo.
Certo.
Preciso falar com você.
Mas estou com clientes, não pode esperar?
Não vai demorar.
OK.
Aminata?
Pode cuidar aqui? Já volto.
Eu recebo ajuda do CRAS.
Pode ter certeza que vou te reembolsar.
Eu te pago 100 euros todo mês.
Não quero reviver o passado, mas já te emprestei dinheiro antes.
Foi você quem me disse para não te pagar.
Você estava na pior e eu não queria te afundar ainda mais,
e mesmo assim você me passou a perna.
Eu não te passei a perna, eu queria mesmo abortar.
Não sabia que ia mudar de ideia.
Seu namorado e a família dele não podem ajudar?
Não.
Hoje a Inès pode ir lá para casa?
Ela tem sorte.
Por que diz isso?
Convidar uma amiga para casa.
Eu nunca pude.
Tinha muita vergonha da mamãe.
Não exagera.
Não.
Quando eu te via com sua filha nos braços,
bem vestida, sem beber...
Eu sonhava em ter nascido da sua barriga, não da da mamãe.
Cala a boca!
Deixe a alma da mamãe em paz.
Pelo dinheiro, desculpa.
Não posso mesmo. Eu sempre me viro.
Você se vira bem.
Você sempre se virou bem.
Eu sempre fiquei com a pior parte.
Para de dizer isso, não é verdade.
É verdade, sim!
Você conheceu a mamãe quando ela não bebia, comigo, ela bebia feito um gambá!
Quando eu voltava da escola,
tinha que ficar na rua porque ela estava enchendo a cara com um cara!
Você conhece seu pai, eu não, eu não tenho pai!
E as surras que ela me dava quando eu não voltava para dormir!
Você já me contou tudo isso!
Você nunca me defendeu!
Eu dizia: "É verdade, Perla, você não deveria fugir!"
E o meu canário, quando ela o matou...
Perla, não volte nesse assunto!
Por quê?
Porque eu não estava lá!
Estava, sim!
Não, eu estava no quarto com meus fones de ouvido,
não ouvi nada!
Você ouviu tudo, mas não se importou!
Não é verdade, você sempre se fez de vítima, e esse é o seu problema.
Agora tenho clientes, pode sair!
Você nunca pensou em ninguém além de você!
Você, você, você, até a ponta das suas unhas grandes!
Você não é mais minha irmã!
Tudo bem, Perla?
O celular está na mesa.
Onde o coloco?
No meu bolso.
Mantenha uma mão sobre ele.
Você tem as gotinhas para o nariz dele?
Não, esqueci na prateleira.
Estique o braço um pouco mais.
Isso.
Ele gosta, ele está te olhando.
Olhe para ele.
Ótimo!
Tente falar com ele, diga o que você está fazendo.
Mamãe está te dando banho.
Você tomou seu remédio?
Não.
Pode deixá-lo mais um pouco, deixe-o.
Cansei.
Espera, devagar, devagar.
Tire-o com cuidado.
Você precisa sempre preparar a toalha antes, sabe, para ele não sentir frio.
Está sentindo cheiro de álcool?
Bebi uma cerveja.
Você trouxe cerveja para cá?
Não, antes de entrar.
Vá buscar seu remédio, eu continuo.
Não precisa esfregar.
Você precisa vir ao lar maternal hoje à noite.
O mais rápido possível.
Você precisa vir ao lar maternal hoje à noite, o mais rápido possível.
E se ele atender?
Passo para você?
Não, ele arriscaria não vir.
Quer que a gente ensaie mais uma vez?
Não, tudo bem.
Olá,
foi a Perla que me deu seu número.
Estamos juntas no lar maternal, ela está muito mal.
Ela fala em se suicidar, tenho medo que ela faça mesmo.
Você precisa vir ao lar maternal hoje à noite.
Até logo.
Vou colocar o Noé para dormir.
Você vem comigo para eu não esquecer meus remédios?
Se ele não te respondeu também, talvez a bateria dele tenha acabado.
É ele.
Alô?
Sou eu, o Robin.
Ouvi sua mensagem, mas não posso ir.
Pode passar para ela?
OK, vou dizer a ela.
Sou eu.
Por que você não vem?
Estou muito longe da cidade.
Onde você está?
Preciso te ver.
Me diz onde você está e eu vou.
Não.
Eu pensei bem.
É melhor não nos vermos mais.
Não, não.
Não, não.
Não, não, não diga isso.
Espera, não desliga.
Não desliga.
Pode ficar de olho nele?
Robin, me diz onde você está, eu vou.
Pensei em uma coisa.
Se eu colocar o Noé em um lar adotivo, você ficaria comigo?
É melhor não nos vermos mais.
Até logo.
Robin?
Vou ver o Robin.
Pode ficar de olho no Noé?
Vou colocá-lo para dormir rapidinho.
Quando você volta?
Hoje à noite, em 2 ou 3 horas.
Por que não faz isso amanhã?
Ariane, eu te imploro, me ajuda.
OK.
Vá buscar a babá eletrônica.
Obrigada.
Você é fumante?
Sigam-me.
Aqui vocês têm a cozinha.
Com tomada trifásica para o fogão e a lava-louças.
OK.
Aqui vocês têm o espaço previsto para a geladeira.
Aqui, o banheiro.
Logo ao lado, a suíte com
uma banheira grande.
Não se preocupem, a janela será consertada em alguns dias.
Logo atrás de vocês, a torneira com o cano de escoamento
para a máquina de lavar.
Aqui é o quarto das crianças
com vista para o rio Meuse.
É para ver os barcos.
Que legal.
E logo ao lado, vocês têm o quarto dos pais.
Gostei.
Não sei, não.
Por quê?
Sei lá, senti que ele desconfiou quando eu disse que era aprendiz de padeiro.
Sim, mas você disse para ele ligar para o seu chefe.
Ele vai dizer que vai te contratar.
Sim, pelo salário mínimo.
Tem também minha ajuda social, isso sim é uma garantia.
É.
Vamos torcer.
Vamos torcer.
Minha aula começa em 5 minutos.
OK.
Venho te buscar?
Não, não precisa.
Até mais?
Até.
Espera!
Licença.
Alô?
Sim, sou eu.
OK, ótimo.
Você ligou para ele?
Sim.
OK, certo.
A gente se fala.
OK, até logo.
É sim.
Eles disseram sim.
Nosso primeiro apartamento!
Eles ligaram para o meu chefe, mas eu já tinha falado com ele.
A gente consegue?
A gente consegue.
Vamos lá.
Boa noite, Dylan.
Boa noite.
Procurei a Julie, ela não atende.
Entra.
Onde ela estava?
No estacionamento Cathédrale.
Você acha que ela usou muito?
E você disse que ela poderia ter tido uma overdose.
Posso ver a Mia?
Sim, mas não a acorde, hein.
Só quero vê-la.
Vamos.
Eu senti vontade.
Não sei, não consegui evitar.
Eu queria ir.
Vi o Fouad no pé da escada.
Comprei duas doses dele e...
desci para o estacionamento.
OK, OK, acontece.
Droga...
Dylan precisa confiar em mim.
Não diga isso.
Preciso parar com isso, não aguentei nem dois meses,
não aguentei nem dois anos.
Isso é a prova de que você tem que parar, tenho certeza.
Nós juramos não mentir mais,
e eu menti para você.
Sou uma mentirosa,
minto desde sempre.
E pensei nisso de novo um pouco antes de me picar no estacionamento.
A história que te contei com meu padrasto.
Mas tem algo que eu não te disse,
porque me envergonha ainda mais que o resto.
Quando contei para minha mãe o que ele tinha feito comigo,
ela me bateu
primeiro com as mãos, e...
depois com uma cadeira.
Para eu confessar que não era verdade, que eu estava mentindo.
Então eu disse a ela que sim, eu tinha mentido.
Depois disso, eu sempre menti.
Mesmo quando não estava mentindo, eu sentia que estava.
Que nada do que eu fazia era de verdade.
Exceto a Mia.
Exceto quando ela saiu da minha barriga.
Ali eu senti que era de verdade.
De verdade mesmo.
É por isso que quero que a gente se case.
Para deixar minha vida de antes para trás.
Para que nós dois sejamos de verdade.
Tudo bem?
Mais ou menos.
Nada será decidido hoje, ok?
Se sentir que não quer fazer isso, poderá sempre mudar de ideia.
Lembro que você pode acompanhar a Lily quando ela vier aqui,
durante as próximas semanas,
para conhecer a Daphné e o Miguel.
Como é a cada dois dias e a Ariane vai voltar para a escola,
seria bom que os encontros com a Lily
fossem depois das 16h.
Se você quiser acompanhá-la, claro.
Para nós, por volta das 17h, é perfeito.
É a minha mãe.
Quer sair para falar com ela?
Tem uma coisa que queriamos chamar atenção
já que nada está decidido ainda:
é que vocês não ensinem a criança a chamá-los de papai e mamãe.
Sim, a Marie nos avisou.
Se a Ariane concordar, ela pode me chamar de Dada.
E a mim, de Mimi.
Ariane, você tem algo a dizer ou alguma pergunta?
Não.
A Daphné e o Miguel podem
segurar a Lily nos braços para um primeiro contato?
Sim?
Eu tenho uma pergunta.
Algum de vocês toca algum instrumento musical?
Eu toco saxofone.
Você promete que vai ensiná-la?
Talvez ela goste mais de violão ou piano.
Mas vou ensiná-la música.
Eu prometo.
Não, senhora, você não pode, não.
Por que não posso ir com a minha netinha?
Me solta!
Acalme-se, mãe.
O que eu faria de mal?
Nada, mas além desta porta é o espaço das mães e dos funcionários.
A Ariane vai colocar a Lily para dormir e depois voltará para falar com você.
Me deixa dar um beijo nela, por favor.
Vem, Ariane.
Eu não a estou abandonando.
Eu a confiei a um lar adotivo.
O que isso quer dizer?
"Eu a confio"?
De onde saiu essa palavra?
É uma palavra de vocês?
Foram vocês que a pressionaram para fazer essa porcaria?
Não é uma porcaria.
E a decisão é dela.
Abandonar o próprio filho é uma porcaria.
Sua filha não desejava a criança, mas quer o bem dela.
É uma boa decisão para a criança.
Não, a boa decisão é que ela volte para minha casa com a bebê.
Vá buscá-la.
Vamos embora.
Não posso, mãe.
Por quê?
Vá buscá-la!
A senhora não pode, senhora.
O serviço de assistência social lhe explicou o porquê.
Olha, não há mais brigas e não há mais álcool.
Eles disseram que se a Ariane decidisse voltar com a bebê, ela poderia.
Se ela não decide, é porque vocês decidem por ela.
E com a condição de que sua casa seja um lugar seguro.
Ela é.
Não, senhora.
Recebemos outra ligação do serviço social
dizendo que a polícia interveio na sua casa na sexta à noite.
Foi um engano.
Não foi o que a assistente social disse.
Pode me deixar a sós com a minha filha, por favor?
Sim.
Estou no meu escritório.
Foi um engano, eles erraram o apartamento.
Quero fumar um cigarro, você vem?
Não foi um engano, foi ele quem fez isso.
É porque estou sozinha.
Se você estiver lá com a bebê, não vai mais acontecer.
Você vem?
Eu entendo, para com isso.
Não, me deixa terminar.
Eu também tive vergonha.
Da minha mãe, da miséria em que vivíamos.
Quando você nasceu, eu tinha certeza que faria melhor do que ela.
Fiz tudo o que pude, mas não consegui.
Você tem que me perdoar e voltar.
Eu não te culpo.
Culpa, sim.
E você acha que se voltar para casa com a bebê,
será a mesma coisa de antes.
Mas você está errada.
Com a Lily, vamos realmente recomeçar do zero.
A psicóloga disse que você ia voltar para a escola.
Você poderá ir, eu cuido dela.
O que você vai estudar na escola?
Passei no exame para ir para o ensino geral.
Para fazer o quê depois?
Não sei.
Gostaria de ser enfermeira ou piloto de avião.
Piloto de avião?
Imagina o orgulho que a Lily vai ter de você.
E eu também, hein.
Eu não vou voltar, mãe.
Nem sozinha, nem com a Lily.
Você vai me abandonar?
Como você está abandonando a Lily?
Eu não a estou abandonando.
Está.
Não.
Eu quero que ela tenha pais que a amem.
E que tenham dinheiro.
E eu não quero me tornar como você.
Está vendo? Você tem vergonha de mim.
Ariane, espera!
Espera, me desculpa.
Escuta, me escuta uma última vez.
Você tinha razão em dizer que fui eu quem quis ficar com a criança.
É por isso que te peço para deixá-la comigo.
Levante-se.
Vou cuidar bem dela, eu juro.
Vou consertar todas as besteiras que fiz.
Levante-se, mãe.
Diga que sim.
Mãe,
eu não tenhovergonha de você.
Eu só não quero mais viver na miséria, quero sair dessa.
É só isso.
O que você quer?
É dinheiro que você quer?
Não.
Então o que é?
Dizer que eu dei à luz.
Deu certo?
Sim.
Você sabe que não tem o direito de me seguir assim.
De voltar à minha vida sem me perguntar se eu concordo.
Quem você pensa que é?
Por que você me abandonou?
Me entregou.
De que adianta saber disso?
Eu preciso.
Não tenho nada a te dizer.
Eu não queria ficar com você, só isso.
Por que não abortou?
Não sei, foi assim.
Agora, me esqueça.
E tente não destruir mais a minha vida.
Certo?
Desça as escadas e nunca mais volte aqui.
Não, não se tira a fralda.
Tudo bem?
A mamãe vai limpar seu umbigo, Alba.
Não.
Toma, você continua.
Prenda o cabelo antes.
Não consigo.
Você fez direitinho ontem.
Não.
Então prepare o body marrom.
Bom, a mamãe vai limpar seu umbigo, Alba.
Vai estar um pouquinho frio.
A touquinha dela está no berço.
Tudo bem, não está muito frio?
Vire-se.
Por que não voltou mais cedo?
Não adianta dizer que você volta e não voltar.
Jessica,
Você acha normal deixar seu bebê sem voltar para dar a mamadeira?
Pronto, acabou.
Vamos colocar seu body.
Hop!
Tirei seu lençol e sua fronha, pode levar para a lavanderia.
E fechamos o body.
Tudo bem, Alba?
Sim.
Olha, acabou.
Acabou.
Onde você vai?
Oi.
Oi.
Você a viu?
Vi.
E como foi?
Não foi bom.
Se quiser, posso fazer o jantar no seu lugar hoje à noite.
Sim, eu quero.
Esqueci que era a minha vez.
Obrigada.
De nada.
Eu estava tão ansiosa para te ter nos meus braços.
Não sinto nada.
Eu gostaria...
Eu gostaria...
Mas não sinto nada.
Nem leite eu tenho.
É importante comer a sobremesa.
Acabou.
O que você diz agora?
Para sempre.
Eu o amo, mas ele me machucou demais.
Ele te bateu?
Não.
Se ele te bateu, você tem que dizer.
Ele não me bateu.
Por que o Noé não pode voltar para perto de mim agora?
Porque você sumiu, deixando-o sozinho por três dias.
Eu sabia que haveria alguém para cuidar dele.
Não, Perla.
Aqui, nós te ajudamos a se tornar uma mãe que fica com seu filho
ou decide entregá-lo, mas não cuidamos da criança no seu lugar.
Você é responsável por ele, não nós.
Quando poderei vê-lo de novo?
A partir de hoje, duas vezes por semana,
se você mostrar que respeita seu projeto de vida...
Por quanto tempo?
Um mês.
Ou mais, dependerá de você.
Prefiro não o ver mais.
De qualquer forma, eu não queria ficar sozinha com ele.
Não consigo.
Mas você não estará sozinha.
Pode ficar aqui por pelo menos um ano
e depois, em um apartamento...
O problema não é esse!
Você não entende o que estou dizendo!
Eu queria uma família,
- Não ficar sozinha com ele! - Acalme-se
Eu não posso, isso eu não posso!
Você e o Noé são uma família.
Não, não somos uma família!
Vou para o meu quarto!
Bom dia.
Bom dia, Lucie.
Viemos ver o Noé com a Perla, a mãe dele.
Bem-vindas.
Olá.
Podem entrar.
Obrigada.
A chupeta.
A mamadeira está pronta.
E o trocador está logo atrás.
Obrigada.
Até logo.
Até logo.
Bom, eu já vou.
Não fica comigo?
Não, vou deixar vocês dois a sós.
Estou aqui do lado.
Tudo bem?
Tudo bem.
Eu trouxe sua música.
Você se lembra dela?
Estou feliz em te ver de novo.
E você, está feliz?
Pensei em uma coisa.
Caso eu não consiga cuidar dele,
eu gostaria que fosse você que o adotasse.
Não diga isso, Perla.
Você vai conseguir, tenho certeza.
Pode me deixar antes do ponto de ônibus?
Não se esqueça que estamos te esperando para o jantar.
Sou eu, a Perla.
Estou na frente da sua loja.
Posso entrar?
Obrigada, com prazer, tchau.
Vem, vamos tomar um café.
Espera, pode me ajudar a subir com isso?
Posso.
É a caixa grande ali atrás.
Uma estante para as crianças.
Angèle,
eu queria me desculpar pela última vez.
Você ficou nervosa, acontece.
Toma, para te reembolsar.
Não, tudo bem.
Aceita, eu te pago o resto em quatro vezes.
Obrigada.
Eu realmente queria abortar quando pedi o dinheiro.
Mudei de ideia porque queria fazer como você, ter uma família.
Não deu certo, mas tudo bem.
Terminou com o pai?
Eu queria te perguntar...
Vou ficar sozinha com o bebê
e isso me dá medo.
Não tenho certeza se vou conseguir.
Então estava pensando que talvez...
Tudo bem.
No quarto ao lado, vocês terão seu espaço.
Você não estará mais sozinha.
Certo, vai dar tudo certo.
Vou te pagar um aluguel.
Isso a gente vê depois.
Se você quiser.
Não consigo prender.
Posso ir?
Minha pequena Lily, você já é uma moça, tem 18 anos.
Três anos a mais do que eu tenho hoje.
Pedi a outras pessoas para ajudarem sua família
porque não me sinto capaz
e não quero que você conheça a pobreza como eu.
Espero que você toque um instrumento musical.
Se quiser me ver de novo,
pode perguntar no serviço de acolhimento familiar de Liège.
Eles saberão onde estou.
Por favor, quer uma Bic?
Não, vou escrever com a mesma da carta.
Você não precisa ir à escola, tem uma justificativa para o dia todo.
Eu sei, mas prefiro não me atrasar na matéria.
E a data do aniversário de 18 anos dela?
É o dia em que o serviço familiar deverá entregar a ela.
Até logo?
Até logo.
Olá, é possível falar com a Morgane?
Está fechado até as 13h, todos estão no horário de almoço.
Vim de propósito ao meio-dia para não atrapalhar o trabalho dela.
Como ela se chama?
Morgane.
Morgane Boland?
Acho que sim.
Ela deve estar no refeitório.
Vá para a direita,
siga ao lado do prédio e você verá uma porta com um cinzeiro enorme.
É o refeitório.
OK, obrigada.
Olá.
Olá.
Eu gostaria de falar com a Morgane.
Você sabe se...
Ela não está no refeitório.
Ela termina no setor de passadoria.
É a primeira porta logo depois da esquina, ali atrás.
Certo, obrigada.
Você me disse que eu nunca poderia chegar perto da sua casa.
Então eu vim aqui.
Como você soube onde eu trabalhava?
Ontem de manhã, eu te segui no ônibus.
O que você quer?
Eu te disse...
saber por que você me entregou.
Eu me vi sozinha quando você estava para nascer.
Eu não queria ser mãe solteira.
Eu não queria ser uma puta da periferia que nenhum cara mais quer.
Então eu te entreguei e fui para Liège,
onde ninguém me conhecia.
E então eu me reergui.
Antes de me entregar, você às vezes me pegou no colo?
Sim.
O que você sentia?
Não lembro mais, faz muito tempo.
Toda vez que seguro a Alba no colo,
não sinto vontade,
sinto que sou como você era comigo.
Eu queria saber...
queria saber se...
se eu não era nada para você...
por favor,
me abrace.
Isso te surpreende?
Posso tirar uma foto sua?
Só se não mostrar para ninguém.
Vou guardar para mim e para a Alba.
Certo.
Espera.
Talvez ela esteja com fome.
Vou dar a mamadeira dela.
Vem para dentro.
Ficará mais confortável, tem uma cadeira.
Olá, Julie, que bom te rever. Dylan, prazer. Entrem.
Pode servir o café, Julie?
- Espero que ela goste. - Ela adora.
Ela come com vontade.
Pois é.
Mais?
Mais?
Não?
Estou muito feliz em ser testemunha do seu casamento,
mas por que pensaram em mim?
Diga a ela.
Eu escolhi um amigo que nos ajudou a sair das ruas, e ela te escolheu
por causa de um poema que você ensinou na aula e que ela nunca esqueceu.
Qual poema?
"Colhi este raminho de urze,"
"o outono morreu, tu bem te lembras. Não nos veremos mais sobre a terra,"
"odor do tempo, raminho de urze, e lembra-te que te espero."
"O Adeus", de Apollinaire.
Você estava na segunda série.
Toda vez que eu estava mal, eu o recitava na minha cabeça.
E via seu rosto me olhando.
Você se lembra da música que eu tocava para ensinar o poema?
Não.
Vem.
Vamos ouvir música?
Sim!
♪ Colhi este raminho de urze ♪
♪ O outono morreu, lembra-te ♪
♪ Não nos veremos mais sobre a terra ♪
♪ Odor do tempo, raminho de urze ♪
♪ E lembra-te que te espero ♪
♪ Lembra-te que te espero ♪
Acho que ela está gostando.
Agora, algo mais alegre para a nossa pequena Mia.
Né?
Ela já está dançando.
Vamos dançar?
Gostou?
Vamos assistir TV.
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