All language subtitles for etites Coupures 2003.

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Original subtitles

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Pe�o-lhe desculpas

Seu batom � o f�csia 19, de Yves Saint-Laurent?

� engra�ado, � o mesmo que uso. N�o o tenho comigo,

n�o sei onde o deixei.

-N�o, desculpe-me. -Pegue.

Obrigada, sei que isto n�o se faz. Um batom � algo �ntimo.

-N�o quis incomod�-la. -Tudo bem.

Tenho um encontro aqui perto e n�o gosto de ficar sem batom.

Geralmente, n�o me esque�o do batom, mas � uma loucura. Esque�o-me de tudo.

-Realmente agrade�o. -Vamos andando.

At� pedir um cigarro me envergonha, � como se eu fizesse feio.

Esta bem, al�m do mais, n�s nos conhecemos. J� nos vimos.

Uma vez, tive que pedir um absorvente e quase morro de vergonha.

Disse que j� nos conhecemos?

Sim, j� nos vimos.

N�s nos vimos... onde?

Rua da Bretanha, domingo passado.

Voc� estava vendendo revistas, comprei uma, quis lhe dizer algo,

mas vi que n�o estava a fim.

Sim, estava um pouco mal, porque n�o � meu trabalho.

Estava substituindo um amigo.

Bruno Beckmann.

-Voc� o conhece? -Ele fica sempre ali.

Tenho um encontro com ele agora.

Estou um pouco nervosa.

-N�o fumo desde esta manh�. -Quer um cigarro?

Gostaria. N�o me animei a pedir-lhe depois do lance do batom.

Passei corretamente?

-Sim. Tome. -Excelente.

Obrigada.

Voc� ainda � comunista?

N�o sou nada.

Como pode ser comunista, depois de tudo o que aconteceu?

Tudo o qu�? O que aconteceu?

N�o sei, o muro, tudo isso.

Que muro?

Voc� est� me gozando?

-Desculpe-me, mas -N�o precisa ser formal.

O muro est� no passado. As coisas se movem...

e nem sempre no bom sentido.

� verdade. N�o � genial.

O qu�? O que n�o � genial?

Tudo, nada. Em geral.

E Bruno? Voc� n�o lhe perguntou por que � comunista,

depois de tudo que aconteceu?

H� pouco que eu o conhe�o.

Conhece-o a mais tempo do que a mim.

Sim, � verdade. Mas � que n�o quero falar com ele sobre isto.

Talvez mais adiante.

Estou completamente despenteada, n�o estou?

-Quer uma escova? -Sim, por favor.

-Estou num estado de ansiedade. -� o amor. Voc� est� apaixonada.

Estou louca.

Quando eu fico nervosa assim, eu fico vermelha.

Voc� est� menstruada? Voc� est� em seu per�odo?

N�o, claro que n�o.

Est� segura?

Tenho um absorvente, se quiser.

Por que fala assim?

Acha que falei demais? Nunca me dou conta.

Falou isto com Bruno?

Faz-me sentir mal.

N�o, v� ao seu encontro.

Voc� � Gaelle?

N�o sabia.

N�o a conhecia.

Mudaria qualquer coisa, se voc� houvesse me conhecido?

Toma, voc� se esqueceu no banheiro. Na pr�xima vez, tome cuidado.

Eu lhe prometo.

Boa sorte.

Eu quero uma de ida para Turim, hoje � tarde.

Est� me deixando?

Volto por Lyon, dia 4 pela manh�.

Est� me deixando?

-J� n�o precisa de mim. -S� perguntei se est� me deixando.

Basta, n�o fa�a um esc�ndalo.

-Voc� n�o me falou a verdade. -Veja quem fala.

Vai ver sua m�e?

Sim, ela n�o est� bem, voc� sabe.

Quando voc� voltar�?

N�o fa�a esta cara rid�cula.

Eu quem deveria coloc�-la.

Tem raz�o, mas esta hist�ria n�o significa nada. J� acabou.

Tem que acreditar em mim. Voc� acredita?

Pouco me importa. S�o suas hist�rias.

-N�o quero que voc� me deixe. -N�o estou deixando-o, n�o seja chato.

Gerard ligou. Voc� precisa ligar de volta.

Quero que procure meu anel. Espero que n�o tenha ca�do na pia.

N�o sei onde o pus, n�o consegui encontr�-lo

-Que anel? -Aquele de Madrid.

-O que tem uma pedra. -Ah, aquele?

Se n�o encontrar hoje � tarde, quero que o procure.

-Far� isto enquanto estou fora?

Tenho uma ida para Turin �s 17h35,

com retorno por Lyon, dia 4, �s 13h45. Est� bem?

Perfeito.

Esta tarde?

Voc� parte hoje � tarde?

Se voc� n�o me perdoar agora...

Bom dia. Sou Mathilde Fromager, a nova colaboradora de Gerard.

Ah, sim, bom dia!

Desculpe-me, sou desastrada.

-Voc� se cortou? -Um simples corte.

Tentei cham�-lo ontem, deixei mensagens na secret�ria.

Desculpe-me, ainda n�o as escutei.

Gerard quer falar com voc� em Chauvenage. Deve vir comigo.

Fui claro. Disse que faria as corre��es, mas que n�o iria.

Ele sabe. Gosto de trabalhar em casa. Ele tem Berthe para organizar a campanha.

-Voc� lhe dir�? -N�o preciso disto.

Direi que voc� o chamar�.

Quando eu puder, eu ligo.

Se precisar, eu irei. Quer um caf�?

N�o, obrigada. Tenho que verificar os panfletos.

Posso vir busc�-lo amanh� pela manh�? Virei...

virei com o carro.

Voc� vai?

Vai aonde?

H� muito que trabalha com ele?

Sou gerente. Estava dando aula em Lyon II e Genobre.

Estou feliz por n�o dar aula mais. O ensino esgota.

Agora me entregue.

N�o! Faltam dois dias.

De acordo. Amanh�.

At� logo.

Eu amo voc�.

Gerard est� perguntando se voc� quer ch�.

Sim, por favor.

Ent�o, come�amos em terceiro lugar.

Tenho seguidores em Paris. Mas n�o muitos.

Os n�meros mentem.

Seu cheiro � sempre igual.

-Ol�! -Ol�!

O hospital me deixou sens�vel aos odores.

Machucou-se?

Um corte.

Voc� tamb�m � de Paris?

Sou.

Ela n�o fala muito.

Minhas costas doem. � algo que formiga, que sobe e desce. N�o sei o que �.

Voc� n�o tem nada. � a ang�stia. Sempre fica assim, quando est� em campanha.

A �nica doente sou eu. Um privil�gio que cederia de bom grado.

Eu lhe mostro meus desenhos?

-Ol�! -Ol�!

-O que estava fazendo? -Estava l� em cima.

- Ah, n�o, Simon, eu lhe pe�o. -H� um document�rio sobre a Iugosl�via,

-que eu queria ver. -Ainda tem interesse na Iugosl�via?

A justi�a sempre me interessa.

Poderia me dizer onde fica o banheiro?

Ao final do corredor, � direita.

Est� bem.

-Como isto ocorre? -O qu�?

Para Gerard. Quando ser�?

N�o sei.

� muito bonita, hein?

-Mais uma? -Basta, Anne.

Voc� continua linda. Est� rindo de mim.

Se voc� diz, pode ser.

-Isto n�o vai muito bem, vai? -O qu�?

Meu tratamento, veja meu tra�o.

Falta-me seguran�a, tremo. N�o tenho pulso.

-Terminou com Gaelle? -N�o.

Melhor assim. E esta menina?

� uma menina.

� bonita.

Voc� fala como se fosse s� isso.

Deve ser boa de cama.

Acha ruim que eu diga?

N�o acho ruim. N�o suporto.

Voc� � um tonto, n�o entende nada.

N�o h� o que compreender, n�o espero que se fale. � tudo.

Desculpe-me, minhas ideias s�o simples.

Gaelle � uma mulher formid�vel,

Gerard a adora,

ter�amos ficado felizes em rev�-la.

Por que nos trouxe esta pobre menina?

Pensem o que quiserem.

Por que teima em desperdi�ar sua vida.

Vou dizer-lhe porqu�.

-Porque tenho uma foice e um martelo. -Idiota.

Voc� se lembra o anel que dei a Gaelle em Madrid?

O de pedras?

Nathalie o encontrou e colocou no dedo. E lhe parece normal.

Parece-lhe normal, porque me ama. Ent�o � normal.

N�o � uma enfermidade. � idiotice.

Ela � idiota. N�o tem nada na cabe�a.

Exaspera-me.

Eu preciso falar-lhe, dizer-lhe, tirar-lhe o anel violentamente.

Ela vai chorar at� me desarmar, ser� rid�culo.

� rid�culo.

Mas voc� n�o pode compreender, pois n�o sabe o que � a infidelidade.

Acredita nisso?

Conheci algu�m.

Quer dizer que...

-Amo outra pessoa. -Voc�?

Bruno, n�o h� raz�o para se julgar Milosevic?

Do que est� falando? N�o sabe de nada.

Por que n�o conheci a guerra n�o sei nada?

Isto quer dizer que n�o posso dar minha opini�o sobre a depura��o s�rvia?

S� disse que voc� defende os s�rvios porque lhe conv�m.

Porque voc� n�o quer olhar o que sucede aqui, pois voc� nunca lutou.

Lutar aqui? � como na Chechenia.

V� dormir.

Parece relaxado. Feliz.

Terminou com Gaelle?

-N�o. -Melhor assim.

N�o falaram de mim em Paris?

Faz um tempo que n�o vou aos jornais. Por qu�?

Por nada.

Ao final, a �nica coisa que conta, que tem import�ncia

� durar.

-Voc� cr� que estou ultrapassado? -N�o.

Uma boa equipe, uma equipe s�ria, confi�vel,

como Fromager, um tipo surpreendente.

Viu seus suspens�rios?

Assombroso.

Mas, para um favor pessoal, preciso de um verdadeiro amigo,

e s� posso contar com voc�.

N�o sei o que vai me pedir, Gerard,

mas n�o farei nada ilegal.

O que voc� falou?

Disse que n�o farei nada ilegal.

Mont�o de merda.

Lixo de intelectual com pouco conte�do.

Eu o sustento, n�o me fale assim.

Por quem me toma?

Por uma esp�cie de bandido?

Por um lixo de burgu�s pol�tico?

Se tornar a dizer, terminamos. Entendeu?

Simon tem raz�o, voc� est� louco. N�o fico em casa com um louco.

Sim, desculpe-me. N�o v� embora.

Tem permiss�o para porte de arma?

Para estourar minha cabe�a? Claro.

Sou uma esc�ria.

J� n�o tenho nada.

N�o serei conselheiro municipal Anne vai me deixar.

Sei que tem algu�m.

Ah, venha ver meus desenhos.

Sei que ela lhe disse. N�o oculta nada de voc�.

-Conhece o Instituto Larrieux? O laborat�rio? -N�o!

Conheceu-o fazendo an�lises.

Com a desculpa do tremor, vai sempre l�.

Um dia, uma pequena tremida e foi ver um especialista.

Eu n�o gosto dos especialistas.

N�o pense que � algu�m mais jovem.

Esta idiota s� gosta de homens velhos.

Tome, � para voc�.

O que tem aqui dentro?

Palavras, mas as palavras, �s vezes, podem maltratar.

Ver� a cara dele quando lhe entregar isso.

Quando eu lhe entregar?

-Voc� vai me obrigar a..? -N�o o obrigo a coisa alguma.

Pode voltar como veio, com sua menina.

Entenderei, se n�o quiser.

Farei o que quiser, d�-me isso.

D�-me um beijo.

Tome.

Este � o itiner�rio.

-Ele o espera �s 7h. deve ir agora. -Ele me espera?

O tratamento de Anne. Acabamos de falar sobre isto.

Aqui est� meu chap�u de neve.

Bruno deve fazer algo, pode emprestar-lhe o carro?

Preparei comida para todos. Todos se v�o? Perfeito.

Eu voltarei.

Sua amiga foi-se embora.

Como? Foi para onde?

N�o sei, foi-se, � tudo.

Veja o que encontrei no banheiro.

-Voc� viu Nathalie, minha amiga? -Pode ser.

N�o disse coisa alguma?

Pergunto pelo trem, disse-lhe que perguntasse no caf�.

-Posso lhe confiar algo? -A mim?

� de Gerard. Tenha cuidado.

-Que devo fazer com isto? -Guarde-a ou jogue fora.

Por que eu?

Disseram que voc� � de confian�a.

Ah, �? Um homem com suspens�rios � confi�vel?

-Suspens�rios ou n�o. -Voc� chega e j� sabe tudo.

Voc� acabou de chegar e j� conhece todo mundo.

-� incr�vel. -Est� bem.

Est� bem. Est� muito bem.

Praticamente n�o existo. Quem est� ao meu lado?

Minha esposa? O dia inteiro em seu celular.

Dizem que d� c�ncer. Mas o c�ncer, sou eu quem lhe d�.

N�o ela.

E mais, ela � quem vai. Maldito c�ncer.

Tudo isto � lixo.

O que est� acontecendo?

-Voc� vai com ele? -Por que n�o? N�o h� t�xis.

Disse-me coisas am�veis, porque eu estava chorando, entendeu?

-Ele tamb�m escutou tudo. -Desculpe-me eu...

Faremos um concurso?

Pode ser que eu durma com ele, pode ser que eu pegue o trem.

Preciso de dinheiro.

N�o tenho um centavo.

Isto basta.

-Nathalie! -N�o me chame de Nathalie.

Nunca mais me chame assim.

Entrei no quarto, comecei uma carta,

quase escrevo palavras de amor, entende?

N�o me venha com rodeios. Eu n�o posso escrever,

nem falar, nem pensar. -N�o sei o que est� pensando,

o que imagina. -Demasiadamente tarde.

As palavras entraram e me corroem.

Estou carcomida, destro�ada. N�o chegue perto de mim! N�o me toque!

V� para o inferno!

Desculpe-me, senhor. Procuro por...

O mo�o quer telefonar.

N�o conhe�o esse lugar.

Vai ligar para onde?

Para perto daqui, chamarei a cobrar.

Gerard, aqui � Bruno. Se est� a�, atende o telefone.

Aqui diz: passar a ponte, andar 1km,

pegar a segunda estrada � direita,

andei 10kg e n�o achei caminho algum.

N�o sei onde estou, estou perdido e est� tarde.

Senhor? Se me levar, mostro-lhe o caminho.

-Como? -Leve-me e lhe digo como chegar.

-N�o pode simplesmente? -Ligue o carro e eu vou.

Obrigado.

Marie? O que faz?

-Vou-me embora. -N�o, fique aqui.

Sim, eu me vou.

O que faz? E voc�?

-Marie! -Deixe-me!

-Arranque! -O que est� acontecendo?

O que est� esperando? Arranque.

Ele vai me matar, mas n�o me importo.

Vai cortar meus bra�os e pernas com o machado.

-Com o machado? -Sim, ou com a serra.

N�o me importa.

� a rota ou n�o?

Perguntei-lhe se � a rota, est� tarde e tenho um encontro.

-� muito importante. -Sim, entendo.

� muito tarde e tem um encontro muito importante.

� o caminho ou n�o?

N�o sei.

Como que n�o sabe?

Voc� fez de prop�sito.

N�o, n�o foi de prop�sito. Sinto muito, eu tinha que sair.

Estava com um grande problema e era a �nica op��o.

Tem um mapa? Algo?

Muito bem.

Conhece um fisi�?

Um o qu�?

Um fisioterapeuta.

Eu queria fazer. N�o podia ficar l� com eles.

Teremos que regressar at� a ponte.

Vamos.

Est� certa?

Passe a ponte e pegue o caminho.

Ol�?

Maldi��o!

Maldi��o.

Procuro o sr. Verekher.

Onde posso encontr�-lo?

Eu quero sua opini�o, eu estou pedindo-a.

N�o posso.

N�o pode me negar, voc� tem que ter coragem.

Justamente voc� vai me falar de coragem?

Vi sua coragem no passado.

Chega de criticar o que passou.

-Deixe-me em paz. -� uma hist�ria velha.

-Paul? -Bruno?

O que faz aqui?

Quando chegou? Voc� se cortou?

Um arranh�o, n�o foi nada.

Pensei que estivesse em Lyon.

Isto foi h� dois anos.

Beatrice, apresento-lhe um ex-amigo.

-Um traidor. -Voc� fugiu.

Bruno Beckmann, tenho um encontro com o sr. Verekher.

Est� acamado. Teve um ataque � noite.

Est� ferido, sangrando.

Lamento, tive um acidente e n�o estou apresent�vel.

Deixei o carro no bosque. Est� avariado e o carro n�o � meu.

Vem de longe?

De Chauvenage.

Da Vila Chauvenage? A de Gerard Selman, o vermelho?

Sim, ele mesmo e eu compartilho suas ideias.

-Voc� � livre. -Voc� me exaspera.

-Eu sei, Beatrice. -Chega de ironias est�pidas.

Est� em minha casa, seja educado.

Ele n�o � mal educado nem ir�nico.

Sim, porque est� furioso e porque falei de sua coragem.

N�o estou furioso e chega.

Creio que n�o seja uma boa hora, se o sr. Verekher n�o est�...

n�o quero...

Quem sabe voc� pode me...

N�o, eu n�o dirijo. Estou de carona. Quem sabe Henri.

N�o, imposs�vel. Vamos em dire��o de...

Posso chamar a...?

Sim, temos que cancelar o compromisso. E agora?

V� ver. Voc� deve ter fome.

Deve ter sobrado algo. Pedirei que lhe preparem um prato.

-Mostro-lhe o banheiro? -Muito obrigado.

� aqui.

Aqui est� o algod�o e tamb�m curativos.

Que diz seu pai?

� um homem excepcional, magn�fico.

O que chamamos de um verdadeiro m�rtir.

Destes que levam uma luta permanente, dif�cil, terr�vel.

Se preferir, h� tintura de iodo. H� tamb�m �lcool iodado.

O que faz aqui?

Estava fazendo um curativo. Machuquei-me.

Tem um modo curioso de se curar.

Bem, isto � rid�culo.

Dormi vestido. Detesto dormir vestido.

Al�m do mais, detesto que me vejam de meias.

Vou cal�ar-me.

Ainda est� ali?

-Queria dizer algo. -Nada de desculpas, por favor.

As desculpas me cansam.

Ano passado, tive uma embolia pulmonar.

Sou obrigado a dormir com isto.

Sofro risco de apneia.

Viu meu nariz? Estou desfigurado.

Ainda por cima, este neg�cio n�o funciona bem.

Parece que est� vazando.

Tenho algo para voc� da parte de Gerard Selman. Sou sobrinho dele.

Concorda com ele?

Sobre o qu�?

Sobre a enfermidade de Anne.

N�o sei o que pensa.

Est� bem?

-Est� bem? -Deixe-me em paz.

-V�-se embora. -Escute-me.

Nada de nada. Nenhuma amea�a me assustou. Voc� pode lhe dizer.

Ele est� acabado.

Est� se matando. V�.

-Espere! -Desculpe-me, tenho que dirigir.

Fique, por favor. Devo lhe escrever uma resposta.

Preciso de um momento.

Diga a Beatrice.

Devo pensar o que lhe dizer.

Boa noite.

-Voc� � gentil. -N�o diga muito que sou gentil.

Sinto, Bruno, est�o nos mandando embora.

Como um filme, o �ltimo que vi.

Vamos tentar nos encontrar.

Eu lhe mando um e-mail.

A gente troca e-mail

Adeus.

N�o poder� ir antes do meio dia.

Se voc� quiser, h� um quarto.

Obrigado. Posso telefonar?

Sim, � ali.

Gerard, � Bruno. Lamento, acabei com o carro de Anne.

Dormirei onde voc� me mandou.

Pode mandar algu�m me buscar?

Espero que receba esta mensagem.

De qualquer sorte, vou ficar aqui.

"PALAVRA DADA"

� salm�o de cativeiro, da melhor qualidade.

Este gato.

Obrigado.

Se puder se conformar com vinho tinto.

Nuria lhe mostrar� o quarto. Boa noite.

Vi seu pai.

Voc� o acordou?

Voltou a dormir, ou est� tentando.

N�o quer ser incomodado.

Como o achou?

-Em que sentido? -Sa�de.

Custa a se adaptar ao tubo de oxig�nio.

Fora isto, forte como um touro

e encantador, como todos aqui.

N�o quis...

N�o � nada.

Estou um pouco cansada.

N�o sou muito agrad�vel, nesse momento, eu sei.

Desculpe-me.

Voc� � amigo de Paul?

Fui muito amigo.

Depois que ele se mudou para Lyon, perdemos o contato.

Aconteceu algo entre mim e ele, algo idiota.

N�o pensei que ele se ofendera. N�o sabia que estava por aqui.

Ele e Henri foram colegas de faculdade.

-E eu estou cheia. -Por qu�?

Porque ele me ama e eu n�o o amo.

Causa-me asco.

N�o tenho nada contra sua pessoa,

mas fico incomodada que trema quando me v�. � muito chato.

� verdade que voc� � comunista?

Por qu�?

Paul � cat�lico, eu creio.

Fomos amigos, n�o camaradas.

Como pode ser comunista? Depois do que aconteceu?

-O que aconteceu? -O muro.

O muro est� longe, as coisas se movem.

N�o neste sentido.

Como pode saber?

N�o sou idiota.

Tudo pode voltar.

A noite passa e e o sol volta.

O sol, que sol?

O sol de outubro.

Eu a divirto?

N�o.

Apaixona-me a vis�o planet�ria e hist�rica.

-Gostou? -Uma del�cia.

-Voc� quem cozinhou? -N�o, n�o entendo nada.

Quer caf�,

ou ver seu quarto?

Acompanha-me?

Como?

Devo levar o lixo e n�o quero ir sozinha.

Deve estar exausto.

Voc� preferiria que eu o tivesse levado?

N�o, devo voltar a ver seu pai amanh�.

Aonde vamos?

Voc� diz meu pai, mas ele n�o � meu pai.

-Sou sua enteada. -Enteada?

Minha m�e foi sua segunda esposa.

Foi?

Morreu h� 3 anos.

Acidente de trabalho.

Era hidroge�loga.

Houve um deslizamento de terra e ela foi tragada pela montanha.

Naquele maci�o que se v� em frente.

� terr�vel.

Era uma mulher magn�fica.

Magn�fica em todos os sentidos.

Queria conhecer tudo, ia a todos os lugares,

e n�o tinha medo de coisa alguma.

O oposto de mim.

Eu sou uma burguesa.

Voc� se incomodaria de passear um pouco?

� bonito.

Creio que data da Guerra dos 100 Anos.

Um lugar maravilhoso.

Para mim, traz muitas recorda��es.

Muitas alegrias.

Por que me olha assim?

N�o sei. Como olho voc�?

Eu o canso com minha m�e maravilhosa e minhas recorda��es. Falo muito.

-Em absoluto. -Sim, falo muito.

N�o tenho com quem falar. Aqui, cortei la�os com todos.

Em meio a todo este �dio.

� nisto que acredita?

De modo geral, sim.

Pobre Paul.

Estou farta do toda esta gente.

Cuidado, pois escorrega.

D�-me sua m�o.

Vou mostrar-lhe algo.

Voc� quem fez psiu?

N�o, n�o fui eu.

Uma dama branca!

Deve haver outras.

Meu cora��o est� disparado. Olhe minhas m�os.

O que queria me mostrar?

J� n�o importa.

� isto.

N�o sem quem gravou, � antigo.

Sempre disse que se tratava de mim. Acreditava que havia uma s� Beatrice.

-E era eu. -� normal que acreditasse.

-Voc� � gozador. -�s vezes.

Desculpe-me.

Foi a ave.

-N�o me toque. -N�o a toco.

Algo se move.

D�-me a m�o.

Algumas vezes, queria ser cega.

Estou certa de que teria mais paz.

-Acredita nisto? -Sim.

As pessoas os deixam tranquilos, e os respeitam.

S� tive esta sensa��o uma vez, em um santu�rio.

-Que santu�rio? -Em todos.

� seu pesco�o?

Sim.

� o meu pesco�o.

E esse, � seu pesco�o?

Acenda. Acenda, estou dizendo.

-O que faz? -Pe�o-lhe desculpas.

Foi minha culpa.

N�o fique a� como um espantalho.

N�o, este � meu copo.

Seu erro � me considerar.

Estou errada?

N�o sei. Como a considero?

Mal! Cale-se, deixe-me falar. Devo expressar-me.

Voc� me v� como uma.

Uma?

Acha que n�o trabalho. Ainda que n�o pare�a, sou licenciada em Hist�ria.

Tenho doutorado em Hist�ria da Arte. Sou especializada.

Sou totalmente especializada.

Sabe o que � uma caixa de rel�gio Lu�s XIV?

J� ouvi falar, n�o tenho muita certeza.

H� uma no quarto de Etienne. N�o a viu?

N�o sei.

Uma pe�a muito cara.

Eu fiz com que comprasse, um excelente investimento.

N�o sei se posso falar de investimentos com voc�.

N�o, por�m podemos falar de beber outro copo, por exemplo.

Voc� quer me embriagar?

Por que n�o?

Por favor!

Por favor.

Deveria manter-me s�bria, mas n�o sei se quero.

-Por qu�? -Porque n�o.

Voc� me conhece?

N�o tenho nada a lhe dizer.

Est� louco?

Voc� foge com minha mulher e n�o tem o que declarar.

Deve estar me confundindo. Ele pensa que eu parti com ela.

Entendo como se sente, mas n�o tenho nada a ver.

Ah, n�o? Voc� � de onde? N�o � daqui.

Olhe-me nos olhos quando eu falar com voc�.

-De onde voc� �? -De Paris.

N�o me surpreende.

Fedor. Paris tem cheiro caracter�stico. Conhece-se de longe.

Olhe esta gola. Repugnante.

-O que fez na m�o? -Cortei.

-Profundo? -Foi.

Se eu lhe disser para irmos conversar l� fora, diria que � profundo?

Sim.

Muito bem.

Parisiense tamb�m?

-Esque�a-o -Pergunte-me.

De acordo. Venha aqui.

Algum problema?

Vamos.

Cale-se.

N�o disse nada.

Voc� fala consigo mesmo e eu escuto.

Que dom maravilhoso! O que escuta?

Est� envergonhado.

Tenho vergonha.

Sem d�vida.

Tome.

Ainda est� sangrando.

Este cara pode estar enfermo. Nunca se sabe.

De acordo. Sou burguesa e reajo como tal.

-Somos diferentes. -Sei que lhe causo asco.

Voc� me cansa com suas grandes palavras.

Admita que tem medo, como todo mundo.

� loucamente vaidoso.

O que � isso?

Nada.

Um anel nunca � nada.

Sou fascinada pelos an�is.

-De quem �? -De minha esposa.

Voc� me d�?

Pode ficar.

N�o o quero. Mete-o no rabo.

N�o � nada, bebi demais.

Tamb�m estou cansada.

-De quem? -De sua opini�o.

Voc� n�o � sua enteada?

Sou sua enteada e tamb�m sua mulher.

Oficializamos ap�s a morte de mam�e.

Fazia um tempo.

Espero que ela nunca tenha suspeitado.

Torturava-me.

Eu tinha um ci�me horr�vel dela e estava louco por ele.

Ele adora estas situa��es. Fez-me sofrer muito.

Sempre com problemas.

� velho, malvado e est� doente.

E agora s� me resta isto.

Voc� disse que se odeia, e eu o que posso dizer?

Entre a fam�lia dele que me detesta e esta casa, eu sou uma prisioneira.

Por que n�o vai embora? Voc� tem uma profiss�o, � livre.

Deix�-lo?

� o que ele mais espera, � o que mais quer.

H� �gua no porta-luvas, voc� poderia me passar?

N�o.

N�o faremos nada juntos.

N�o quero voltar a ser amante.

N�o me deixarei enganar, quero ser mais exigente.

Al�m disso, n�o sei fazer nada.

Como amante, sou nula.

Sou muito passiva e terrivelmente pudica.

N�o tiro nem meu suti� em frente a um homem.

Pare de me olhar.

Advirto-o que isto � tudo.

E n�o se excite, odeio que o fa�am em meu carro.

Pe�o-lhe desculpas.

Amo muito passiva e rapidamente.

� minha receita para ser infeliz.

E esta noite, primeiro dever�amos procurar voltar vivos.

De acordo.

Irei ver.

-Senhor, por favor! -Sim?

Tem um celular? Fiquei sem bateria.

Minha esposa n�o entender� porque chegarei tarde.

O pior � que se eu disser a verdade, me far� um serm�o.

Como se estivesse mentindo.

E quer saber por qu�?

Porque eu...

O que aconteceu?

Pensei em algo. Algo monstruoso.

Ent�o, eu disse que devia ir-me, assim n�o aconteceria.

Nunca volte a fazer isto.

Nem voc�. N�o v� embora desta maneira.

Que pensamento monstruoso era este?

Nada, bobagens.

Sou um pouco louca, sabia?

Sabe para onde vamos?

Conhe�o a regi�o melhor do que voc�.

D�-me um paninho que est� a�.

Obrigada.

-Devo parar. -De novo?

N�o d� mais um passo, � um precip�cio de 800m.

-Melhor? -Sim.

Faz frio.

Sabe onde estamos?

Suponho que em Salete.

Ali � o Santu�rio, ali, o lugar da apari��o.

Ali � onde as pastoras... Como se chamavam?

Melanie e M�xima.

Ali � onde viram Nossa Senhora,

envolta num halo de luz.

-Todos os ver�es, chegam peregrinos. -Imagino.

Uma vez, fui ali, para pensar.

N�o serviu para nada. Tudo continuou igual.

Se eu pedisse para matar meu marido, n�o o faria, n�o � verdade?

N�o.

N�o.

Claro que n�o.

N�o seria t�o est�pido.

N�o o faria para me fazer um favor?

Nem sequer, digamos,

por amor?

Beatrice

N�o fique assim, estava brincando.

Tenho que brincar de vez em quando.

A vida � t�o breve.

Deixe-me.

Tenho frio.

Sinto-me rid�cula.

Devemos regressar.

Por qu�?

Porque est� amanhecendo, � tudo.

Mostrarei seu quarto.

Talvez esteja acordado. Normalmente, ele se levanta a esta hora.

Tamb�m poderia estar morto.

E da�?

Esta Nuria! Disse-lhe que pusesse azul e ela p�s rosa.

N�o sou livre. E voc� tampouco.

Eu sei, Beatrice.

N�o quero um tri�ngulo amoroso.

Que faz aqui?

E voc�?

Sou sua esposa.

Espere!

Esta � a caixa de rel�gio.

Muito bonita.

Pense em mim querido, pense em mim.

N�o vi ningu�m. A Sra. Verekher?

-Ela se foi, senhor. -Como se foi?

Foi-se com o senhor.

-Voc� os viu? -N�o senhor. Deixou-me um bilhete.

Posso v�-lo?

N�o, senhor.

Disse onde foi?

N�o, senhor.

Disse quando regressaria?

N�o, senhor.

Ele devia me dar algo. N�o deixou nada para mim?

N�o sei, senhor.

N�o h� nada para mim?

N�o, senhor.

Nada. Nada dele, nada dela.

Deve haver uma raz�o, n�o podem sumir assim.

Ent�o foi ele?

Eles nem sequer querem que...

Deixe-me ver este bilhete.

Bom dia!

-Faz muito tempo que est� aqui? -S� um momento.

-Chamaram por causa do carro de Anne? -N�o sei.

Ningu�m sabe de nada. Fant�stico.

-Vamos? -Vamos.

N�o posso ir sem saber.

N�o posso desenhar uma linha.

Regressar�?

Ol�!

Est� melhor?

Sim, melhor.

�s vezes, ca�mos num abismo e logo,

a noite passa e o sol volta.

Dormi pouco e n�o sei o que digo.

Querida.

-Venha comigo. -Espere um momento.

-Por que veio? -Sentia-me sozinho.

N�o queria que viesse.

Encontrei seu anel.

-N�o estou s�. -O que quer dizer?

Estou com algu�m.

Com quem?

Com um dos chefes.

O que quer dizer?

Devo desenhar? Estou com ele.

N�o sei o que vai acontecer. S� sei que � muito importante.

E eu n�o quero que ele o veja. N�o pode ficar aqui.

Faz muito tempo?

3 dias.

Ningu�m pode ser importante em 3 dias.

3 dias n�o � nada.

Por favor, n�o me fa�a passar mal.

� para tanto?

Sim.

V�, Bruno.

Por favor, v�. Agora.

Sinto-me mal. Vou cair.

Voc� o ama?

N�o foi de prop�sito. Perdoe-me.

-Tenho que lhe falar. -N�o!

N�o, v�. Por favor.

V�!

-A pessoa n�o estava l�? -Estava.

O que tem na m�o?

� para voc�. Um presente.

Sim.

� bonito.

Tenho que ajust�-lo.

Al�?

Sim, est� ao meu lado.

Onde?

� grave?

Simon est� fora de perigo, mas sua amiga, � s�rio.

-Sinto muito. -Obrigada.

-Bruno. -sim?

-N�o tem nada para me dizer? -Logo.

-Tudo bem? -A meia desfiou.

Est� ali.

Ent�o voc� veio?

Por que ent�o? Acho que n�o teria vindo?

-Sinto-me t�o culpada. -N�o diga isto.

D�i?

Agora n�o.

-Simon ficar� bem? -Claro.

Foi minha culpa.

Eu pedi que fosse mais r�pido.

Estava destro�ada.

-Voc� diz coisas que eu... -N�o.

N�o se culpe.

Al�m do mais, voc� tinha raz�o.

Tudo o que disse, era verdade.

Sim, sou uma idiota.

E agora estou aqui.

Tudo isto s� prova uma coisa:

voc� � uma triste figura.

Eu sei.

Que voc� saiba, n�o muda nada.

Tentei odi�-lo de todas as maneiras.

Agora sei que voc� � infeliz.

Eu sei, ningu�m � mais infeliz do que eu.

Voc� nem disfar�a.

Est� sentado sobre meu p�.

Afinal, gostei que tivesse vindo.

Sabe por qu�?

Suponho porque n�o sente mais nada por mim e isto lhe causa al�vio.

Muito justo. Continuar� a ver Simon?

� genial, mas n�o o conhe�o.

Um acidente pode ser o come�o de algo.

Sim.

Boa sorte para voc� tamb�m.

-Como est�? -Bem.

Espere.

-Venha. -O qu�?

Venha.

Venha por aqui.

Preciso saber se sonhei ou n�o.

Desculpe-me.

Eu sa� esta manh�, sem lhe dizer adeus.

Sa� muito cedo.

Etienne teve um problema.

-Est�o fazendo exames. -Exames?

Neurol�gicos, e talvez o levem para a cardiologia.

Apresenta-me sua esposa?

N�o sou sua esposa.

Pensei que...

Sim?

Que n�o tornaria a v�-la.

Voc� me substituiu rapidamente.

Voc� zombou de mim, n�o foi?

-O que queria? -Nada.

-Voc� zombou dela? -N�o.

Ela est� apaixonada?

-Cale-se! -Como?

Desculpe-me, n�o quis dizer isto.

Desculpe-me, isso n�o vai dar certo.

Deve ir com os demais, seu marido.

Isto n�o tem sentido, n�o sei o que fiz.

Queria ficar sozinho. Pode me deixar por um momento?

O que aconteceu entre voc� e aquela mulher?

Nada. Entre mim e ela n�o h� nada,

exceto que ela � tudo para mim e por sua causa, estraguei tudo.

Por minha culpa?

N�o exatamente, sou injusto. Mas o resultado � o mesmo.

N�o me olhe assim.

Concordo com voc�, foi uma idiotice.

por�m n�o � um drama, n�o foi grande coisa.

-N�o foi grande coisa.

Al�m do mais, n�o repita como um eco. � odioso.

N�o estou entediada.

-Desculpe-me. -Sinto muito.

A menos que n�o queira me ver mais, quero dizer-lhe que o que viu

foi o resultado de um momento de p�nico. Voc� desapareceu,

e estava desesperado. Sei que n�o � desculpa.

Creia-me, n�o � nada e depois, terminou. Aqui est� a prova.

Eu acredito.

Estou desesperado.

Quer que eu lhe diga que n�o acredito?

N�o diga nada.

Em um drama, o homem chora sentado num banco,

enquanto a mulher o toca na cabe�a como sinal de perd�o. � tudo.

N�o estamos em um drama.

Melhor seria um vaudeville.

E voc� n�o est� chorando.

S� fala inutilmente e sem parar.

Eu n�o o quero.

Preciso ter confian�a em um homem e voc� � um rapazola,

que n�o sabe o que quer.

Por outro lado, voc� me comove.

Comove-me, por�m n�o basta.

Esta noite me deu algo, um pouco de esperan�a,

inclusive um pouco de alegria e por isso eu agrade�o.

Agora devemos nos separar.

Porque assim � melhor para voc� e para mim.

-Ademais, n�o aconteceu nada. -N�o pode dizer isto.

N�o aconteceu nada? N�o estou de acordo.

Sucedeu algo. Senti-a tremer perto de mim.

Se tremeu � porque ainda � poss�vel.

N�o pode deixar que eu me afogue, n�o pode ser t�o dura.

Eu a amo, Beatrice.

Devia ter dito antes.

Se tivesse me dito antes, eu haveria

o golpeado ou cuspido em voc�, mas agora � tarde.

� sua �ltima palavra?

Fala como na TV.

Eu o adoro.

� t�o fascinante.

Desejo-lhe boa sorte.

O servi�o terminou.

Para os amigos e parentes,

na sa�da h� um registro para ser assinado.

-Saiu? -H� algumas semanas.

Que bom.

Sem sequelas?

Tiram-lhe o ba�o, mas parece que sobreviver�.

Que faz aqui?

N�o sei.

Enfim, sei.

Queria dizer-lhe.

Sim?

Seu modo de dizer � muito assim,

muito particular.

-Posso come�ar. -Come�ar o qu�?

A viver sozinho, fui obrigado.

� uma oportunidade, devo aproveit�-la.

Sozinho e barbudo.

E barbudo, combina.

Tem um aspecto de russo.

N�o russo de agora, espero, mas russo de antigamente.

N�o me parece que eles mudaram muito.

N�o se muda.

Damos voltas em c�rculos.

N�o vamos falar disso aqui e agora.

Estou de carro, se quiser, posso lhe dar uma carona.

N�o, agrade�o muito.

Fiquei contente de tornar a v�-la.

Ent�o.

Ent�o o qu�?

At� logo.

Adeus.

Voc� continua com as palavras de efeito.

N�o, apenas at� logo.

Nunca se sabe.

� verdade, nunca se sabe.

Tradu��o da legenda para o portugu�s: Lu Stoker - MKO

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