Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Há 70 anos, algo especial começava.
Fórmula 1, homem e máquina em perfeita sincronia.
Forçando um ao outro até o limite.
Apoiados por equipes, visando o degrau mais alto.
- O jogo se chama vencer. - Buscando a perfeição.
O caminho nem sempre foi tranquilo.
Nos maravilhamos com grandes momentos.
Nos fizeram sorrir.
Chorar com nossos heróis.
Testemunhar incrível bravura.
E grandes tristezas.
Momentos que nunca mais serão esquecidos.
Por 70 anos, este foi o Everest deles.
Isso é o que os torna especiais.
Esta é a história da Fórmula 1.
OS QUE DECIDEM CAMPEONATOS
O novo circuito no Monte Fuji, cenário do último
Grande Prêmio de Fórmula 1 de 1976,
aquele que decidiria o Campeonato Mundial.
Os organizadores o construíram para uma batalha de gigantes
entre o austríaco Niki Lauda
e o britânico James Hunt, de 29 anos.
Eu era o líder dos pilotos
brigando pela segurança o tempo todo.
Havíamos discutido a corrida de Nürburgring
naquela temporada em Long Beach.
Eu disse aos meus colegas:
"Pessoal, os carros estão tão velozes
que não temos mais condições de ir para Nürburgring.
Devido à segurança, todo ano perdemos um ou dois homens.
Precisamos garantir que não aconteça mais."
A maioria dos cinco pilotos concordou,
pois eles investiram muito dinheiro.
Então eu concordei, 100 por cento, fui junto com a maioria.
Sem mais discussões.
NIKKI LAUDA SOFREU GRAVES QUEIMADURAS APÓS UM ACIDENTE
NO GP DA ALEMANHA EM 1976, EM NÜRBURGRING.
APESAR DE TER QUASE MORRIDO, ELE SE RECUPEROU MILAGROSAMENTE
E RETORNOU AO GP DA ITÁLIA SEIS SEMANAS DEPOIS.
GP DO JAPÃO, 1976 AUTÓDROMO DE FUJI
Resumindo o campeonato, Niki foi bem no primeiro semestre
e quase morreu no GP da Alemanha
se recuperando milagrosamente.
James Hunt tendo perdido o GP da Inglaterra,
venceu as corridas que antecederam a do Japão
e teve entusiasmo para essa corrida.
E em Fuji, foi algo parecido.
Ficamos parados por horas, pois o circuito estava inundado.
Não achávamos que a corrida aconteceria ou podia acontecer.
James e Niki eram do comitê de segurança
da Associação de Pilotos de Grandes Prêmios.
Aqueles dois na torre de controle, a manhã toda,
discutindo com afinco que não deveria haver corrida,
James e Niki.
Não acho que os pilotos devam correr
e não cabe a eles a decisão final,
mas se os pilotos dizem que as condições são perigosas
e não querem correr, isso deve ser respeitado,
e eles, com certeza, não podem ser obrigados a correr,
e a pista não deveria ser liberada.
Eu disse: "James, isso é loucura, se não corrermos,
você não ganha o campeonato." Ele disse:
"Não, não posso correr, a pista está molhadíssima."
James não queria correr no Japão,
e foi Alastair Caldwell quem lhe disse: "Sente-se no carro,
fique quieto e dirija."
Bernie tentava fazer a corrida para a TV,
e eu tentava fazer a corrida por uma razão óbvia:
não ganharíamos o campeonato sem esta corrida.
E, de repente, são quatro da tarde,
e o diretor da corrida disse que ela aconteceria.
Mas nada mudou. Televisão.
Não era sobre a corrida,
tínhamos um contrato com a televisão.
Simples.
Dissemos que a corrida ia começar naquela hora e começou.
Embora tenha acontecido duas ou três vezes
antes e desde então.
Quando dizem que não devíamos correr e não devíamos fazer isso
ou aquilo,
eu digo: "Se concordamos em correr, vamos correr."
Então começamos a corrida.
É difícil imaginar agora, mas em 1976,
os organizadores pagaram às emissoras
para filmarem a corrida,
e ela estava se tornando cada vez mais emocionante,
principalmente chegando ao final do ano,
quando havia um ponto nela.
De repente, as emissoras disseram:
"Na verdade, não temos a corrida",
e um certo homem deu um pulo e disse:
"Têm razão, vocês não têm."
"Mas eu vou deixar vocês terem,
desde que transmitam todas as corridas do próximo ano."
E esse foi o acordo, e foi isso que colocou a Fórmula 1 na TV.
No mundo de hoje, não teria sido permitido começar a corrida.
Nunca teria sido considerado, as condições eram péssimas.
Então Lauda, do jeito dele, foi muito corajoso.
Pela primeira vez na televisão mundial, Bernie garantiu
que a corrida começasse
porque era um grande evento para a televisão,
a pressão veio e eles disseram: "Começamos às 16h."
Então falei: "Você está maluco, o circuito ainda está inundado."
Por causa da minha responsabilidade pela segurança,
era inaceitável começar a corrida naquelas condições.
O GP começou.
Além dos milhares de torcedores japoneses,
outros espectadores
com interesses pessoais assistem à largada.
Os pais de James Hunt
e sua namorada, Jane Birbeck, assistiram à corrida,
transmitida via satélite, em um estúdio de TV em Londres.
No final da longa reta do pit,
James foi o primeiro na curva, eu estava atrás dele
descendo no final da primeira volta voadora
indo para a segunda, cheguei nesse lago.
Poderia ter pegado uma vara de pescar
e fisgado uma truta de tão grande.
O carro girou, entrou em aquaplanagem,
então juntou tudo e continuei.
Mas as condições,
a visibilidade na fase inicial da corrida,
duvido que uma corrida fosse iniciada
nesse tipo de condição hoje.
Acho que comigo, outros dois ou três pararam,
Fittipaldi parou, Pace parou.
Então, não fui só, mas na condição de decisão,
foi um desastre começar a corrida, por isso desisti.
Então Forghieri foi até ele:
"Niki, podemos dizer que teve um problema com o carro,
já fez tanto por nós, dizemos infelizmente...",
Niki disse: "Não, não conte mentiras.
Diga que resolvi parar porque, nesta condição,
é um absurdo correr na Fórmula 1."
Então, ele foi muito honesto e muito direto como o Niki.
Na verdade, o que ele disse após a corrida foi: "Lamento,
minha vida vale mais do que o Campeonato Mundial."
Ganhei muito mais respeito por Niki por fazer isso,
porque mostrou que a vida dele
era mais importante do que o campeonato.
E olhando para as queimaduras faciais que ele tinha,
ele lacrimejava tanto
por causa disso.
Sua visibilidade caiu para 20%,
e com o que ele estava lidando provavelmente caiu para 5%.
Se alguém girasse em linha reta, você acertaria o cara.
Tanta água, sem visibilidade, aquaplanagem.
Deviam ter atrasado a largada, mas, infelizmente,
coisas assim nunca aconteceram.
E agora eles têm o carro de segurança, eles tomam conta.
Graças a Deus agora as coisas ocorrem em favor dos pilotos.
Mas foi irreal começar aquela corrida.
Tínhamos um sinal permanente que dizia pneus frios,
e James se recusou firmemente a entrar nas poças.
Ele não reagiu. Agora temos todo o resto da pista
com Andretti e Mass dirigindo nas poças,
e James dirigindo firmemente na pista seca.
Ele nunca esteve muito à frente de Andretti ou Mass, ou outros.
Não havia como trazê-lo taticamente para trocar os pneus
e ganhar o campeonato.
Torcemos para que os pneus durassem a corrida.
Eventualmente, ele dirigiu pela esquerda
vazando ar na frente e atrás.
Então, ele entrou com dois furos.
Ele voou muito mais rápido agora com pneus novos,
se aproximando de Regazzoni que devia ter bloqueado a pista
e não bloqueia, Rega sai da pista e diz:
"Vá, garoto, vá",
pois ele foi dispensado da Ferrari.
Ele ultrapassou Rega e terminou em terceiro.
Na primeira volta, ele era o oitavo,
escrevemos "P8" no quadro.
Quando estava em quinto, escrevemos "P5",
na próxima volta, ele foi o terceiro, escrevemos "P3".
Na última, escrevemos "P1", porque ele foi Campeão Mundial.
Ele não prestou atenção a nenhuma dessas informações.
A única coisa que me vem à mente,
está fixo na minha memória,
é que James não sabia
se havia vencido ou não o Campeonato Mundial
após a corrida, até que ele entrou nos boxes
e disseram que ele era o campeão.
Me dê uma bebida.
Nós realmente ganhamos?
Foi Frank Williams que disse a James no pit lane:
"Acalme-se, James. Você acabou de se tornar campeão mundial"
e James estava bebendo Coca no momento e acabou cuspindo.
Ele lutou para vencer, teve uma corrida muito difícil
porque quase não ganhou, terminando na posição certa,
mas ele conseguiu. E é isso.
Então, para mim estava tudo bem, porque tenho que ser objetivo.
Não perdi a corrida, como todo mundo pensa no Japão.
Perdi a corrida porque sofri um grande acidente
e não corri três ou quatro corridas.
Este é o principal motivo,
mas, mesmo assim, fiquei feliz por ele ter vencido.
Fiquei triste por Lauda, mas não acho que ele
ficou triste.
Acho que Lauda ficou feliz com sua decisão,
e porque ele e James se gostavam demais,
ele disse imediatamente que se alguém mais fosse ganhar,
ele gostaria que fosse James.
Festejamos muito, sim, havia muita bebida
e aprontamos bastante.
Tínhamos outras equipes no hotel,
com as quais nos dávamos bem,
Tyrrells, Lotus e Brabhams.
Tivemos uma grande festa,
James demorou muito para se recuperar.
Foi um eufórico James Hunt
que voou para o aeroporto de Londres
onde mostrou um de seus prêmios aos repórteres.
Esse é o seu prêmio?
Sim, é isso que você ganha por vencer o Campeonato Mundial.
NIKI LAUDA GANHARIA O TÍTULO DE 1977 PELA FERRARI
ANTES DE DEIXAR A EQUIPE PARA ASSINAR COM BRABHAM.
ELE SE APOSENTOU NA TEMPORADA DE 1979
COMO BICAMPEÃO MUNDIAL DE F1
Eu precisava escolher alguém que trouxesse
mais do que apenas ser um piloto para a Fórmula 1.
Ser um líder, ter um papel icônico,
não apenas ser um piloto de corrida.
Considerei Niki e liguei para ele dizendo:
"Niki, por que você não volta?"
E conversamos por 15 minutos, meia hora por telefone,
e eu disse: "Por que não pensa sobre isso?"
Então é claro que incomodei,
incomodei e incomodei.
Ron me ligava sempre:
"O que está fazendo? Como vai a vida?"
Era o momento certo?
E então ele me ligou mais uma vez,
eu disse: "Talvez, vamos fazer um teste."
Fui para Donington e fiz outro teste.
Depois de limpar meus sentimentos negativos
em relação à Fórmula 1.
E quando voltei para o carro, começou de novo.
E então eu voltei em 1982.
Senti que meu coração,
depois de dar mais tempo para outras coisas,
ainda está batendo muito forte pelo automobilismo.
E como não dirijo há dois anos, meu desafio pessoal é ver
onde terminaria voltando ao automobilismo
e é isso que vou fazer.
Niki era um piloto incrível,
e eu fiquei preocupado quando ele veio até nós pensando
que iria nos causar problemas,
nos deixar menos soltos, por assim dizer.
Mas, na verdade,
ele nunca fez exigências estranhas à equipe.
Realmente atribuo isso ao fato de que era uma grande equipe.
Tínhamos recursos fantásticos,
direto de Ron Dennis, na verdade,
e nunca quisemos nada.
E, assim, Niki sempre teve o melhor de tudo,
não havia nada do que reclamar.
Então Ron aproveitou a oportunidade para pegar Prost,
porque Prost era o melhor cara da época.
E então, de repente,
eu tinha Prost em meu carro que desenvolvi no ano anterior.
Desenvolvi este fantástico carro turboalimentado da McLaren.
Ele estava preocupado que Prost
fosse o novo garoto, ele era o futuro.
O menino de olhos azuis de Ron e iria receber toda a atenção.
Eu era um grande fã do Niki, eu o via pilotando,
ele era um dos meus ídolos quando eu era mais jovem.
Então, comecei bem, sabe.
E então pensei no começo que tudo bem,
se Prost vier, o francesinho,
eu vou ignorá-lo, é a atitude normal.
Eu dizia para Niki: "Olha, você tem a mim, vou cuidar de você
e nunca vou deixar que você tenha nada menos do que o melhor
que a McLaren pode oferecer.
Você tem a mim, tem seus três mecânicos,
não precisa de mais nada, não se preocupe,
vamos garantir que seu carro seja perfeito.
Vamos garantir que tenha absolutamente o melhor
que a McLaren pode fornecer. E você terá o mesmo que Prost,
então nem se preocupe com isso, concentre-se apenas em pilotar.
Deixe o resto conosco."
Quando fui para a McLaren em 1984,
assinei um contrato número dois.
Eu era o número dois com Niki,
e meu salário também era muito baixo em comparação ao dele,
mas tinha bônus pelas vitórias e pontos.
Prost sempre ficava à minha frente.
No começo, cinco décimos, depois dois,
mas ele sempre foi mais rápido.
Então mudei minha estratégia e disse:
"Tudo bem, não vou alcançá-lo na qualificação.
Vamos trabalhar no setup da corrida."
Ele era um dos pilotos,
talvez o piloto onde poderíamos ter pilotado o mesmo carro.
Mesmo com Ayrton. Ele estava perto,
mas tínhamos algumas diferenças.
E eu só tinha que ser mais rápido do que ele.
Ele dizia: "Esse francesinho é tão rápido."
Ele pode se beneficiar da minha experiência ajustando o carro,
mas não há como eu me beneficiar com sua rapidez.
Então, durante aquele ano, chegamos a Dijon.
Era quase na metade da temporada, GP da França,
Prost liderava por 17 pontos.
Então Niki me disse:
"Venha correr comigo no circuito."
Na saída, ele disse:
"Estou tentando o máximo que posso,
estou fazendo todo o possível para vencer esse francesinho,
mas ele é tão bom e tão rápido."
E ele disse: "Mas não vou desistir,
vou me esforçar ainda mais.
Vou vencer essa corrida e vou vencer o Mundial."
E eu pensei que era uma tarefa difícil.
Você vai ganhar esta corrida e o Campeonato Mundial?
Bem, ele ganhou aquela corrida fortuitamente
porque Prost teve um pequeno problema mecânico.
A determinação implacável era absolutamente incrível.
Me esforcei porque queria vencer essa corrida,
pois estava com poucos pontos. Então, parece que nosso carro,
principalmente no início da corrida, foi muito bem.
E eu pude avançar e finalmente vencer.
GP DE PORTUGAL, 1984 ESTORIL
O GP de Portugal de 1984 foi memorável, para dizer o mínimo.
Fomos para o GP sabendo
que havíamos vencido o campeonato de pilotos
e de construtores, mas o que não estava decidido
era qual dos nossos pilotos
ganharia o campeonato de pilotos.
Aquela corrida foi tão intensa,
todos estavam nervosos,
tentando fazer tudo perfeitamente.
Hoje é bom para mim e não tão bom para o Niki
porque ele começa muito longe de mim,
e é muito difícil tentar ultrapassar,
então vai ser trabalhoso para ele,
mas preciso ter um pouco mais de sorte.
Você vai buscar os pontos para vitória?
Vou para o campeonato e verei o que vai acontecer,
mas se eu conseguir vencer, vou tentar, seria fantástico.
Acho que Niki nunca esteve à minha frente na corrida
quando estávamos competindo, digamos em condição normal.
Mas parei,
tive uma falha mecânica um pouco mais frequente.
Eu estava lutando, muito mais, por causa desses caras,
então ele ficou um pouco atrás.
Prost fora da qualificação
e Lauda não teve um começo brilhante,
caiu um pouco na posição.
Eu estava ficando um pouco desesperado.
Uma pedra quebrou o turbocompressor esquerdo.
Então, eu via o impulso, mas não a força.
Não consegui ultrapassar ninguém na reta,
o que normalmente
teria sido fácil de fazer.
E então fiquei frustrado por não conseguir ultrapassar.
E havia carros me segurando
porque eu não tinha a força de que precisava.
Eu estava naquela corrida, Niki não era o mais rápido,
ele era um jogador percentual.
Foi extraordinário, jamais esquecerei uma corrida em Monza
que eu o alcancei na primeira chicane em minha Tyrrell.
E eu estava tão satisfeito comigo, estávamos
brigando pelo 10º lugar ou algo assim,
tivemos uma sessão de qualificação difícil.
Então ele passou por mim saindo da parabólica.
E olhou para mim.
Estávamos a cerca de 320 km/h...
e ele fez isso com a mão, tipo, o que você está fazendo?
Tínhamos um longo caminho a percorrer,
tínhamos que cuidar dos pneus,
cuidar dos freios, cuidar do carro.
E pensei: "Ultrapassarei você depois".
E meu carro quebrou, voltei para os boxes,
olhei para o monitor e quem estava liderando a corrida?
Niki Lauda, porque ele estava jogando
um jogo longo de que precisava
com os carros naquela época.
Niki ficou longe de problemas,
alcançando as pessoas, uma de cada vez,
gradualmente abrindo caminho de volta para a frente.
Ele teve muita astúcia, experiência
e maturidade para continuar.
Acho que ele subiu para o terceiro lugar,
o que não era bom o suficiente.
E depois acho que foi Nigel Mansell
que caiu nas últimas voltas
que o elevou para segundo.
E então, no final, eu era terceiro
e então Mansell parou com seu problema de freio.
E graças a Deus, terminei em segundo.
Niki conseguiu o seu terceiro Campeonato Mundial
por meio ponto
em Estoril naquele dia.
Ele fez uma boa temporada,
mais consistente, conseguiu vencer,
mas também porque tínhamos um relacionamento tão bom
e era um bom ambiente dentro da equipe,
que nunca tivemos nem um problema sequer em 1984.
O que tem a dizer ao Alain Prost neste momento,
seu companheiro e compatriota ao longo do ano?
Foi o cara mais difícil de vencer. Pelo que sei,
o cara mais difícil, então este campeonato
é o mais importante para mim.
O que vai fazer para comemorar esta noite?
- Primeiro, preciso descansar. - Parabéns.
Perdi o campeonato por meio ponto, mas...
depois de todas as entrevistas e tudo mais,
vamos beber junto com Niki, vamos pensar no ano que vem.
Perdi este ano, mas fiz uma temporada fantástica.
Ganhei sete corridas, não tive muita sorte,
mas estou mais feliz
do que os outros pilotos da Fórmula 1 no momento,
exceto o Niki hoje.
Prost foi incrivelmente positivo na derrota.
Tivemos uma festa inacreditável naquela noite,
e os dois pilotos estavam bastante alegres.
Sempre me senti um pouco decepcionado por Alan Jenkins,
que era o engenheiro de corrida de Prost,
todos estavam eufóricos,
mas, inevitavelmente, Alan Jenkins,
Alain Prost e seus três mecânicos
foram as únicas pessoas na equipe
que ficaram um pouco decepcionadas.
Lembro-me de quando voltei ao hotel e disse:
"Será que um dia vou ganhar um campeonato?"
Porque foram três derrotas consecutivas
por motivos diferentes, mas foi por pouco.
Alain era brilhante, sem animosidade alguma.
É assim que funciona.
Fiz o que tinha que fazer na última corrida,
tenho que ganhar a corrida.
Fomos a Estoril, fomos à discoteca.
Demos uma grande festa. Eu fiquei completamente bêbado.
Isso é bom, porque faz parte do lado humano da história,
a gente se divertiu muito.
AUSTRÁLIA, 1986
Quando chegamos a Adelaide, em 1986,
estávamos prontos para um feriado de cinco anos
porque tinha sido muito político,
tão difícil, um ano tão difícil
com o acidente de Frank em março.
Acidente muito, muito grave, do qual ele saiu,
mas houve um momento em que pensamos
que poderíamos perdê-lo também.
Nigel razoavelmente confortável na liderança de pontos,
com Nelson a alguns pontos de distância,
e Prost logo atrás dele.
Mas quando pensa no padrão que Nelson era,
isso mostra quão bom Nigel era também.
Em qualquer corrida,
há seis ou sete pilotos que ainda podem vencer.
Mas eu sabia que era um dos seis ou sete,
tudo o que você pode pedir
quando está competindo, se puder ser um dos seis ou sete
em um pacote competitivo que tem a chance.
E eu acho que é isso que era tão empolgante
naquela era na Fórmula 1.
Minha melhor temporada foi em 1986.
Essa é a que eu sempre gosto como referência.
Tudo começou mal quando Nelson
deu uma entrevista para a Playboy Brasil,
na qual foi questionado
sobre as diferenças entre ele e Nigel.
Ele disse: "A diferença é que tenho namoradas lindas,
ele tem uma esposa feia"
e, claro, isso foi rapidamente traduzido para Nigel
e você pode imaginar o que aconteceu depois.
Quais serão suas táticas nessa largada?
Garantir engatar a primeira marcha.
Não poderia ter alguém melhor ao seu lado do que sua equipe,
e ele tem que vencer a corrida, então ele estará
se arriscando na primeira curva.
Nigel foi um piloto de corrida muito forte
que foi muito difícil para Nelson Piquet vencer.
Agora vou tentar tirar Mansell para ganhar a corrida.
O que fará com Prost, como você vai tirá-lo?
Não vou, ele vai terminar atrás de mim.
Nelson Piquet e Mansell juntos,
e é uma largada excelente de Nigel Mansell,
Senna passa para a segunda colocação, e depois Piquet.
A Williams Honda estava dominando,
era muito, muito mais rápida do que nós.
Não sei por que sempre confio que poderia ser campeão.
Além disso, eles estavam disputando.
E éramos muito, muito bons.
A única fase daquela corrida foi toda sobre Nigel dirigindo,
ele conseguiu a pole. Então, ele sabia o quão rápido ele era
e o quão rápido ele poderia ser,
mas era tudo sobre terminar em terceiro.
E Nigel não é muito bom em terminar em terceiro,
ele não tinha feito muitas corridas como aquela,
ele corria para vencer.
Isso não é uma coisa fácil, mas ele fez muito bem
e sempre que havia pressão atrás dele,
ele simplesmente deixava o cara ir,
fosse Nelson e Keke Rosberg, foram muito rápidos
na largada e não terminaram.
Rosberg fora! Keke Rosberg está fora.
Sabíamos que teríamos problemas com os pneus,
e tive um pouco de sorte por um motivo.
Fizemos um treino fantástico na sexta-feira e no sábado.
Sabíamos que não poderíamos fazer
toda a corrida com os pneus.
E havíamos planejado uma parada.
Ninguém sabia, exceto a equipe
e o pessoal da Goodyear na época.
Houve uma dúvida sobre se deveria
trazê-los para os pneus ou não,
e eu me lembro do engenheiro da Goodyear vindo até Patrick,
e eu estava parado ao lado de Patrick,
eu vi os pneus na Arrows,
eles estão perfeitos.
Não traga Nigel, ele pode fazer a corrida.
Porque o pit stop sempre foi um risco.
Eu precisava parar e disse: "Estou indo para buscar pneus",
eles disseram: "Não pare."
Eu estava confortável com o ritmo,
e me garantiram que os pneus estavam bons.
Também não tive nenhuma vibração nos pneus porque se eu tivesse,
eu teria entrado direto.
Acho que faltavam 17 ou 18 voltas para o final.
Lembro-me de descer a reta principal,
não estava muito atrás de Prost
e acho que estávamos a 350 km/h
quando houve uma explosão
na parte de trás do carro com um pneu solto.
E olha só! É o Nigel Mansell.
Não tinha dado nenhum aviso, só estourou.
Mansell está fora da corrida.
Agora, isso pode mudar, e mudará o Campeonato Mundial.
Arrancou fora a suspensão e a linha de freio,
e, obviamente, fizemos de tudo para manter o carro
virado para a direção certa
para que eu não fosse direto para o muro.
E aquele campeonato acabou,
perdemos o campeonato por um ponto.
Então, sim, foi um dia muito difícil.
O que dizer?
Acho que Nigel dirigiu exatamente como deveria,
ele não poderia ter dirigido mais devagar,
não poderia ter dado mais espaço ao carro.
E seguimos todos os conselhos
que nos foram dados em relação ao pneu.
Não foi má sorte. Foi uma má decisão.
Eles não pararam por causa dos pneus,
e a falha do pneu não foi
resultado de um furo, estava muito gasto
e simplesmente tomaram a decisão errada.
Tínhamos o pneu estourado do Nigel.
Nelson estava liderando, seus pneus no final da corrida
estavam tão velhos
quanto os de Nigel quando falharam.
E antes havíamos tido algumas falhas de pneus.
A Goodyear alegava que o problema era do carro,
eu disse: "Bem, provavelmente temos
mais potência do que qualquer outra pessoa,
então estamos trocando e usando um pouco mais de downforce,
acho que tudo o que está vendo é que forçamos os pneus",
e eles não responderam.
Então, eu tive que chamar Nelson e trocar os pneus,
porque era uma falha de fadiga nos pneus,
ele estava se aproximando de Alain Prost
e estava a alguns segundos dele quando deram a bandeirada.
E para ser justo com o Nelson,
ele sabia que eu o chamei de uma posição
em que ele ia ser campeão mundial.
Ele nunca me culpou por isso,
porque sabia que havia o perigo potencial
de também uma falha de pneu, então, ele foi muito justo.
Perdeu a corrida, perdeu o campeonato, perdeu tudo.
Alain Prost leva a bandeira quadriculada,
vence o Grande Prêmio da Austrália,
ele vence o Campeonato Mundial!
Às vezes, você sabe que algo vai acontecer.
Eu sabia que essa corrida não seria outra corrida,
mas eu não sabia na época.
Tão difícil para freios, consumo de combustível,
caixa de câmbio, pneus.
Foi muito ruim e tem que ter muito cuidado.
E todo mundo achou que eu parei por causa do furo,
que era verdade, mas estava planejado parar.
Uma corrida muito, muito difícil.
Essa é a minha melhor temporada de todos os tempos.
Foi uma corrida muito acirrada, e Nigel com problema de pneu
infelizmente, e Prost, é claro, teve uma vitória inesperada
para a decepção da Williams.
Depois você se sente horrível ao fazer as malas,
indo para casa,
olhando para a garagem da McLaren,
toda a torcida e eles estão bebendo champanhe
e aquele momento é quando você pensa:
"Você quer mesmo disputar a Fórmula 1?"
Cara, era o começo, não era pela tecnologia
e todo tipo de coisa naquela época.
E, obviamente, sendo 2020,
deveríamos ter feito aquele pit stop.
Apesar do risco, deveríamos ter calçado um novo par de chuteiras
e provavelmente teríamos vencido o Campeonato Mundial.
Foi difícil de aceitar.
Obviamente, foi o mais perto que cheguei
de me tornar campeão mundial.
Mentalmente é muito difícil.
Aquele inverno foi provavelmente o mais difícil que já tive.
BRASIL, 2008
Finalmente chegamos em Interlagos,
e Lewis ou Felipe poderiam vencer.
O que então aconteceu, como sabemos
passou para o folclore do automobilismo,
onde permanecerá para sempre
como uma das histórias mais extraordinárias.
Eu fui pole em 2006, 2007, 2008.
Então, era meu circuito, eu tenho meu povo, meu carro,
minha casa, quando você compete em casa, você compete melhor.
Isso é claro.
No Brasil, eu disputava com um piloto brasileiro.
Então, eu não era a pessoa mais famosa lá.
E então, bloquear tudo isso e permanecer focado
e fazer um bom trabalho
definitivamente não foi fácil para mim na época.
É disso que se trata a corrida,
e eu vim aqui com a intenção de vencer,
mas eu sei que não preciso,
que é um aspecto positivo ter isso em mente.
Aquela corrida foi decisiva para o Campeonato Mundial.
O Campeonato Mundial é ganho ao longo de toda a temporada,
tivemos corridas difíceis
e corridas boas ao longo da temporada
e aquela foi uma corrida onde começamos,
o que não é característico da McLaren,
com base em ganhar o Campeonato Mundial.
Não se preocupando em vencer a corrida.
Considerando que todo mundo queria vencer a corrida.
Então, é uma coisa muito diferente,
é uma experiência gato e rato.
Minha abordagem é, como sempre, não ter nada a perder,
estou em segundo, sete pontos atrás,
no pior caso,
vamos terminar em segundo,
mas precisamos tentar e fazer o nosso melhor.
E tem uma pequena possibilidade, mas se isso acontecer...
Não tenho ideia de como vou me sentir.
Sabe, muita coisa aconteceu no primeiro ano,
e depois chegar ao fim e perder um campeonato por um ponto.
Foi tão difícil para mim me perdoar pelo GP da China.
Na China tem uma última curva realmente estranha.
É uma curva difícil, a 90 graus para esquerda,
é muito mais rápida do que parece
se estiver apenas dando uma volta.
E, além disso, você tem aquela entrada no pit lane muito fácil
de ir direto para a primeira parte
e você freia com força para a esquerda no pit lane.
E ninguém nunca pensou que,
na verdade, é uma corrida de curvas,
precisamos ter um pouco de cuidado com o que fazemos lá,
com os pneus de Lewis bem gastos,
sem muita aderência.
E não há nada que você possa fazer se correr um pouco longe
e foi o que aconteceu com Lewis lá.
Sabíamos que os pneus estavam gastos, tínhamos a liderança.
Falhamos em aconselhar Lewis,
e poderia argumentar que ele
devia ter experiência suficiente,
mas realmente falhamos em avisá-lo sobre os pneus
e quão pouca aderência ele teria
no caso de pegar qualquer superfície molhada,
e ele entrou no pit lane rápido demais.
Tomamos a dor, aprendemos com ela.
E continuamos a lutar outro dia, mas foi decepcionante,
é como eu diria.
Ele poderia dizer que foi um erro de iniciante.
Primeira vez em Xangai,
mas custou o campeonato naquela corrida
e então tudo ficou para o Brasil.
GP DO BRASIL, 2007 SÃO PAULO
Lewis estava à frente, mas estava bem perto.
Teve o Fernando, que teve um segundo semestre muito bom
quando venceu em Monza e levou o Fernando
de volta para onde ele pensava que deveria estar.
Era Kimi fazendo um trabalho
muito bom para a Ferrari ao dirigir bem,
e então havia Lewis,
esse incrível novato chegando e ultrapassando Fernando
e chegando ao Brasil, com uma vantagem que, em teoria,
lhe daria o Campeonato Mundial.
Aquele sentimento dentro de você,
seu coração afundando no fundo do poço,
foi horrível aquele ano.
Eu me senti horrível.
Não dormi durante o fim de semana.
O Brasil é sempre complicado porque o tempo é instável,
estava muito quente e a Ferrari é sempre a mais rápida no calor,
e se está chovendo, às vezes é misturado,
às vezes é intermediário,
às vezes é extremo,
então é muito, muito difícil de julgar.
Ele teve o que posteriormente determinamos ser
um problema hidráulico
com a mudança de marcha.
Na verdade, havia um pequeno fragmento metálico
que entrou em uma das válvulas de controle,
onde eles têm orifícios muito, muito pequenos, e interrompeu
o funcionamento dessa válvula
impossibilitando mudar de marcha.
Após 25 segundos, esse fragmento,
presumivelmente, passou pela válvula
e a válvula limpou e começou a funcionar normalmente.
Lewis só perdeu o campeonato em 2007
porque foram 25 segundos, se fossem 20, ele estaria bem.
Ele teria buscado posições.
Acabou, Hamilton em sétimo,
ganhamos o campeonato por um ponto.
Você realmente sente que a maré está indo contra você,
é muito importante ficar em pé,
manter o peito para cima, continuar tentando.
Experimentar e usar as pessoas
ao seu redor, tentar ser positivo.
Eu tive muita sorte, tive meu pai,
minha família ao meu redor que me ajudou a fazer isso.
Lewis teve aquela decepção,
sete da manhã de segunda-feira ao acordar,
tendo perdido o campeonato
em seu ano de estreia,
teria sido incrível e ele tivesse ganhado
e, em seguida, voltando em 2008 e foi uma espécie de déjà vu.
Eu só tinha que terminar em quinto com a experiência
antes de poder me recuperar daquilo
e fazer um fim de semana melhor, mas coisas diferentes ocorreram
e eu estava correndo contra um brasileiro,
havia muita animosidade,
muita expectativa em torno do Felipe,
e eu era obviamente
um azarão chegando.
GP DO BRASIL, 2008 SÃO PAUL
Lewis estava liderando o campeonato,
mas Felipe Massa, claro,
não tinha nada a perder na frente de sua torcida.
Massa, você está pronto
para fazer História hoje pelo seu país?
Pronto para dar o meu melhor e fazer uma boa corrida.
- Boa sorte. - Obrigado.
Havia um sentimento de redenção potencial para nós
contra o velho inimigo, a Ferrari.
Durante toda a corrida,
estivemos nos controlando e tentando garantir
que terminaríamos na frente em pontos.
Isso exigia um cálculo diferente.
De acordo com quem estava no circuito, etc.
Você está na frente, está ganhando a corrida,
está liderando por uma boa margem,
mas não sabe o que acontece por trás.
E no final, sempre se espera que, talvez,
algo possa acontecer.
Já a chance de Lewis de não chegar
entre os cinco primeiros
é bem complicada porque ele teve um ótimo carro naquele ano.
Se você olhar o histórico do Brasil,
quando chove, normalmente chove
muito forte no final da corrida.
O mais provável é que,
se houver chuva, ela ficará mais intensa.
Aí a chuva caiu três ou quatro voltas para o fim,
e é uma daquelas decisões terríveis,
onde há uma resposta certa,
mas está perto e há uma aposta a ser feita.
Acho que com uma decisão do campeonato,
a pior coisa que pode acontecer
é se as condições climáticas mudarem e chover.
E a resposta certa foi colocar
os pneus de chuva, o que fizemos,
o que os principais pilotos fizeram, mas a aposta
era ficar com os pneus slicks,
o que os dois carros da Toyota ficaram.
Disseram que eu estava fazendo
um ótimo trabalho, estava indo bem,
continue assim.
Há uma chance de Lewis ser o quinto,
talvez algo possa acontecer com ele,
algo vai acontecer com ele, então mantenha sua concentração
e não pense para trás, pense para a frente.
Lewis, ele estava logo atrás de Vettel na Toro Rosso.
Tinha que terminar em quinto para ganhar o campeonato
e fiquei em sexto tanto tempo,
que pude ver meu campeonato indo embora.
Na verdade, eu estava do lado oposto
da Ferrari neste momento,
quando tudo começou a se desenrolar.
E eu estava assistindo à TV,
grudado no Lewis tentando cobrir as posições necessárias.
E ele estava desesperado
porque isso não estava acontecendo.
E ficou claro para nós que, provavelmente,
Lewis não conseguiria
ultrapassar Vettel, portanto,
que ele não conseguiria ser quinto
e que, portanto, a Ferrari e Felipe Massa
seriam campeões.
Naquele momento, eu queria parar com a Fórmula 1.
Ia desistir da Fórmula 1,
porque este seria o segundo ano consecutivo
perdendo um campeonato por uma fração.
O esforço total de uma temporada e o que você tem que fazer
para competir é indescritível.
Mas imagine aquela montanha de esforço
quando você perde um campeonato.
Você sabe que tem que fazer tudo de novo.
É um momento muito, muito difícil, eu diria,
e lá estávamos nós enfrentando outro.
Então, eu ia desistir. Chega. Eu não posso mais fazer isso.
Nunca vou esquecer isso enquanto eu viver.
Então, de repente, quase ao mesmo tempo,
todos percebemos,
olhando para as telas de cronometragem
e os monitores de TV,
que havia um Toyota, não apenas indo devagar,
mas indo muito devagar à frente, o Timo Glock.
Timo Glock herdou a posição na pista porque não parou.
Foi em slicks que ele ficou estranho e desorganizado.
E há uma chance razoável de que na última volta,
ou talvez na penúltima volta, ou talvez na volta
após a bandeira quadriculada, Lewis estará com Timo Glock.
E, de repente, percebemos
que não apenas Vettel, mas Vettel e Lewis,
ambos iriam ultrapassar.
Impossível falar sobre isso sem me emocionar.
Eu tinha decidido antes do momento do Glock,
que voltaria aos boxes,
não queria ficar com o pessoal da Ferrari.
E era tudo uma grande multidão
atrás do pit wall naquele momento
e eu tive que atravessar aquela multidão
para voltar à área da McLaren.
E quando saí da multidão da imprensa, vi no monitor
e vi o momento Glock e pensei: Conseguimos!
Um pandemônio, nós simplesmente
passamos um pelo outro, corremos
para o pit lane pelo pit wall
a tempo de vê-lo terminar daquela forma.
Este é o momento que define o Campeonato Mundial,
que define os pilotos de corrida.
Ele conseguiu!
Felipe Massa já havia ultrapassado
a linha de chegada.
Estamos comemorando a conquista do Mundial,
assim como seu pai, como toda a sua equipe,
sem perceber o que estava acontecendo
algumas centenas de metros atrás dele.
E quando ele percebeu a decepção no campo da Ferrari,
quase não consigo compreender.
A famosa imagem na TV, você não poderia capturar
nenhum outro exemplo melhor
do que é ir da euforia ao desespero.
Não sei se algum dia serei capaz de explicar completamente,
mas foi aterrorizante e,
em seguida, excitante e emocionante.
Foi um caos depois que eu saí do carro, e, de novo,
estava tão esgotado mentalmente e fisicamente durante o ano
e o pensamento de perder, e ganhar, e perder,
foi horrível.
Mas voltar e ver minha equipe
e a experiência com essas pessoas,
todas felizes em compartilhar este Campeonato.
E tudo acontece tão rápido,
eu nunca tive tempo de sentar e realmente me divertir.
Eu estava parando no pit lane, a equipe me dizendo
que Lewis Hamilton havia vencido o Campeonato Mundial,
entrei e parei logo atrás dele.
Sai do carro e, ao me afastar para dar os parabéns a Lewis,
me virei, e o carro estava em chamas!
Pegou fogo, o que foi uma ótima despedida
para aquele carro, realmente foi!
Aproximei-me de Lewis e, sim, disse: "Parabéns, companheiro."
As lágrimas desses sentimentos.
A sensação de ter vencido a corrida em casa.
E eu fiz um trabalho incrível naquele fim de semana.
Então, foi a minha corrida.
E aí a sensação de ter perdido o campeonato na última curva,
como isso pode acontecer?
Então você tem ambos sentimentos,
mas, com certeza,
a sensação da vitória me ajudou muito
a me comportar da forma mais profissional de novo,
porque fiz meu trabalho,
e para mim isso era o mais importante.
Ganhei a corrida e isso foi a melhor coisa que aconteceu,
porque ganhei a corrida
e não poderia fazer melhor do que isso.
Claro, todos nós choramos por Felipe Massa,
tudo que Felipe fez naquele dia,
ele fez com perfeição, venceu a corrida por direito,
vitória perfeita, dia perfeito
nas corridas, exceto por uma coisa,
Lewis também pilotou perfeitamente sob pressão,
sob pressão incrível para ganhar aquele campeonato.
Nessa situação, na última curva da corrida,
na última corrida do campeonato,
foi uma loucura.
Estou muito orgulhoso com minha vitória em casa,
quase o campeonato, mas isso é automobilismo.
Se as pessoas acreditam que houve sorte naquela corrida,
estão completamente enganadas.
Foi um risco calculado, sabíamos que tínhamos que estar
bem posicionados com os pneus no final da corrida,
quase deu errado, mas não deu.
Aí quando eu chego na garagem,
o Rob Smedley entra na sala,
ele começa a me abraçar e começa a chorar,
então comecei a chorar muito, não conseguia parar de chorar.
Demorou muito para esses sentimentos passarem.
Mas também era bom porque era algo
que eu queria botar para fora.
Sabe, como algo que eu estava sentindo, que não era tão bom,
mas foi um bom momento que eu nunca vou esquecer.
Anthony, é o momento
com que você sonhou por tantos anos,
coloque em palavras suas emoções agora.
O que posso dizer? Não consigo dizer nada.
Conte-nos sobre a tensão dessas voltas finais, Anthony?
Eu não consigo encontrar nenhuma palavra.
Ganhar aquele GP junto da minha família foi emocionante
sabendo o que havíamos passado.
Não tínhamos nada para começar,
ir até lá e ficar na frente de pessoas
que têm muito mais do que nós, especialmente para começar,
talvez eles não tenham passado pelo que nós passamos.
Foi uma sensação ótima.
Quando alguém coloca tanta fé, confiança,
esforço e tempo em você por anos,
e finalmente compensa.
É uma sensação linda.
Acho que se olharmos para o final
de uma corrida como a do Brasil em 2008,
o campeonato foi definido no final daquela corrida.
Acho que são esses momentos que nos fazem sentir.
É por isso que amamos esse esporte
que se chama Fórmula 1.
É por isso que amamos essa corrida rumo à perfeição.
Alguma vez alcançamos a perfeição?
Talvez não, acho que nenhum piloto
realizou a volta perfeita,
mas ele certamente alcançou momentos perfeitos,
e um deles foi no Brasil em 2008 para Lewis Hamilton.
Porque somos os campeões do mundo
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.