Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Bird, Charlie Parker.
Charlie, é um prazer tê-lo de volta.
É um prazer estar aqui.
É o que ele queria fazer.
Ele não queria saber de mais nada...
se pudesse tocar o sax.
Ele amava o sax, não há dúvida.
Deve ter amado outras coisas também, entende?
Mas ele queria tocar sax.
Ele tinha uma personalidade magnética.
Ele era irresistível.
Ele tinha presença.
Quando entrava...
não era um homem comum entrando.
Eu não conhecia na época e não conheço hoje...
alguém que atraísse as pessoas como ele.
Quando ouvi Charlie Parker...
foi como um raio.
Ele me impressionou...
mais do que qualquer pessoa havia impressionado.
Charlie tinha uma nova abordagem da música.
Nós tínhamos música...
mas não tínhamos a pirotecnia.
Foi em 1934, em abril...
que minha família, minha mãe e seis filhos...
mudamos para a casa dos Parker.
Foi quando conheci Charlie.
Nós morávamos no segundo andar.
Ele estava na escada de calça curta.
Olhando selos.
A mãe dele estava lá.
Aí nasceu a ligação entre Charlie e eu.
A família de Rebeca mudou...
para uma casa antiga...
no bairro negro de Kansas City.
O menino de 14 anos, na escada...
seria um dos maiores músicos do séc XX.
Charles Parker Jr...
nasceu em 29 de agosto de 1920...
em Kansas City, Kansas.
Seu pai trabalhava na Empresa Ferroviária...
e deixou a família quando Charlie era criança.
Levou com ele John, o meio irmão de Charlie.
Depois disso, sua mãe mudou para o outro lado do rio...
para Kansas City, Missouri.
A mulher trabalhadora e devotada...
meio negra, meio índia...
Addie aceitou os Ruffing como pensionistas.
As duas famílias viveram juntas até a Sra. Ruffing...
notar o quanto Charlie gostava de sua filha.
Nós estávamos juntos, e um dia minha mãe...
depois que eu terminei o colegial...
viu que estávamos muito próximos...
então mudamos, no ano de 1936.
Acho que foi em março.
Mas depois minha irmã mais velha...
deu um jeito de ver Charlie.
Ele tocava com Lawrence Keys...
no Passeo Hall Dance Bands.
Ela deu um jeito de me levar para vê-lo.
Na noite da primeira luta de Jeullerser...
estávamos sentados na escada da escola.
Charlie disse...
"Se sua mãe souber que estamos nos vendo...
vai matá-la. Vamos nos casar."
Eu aceitei.
Fomos para o cartório e na cerimônia...
Charlie não tinha as alianças, nada.
A Sra. Parker tirou a aliança e deu a ele...
que pôs no meu dedo. Foi assim.
Aos 12 anos, Charlie pediu à mãe um sax alto.
Nada fazia imaginar as consequências disso.
Os conservatórios de Kansas City...
não aceitavam negros...
e sua mãe não poderia pagar a mensalidade.
Mas Charlie tinha obsessão pelo sax alto...
e as improvisações e os ritmos do Jazz.
Kansas estava fervendo.
Joe Turner tocava por lá.
A cidade fervia com o som.
Todo mundo estava lá, rapazes e garotas.
E todos os jogadores e cafetões.
Sabe o que isso significa.
Que os músicos também iam.
Era uma grande mistura, muita coisa acontecendo.
Não parava nunca, 24hs por dia.
Charlie tocava na banda da escola e em bailes.
Estudava constantemente.
Quando ia ao cinema...
tentava entender as partituras.
Decorava os solos dos discos...
e ficava na porta dos bares ouvindo os músicos.
Boa noite, senhoras e senhores...
sou Armstrong.
Louis Armstrong, o primeiro gênio a mostrar...
como o Jazz poderia ser expressivo e vivaz...
era o músico mais influente da geração anterior.
Ele sempre disse que Louis era o mestre.
Louis podia pegar qualquer coisa...
e transformá-la.
Era isso o que Charlie amava em Louis.
Charlie absorveu as lições de muitos músicos.
Seu disco favorito era "Stealing Apples"...
de Fletcher Henderson, com Leon Chu Berryno no sax tenor.
Charlie ficou tão impressionado com ele...
que deu seu nome ao filho.
Charlie tinha só 18 anos quando Leon nasceu...
mas parecia mais velho.
Ele vivia para a música.
Benny Carter e Johnny Hodges dominavam o sax alto...
e Charlie encontrou um mestre que o apoiou, Buster Smith.
Bird tocava com a banda de Buster.
Buster era o mestre dele.
Ouvi um programa de rádio...
de quando ele tocava com Prof.
Falei para Prof...
"Você tocou bem ontem à noite."
"Eu não toquei ontem." Fiquei surpreso.
"Você ouviu Charlie Parker ontem à noite."
"Mesmo? Parecia você, Prof."
Parecia muito o Prof.
Chamávamos Buster Smith de Prof.
Havia muita gente que Bird admirava.
Gente que não se esperava como Jimmy Dorsey.
E, claro, Johnny Hodges, o que era esperado.
Ele sempre falava de Jimmy Dorsey.
E sempre falava em coisas que Jimmy Dorsey tocava.
Ele tinha um balanço, quando tocava Jimmy Dorsey.
Mas Charlie admirava muito mais...
os grandes inovadores do sax tenor.
Todos eles apareceram na área de Kansas City.
Ben Webster lhe deu trabalho em Nova York.
O já famoso Coleman Hawkings.
E o astro da Orquestra de Count Basie...
Lester Young.
Ele amava Lester.
Lester o influenciou muito.
Nós fazíamos o intervalo...
quando Lester tocava no rádio.
Pegávamos o carro e íamos ouvi-lo.
Bird adorava ouvir Lester.
Com Basie, Bird se sentia em casa.
Bird adorava a música de Basie.
Adorava o "swing".
Adorava acompanhar com os pés.
Ele adorava ver gente acompanhando a música.
Adorava ver gente dançando.
Charlie trabalhava muito em Old Arch, há 240km.
No Dia de Ação de Graças de 1936...
o carro da banda derrapou no gelo.
Um homem morreu.
Charlie quebrou duas costelas...
e fraturou a coluna.
Depois que se recuperou, alguma coisa mudou.
Em julho de 37 ele me chamou e disse...
"Vou dar uma volta, pegar uma coisa para mim."
Olhei no espelho e o vi espetar a agulha no braço.
Gritei e perguntei: Por quê?
Ele sorriu...
e pegou a gravata...
Fez o torniquete com a gravata.
Fiquei olhando.
Então pensei que havia visto tantas gravatas...
Ele não disse nada.
Ele limpou o braço e pôs a gravata...
arrumou o colarinho...
pôs o paletó, me deu um beijo e disse...
"Até amanhã de manhã."
Jay McShann chegou em Kansas sem dinheiro...
determinado a formar a própria banda.
Em 1939 juntou os melhores músicos da cidade...
em uma orquestra de Blues.
Charlie era uma grande contribuição com seus solos.
Viajando com McShann, Charlie ganhou um apelido.
Nós tocávamos bastante nas universidades.
Nesse dia, estávamos de carro.
Uns três ou quatro carros.
Bird estava em um dos carros.
Havia duas pistas, uma em cada direção.
Passando as casas do campo...
com galinhas atravessando...
e eles atropelaram uma galinha.
Bird disse: "Você atropelou a galinha".
E o motorista: "E daí?".
"Pare o carro, vamos pegar a galinha."
Pegaram a galinha e puseram no carro.
Naquele tempo ficávamos nas casas das pessoas.
Ele pediu à dona da casa para cozinhar a galinha.
Fizeram um banquete.
Os músicos o chamavam de Yardbird, Yard ou Bird.
O apelido pegou.
Ele tinha pouco tempo para a família.
E Kansas City não era mais tão bom para a música.
Ele teria que fazer carreira em Nova York.
Sua partida era inevitável.
Ele chegou e disse...
"Quero ter uma conversa com você."
Entramos na sala de jantar.
Sentamos, ele pegou minha mão.
E ele disse: "Rebecca, pode me libertar?"
Olhei para ele, que disse...
"Posso ser um grande músico se eu for livre."
Eu não disse nada.
Ele ligou para a mãe, pediu para ela vir.
Ela perguntou: "O que foi, Charlie?"
"Rebecca vai me libertar, e quero que você prometa...
que ela e Leon terão teto e comida na mesa."
Foi só isso.
Ele nunca mais voltou.
Charlie pegou o sax...
tomou um trem para Chicago...
e chegou em Nova York.
Bird queria ir para Nova York.
Ele amava Nova York.
Dizia que quando tivesse uma "small band"...
iria para Nova York.
Quando tínhamos uma "small band"...
ele largou a banda por um ano.
Foi para Nova York, quando voltou para Kansas City...
disse que olhava as luzes do Savoy Ballroom...
ele olhava, olhava e sonhava.
Havia pouco trabalho para músicos desconhecidos.
Mas Charlie lavou pratos por US$ 9 por semana...
só para ouvir o incrível talento...
de Art Tatum.
Em 1941, Charlie finalmente tocou no Savoy...
com a banda de Jay McShann.
Fizeram sucesso. Apesar de imprevisível...
a música que Charlie tinha muita originalidade.
Seus solos em "Cherokee" impressionaram os músicos...
incluindo Dizzy Gillespie...
que tocava na banda de Earl Hines.
Eles incentivaram Hines a contratar Bird.
Hines me disse...
"Bird deve dinheiro a você, mas eu vou pagar."
Não importa, eu quero Charlie.
Ele vale o dinheiro.
Então eu disse, ele me deve tanto e tanto.
Earl Hines me pagou.
Perguntaram: "Podemos ir?" Eu disse: "Claro".
Bird foi para a banda de Hines.
Eu não vi Hines ou Bird por uns quatro meses.
Quando os vi de novo, acho que foi na 52nd St.
Earl Hines me disse: "Leve-o de volta".
"Venha buscar esse Charlie Parker."
"É o pior cara do mundo."
Respondi: "Mas você disse que faria dele um homem."
"Ele deve dinheiro à cidade inteira...
aos rapazes da banda e não sabe onde está o sax."
A orquestra de Earl Hines me impressionou...
em uma sexta-feira na estréia no Apollo.
E Sarah Vaughan, acabara de entrar no grupo...
a primeira verdadeira profissional da área...
estava lá de corpo e alma.
Eu lera uma crítica muito elogiosa sobre ela.
Foi no começo do Bebop.
Nova York era o lugar ideal para o Bebop florescer.
Eu tocava com Earl Hines e ele também.
Ele tocava sax tenor na época.
Mas a música era a mesma.
Tocamos com Billy Eckstine.
Billy Eckstine...
era um dos melhores líderes de banda.
Foi o melhor com quem trabalhei.
Ele entendia a música.
Ele apoiava a música.
Apoiava a criatividade. Era lindo.
A música de Bird com Hines e Eckstine não foi gravada.
Houve uma greve de dois anos no setor.
Nessa época o Jazz moderno e o Bebop floresceram.
As jam sessions em um bar no Harlem, Minton's...
criaram novas harmonias e ritmos.
A banda tinha dois grandes músicos do Jazz moderno.
O compositor e pianista Thelonious Monk...
com grande originalidade e humor sutil.
O baterista Kenny Clark e seu ritmo surpreendente...
deram origem à palavra Bebop.
Em 1945, a geração de modernistas progredia...
incluindo os três maiores colaboradores de Bird.
O baterista Max Roach, e seus solos melódicos.
O pianista Bud Powell...
virtuoso que emocionava a todos.
E o trompetista Miles Davis...
o mais lírico dos modernistas...
e grande inovador.
O núcleo do Jazz em NY era no Harlem, 52nd St...
onde muitos bares tocavam uma música extravagante.
Havia muita resistência ao novo Jazz.
Mas quando Parker e Gillespie...
abriram "The Three Deuces" em 1945...
os solos brilhantes falavam à geração...
que vivera a guerra mais violenta da história.
Era um bar aqui, outro ali, outro lá.
Depois havia o "White Rose"...
e tantos bares naquela região.
Entre uma apresentação e outra...
nós íamos de lá para cá para ouvir os outros.
Era uma mistura estranha.
Um lado da rua havia o Jimmy Ryans...
com o dixieland, e no outro lado...
Jack Teagarden em um bar e Art Tatum em outro.
Billie Holiday, Coleman Hawkins...
todos os músicos incríveis.
O "White Rose", na esquina da 57 com a 6th Ave...
era aonde íamos encontrar os outros músicos.
Um dia, Ben Webster falou de um músico fantástico.
Foi quando conheci Charlie Parker.
Ouvi falar em Bird antes de ouvi-lo.
Havia uma banda no Onyx, com Don Byas e Dizzy.
Don ia sair da banda.
Eu adorava a música de Don.
Eu conhecia o assessor de imprensa do clube...
e perguntei quem iria substituir Don.
Disseram que havia um cara em Kansas City...
Charlie Parker.
Perguntei: "É bonito?"
Meu amigo respondeu: "Não, mas vai gostar".
Mas Bird não tocou com eles.
Quando ele veio, abriu o Three Deuces com Dizzy.
Foi a primeira vez que eu o ouvi.
Ele era tão diferente, eu estava acostumada...
com Johnny Hodges e Benny Carter.
Demorei um pouco para me acostumar...
mas vi que ele tocava algo incrível.
Isso foi durante a II Guerra Mundial...
e havia muitos soldados na rua.
Muitos soldados do Sul...
não tinham visto casais de negros e brancos.
Isso causava muitos problemas.
Umas das coisas que aconteceu nessa época...
o período inicial do Bebop...
era que pegavam uma música...
e faziam uma melodia diferente.
Como "What Is This Thing Called Love".
Eles faziam uma melodia diferente.
Não tocavam a melodia como era.
Eles faziam um Bebop...
uma outra melodia, nos mesmos acordes.
E mudavam alguns acordes e a estrutura do tom.
Bird gravou como líder em novembro de 1945...
com Dizzy, Max Roach e Miles Davis.
A obra-prima do grupo...
era baseado no número de Bird, "Cherokee".
O saxofonista Charlie Barnet...
fez da música um hit apesar dos difíceis acordes.
A versão de Parker ignorava a melodia da música.
O resultado incluía tudo o que Parker aprendera.
Era um inspirado ataque às convenções musicais.
Ele chamou o tema de "koko".
Duas semanas depois da apresentação de "koko"...
Bird e Dizzy foram para Los Angeles.
Para Charlie, a viagem levou dois anos...
e provou-se quase fatal.
Tocávamos...
música muito nova.
A Califórnia era muito longe...
e estava atrasada na evolução.
Músicos de NY estavam lá, com uma música nova.
Bird teve triunfos em LA...
como "Yardbird Suite" e "Night in Tunisia"...
"Ornithology"e outros...
mas se afastava do ambiente musical...
bebendo muito e se entregando ao vício.
Naquele tempo usava-se heroína...
e se Bird usava...
todos os músicos e os fãs queriam usar.
As pessoas são assim.
Eles usavam porque Charlie Parker usava.
Se Charlie Parker usava drogas...
era algo quase aceito socialmente...
no ambiente musical.
Eu achava que heroína, Bebop...
e o estilo negro eram a mesma coisa.
Achava que tinha que usar heroína...
para tocar como Charlie Parker.
"Loverman" foi a gravação mais catastrófica do mundo.
Bird chegou atrasado, todos esperando...
todos estavam atrasados, mas Bird...
estava desligado...
e estava tentando tocar...
sem o seu "remédio", por assim dizer.
Não sei dizer o quanto as coisas deram errado...
mas fizemos "Bebop"...
Max fazia improvisos...
Ele tentou tocar "Loverman"...
e "The Gipsy".
Quando tocamos "The Gipsy" ele estava tão ruim...
O homem estava doente, não conseguia fazer nada.
Já estive no palco com ele assim...
entende o que eu digo? Nos bares e clubes.
Howard teve que terminar a gravação...
e levá-lo para casa.
Não foi a gravação a mais catastrófica...
porque o que ele tocou...
Bird estava doente, mas se ouvir "Loverman"...
era o som de Bird.
Quando ele voltou, ninguém sabia.
Não houve festa, ele só reapareceu.
Ele não usou drogas por um tempo.
Vi um lado de Charlie Parker...
quando ele estava sóbrio.
Sóbrio, era muito boa companhia.
Fomos à praia com minha esposa...
minha sogra, minha filha.
Nós andávamos na praia...
como gente normal.
Charlie tinha esse lado, que poucos conheciam.
Ele se preocupava muito com os outros.
Eu estava com Earl Hines em um ballroom...
sentado tocando piano...
assim...
olhei o piano...
ele estava acompanhando com os pés.
Depois do baile, achei que todos tinham ido embora...
era um baile de brancos, fui ao banheiro.
Quando saí...
um sujeito me bateu aqui com uma garrafa.
O sangue escorreu por aqui.
Eu peguei uma garrafa, os rapazes me agarraram.
Charlie Parker virou para ele e disse...
"Você bateu no meu amigo, vira-lata."
Ele o chamou de vira-lata! Eu nunca tinha ouvido isso!
Um dia, minha campainha tocou na 52nd St.
Eu estava com Kim e minha mãe.
Disseram: "Tem um homem em um cavalo para vê-la".
Só podia ser Bird.
Eu desci e vi Bird a cavalo.
Ele veio mostrar o cavalo a Kim.
Mas fez isso porque respeitava muito meu pai...
que ele não conhecia.
Ele teve um clube...
e fez a orquestra tocar na minha janela...
"Why Do I Love You".
Bird estava imitando meu pai.
Não podia trazer uma banda então trouxe o cavalo.
Ele queria fazer algo que Kim lembrasse...
como eu lembrava a orquestra.
O fim dos anos 40 e sua glória, o Bebop.
Os grandes inovadores...
começaram a achar os próprios caminhos.
Dizzy Gillespie sugeriu "Things To Come"...
quando formou uma big band.
O quinteto preferido de Charlie...
era sax alto, trumpete, piano, baixo e bateria.
Apesar de ter pouca atenção do público...
era muito respeitado entre músicos.
Seu estilo era analisado e imitado.
Não se tocava Jazz moderno sem pensar em Bird.
Em 1949 fez sua primeira turnê internacional.
Em Paris, viu que poderia ter o mesmo respeito...
que os músicos clássicos tinham.
Fãs e músicos o seguiam com gravadores...
para preservar cada solo, cada ideia musical.
Ele tinha muito orgulho e honra...
era tratado muito bem.
Voltou com presentes e discos que havia ganhado.
Queria morar lá.
Foi sua melhor fase, as duas turnês europeias.
Essa viagem expandiu o contexto de sua música.
Com o produtor Norman Grant...
formou um conjunto de cordas para acompanhá-lo...
que mostrava seu amor pela música clássica moderna.
Ele esperava estudar composição...
nas não teve tempo para isso.
Ele gravou músicas populares...
inclusive "Just Friends".
Bird contou que quando viajava com o conjunto...
ele se comportava muito bem.
Chegava na hora, bem vestido...
usava poucas drogas, ensaiava bem.
Ele disse que se sentia sendo correto.
Foi muito sofrido para ele quando tiraram as cordas.
Ele mesmo dizia: "Quando tiraram as cordas de mim."
Parker estava desorientado.
Tentava tirar as drogas e compensava com vinho.
Estava sempre atrasado, e às vezes não comparecia.
Uma vez, foi expulso de Birdland...
o clube fundado em sua homenagem.
Mas Bird ainda tocava brilhantemente.
Em uma noite de domingo de 1952...
Bird e Dizzy tocaram no programa de TV...
"Stage Entrance"...
do jornalista Earl Wilson.
Bird sempre sentiu...
o preconceito que Earl mostrou na TV.
Adoro as expressões no vídeo.
Bird tinha um olhar mortal.
Aqui está o Sr. Leonard Feather.
O que eu faço para cumprimentar?
Toca aqui?
Isso muda tanto que preciso me informar.
Você está com o prêmio, é um evento e tanto.
Em dois sentidos.
No ambiente musical...
convivemos fraternalmente há muito tempo.
A cor e a religião não fazem diferença.
Em música, o que importa é o talento.
Música nos EUA é assim...
com credos e raças diferentes.
Acredito que sim.
O que vamos fazer com isso?
Faço isso há um tempo, você quer ter essa honra?
Eu adoraria.
Charlie, Dizzy.
Aqui estão. Charlie Parker...
e o famoso Dizzy Gillespie.
Leonard disse que sou o mestre de cerimônia.
Charlie, quero lhe dar o prêmio Downbeat...
de melhor saxofonista de 1951.
Muito obrigado.
Parabéns.
Diz, este é por ser um dos melhores trompetistas...
de todos os tempos.
Parabéns, Diz. Ou Dizzy, fui informal.
Querem dizer alguma coisa?
Dizem que a música fala mais do que palavras.
Vamos tocar um pouco.
Acho que todos concordam.
Preciso dizer ao público que ouviremos...
Charlie Parker no sax alto...
Dizzy no trompete e Dick Hyman no piano.
- O que vão tocar? - Acho que "Hot House".
Outro aspecto do Bebop que nos incomodava...
é que éramos tratados como uma piada.
"Time Magazine", "Life"...
só falavam do jeito de Dizzy...
os óculos, cavanhaques, tudo menos a música em si.
Não levavam Charlie Parker a sério como grande músico.
Era assim em jornais, revistas, TV, toda a mídia.
Era um horror, ele era tratado muito mal.
Dizzy Gillespie era tratado assim por todos.
Bird era uma pessoa muito diferente.
Sempre gostei de tocar com ele.
Algumas noites chegávamos...
e o bar estava cheio...
ele tocava e tudo pegava fogo.
Ele percebia algo acontecendo...
e tocava sobre isso na hora.
Se via uma mulher bonita entrando...
ele fazia um solo e de repente...
"Uma mulher linda é como uma melodia"...
e fazia aquilo encaixar.
Se alguém estava meio estranho...
ele tocava algo que combinasse com isso.
Ele era rápido.
Uma mente rápida.
Uma mente genial.
Sabia o que se encaixava.
Uma vez estava fazendo um solo...
como "The Last Time I Saw Paris"...
em tons diferentes!
E pegava fogo!
Perguntei...
"O que houve na última vez que você viu Paris?"
Charlie teve duas filhas com Chan...
além da enteada kim.
O menino Baird e a menina Pree.
Em março de 1954...
soube que Pree, de três anos...
morreu de uma doença do coração. Ele quebrou.
Charlie se separou de Chan...
e ficou com amigos em Greenwich Village.
Mas antes fez as pazes com o passado.
A última vez que o vi foi em 1954...
quando trouxe Chan para casa.
Uma manhã, ele me levou à cozinha.
Não olhei para ele.
Estávamos olhando pela janela.
Ele pôs a mão na minha.
E disse...
"Se eu pudesse recomeçar a vida...
isso é o que iria querer."
Ele disse: "Por favor, me desculpe."
Foi quando olhei para ele e pensei...
"Meu Deus, ele está morrendo."
Charlie passou a tocar em bares...
que eram quase lojas vazias.
O vinho tinto barato piorou sua úlcera.
Houve uma tentativa de suicídio.
Em 9 de março de 1954...
um ano depois da morte de sua filha...
visitou a Baronesa Nica de koenigswater...
outra entusiasta do Jazz.
Três dias depois, morreu na sala de estar...
vendo o programa de Tommy Dorsey na TV.
O médico estimou sua idade entre 54 e 60...
e atribuiu a morte à pneumonia.
Charlie Parker tinha 34 anos.
Quando soube que Charlie tinha morrido...
eu tocava no California Club em Los Angeles.
Aproveitamos a morte de Bird...
para anunciar que iríamos terminar mais cedo...
para celebrar a morte de Bird...
fazendo exatamente aquilo que o matou.
Foi assim que celebramos a morte de Bird...
usando drogas.
Todos nós.
Teria sido melhor se tivéssemos visto...
que era hora de parar.
Eu não tinha certidão de casamento.
Foi levado para a funerária onde nossa filha...
que morrera um ano antes, havia sido velada.
Tínhamos uma sepultura no cemitério...
onde ela foi enterrada.
Bird não queria ir para Kansas City.
Queria ser enterrado ao lado da nossa filha.
Sem a certidão de casamento...
eu não tive nenhum controle.
Ele foi tirado da funerária, levado para o Harlem.
Trocaram a roupa dele...
penduraram um crucifixo no caixão.
Bird não era religioso.
Foi levado para Kansas City.
Foi enterrado na igreja de Adam Clayton Powell.
Pelo reverendo Licorice.
A música foi "The Lost Cord."
Pessoas que se aproveitaram financeiramente dele...
durante a vida estavam lá.
Foi uma caricatura...
para usar uma das palavras favoritas de Bird.
Queriam enterrá-lo aqui em Nova York.
Eu não achei que era certo.
A mãe dele estava longe há tanto tempo.
Ela deveria ter o prazer de estar lá...
pôr as flores na sepultura.
Tínhamos uma relação especial.
Ele me beijou na boca! Nós nos amávamos.
A maior obra de Charlie Parker...
foi o que ele fez pelo Jazz e pela música.
Ele mudou toda a cena musical.
Mudou o estilo de todo mundo...
pianistas, trombonistas, trompetistas, saxofonistas...
O triunfo de Charlie Parker significa que ele está vivo.
Ele está vivo, sua música está viva.
O triunfo de Charlie Parker...
o valor de Charlie Parker...
está aqui.
Charlie Parker disse...
"musica é sua única experiência...
seus pensamentos, sua sabedoria.
Se você não vivê-la, ela não sai do saxofone. "
É uma coisa linda.
Alguém ligou.
Quero perguntar sobre uma gravação...
que acabou de fazer, "Leap Frog".
É o mesmo "Leap Frog" que Les Brown fez?
Não, é outra coisa.
É original. É algo novo...
que Norman Granz quis chamar de "Leap Frog".
O outro lado tem "Relaxing With Lee".
Quem é Lee?
Não sei, deram o nome depois que saí do estúdio.
Deram o nome...
Pode ser Lee Connors ou Lee... não sei.
Só fiz isso, Bird, porque...
você tem uma voz linda.
Pouca gente ouviu sua voz.
Gostaria que você falasse um pouco para eles ouvirem.
Onde você mora?
Kansas City.
Nós chegamos até lá.
É mesmo?
Meus amigos na minha cidade estão ouvindo?
Será que tem um amigo em Kansas City...
que está ouvindo você?
Acho que ligarão para Bob Garrety no número 65-454.
Quem você acha que pode estar ouvindo?
Tenho muitos amigos em Kansas City.
Você tem muitos amigos em Kansas City.
Não vamos receber pedidos...
mas seria ótimo se alguém ligasse de Kansas City.
Garrety, você pode receber uma ligação de Kansas City.
Se ligarem, você atende?
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.