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Original subtitles

O bairro é o nosso lar, no melhor sentido da palavra.

INSPIRADO EM FACTOS VERÍDICOS

É fácil ter a sensação de que estamos em comunidade,

onde os bons dias são dados alegremente, em Pleasant Havens.

Não é fácil encontrar mas, uma vez lá, é possível que queira lá envelhecer.

Pronto.

Só mais uma, minha querida.

Não está aqui nada.

Devagar, devagar.

Ele está cá!

Não te mexas.

ABRE-ME

O MEU LAR

Querida?

Estou a ver-te, Corvo.

Sai daí!

O que é que fizeste?

O que é que fizeste?

Estamos perto, querida?

Sim. Creio que é duas ruas mais abaixo.

Este bairro não é nada mau.

Não é nada mau? É lindo.

Não percebo porque é que nos aconselharam a manter-nos a norte da autoestrada.

Lá, é tudo o dobro do preço.

Mas fica longe do teu trabalho.

Estão a fazer condomínios lá perto. Podemos sempre mudar-nos.

Preferia ficar nesta carrinha, neste bairro.

Eu sei. Ponho uma sanita no banco de trás.

- E pronto. - Nojento.

Mudamo-nos para a praia e vivemos o sonho californiano.

Sai mais barato.

No meu sonho, há canalização interior.

Então, a boa notícia é que podemos tê-la, neste bairro.

É ali.

Bem-vindos a casa!

Quando é que se mudam?

São pouco mais de 185 metros quadrados, em dois pisos.

E, como podem ver, é uma venda de uma herança,

o que significa que tudo é vendido em conjunto.

Sabe-se lá que tesouros podem vir a encontrar!

Bem, precisa de algum amor e carinho, mas quem não precisa?

Quando foi construída?

Creio que Teddy Roosevelt era presidente, quando ergueram estas paredes.

É grande.

Com espaço para a família crescer. São só os dois?

Por enquanto.

Não se arrastem muito tempo.

Quanto mais cedo os tiverem, mais cedo eles saem de casa.

Vejamos o que há lá em cima.

Já chega.

Sei que está um pouco desatualizada, mas é original da época.

- Avançamos? - Avancemos.

Ora bem, este quarto daria um berçário perfeito.

Ou um quarto de manualidades, nos entretantos.

Na verdade, preciso de um escritório em casa.

Muito bem! Apoio sempre uma mulher de negócios.

A minha miúda vai arrasar o cenário de moda local.

Por enquanto, não passa de um portefólio.

Por falar em trabalho...

- Viva, Kev. - Olá, Kevin.

Estou a criar raízes em LA.

Há uma questão a que não posso fugir.

A lei obriga-me a notificá-los, caso tenha havido mortes na propriedade.

- Houve mais do que uma? - Não, não.

A proprietária anterior sofreu de uma doença prolongada.

E é tudo o que diz o formulário.

Talvez um fantasma nos ajude a ficar com ela.

Não fiquem indecisos muito tempo.

No mercado imobiliário, a sorte favorece os audazes.

E, ultimamente, os chineses.

Leve o seu tempo.

Bem-vindos a casa! Quando é que se mudam?

SETE ANOS

Meu Deus! Está bem?

Sim, estou bem.

Deixe-me ser eu a avaliar isso. Sou enfermeira.

Feche os olhos. Vamos.

O traumatismo craniano não diagnosticado é um assassino silencioso.

Apoiei a queda com as costas, por isso...

Abra agora. Abra.

Muito bem. A dilatação parece normal.

Não podem estar aí em cima. Desça daí, imediatamente.

Os rapazes só estão a recolher insetos.

Isto é uma open house, não um pátio de recreio.

Desçam já daí.

Como hei de fazer uma oferta pela casa, se o meu filho não pode explorá-la?

Eu ajudo-o a descer.

Obrigada.

- Está a pensar fazer uma oferta? - Não, a casa precisa de demasiadas obras.

Somos olheiros. Vivemos mais abaixo no quarteirão.

Talvez venhamos a ser vizinhas.

- Sou a Emma. - Jeanne Gordon.

Mikey.

Desce daí e vem pedir desculpa à Miss Emma.

Se não te desculpares, não comes gelado.

Não gosto nada de chantageá-lo, mas poupa-me imenso tempo.

Não é bom para a linha.

Desculpe, Miss Emma.

Não faz mal.

- Acho que vou procurar o meu marido. - Há anos que desisti de procurar o meu.

Ficaria surpreendida com o que se consegue fazer.

- Foi um prazer. - Foi um prazer.

É amorosa, não é?

VENDIDO

Parabéns!

Devem sentir-se uns sortudos.

Bem, sentimo-nos pobres.

Mas parecem ricos e é isso que interessa.

Se ao menos isso fosse verdade, Francine.

Eu descarrego.

Ótimo. Posso mostrar uns pormenores à minha amiga.

Antes de mais, os aspersores disparam na lateral da casa, passando a entrada.

Mas podem querer pensar num jardim resistente a secas,

se acreditarem em tudo o que dizem os hippies.

Pessoalmente, gosto de um belo relvado verde.

Acho que a aparência de deserto não passa de uma moda.

Acabei de ver os vizinhos do outro lado da rua e não acenaram.

Bem-vinda a LA, querida.

Dê-lhes algum tempo.

Só devem precisar de esquecer não terem ficado com a casa.

Fizeram uma oferta?

Lá estou eu a causar problemas.

Vocês ganharam a mais cinco interessados.

Ambos merecem estas chaves.

E o que abrem?

Tudo, minha querida.

É verdade! Há um boletim do bairro que podem receber por telefone.

Chama-se “Sabezinhos”, uma mistura de “vizinhos” com “saber.”

Divulga os acontecimentos locais, vendas de garagem, queixas de ruído...

Tanto de uns como de outros.

Deixe ver.

Trouxe a caixa errada. Esta devia ir para o armazém. Desculpa.

- Não, quero ficar com ela. - Posso pô-la no sotão, se quiseres.

Está aqui algures.

Estou bem.

Está na altura de deixá-los com os vossos afazeres.

- Adeusinho. - Adeus.

Se precisarem de alguma coisa, enviem-me uma mensagem ou telefonem-me.

Ponho os patins e chego aqui num instante.

- Vemo-nos na festa de receção, Francine. - Obrigada.

Chego aqui num instante? Esta mulher é maníaca.

Sabes o que é ainda mais louco?

Temos uma casa.

BEM-VINDOS A CASA! A “OLHADEIRA”

Onde é que arranjaste isso? Eram para as pessoas novas.

Cospe.

Cospe.

Cospe.

Cospe. Cospe!

Mikey, Mikey!

Cospe! Cospe!

O que vão pensar os vizinhos?

Sabes, nunca pensei dizer isto,

mas a piza da costa oeste não é assim tão má.

Certo?

Saboreia porque, nos próximos 30 anos, vamos comer massa e bolachas.

- Acho que fizemos um bom negócio. - Sim, de 20 mil acima do orçamento.

Além da mobília e das obras que queremos fazer...

Querida, tenho isto controlado. Vou trabalhar que nem um doido.

E, brevemente, arranjas trabalho

e estaremos ambos demasiado ocupados para aproveitar a casa.

- Hei de encontrar alguma coisa. - Claro que sim.

Por enquanto, podes ocupar-te a ajeitar a casa.

É esse o teu grande plano, tornar-me uma fada do lar?

Não, não. Precisamos mesmo de dinheiro.

Só te quero tranquila... e feliz.

Para nos concentrarmos noutras coisas.

Entretanto, devíamos pensar em engordar.

A sério? Bolachas de alpendre.

Sei quem as fez.

Nunca se aceitam presentes de alguém com mais de 50 anos, ficamos sempre a dever.

Ela pareceu-me simplesmente simpática.

Até vir bater à porta, às cinco da manhã, a pedir açúcar.

Sabias que é a essa hora que estas pessoas acordam?

Gostava de conhecer, pelo menos, uma pessoa, aqui.

E agora estás a mudar de assunto.

Não, não estou. Estou a aquecer o ambiente.

A aquecer bem.

Amo-te.

Merda.

Estás bem?

Sim.

ABRE-ME

“Caras pessoas...

... vejo que se mudaram para a minha casa.

Sei que o interior é acolhedor. Já estive no vosso quarto.”

“A rapariga já tomou banho?

Não detém a doença.

O Corvo virá.”

Não devíamos chamar alguém?

Vou fazer a participação à Polícia, de manhã, mas devem ser miúdos.

Devíamos verificar janelas e portas.

Está bem. Vai andando para a cama.

- É seguro sair? - Só se sorrires.

Se alguém se aproximar três metros, somos alertados.

Resumindo, temos um canal dedicado ao carteiro.

Aos gambás e aos gatos vadios.

Não te esqueças. O empreiteiro vem esta tarde.

Está bem.

- Tem um bom dia. - Tu também.

- Vou passar o dia a ver isto. - Sim, eu sei.

Ótimo.

Parece que escolheu o lugar errado.

Ouvimos o estilhaçar. Não conseguimos ver ninguém.

Uns miúdos marcaram-nos a porta, ontem à noite.

Deixe-me ir buscar algo para ajudá-lo.

- Não, já estou atrasado para o trabalho. - Culpe o trânsito.

Amanda! Preciso de película aderente e outra caneca de café.

- Tens mãozinhas. - Não é para mim.

SABEZINHOS

BEM-VINDA DE VOLTA, EMMA!

OBRIGADA PELAS BOLACHAS

PORTA PRINCIPAL

COMIDA DE GATO

Bem-vindo a casa. Fala Francine Waters.

Por favor, deixe mensagem.

Olá, Francine. Fala Emma Curtis, da casa na West Adams.

Aconteceu algo ontem à noite e eu...

Tenho algumas perguntas sobre os proprietários anteriores.

Por favor, ligue-me quando puder. Obrigada. Adeus.

Ao que parece, há uma mulher que vive ao virar da esquina, chamada Terri,

que tem um cão pequeno e se recusa a apanhar os dejetos dele.

Olá! Temos uma visita.

Sim, estou a ver.

Estávamos na corrida da tarde

e adivinhe quem me mandou uma mensagem pelo Sabezinhos...

Corrida com bolo.

Ando sempre com um na mala do Mikey. Torna-se difícil, quando ele tem fome.

Fatia grande ou pequena?

Guardo a minha para a sobremesa.

O que nos trouxeste?

Vem em nome dos Akimotos, por isso, vou ficar com ela.

Deixei uma mensagem à Francine. Temos recebido muitas encomendas deles.

Não me surpreende.

Conhecia os proprietários anteriores?

Só de passagem.

Constava que eram acumuladores.

- O que lhes aconteceu? - Emma.

Ouvi dizer que a mulher tinha problemas.

Creio que se chamava Gladys.

Disseram-nos que estava doente.

Uma infelicidade que acabou com uma lâmina, na casa de banho.

Jesus.

Deviam ter lido o que se escreveu no Sabezinhos sobre isso.

Se pensássemos em todas as pessoas que já viveram numa casa,

não dormíamos nada.

Céus...

O que é isso?

Mikey.

“Caras pessoas...

... já lhes tocaram...

... os parasitas das paredes?

Deviam agradecer-me o presente. É um aviso.

Se ficarem, a doença virá.

E o Corvo virá a seguir.”

Já te disse para nunca correres pela casa dessa maneira.

Devia ir buscar os comprimidos dele.

- Precisa da sua mala? - Não, volto já.

Está tudo bem.

Não há nada que te deva assustar.

Não corras. O Mikey não deve correr. Não deve correr.

Porque não me contas de que estavas a fugir?

Mikey.

Eu... tive medo.

Medo do homem.

Que homem?

O homem da casa da árvore.

Sabemos que está aí em cima.

- Responda, ou vou aí acima. - Não faças isso.

Noah.

Noah. Noah?

Está tudo bem.

Estava alguém a viver lá em cima. Encontrei um monte de lixo.

Também estava algo que não parecia sumo de maçã.

Mikey, como era o homem?

Conta à Miss Emma o que viste.

- Um pássaro. - O quê?

O pássaro, não, Mikey. O homem.

Era novo? Velho?

Parecia-se com um pássaro.

Peço desculpa. Devia levá-lo para casa.

VIGILÂNCIA DE BAIRRO ESTAMOS A VIGIÁ-LO

Temos recebido quatro a cinco entregas por dia.

Para que precisaria alguém de mil copos de esferovite

ou de uma cabeça de alce de plástico?

Não me pode dizer, pelo menos, quem faz os pagamentos?

Se faz favor.

Se faz favor.

- Disseram que têm cassetes de VHS? - Aquelas cassetes que parecem Lego.

O que vão fazer com uma cassete de VHS?

- Comida para gato. - Comida para gato?

- O que fazem com isso? - É estranho.

Se fosse comigo, pegava nas coisas e vendia-as.

O pessoal daqui gosta de uma boa venda de garagem.

O que disse a agente?

Ainda não conseguimos falar com ela.

A mulher recebeu a comissão e pôs-se a andar.

O imobiliário é como Hollywood. Boa sorte com essa chamada.

Estás bem?

Sim, só estou um pouco cansada. Peço desculpa.

- A Amanda também teve um perseguidor. - Eles não têm um perseguidor.

- Encontrou-o nu, no jacuzzi. - Estava todo encarquilhado. Foi feio.

- O que é que fizeram? - Tenho uma providência cautelar.

Temos de praticamente morrer, para a Polícia fazer alguma coisa.

Aposto que é o Wendell.

Reggie.

Que Wendell?

Wendell Akimoto. Viveu na vossa casa.

Era um homenzinho muito irritado.

Foi por isso que queríamos comprar a casa, para poder escolher os vizinhos.

O banho dela não me surpreendeu, ele foi despejando a água.

A sério! Eles têm de lá viver.

Não faz mal. Vamos substituir a banheira, de qualquer maneira.

Desculpa ter levado tanto tempo a convidá-los, mas ando em turnos este mês.

Querida, eles estão de fora.

Peço desculpa pela minha mulher, trabalha em televisão.

É de onde te reconheci, do Crenshaw 112.

E o Reggie faz as acrobacias.

Com licença.

Estou bem.

Parece que viu a tua série.

Talvez tenha sido a carne grelhada.

Não, mal lhe toquei.

Talvez estejas...

Podemos não falar nisto agora?

Não me sinto muito bem.

Está bem.

- Boa noite. - Boa noite.

112. Qual é a emergência?

Alguém está a atacar a nossa casa.

3520, Point View.

- O intruso está no interior? - Não sei.

Preciso que encontre um lugar seguro e aguarde assistência.

Já vamos a caminho.

- Estás bem? - Sim.

112. Qual é a emergência?

Estou? Está aí alguém?

Ora bem, comece pelo princípio.

Eu ia buscar água, quando vi algo à janela.

Se faz favor. Posso ajudá-lo?

Viva. Detetive Stark.

Vivo no bairro, na Cochran.

Vejam o que o gato nos trouxe.

O gato já cá esteve antes.

Este homem envia-nos coisas desde que nos mudámos.

Bilhetes, encomendas...

Quer-nos daqui para fora.

Ou quer assustá-los.

Bem, está a resultar.

Tem alguma coisa na boca.

“Caras pessoas, vejo que ainda aí estão.

A pele da rapariga parece jovem e fresca.

Mas não por muito tempo.

Se ficarem, eu volto para lancetar a doença com o meu bico.

Não me culpem, se isso os matar.”

Bom dia. Olha.

O que é isto?

Ficarias surpreendida com o que se faz aqui antes das 11 da manhã.

- Onze? - Sim, senhora.

O código é o nosso aniversário.

Pronto, é o dia anterior.

Então, vais deixar-me aqui?

Querida, nunca te deixaria sozinha.

O Stark está alertado e tens os trabalhadores contigo todo o dia.

Os trabalhadores não vão ficar eternamente.

Esperemos bem que não. Não temos verba para isso.

Vamos apanhar este sacana.

Entretanto, estou a uns meros 20 minutos de distância.

Sem trânsito.

Concentra-te no teu portefólio.

Se vieres para casa e eu estiver morta, vou assombrar-te o resto da vida.

- Tenho de ir andando. - Tem um bom dia.

Desde que nos mudámos, não consigo dormir ou concentrar-me.

Não precisas de desculpas para ligar. Fico contente que o tenhas feito.

E recebemos outro bilhete.

Minha querida...

Há quem não esteja contente com as mudanças no bairro.

Não sei o que fazer.

A-Z-U-L.

Dois.

Uma joaninha! Foste tu que a desenhaste?

É um cocinelídeo. Não são verdadeiros besouros.

Está a mexer-se.

Mikey, deixa a Miss Emma comer um pouco.

Obrigada, não tenho fome.

Que disparate. Chega aqui.

Sabes, tenho uma infusão de ervas que é excelente para adormecer.

Quero batatas fritas.

Não, hoje não há batatas fritas.

Vais comer algo saudável.

- Quero batatas fritas! - Não. Mikey...

Um dia, aquele rapaz não vai parar de correr.

Jeanne, deve ser muito difícil.

É o trabalho mais difícil do mundo.

E o melhor.

E vocês? Esta casa é perfeita para pequenotes.

Nós não... estamos a pensar nisso, agora.

Desculpa. Meti-me onde não era chamada, não foi?

Foram uns meses difíceis, antes de me mudar para cá.

Estavas de quanto tempo?

Último trimestre.

Chamámos-lhe Finn.

Querida, lamento muito.

É o que é.

Achámos que um recomeço nos faria bem.

Pelo menos, era o que esperávamos.

Precisas de mais do que um piquenique.

Chega de desfazer malas e de remodelações.

Precisas de um cocktail, um bom livro e de sol.

Ainda tens aspeto de costa este.

- É o que farei. - É assim mesmo.

ABRE-ME

Alguém viu quem é que deixou isto?

Temos enviado SMS e deixado mensagens há vários dias.

Vou ligar para a agência imobiliária.

Deve andar simplesmente ocupada com o mercado atual.

É dele.

Ele sabe onde trabalho.

Também andamos à procura do Sr. Akimoto.

Parece que se esforçou bastante para não ser encontrado.

Stark, se pudesse...

Peço-lhe que não fale nisto à Emma.

Esperemos que não seja preciso.

Malta, julguei que não vinham hoje.

O que deseja?

Fazíamos isto no final de todos os anos.

Com 13 anos, ele já era mais alto.

Sr. Akimoto?

Esta foi a nossa casa durante 41 anos.

E depois roubaram-na.

Não se vá embora.

Deve estar baralhado.

Recebi o vosso bilhete.

- Não, não mandámos nada. - Mentirosa.

Não. Também as temos recebido.

Explique-me porquê.

Socorro! Socorro!

Socorro!

Socorro! Socorro!

“Caro velhote,

a cabra da tua mulher doente tinha de partir.

Era a única forma de eu voltar para casa.

É uma pena que não tenhas ficado com a lâmina que eu deixei,

mas a casa continua amorosa sem o teu fedor.”

O Corvo mandou-o cá.

Ou isso é o que o Sr. Akimoto quer que pensemos.

Ele tem uma ligação à casa.

Ou foi por isso que a vendeu.

Já sabe alguma coisa da Francine Waters?

Não. Não aparece na agência imobiliária há mais de uma semana.

Enviámos uma pessoa a casa dela. Parece que costuma viajar bastante.

Percebe o que se está a passar, não percebe?

Estamos a ser atingidos.

Não, não faz mal. Sou amiga da família.

Não interessa quem está cá. Vim ver a minha amiga.

Não faz mal, pode deixá-la entrar.

Onde está a Emma?

Vais ficar com aquela mulher?

A Jeanne convidou-me, mas não, vou para um hotel.

Gosto tanto disto quanto tu, mas não temos dinheiro para isso.

Não me vais tentar convencer a não fazer isto, pois não?

Ele entrou na nossa casa, Noah. Tentou matar-me.

Eu sei.

Podemos mudar as fechaduras.

Não são as fechaduras.

É esta casa, detesto-a.

Não, não. Vais tentar fazer-me mudar de ideias.

Devíamos, pelo menos, ter esta conversa em vez de ligares a uma desconhecida.

Caso não tenhas percebido, não tenho mais ninguém com quem conversar.

Vamos apanhar este doido.

E se não apanharem?

Então, levo-te eu mesmo para o hotel, se for o que quiseres.

O que eu quero é estar aqui, nesta casa, como gente normal,

mas aconteceu esta trapalhada.

Eu sei, eu sei.

Vou trabalhar a partir de casa tanto quanto puder.

Desculpem. Fui logo contra ele. Que desajeitada...

Não faz mal.

Jeanne, agradeço o convite, mas vou ficar por aqui.

Tens a certeza?

Ela tem a certeza.

Ataca-me.

Vais matar-me.

Sou um duplo profissional com muito treino.

E só partiu metade dos ossos do corpo.

Pronto.

Acabaste de me partir a espinha.

Sabes, não há vergonha nenhuma em adormeceres no nosso sofá.

Não, estou bem. Obrigada.

Eu também não andaria a dormir nada.

E não ando.

Tenho uma coisa para ti.

- O que foste fazer? - Abre.

Eu...

Ouve, quando tu dormes melhor, eu durmo melhor.

Preparado? Muito bem.

Vamos, Noah. Sim.

É assim mesmo.

DESAPARECIDA AJUDE, POR FAVOR

Foste tu que criaste isto?

Uma parte. Foi o que me tirou do mundo da primeira pessoa.

Não percebi nada do que disseste, mas soou bastante inteligente.

Ela vai ficar bem, meu. São só nervos.

Ainda tenho jeito.

Sabes, não precisas...

... de fazer isto, de me fazer companhia.

Só vim pela cerveja à borla, meu.

Então, está bem. Podemos passar ao uísque.

Assim é que nos entendemos.

Tens a certeza que não queres boleia para casa?

Sabes do que precisávamos? De uma tirolesa, de lado a lado.

- É mesmo isso que vamos arranjar. - Sem dúvida.

- Adeus. - Pronto.

- Boa noite. - Para ti, também.

Emma.

Emma.

Querida.

Querida, levanta-te.

Sou mesmo estúpido.

Querida.

Emma!

Levanta-te!

Emma!

- Emma. - O que é?

Graças a Deus!

- Só queria dizer boa noite. - Boa noite.

Podes adormecer.

- Estou? - Stark, ele está aqui.

Ele está cá em casa.

Estão os dois em local seguro?

- Creio que sim. - Muito bem. Não saiam daí.

Vamos mandar ajuda.

ABRE-ME

“Caras pessoas...

... para onde forem, a praga acompanha-os.

Levei o vosso menino...

... e levarei qualquer outro pequerrucho que entrar nessa casa.

Garanto-lhes que o que a cegonha trouxer...

... o Corvo levará de volta...

... em pedaços.”

ASSINADO, O CORVO

Bom dia. Ficaste acordado até tarde.

Sim, bebi demasiado uísque.

Aquele chá pôs-me mesmo a dormir. Devias tomá-lo, esta noite.

Sim, talvez experimente.

Detetive Stark, já lhe ligo.

Quero agradecer-lhe por não ter falado da outra noite.

Compreendo o que estão a passar. A sério.

Mas o secretismo não ajuda em nada a sua mulher.

Passámos por um mau bocado, há uns meses, e a última mensagem...

... tê-la-ia deixado mesmo de rastos.

Já ponderaram umas férias?

- Quer ver-nos a fugir? - Não é isso que estou a dizer.

Se partirmos agora, daremos a este sacana exatamente aquilo que ele quer.

Além disso, estamos com algumas dificuldades financeiras.

Muito bem, oiça. Vou destacar um polícia de segurança para o vosso quarteirão.

Mas isto não significa que devam baixar a guarda.

DESAPARECIDA

Pronto, pronto.

Para. Tenho de recuperar o fôlego.

- Mikey, deixa a Miss Emma parar. - Estás tu.

Estou em baixo de forma.

Esta casa está a dar cabo de mim.

Tirei a licença de agente imobiliária, antes de me tornar enfermeira.

Posso ajudá-los a vendê-la.

Acho que ninguém ficava com ela.

Os Akimotos não mencionaram nada e vocês também não deviam.

Não faríamos isso a ninguém.

Foi só uma sugestão.

Quem é que alinha numa corrida? Vamos.

Na verdade, estamos na linha de chegada. Amanda, esta é a Jeanne.

- Espere. Acho que a conheço. - Passo aqui diariamente, com o meu filho.

Não, não. É de outro lugar. Nunca me esqueço de uma cara.

Antes que me esqueça, na sexta-feira, chegamos uma ou duas horas depois.

O Noah tem um prazo.

Apareçam quando quiserem. A porta está aberta.

O que há na sexta-feira?

A Amanda entra numa série.

Que não obrigo ninguém a ver. É só uma desculpa para beber.

É atriz? Que glamoroso!

É uma maneira de ganhar o meu... às vezes.

E você, o que faz?

Mikey?

Mikey?

Levaram-na. Levaram-na. Desapareceu.

- Põe isso para baixo. - Desapareceu.

Põe isso para baixo.

Tivemos de desmontá-la. Era muito perigosa.

Não quero saber!

Vamos acalmar-nos.

Dá-me isso. Está tudo bem.

- Estás bem? - Sim, estou bem.

Está tudo bem.

Odeio-te!

Desculpe, Miss Emma.

Não faz mal, querido.

Desculpe.

É um miúdo grande. Podia ter-te magoado.

- Ele não tem culpa. - Tens razão, ela é que tem.

Ela ganhou o prémio de Mãe Regional do Ano, duas vezes.

Foi o que ela te disse?

A Jeanne angariou milhares de dólares para o Mikey andar em escolas especiais.

Ela sabe o que faz.

Falaste-lhe no Finn?

- Porquê a pergunta agora? - Falaste?

Ena.

Nós não podemos falar nele, mas tu falas dele a uma perfeita desconhecida?

Ela perguntou se íamos ter filhos, Noah.

Nem foi bem uma conversa.

Já temos demasiado em que pensar, não precisamos daqueles dois.

Acho que devíamos vender a casa.

- Não podemos. - Porquê?

Seria um banho de água fria.

Como o do proprietário anterior?

A Jeanne pode ajudar-nos a vendê-la.

Não gosto dela, está bem?

Podem fazer caminhadas juntas, mas não a quero mais aqui.

Porquê? Acho que estás a ser ridículo. O que é que ela te fez?

- O que é? O que se passa? - Onze mil dólares.

Afinal, fomos nós que pagámos a porcaria toda que temos no alpendre.

Eu trato disto, sim? Mas...

Não envolvas a Jeanne.

Tira-os de mim.

Tira-os. Tira-os de mim.

Tira-os de mim.

Tira-os de mim.

Querida, querida.

Tira-os de mim.

- Tira-os de mim. - Querida, para.

Desculpa. Vou levar-te daqui.

Ouvi dizer que os percevejos são de Este. Devem tê-los trazido com vocês.

Se não têm a certeza, podemos ficar num hotel.

Já deste uma volta por aqui? É tudo arrendado à hora.

Isso tudo vai diretamente para a lavandaria.

Eu posso ajudar.

Não vais tocar em nada senão numa bebida.

- Nem deves saber usar a máquina de lavar. - Dá um desconto ao homem.

Vou dar. Ficas tu a dobrar a roupa.

Tenho de dobrar?

Não pode ser...

Olá, Jeanne.

Viva. Passei por tua casa

para me desculpar pelo comportamento do Mikey, no outro dia.

Não faz mal.

Nem estamos em casa.

Tivemos um problema de percevejos

e decidimos viajar para norte, durante alguns dias.

Bem merecem. Algum sítio divertido?

Não, só viemos passear, sem destino certo.

O que achas de eu publicitar a casa, enquanto estiverem fora?

Para vender?

Só para sondar o mercado.

Mencionei o assunto a um médico, no trabalho.

Ele adora esta zona.

Estamos longe de pensar nisso.

Há mais interessados?

Não, não há mais ninguém.

Não gostava nada que voltasses atrás no que disseste.

Nunca disse que íamos vender.

Bom, eu compreendo, mas ofereci-me para fazer um favor.

É óbvio que não queres a minha ajuda.

Estou a ser má companheira de viagem.

Podemos almoçar juntas, quando regressar.

Almoçar? É isso que tu fazes com os teus amigos de Hollywood?

- Como? - Cresce e aparece, Emma.

Fiz alguns ajustes nas nossas contas.

Da conta da reforma?

Só para cobrir o próximo mês, mas recuperamos.

Estive a pensar e vou ficar com a minha irmã, por uns tempos.

Querida.

Eu...

Não consigo pensar. Não... Não sei o que se passa comigo.

Sinto-me a ir abaixo.

Ela disse-me que pagava o bilhete, por isso, não te preocupes com o dinheiro.

Podemos falar sobre isto ao jantar?

Sim, mas já me decidi.

VEJAM A MINHA ÚLTIMA ENTRADA!!

ABRE-ME

- Querida, já te ligo. - Está bem.

Não! Eu não sou... Não sou o Corvo! Eu não sou o Corvo.

Por favor, oiça.

Oiça.

Nunca gostei de falar ao telefone.

Sempre achei difícil avaliar as pessoas, não estando cara a cara.

Devia saber que estavas a tentar ajudar.

Não, percebo a pressão que estás a sentir.

Não precisas que a aumente.

Estou a perder o controlo, Emma.

Tentei escolas e conselheiros e não sabem o que fazer com ele.

E eu também não.

E o pai dele?

Andei anos atrás dele.

Quer saber ainda menos do Mikey do que de mim.

Cheguei a pensar numa escola interna.

Mas o Mikey viu o panfleto e teve um ataque.

Às vezes, receio o que ele me possa fazer.

Aqui está.

É tudo o que me resta.

ABRE-ME

O que é, uma espécie de confissão?

Provas.

E um pedido de desculpa por lhes ter vendido a nossa casa.

Recebemos um bilhete por semana, durante três longos anos.

Mas esse foi o menor dos nossos sofrimentos.

A Gladys...

... estava lúcida, mas precisávamos de ajuda.

Até que ela começou a ver coisas.

Demónios nas paredes, segundo dizia.

Perdeu o apetite, o cabelo...

... e o juízo.

O tempo todo, a enfermeira que contratámos...

... esteve ao lado da cama dela, a matá-la lentamente com bondade.

Não.

Eu deixei entrar o Corvo.

Aquela mulher envenenou a minha esposa.

Tive de chamá-los, sabe disso.

Não sabe do que ela é capaz.

Só querem fazer umas perguntas. Diga-lhes exatamente o que me disse.

Vá salvar a sua mulher, Sr. Curtis, antes que seja tarde demais.

Não!

Pronto.

Excelente.

Fala a Emma. Não posso atender. Deixe mensagem.

Emma, atende.

É a Jeanne. Foi sempre a Jeanne.

Liga-me, por favor.

Vês aquela pequena, com uma risca verde?

- Sim. - É minha.

Compraste-a?

Aceitaram a minha oferta, ontem.

Ao pensar na vossa casa, deixei-me levar um pouco pelos sonhos.

- Nem sabia que estavas à procura. - Ando a poupar há anos.

A guardar tostões, a cortar cupões, à espera da altura certa.

As pessoas não dão a devida importância a uma boa casa.

É só isso que interessa.

Talvez a mudança de ares dê alguma paz de espírito ao Mikey.

Más notícias?

Está tudo bem?

Emma? Emma.

Mikey.

- Mikey, tens de vir comigo. - Onde está a minha mãe?

Ela... Ela disse-te... Ela quer que venhas comigo.

Vamos comer gelado. O que achas?

Mikey. Onde é que estás?

A tua mãe não está bem. Anda.

- Ela castiga-me. - Não, não.

Mikey? Mikey, chega aqui.

Mikey, ela disse-te para inventares a história do homem na casa da árvore?

- Mikey. - Mãe!

Mãe! Mãe!

Mikey.

O que é que lhe disseste?

O que é que disseste?

Está bem?

É como se ela estivesse na minha cabeça...

... a debicar-me o cérebro.

O Stark vai encontrá-la.

Sra. Curtis, podemos conversar?

O que lhe vai fazer?

Tudo depende da substância e da quantidade de veneno que ingeriu.

Encontrámos vestígios de tálio e de sais de banho, no sangue dela.

Sais de banho?

É conhecido que causam alucinações e comportamentos paranoicos.

Será preciso tempo, para que saia tudo da corrente sanguínea da sua mulher.

Não! Não! Não!

Socorro!

Socorro!

Ajudem-me, por favor!

Meu Deus! Por favor!

ABRE-ME

Alguém!

Caras pessoas...

... fiquem com o que não lhes pertence e sangrarão.

Aqui está uma velha amostra, como prova da minha sinceridade.

Tenho-os observado, pacientemente, por dentro e por fora.

LOCAL DE CRIME

É óbvio que não estiveram a ouvir.

O Corvo não os avisará novamente.

Como é que não a encontram? Passa por aqui quase todos os dias.

Andámos de porta em porta.

Ela já não vive neste bairro.

Já não vive?

Na verdade, não vive aqui há mais de 50 anos.

Fomos ver os registos dos Akimotos.

Ao que parece, compraram esta casa numa execução

a uma família chamada Gordon.

- É a casa dela. - Não, não é. É a nossa casa.

Esta mulher tem de viver em algum lado.

Tenho um plano, mas preciso da vossa ajuda.

Tem a minha ajuda, mas a Emma vai apanhar um voo.

Não, não vou.

Vou ficar e certificar-me que esta cabra paga pelo que fez.

Mikey.

Fiz algo especial. São os teus preferidos.

Decidi esquecer tudo o que fizeste.

Deixemos o passado para trás.

Olá. Telefonou para os Gordons. Por favor, deixe mensagem.

Olá, Jeanne. É a Emma.

Queria pedir desculpa pelo outro dia.

Não sei porquê, não tenho andado bem da minha cabeça, ultimamente.

Vou ver a minha irmã, mas decidimos pôr a casa à venda.

O Noah insiste que façamos uma open house, mas gostava que tivesses uma oportunidade.

Por isso, espero ver-te. É amanhã, ao meio dia.

Não te ias embora sem provar um, pois não?

Disse-te que a minha licença de agente imobiliário seria útil.

Mas não vendas a casa.

Lamento, querida. Estamos a analisar várias propostas de compra.

Ele vai acabar por se deixar matar.

Temos muitos olhos treinados por perto.

Não, ele arranja maneira.

Ela é demasiado inteligente para cair nesta.

Esperemos que o desespero a convença.

Muito bem, Sr. Washington. Está na hora.

Não lhe dê coragem.

Atenção a todas as unidades. Fiquem atentos a uma carrinha vermelha,

de final dos anos 90, matrícula 21-AB-345.

Posição um, entendido.

- Aqui tem. - Obrigada.

Sabe, via-a uma vez...

... a ajudar a Sra. Akimoto.

Nunca me esqueço de uma cara. Com a pressa, nem lhe perguntei o nome.

Se soubéssemos sempre o que se passa na casa dos vizinhos,

não haveríamos de querer viver em lado nenhum.

Senhor, temos um veículo que corresponde à descrição do suspeito

a aproximar-se de Point View.

Muito bem. Mantenham a distância até termos a identificação confirmada.

Avancem.

Esperem. Esperem!

Mikey.

- Conhecemo-lo. Ajudem-no. - Para baixo. Conhecemo-lo.

Mikey.

Chame uma ambulância.

Não sei se me consegues ouvir.

Estive num quarto destes, não há muito tempo.

Era para ter sido o dia mais feliz da minha vida.

Tivemos um filho, chamava-se Finn.

Mas não pude levá-lo para casa, naquele dia.

Isso não te vai acontecer.

Tu vais ficar bem.

E eu vou certificar-me que nada de mal te volta a acontecer.

Eu juro.

Só de pensar o que ele terá passado...

... com aquela mulher...

E agora, não tem ninguém.

Tem-nos a nós.

Julgo que estamos todos sem casa, esta noite.

Suponho que sonhei demasiado alto connosco, meu passarinho.

Vemo-nos em breve.

Canta um tom e meio

Com o bolso cheio de centeio

Vinte e quatro melros Foram cozidos numa tarte

Quando abriram a tarte Os pássaros cantaram

E foi esse o prato delicado

Que apresentaram

Ao rei

Emma, para trás.

Noah!

Não!

Para! Não. Não.

Poupei durante 40 anos. Era para ser minha.

Tens a certeza que não queres que entremos contigo?

Só eu.

Estamos cá fora, sim?

Gelado?

Sim. Já escolhi o sítio e tudo.

Ele consegue.

Sim. Mas não sei se eu consigo.

Claro que sim. É para isso que me tens.

Lamento, Mikey.

Pela última vez, mãe, é Michael.

Não podes manter a fantochada para sempre.

Não sei.

Sem os comprimidos que me davas, posso mesmo vir a melhorar bastante.

- Nunca te dei nada. - Não é verdade.

Quando me tiraste a possibilidade de uma educação para pagares a tua casa estúpida,

deste-me o Mikey.

Vê onde ele chegou.

Como é que pudeste fazer isto...

... à tua mãe?

- Forçaste-me a isso. - Mas foste longe demais.

O quê?

Ao envenenar pessoas? Não.

Isso foste tu, mãe.

Ambos sabemos que não cozinho.

És um monstro. Nunca mataria ninguém.

Porque te falta perseverança.

Quanto eu tinha oito anos... Ou teria nove, quando andaste atrás daquele médico?

O que achavas que era o meu pai.

Percebi uma coisa.

És uma falhada.

O que havia eu de conseguir da vida contigo?

O jovem corvo sabe que, para crescer, tem de abandonar o ninho.

Vou dizer-lhes tudo o que fizeste.

Vou cortar-te essas asinhas débeis.

Sei que vais tentar.

Por isso, vim cá hoje.

Para te fazer pensar bem nesse esforço todo.

O Noah e a Emma convidaram-me para viver com eles.

Vão ficar perplexos com os progressos que farei.

Serei um verdadeiro milagre.

Direi que é porque estou longe de ti.

O veneno dela enevoava-me a perspicácia.

Seremos uma família muito feliz.

Mas supondo que consegues chamar a atenção de alguém...

... que alguém venha investigar.

Podem mesmo vir novamente fazer perguntas.

Isso pode perturbar o Mikey...

... o rapaz estranho que os vizinhos acolheram.

É uma pena que tenha incendiado a casa com as pessoas no interior.

Um acidente trágico.

Nunca contaram com tal coisa.

Quero que penses muito bem, mãe...

... no sangue que já derramaste.

Não gostaria nada de ter de derramar mais.

Eles saberão. Certificar-me-ei que saberão.

O que se passa, Jeanne? Disseste que querias outra casa.

É ele. Foi ele. Foi ele. Foi o Mikey. Foi ele.

Não. Ele atirou-se contra uma parede.

Nunca lhe bati. Nunca lhe toquei.

Os bilhetes foram uma ideia dele.

O Mikey é o Corvo!

Diz-lhes. Foste longe demais. É ele!

Mikey.

Por favor.

Diz-lhes.

Caras pessoas...

... dizem que o lar é onde está o coração...

... e depois procuram-no entre paredes...

... nos relvados, nas aparências.

E esquecem-se de todos os que os rodeiam.

A vossa negligência é uma praga que derrubará as vossas paredes.

É por isso que aqui estou.

Para os fazer lembrar.

Para curar a indiferença com medo e terror.

As vossas cercas brancas não os conseguem proteger.

Porque o Corvo está sempre na vigia.

Sempre.

Canta um tom e meio...

... com o bolso cheio de centeio.

Vinte e quatro melros...

... foram cozidos numa tarte.

Quando abriram a tarte...

... os pássaros cantaram...

... e foi esse o prato delicado...

... que apresentaram ao Rei.

E foi esse o prato delicado...

Tradução: Ana Ferreira

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