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- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - Frederic -
VOC� DESAPARECEU
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- Podia ir um pouco mais r�pido. - Vamos acelerar um pouco?
Frederik...
Pode ir mais devagar? N�o tem mais gra�a.
- Frederik! - N�o � t�o perigoso, m�e.
� sim. N�o pode dirigir assim nesta estrada.
Frederik... pode ir devagar? N�o estou gostando.
Diabos! Frederik, quer parar este carro?
Pai, pare! Pare!
No que diabos estava pensando? Estava dirigindo como um doido!
Voc� est� sempre em cima de mim. Ent�o eu dirijo muito r�pido,
eu fico feliz na hora errada, eu durmo demais!
O que acha que vamos fazer agora?
N�o tem algu�m para quem possamos ligar?
Vamos descobrir.
- Frederik? - Pai!
Pai!
As pessoas perguntam o qu�o bem eu conhe�o meu marido.
Mas o que faz de n�s o que somos?
Os ju�zos dos outros a nosso respeito nos d�o forma?
Ou somos respons�veis pelo que nos tornamos?
Somos apenas um emaranhado de experi�ncias confusas
e mem�rias deturpadas?
Temos algum livre-arb�trio?
Nosso destino est� em nosso DNA? Na qu�mica do nosso c�rebro?
Nas leis da natureza?
Somos apenas um estado do nosso c�rebro em dado momento?
E nada mais?
Como podemos ent�o ter um senso t�o forte de quem somos?
De que o que experimentamos e lembramos � verdadeiro?
- Bom dia. - Bom dia.
Podem sentar.
Hoje conduziremos o processo movido pela promotoria
contra Frederik Halling.
- � voc�? - �... Sim.
Bom, � assim que n�o se deve fazer.
Esqueceram como se canta em grupo?
Mas agora as f�rias de outono felizmente acabaram.
E n�o h� nada para lamentar sobre isso.
Porque, ao contr�rio, � um privil�gio...
comer os frutos da �rvore do conhecimento.
Fomos expulsos do Para�so, ent�o vamos botar algo na cabe�a.
Algo que podemos aprender aqui � como sentar numa cadeira.
Carl, venha aqui. Largue o coc� de cachorro!
Frederik Halling
� acusado de desvio de fundos de natureza grave,
conforme descrito no par�grafo 278 do C�digo Penal,
sujeito a pena de pris�o.
Como diretor da Escola Saxtorphs,
obteve ganhos n�o justificados.
Usou dinheiro confiado a si, n�o menos que 12 milh�es de coroas.
O dinheiro foi usado para fins n�o autorizados
causando danos � escola,
e resultando em lucro pessoal. Obrigado.
- Ol�. - Ol�.
- Sou o Dr. Gonzales. - Ol�.
Frederik foi submetido � resson�ncia. Lamento...
- Fratura no cr�nio? - Sim, ele...
ele tem um tumor no c�rebro. Lamento.
A fratura o deixar� paralisado?
A fratura?
- Ele vai poder falar? - Ele n�o sofreu fratura.
- Voc� disse que havia fratura. - Ele tem um tumor no c�rebro.
Foi o que causou a crise epil�tica e o faz cair.
Felizmente, n�o houve traumas s�rios na cabe�a. Certo?
Mas voc� disse que havia uma fratura.
Eu ouvi, quando perguntei voc� disse "sim".
- Ele tem um tumor no c�rebro? - Sim, correto.
Tivemos que transferi-lo para a Unidade Neurol�gica.
Especialistas o est�o examinando agora.
- Lamento. - Obrigada.
De nada.
"'Voc� me ama?' sussurrei."
"Pois gostaria de saber todo dia."
"'O amo mais do que nunca', diz ela gentilmente, todo dia."
"'Mas voc� n�o pode me ver', disse eu, mais alto que podia."
"'Posso', disse ela. 'N�o, n�o � certo', disse eu."
"'Voc� n�o entende que o que v� n�o sou eu.'"
"'� sim', disse em prantos. '� voc�, � voc�.'"
"'Ent�o que eu seja eu', disse eu."
"Todo dia."
Mathilde, pode sentar?
N�o � o Frederik que est�o levando?
Por que o est�o levando?
O que querem com ele?
Meu cliente reconhece ser ele a causa
do desaparecimento do mencionado montante.
Mas ele n�o tinha inten��o de violar o C�digo Penal,
e portanto, nega sua culpa.
Meu cliente, no exato momento da a��o,
n�o dispunha do pleno dom�nio de sua raz�o.
Ele se encontrava num estado que pode ser igualado
ao de perturba��o mental.
Mas ele n�o se encontra mais afetado por tal condi��o.
Alega ser, portanto, infundado o pedido de puni��o
e demais consequ�ncias legais.
- M�e, � o papai. - Oi!
- Oi, pai. - Oi...
Senhor, por favor, precisa deitar, j� falei, por favor...
- Oi, pai. - Minha nossa, ein?
- Foi um tanto assustador. - �.
- Felizmente passou. - Passou?
Me deram alguns rem�dios e vou receber alta amanh�.
- Ent�o voltaremos para o hotel. - Isso � �timo!
N�o entendo como pode ter ido t�o longe.
N�o pode ser dif�cil juntar dois mais dois.
- Me digam, o que est� havendo? - A escola vai � fal�ncia.
- Acabou. Est� satisfeita? - Satisfeita?
Deve ter gostado de ver Frederik entrar em casa com 12 milh�es.
- 12 milh�es? - Sim, 12 milh�es.
Frederik usou a escola como garantia
por empr�stimos que atingem 12 milh�es.
- Ele n�o pode... - Se algu�m pode � ele.
- Mas ele n�o est� bem. - Isso remonta a mais de um ano.
Mas n�o pode ser ele. Laust, isso � um engano.
N�o � um engano e voc� sabe muito bem.
A doen�a que o acometia, como voc� a descreveria?
N�o experimentava aquilo como uma doen�a.
Mas voc� estava consciente de suas a��es?
Bem, eu lembro... Lembro de tudo daquele per�odo.
- Lembra? - Sim.
Voc� n�o viu nada de errado
em investir o dinheiro da escola sem autoriza��o?
Eu n�o achava que estava fazendo algo errado.
- Ent�o foi... - Mas foi uma grande decis�o.
Eu pensei... Acho que a minha ideia era n�o dizer nada
porque eu queria surpreender o Laust.
S� para entender, voc� queria surpreend�-lo?
Sim, queria deix�-lo feliz, sabe?
Eu quero entender isso. Quando fez a transfer�ncia,
que agora voc� v� como um erro, mas na �poca n�o podia perceber,
- qual foi a sua motiva��o? - � estranho para mim tamb�m.
Eu entendo bem, que se pode... Mas eu tamb�m n�o posso...
Acho que havia uma tens�o a respeito do que viria.
- S� um pouco. Uma tens�o? - Sobre se o investimento...
Ent�o o que o moveu foi tens�o. Adrenalina, �mpeto, ou o qu�?
Era sobre ganhar dinheiro para a expans�o que precis�vamos.
Achei que seria para o bem da escola.
Frederik foi escaneado
e encontramos um tumor em seu c�rebro.
Frederik...
vamos administrar horm�nio adrenocortical,
o que ir� reduzir o incha�o no seu c�rebro.
Ent�o daremos alguma medica��o contra epilepsia tamb�m,
para que n�o tenha mais crises.
Acho que poder� ir para a casa, na Dinamarca, em breve.
Eles poder�o oper�-lo assim que o incha�o sumir.
� c�ncer?
N�o, pode-se ter quase certeza de que n�o � c�ncer.
Os sintomas mais t�picos de...
press�o na �rea orbitofrontal do c�rebro...
� que seu marido pode perder todo o interesse por voc�
e por como se sente.
Ele pode ter dificuldade em reprimir impulsos primitivos.
Ele pode irromper em...
explos�es s�bitas de raiva.
E ele certamente negar� qualquer insinua��o de que esteja doente.
Mas, a julgar pelo tamanho do tumor,
voc� j� sabe tudo sobre esses sintomas, n�o?
- Bernard Bergmann. - Aqui � Mia Halling,
da �ltima quinta-feira.
N�o conhe�o outro advogado. Tudo bem eu ligar?
Sim, claro.
Meu marido foi acusado de fraude.
A pol�cia acabou de lev�-lo. N�o sei o que fazer.
Lamento ouvir isso.
N�o sei o que fazer.
Eles o prenderam?
N�o.
Ou... eu n�o sei. N�o sei de mais nada.
N�o sei como agir...
Ele j� teve alguma condena��o?
- N�o, nenhuma. - Isso � bom.
Sim, isso � bom. � bom.
Seu marido tem o direito de ter um advogado presente
quando estiver sendo interrogado.
Posso ir at� l� e acompanh�-lo imediatamente.
Obrigada. O nome dele � Frederik Halling. Obrigada.
- Obrigada. - De nada.
Bem, vamos l�.
- O qu�? N�o! - Winnie!
Por quanto tempo voc� foi diretor da escola Saxtorphs?
- Fui diretor por 10 anos. - Por 10 anos?
- Era feliz como diretor? - Sim, estava feliz l�.
Voc� notou alguma mudan�a
no seu comportamento nos �ltimos anos?
Posso perceber agora, por exemplo...
A propor��o de liga��es privadas
contra as relacionadas ao trabalho subiu.
Ent�o houve uma troca entre trabalho e vida privada.
Notou mais alguma coisa?
Minha conta da lavanderia tamb�m subiu muito.
- � mesmo? - �...
Bem, isso...
Ent�o, uma mudan�a na personalidade
e dificuldade para controlar os impulsos.
Ol�. Bom ver voc�s.
Frederik, precisamos ter uma conversa.
Sim.
As f�rias de ver�o acabaram, n�o?
Ent�o achei que talvez fosse uma boa ideia...
que se juntasse a n�s depois ou tirasse umas f�rias.
Para termos certeza de que voltar� firme.
O qu�?
Se h� o m�nimo risco de que a doen�a contribua
para que tome uma decis�o errada, ent�o ser� melhor.
Laust, n�o tomarei nenhuma decis�o ruim, est� tudo bem.
� por raz�es de seguran�a, para que volte bem.
Mas eu estou bem. Est� me expulsando da escola?
N�o, me escuta...
Voc� ficar� chateado se tomar alguma m� decis�o.
N�o vou tomar nenhuma decis�o ruim!
Est� querendo me tirar da escola?
- Vai continuar falando isso... - Pare com essa agressividade!
Niklas!
A� est� voc�. Aonde voc� foi? Por que n�o atendeu o celular?
V� embora, t�?
- Temos que conversar. - Voc� tem que parar.
Voc� pensa em mim?
Voc� faz coisas absurdas, uma atr�s da outra.
- � claro que eu penso em voc�. - N�o pensa n�o.
N�o fui eu. Eu n�o fiz nada!
Eu nunca posso confiar em voc�!
Voc� tentou se matar bebendo. Qual � o seu problema?
N�o fale assim comigo, n�o pode falar assim comigo!
Que tipo de m�e voc� �?
� claro que pode confiar em mim. Vem aqui...
N�o, sai! Por que ent�o voc� para e grita na minha cara?
Vem, meu amor. Eu sei que � dif�cil.
- Vai embora. - Vem...
Vem c�.
Laust Saxtorph,
voc� � o Presidente do Conselho da escola Saxtorph.
H� quanto tempo conhece Frederik Halling?
Muito. Desde que n�s do Conselho o empregamos.
Por todos esses anos eu achei que sabia quem ele era.
Na �poca em que Frederik descobriu que tinha um tumor,
voc� notou alguma mudan�a em seus modos ou personalidade?
N�o notei nada demais. Nada.
- Voc� foi informado da doen�a? - Sim, mas...
Ele me disse que estava bem, ent�o o mantivemos na dire��o.
Ele era... era como um filho pra mim.
Pode continuar, Laust?
Frederik!
O que fez � simplesmente inaceit�vel!
Quer realmente que eu acredite que esse maldito tumor
o fez acabar com a escola, com minha vida e da minha esposa?
Frederik... Frederik.
Frederik, voc� pegou mesmo dinheiro emprestado da escola?
- Ein? - Eu... estou dormindo.
Voc� pegou dinheiro emprestado da escola?
Eu investi o dinheiro da escola.
Por que n�o disse pra ningu�m? Para o Laust, qualquer um?
O pre�o do cobre... caiu,
ent�o comecei a investir em a��car.
Por que n�o disse nada?
Voc� n�o entende nada de investimentos.
Garantias, assinaturas falsificadas, Frederik...
Bem, esta � Mia, nova membra do nosso grupo de apoio.
O marido dela tem um tumor no c�rtex orbitofrontal.
Bem, este �...
Bernard Bergmann, advogado de defesa.
Minha esposa tem um dano cerebral
que afeta sua energia, fun��es corporais e atividade mental.
Nos acidentamos h� cinco anos.
- Esta � Andrea. - Oi. Andrea, bioqu�mica.
Meu marido caiu praticando alpinismo h�...
um ano e meio?
Agora est� numa cadeira de rodas e tem problemas de fala.
N�o consigo imaginar como voc�s conseguem isso.
� muito impressionante, ano ap�s ano...
Voc�s suportam coisas muito, muito piores.
Acho que n�o deveria estar aqui.
- Eu devia ir... embora. - N�o.
Meu marido... continua sendo a pessoa que eu sempre amei.
Tem o mesmo sorriso e os mesmos interesses.
Apenas passa por algumas complica��es f�sicas.
Sua situa��o � muito pior.
O problema do seu marido
far� com que n�o saiba por quem est� se sacrificando.
Mia, meu consolo � compreender
que as pessoas s�o sistemas biol�gicos.
- Sistemas biol�gicos? - Isso, sistemas biol�gicos.
Eu sou mais um sistema biol�gico que uma alma com livre-arb�trio.
Isso me ajudou quando ficava deprimido.
- Como assim? - Eu dizia a mim mesmo:
"� uma mudan�a hormonal."
"Alguma c�lula cerebral espec�fica est� ativa neste momento."
"Por isso, eu estou deprimido."
"Ent�o, calce algum t�nis de corrida"
"e a endorfina o por� de bom humor."
N�o estamos nesta situa��o por nossa culpa.
Perd�o, n�o sei o que me deu.
No grupo de apoio para parentes de pessoas com danos cerebrais,
n�s l�amos muito.
Sobre as doen�as de nossos c�njuges, claro,
mas tamb�m pesquisas sobre o c�rebro.
Somos cegos por duas horas do dia devido a um processo
chamado supress�o sac�dica.
O c�rebro seleciona impress�es visuais quando movemos os olhos,
para n�o ficarmos enjoados.
Pensamos ter visto tudo, pois o c�rebro preenche as lacunas
com previs�es do que ter�amos visto.
Imagine se f�ssemos como aquele casal.
- Pense um pouco. - Agora?
- Sim, pense. - Certo, estou pensando.
Aqui? Agora?
Caso as previs�es do c�rebro n�o condigam com a situa��o,
podemos tomar m�s decis�es em momentos cr�ticos.
Ent�o seremos totalmente surpreendidos.
N�o porque ignoramos alguma coisa.
Mas simplesmente porque o c�rebro
n�o previu a situa��o do modo correto.
- No que estou pensando? - Morangos.
- Morangos? - Molengos...
Morangos... N�o, n�o � isso.
- Ent�o no qu�? - Pol Pot.
Voc� disse, Pol Pot?
- Por que est� pensando nele? - O an�o mais alto do mundo.
Por que est� pensando no Pol Pot, por que nele?
Primeiro pensa em sexo, depois no Pol Pot.
- Por que pensou nele agora? - Isso � estranho.
Mia Halling,
voc� foi convocada para testemunhar,
mas como esposa do r�u, n�o tem obriga��o de depor.
- Gostaria de depor? - Sim.
- Por favor. - Obrigado.
Mia...
Falamos em poss�veis mudan�as na personalidade do seu marido,
ent�o seria interessante ouvir sobre como se conheceram.
Bem, ele era maravilhoso.
Todos falavam do Frederik.
Se tornou diretor de escola, como o pai dele...
Foi empregado na escola Saxtorph?
Sim, aos 35 ele foi de ca�a- talentos a Diretor da Saxtorph.
Um tanto jovem para ser diretor de escola.
Como isso afetou a rotina de voc�s?
- Como assim? - Parece um tanto estressante.
Podia sentir isso nele? Ele tinha altera��es de humor?
Acho que a maioria das pessoas sentiriam alguma press�o.
Bem, ent�o ele tinha altera��es de humor
antes que o tumor o afetasse.
Sim, mas...
Frederik sacrificou tudo pela escola,
toda a fam�lia sacrificou.
Bernard ficou dias em coma, como L�rke.
Todos achavam que eles morreriam.
� a mam�e. Vamos ver o que eu trouxe...
Ninus Karlsen. Achei que seria legal.
Perdemos a consci�ncia se houver pouca atividade no c�rebro.
A inconsci�ncia faz com que o c�rebro fique preso
a uma mesma rota.
Para que um paciente em coma desperte,
o c�rebro deve procurar por novas rotas.
Pronto... n�o precisa ter medo.
Nossa consci�ncia cria a ideia de que temos um verdadeiro "eu".
Se nosso c�rebro sofrer algum dano,
n�o nos tornaremos uma vers�o errada desse "eu".
Mas apenas um outro "eu", que nosso c�rebro produzir�.
Primeiro a Gitte e agora a Dorthe.
Eu n�o... N�o consigo entender. N�o posso explicar.
� s�rio?
N�o.
O qu�o s�rio �? Mais s�rio que n�s dois?
- Ein? - N�o.
- O que eu digo ao Niklas? - Ao Niklas?
Digo que o pai dele chegou em casa...
com o cheiro da Dorthe, do Conselho?
- Devo dizer isto a ele? - Mia, para com isso.
N�o podemos...
N�o podemos envolver o Niklas. � o que quer?
Para. � isso que voc� quer? Me escuta. Para com isso!
� isso que voc� quer? Certo.
Niklas! Venha aqui um pouco.
Vamos conversar agora.
- Arrume suas coisas. - Mia...
Ent�o v� embora, antes do Niklas acordar amanh�.
Mia, voc� percebeu altera��es no seu marido
que pensou serem devidas ao tumor?
Sim, h� tr�s anos ele come�ou a...
chegar em casa no hor�rio normal, o que era muito incomum.
Mas... evitar excessos num trabalho muito exigente parece,
na minha �tica, bastante razo�vel.
N�o � preciso um tumor no c�rebro para isso, n�o?
N�o, mas ele n�o passava mais as noites na escola.
Come�ou a comer em casa e...
N�s arrumamos toda a casa, juntos.
O banheiro e... Foi �timo.
E... fizemos tudo como os outros casais fazem.
Sim...
Parece bastante normal, mas achou isso uma altera��o?
Sim.
Na verdade, foi nosso melhor ano.
Ele simplesmente mudou para melhor. Tr�s bons anos.
O dano cerebral em Bernard alterou seus n�veis hormonais.
E fez dele outro homem.
Tinha uma superprodu��o de oxitocina,
o horm�nio da fidelidade,
o qual � encontrado em pouca quantidade em homens.
L�rke, sofremos um acidente. Lembra disso?
Escuta... tudo vai ficar bem. Voc� vai ficar bem.
L�rke...
Eu te amo.
Eu te amo.
O que disse? Voc� falou.
Mas eu, eu amo voc�...
Eu amo voc�.
A infidelidade do Frederik tirou meu ch�o.
Talvez eu n�o pudesse viver sem ele.
M�e? Vamos. Vamos, m�e.
O que houve?
Quando se armazena alguma experi�ncia,
alteramos a mem�ria dela ao longo do tempo.
Sempre que a mem�ria � ativada, a lembran�a � reescrita.
Ent�o, experienciar mem�rias verdadeiras
pode ser apenas uma ilus�o.
Frederik voltou pra casa.
Talvez para cuidar do Niklas.
Talvez para cuidar de mim.
Alguma outra coisa poderia indicar
que o tumor come�ou a afet�-lo h� tr�s anos?
Bem, quando se l� sobre como...
o tumor age e os sintomas...
Eles podem afetar a sexualidade da pessoa.
E eu...
H� 3 anos descobri que o Frederik tinha um caso.
Certo.
E como isso se relaciona com a doen�a dele?
Tenho certeza de que ele jamais teria um caso com aquela mulher
se estivesse s�o.
Mas soubemos que seu marido tamb�m teve um caso h� 7 anos.
Como diria que isso difere do caso de 3 anos atr�s?
Bem...
Porque eu lembro dele ficar indiferente quando o confrontei.
Casos raramente s�o algo que as pessoas gostem de admitir.
N�o, mas n�o foi isso que eu disse. Ele...
Ele estava indiferente, de um modo estranho.
- Voc� n�o o reconhecia? - Ele n�o estava no seu normal.
Quando estava saud�vel, Frederik n�o agia assim.
Oi, oi, L�rke.
Me ajude a guardar as coisas na geladeira, r�pido.
- Pode fazer isso? - Posso.
Nossa consci�ncia utiliza apenas 5% do nosso c�rebro.
Isto � o que d� forma � nossa experi�ncia da vida.
N�o, v� at� a geladeira.
O c�rebro seleciona uma pequena parte dos est�mulos
que constantemente nos bombardeiam.
Eles s�o combinados com mem�rias e emo��es relevantes.
Isto cria uma experi�ncia compreens�vel
em nossa consci�ncia.
- Estes sacos. - Sim.
Coloque as coisas novas atr�s para n�o misturar com as velhas.
Os novos ficam atr�s.
Levam milissegundos para registrarmos uma sensa��o,
mas meio segundo para formarmos uma experi�ncia consciente,
a qual estar� inserida em um contexto compreens�vel.
Logo, automaticamente soltamos a tampa quente da panela,
mas apenas quando ela cai no ch�o
n�s percebemos a queimadura.
Assim, nossa consci�ncia est� sempre atrasada
em rela��o ao presente.
N�o. Os novos ficam atr�s.
Para n�o se misturarem com os novos.
Mais para tr�s. L� dentro.
Bernard, voc� est� pressionando. Voc� tem uma liga��o.
Sim, certo.
- Para com isso, cara! - Frederik!
Acho que vou te sequestrar.
- Vai me levar aonde? - Ali, vamos.
Mia Halling. Frederik fez escolhas que voc� n�o entendeu?
Ele se tornou mais r�gido e firme em suas decis�es?
Sim... A primeira que eu consigo lembrar
foi antes do nosso anivers�rio. Sim, h� tr�s anos e meio.
Ele comprou um... um queijo para mim.
E foi exatamente quando voc� disse, r�gido na declara��o,
que era um presente rom�ntico e legal.
Presente estranho de anivers�rio de casamento, n�o? Um queijo?
Achei que ele estava errado em suas escolhas outras vezes.
- Por que n�o reagiu? - Acho que acabei reprimindo.
Voc� reprimiu?
Mas sabe exatamente quando a mudan�a come�ou.
Acho que...
eu experimentei a mudan�a dele acontecendo dentro de mim.
Eu n�o era mais t�o irrealista em minha admira��o por ele.
Raramente experimentamos e interpretamos algo
da mesma forma.
Quando o c�rebro tem uma experi�ncia sensorial,
um certo n�mero de associa��es � ativado,
as quais s�o baseadas no que j� estava armazenado.
Isso cria um entendimento da experi�ncia interna.
Mas uma vez que o que armazenamos � individual,
as associa��es e entendimentos tamb�m ser�o individuais.
O que se passa na sua cabe�a?
No que est� pensando?
- Em nada. - N�o est� pensando em nada?
N�o est� pensando em absolutamente nada?
� um completo vazio?
Veja que maravilha isso.
N�o quer tirar uma foto?
� um completo vazio?
N�o � nada.
S� um total, completo vazio.
Sim...
As associa��es das experi�ncias sensoriais
n�o se ligam apenas � mem�ria,
mas tamb�m �quilo que imaginamos.
Consequentemente, nossa representa��o
pode mudar nossa experi�ncia do que de fato aconteceu.
Nossas a��es e escolhas n�o s�o livres.
O c�rebro usa o conhecimento armazenado para nos guiar
em busca do melhor para nossa sobreviv�ncia.
O meio segundo que o impulso leva para atingir a consci�ncia
corre contra uma atividade cerebral inconsciente.
Isso define o que atinge a consci�ncia
e o que faremos com o dado.
O que escolhemos j� est� decidido
antes de experienciarmos a possibilidade da escolha.
Spinoza achava que a diferen�a entre um humano
e uma pedra que rola montanha abaixo
� que s� o humano acredita que controla seu destino.
Mia Halling. E quanto � vida emocional dele?
Os sentimentos dele mudaram?
Permanecia no mesmo humor mon�tono
ou eventualmente experimentava altera��es dr�sticas?
Nos anos anteriores � cirurgia
ele oscilava entre raiva e tristeza de um modo incomum.
E isso... Bem, me angustiou tamb�m.
Ele n�o escondia mais seus sentimentos. Ele me incluiu.
Voc� achou que Frederik estava mais suscet�vel
a impulsos e prazeres imediatos?
Sim, houve momentos em que ele reagia de modo mais impulsivo.
Ficou surpresa quando ele comprou um Mercedes?
Sim, mas � dif�cil dizer se n�o era apenas seu antigo "eu",
j� que ele tamb�m agia impulsivamente antes do tumor,
ou se ele j� havia decidido se tornar outra pessoa...
Nossos olhos apenas percebem.
� com nosso c�rebro que enxergamos.
Nosso c�rebro cria o que n�s vemos.
Assim, as coisas s�o vistas de certo modo apenas por n�s.
E � assim com o que ouvimos, tocamos, cheiramos e degustamos.
Tudo o que conhecemos, sentimos e lembramos,
mesmo a experi�ncia de ver o que est� diante de n�s,
� resultado de um processo mental e subjetivo.
N�s somos o nosso c�rebro. Somos apenas o que est� nele,
suas influ�ncias externas
e estrutura para no guiar ao longo da vida.
L�rke, o que foi?
N�o est� ansiosa pela visita dos seus amigos?
N�o.
- Quer que eu ponha uma m�sica? - N�o, deixa... n�o quero...
Vamos.
Vamos l�.
Eu n�o quero.
Bernard, n�o exagere.
� bom, n�o?
� t�o bom!
Cuidado, ela est� euf�rica.
N�o � melhor que eles a vejam assim?
Foi muito bom, L�rke.
Niklas, venha aqui.
- O qu�? - O que � isto?
- Uma caixa de som para o papai. - � da escola. Voc� roubou?
Voc� n�o se alterou quando ele roubou 12 milh�es.
Isso nem � para mim.
Seu pai est� muito doente, voc� sabe disso.
Meu lobo frontal tamb�m n�o funciona bem.
Eu sou um adolescente.
�, Deus sabe disso.
- Precisa cuidar do meu c�rebro. - Fa�o isso o tempo todo.
� o que pensa...
Meus planos a longo prazo
e controle dos impulsos s�o diferentes.
- Do que est� falando? - Tem algo que precisa aprender.
O qu�?
Quando se tem 15 anos,
voc� � t�o inteligente quanto um adulto.
Mas algumas partes do c�rebro s� se formam aos 20 anos.
- As mesmas �reas do papai. - Pode arrumar suas coisas.
N�o podemos mais conviver.
Ent�o voc� n�o � mais respons�vel
porque seu c�rebro ainda n�o est� formado?
N�o podemos conviver, porque teremos uma sociedade ca�tica!
- Oi, Niklas. - Oi.
Obrigado por vir. Tenho algumas perguntas, certo?
Voc� percebeu alguma mudan�a no Frederik?
Quando li sobre perda de controle dos impulsos,
entendi o que estava acontecendo.
Pode dar um exemplo?
Ele n�o se comportava de modo apropriado.
Como assim?
Por exemplo, uma vez eu ia encontrar uma amiga.
Minha m�e e meu pai sa�ram para receb�-la antes.
E quando eu sa�, meu pai estava dizendo coisas horr�veis a ela.
Isso n�o foi antes de ele ficar doente?
Certo...
Voc� notou mais alguma mudan�a?
Antes ele nunca estava em casa. Passava o tempo todo estressado.
Ent�o, h� 3 anos...
- Ele se tornou divertido. - Ele se tornou divertido?
N�s faz�amos coisas bobas.
Faz�amos fogueira... Assist�amos F�rmula 1.
Por que acha que isso tem a ver com o tumor?
Bem...
O tumor fez ele... Deu a ele um c�rebro adolescente.
- Um c�rebro adolescente? - Como o meu.
N�s �ramos como... �ramos amigos.
Antes era s� um homem que...
trabalhava e brigava com minha m�e.
Nada al�m disso...
� t�o bom que todos estejam aqui.
Mia quer nos contar uma coisa muito interessante.
Bem, obrigada por terem vindo.
Eu trouxe isto.
� o pacman e o pacman e o pacman...
Sim, mas quantos tri�ngulos tem aqui?
- Boa pergunta. - Um, dois... pelo menos dois.
- Tr�s. - N�o tem nenhum.
O c�rebro ordena os fragmentos como um todo,
mas o todo n�o existe.
� uma ilus�o.
O c�rebro nos faz pensar que vemos um tri�ngulo branco,
mas ele n�o est� l�.
- Minha nossa... - E n�o � isso...
Nossa habilidade de criar coer�ncia a partir de fragmentos
� o que nos faz acreditar que temos livre-arb�trio.
Mas por n�o experienciarmos o processo
anterior � tomada de decis�o,
n�s acreditamos que a escolha � mais livre do que � de fato.
N�s supomos ter um livre-arb�trio,
mas � nosso c�rebro que cria conex�es imagin�rias,
t�o r�pido quanto a ilus�o do tri�ngulo de Kanizsa.
- Isso � fascinante. - Passe adiante.
Tenho cada vez mais a impress�o de n�o temos escolha alguma.
J� faz sete anos que Katrine descobriu seu tumor
e soubemos que ele deveria operar a t�mpora esquerda.
No limite de uma das �reas da linguagem no c�rebro.
E na noite anterior � cirurgia, n�s sab�amos
que talvez ela nunca mais pudesse falar.
N�s deitamos abra�ados, antes de adormecermos.
E de repente ela ergueu a cabe�a e disse:
"Talvez nunca mais possa dizer que eu amo voc�."
E ela disse:
"Se nunca mais puder dizer,"
"voc� lembrar� do que eu disse esta noite?"
"Sim", eu respondi.
Apenas inspire com calma. Muito bem.
Est� ficando cansado, Frederik?
Por ora precisa dizer boa noite � sua esposa.
Boa noite, Mia.
- Pode dizer boa noite agora. - Boa noite.
Agora pode respirar fundo. E ent�o voc� ir� adormecer.
Isso, est� tudo bem.
Ele est� dormindo.
- Vamos cuidar bem dele. - Obrigada.
Eu amo voc�.
Oi, pai.
Frederik, n�o pode puxar isso.
Neurocirurgi�o, Jan Sittelman...
O que foi removido do r�u?
Tenho aqui uma foto da opera��o, que eu mesmo tirei.
Aqui temos uma vis�o do c�rebro do Frederik.
Aqui est� o meningioma, antes de ser retirado.
O meningioma surge nas meninges,
as quais envolvem nosso c�rebro.
O c�rebro continua intacto, mas fica sob press�o do meningioma.
Pode dizer algo mais... concreto
sobre como o tumor ou meningioma afetou o r�u?
O que torna complexo responder a esta pergunta
� que o c�rebro � capaz de compensar danos eventuais.
Isso porque o c�rebro � um imensa rede,
ent�o outros pontos da rede podem ser usados.
Ent�o, mesmo que se possa calcular
quando o tumor come�ou a crescer,
n�o se pode datar precisamente
quando isso de fato come�ou a afet�-lo?
- Sim, podemos dizer isso. - Podemos...
Se olhar a imagem de uma ecografia,
voc� � capaz de determinar com precis�o
os sintomas que o r�u apresentou?
- Sim ou n�o. - N�o, n�o com precis�o.
N�o se pode determinar os sintomas
baseado no tamanho ou posi��o do tumor?
Frederik, tem tido desejos sexuais mais intensos?
Frederik...
Acho que temos uma vida sexual comum. Digo, para um casal.
O que quer dizer?
- N�s n�o transamos. - Isso n�o � verdade.
Mas n�o transamos. A chama apagou depois do Niklas.
N�o apagou, n�o.
S� estamos ocupados ou cansados e coisas desse tipo.
Eu perguntei se tinha desejos mais intensos que o normal.
O que voc� quer dizer com normal?
Nossa vida sexual acabou h� muito tempo.
N�o � bem assim. Eu tenho feito todo o poss�vel.
Deve ser por isso, voc� sufoca tudo com seu perfeccionismo.
Voc� pode ficar com as suas namoradinhas.
�, eu posso fazer isso.
Quando voltou do hospital, ele tentou me estuprar.
- N�o � verdade. - Tentou sim!
Eu o beijei, e ent�o de repente...
ele saltou para cima de mim.
N�o o reconheci. Parecia um c�o selvagem querendo trepar.
Foi uma sensa��o de...
Frederik, o que pensa sobre o que a Mia disse?
Bem... Somos marido e mulher, n�o?
Vamos resolver isso. N�o acha?
Acho que sei do que precisamos agora.
- Para... para. - Vamos!
- Para... - Vamos l�... vamos, vamos!
- Para com isso! - Vamos!
- Voc� gosta disso. Vamos! - N�o!
- Voc� gosta. - N�o acorde o Niklas.
- Mam�e? - V� para o seu quarto!
O que est� havendo? O que est� fazendo com a mam�e?
Est� tudo bem, Niklas!
Para com isso!
Desculpa...
N�o precisa se desculpar, s� estava preocupado comigo.
N�o �?
Volte para o seu quarto.
Mia...
Mia, vem... Mia...
O que acontece com o equil�brio do c�rebro
sob press�o de um tumor?
A for�a b�sica que mant�m o funcionamento do c�rebro
se chama homeostase.
Ou seja, o equil�brio do organismo.
� t�o poderosa que n�o pode ser anulada.
Se esta for�a,
que precisamos para garantir que continuaremos respirando,
pode ser ligada ao h�bito de lavar as m�os o tempo todo,
como no Transtorno Obsessivo Compulsivo,
� f�cil perceber como um link mal feito no c�rebro
pode colocar um indiv�duo no caminho errado.
Ent�o se o controle dos impulsos do r�u estiverem desequilibrados,
isso pode fazer com que ele fa�a um investimento,
como algu�m com TOC lava as m�os o tempo todo?
O c�rebro � uma rede
de bilh�es de c�lulas nervosas em comunica��o.
Se parte dessa rede n�o funciona,
e o equil�brio fica afetado muito facilmente,
ent�o n�o � de se estranhar que um tumor
fa�a as pessoas agirem de modo anormal.
Ent�o o tumor pode fazer as pessoas agirem de modo anormal?
Sim.
Ent�o se tornou diretor da escola Saxtorph.
Temos algumas fotos que deve reconhecer.
Quando assumiu o cargo,
voc� n�o tinhas acesso �s contas da escola.
Como conseguiu acesso?
Comprei essas cadeiras online. 12 cadeiras Wegner, e eu...
Bem... A maioria foi pela internet.
Dei o lance mais alto por dois dias e pensei:
"Ningu�m vai cobrir, maravilha..."
Um hora antes do leil�o acabar, chega outro lance.
Eu realmente gostaria de ir um pouco adiante...
at� as contas.
- Aqui � a Mia. - Oi, aqui � Bernard Bergmann.
Liguei para dizer que um avaliador ir� a� na Quinta.
A escola deve ficar com os pertences do Frederik
e metade s�o coisas comuns aos dois.
�, eu sei que � horr�vel.
- Sim. - Eu estarei a�.
Mas voc� tamb�m deveria estar a�.
Nem sei se o Frederik voltar� a si um dia.
Os m�dicos disseram que ele iria melhorar aqui, no in�cio,
mas eu n�o sei o qu�o bem ele vai ficar.
Ele ficou totalmente diferente. Na verdade eu tenho medo dele.
Mia...
sei que pode suportar a visita de um avaliador.
Como sabe disso?
� mais f�cil que cuidar do seu marido doente,
e voc� faz isso maravilhosamente.
Obrigada.
Estou sentado e tomando uma ta�a de vinho. L�rke est� dormindo.
Tamb�m est� bebendo vinho?
- N�o dev�amos brindar? - � uma boa ideia.
Sa�de.
Sa�de.
Voc� realmente lutou muito.
E n�o houve um s� momento
em que pensou em deix�-lo. Isso � incr�vel.
Acho que foi a primeira coisa que eu notei em voc�.
Sua fidelidade.
Pensei o mesmo do modo como apoia sua esposa,
est� o tempo todo ao lado dela. � muito legal.
Mas uma vez que se escolha, as coisas seguem assim.
Sim, �... eu penso o mesmo.
Somos aparentados em nossa fidelidade.
N�o h� muitas pessoas fieis como n�s.
Do que est� rindo?
- O que foi? - N�o sei.
Vamos falar sobre livre-arb�trio.
Um tumor pode tirar o livre-arb�trio do jogo?
� uma boa pergunta. N�s temos livre-arb�trio?
Quem determina por que tomamos as decis�es que tomamos?
Quem � voc�?
N�s, basicamente, somos o nosso c�rebro, ou seja,
milh�es de c�lulas nervosas que se comunicam,
e isso, consequentemente, � pura qu�mica.
Seguimos as leis da natureza? � apenas causa e efeito?
� simples causalidade?
� quest�o de interpreta��o. � muito determinista pensar
que voc� � o que sempre foi, pois isso � absurdo.
Voc� n�o � mesmo que era h� dez anos.
Fisicamente, todas as c�lulas do seu corpo mudaram v�rias vezes.
Mentalmente, voc� tamb�m n�o � o mesmo.
Seu c�rebro se modificou.
Enquanto estamos aqui, nosso c�rebro criou diversas sinapses.
Enquanto estamos aqui, nosso c�rebro faz novas conex�es?
Essa � a velocidade com que nosso c�rebro muda?
Ent�o, somos pura qu�mica. Mudamos a n�s mesmos.
Mas � nossa qu�mica ou o livre-arb�trio quem nos governa?
Tudo somos n�s. N�o h� dicotomia.
Se se trata apenas de qu�mica,
o r�u pode ser responsabilizado por suas a��es,
j� que � governado pela qu�mica e n�o por sua vontade?
Pode-se dizer que... A vontade reside na qu�mica, se preferir.
E se a qu�mica for influenciada, a vontade tamb�m o ser�.
Sente que sua parceira se tornou mais ou menos dominante?
- Ela decide tudo. - O que, por exemplo?
Sobre... se eu devo dirigir ou n�o.
Se eu devo comprar na internet ou ir na loja.
N�o posso ter dinheiro. N�o posso nem fazer liga��es.
Por que ela imp�e essas proibi��es a voc�?
Eu pergunto isso a ela muitas vezes, e ela diz:
"Voc� n�o consegue entender porque est� doente."
Voc� n�o se sente doente?
Eu pare�o doente? E se dissessem que voc� est� doente?
- O que ela diz afeta voc�? - Isso me deixa puto!
Me deixa furioso. Eu sou um diretor de escola.
Ou�o ela dizendo o tempo todo. "� porque voc� est� doente..."
Mob�lia fant�stica. Querem ficar com alguma coisa?
Sim, com o que puder.
Esta poltrona. Tem uma estimativa?
N�o � um arquiteto conhecido.
Pierre Paulin, poltrona Oyster...
Mas voc�s podem ver que todos os recibos est�o no meu nome.
Temos que conversar sobre como fazer a divis�o.
Se usaram o sal�rio do Frederik em m�veis de design dinamarqu�s,
ent�o a escola Saxtorph tem direito a metade do que tem.
Mas eu mesma comprei esses m�veis.
Entendo perfeitamente.
Mas meu cliente tem direito a metade do que foi comprado
com o dinheiro do Frederik.
- N�o pode fazer isso. - N�o verdade podemos...
- Falamos nisso depois, certo? - Sim.
- Voc�s que fizeram? - Sim.
Fizemos juntos, Frederik e eu, ent�o...
�, mas isso baixa o valor em uns 100 mil.
Mas isso faz uns dois anos.
Mas essas coisas ser feitas por profissionais, n�o?
De prefer�ncia reto.
Pode manter alguma coisa? Como isto, e tirar o resto?
Sim, talvez.
Pode ir. Vou ficar mais um pouco.
- Certo. Vai ficar um pouco? - Vou.
O qu�? Mia...
Vontade da natureza...
M�dica-chefe Herdis Lebech,
Seria bom saber mais sobre o diagn�stico do r�u.
Diga, que sintomas voc� encontrou.
Sim.
Constatamos dificuldades de concentra��o,
instabilidade emocional... Tristeza ou raiva s�bitas.
Vou interromper um pouco. Seriam mudan�as de humor?
- � isso? - Sim, podemos dizer isso.
Porque antes disso o r�u tinha um tumor que podia afet�-lo.
Irritabilidade e rompantes agressivos...
Comportamento impulsivo.
Ent�o, comportamento ego�sta e de risco...
N�o ouvimos o mesmo sobre o per�odo anterior ao tumor?
Persevera��o, quando se fica preso em algum assunto
e n�o se consegue ir adiante.
- Ele tamb�m apresentou. - Ent�o...
- Desculpe... - Perd�o, prossiga.
E por fim, mudan�as no comportamento sexual.
Por exemplo, hiper ou hipossexualidade, ou pervers�es.
E isso pode se transformar em casos?
Sim.
O r�u teve um caso h� sete anos.
Isso pode ter algo a ver com o tumor?
- N�o, foi h� muito tempo. - � muito antes.
Como voc� pode saber
que o r�u n�o apresentava tais tra�os de car�ter
antes de o tumor afet�-lo? H� tantos ind�cios.
N�o podemos avaliar sem uma investiga��o
do per�odo anterior � doen�a. E n�o temos...
N�o podemos saber se tinha tais tra�os antes de o tumor agir.
Ent�o n�o est� claro se foi o tumor que causou os sintomas.
Correto?
10 de copas.
- Vai te custar 500. - N�o!
� tudo o que eu tenho.
Obrigado.
Por que pegou desse monte de novo?
� o que tem maiores ganhos. N�o quero ficar aqui o dia todo.
3 de espadas.
3 de espadas. S�o 100 coroas para voc�.
- Dama de paus. - 1000 coroas de voc�.
- Posso pegar outra, r�pido? - N�o, agora o teste acabou.
Gostaria de um vinho branco? � bom te ver.
- Sua m�e que fez? - Fez tudo.
- Oi. - Obrigada pelo convite.
Que nada, � um prazer. Oi.
Esteve no Centro hoje? O que fez l�?
Quer saber? Eu nem lembro.
Sabe, � uma boa press�o.
A l�ngua � rica e cheia de press�o.
- Express�o! - Express�o... de express�o.
Obrigada... obrigada.
Tem torta. E tamb�m aqueles pequenos...
- Isto � mussarela. - Tamb�m quer um pouco?
S�o dois. Geralmente n�o �. � incomum.
Frederik? Acha que o Bernard tem algum valor?
Em que sentido?
Acha que conseguir� sua absolvi��o?
Vai conseguir a absolvi��o dele?
Se acontecer, ser� por vontade da natureza.
Esperamos que o promotor concorde
com os resultados dos exames do Frederik.
- Este � o nosso plano. - Dedos cruzados!
� prov�vel que seja o caso da maioria dos presos do pa�s.
Os...
doentes mentais... todos empilhados.
N�o faz mais de 400 anos que se pensava
que quem tinha problemas mentais tinha pacto com o diabo.
Ent�o os queimavam vivos enquanto a vila assistia.
Porque tinham problemas mentais!
Agora, obviamente, n�o se pode queimar pessoas.
Ou aprision�-las s� porque t�m problemas mentais.
Com uma vis�o geral da doen�a,
Frederik n�o devia ter entendido que n�o estava bem
e ent�o comunicar isso ao Conselho?
N�o.
A nega��o da doen�a � um dos sintomas.
Ent�o, ele n�o poderia.
Mas Frederik n�o devia ter um entendimento
das consequ�ncias das a��es dele, n�o?
N�o.
A doen�a o torna incapaz de entender
e pensar nas consequ�ncias de suas a��es.
Ent�o, ele n�o poderia.
Ent�o, o tumor tirou a habilidade do Frederik
de agir de modo respons�vel?
Sim.
Como o Frederik est�, ele melhorou?
Todos os testes mostram que as habilidades de concentra��o,
empatia e estrutura��o do Frederik s�o acima da m�dia.
Ele contatou escolas em busca de algum posto tempor�rio,
mas sem muito sucesso...
Ent�o... no momento, Frederik est� bem?
Sim, � como eu disse.
Estou traindo meu marido.
Eu sou meu c�rebro. Meu c�rebro � feito de gordura e sinapses.
Sou um sistema biol�gico, e voc� tamb�m.
Sim, mas ele est� doente.
Esse processo teve in�cio h� milh�es de anos.
Est� predeterminado.
Mas voc� est� traindo sua esposa.
Sim...
Mas se isso acontecer, � vontade da natureza.
E nada � mais forte que as leis da natureza, n�o?
N�o.
N�o podemos ser acusados de nada.
N�o podemos fazer nada.
- N�o. - N�o.
Sem culpa...
Recebi os resultados dos exames.
O qu�? O que diz?
Vamos ver.
Frederik Halling sofre de uma enfermidade ps�quica org�nica,
causada por um tumor em seu c�rebro.
Certo.
Devemos supor que Frederik Halling era insano
na �poca em que as transa��es ilegais ocorreram.
Parab�ns.
- Obrigada. - Oi. Pode p�r a�.
Gostaria de apresentar...
Este � meu advogado, Bernard, e minha esposa, Mia.
Oi. Eu sou Khayatt. Bem-vinda a �dalsparken.
Sim...
Legal.
- Diabos... - Frederik, quer me ajudar?
- N�o quer me ajudar um pouco? - Com o qu�?
- Com a vassoura. - Tenho que mijar.
Niklas, pode me ajudar para que possamos terminar?
N�o acha que as coisas melhoraram para o papai?
O que est� dizendo? Ele mija, dorme e assiste TV.
Mas ele est� conseguindo conter seus impulsos.
- N�o acha? - N�o, nem um pouco.
M�e, n�o consegue ver que o papai est� melhor?
Agora vamos ver o qu�o bem ele est�.
Vamos ouvir as considera��es da promotoria.
- Por favor. - Obrigado, Presidenta.
Eu conheci o r�u aqui, no dia de hoje,
e tive a impress�o de se tratar de uma pessoa engajada,
que fez muito bem aos outros em seu tempo como diretor.
Mas ao mesmo tempo notei consci�ncia e premedita��o
ao causar grandes preju�zos � escola que liderava.
Ele explicou que
foi por causa de um tumor que ele causou tais preju�zos.
Foi apoiado por depoimentos hesitantes
de sua fr�gil esposa e seu dedicado filho.
Mas, acima de tudo, permanecem os rastros das transa��es,
que aponta o r�u como parte culpada.
Levando em conta a complexidade do crime, n�o restam d�vidas
que tal fraude n�o � algo que o r�u teria cometido
sem inten��o.
- N�o d� para ouvir nada. - Est� no phono.
Porn�? Freddy, ningu�m vende pornografia aqui, certo?
Isso, cara. Vamos l�...
Freddy. Acho que tem visita.
- Oi... - Aqui est� voc�!
Vai querer um?
Joyride? N�o, preciso falar com voc�.
Escuta... O promotor n�o acha
que os exames tenham sido feitos de modo apropriado.
- O que isso quer dizer? - V�o estender o caso.
Ele quer que seja submetido ao Conselho M�dico Legal.
Certo... Conselho M�dico Legal?
A inst�ncia mais alta do sistema dinamarqu�s.
N�o h� nada acima deles.
O Conselho far� sua pr�pria avalia��o dos exames.
Podem concluir que eu n�o estava doente na �poca do crime?
Vamos cruzar os dedos para que a avalia��o seja igual.
- Entendeu? - Sim...
- Mia est� em casa? - Est�.
Vou passar por l� e dizer a ela. At� mais.
Freddy, meu caro. O que acha de um cargo permanente aqui?
Isso vai ser dif�cil. Como v�o viver sem esta casa?
Bem... vamos vender todas as porcarias.
Ent�o compraremos um barco e vamos velejar pelo mundo.
Henning, para com essa merda de velejar.
Voc�s nunca v�o a lugar algum.
J� planejamos. Come�amos pelo Caribe e vamos para o sul.
Posso dizer palavra por palavra do que vem a seguir.
Mia disse antes de chegarem:
"Por favor, que o Henning n�o fale em velejar de novo!"
- Que porra est� dizendo? - Como assim?
- Por que est� falando isso? - Por que est� t�o brabo?
S� estou dizendo como as coisas s�o.
Eu sonho em conhecer o mundo!
Eu gostaria de ouvir isso lendo um postal de Fiji!
At� l�, sossega esse rabo!
Frederik, chega, certo? Ele n�o pode controlar.
- O que disse? - Ele diz uma coisa e faz outra.
O c�rebro forma o impulso para a a��o numa �rea
diferente da �rea que decide o que vamos fazer.
O menor dano ocorrido no lobo frontal
faz com que essa conex�o se enfraque�a.
Simplesmente n�o h� contato entre palavras e a��es.
Est� dizendo que eu tenho um dano cerebral?
Ela disse que eu tenho o c�rebro danificado!
N�o foi isso, ela disse que est� chapado.
Vamos tomar um vinho.
N�o � uma boa ideia, Frederik.
Vou pegar um vinho.
Eu vou junto.
Como � bom que o Frederik esteja bem de novo.
Bem? Como assim, bem?
Sim, bem. � mais importante que estarem se mudando.
Mas ele n�o est� bem. Est� longe disso.
Antes de ficar doente, ele nunca agiria assim.
Eu n�o sei como dizer isso a voc�, mas...
O qu�?
Talvez o Frederik n�o fosse perfeito do jeito que lembra.
- Voc� n�o entende. - S� estou tentando ajudar...
� bom que esteja tentando, mas voc� n�o entende.
- Eu queria ajudar com isso... - Voc� n�o entende, certo?
Ainda ouvimos do amigo �ntimo do r�u, Laust Saxtorph,
que n�o notou qualquer mudan�a no r�u, na �poca dos fatos.
E por fim, e mais digno de nota,
temos a conclus�o da suprema inst�ncia,
o Conselho M�dico Legal, que concluiu
que o r�u n�o era mais mentalmente inst�vel,
que era consciente das consequ�ncias,
e portanto, agiu deliberadamente.
H� circunst�ncias agravantes, que falam de modo expressivo.
E tamb�m � um agravante
que o r�u tenha abusado de seu status de Diretor.
Por isso, n�o vejo qualquer raz�o para senten�a condicional.
Uma vez que se trata de uma fraude de 12 milh�es de coroas,
o r�u deve ser punido com 3 anos e 6 meses.
O Conselho M�dico Legal conclui que Frederik Halling
n�o era mentalmente inst�vel na �poca dos fatos.
Ele era...
totalmente consciente de suas a��es,
e portanto, respons�vel.
Isso significa
que o Conselho discorda das conclus�es dos exames.
Eu n�o entendo. Eles disseram...
Eles disseram que voc� de fato tinha restri��es mentais,
mas que devia ser capaz de resistir a impulsos ego�stas.
Escute, isto n�o � um veredicto.
E se estiverem errados? Pode haver erro na investiga��o.
Certo. Se houver algum erro, contatamos o Conselho
e dizemos que eles negligenciaram alguma coisa.
Mas teremos que apresentar algo novo, que n�o saibam.
Mas eu disse tudo.
Frederik, voc� trabalhou pr�ximo a algu�m nos �ltimos anos,
com quem possamos falar?
Algu�m que possa confirmar que seu comportamento mudou?
N�o...
Bem, haviam algumas secret�rias no escrit�rio, mas...
Mas elas trabalham para o Laust. N�o conseguiremos nada.
- E seu eu falar com o Laust? - N�o, n�o pode.
N�o precisa fingir que me entende.
Eu entendo voc�.
N�o est� bem a ponto de saber que sua empatia reduziu?
- Eu estou tentando entender. - Mas seu c�rebro n�o deixa.
Mas eu sinto que te entendo.
� o que diria, n�o?
Eu te entendo... Eu entendo bem.
Consci�ncia da doen�a, Frederik.
Eu te entendo. Eu entendo...
Voc� diz o mesmo, de novo e de novo...
� persevera��o. Voc� n�o est� bem.
Por que n�o est� com o Bernard?
Se eu n�o estivesse aqui, poderiam estar bem felizes.
- N�o pode dizer isso. - Bem...
Voc�s ficam bem juntos. Encaixam perfeitamente.
Para com isso...
N�o, � s�... � uma constata��o.
Entendo se n�o quiser mais transar comigo.
Eu entendo bem. E acho que devia me deixar.
Eu estou te puxando para baixo... Para baixo.
Falaremos nisso depois.
Falaremos depois? Ent�o j� decidiu.
Voc� decidiu ir embora.
Eu n�o... n�o posso... N�o posso voltar atr�s.
Eu me desculpei pelo que eu...
Se eu estou doente, estou doente, mas n�o sinto isso.
Foi uma estupidez. Temos que seguir e... Desculpa.
A defesa far� sua declara��o?
Obrigado, Presidenta.
Passamos este dia revisando a vida de uma pessoa,
a qual foi posta de cabe�a para baixo devido a um tumor,
que muda a personalidade e a habilidade de decidir.
Meu argumento � que n�s hoje temos provas
de que o livre-arb�trio e a habilidade de decidir do r�u
foram completamente tolhidas.
O cirurgi�o tornou vis�vel
que de fato havia um tumor no c�rebro do r�u.
A esposa, o filho
e os m�dicos psiquiatras deixaram claro
que sua personalidade mudou, n�o era mais um cavalheiro.
Sim, as a��es do r�u foram duras para a escola.
Mas ele poderia ter agido de outra forma,
com um tumor pressionando seu c�rebro?
Estava de passagem. � bom ver voc�.
Bem...
Nossa vida est� totalmente diferente.
Nos mudamos.
A pens�o acabou, o carro se foi. Meus m�veis e tudo...
Confiava mais no Frederik do que em qualquer um.
Eu tamb�m.
N�o t�nhamos como saber que havia algo errado.
Ent�o um dia ele vai ao banco...
e rouba 850 mil da escola.
E est�vamos sentados com caf� e biscoitos,
falando sobre o futuro da escola e ele nos rouba 850 mil!
Ele queria acabar com a escola!
O que diabos ele tinha na cabe�a?
Ele era outra pessoa, Laust. Ele estava doente.
Mas o tumor se foi, ele pode seguir em frente.
Mia, n�s lamentamos por voc�.
Ela n�o pode mais manter sua casa, certo?
- N�o, eu sei. - Ele disse que estava entediado.
Disse isso?
Disse que n�o havia motiva��o.
Mas isso mudou, n�o?
Nos anos anteriores ao diagn�stico
ele queria ficar em casa, n�o?
Foi pela tentativa de suic�dio...
Por isso ele foi para casa, para cuidar de voc�.
- Que tentativa de suic�dio? - A sua, na cozinha.
N�o lembra disso? H� tr�s anos, na cozinha.
- Eu n�o tentei me matar. - Todo mundo sabe disso.
Todo mundo acha que eu tentei me matar?
As p�lulas... estavam espalhadas pelo ch�o.
- N�o havia nenhuma p�lula. - Mas... Mia, que diabos!
N�o havia nenhuma p�lula. Nenhuma p�lula, Laust!
Podem vir aqui ajudar?
Pode pegar aqui?
N�o � mau poder apreciar uma m�sica.
Faria isso sempre, se pudesse.
Tem sido uma loucura com os alto-falantes.
S� saem sons desconexos. Nada se torna melodia.
Quer que eu pegue?
As pessoas subestimam a escuta plena.
N�o entendo. Gastam dinheiro com a apar�ncia da casa.
S�o casas caras. E n�o gastam nada com alto-falantes.
- Todo o foco � no visual. - Uma loucura.
Ningu�m pensa se tem um som ruim no aparelho.
J� pensou em constru�-los com eletrostato?
Bem, � uma escolha dif�cil, n�o?
Posso me arrepender disso.
O Psiquiatra-chefe Herdis Lebech esclareceu
que os sintomas conhecidos do diagn�stico solicitado
inclu�am perda do controle dos impulsos.
Ent�o n�o, o r�u n�o poderia ter agido de outro modo,
porque isso foi exatamente o que o tumor o fez fazer.
Ent�o a pergunta �:
O r�u fez o que fez
apenas porque tinha um tumor no c�rebro?
E � justific�vel puni-lo agora,
quando o tumor se foi?
N�o. Digo que Frederik Halling deve ser absolvido,
de acordo com o par�grafo 16 do C�digo Penal.
A pessoa que no momento do crime estiver privada de sua raz�o,
devido a insanidade ou outra condi��o similar,
n�o ser� penalizada.
Com isto, deixo a mat�ria para a corte. Obrigado.
O caso ser� levado a ju�zo logo ap�s esta audi�ncia.
Estimo que o veredicto seja dado em uma hora.
Khayatt � muito legal. Ele vende LPs velhos.
- Vai ajud�-lo, pai? - Vou.
Seu pai n�o vai vender sucata.
Ele � um Diretor, n�o um deles.
Ele s� quer ajudar.
Quando fui fazer a lavagem, o que disse �s pessoas?
- Est� pensando na Dorthe? - N�o. O que disse, as raz�es?
- Que havia bebido demais. - Disse que eu tomei p�lulas?
Disse que eu tentei me matar, n�o � isso?
N�o... n�o foi isso.
Embora tenha sido isso, n�o?
Por isso eu voltei pra casa. Para cuidar de voc�.
Ent�o foi por isso que parou de trabalhar tanto?
Foi por isso que mudou?
N�o sabia que tinha mudado.
Ent�o agora n�o foi por causa do tumor que voc� mudou?
Acho que amanh� ter� um dia dif�cil na corte.
Eu fiz isso por amor a voc�.
Amor a mim? Voc� � pat�tico.
Certo.
Ent�o eu sou pat�tico. �timo, eu sou pat�tico.
Do Grego, "pathetikos". Significa sens�vel e apaixonado.
Na verdade, a rela��o que n�s temos... eu diria.
Sou sens�vel e apaixonado, diante de voc�, querida.
Eu sou...
Eu tenho um caso com o Bernard.
N�o posso mais viver com voc�.
- Tem um caso com o Bernard? - Tenho.
- Nosso... meu advogado? - Isso.
Ela vai se divorciar da L�rke e coloc�-la numa institui��o.
N�o acha que � algo que voc� imaginou?
Mia, acho que voc� imaginou. Bernard n�o � assim.
Acho que voc� fantasiou.
Quando o julgamento terminar, eu vou morar como Bernard.
Entendo que queira me punir de qualquer jeito.
Mas isso, Mia...
Por que n�o diz nada?
Pai?
Pai!
Niklas! Frederik!
Frederik!
Niklas!
Niklas...
Acha que ele est� no Khayatt?
Por que simplesmente n�o parou na frente de um trem?
Ent�o eu n�o te encontraria com tequila e p�lulas.
- N�o havia p�lula, Niklas. - Para com isso.
Niklas...
- N�o podemos conversar agora. - Preciso falar com voc�.
N�o posso, estou numa liga��o importante.
Bernard...
Disse ao Frederik que temos uma rela��o?
Ele contou?
Seria muito n�o profissional de minha parte, se tiv�ssemos.
Dormir com a esposa do meu cliente, o que est� pensando?
Perd�o, eu deixei escapar.
N�o pode espalhar esse tipo de hist�rias a meu respeito.
Agora eu preciso atender a esta liga��o.
- Mas vamos nos ver de novo? - Sim, amanh�, na corte.
Mas e depois?
O que quer que esteja pensando, eu digo "n�o".
Porque nunca houve nada entre n�s. E nunca haver�.
Agora preciso voltar para a minha liga��o.
As pessoas perguntam o qu�o bem eu conhe�o meu marido.
Mas o que faz de n�s o que somos?
Mam�e, vamos!
Socorro!
Os ju�zos dos outros a nosso respeito nos d�o forma?
Ou somos respons�veis pelo que nos tornamos?
Somos apenas um emaranhado de experi�ncias confusas
e mem�rias deturpadas?
- Por que n�o faz aqui? - Quero um banheiro de verdade.
- Pai! - Frederik!
Ou tudo � determinado?
Nosso destino est� em nosso DNA? Na qu�mica do nosso c�rebro?
Nas leis da natureza?
Somos apenas um estado do nosso c�rebro em dado momento?
E nada mais?
Fica decidido:
Frederik Halling ser� punido com 3 anos e 3 meses de pris�o.
Posso dizer que o veredicto foi un�nime.
Por favor, tomem assento.
A corte est� de acordo com a acusa��o,
apoiada por outras informa��es, baseadas em evid�ncias,
de que o r�u cometeu fraude, como descrito no indiciamento.
Seguindo o Conselho M�dico Legal,
em linha com os esclarecimentos,
a corte n�o acata que o r�u tenha cometido os atos descritos
sob influ�ncia da s�ndrome orbitofrontal.
A corte considera, portanto, que o r�u n�o era insano
na �poca dos fatos devido a tal condi��o mental.
E assim, o r�u n�o ser� dispensado da pena.
Considerando o tamanho da quantia envolvida,
a senten�a � de pris�o, por 3 anos e 3 meses.
Tamb�m ser� imposto ao r�u pedido de compensa��o.
Informo que a decis�o foi aceita.
Est� anotado.
A corte est� encerrada.
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