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Original subtitles

Oi. Ol�!

Angi!

MAR�A �NGELES MOLINA "ANGI" TER� CUMPRIDO SUA SENTEN�A

ALGUNS MESES AP�S O LAN�AMENTO DESTA S�RIE DOCUMENTAL

Angi � acusada de tentar cometer o crime perfeito.

UM CRIME PERFEITO

DEZENAS DE PESSOAS SE RECUSARAM A CONCEDER ENTREVISTAS

Assassina!

O promotor est� pedindo 24 anos de pris�o.

Ela tinha mania de grandeza.

Dizia que se casaria com algu�m rico,

algu�m com dinheiro.

Todo o dinheiro n�o era suficiente para ela.

Ela criou um personagem que n�o existia.

Ela construiu uma vida de fic��o.

Pensar nela me d� calafrios.

ASSASSINA SE PASSOU POR OUTRA POR DINHEIRO JOVEM ACHADA MORTA

Ela tem um olhar como se estivesse poupando sua vida.

AP�S 2 ANOS DE INVESTIGA��O,

REUNIMOS OS RELATOS NECESS�RIOS PARA CONTAR ESTA HIST�RIA

Roubo de identidade, grande quantidade de dinheiro,

pistas falsas e um assassinato.

Voc� queria dinheiro, por isso matou Ana P�ez?

Era muito manipuladora.

Ent�o, se n�o est� acostumada � manipula��o, voc� cai.

� um monstro. Tenho um monstro em casa.

ANGI: CRIME E MENTIRA

No dia 21 de fevereiro de 2008,

o Dep. de Homic�dio me ligou,

e me disseram que tinham encontrado uma pessoa morta em um loft,

no bairro da Gr�cia.

RUA CAMPROD�N

Naquele dia, a pessoa que estava no apartamento ia fazer check-out,

e os novos h�spedes estavam chegando.

O check-out � �s 11h da manh�

para as hospedagens tur�sticas.

No in�cio, achei que era um rapaz que estava b�bado.

Para mim, tinha se embebedado � noite e estava dormindo.

Agora, a previs�o do tempo para hoje.

No sul da prov�ncia�

Ainda estava l�, e pensei: "N�o estou gostando disso."

"Oi. Tudo�" Ele n�o respondia.

Ent�o, sa� e chamei a pol�cia.

Para que viessem e averiguassem.

A equipe de homic�dios foi ao endere�o.

O que encontramos foi um loft com um c�modo �nico e um quarto em cima.

E, em cima do sof�, estava o corpo nu

de uma mulher.

Ela tinha um saco pl�stico na cabe�a,

preso em torno do pesco�o com fita isolante.

LAUDO FORENSE PARA REMO��O DO CORPO

Era um apartamento que se aluga por hora, por dia.

N�o sei por que, mas achei muito limpo. Ent�o comentamos.

N�o havia roupas, malas ou documentos da mulher.

COZINHA

Nem sinais de viol�ncia no corpo, pelo menos n�o visualmente.

Lembro que havia um par de botas pretas ao lado do sof�

e uma peruca preta ao lado da cabe�a dela.

Fez parecer que talvez fosse um jogo er�tico envolvendo asfixia.

Uma pr�tica sexual que acabou mal.

O ato de sufocar a outra pessoa para alcan�ar um maior prazer.

Sobre o cad�ver, havia um tipo de subst�ncia, j� seca.

Achamos que podia ser s�men.

O que, de in�cio, sustentaria a hip�tese de que o assassino poderia ser homem.

Neste caso, havia s�men de duas pessoas.

Ent�o cortamos o tecido e enviamos ao laborat�rio.

T�nhamos um cad�ver n�o identificado.

E, para n�s, era vital saber quem era essa pessoa.

Naquele momento, a �nica informa��o que t�nhamos para conseguir uma pista,

para identificar o corpo, era o aluguel do apartamento.

Quando falamos com as pessoas que tinham alugado o loft,

descobrimos que havia um contrato de aluguel.

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com

O apartamento foi alugado no nome de Ana P�ez Capit�n.

Checamos o banco de dados e encontramos familiares

que tinham notificado o desaparecimento da filha, da namorada�

Eles n�o tinham not�cias dela desde o dia 19 do mesmo m�s.

E confirmamos a identidade dela por fotografias.

VISTA FRONTAL DA CABE�A

MUITA FITA ADESIVA?

Os familiares dela�

confirmaram que sim.

Que o corpo encontrado no loft da rua Camprod�n

era o da namorada, da filha, Ana Mar�a P�ez Capit�n.

Toni, o irm�o, no mesmo dia, no dia 19, conversou com ela quando estava no trem,

porque, naquela �poca, Ana estava trabalhando em Matar�.

Mas ele n�o notou nada estranho.

Falei com a Ana no dia em que ela desapareceu.

Estava saindo de Matar� ap�s o trabalho.

E me disse que ia se encontrar com uma amiga para jantar.

Acho que para mostrar um loft que tinha alugado.

Mas ela disse ao namorado que ia se encontrar com Angi.

Com uma ex-colega de trabalho, �ngeles Molina.

O local de trabalho da Ana era uma empresa t�xtil em Matar�.

Angi tinha sido chefe dela numa outra empresa t�xtil

onde ambas trabalharam.

DEPOIMENTO

Ela foi uma das pessoas que veio prestar depoimento.

�LTIMA PESSOA A VER ANA P�EZ COM VIDA

Ao chegar � delegacia, informamos que hav�amos achado o corpo da mo�a.

Perguntamos se a conhecia, pois foi uma das pessoas

a ter contato com Ana Mar�a P�ez

durante as �ltimas horas de sua vida.

Em seu depoimento, ela nos disse que n�o tinham se encontrado.

Disse que recebeu uma liga��o de Ana, a v�tima,

dizendo: "Vai na minha ideia."

"VAI NA MINHA IDEIA"

Queria nos convencer que tinha uma vida dupla

e a estava usando como �libi.

Achava que ela tinha um amante.

Ela mostrou o celular com o registro das chamadas.

Acho que foi �s 19h55.

Mar�a �ngeles disse que recebeu a liga��o da Ana

enquanto voltava de Zaragoza.

Ela tinha ido a Zaragoza buscar as cinzas da m�e que tinha falecido.

Achamos que ela tinha falecido h� poucos dias.

Percebemos que ela era uma pessoa dif�cil de se conversar.

Ela cortava as frases, ria,

como se n�o entendesse a gravidade.

Tivemos que repassar seu depoimento v�rias vezes.

Durou duas horas. Ela nos deixou nervosos.

NOME: MAR�A �NGELES MOLINA FERN�NDEZ

Angi � uma pessoa que morava num apartamento de alto padr�o.

VE�CULOS: 4 ESTADO CIVIL: VI�VA

Ela tinha v�rios carros, inclusive um Porsche.

E circulava em c�rculos sociais com dinheiro.

ANOS 80

Sua m�e era dona de casa, e acho que costurava.

O pai era taxista.

Eram pessoas modestas, mas trabalhadoras.

Ela quis sair de casa porque n�o suportava os pais.

Eu morava em um apartamento na zona alta.

Ela foi morar comigo. A verdade � que nos d�vamos muito bem.

Conheci a Angi em uma boate em Barcelona.

Na �poca, era moda comprar uma garrafa inteira.

No bar, se comprasse uma garrafa inteira,

isso te dava mais status.

Se dissesse que queria uma garrafa, eles te atendiam primeiro.

Ent�o, a garrafa nos uniu.

�ramos unha e carne.

Ela gostava de dinheiro.

Nos restaurantes, gostava de pedir o mais caro.

Gostava de aparentar.

Ela se importava com o que diziam dela, com a apar�ncia.

A primeira vez que soube que estava numa rela��o com um homem,

foi quando, um dia, ela apareceu com um casaco de vison e um Cartier.

Eu disse: "O que � isto?" Ela disse: "Conheci algu�m, e ele me deu."

� isso, ela sempre dizia que ia se casar com um homem rico.

Sempre achou que se casaria com algu�m com dinheiro.

Angi conheceu Juan nas Ilhas Can�rias.

Juan era o gerente do bar The Garage,

o n�mero um da zona tur�stica da Playa del Ingl�s, em Maspalomas.

Era um homem atraente. N�o fumava, n�o bebia.

Encantador, ele era encantador.

Muito elegante, muito cavalheiro, respons�vel,

uma pessoa de confian�a, uma pessoa trabalhadora

e empoderada com o que se comprometia a fazer.

Muito centrado. Sempre muito pontual. Sempre atento a tudo.

Cumpria suas obriga��es, pagava a todos sem problema.

Era uma pessoa de bem.

Juan!

O bar faturava entre 1,5 a 2 milh�es de pesetas,

que seriam uns 12 mil euros por dia.

A noite � a noite.

Era muita gente viciada. A noite � pesada.

Por isso, ficamos surpresos com a nobreza de Juan.

Era um rapaz que n�o fumava, n�o bebia, n�o usava drogas

e gostava de esportes.

Meu irm�o era muito conhecido.

Estava sempre em clubes esportivos, gostava de jogar futebol.

Uma das principais caracter�sticas do Juan � seu sorriso

e sua capacidade de fazer amizades.

Uma madrugada, saindo do The Garage,

ele estava em um t�xi e viu um acidente.

Era a Angi.

Ele saiu do t�xi e a levou para o hospital.

Ele a conheceu por acaso, por causa de um acidente de carro.

Acho que ele a resgatou da estrada.

E como Angi n�o conhecia ningu�m aqui nas Can�rias,

Juan ia visit�-la no hospital.

Ele come�ou a ir todos os dias porque gostou da garota,

e foi assim que a rela��o come�ou.

Ela disse que era filha de um tabeli�o

e que n�o trabalhava, pois ganhava uma mesada de um milh�o de pesetas.

Que a fam�lia dela era muito abastada.

Que eram aristocratas,

que o pai era magistrado.

Ap�s se conhecerem, ele a apresentou como namorada.

Eles terminavam e voltavam.

No mesmo ano, alguns meses depois,

ele ligou para a minha m�e para avis�-la que tinha se casado.

Minha m�e ficou chocada.

E disse: "Com quem se casou?"

Ela n�o tinha nem ideia.

Ele disse: "Como com quem? Com a Angi."

Deram uma festa em Gran Canaria, e os pais dela n�o vieram,

pois achavam, segundo ela,

que Juan n�o estava � altura da filha de um tabeli�o.

N�o tinha ningu�m da fam�lia dela.

Eram todos do c�rculo do Juan.

E isso chamou aten��o, n�o?

Pouco ap�s se conhecerem,

Juan a apresentava como namorada.

Uns meses depois, se casaram.

Juan comprou uma casa, se mudaram,

e em seguida nasceu a beb�.

Eu estava no parto e filmei tudo.

Fiquei at� tonta vendo a beb� sair. Estava segurando a c�mera�

Quase tiveram que cuidar mais de mim que dela.

Na �poca, fomos l�, a visitamos.

Quando a beb� nasceu, ele se dedicou muito.

Era apaixonado por ela.

Era um pai amoroso,

carinhoso, afetuoso,

muito dedicado � filha.

No auge de sua vida profissional,

no auge de sua vida econ�mica.

Ol�, pessoal. Como v�o?

As roupas da Angi. Ela tem muitos sapatos, como eu.

Acho que ela se acomodou um pouco com o Juan�

para ter esse n�vel de vida.

Ela queria se parecer com a esposa do Manolo,

o chefe do Juan.

Angi queria ser igual � Eli, ter o mesmo estilo de vida que Eli.

Angi tinha inveja dela.

Ela era uma mulher cujo marido tinha muito dinheiro.

Ela merecia o dinheiro e a classe.

Gran Canaria � um lugar pequeno,

e �ramos clientes na Loewe.

Eli e Manolo ainda mais.

Ent�o, disseram � Eli:

"A mulher do dono do The Garage esteve aqui."

N�s nos entreolhamos e dissemos: "Quem era?"

"Sim, uma mo�a ruiva, Mar�a �ngeles, sabe?"

"Mas a mulher do Manolo sou eu."

Eli e eu rimos e brincamos

que Angi queria roubar a identidade.

Foi uma premoni��o.

Eles n�o tinham um bom relacionamento no casamento.

Era vis�vel o quanto maltratava os amigos do meu irm�o.

N�o falava bem deles.

Esse tipo de coisa o incomodava.

Um dia, estava fazendo um churrasco em casa.

Ele foi com ela,

e ela foi brincar com minha filha.

Juan come�ou a xingar de um jeito que n�o vou repetir.

"Ei, para com essa merda, vem ficar com a gente."

E outras coisas.

Ele era muito fria.

Ela sempre mantinha dist�ncia e sempre desconfiava de tudo.

Tinha umas manias.

"N�o vou comer esse presunto, pois n�o foi cortado com faca.

Vou devolver."

Era como se estivesse em um n�vel superior.

Ela tratava todos como servi�ais.

Est�vamos fazendo compras em Can�rias.

Ela agiu muito mal comigo no Corte Ingl�s.

�amos comer no restaurante, e me disse pra sentar em outra mesa.

E Juan n�o permitiu.

"Como manda sua amiga sentar em outra mesa?"

"Olha como est� vestida."

Eu tenho meu estilo,

e n�o � a roupa que te faz ter classe, me entende?

Ent�o, claro, ela me fez chorar naquele dia.

Ele estava apaixonado, pois ela era manipuladora.

Quando estava com ela, ela conseguia o que queria.

Meu irm�o sempre confidenciou coisas ao meu pai, que sempre o apoiava.

O �nico conselho que deu a ele foi: "Se voc� a ama, voc� a ama."

Quando tive not�cias dela ap�s um tempo,

Angi me ligou e disse: "Voltei pra Barcelona."

Eu disse: "S�rio? Como assim?" Ela disse: "Sim.

Porque o Juan morreu." E eu: "Como?"

Eu atendi ao telefone e disse: "Oi, Angi."

E ela disse: "Seu irm�o morreu."

O que estamos comemorando hoje?

Parab�ns pra voc�!

Foi uma trag�dia terr�vel.

Muito dolorosa.

Foi quando a hist�ria da nossa fam�lia mudou.

Ningu�m via nada suspeito, mas eu via coisas que n�o faziam sentido.

A quest�o principal foi como ela mudou radicalmente

ap�s a morte do meu irm�o.

Ela fechou tudo nas Can�rias

e foi viver uma vida nova em Barcelona.

Tudo nos levava a pensar que a situa��o era estranha.

N�o era o comum.

A princ�pio, pensamos ter sido um jogo sexual,

mas que tinha acontecido algo mais aqui.

Algum ato criminoso.

As informa��es do contrato de loca��o, al�m de um nome,

tamb�m inclu�am um endere�o residencial.

INFORMA��ES DO H�SPEDE

Rua Balmes, 308.

Conversamos com os moradores do apartamento.

Era um casal que morava l� fazia anos.

N�o faziam ideia de quem era Ana P�ez nem nada.

O pr�dio tinha um porteiro.

E ele disse que andava recebendo correspond�ncias

para esse nome, Ana Mar�a P�ez.

Acontece que o porteiro guardou umas cartas.

Uma era de uma empresa telef�nica. Acho que Movistar.

Foi quando vimos que havia liga��es

feitas para v�rias ag�ncias de seguros.

A outra carta era de um banco,

referente a um empr�stimo.

VALOR TOTAL

Acho que de uns 15 mil euros.

Um empr�stimo que, na �poca, se conseguia sem fiador.

Imediatamente, grampeamos todos os telefones ligados � Ana P�ez.

Analisando as liga��es,

deduzimos que ela tinha ligado a v�rios gigol�s, profissionais de sexo.

Pessoas oferecendo sexo por dinheiro.

Encontramos duas pessoas

que se lembraram de uma mulher

que havia pedido servi�os um tanto estranhos.

DIA DO DESAPARECIMENTO DE ANA P�EZ

�s 9h55 da manh�,

houve um saque de 600 euros da conta.

A quest�o � que ela estava no trabalho e n�o havia registro de sa�da.

A partir da�, o pr�ximo passo foi contactar

o Dep. de Seguran�a do banco

e checar se havia imagens nas c�meras de seguran�a.

E vimos uma mulher entrando nessa ag�ncia.

Ela tinha cabelos pretos lisos at� os ombros,

e notamos que ela levava uma bolsa pendurada no antebra�o

da marca Louis Vuitton.

Quando mostramos as fotografias �s pessoas que alugavam esse loft,

reconheceram a pessoa de cabelo liso

como sendo a que havia feito a reserva e o pagamento antecipado.

Mostramos as fotografias ao namorado de Ana.

Ele disse que n�o era Ana Mar�a, n�o era a namorada dele.

Olhando para a foto, eu disse:

"Essa n�o � a mulher que prestou depoimento ontem?"

Carlos disse: "N�o � a Ana P�ez. Essa mo�a � a Angi."

Sim, exatamente. � a Angi.

Mar�a �ngeles Molina se tornou a principal suspeita e a investigada.

Foi o divisor de �guas, por assim dizer.

Algumas pessoas pr�ximas �s v�timas perguntavam constantemente

se t�nhamos progredido na investiga��o,

se j� t�nhamos algum suspeito.

Ent�o, o namorado de Ana sugeriu, perguntou,

se podia falar com Mar�a �ngeles para ver se tirava algo dela,

se ela estava envolvida.

Esse tipo de ajuda � bem-vinda,

porque ele colaborou muito, sabe?

Ele se encontrou com Angi para falar com ela num fast-food.

Claro que enviamos membros da equipe,

para ter certeza de que n�o haveria problema

e para escutar a conversa que eles teriam.

Durante a conversa,

ele disse que a pol�cia tinha mostrado fotos de uma pessoa

entrando num banco para sacar dinheiro da conta da Ana

e que essa pessoa n�o era a Ana.

Isso a deixou nervosa, muito nervosa.

A cor do rosto mudou. Ela se levantou e disse que precisava ir.

A partir da�,

vimos que tudo se acelerou um pouco.

N�s a vigi�vamos para ver se contactava algu�m,

para ver com quem se relacionava.

Como ela tinha um carro de luxo, n�s o identific�vamos rapidamente.

Ela dirigia bem?

Dirigia r�pido.

Dirigia muito r�pido.

Nossos carros n�o eram t�o potentes, ent�o era dif�cil segui-la.

At� que um dia,

enquanto a segu�amos,

n�s a vimos entrar numa companhia de seguros na Av. Diagonal.

Sa�a de uma e entrava em outra.

Ia dirigindo o Porsche, parando e fazendo suas transa��es.

Desses 10 ou 12 seguros de vida,

a maioria era de 150 mil euros.

Era cerca de um milh�o de euros.

Todos em nome de Ana P�ez,

no caso da morte de Ana P�ez.

Todas essas companhias de seguro estavam num raio relativamente perto

da casa de Mar�a �ngeles,

do loft onde o corpo foi encontrado

e nas imedia��es da Av. Diagonal.

Tomamos depoimentos de funcion�rios.

No meio de uma das conversas e depoimentos,

um deles mencionou

que essa pessoa usava uma peruca.

No dia em que removemos o corpo, encontramos uma peruca preta.

Era a peruca que ela usava para fazer os saques,

para ir aos bancos

e tamb�m para fazer os seguros de vida em nome de Ana P�ez.

Angi e minha irm� n�o se pareciam.

Nem com peruca, nem de qualquer outra forma.

Ent�o n�o entendemos como os bancos deram a ela

tantos empr�stimos sem perceber que n�o era essa pessoa.

Era uma mo�a bem-vestida, chegava de Porsche e o parava na porta.

Imagino que ela aparentava ser confi�vel.

T�nhamos provas para acus�-la de roubo de identidade e fraude.

Mas n�o t�nhamos certeza de que eram provas suficientes

para conden�-la por homic�dio, por assassinato.

�LIBI EM ZARAGOZA

O �libi de Mar�a �ngeles foi a viagem a Zaragoza.

Ela tinha ido a Zaragoza buscar as cinzas de sua m�e que tinha morrido.

Presumimos que tivesse falecido h� poucos dias.

FUNER�RIA

DIA DO DESAPARECIMENTO DE ANA P�EZ

Entramos em contato por telefone com o gerente da funer�ria,

e ele confirmou que Mar�a �ngeles havia ido buscar

as cinzas da m�e dela.

Achei estranho ela ter demorado um ano para vir buscar as cinzas.

A m�e dela morreu em 2007, e ela s� veio buscar em 2008.

Pedimos os dados dos ped�gios autom�ticos

e, em um dos ped�gios de ida a Zaragoza,

o Porsche havia passado.

Mas n�o voltou.

N�o tinha registro de pagamento da volta.

N�o passou pelo ped�gio. Voltou por outro lugar.

Entre Barcelona e Zaragoza s�o 300 km,

duas horas e 45 ou tr�s horas,

no limite de velocidade.

Mas ela teria tido tempo de ir, voltar, assassin�-la e ir para casa.

�LIBI EM ZARAGOZA

Come�amos a considerar,

com a autoriza��o da ju�za, a realiza��o de uma busca e apreens�o em seu domic�lio.

N�s a abordamos e nos identificamos como policiais.

"Temos que realizar uma busca em seu domic�lio.

Por favor, nos acompanhe."

MANDADO DE BUSCA E APREENS�O

ENDERE�O DA ANGI

Lembro-me de muitas cartas e documentos. Nenhuma casa tem tantas.

Encontramos extratos banc�rios,

uma fotoc�pia da identidade de Ana Mar�a P�ez Capit�n.

Encontramos uma peruca loira.

PERUCA LOIRA

Eu me lembro do guarda-roupa, da sapateira, das roupas dela.

Uma cole��o de bolsas de luxo.

At� comentamos que poderiam ser falsas.

"Devem ser imita��es." E ela disse: "N�o tem nada de imita��o."

Ela ficou indignada. Disse que era tudo verdadeiro.

N�o � normal agir assim enquanto sua casa � vasculhada.

Ela nem se abalou.

N�o era normal,

pois estava sendo acusada de um crime grave,

a morte de uma pessoa,

e ela nos olhava com arrog�ncia.

Achamos a embalagem do cart�o que vinha com o chip

do telefone que ela usou para alugar o loft na rua Camprod�n.

Foi o celular que ela usou para se passar por Ana P�ez.

Em um dos arm�rios embutidos, me lembro de um vidro de clorof�rmio.

Poder�amos supor que, devido � aus�ncia de sinais de viol�ncia,

tanto no corpo

como na cena�

Ana n�o p�de se defender e n�o se defendeu.

INSPE��O VISUAL

N�o h� nada mais importante do que colocar a pessoa

na cena do crime.

Tinha uma mensagem de texto na hora dos acontecimentos.

Colocou Angi a 300 metros da rua Camprod�n,

que � a cena do crime.

Ela esteve l�.

Paralelamente, nossos companheiros da per�cia

acharam um fio de cabelo na peruca que estava ao lado de Ana P�ez.

Isso nos forneceu DNA, que posteriormente comparamos.

Pela an�lise, vimos que correspondia ao cabelo da Angi.

AMOSTRA

Gra�as ao DNA, pudemos colocar

a autora do crime na cena do crime.

Ent�o, t�nhamos uma pessoa como a autora do homic�dio de Ana.

Mas, supostamente, ela havia tido rela��es sexuais com dois homens.

Ela n�o queria sexo.

Ela tinha feito uma aposta com uma ou mais amigas,

que transaria com um gigol�

e, para provar, teria que levar o s�men deles.

Fizemos um reconhecimento fotogr�fico

e identificaram Mar�a �ngeles Molina como quem contratou os servi�os.

Evidentemente, o s�men que achamos na cavidade bucal e na vagina da v�tima

era desses homens.

N�o t�nhamos certeza do tipo de pessoa com quem est�vamos lidando.

USURPA��O - MANIPULA��O FALSIFICA��O - ASSASSINATO

Isso refor�ou as evid�ncias de que ela era respons�vel.

Ela foi detida pelo assassinato de Ana P�ez.

Angi � acusada de tentar cometer o crime perfeito.

Segundo o promotor, ela asfixiou a amiga e tentou fazer parecer estupro,

uma morte casual em uma orgia com dois homens.

Minha irm� me ligou e disse: "Liga a TV."

Isso ap�s ter feito empr�stimos se passando pela amiga

e de ter resgatado uma ap�lice de seguro ap�s sua morte.

Soube da garota em Barcelona porque saiu em todos os jornais.

Saiu em todo canto.

Quando disseram quem�

Mar�a �ngeles Molina Fern�ndez, ou Angi,

� acusada de roubar a identidade de sua ex-funcion�ria, Ana Mar�a P�ez.

Silvia me ligou e disse: "Veja o que aconteceu com a Angi."

Naquele momento, eu pensei: "Bem, as desconfian�as que eu tinha,

todas as d�vidas que eu tinha come�aram a fazer sentido."

Virou uma caixa de Pandora.

Em seguida, as pessoas daqui que n�o fal�vamos h� tempos,

entraram em contato,

e pensamos que tudo o que tinha acontecido�

tudo o que t�nhamos pensado e conjecturado�

� um monstro. Tenho um monstro em casa.

Era tudo estranho, muito estranho.

E a� come�ou outra hist�ria.

Meu amigo, eu acredito em tudo isso.

Foi uma pista que seguimos e que nos surpreendeu

porque n�o sab�amos o que �amos encontrar ao final.

23 DE NOVEMBRO DE 1996

Aten��o, todas as unidades.

Recebemos a confirma��o de que um corpo foi encontrado

em uma casa em Maspalomas.

Solicitamos refor�os para remo��o do corpo de Juan Antonio �lvarez Litben.

Legendas: M�nica Guiselini

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