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1941
Alemanha conquista a Bielorr�ssia.
Os Einsatzgruppen e a Pol�cia local capturam judeus.
Em poucas semanas 50 000 j� estavam mortos.
E 1 000 000 a aguardar deporta��o e morte.
Resistentes
Hist�ria ver�dica.
Que fazemos?
Cala-te!
Temos de ir para casa. Vamos!
Meu Deus!
Aron.
Vem c�, � seguro.
Vamos.
P�ra com isso, Asael!
P�ra com isso...
P�ra com isso! Queres chorar a s�rio? P�ra!
Vamos! Aron, vamos embora.
Floresta Lipiczanska Agosto de 1941
Se eu fosse alem�o, j� estarias morto.
- Eles mataram o pai e a m�e. - Eu sei.
Aron.
O regresso do irm�o mais velho.
Viste-os?
Onde est� a tua mulher e o teu filho?
Em Horodysze, escondidos num celeiro.
Trago-os quando for seguro. E a Rifka?
Est� em Novgrudok. Nunca sairia de l�.
- Ainda �s... - Ainda � minha esposa.
A tua esposa rica.
Diz-me Tuvia, porque regressaste?
Tens um plano?
N�o...
Tu tens?
A Pol�cia vai andar � nossa procura.
Tuvia! Fugimos da Pol�cia durante toda a nossa vida.
Achas que � uma boa altura para parar?
N�s conhecemos estes bosques. Nunca nos encontrar�o aqui.
Aron!
Eu disse-lhe para ficar aqui.
Sinto falta do pai.
N�o consigo acreditar que ele morreu.
- Foi o Bernicki... - N�o sabemos isso...
- O Chefe da Pol�cia? - Ele sempre guardou rancor ao pai.
Mas n�o sabemos se foi ele.
Ent�o vamos l� e perguntamos-lhe.
O Koscik tem uma pistola. Mostrou-ma uma vez.
Uma pistola n�o chega. Precisamos de espingardas, metralhadoras.
Metralhadoras? Que vem a seguir? Vais enfrentar todo o ex�rcito alem�o?
S� porque...
A crian�a est� ferida. Por favor, deite-a aqui.
Tuvia.
N�o os podemos alimentar.
- Vou pedir comida ao Koscik. - E a pistola...
E a pistola...
Queres que n�o os ajude?
S� tenho 4 balas.
Obrigado.
O teu pai era um bom homem.
Ele disse o mesmo de ti.
Ignora a cabra.
Aos mortos.
Que Deus d� descanso �s suas almas.
� cabra, queres vodka?
Eu vivo com isto, consegues imaginar?
A trabalhar at� tarde. Bernicki.
A ca�ar judeus...
Os nossos novos chefes s�o muito organizados.
Sil�ncio.
A ca�a pode dar origem a sede.
Quinze num s� dia...
500 rubles por cada um que entregamos.
Um judeu vale assim tanto?
Pagam mais se for um gordo?
Apanhei cinco numa trincheira.
Cheiravam t�o mal que pensei que os alem�es n�o os queriam.
Talvez por um pre�o reduzido.
Conheces os Bielskis?
N�o os apanhamos quando fizemos a visita aos pais...
A patroa n�o gosta destas noitadas.
Fique com isso.
A subornar um agente da autoridade?
Guardas mais deste vodka no celeiro?
Por favor, d� uma vista de olhos.
E enquanto anda por a�, limpe a merda das vacas.
Vais manter esses olhos bem abertos, n�o vais?
Boa ca�ada.
Lamento, mas eles t�m de ir contigo.
O que � suposto fazer com eles?
Aqueles pol�cias... foram eles que mataram os meus pais?
Porque raio lhes � t�o dif�cil o conv�vio com os judeus?
P�e-te na pele de um.
Quem � ele?
- Vamos. - Obrigado, vamos.
Tu sentavas-te l� atr�s, na escola. Sou o Shimon H'aretz.
Pensei que estava morto.
Pelo menos parte de mim est�.
Ouvi-te falar dos teus pais. Sinto muito.
Os outros irm�os... qual era o nome dele? O mais selvagem.
� o Zus. Est� com os outros dois.
Est�o escondidos aqui na floresta?
Devem ter tido problemas. Com a Pol�cia, talvez.
Ent�o, vieram para a floresta. Decis�o inteligente.
Sim, uma decis�o inteligente... para um est�pido estudante.
Durante toda a minha vida tomei a liberdade de ensinar aos outros a
melhor maneira de viver. N�o tinha d�vida: esta � a maneira de Deus.
Bem, n�o era. Perdoa-me se de certa forma estes
recentes acontecimentos abalarem a minha conclus�o.
Tal como na escola, n�o fa�o ideia do que est� a falar. Por favor, vamos.
Toma. N�o tens fome?
O pequenote n�o fala?
Ele viu muitas coisas...
Mando-te atr�s de comida, e trazes-me mais bocas para alimentar.
Enviaste-me?
Foi o Bernicki que matou o pai.
Ao menos conseguiste a pistola?
Apenas 4 balas.
Ent�o temos de as usar bem.
Trabalhaste at� tarde.
Amanh� � Domingo. Tens o dia livre?
A porra da Schutzstaffel nunca dorme...
Sabes quem eu sou?
Senta-te!
Tu sabes porque aqui estou.
De que est�s a falar?
De que estou a falar?
Se eles me pedem para encontrar algu�m, eu encontro. � o meu trabalho.
Matas judeus.
De outra maneira perdia o meu emprego.
E gostas dele?
Sempre fui justo com a tua fam�lia...
Toda a gente sabia do vosso contrabando. Eu fechei os olhos.
Pergunta ao teu pai.
Ao meu pai? Podes perguntar-lhe tu.
De joelhos.
De joelhos!
Por favor... imploro-te.
Pelos meus pais; David e Beila Bielski. Pelos meus irm�os, e por todos os outros.
Mata-me tamb�m!
Merda.
S� tem uma bala.
Tive de matar os filhos.
- Como foi? - Como foi o qu�?
Mat�-los.
- Foi bom, n�o foi? - Cala-te.
Ent�o e estes?
N�o sei.
A mulher vai atrasar-nos. E o teu antigo professor...
Que foi? Est�s com medo que ele te bata, por te esqueceres do trabalho de casa?
Temos de ser capazes de nos mexer, Tuvia. E r�pido.
Concordo, mas eles est�o c�.
Vamos dormir mais distanciados do caminho.
Assim, se algu�m vier eles apanham-nos primeiro.
O tiroteio vai dar-nos tempo para escapar.
- Est� bem, mas mais ningu�m. - Mais ningu�m.
Eu sei, eu sei! Tamara, lembras-te do Zus.
Por favor, vai sentar-te ao p� do fogo.
Este � o Lazar, o mais novo da Isabel. E este � Isaac Malbin.
- Ol�. - � de Minsk.
- Tuvia... - Asael, arranja algo para eles comerem.
- Tuvia, tenho pena deles, mas... - S�o da fam�lia!
Como vamos alimentar esta fam�lia?
Deitamos �gua na sopa...
- E esta, � fam�lia? - N�o.
Acampamento na floresta Perelaz Outubro de 1941
Mas que porra!? J� alguma vez usaste um martelo?
- N�o... - O que fazes?
Suponho que se pode dizer que eu era... sou um intelectual.
Isso � um trabalho?
Editei uma pequena revista.
Na verdade era um jornal. Mais tipo um panfleto.
Esta � a Lila, a minha mulher aqui na floresta.
Estou a ver.
Parab�ns!
Conceito interessante.
Enquanto a mulher da cidade estiver no abrigo...
Ol� rapazes. O que podemos fazer por voc�s?
Comida. Queremos comida.
Estes merdas, est�o a assaltar-nos. Tens tomates para me dar um tiro, seu merdas?
N�s temos comida, partilhamos convosco.
N�o, quero ver se ele tem tomates para disparar.
Gostas de alvejar judeus, seu merdas?
- S�o judeus? - N�o, somos da Gestapo.
Baixa a arma.
Se calhar preferes que ta enfie pelo cu acima.
- Olha para mim! De onde �s? - Horodyszcze.
J� n�o comemos h� dois dias. Eu chamo-me Peretz, este � o Jacov.
H� dois dias havia 3 000 judeus em Horodyszcze. Agora h� 50.
N�s escondemo-nos atr�s de um muro.
- Conhecem a Sonia Bielski? - Conhec�amos.
Estava uma crian�a com ela...
Devia t�-los protegido... Sonia!
A m�e, o pai...
... tantas mortes. - Eu sei.
- Porque n�o n�s? - N�o sei.
� melhor estarmos escondidos na floresta?
E sermos ca�ados como coelhos? N�o...
Estamos � procura de guerrilheiros. Como se chama a vossa Otriad?
O que � isso?
� uma brigada armada.
Ouvimos que os russos se estavam a reorganizar.
- Aqui? - E tamb�m em Lipicanska.
Ent�o n�s somos a Otriad Bielski. Querem juntar-se a n�s?
Os russos s�o lutadores.
Mas precisas de uma arma para te juntares a eles.
Sabotam as linhas f�rreas e matam alem�es.
Querem matar alem�es?
Venham comigo.
A n�o ser que ainda tenham medo de usar a espingarda.
Fiquem a�. Fiquem a�!
Temos de conseguir o que queremos sem matar ningu�m.
- Isto n�o trar� a tua fam�lia de volta. - Sangue por sangue.
- Tamb�m j� o fizeste. - E ainda lhes vejo as caras.
"A vingan�a � minha". Quem disse isto, Tuvia?
Ent�o agora est�s a fazer o trabalho de Deus, Zussie?
N�o, s� tu consegues fazer isso. Tirar umas vidas, poupar outras.
N�o podemos ser iguais a eles!
N�o, mas pelo menos podemos matar como eles.
Vens connosco ou n�o?
Auxiliar...
Traidor!
Somos os Bielskis.
E havemos de voltar.
A minha carrinha! Quem fez isto?
Quem �s tu?
Esta carrinha matou judeus.
Os alem�es obrigaram-me a us�-la.
� uma das nossas,
mas n�o est� aqui ningu�m.
Talvez estivesse b�bado?
Despacha-te a procur�-lo!
N�s queremos ir para a festa!
Agora somos verdadeiros guerrilheiros.
� Otriad Bielski.
Cigarros!
Asael!
Pega na espingarda dele!
Porra. Ele est� a ir pelo caminho errado.
- N�o podemos deix�-lo. - N�o temos escolha!
Vamos!
- Asael! - N�o, vamos!
Pensavam que iam trazer comida. O lavrador impediu-vos?
- Tinham armas? C�es? - N�o.
N�o entendo.
O Talmude diz que, "Se salvares uma vida tens de ser respons�vel por ela."
Mais uma vez, n�o fa�o a m�nima ideia do que est� a falar.
Fazes, pois. E agora o teu irm�o est� desaparecido.
Como passaste pelo Lazar?
Quem?
Desgra�ado do caralho, seu in�til de merda!
Chega!
Ele passou mesmo ao teu lado!
- Podia ter morrido algu�m! - Eu disse, chega!
Levanta-te! Levanta-te!
Podia ter levado um tiro!
Se fossemos mesmo guerrilheiros ele tinha levado um tiro!
Ouviste? Seu desgra�ado...
Ele cometeu um erro!
Erro? N�o podemos cometer erros, Tuvia.
E na noite passado, Zus?
Primeiro v�o torturar o Asael...
e depois enforc�-lo.
- � o Tuvia Bielski? - Conhece-me?
Ouvimos falar de si em Vilna.
- A minha irm�... - A minha fam�lia est� l�.
As SD vieram sem aviso pr�vio.
Meu Deus! N�o...
Est�vamos melhor no Gueto...
Ao menos aqui estamos em seguran�a.
- L� ao menos t�nhamos esperan�a. - N�o, aqui � que temos esperan�a!
Temos?
N�o temos comida!
Amanh� haver� outra miss�o!
Olhe para o que aconteceu da outra vez!
Isso foi um erro. N�o se repetir�.
Como sabe?
Podemos ficar aqui durante muito tempo. Logo, temos de nos preparar.
Como?
Melhor seguran�a, melhores formas de arranjar comida.
N�o temos armas, as pessoas est�o a adoecer!
Aqui estamos vivos!
Custe o que custar, todos havemos de participar...
mas n�o podemos estar uns contra os outros!
Para j�, n�o temos como levar a nossa vingan�a avante.
N�o nos podemos dar ao luxo de perder amigos como o Jacov e o Peretz.
E o Asael.
N�o podemos perder ningu�m.
Tra�aremos no mapa os s�tios onde j� fomos,
para n�o irmos �s mesmas quintas muitas vezes.
Vamos tirar �queles que t�m possibilidades
e deixar em paz os que n�o t�m.
Abandonaremos a vingan�a.
A quinta mais pobre tem mais do que n�s.
Sil�ncio, o que estou a dizer � que n�o somos ladr�es, nem assassinos.
Podemos ser perseguidos como animais, mas nunca nos tornaremos neles.
Todos escolhemos isto.
Viver livremente, como seres humanos, enquanto for poss�vel.
Cada dia de liberdade � como um acto de f�.
E se tivermos de morrer, enquanto tentamos viver...
pelo menos morremos como seres humanos.
Ol�.
Est� no celeiro.
"Amante dos Judeus"
Sinto muito.
Vamos.
- Gra�as a Deus. - Vem c�.
Zus, n�o consigo respirar.
Vejam s�.
Vejam o que encontr�mos.
Onde arranjaste isso?
Ol�?
- Est� tudo bem. Venham, por favor. - Por favor.
- Est� tudo bem. - Vamos.
D�-me isso.
- Asael, tens andado ocupado. - Cala-te.
- Ol�. Chamo-me Zus. - Estas s�o a Bella e a Chaya.
Venham, por favor. Devem ter fome.
Obrigada.
Obrigado.
V� embora.
E depois, ca�mos num p�ntano terr�vel.
E a Chaya salvou-me. Honestamente, n�o sei nadar.
Ent�o vou ter de lhe ensinar.
Devemo-nos ter perdido uma d�zia de vezes.
At� j� tinha aceite que ia morrer. Diz-lhe, Chaya. N�o foi mesmo mau?
- E aquele lavrador, o Senhor... - Koscik.
Sim. N�o parava de dizer piadas vulgares.
Est� a tentar dizer-me que todos os pol�ticos s�o insignificantes.
No ocidente, � um monstro com um bigode pequeno,
e no oriente, � um monstro com um bigode grande.
� tudo o que tenho de saber sobre pol�tica.
O seu Messias tamb�m ter� um bigode, e muita barba.
N�o. Os Messias est�o todos na pol�tica,
e est�o a matar-nos. - O que me est� a matar,
� a vossa conversa.
E o Roosevelt?
N�o tem bigode.
Temos de saber o que se passa nas aldeias,
como � que os alem�es patrulham, quem s�o os informadores...
- Est�s a ouvir-me? - Sim, estou.
Como se chama?
Chaya.
Chaya!
- Que est�s a fazer? - Vais falar com ela.
- Mal a conhe�o. - Passaste tr�s dias no celeiro, com ela.
Que mais queres conhecer?
O Malbin disse que o celeiro de Piznarksi estava cheio.
Mas ainda precisamos de, pelo menos, mais duas armas.
- � a vez de quem? - Do Zus.
Vais com ele.
Certifica-te que ele entende as minhas ordens.
Vai falar com ela!
Vai l�!
- Ol�. Como est�s? - Bem.
- Bem? - E tu?
Bom dia. Vai para o mercado t�o cedo?
Talvez nos possa dar um pouco de leite?
Isto � o que devo dar aos alem�es.
Se n�o cumprir a minha parte,
matar-me-�o, a mim e � minha fam�lia.
Deixe ficar metade.
N�o pode ir ter com os alem�es de m�os a abanar.
Ordens do Tuvia.
Camarada, estamos gratos pela sua coopera��o.
Que bonito casaco.
O colarinho � de pele?
Alto! Quem vem l�?
Sabes muito bem quem �, Lazar. Somos n�s.
S� perguntas isso quando n�o sabes quem �!
Desculpa, Zus.
Leite e ovos!
Chaya, os nossos corajosos homens trouxeram-nos um regalo.
Pode fazer-me umas panquecas.
Acho que ningu�m nos apresentou. Chamo-me Arkady Lubczanski.
- Chamas-te Chaya. - Sim.
Tens passado bem? Precisas de alguma coisa? Um cobertor?
Obrigada, estou bem.
- Alguma coisa boa e macia? - Est� tudo bem.
N�o pude deixar de reparar que ainda n�o tens marido.
- Ainda? - Marido da floresta...
Todas as outras mulheres j� escolheram algu�m.
Ningu�m te disse nada?
N�o, mas obrigado pela explica��o.
Ao menos, o Descartes determinou a natureza subjectiva da experi�ncia.
Sim. Voc� irrita-me, logo existo.
Ben Zion.
Os novos que chegaram, s�o de Novagroduk.
Disseram que a sua esposa foi morta na semana passada.
Sinto muito.
Obrigado por me teres dito.
Posso juntar-me a si?
Claro.
- Eu nunca... - Voc� nunca o qu�?
Sente-se sozinho?
Gosto dos bosques.
Por vezes, tornam-se um pouco assustadores.
Diga-me uma coisa;
Porque h� uma regra que pro�be as mulheres de usarem armas?
Porque n�o h� armas suficientes para os homens.
As mulheres tamb�m precisam de armas.
Para qu�?
Para estarem protegidas.
T�m os homens para as proteger.
Eu quero protec��o.
Homens armados. Homens armados.
Vamos embora! Homens armados!
Tragam apenas as armas e as muni��es.
Lova, Ben Zion fiquem connosco! Asael, tira-os daqui! V�o e n�o parem!
- V�o! V�o! - Tira-os daqui, n�o parem.
Vamos, r�pido.
Zus, n�o!
N�o parem at� chegarmos ao campo. Vamos l�!
Mexam-se! Mexam-se!
Isaac, mant�m-nos em movimento. Zus, Asael, Ben Zion... por aqui.
V�o-se embora e n�o vos abateremos!
N�o sejas idiota! Temos centenas de homens!
N�s tamb�m temos centenas! Agora quem � o idiota?
D�-nos os Bielskis. O resto pode ir em liberdade.
Voc�s s�o da Bielorr�ssia, porcos!
Porque trabalham para os alem�es, contra o vosso pr�prio povo?
Pela mesma raz�o que voc�s roubam os pobres, para sobreviver!
- Porra. - O pr�ximo vai directo � cabe�a.
Daqui a nada escurece, espero que encontrem o caminho para casa.
Vamos embora!
Eles v�o voltar.
Temos de construir outro acampamento.
Para a pr�xima desenha-lhes um mapa...
Que queres dizer com isso?
Que dev�amos ter morto o desgra�ado do leiteiro.
As tuas pol�ticas de diplomacia s�o uma merda.
O inverno est� a chegar e agora n�o temos abrigo. Porqu�?
Porque n�o tens tomates para fazer o que deve ser feito.
Vamos. Mexam-se!
Para onde nos leva? Os meus p�s est�o prestes a explodir.
Preciso de volunt�rios para um grupo de patrulha.
Quem s�o voc�s?
Uma brigada de guerreiros independentes.
Que brigada?
A Otriad Bielski.
Sabemos quem s�o. Seus bandidos judeus.
De certeza que podemos esclarecer isto com o vosso comandante.
Chamo-me Viktor Panchenko, Comandante da Otriad Outubro.
Ouvimos falar de um gang judeu que andava a roubar vilas que nos s�o leais.
Como respondem a estas acusa��es?
Quando voc�s lhes tiram comida, � apoio.
Quando somos n�s, � roubo.
N�s somos soldados do Ex�rcito Vermelho.
Lutamos contra o mesmo inimigo.
A Terra M�e n�o distingue os judeus dos que n�o s�o judeus.
Mas os judeus n�o lutam.
Estes judeus lutam.
Veremos.
Tragam-nos os vossos melhores homens.
Estamos honrados por estar de servi�o.
Agora somos guerrilheiros russos?
Veremos.
- Pega l�. - Obrigado.
Se os meus amigos do Clube dos Novos Socialistas
me pudessem ver agora... j� n�o leio um livro h� meses.
N�o leio muito. Podes perguntar ao Shimon.
J� perguntei.
Mesmo assim aceitas-me como teu Comandante?
Quem mais poderia ser?
- Posso fazer uma observa��o? - Por favor, observa o que quiseres.
Temos de ser mais fortes, sim. Mas...
Mas...
H� outras coisas que s�o importantes.
Como o qu�?
Comunidade.
Percebes alguma coisa de comunidades?
Sim, alguma coisa.
Mais bocas para alimentar.
E mais jovens para nos aquecer.
Quem � o Tuvia Bielski?
Tuvia.
Sou eu o Tuvia.
N�o sab�amos se voc� existia mesmo.
- Perd�o, sou o Yitzhak Shulman. - Bem-vindo, Yitzhak.
Sou de Baranowicze.
O Gueto est� a ser destru�do.
Os alem�es avisaram que seriamos mortos se algu�m desaparecesse do celeiro.
Eles n�o podem impedir-nos de viver.
Mas, morrem pessoas todos os dias.
Os meus pais...
- Faremos o que pudermos. - Muito obrigado.
N�o, n�o.
- Obrigado. - Bem-vindo.
Podes ajudar os meus pais, por favor?
Vi-te a olhar para mim.
Se os resgatasses faria qualquer coisa por ti.
- N�o, n�o. - Qualquer coisa, por favor.
O que queres dizer com: "Faremos o que pudermos"?
Devemos tirar de l� todos os sobreviventes.
E se forem centenas, Tuvia?
Ent�o cuidaremos deles.
E quando os alem�es vierem atr�s dessas centenas, como vai ser?
- N�o vou deixar que isso aconte�a. - N�o vais deixar que isso aconte�a...
N�o. Eu mesmo vou l� busc�-los.
- Aos Guetos? - Sim.
Ent�o agora �s Mois�s?
Zus, vai trabalhar. Est�s a perder tempo.
N�o sou eu quem est� a perder tempo, Tuvia.
N�o me podes contradizer � frente dos outros.
Somos uma fam�lia. Temos de permanecer unidos.
Para qu�? Para morrermos ao lado destes... Malbushim?
N�o lhes chames isso. S�o pessoas, s�o judeus.
Judeus arrogantes. Judeus presun�osos.
Judeus que sairiam da sua habitual rota,
apenas para manter as nossas m�os imundas longe das suas filhas.
N�o �s nada para eles, Tuvia.
S� te seguem porque s�o fracos e cobardes demais para lutar.
Ent�o e a Bella?
Achas que estaria contigo se isto n�o estivesse a acontecer?
- N�o v�s por a�. - � amor, Zus?
Tuvia...
Tuvia!
Lova. Ben Zion.
E todos aqueles que prefiram lutar, enquanto aguardam pela morte.
Vamos juntar-nos aos que lutam.
Vens?
N�o.
BAIRRO JUDEU ACESSO PROIB�DO
N�o somos t�o ing�nuos ao ponto de acreditar que n�o matar�o alguns de n�s.
Mas os judeus todos? N�o faz sentido nenhum.
Precisam de n�s para trabalhar. Nas f�bricas, nos campos...
S�o campos de exterm�nio.
Tamb�m j� ouvimos falar desses lugares.
Mas j� viu algum?
Pode assegurar-me,
que n�o vamos simplesmente morrer convosco nos bosques,
visto o inverno estar a chegar?
Acha que j� n�o consideramos uma fuga?
Eles matam vinte por cada um que foge.
Como posso sacrificar milhares por causa de alguns?
E se vos levarmos a todos?
Os velhos, os doentes? Como vamos viver?
N�s protegemos-vos.
Fizemos uma alian�a com os guerrilheiros russos.
Eles s�o t�o maus como os alem�es.
� muito novo para perceber de massacres.
A nossa �nica arma � o tempo.
Se conseguir arranjar mais, ficaremos felizes.
� tempo que quer? Tudo bem.
Dar-lhe-ei tempo. Um dia, um m�s, um ano talvez.
Para viver.
A vossa filha Chaya est� connosco.
O seu marido est� � sua espera.
- Rabino, por favor. - Estamos � espera de Deus.
Eu vou.
Eu vou.
Eu vou.
Eu vou.
Eu tamb�m.
Esperem.
Vamos, venham.
- Em frente. - Venham, por favor.
Em frente.
Por favor, preparem todos os vossos valores.
Mexam-se. Venham c�. N�o vamos morder-vos.
M�e. Pai.
- E voc�, compadre? - Sou um relojoeiro.
Consegue reparar armas?
- � o gatilho. - Talvez.
Por favor, venham. Preparem as vossas coisas.
Sim, por favor.
- Mas... eram da minha av�. - E agora pertencem � Otriad.
Todos se sacrificam pelo colectivo.
Podemos trocar isto por comida ou armas. Pr�ximo.
E carpinteiros? H� algum sapateiro? Costureiras?
- Eu sou contabilista. - Pode dar jeito.
Muito bem.
- Tem uma nova profiss�o. - Mazel tov.
Pr�ximo.
- Sim, por favor. - Sou enfermeira.
Que bom. Seja bem-vinda.
Amigos, este � o dia mais feliz da minha vida.
Por ver-vos aqui. A salvo e entre n�s.
Mas h� umas coisas que devem saber acerca da vida de c�.
Quando estiverem descansados e instalados,
ser�o designados para uma obriga��o.
Todos trabalhar�o. Sem excep��es.
Ajudaremos a abastecer os nossos camaradas russos.
Vamos fazer roupas, consertar armas.
As mulheres aprender�o a disparar e lutar�o ao lado dos homens.
Engravidar � proibido.
N�o podemos acomodar as necessidades de um beb�.
Hoje...
vamos come�ar a reconstruir as vidas que voc�s perderam.
Este � o �nico local na Bielorr�ssia
onde um judeu pode ser livre.
S�o todos bem-vindos � nossa comunidade.
- Ele � judeu? - Sim.
Recarregar!
Isto n�o � uma arma.
Para voc�s, � a lan�a de Bar Kochba.
� o maxilar de Sans�o. � a espada de Ehud.
� a fisga que o jovem David usou para tombar o monstro Golias.
Vamo-nos tornar guerreiros.
Como os Macabeus.
Corajosos homens e mulheres que lutam pela sua liberdade.
Tal como eles.
Disparar!
Muito bem.
Enterrado aqui debaixo com este detonador...
quase junto aos carris...
quando o comboio passar o seu peso far� press�o...
no detonador...
e nesse momento...
Esta pe�a aqui, � o Cavalo.
Podem move-la avan�ando duas casas em frente e uma para o lado, ou...
Ontem, foi batatas com beterrabas. Hoje, � beterrabas com batatas.
E amanh�, vai ser o prato especial. Sopa de batata.
Parem de reclamar e continuem a esmagar.
Adoramos batatas. N�o �, rapazes?
Sim, senhor.
E adoramos bolos, panquecas. Obrigado.
Senta-te. Faz crescer pelos no peito.
Se queres ser um soldado, tens que beber.
Que est�s a fazer? Que est�s a fazer?
Asael, s� estava a beber um bocado.
Um passarinho contou-me...
que uma pessoa, est� � espera que outra pessoa
lhe fa�a uma pergunta.
- Ol�, Chaya. - Ol�, Asael.
- Deixa-me levar... - N�o, n�o.
- Eu posso... - N�o, eu estou bem.
Obrigada.
Posso ajudar-te?
Chaya, estava a pensar se talvez...
tu... quer dizer, se tu e eu...
n�s... - Aceito.
Aceitas?
Sim.
Bendito sejas Tu, Deus. Rei do Universo.
Que criaste o homem � Tua imagem
e preparaste para n�s, a partir de Ti mesmo,
um local eterno.
Bendito sejas Tu, Deus. Rei do Universo.
Que criaste todas as coisas para a sua gl�ria.
Contenta este casal,
como contentaste no passado,
todas as criaturas que morreram, no Para�so.
Bendito sejas Tu, Deus.
Que contentaste o noivo e a noiva.
- Am�m. - Am�m.
Este anel �-me consagrado,
de acordo com as leis de Mois�s e Israel.
Mazel Tov!
�s da fam�lia dos Bielski?
Eu sou um Bielski.
Acampamento na floresta Nalibocka Dezembro, 1941
Tuvia. � s� isto que temos.
Cobre isso.
H� pessoas que j� falam em regressar ao Gueto.
H� dias, que quase n�o comem.
- Que horas s�o? - Tens algum compromisso?
H� alguma ceia?
Hoje n�o.
O Tuvia enviar� mais homens em busca de comida.
Segues o Tuvia como se ele fosse um Deus.
Antes n�o o ser do que ser uma cobra.
O Tuvia est� a dar o seu melhor.
- Devia ter-me juntado ao Zus. - Algu�m te impediu?
N�o empurrem!
Saiam-me da frente!
- Mais. - J� chega.
- N�o! - Quero mais.
D�-me...
S�o crian�as.
- Mais, por favor. - N�o, j� chega.
H� mais soldados mortos do que garrafas vazias.
Isso � t�o... russo.
Ao menos bebes como um russo.
Um judeu n�o pode beber, n�o pode lutar...
Afinal em que somos bons, Viktor?
Em morrer.
S� nisso � que somos bons.
Fala-me desse teu irm�o.
Sim, claro...
O grande Tuvia Bielski, Salvador dos judeus...
e grande merdoso.
Tu competes com ele.
Ele � que compete comigo.
A minha rela��o com o meu irm�o mais velho � igual.
Ele tamb�m � um grande merdoso?
Soldado.
Foi morto durante a primeira hora da invas�o alem�.
- Ol�. - Ol�.
Com o tempo habituas-te.
Que vais fazer hoje?
Hoje � a minha primeira miss�o na busca de alimentos.
Vou dizer ao Asael para enviar outra pessoa.
N�o.
N�o, eu quero ir. Devo ir.
Pega, � melhor levares isto.
Aquece-te. Por favor.
Lilka.
Por favor, leva-a.
Obrigada, Tuvia.
A tua aristocrata � um doce.
O qu�?
Disseram-nos, "Tirem as m�os, � propriedade do Comandante".
Tuvia, j� vi sinais de novas doen�as.
Morreram dois velhotes esta semana.
Tuvia.
- Miriam. - O que aconteceu?
Ele disse que foi uma patrulha.
Est�o a vigiar as estradas.
- H� alem�es por toda a parte. - Volta para l� e fica atento.
Ela vai ficar bem.
Leva a tua comida de volta. Fica deste lado do rio.
Toma aten��o �s patrulhas.
Vou esperar pelos outros. Boa sorte.
Alto! Quem vem l�?
Lazar, eu venho do campo.
- O perigo vem do outro lado. - Desculpa, Tuvia.
- Algum sinal da miss�o dos alimentos? - Ainda n�o.
Sai daqui!
- Pode ser Tifo... - Se for, estamos em maus len��is.
Os hospedeiros s�o os piolhos.
Os guerrilheiros t�m Penicilina. Mas dizem que precisam dela.
- Tuvia... - J� ouvi.
Medicamento. Vou ter com o Viktor, agora.
- O que aconteceu? Est�s bem? - Estou bem, obrigada.
Todas as vezes que tentamos movimentar-nos...
eles enviam mensagens para o quartel-general, atrav�s do r�dio.
Ent�o atacamos o transmissor.
Sim, meu guerreiro Hebreu.
O problema � que o local est� cheio de pol�cias.
O que � isto... dois Bielskis duma vez s�?
A que se deve tal honra?
Temos doentes. Preciso de Penicilina.
Os medicamentos s�o apenas para os soldados.
Se tivermos Tifo, pode contaminar o teu acampamento.
Vou ter que arriscar.
Vou ter de insistir.
Camarada.
� melhor n�o.
Do que precisam?
H� medicamentos na esta��o da Pol�cia de Stankiewcze, n�o h�?
Eu e o Tuvia crescemos l�.
A Otriad Bielski consegue destruir o transmissor.
Est�s muito doente.
Fica na carrinha.
Certifica-te que est� pronta a arrancar quando voltarmos.
N�o, eu vou convosco.
Esta noite quem d� as ordens sou eu, Tuvia.
N�o tens de fazer isto.
- N�o? Ent�o e o Tifo? - Morrer�o alguns.
V�o morrer de qualquer das maneiras.
Zus...
Para te dar sorte. Leva-o.
Arranca!
- Ent�o e os outros? - Arranca, porra!
Os outros?
Os guerreiros morrem para que os Malbushim vivam,
� nisso que acreditas, n�o �? - Agora �s comunista, Zus?
Comunista, sionista, fascista...
logo que consigas os medicamentos n�o faz diferen�a.
Volta.
�s meu irm�o.
Ent�o ainda te lembras...
Misericordioso Deus,
deix�mos os nossos amigos Ben Zion e Krensky, aos Teus cuidados.
N�o temos mais nada porque rezar, nem mais l�grimas para chorar.
O nosso sangue acabou. Escolhe outras pessoas.
Cumprimos todos os Teus Mandamentos.
Cobrimos todos os campos e todas as pedras com cinzas.
Santifica outra terra.
Escolhe outras pessoas.
Ensina-lhes as Profecias e l�-lhes as Escrituras.
Concede-nos mais uma b�n��o.
Tira-nos o dom da santidade.
- Am�m. - Am�m.
Chaya, isto � muito pouco.
Pegas na m�o, vais at� ao fundo da panela e d�s-me mais comida.
- Larga-a! - Arkady, tira as m�os de cima dela!
Que pensas que est�s a fazer?
Ignorante, quem pensas que �s?
No momento, sou quem manda. Volta para a fila.
P�e-te a andar, pequenote.
Vou arrancar-te a pele que tens na cara. Vou tirar-te esse nariz.
- Asael! - Ent�o anda!
Vou desfazer-te a cara.
Afasta-te! Guarda isso.
Guarda isso!
Que se passa aqui?
Aqueles que arriscam a vida para trazer comida,
merecem comer mais do que aqueles que n�o arriscam nada.
Comem todos o mesmo.
N�o quando � aquela cabra a servir.
- Ela � minha mulher. - Cala-te!
Comem todos o mesmo.
Quem for apanhado a roubar sofrer� as consequ�ncias.
- Que consequ�ncias? - Comem apenas metade...
durante uma semana. E aplica-se a voc�s os dois.
- O qu�? - Est�s a questionar-me?
Assunto resolvido. Voltem para a fila.
Volta para a fila.
Tuvia.
- Tuvia, eu nunca... - Eu sei.
Ent�o, porque estou a ser castigado?
Nas miss�es, primeiro tiram comida para eles e s� trazem os restos.
E andam a espalhar rumores, de que est�s com desejo de poder
e que �s corrupto.
Que ficas com as mulheres que queres,
que ficamos com o ouro... - E mais?
Que dizem mais?
Que j� n�o serves para ser o nosso l�der.
Talvez tenham raz�o.
- O Zus tinha-lhe esmurrado a cara. - Sim, eu sei.
Tenho saudades dele.
Ele fez a sua escolha.
Lova, que se passou?
Quem te fez isso?
O Gramov e mais dois.
Usei a casa de banho dos oficiais.
Disseram-me que nunca cagariam no mesmo buraco do que um judeu.
D�-me licen�a, Comandante.
Zus, junta-te a n�s.
Quero inform�-lo acerca de um mau trato para com um camarada.
Este homem bateu no camarada Lova sem raz�o aparente.
Tive uma raz�o mais que aparente.
Ele � judeu.
�s um selvagem.
Zus, ignora-o.
Vamos beber.
O anti-semitismo...
� uma viola��o da disciplina de um grupo.
Ele tem raz�o.
Gramov.
Pede desculpa ao nosso camarada.
Desculpa, camarada judeu.
Zus, vamos beber um copo.
Beber!
Arkady, quando vamos comer? Onde est� a nossa comida?
Lazar, tu comes com o resto das mulheres e como os Malbushim.
Tuvia.
Tens de ir l�.
Vou j�.
O idiota da aldeia.
O Lazar... vi-o a tentar impressionar as garinas...
escorregou e caiu nas trincheiras. Mesmo de cara.
Chaya, est�s com um ar ador�vel.
Obrigado, parece delicioso. Mas tu n�o ficas atr�s.
O que te aconteceu?
Arkady...
Arkady!
Que significa isto?
Temos uma nova pol�tica.
Os guerreiros ficam com a melhor comida.
Isso � contra as minhas ordens.
J� n�o �s o Comandante.
Enquanto eu liderar este grupo,
obedecem �s minhas ordens.
N�o quero reclama��es, descansos ou mandriices.
Os que quiserem ir embora, podem ir agora.
Leva o corpo para os bosques, deixa-o l� para os lobos.
Leva-o imediatamente.
A febre desceu durante a noite.
Foi gra�as aos medicamentos.
- Dormi durante quanto tempo? - Dois dias.
Cuidaste de mim?
- Tenho de me levantar. - N�o, n�o...
Pronto...
- Estudaste enfermagem? - Andava na Universidade.
O que fazias antes da guerra?
O pai da minha mulher tinha um neg�cio...
mas foi antes das "Leis Raciais".
Ela morreu?
Morreu.
Sinto muito.
Que estudavas na Universidade?
M�sica.
� melhor descansares. Vem c�.
- Obrigado, Lilka. - O prazer � todo meu.
Despacha-te.
Acampamento na floresta Nalibocka Abril, 1942
Quem tem o sabonete? Sei que ainda h� um bocadinho.
Mas usa a areia, Chaya. Faz-te bem � pele.
Olha-me para essa pele... e j� �s casada.
Olhem para mim, pare�o um esqueleto.
Quando sairmos desta floresta s� vou comer bolo,
e vou ficar do tamanho de uma casa.
Tamara, junta-te a n�s. O Sol est� quente.
- N�o posso, Lilka. - Porqu�?
- Estou gr�vida. - N�o sabia...
H� meses que escondo isto, mas agora est� � vista.
Pode nascer a qualquer momento.
Quem � o pai?
Aconteceu quando estava a fugir.
Um homem armado parou-me.
O que vai acontecer quando o Tuvia descobrir?
- Ele vai compreender. - N�o lhe podes dizer nada.
Eu n�o lhe digo.
Sinto uma nova vida dentro de mim.
� a �nica coisa que me leva a continuar.
E nunca desistirei dela.
O Lazar diz que viu outra patrulha.
Est�o a aproximar-se.
Est�s a ouvir?
Ela prometeu n�o levar mais comida do que o combinado.
- � contra as minhas ordens. - Tamb�m a vais matar?
Por favor, Tuvia. O beb� � a sua �nica raz�o de viver.
- N�o posso permitir. - Tens de o deixar viver.
N�o consigo mant�-los vivos!
A Tamara e o homem que fizeram esta crian�a s�o respons�veis por ela.
- T�m de partir. - Ela foi violada,
pelos alem�es.
Disseste-nos para nos mantermos humanos,
para n�o nos tornarmos animais.
H� melhor maneira de o fazer do que dar � luz
uma crian�a neste mundo de sofrimento e morte?
� a nossa �nica esperan�a.
- Est� bem. - Obrigada, Tuvia.
Eu sabia o que era esperado das mulheres, aqui.
Ainda assim, nunca me tocaste.
N�o tenho medo de nada, Tuvia.
Nem de ti tenho medo.
� a isso que chama jogada?
A isto, dou-lhe o nome de conclus�o inevit�vel
baseada num racioc�nio impec�vel.
A quest�o � o que vais fazer para mudar isso, g�nio.
� nisso que estou a pensar.
- Dei cabo dele. - Tuvia.
Encontramos este e mais dois perto da segunda ponte.
Mat�mos os outros dois.
O Aron ficou aleijado, mas � um soldadinho muito corajoso. Encontr�mos isto.
- Est�s bem? - Vejam o que temos aqui.
Encontr�mos isto na bolsa dele.
Est�s bem?
Leia isto.
Andas � procura de judeus? N�s somos todos judeus.
Que vais fazer agora?
Porco!
Destacaram uma divis�o inteira para cercar a floresta.
N�o t�m uma guerra para combater?
O ataque come�ar� dentro de dois dias.
P�scoa judaica.
Que conveniente.
Tuvia!
Ele diz que � casado e tem dois filhos.
Eu tamb�m era!
Se o deixarem ir, ele vai trazer os outros at� aqui.
- Pois �! - Est� bem.
Pergunte-lhe se promete n�o revelar a nossa localiza��o.
N�o, n�o, n�o...
Ele dir� tudo para ir embora.
- N�o. - Parem com isso.
Ele � um deles!
Os nossos inimigos n�o merecem viver.
N�o...
Queremos justi�a!
- Justi�a! - Justi�a!
O meu filho chamava-se David, tinha olhos azuis.
S� tinha 15 anos.
O meu irm�o chamava-se...
N�o sei o que vai acontecer-nos.
N�o interessa.
Se tivesse ficado no Gueto estaria morta.
Salvaste-me a vida.
N�o.
Tu � que salvaste a minha.
Zus.
O ataque est� a chegar. Vamos sair da floresta.
Sair?
Ent�o e a Otriad de Bielski?
O que � que tem?
Ser�o devastados.
Para mim, as vidas dos soldados sovi�ticos s�o prioritarias.
Vamos sacrificar os Bielskis para que possamos escapar?
Todos devemos fazer sacrif�cios...
para que possamos continuar a lutar.
S�o meus irm�os.
Somos todos irm�os...
Camarada Bielski...
O teu sentimentalismo judaico � enternecedor,
mas � contra revolucion�rio!
Tu e os teus camaradas v�o seguir o Gramov...
e retirar-se como ordenei!
E se n�o o fizer?
�s alvejado.
Camarada Bielski,
�s um soldado da Terra M�e.
Obrigado pela honra, camarada.
- Zus, que vamos fazer? - Retirar-nos...
- Porque motivo? - N�o sei.
Para onde vamos?
Mas as crian�as de Is...
as crian�as de Israel tinham medo de ir embora do Egipto.
At� que Mois�s disse,
"N�o confiem em mim, confiem em Deus.
Ele tomar� conta de v�s".
E � por isso que amanh� vamos celebrar a P�scoa judaica,
sentando-nos a debater. Como fazemos � s�culos.
- Viram-nos? - N�o sei.
- Amanh� � dia de P�scoa, n�o �? - E da�?
Mois�s. O �xodo.
Ele deixou o Egipto antes do Fara� o impedir.
Queres levar esta gente toda?
E os velhos, os doentes... nunca conseguir�o.
Vamos embora agora. Passa a palavra.
Shimon, vamos embora.
- Crian�as, levantem-se. - Onde vamos?
Vamos embora. Voltem �s vossas cabanas.
Digam aos vossos pais que vamos embora.
Quero que todas as crian�as estejam sob a responsabilidade de algu�m.
- E se n�o nos acompanharem? - Se for preciso levamo-las ao colo.
- Tragam apenas as armas, r�pido! - Vamos.
Despachem-se, por favor!
Esperem por mim!
Abriguem-se!
Abriguem-se!
Abriguem-se! V�o!
Vamos l�!
N�o saias da minha beira! Vamos l�!
Entrem!
V�o! Entrem!
V�o!
Est�s bem?
Estou bem! Os meus ouvidos...
- Leva-os para os abrigos. - Mant�m-te abaixado!
N�o... acabou. A infantaria vem a�.
Vai! Vai!
N�o os podemos deixar passar at� estarem todos a salvo.
Metralhadoras!
Sim, o Levine e o Miriam v�o por ali.
O Lazar, o Rosa, e o Schmuel v�o por ali e por acol�.
- E eu. - N�o!
Sim!
- R�pido! - Vamos l�.
- Despachem-se! - Por ali!
Vamos!
Levem todas as pessoas com voc�s, v�o!
- Quero ficar contigo. - Tens de ir com eles.
- Quero ficar contigo. - � demasiado perigoso.
- L� em baixo. - Quero ficar...
N�o, vais com eles. N�o � seguro.
N�o tentes enfrent�-los, Asael.
Atrasa-os apenas. Depois vem ter connosco.
Chaya, por favor. Vai com eles, n�o � seguro.
- N�o! N�o! - Vai com eles.
Por favor. Leva-a.
Vai.
Vai!
Anda l�, Chaya. Vai!
Mexam-se, r�pido. Deixe-me ajud�-la.
Cuidado.
- Pela direita! - Est� bem!
Vai!
Vamos!
V�o!
Meu Deus!
- Temos de continuar. - Os alem�es estar�o aqui n�o tarda.
Os outros j� voltaram?
O Asael?
Tuvia, ficamos aqui ou continuamos?
Temos de esperar por eles. N�o podemos deix�-los para tr�s.
- Podemos esconder-nos. - Eu digo para os enfrentarmos.
- Isso � de loucos. - Tuvia.
- O meu pai n�o aguenta mais. - H� cobras?
As crian�as...
Colocamo-las nos nossos ombros.
- Tuvia, que fazemos? - N�o podemos partir sem os outros.
Os outros est�o mortos!
Tuvia.
Tuvia!
Que vamos fazer?
Que se passa com ele?
- Anda. - N�o.
Tens uma arma?
- Sim. - D�-ma.
D�-ma.
Se vires que te v�o apanhar, usas isto em ti mesma.
Porque estamos parados?
- Asael! - Est�o vivos.
Peguem nela!
Eles v�m a�!
Eles v�m a�! Porque estamos aqui parados?
- Temos de continuar. - Por a�?
- � imposs�vel. - Nada � imposs�vel.
Tudo o que temos vindo a fazer � imposs�vel.
Tuvia!
As tropas est�o a caminho.
Deus n�o separar� estas �guas.
- Temos de ser n�s a faz�-lo. - Como?
N�o por milagre!
Vamos faz�-lo juntos. Com as nossas for�as!
D�-me a corda que tens na mala.
E tu, d�-me o teu cinto. R�pido.
N�o h� corda suficiente, Asael.
Vamos dar as m�os e fazer uma corrente.
Mas se algu�m escorregar...
Os fortes tratar�o dos mais fracos.
- D�em-me os vossos cintos. - Tuvia.
D�-me o teu cinto.
- D�-me o teu cinto. - Pega estes.
Usa estes tamb�m.
- Eu tenho um cinto. - Pega.
Calma.
Quanto falta?
- Tuvia. - Continua a andar.
N�o pode dormir aqui. N�o h� tempo para isso.
- Vamos l�. - Os meus livros.
Asael, olha. Conseguimos!
Tuvia.
Tuvia.
- Tenho uma coisa a dizer. - N�o, tem de descansar.
- N�o fale. - N�o.
Por favor...
Quase perdi a minha f�...
mas tu foste enviado por Deus para nos salvar.
Isso � rid�culo.
Eu sei. Mas, n�o v� o diabo tec�-las...
estou-Lhe grato a Ele e a ti.
Tanque!
Abriguem-se!
Todos para o ch�o!
Abriguem-se!
Para o ch�o!
Tuvia. Que fazemos?
Vamos tentar atravessar o rio.
N�o! Vamos ficar e dar luta!
Passem as muni��es para as armas.
Para as armas!
Isaac, pega nessas.
Isaac.
Traz as muni��es para ali.
N�o!
Tirem as armas e as muni��es dos corpos.
- Mais alguma coisa? - N�o.
Lilka, temos de levar os feridos para a floresta.
- E os mortos? - Temos de continuar.
Malta, peguem nas vossas coisas.
Temos de sair deste descampado.
- Shulman. - Diz, Tuvia.
Diz a toda a gente para apanhar apenas as armas.
Claro. S� armas!
Shulman. Foste promovido.
Parab�ns.
Malta, s� armas!
Vamos, mexam-se. Por favor.
Mexam-se!
Onde est� o resto da tua unidade?
Boa pergunta.
Vais voltar para eles?
N�o.
Temos um acampamento para construir.
Talvez tenhas espa�o para mais um.
Vamos.
- Est�s a ver aquilo? - O qu�?
A floresta. � linda, n�o �?
Sim, �.
Viveram na floresta durante mais dois anos.
No novo acampamento,
constru�ram uma escola, um hospital e um infant�rio.
Constantemente perseguidos, os seus n�meros continuaram a aumentar.
At� a guerra terminar, 1200 sobreviveram.
Asael Bielski alistou-se no ex�rcito russo,
e morreu em combate seis meses depois.
N�o viveu para conhecer o filho que teve com Chaya.
Zus emigrou para a cidade de Nova Iorque onde abriu
um pequeno neg�cio de cami�es.
Tuvia foi logo a seguir.
Trabalhou juntamente com Zus durante trinta anos.
Tuvia e Lilka permaneceram casados at� ao fim das suas vidas.
Os Bielskis nunca procuraram reconhecimento pelos seus feitos.
Os filhos e os netos daqueles que eles salvaram
s�o agora dezenas de milhares.
Tradu��o e Legendagem �� tozzz ��
Agradecimentos �� mariamiranda ��
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