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HIST�RIA DE UM GRANDE AMOR
INSPIRADA NA FAMOSA OBRA "O MENINO DA BOLA"
Frei Trinidad
Coro de crian�as da Catedral de Morelia
Participa��o especial de SARA GARCIA como Dona Josefa.
O drama romantico hist�rico que v�o ver, aconteceu no meio do s�culo passado.
Numa cidade escondida, famosa por sua feira anual, em honra da imagem do menino Aparecido.
Tarde de um s�bado 5 de abril. Quando um rico viajante misterioso
Detem sua marcha na tranquila capital da Provincia.
Para continuar sua caminhada atraves da Serra.
N�o abra Dr Felipe, venha jogar.
Vou ver quem chama.
Procure outra pousada para passar a noite.
Pois aqui n�o tem mais janta.
Um bom jantar e boas camas para mim e meus criados.
E para os cavalos, a melhor cevada.
Mande que ajudem a descarregar as malas.
Os animais pela outra porta.
Quer que sirva um aguardente?
N�o, obrigado.
Leve o Sr, ao quarto enquanto preparo o jantar.
Cinco mulas carregadas de bagagens.
N�o � dessa regi�o.
Verifique quem s�o.
Subam o jantar.
O que ordenar.
Ou�a, quem � seu Patr�o?
Um comerciante rico.
Um chefe de contrabandista de tabaco.
Um cavalheiro.
Um fugitivo.
Um diabo armado sem dinheiro.
Voc� escolhe, pode ser tudo isso.
Boa noite, sacrist�o.
Do que falam, senhores?
Do recem chegado.
Estamos admirados do modo que viaja.
Um bonito porto, quatro escopetas.
E cinco mulas para levarem as bagagens.
E n�o sabemos quem �,
Estamos curiosos em saber.
Quem � esse viajante que parou nessa pousada.
Eu diria, dez anos atrasado.
Voc� est� tremendo, sacrist�o?
� quando o vi na escada.
Achei ter visto um assombra��o e quase desmaiei..
N�o vai dizer que o recem chegado � uma alma penada.
Pois poderia dizer.
E acho que �.
Por qu�?
Porque na cidade onde estive com sacrist�o.
Muitos anos com frei Trinidad.
Todos achavam que estava morto.
Como eu acreditava.
N�o fiquem rindo.
S� pode ser ele que foi criado pelo padre Trinidad
E agora volta para a feira do Sant�ssimo.
E cumprir a promiessa que fez na outra Feira.
N�o sei h� quanto tempo.
N�o � possivel que n�o saiba quem � seu patr�o,
Fale, se n�o quer nos dizer.
Digo aos senhores que n�o sei.
Contratou-me para acompanha-lo nem sei onde.
E os tres dias que estou com ele.
Tratou-me bem e me pagou direito.
Mas s� sei seu nome.
J� � alguma coisa.
E como se chama?
Manuel Venegas.
Ent�o � ele.
Por que esse espanto?
Vai ver � uma assombra��o.
Perguntem a Soledad.
Ou melhor, para sua m�e.
Qual Soledad?
Filha do Sr Elias.
� uma hist�ria digna de contar, n�o?
Uma hist�ria que n�o gostaria de lembrar.
E pensar no que vai fazer o padre Trinidad.
E Soledad, e o pr�prio Manuel,
Porque esse � seu nome.
Manuel Venegas.
Melhor seria se estivesse morto.
N�o que voltasse agora.
E com certeza rico, sen�o n�o voltaria.
Muito rico, sim senhor.
A julgar pelo que nos deu.
O que eu digo.
Volta para cumprir a promessa.
E o pior � que a faca n�o est� onde deixou quando foi embora.
Que bom que resolvi mudar de par�quia.
Continuamos na mesma.
Conte-nos a hist�ria, sacrist�o.
Teria que come�ar a contar desde o dia em que o conheci.
Por que n�o?
J� que nos deixou curioso.
Se voc�s quiserem?
Manuel tinha ent�o 12 anos.
Vinha pela serra com o padre Trinidad, que tinha dado uma extrema un��o
Quando o vimos correr como selvagem em cima de uma �gua
Do outro lado esperava o pai que aplaudia com entusiasmo.
Sr. Rodrigo acaba de chegar da luta pela independencia do pais.
Estava no comando de voluntarios de cavalaria
Motivo pela qual encontrou suas terras sem cultivar
Tudo vazio e seu gado morto
Sendo engolido pelo mais rico e poderoso da cidade.
Que amea�ava pegar sua casa antiga. Que tinha herdado de seus antepassados.
Com uma m�o acariciava a divida que o tranformaria em dono dos bens do Sr, Rodrigo.
E com a outra uma menina que teve de seu ultimo casamento.
As pessoas o odiavam pois pensava s� em seu filho.
E realmente n�o havia outra coisa no mundo do que aquele menino.
Educava para ser pobre.
Pois sentia que um dia chegaria a ser.
E digo mais.
Antes do filho houve outra coisa.
Teve que limpar a honra de seu nome.
Quando inventaram uma cal�nia.
Toda cidade se comoveu com isso.
E por muitos anos se falou do ocorrido.
Pois as coisas aconteceram dessa forma.
A casa amanheceu em chamas.
L� est� o culpado Senhor prefeito.
Meu �nico inimigo.
E tudo porque havia emprestado algum dinheiro.
Tinha a garantia de uns papeis assinados.
Que estavam l� dentro.
Mas vou faz�-lo pagar tudo.
Mil reais para quem me tragam esses papeis..
Nem hoje nem nunca poder� manchar meu nome.
E de meu filho com uma calunia dessa.
Com papeis assinados.
Ou sem eles, cobrar� at� o �ltimo centavo.
Dou-te minha palavra.
N�o acredito em sua palavra.
Porque n�o aceito a palavra de um ladr�o.
Calma Sr. Rodrigo.
Todos sabem quem voc� �.
Senhor Padre.
Calma filha.
O que tenta fazer Sr Rodrigo.
Deixe-me padre.
� assunto meu.
N�o pode jogar essa infamia a um homem que te deve dinheiro.
Porque comprometeu mais do que tinha.
E de um modo desinteressado.
Em dar-nos a todos.
A voc� e a mim.
Uma patria livre.
N�o entendo de p�tria Senhor Padre.
S� de numeros.
E quero os recibos que me garantem essa divida.
No espa�o de poucas horas o menino conheceu todos os infort�nios humanos
Viu com levantam desfigurado e morto seu pai.
O qual foi ferido, companheiro e unico amigo de sua vida.
E finalmente sentiu que ia ficar sozinho.
Abandonado, silencioso.
Sentado num canto do vel�rio.
Entravam e saiam e ninguem se lembrava que ele estava l�.
Tudo isso n�o explica porque acho ver um fantasma.
Deixe que ele continue.
Continue.
O menino ficou sentado num canto no vel�rio.
Pois nessa noite.
A primeira noite de orf�o.
Quando os sinos pararam e a musica do enterro tambem.
Quando as sombras avisaram que ele estava sozinho.
Quando com certeza come�ou a ter frio e fome.
E pensava que tambem estava morto.
Ouviu uma voz que dizia.
Onde est� rapaz?
Onde est�, que n�o responde?
Por que n�o acendeu a luz?
Venha comigo.
Vamos para minha casa.
E seja o que Deus quiser.
Onde est� Manuel?
Cantando no coral.
Esse menino tem uma veia de louco desde que o pai morreu.
Assim ser� at� que solte o pranto que ficou retido.
Porque ninguem chorou com ele quando ficou orf�o.
Devia consultar o Dr. Trajano.
J� o recomendei a Santa Imagem do Menino.
As crian�as se entendem melhor entre si, do que n�s com eles.
Vai sair?
Sim, quer algo?
Disse-me ontem que te pedisse dinheiro para comprar comida para o menino.
Sim, disse.
Mas n�o tenho.
J� sabia.
N�o sei por que quer esse menino aqui com voce para sempre.
Com quem quer que fique?
Noutra casa teria, melhor cama, melhor comida, melhor educa��o.
Mas voc� viu, ninguem se preocupou com ele.
Com o dinheiro de seu pai, pague alguem para cuidar dele.
Esse menino � mais pobre que voc� e eu Apolonia.
Voc� n�o tem como sustent�-lo.
Onde comem tr�s, comem quatro.
Mas n�o tem tempo para cuidar dele.
Voce cuida dele.
N�o sei criar crian�as.
Criou eu.
Com o que me deu, n�o d� para comprar p�o.
D�-Ihe o meu.
O que fa�o ent�o?
O que fez todas essas noites.
O que estive fazendo.
Cuidando dele naturalmente.
Esse Trinidad ainda vai acabar comigo.
Isso, muito bem.
Amanh� ensaiaremos outra vez essa parte.
Podem ir.
O que est� acontecendo?
Por que est�o brigando?
Por que essa briga?
Manuel me bateu.
Por qual motivo?
Nenhum, eu n�o fiz nada.
� verdade, Manuel?
Responde, Manuel.
N�o � verdade, Senhor Padre.
Eu sei por que Manuel bateu nele.
Por qu�?
Lamos brincar.
E ele disse que n�o brincava com Manuel.
Porque era um rejeitado.
E ent�o.
Manuel foi em cima dele.
Porque o outro disse que era um rejeitado.
Vai lavar a cara.
N�o tenha medo que vejam voc� chorar.
Eu sei por que chora.
Todos choramos na vida.
Quando algo nos fere.
Ent�o queremos guardar a dor para n�s mesmos.
Porque n�o h� ninguem que chore conosco.
Mas voc� n�o est� s�.
Eu estou com voc�.
Chorando tambem.
Olhe-me.
Bom dia. Bom dia.
Ainda est� l�.
N�o sei o que vem procurar aqui todas as tardes.
Vem pegar algo que esqueceu.
E n�o se atreve a chamar.
Algo que esqueceu?
Nada do que tem aqui Ihe pertence.
Nada!
J� fa�o muito deixar que use o traje de veludo que veste.
Senhor Laurel. Sim.
V� la fora e mande o menino embora.
N�o, Elias.
N�o h� motivo.
N�o gosto que venha todos os dias espiar.
N�o est� te espiando.
Lembre que fazem alguns meses essa era a casa dele.
Mas n�o � mais.
Ele n�o entende isso.
Deixa-o, que mal h� em ficar l�.
Sr, Elias tem raz�o, senhora.
N�o sabe que h� comentario na cidade.
Dizendo, que belo carrasco foi Sr. Elias?
Falam isso?
Des�a e mande ele embora.
Sim, senhor.
O que faz aqui?
Vim pegar a caixa de musica que esqueci.
E voc�?
Eu estou aqui com meu pai e minha m�e.
Eu tambem morava aqui antes.
Essa era minha casa.
Como se chama?
Soledad.
E voc�?
Manuel.
Voc� � bonita.
Vou trazer meu pai que o veja.
O que faz por aqui Padre?
Sente-se padre.
Vou avisar meu marido.
Obrigado Dona Josefa.
Estou as suas ordens, padre.
Sente-se.
Fique senhora.
O que tenho para falar com Sr, Elias.
Pode ouvir tambem.
Deve saber por que vim.
Se n�o me disser, padre.
Vou diretamente ao assunto.
Hoje faz um mes que a pedido seu e por for�a da lei.
Ficaram com voce todos os bens do falecido Sr. Rodrigo.
O veredito foi decente.
At� o juiz ficou indignado para declarar legitimo seu pedido.
No mesmo dia do enterro do Sr, Rodrigo.
Bom n�o � isso que venho discutir.
E nem tenho autoriza��o para faz�-lo.
Ent�o, o que �?
E o caso que todas as pessoas da cidade e eu com elas.
Achamos que doaria ao orf�o algo que ajude em sua educa��o.
E seu futuro.
Eu?
Casa e comida n�o Ihe faltam.
Por humilde que seja minha casa.
E por amargo que possa ser meu p�o.
Mas veja, n�o posso vestir a um menino de sua classe.
Pela posi��o de seu nome.
E o beneficio que seu pai fez pelo bem estar de todos.
E se voc� n�o arruma o dinheiro.
Para uma boa educa��o na capital.
Esse rapaz ter� que crescer.
Assim como essa arvore em frente de sua casa.
Conforme seus impulsos naturais.
Porque tenho as luzes para cultivar sua inteligencia.
Que � grande.
E o dons precisos para construir seu carater.
Que s� Deus sabe que surpresas esconde.
Se voc� n�o fizer nada.
O que est� dizendo?
J� fa�o muito em vestir e educar minha filha.
Saiba que no arremate dos bens do falecido, perdi um dinheir�o
Voc� n�o perde nada.
Ganha mais de 400 por cento.
Desses juros que parece que foi inventado pelo diabo.
Todos sabem as condi��es de seus emprestimos.
� facil julgar por conta pr�pria.
Considera que esse menino, fique pedindo esmolas?
Na sua idade eu tambem pedia.
Est� bem.
J� vou.
Papai.
Manuel pode comer comigo?
Leve esse menino embora, padre.
Deixa-me doente.
Essa n�o � mais sua casa.
Mas sim minha.
Espera-me na pra�a, Manuel.
Se soubesse o que sinto, padre.
Nem me atrevo a chamar isso de minha casa.
N�o tem do que se envergonhar, dona Josefa.
Deixe-me as s�s com o padre.
Sim, mam�e.
O que posso fazer por Manuel?
Fa�a o que acha prudente.
Fa�a ele entender que aqui n�o o querem mal.
Agora mesmo?
Seria bom.
Alcance-o
Eu esperarei aqui.
Manuel
N�o v� embora.
Venho falar com voc�.
Diga filho, o que procura aqui?
Acha que todos de minha casa s�o seus inimigos?
Nisso voc� est� enganado.
Minha filha me disse hoje depois do almo�o.
Mam�e, quero que esse menino que vem todas as tardes.
Voc� diga que sim a tudo que ele pedir,
Tenho muita pena.
Porque na escola dizem.
Que antes era mais rico que n�s.
Precisa de algo?
Porque veste essa roupa indigna de sua classe?
N�o quero dizer que a jaqueta � feia.
Ao contrario, est� bem de todas as formas.
� um rapaz muito bonito.
E depois o padre, que Deu Ihe pague.
Te deixa muito limpo e decente.
Gostaria de fazer algo por voc�.
Fale com franqueza.
Ou sen�o.
Toma.
� melhor.
Gaste no que precisa.
� muito rancoroso.
Ou tem muito orgulho, Manuel.
Ele � assim.
Mas voc� fez tudo o que podia.
Fique com voc� padre.
Deve fazer falta, para sustentar esse rapaz.
SOLEDAD
Pensa bem Elias.
� muito crian�a para ficar sozinha num internato.
J� foi decidido.
N�o me separe dela.
N�o quero que cres�a com esse menino nessa cidade.
Vamos.
Como voc� � t�o quieto e eu t�o intrometido.
Quero que me responda uma pergunta.
Promete?
Sim.
Desde que o Sr. Elias levou Soledad a um col�gio na capital.
Voc� est� triste.
Por qu�?
N�o sei, padre.
Ent�o venho a tempo para te dizer.
Que n�o volte a pensar nela.
De qualquer forma Sr Elias fez bem.
Sr Elias n�o gosta de mim.
Talvez n�o goste.
Por isso levou Soledad.
Para que n�o volte a v�-la.
Bom, vamos deite-se.
E n�o volte a pensar nisso.
E eu j� vou.
Porque com tantas coisas nem pude rezar o Of�cio.
N�o sei onde vai procur�-lo.
Em algum lugar deve estar.
Se n�o voltar em dois dias � porque n�o quer te ver.
Mas eu tenho vontade de v�-lo.
Quando vai voltar?
S� quando o encontrar.
Olha o trabalho que voc� vai ter.
Sim filha, sim.
Nesse mundo tudo � trabalhoso.
Procurar alegria e encontrar dor.
Ser rico e ser pobre.
Carregar uma cruz ou outra.
Agora.
Nada d� tanto trabalho.
Como criar um homem.
Tres dias o Padre Trinidad andou perguntando por todas as partes
At� encontr�-lo na serra com uns lenhadores
E como o padre disse
Manuel cresceu como a �rvore da pra�a
Solit�rio, esbelto
Olhando sempre a casa e a janela do quarto da menina do Sr, Elias
Que se tornou mulher
< E ent�o tinha voltado � cidade
�s vezes
Quando Manuel voltava depois de grandes ausencias
As pessoa do campo ouviam ele cantar
Aqui estou com as toalhinhas que me pediu.
Para o altar de Santo Antonio.
N�o trouxe todas.
Depois eu trago as outras.
J� est�o prontas.
Como est�o bonitas.
Senhora, quero me d� o chocolate.
N�o demoro Valentina.
J� trago seu dinheiro.
Trago a resposta do que me pediu.
N�o sabia com que pretexto vir.
Diga-me antes que mam�e volte.
Manuel Venega foi hoje depois de comer.
O padre n�o sabe ou n�o quiz me dizer onde foi.
Nem se voltaria.
Acho que algo aconteceu, pois n�o queriam falar disso.
O que tive que passar.
Sabe que para te servir estou disposta a tudo.
Por isso vim.
Achei que precisava de mim para algo.
Menina.
Ele est� l�, venha v�-lo.
Mentira.
Mentira que te ame.
N�o procura sua felicidade.
Odeia-te, porque me odeia.
Nem vivo nem morto consinto que se case com ele.
S� para atravez de voc� saciar sua sede de vingan�a.
Vejo que voc� nunca diz nada.
O que quer que diga, papai?
S� me resta obedecer.
Obedecer.
Diga algo.
Qualquer coisa.
O que pensa.
O que sente, quando proibo que o veja.
Est� bem, papai.
O que n�o sabe, � que eu mesma me proibi.
Porque Manuel me d� medo.
Eu mesmo diria que as vezes que o odeio.
Porque sem saber se o amo ou n�o.
Desde que voltei.
Os olhos de Manuel, est�o sempre sobre mim.
Como uma constante amea�a.
Como se quisessem dizer.
Essa mulher � minha.
Viu?
Estamos de acordo.
Voce tambem o odeia.
Se tem medo dele, eu n�o.
Vou agora mesmo te provar de uma vez por todas.
Josefa.
Continua l�?
Sim.
Des�a e pe�a que suba.
N�o.
O que vai fazer, papai?
Voc� vai ver.
Manuel.
Sei que quer me dizer algo.
Pois desde que voltei todas as tardes est� junto da �rvore.
O que �?
Fale.
Diga diante de mim o que tem para dizer � minha filha.
Preciso a vida toda para dizer.
N�o � uma palavra.
Nem duas, nem muitas.
� toda minha vida sem palavras.
Todo meu sangue que grita sua presen�a.
Todos os dias e todas as noites de toda a vida.
Para estar te olhando como eu fa�o dessa �rvore.
Como faz a �rvore, quando n�o estou.
N�o continue, Manuel.
Faz-me tremer.
Porque voc� tambem me ama assim.
Diga diante de seu pai e de sua m�e.
Que se casar� comigo.
Acha que poderiamos ser felizes?
Separam-nos quest�es de dinheiro.
Que nada tem a ver com a felicidade das pessoas.
Se as pessoas querem ser felizes.
Depende de voc� que tudo se apague.
Que tudo se esque�a.
Diga a seu pai para fazermos as pazes.
E evitaremos desgotos para todos.
Diga-Ihe.
Que se casar� comigo.
Antes morta!
Viu?
Meu pai te odeia e voc� o odeia tambem.
O que posso fazer?
Se amo aos dois.
Vai agora Manuel.
Assim?
Ser� melhor.
Soledad.
Nunca se esque�a que nada poder� me separar de voc�.
Hoje n�o vou comungar.
Esque�a-me Manuel.
E v� para onde nunca possa te encontrar.
Pedir-me que te esque�a?
� pedir todo o sangue de minhas veias.
Meu cora��o te pertence.
Como uma pedra ao ch�o.
Mesmo que atire bem alto.
Ela sempre vai voltar.
N�o me fa�a sofrer.
Que escolha me deixa?
Morrer?
Matar-me?
Nem isso quero, pois me afastaria de voc�.
D�-me medo sua frieza.
N�o sei por onde vai arrebentar essa corrente.
Mas eu te juro pelo Menino Santo.
Que voc� ser� minha mulher.
E Soledad o que respondia?
Nada, o que quer que responda?
Tudo isso que acabou de me contar, chorando Dona Josefa.
Mas...
N�o demonstrou nenhum sentimento?
N�o chorou?
Soledad � como voc�.
N�o chora.
Soledad me ama.
Pode acontecer que o Sr Elias.
Se empenhe em cas�-la com outro.
N�o se atreva.
Isso � assunto meu.
Manuel.
D�-me medo tua decis�o e tua confian�a.
Com raz�o.
�s vezes me assusto comigo mesmo.
Ent�o entenda a partir de agora.
Eu que sou crist�o e sacerdote.
Gosto dos valentes e n�o dos teimosos.
E no entanto s� morro de raiva e de vergonha.
E tambem...
Entendo.
Me expulsar� de sua casa.
Vai para o inferno.
Quem falou isso?
Quero dizer se faz algo contra a lei de Deus.
Depois de tudo o que te ensinei.
Morrerei de raiva e de vergonha.
Por ter criado um monstro.
E depois tem muito tempo ainda.
Isso sem contar que o Sr, Elias se aproxima dos 70 anos.
Pode morrer quando Deus queira.
O chocolate esfriou.
Padre.
Essa tarde vou embora da cidade.
N�o quero estar aqui para a feira.
Ser� o primeiro ano que o Santo Menino.
N�o ver� voc� dan�ar e cantar em sua festa.
N�o devem deixar as pessoas dizerem.
Que a cura do menino � um milagre.
Venham comigo.
Foi um milagre o urso n�o matar esse menino.
Dentro de 5 minutos.
Todo mundo vai dizer que � um milagre do Menino Santo.
E o milagre foi de outro.
N�o diga isso, Vitriolo
Digo pois frequentei a par�quia do padre Trinidad.
Sei como s�o essas coisas.
Se soubesse que a imagem � feita de madeira.
E que uma vez quebrou a m�o que leva o mundo.
E que um carpinteiro de l� consertou
A realidade seria outra.
Jesus, que coisas voc� diz, Vitriolo
N�o � verdade, Manuel?
S� sei que se souber que anda zombando do Menino Santo.
E do Padre Trinidad, te quebro os ossos.
Nunca a for�a silenciar� minha ideias.
J� te falei, com Manuel n�o se brinca com essas coisas.
J� vai Senhor Prefeito?
Voc� diz coisas que comprometem �s pessoas.
Ser� melhor continuar falando de ursos.
Queria fazer uma proposta a Vitriolo, meu querido doutor.
Ah sim, ia propor a Vitriolo
Que j� que � farmaceutico.
Envene o urso e ganhe os 100 reais que oferece o prefeito.
Fa�amos um trato, doutor.
50 e 50.
Faz uma visita inventa uma doen�a.
E me manda a receita.
Aqui todos estavam de acordo em enviar voc�
N�o desperdice a oportunidade de se tornar her�i e popular.
As comiss�es s�o para os que se dizem valentes.
Por exemplo, Manuel Venegas, poderia matar o urso.
N�o insista.
N�o insisto, doutor.
Ao contrario.
Quero dar a meus inimigos duas oportunidades.
Uma que as pessoas fa�am de Manuel um heroi.
E a outra.
Que essas coisas de cura do Sr, Trinidad.
Se divulguem outro milagre do Menino de sua Par�quia.
J� que se aproxima de sua festa.
Estar de acordo � coisa deles.
Voc�s s�o testemunhas da provoca��o.
N�o tenho culpa se h� pessoas que n�o entendem o que est� claro.
Boa noite, Sr prefeito.
Boa noite Manuel.
Esquecia de dizer, doutor.
A cura do menino � por minha conta.
Deu-se conta do que fez?
Sim, senhor prefeito.
Estou ciente.
Antes s� eu sabia.
Agora todos sabem.
O que?
Que sou capaz de matar.
2 Reais para dan�ar com Maria.
5 Reais para dan�ar com Helena.
3 Reais para dan�ar com Paula.
5 Reais para dan�ar com Rosa.
1 Real paa dan�ar com Dona Ros�rio.
2 Reais por que n�o dan�a Antonio com Dona Ros�rio?
5 Reais para dan�ar com ela.
Que dance, n�o dou mais.
Agora para que dancem os melhores.
Est�vamos falando de Manuel Venegas, padre.
Deu-nos um bom presente para a festa.
N�o se apresse em agradecer, Senhor prefeito.
Se foi ele quem matou, n�o sei por que n�o voltou ainda.
E por que n�o falam quem matou?
Dizem que foi Manuel Venegas.
Se fosse ele, j� estaria aqui para ver a filha do Sr Elias.
Suas janelas est�o fechadas.
� um grande desprezo ao padre e a n�s.
Falando do diabo!
O abra�o!
A segunda dan�a.
Quem dan�a agora? Um momento.
O Sr Prefeito no palco.
Sim, mas n�o para dan�ar.
Queremos saber que foi o valente que matou o urso.
Para entregar os 100 reais de premio.
Foi voc� Felipe?
E voc� Filemon?
Jos�?
Ent�o foi Manuel Venegas.
N�o est�.
O premio fica a disposi��o.
Que continue o baile.
Quem dan�a agora com quem?
E quanto oferece ao Menino.
Eu.
Os 100 reais do premio.
Para dan�ar com Soledad.
Mil reais para n�o dan�ar com ela.
Tudo o que tem aqui para dan�ar com ela.
Com isso ela desce do balc�o.
Com o que roubaram, aparece.
Aqui tem 7 mil reais, Manuel.
Minha filha n�o dan�a.
Isso voc� impede com dinheiro?
Mais 100 para que n�o dance.
Veja quanto tem aqui?
Tem 140.
40 a mais Sr. Elias.
10 mil reais para minha filha n�o dan�ar.
� muito.
Meu filho n�o tem tudo isso.
Manuel.
Vai para casa.
Estou mandando.
Vou matar esse homem.
Manuel.
Vai,
Vence-me com meu proprio dinheiro.
Com o dinheiro que roubou de meu pai.
Ladr�o!
Impede-me que dance com Soledad.
E que te d� um abra�o de paz.
Veja como me insulta o qual pretende casar com voc�.
Insulta-me, porque quer refazer sua fortuna com o dote de minha filha.
Isso � tudo o que voc� quer.
Sr, Mordomo, pode vir pegar o dinheiro.
Manuel.
Solte-me padre.
J� passou.
J� estou calmo.
Soledad.
Voc� sabe que o que seu pai falou � uma cal�nia.
Vou-me embora da cidade e voltarei com muito ouro para me casar com voc�.
Vou certo que vai me esperar.
Porque sabe que ser� minha mulher.
Voltarei num dia como esse para dan�ar com voc�.
E quando voltar.
Pobre de quem tente se meter entre n�s.
E para que n�o esque�am nada disso.
Ali fica minha faca.
Adeus padre.
Muita mostarda.
Venha comigo Sr. Elias.
Enquanto lavam seus p�s.
Bem protegida e segurem a cabe�a porque est� muito fraca.
N�o deve ficar assim abatido.
Soledad � jovem para reagir.
Estou aflito doutor.
S� tenho ela no mundo.
E vejo que n�o est� bem.
N�o posso negar que essa febre prolongada � preocupante.
O que estranho � que meu ajudante ainda n�o chegou com a receita.
Acredite Sr. Elias.
Que fico triste v�-lo assim.
E quem sabe posso falar do rem�dio para a doen�a de sua filha.
O que voc� quer me dizer doutor?
Meu amigo.
Hoje, n�s medicos sabemos...
Que problemas sentimentais mexem com o sistema nervoso.
Que produzem estados de desanimo.
E delirios por causa da febre.
O que quero dizer.
E que tanto voc� como eu.
Como todas as pessoas.
Sabemos a verdadeira causa da doen�a de sua filha.
Em suas m�os, mais que nas minhas.
Est� sua sa�de.
Devolve isso a ela.
Reparando o dano que Ihe causou.
Voc� quer dizer, doutor? Sim.
Fa�a Manuel Venegas, voltar.
Se como m�dico � incapaz de curar minha filha.
Limite-se a me dizer.
E n�o se meta em assuntos da familia que n�o s�o do seu interesse.
Doutor Trajano.
Como m�dico.
N�o estou incapacitado para devolver a Soledad.
A sa�de que perdeu.
Como amigo.
Falava de uma sa�de mais importante.
Que a julgar pelos acontecimentos.
Sua filha n�o vai durar muito tempo.
Est� aqui o ajudante com a receita.
Demorou muito com a receita.
Sabe o cuidado que precisa uma receita.
Doutor, venha por favor.
J� vou, senhora.
Deseja algo?
N�o.
Quero dizer.
Sim.
Quero dizer, Sr Elias.
Soube por Dona Valentina que quer casar Soledad.
E quero que saiba.
N�o s� admirei voc� sempre.
Mas faz tempo sinto por ela um amor...
Do qual nem eu havia me dado conta.
O que voc� est� dizendo?
Sai j� de minha casa.
Saia se n�o quer te te jogue a patadas.
Fora.
Pois saiba que em toda a cidade.
N�o haver� quem queira casar com sua filha.
Entendo que o momento n�o foi oportuno.
Mande-me chamar quando resolver.
Eu saberei esperar.
Boa noite, Sr Elias.
Padre.
Venho te ver pois preciso seu conselho.
Sente-se, minha filha.
Diga o que voc� tem.
Soledad vai se casar.
Quer dizer, seu pai vai casar ela.
Alguem pediu sua m�o?
Depois do jantar.
Colocamos Soledad no sof�.
Porque ainda est� muito fraca.
Quando meu marido.
Como se estivesse fora de si.
Pediu primeiro.
Amea�ou depois.
E acabou exigindo que se casasse.
Falou-me um monte de coisas.
Que est� me matando a ideia.
De que possa ser esposa de Manuel Venegas.
Que sobravam maridos na cidade.
E mais.
Sabendo que � filha do Sr Elias.
Estava condenada a ficar solteira.
Que Soledad n�o podia Ihe pagar com a agonia que sentia.
Que sua filha ficasse solteira.
Esperando a volta de Manuel.
Estava como louco.
E acabou chorando diante de Soledad.
Eu nem me atrevi a me mexer.
E Soledad, o que disse?
Porque isso � importante.
O que nem imaginava.
Que aceitaria se casar.
Quando alguem tivesse a coragem de tirar da arvore.
A faca de Manuel.
Ent�o nem tudo est� perdido.
Soledad se apoia na �nica coisa que pode proteg�-la.
A faca de Manuel.
Ou melhor.
O amor de Manuel.
Enquanto estiver l�.
Quem sabe onde luta por conseguir.
O que considera a unica raz�o de sua vida.
O amor de Soledad.
Voc� acha isso, padre?
O que sempre achei.
Que enquanto Soledad ama Manuel.
Sobrar�o raz�es e ast�cias.
Para esperar que volte.
Ele escreve, padre?
Manuel n�o me escreve.
Nem escrever� nunca.
Manuel n�o � homem de fazer as coisas pela metade.
N�o vai me deixar saber onde est�.
Nem como est�.
Por que n�o escreve para Soledad?
Ao menos minha filha saberia que ele pensa nela.
Por isso mesmo que n�o escreve.
Para dizer que n�o a esquece.
Para pedir que o ame e o espere at� que volte.
Seria o mesmo que achar.
Que ele poderia esquece-la por um momento.
Ou que ela pudesse n�o esper�-lo.
O amor de Manuel por Soledad � completo.
Que n�o pode pensar por um momento.
Que aconte�a uma coisa ou outra.
A vida.
E diria o infort�nio.
O fez assim.
De um todo.
CINCO ANOS DEPOIS, A �RVORE SECOU SUA FERIDA...
OUTRA FERIDA CONTINUAVA ABERTA!
Isso � obra sua papai.
Era s� o que faltava.
N�o basta por cinco anos sentir a humilha��o de n�o ser olhada por outro homem?
Para que agora aconte�a o que nunca pude imaginar.
O mais nojento.
O mais repugnante e mais vil de todos.
Esse farmaceutico deformado
O valente que vem pedir minha m�o.
E me escreve cartas de amor.
E que cartas.
Se voce as tivesse lido.
Se lesse essa que n�o tive tempo de pisar.
Por que n�o est� aqui Manuel?
Para amaldi�oar voc� tambem.
Calma, filha.
Acalme-se.
Desculpe interromper, Sr Elias.
Acaba de chegar Sr. Antonio.
Que espere.
Entre Sr. Antonio.
Desculpe n�o sabia que estava ocupado.
N�o � nada, entre.
Voc� disse que quando chegasse deixasse ele entrar.
Sim est� certo.
Como ia ser de outro modo, voc� vindo de t�o longe.
Vou te apresentar.
Minha esposa, minha filha.
Que nesse momento se sente um pouco indisposta.
Josefa, o Sr, Antonio Arregui.
Veio para me comprar a f�brica.
O senhor � o farmaceutico da cidade que j� est� indo embora.
Sim, Sr Elias.
J� vou.
Mas antes quero dizer para sua filha.
Que quando um homem tem a desgra�a de ser deformado.
� desprezado e humilhado como foi hoje por ela.
Esse homem n�o para seu odio e sua vingan�a.
At� n�o ter cobrado totalmente sua humilha��o.
Eu sei o que � sentir-se humilhado... Fora daqui!
Deixa eu acabar.
Eu sei o que � sentir-se humilhado.
Ela tambem sabe.
Por isso nosso casamento seria uma vingan�a para todos.
Ao sair daqui.
Pensava ir � �rvore.
E arrancar a faca de Manuel Venegas.
Teria sido a vergonha de todos os valentes dessa cidade.
Agora que fique ai.
Apodrecendo-se.
Enquanto voc� e sua filha apodre�am com seus milh�es.
Boa noite.
Voc� n�o sai daqui sem retirar suas palavras.
Deixe ele ir.
� melhor.
J� te contarei todas as desgra�as.
Que pela falta de um bra�o forte.
Amargam os �ltimos dias de minha velhice.
N�o sei o que acontece.
Nem o por que desses insultos.
Mas na minha presen�a, ninguem insulta desse modo uma mulher.
Elias.
Podem vir para o Sal�o quando quiserem.
Termine sua bebida.
Pelo exito da f�brica.
Exito que n�o coloco em d�vida com a f�brica em suas m�os.
Filha, n�o demore
Boa noite. Boa noite, Soledad.
Sente-se Sr. Arregui.
Muito obrigado.
Ontem soubemos que vai ficar com a f�brica.
Sim, Soledad.
Outro brinde com minha filha pelo exito do neg�cio.
Pelo exito da f�brica.
Soledad.
Quero brindar pois quero te dar um presente.
Que n�o sei se te trar� felicidade ou infelicidade.
E que presente pode me trazer felicidade ou infelicidade?
Menino!
Manuel acredita em Voc�.
N�o permita que esse casamento aconte�a.
Evita que no cora��o de Manuel.
Caia um infort�nio maior dos que j� sofreu.
Ou possa sofrer.
Que eu n�o volte a v�-lo mais, Menino.
Leve-o para sempre, mesmo que tenha que chorar sua morte.
Ofere�o-te meu sofrimento em troca de...
Mas fa�a-se a Sua Vontade.
N�o a minha.
Esqueci meu rel�gio.
Ficamos nos olhando sem saber o que dizer.
Sim.
Desculpe ter acordado voc�.
J� estava acordada.
Volte a dormir.
Vou � f�brica.
Disseram que as pessoas l� preparam uma festa para n�s.
E seria desagradavel se n�o fosse.
N�o quer vir?
Vai sozinho.
Isso me contou Dona Valentina.
Ela e Dona Josefa, encontraram Soledad chorando aquela manh�.
Naturalmente.
O marido nunca ficou sabendo.
E isso � senhores.
Tudo o que sei.
Eu sou a favor de Manuel Venegas.
Essa mulher n�o tem cora��o.
N�o acho assim.
O que acontece, � que ela n�o nasceu para defender-se.
E sim para que outros a defendam.
Ou a conquistem.
N�o se pode esquecer, que por l� todos acham que Manuel Venegas morreu.
Isso � verdade.
Com o casamento acharam que Manuel tinha se esquecido de Soledad.
E at� o padre Trinidad, pois nunca Ihe escreveu.
Logo falaram que ele poderia ter se casado tambem.
E por �ltimo.
Comentaram que tinha morrido.
E agora o que vai acontecer?
O que vai fazer Manuel quando souber?
O que vai fazer Soledad?
E o marido?
E o padre Trinidad?
Quem vai saber?
Nem eu nem ninguem pode advinhar o que vai acontecer.
Quando Manuel voltar � cidade.
Duas horas
Hora de dormir.
Isso quer dizer, que at� amanh� senhores.
E esque�am a hist�ria os que puderem.
Porque eu com isso...
Boa noite. Boa noite.
O QUE ACONTECEU DEPOIS...
Qual � a par�quia do padre Trinidad?
Aquela.
Por parte de Manuel?
Trago um recado de Manuel Venegas.
Por que n�o veio ele mesmo?
Est� a caminho, padre.
Logo estar� aqui.
Enviou-me para te dizer.
Que estar� aqui para as festas no Menino Jesus.
E quer que alugue por conta dele.
A casa da pra�a que est� fechada h� anos.
Que seja limpa e imobiliada.
E que pode gastar o que for.
Quer morar nela como corresponde a um filho do Sr. Rodrigo.
Que volta para sua cidade.
Com uma fortuna maior que a que teve seu pai.
A casa da pra�a abandonada h� tantos anos?
Sim essa mesma.
Pediu para te entregar isso.
Est� certo que vai fazer tudo o que pediu.
Assim que eu Ihe falasse.
E acabou dizendo que tudo isso.
Ficasse no mais absoluto segredo.
Porque n�o quer que ninguem na cidade.
Soubesse de sua volta.
Leve-me onde ele est�.
Polonia, minha capa.
Pede-me o impossivel, padre.
� preciso que voc� me leve.
N�o sei onde est�.
Nem que caminho vai pegar para chegar � cidade.
A cidade s� tem uma entrada.
A da Eremita.
Por isso, empenhei minha palavra a pre�o de ouro.
Para n�o fazer, nem dizer.
Mais do que me mandou.
Est� bem.
Vejo que seria in�til insistir.
Se voc� o v�.
Diga que antes de ver alguem.
Que antes de falar com alguem.
Venha direto, onde o padre Trinidad, esteve esperando 6 anos com os bra�os abertos.
Caso aconte�a algo que pudesse impedi-lo.
E n�o conseguisse chegar at� aqui.
Diga que o padre Trinidad.
Ir� busc�-lo onde quer que esteja.
Como fui peg�-lo uma noite.
Muitos anos atras quando se sentiu esquecido.
S�.
E abandonado de todos.
Eu direi, padre.
Procurarei fazer com que sinta.
A emo��o que tive agora ao te ouvir.
Adeus, padre.
Espere um momento.
N�o.
N�o diga nada isso.
Seria como fazer ele sofrer com o tormendo da d�vida.
Diga somente.
Que ao saber que estava vindo.
O padre Trinidad.
Come�ou a chorar de alegria.
Polonia.
Traga Dona Josefa.
Senhora, senhora, por Deus senhora.
O que foi, Marcelina?
O que acha que tenho, senhora?
Estou tremendo de susto.
Por qu�?
Na casa em frente.
Na casa abandonada.
Vi luzes e sombras.
N�o se assuste.
Realmente, tem luz e pessoas que est�o limpando a casa.
Como voc� sabe?
Porque me falaram que est�o limpando.
Para alguem que vai chegar.
Acho que o Senhor Bispo.
O que foi, Soledad?
Nada!
Fiquei nerosa com essas hist�rias de Marcelina.
N�o fique assim.
Quer te leve para o quarto?
N�o se aborre�a porque fico nervosa.
Fui injusto.
Desculpe-me.
Sou eu que pe�o desculpas.
Chegamos, senhor?
Sim, chegamos.
Tudo igual.
S� as pessoas devem ter mudado um pouco.
Vai descendo com as mulas.
Quando chegue.
Pergunte pela Pra�a do Menino Jesus.
Vou cruzando pelo bosque.
Espera-me l�.
Como quiser.
Desculpem senhores.
Essa � a Pra�a do Menino Jesus?
Sim, essa mesmo.
Finalmente.
Rapazes. Diga senhor.
Cuidem das mulas.
Est� bem, senhor.
Essa � a casa de Manuel Venegas?
N�o, � essa.
Voc� tambem vem v�-lo?
Disse-me para esper�-lo aqui.
Que aqui nos veriamos.
Tambem me disse isso.
Ent�o espere.
Manuel.
� voc�, Manuel?
Temi que tivesse entrado por outro caminho.
Voc� aqui me esperando?
O que foi?
Como soube de minha chegada?
Pelo padre Trinidad.
Mas n�o o culpe.
Era preciso que eu soubesse.
Algo muito bom ou muito ruim deve ter acontecido.
Quando voc� sai para me receber dessa forma.
Venha, vamos nos sentar.
Temos que conversar.
E estou cansada.
N�o quero achar o pior.
Veio me aconselhar a n�o entrar na cidade?
Porque voc� e seu marido est�o contra mim.
Responda-me com sinceridade.
Ficou quieta.
N�o quer dizer que s�o contra mim.
O que veio ent�o me pedir?
O que venho te pedir.
� que volte.
Que n�o entre na cidade.
Pe�o-te pelo que mais ame no mundo.
Pelo que mais ame no mundo.
Que ironia.
Venho pelo que mais amo.
E me pede para voltar.
Que n�o entre.
Diga ao rio que volte para a montanha.
Enfim.
J� sei o que tinha para me dizer.
Que tudo est� igual.
Que terei que lutar.
Pois lutarei o quanto for preciso.
Para levar Soledad.
Assusta-me te ver assim, filho.
Soledad, n�o se assustar�.
Ela sabe que voltaria, um dia para lev�-la.
N�o. Sim.
E te juro que me jurei a mim mesmo.
Como ela sabe, o padre Trinidad e a cidade toda.
Que amanh� na festa, dan�arei com ela.
Sr Elias, ficar� arruinado se tentar se opor.
E te juro tambem.
Que depois se tiver que matar.
Vou lev�-la para sempre.
Se tentarem impedir nosso casamento.
Cale-se.
Cale-se agora.
N�o continue.
N�o sabe o que est� dizendo.
Por qu�?
N�o � possivel que seja verdade o que estou pensando.
� verdade?
O que � verdade?
N�o � possivel que Soledad, tenha morrido.
Diga que n�o morreu.
Soledad n�o morreu.
S� isso me impediria de dan�ar amanh� com ela.
Ent�o n�o entendo o que acontece.
Fale e me tire dessa angustia.
Ou monto e vou a sua casa.
Averiguar eu mesmo o que est� me escondendo.
N�o!
Na sua casa n�o.
Agora entendo.
Soledad...
Casou-se?
N�o � verdade?
Com quem?
Quem se casou com minha mulher?
E que me importa seu nome.
Morrer� da mesma forma.
Mas e ela?
Como permitiu?
Soledad � inocente.
Seu pai a obrigou.
E depois todos achavamos que estava morto.
Morrer� tambem.
Antes vai morrer voc�.
Est� diante de uma m�e disposta a tudo.
A matar, a morrer,
A chorar, at� que se dobre sua alma de pedra.
Para ser sua criada.
Para tudo.
Menos ver sofrer sua filha.
Assim, assim, de joelhos!
Assim quero ver um por um.
Antes de matar.
E agora.
Ou�a-me.
Fala Manuel Venegas.
N�o esse que casou com sua filha.
Fala o verdadeiro marido de Soledad.
Diga para sua filha.
Que voltei.
Que me espere vestida de branco.
At� eu ir peg�-la.
Ou at� mandar um recado.
Que a espero.
Diga-Ihe que eu...
Que Manuel.
N�o.
N�o diga nada.
Vou eu mesmo.
Soledad!
Pobre Soledad.
Antonio est� vindo.
� melhor contar o que est� acontecendo.
E Soledad?
Continua fechada em seu quarto.
Chame-a.
Que esteja aqui quando chegar seu marido.
Veja o que significa toda essa gente aqui?
Sim senhor.
Deixem-me passar.
Deixem-me passar.
Por que est�o aqui?
Viemos ver Manuel.
Viemos ajud�-lo.
Algo para comer.
Viemos cumpriment�-lo.
Quero uma ajuda para curar meu filho.
Voltem para suas casas.
N�o � hora de estar aqui.
Amanh� o ver�o.
� verdade que jurou que vai matar Antonio Arregui.
Voc� anda dizendo isso Rog�rio?
Manuel n�o vem matar ninguem.
Dizem que por isso voltaram chorando Soledad e sua m�e.
Onde est� Manuel, Padre.
Por que n�o vem?
Quem procura?
Manuel Venegas.
Sou Antonio Arregui.
Sr. Antonio,
Boa noite padre.
V� abrir, Polonia.
N�o deixa que eu vou.
Espere um pouco Sr. Antonio.
Quem sabe Venegas mata ele agora.
Me leve at� sua casa Sr. Antonio.
Desculpe-me padre.
Sei que Manuel Venegas voltou.
E que procura para me matar.
Venho procur�-lo para dizer que estou aqui.
Me leve at� sua casa Sr. Antonio.
Pe�o-te como amigo.
E voc�s.
V�o dormir.
J� falei que n�o h� nada para fazer aqui.
Voc� pegue as mulas.
Vamos, vamos.
Para suas casas e a cuidar de seus filhos.
Que � o que est�o precisando.
Vamos Sr. Antonio.
L� est� ele.
Sim, l� est�.
Como diz o ditado.
Cada qual com sua cruz.
Nesse caso n�o saberia dizer qual � a mais pesada.
Se a sua Soledad.
Ou a sua senhora.
Ou a do Sr. Antonio.
Ou a de esse infeliz.
Que volta ao fim depois de lutar.
O mais terrivel dos combates.
Vou ajud�-lo a carregar sua cruz.
J� vou.
Que j� � tarde.
Menino.
Como ficamos esperando.
N�o chore Polonia.
N�o quero l�grimas.
Abre as janelas.
Apaga as luzes.
Deixe-me s� e ordene ao porteiro que n�o abra para ninguem.
Seja quem for.
Se precisar de algo me chame.
Sua cama est� pronta.
At� amanh�.
Polonia.
Sim meu filho.
Procure amanh� mos ba�s de viagem.
O melhor traje, a melhor camisa.
Um rel�gio de ouro e uns an�is.
E tenha-os prontos, porque amanh� na festa.
Vou dan�ar com Soledad.
O que pensa fazer Manuel?
Padre. Filho.
O que pensa fazer?
Ambos estamos s�s.
Fale a verdade, como sempre.
N�o posso responder a isso.
Deixe-me sozinho.
Preciso descansar.
Ruim.
Despreza-me.
Primeira vez que estou na sua casa.
Acabo de entrar.
E j� me manda embora.
Est� bem.
N�o vou embora.
Ainda que precise descansar.
Tambem eu precisava na noite que fui te pegar.
Quando ficou em sua casa esquecido por todos.
N�o me torture padre.
Preciso de toda minha for�a.
Para matar?
N�o sei para que.
As coisas devem ser chamadas pelos seus nomes.
Tenha coragem para me dizer.
Responde-me.
Vai ser um assassino?
Responde-me.
Vai ser um malfeitor?
O que � o mal?
O que � o mal e o que � o bem?
Faz tempo que me pergunto.
Voc� se mete nessas confus�es.
E acaba colocando eu tambem.
Eu te responderei.
Mal, � tudo o que se faz sem alegria.
Mal � querer alegria as custas da desgra�a alheia.
Mal � temer a dor.
At� o ponto de causar ao proximo.
Mal � amar-se a si mesmo.
Mais que aos fracos que pedem piedade.
Mal, � preferir vingar-se.
A escutar um sacerdote que te ama.
E o bem.
� o bem!
A palavra o diz.
O bem � sacrificar-se generosamente.
Sofrer com alegria para que outros n�o sofram.
Chora de alegria quando tirou o p�o da boca para dar a outro.
Perdoar, vencer, fugir, morrer, para que outros vivam.
Enfim, voc� me entende e eu me entendo.
Eu n�o sou bom, padre.
Porque n�o quer.
Sim, quero.
Mas n�o posso.
Sim, pode.
Faz 6 anos diante de toda a cidade.
Diante de voc�.
Jurei matar a quem se atrevesse a tirar-me Soledad.
E houve quem se atreveu a desafiar-me.
Todos sabem.
Todos esperam que o mate.
At� Soledad.
Estou certo.
O que posso fazer.
Deixar de am�-la de repente.
Depois de am�-la toda a vida?
Poderia faz�-lo, talvez.
Mas deixar de matar a esse que se diz seu marido.
Seria um covarde.
Isso � s� o que n�o poderei ser.
Um covarde!
Isso sem contar que Soledad vai embora comigo.
Olha o pagamento que me guardava para a velhice.
Para isso te criei.
Para que venha me dizer agora.
Que � indispensavel o adulterio e o homicidio.
E as leis?
E a justi�a?
E Deus?
Farei que a justi�a chegue quando esse homem estiver bem morto.
E quanto �s leis.
Soledad pode infringir como tantas mulheres apaixonadas.
E com rela��o a Deus.
Pode me fulminar agora mesmo.
Teve o poder de...
N�o me fazer t�o infeliz.
Ent�o nada sou para voc�?
Despreza minhas l�grimas.
Quer que fique de joelhos?
Voc� quer me matar?
Quer me deixar louco?
Louco voc� j� est�.
Polonia.
Minha capa.
O que vai fazer?
Nada.
Vim aqui p�ra te levar para casa.
Para jantarmos juntos como antes.
Ver voc� dormir na sua cama.
Vejo que tens outros planos.
E te acompanho.
Voc� dir� aonde vamos primeiro.
Se procurar um homem de bem para mat�-lo.
Ou namorar uma senhora que tem marido.
Lembre-se que est� sem jantar.
E s� comeu ao meio dia.
O que voc� quer as coisas acontecem assim.
Lembra que mandou fazer o per� que tanto gosta.
Que Deus me perdoe, mas � meu unico vicio.
Comer bem nos dias de festa.
Amanh� leva a viuva do pedreiro que se matou outro dia.
Assim celebrar� com suas crian�as, a festa da cidade.
Me servir� de alimento, pensar em sua alegria.
Presenteie o per� se quiser.
Mas come outra coisa.
Nada, n�o vou jantar.
Manuel e eu temos outras coisas para fazer.
Isso � demais.
Voc� n�o tem pena de mim.
Ent�o n�o sei quem tem.
Vai jantar e dormir, padre.
Isso est� em suas m�os.
Como?
Vindo dormir e jantar em casa.
Porque n�o ache que penso ir embora te deixando aqui.
O quarto est� como voc� deixou.
Padre.
N�o tem "padre" que conven�a.
Se voc� fica, eu fico.
Se vem, eu vou.
Vamos d�-me o bra�o que estou morto de cansa�o.
Polonia.
Venha tambem conosco.
E nos d� de comer.
Sen�o vou dar o peru para a viuva.
E t�o bem como voc� faz.
Sim, j� vou.
Olhe onde pisa que vai me fazer cair.
Assim n�o chegaremos nunca.
Anda, caminha.
Os 100 reais do premio.
Para dan�ar com Soledad.
Minha filha n�o dan�a.
O que voc� tem?
Anda. Essas vozes.
Anda.
Deixa Soledad dan�ar.
Minha filha n�o dan�a.
Ladr�o.
Manuel, eu mando em voc�.
Preciso matar esse homem.
Esquece, Manuel.
Um �ltimo esfor�o.
N�o posso.
N�o posso, padre.
Est� l� com o outro.
Vai sozinho, padre.
Achei que ia arrebentar com ele, mas ainda est� inteiro.
Voc� vai se matar.
Vai se deitar.
Eu ainda estou inteiro.
J� te falei para ir dormir.
Trabalhou muito.
Mas, Trinidad, e voc�?
Ontem levantou de madrugada e n�o parou nem um pouco.
Eu sei.
Esquece que assim que amanhe�a.
Come�am as atividades na par�quia?
A agita��o da festa.
N�o me esqueci de nada.
Ent�o deita um pouco no sof�.
Na prociss�o vai cair morto.
Quem sabe o Menino Santo faz um milagre.
E tudo por culpa desse Manuel.
Que j� te causou muito aborrecimento.
Desde que Ihe deu casa e comida como a um filho.
Tambem me deu muitas alegrias.
E agora vem a melhor.
A que vai me recompensar.
� inutil tratar de me torturar mais padre.
Cheguei ao limite.
Chega de me martirizar.
Sou um ingrato.
At� isso tenho que chegar a ser.
Pegue a roupa e saia da minha casa.
Leve ele Polonia.
N�o te bato Manuel.
N�o sei por qu�.
Tudo poderia ter imaginado.
Menos que tocasse de tua casa.
Ao unico homem de toda a cidade.
Que se permitiu morrer de frio durante um mes.
Para que tivesse cobertor.
Porque era t�o pobre quando te recolheu.
Que n�o teve para te comprar um.
� um ingrato.
Pior que um ingrato.
� um monstro.
E n�o ache que falo por falar.
Olhe como feriu o pobrezinho.
Olhe como tremem as l�grimas em seus olhos.
N�o!
Isso, n�o.
� mais forte que eu.
Chora, Manuel.
Chore o quanto quiser.
Que muito voc� precisa.
Perd�o, padre.
Perdoe-me.
Perdoe-me voc�, filho.
Voc� sabe que te adoro como a um pai.
Que por voc� seria capaz de dar a vida.
Como eu por voc�.
Vamos, levante-se, que n�o gosto de te ver assim.
N�o sei como pude te dizer tais coisas.
Sei que posso escandalizar o mundo.
N�o d� aten��o para Polonia.
Venha, encoste-se aqui.
Sei que sofre muito.
Mas vejo que agora entende.
Que n�o � impossivel o sacrificio.
Quando se tem a coragem para abra�a-lo.
� quando se come�a a viver.
Voc� n�o sabe o que s�o essas coisas, padre.
Sei que pensa que te falo de mem�ria.
Que acha que esse frei nada sabe do amor.
O orgulho.
A soberba.
Quantas vezes estivemos juntos.
E nunca te falei de um antigo namorado que amava uma mulher.
Com um amor igual ao que voc� sente por Soledad.
Era o mais soberbo de todos os filhos de um velho que ao morrer.
Levou a chave da dispensa.
Deixando na miseria sua mulher e seus filhos.
Ent�o.
Aquele fanfarr�o, que era o maior.
N�o entendeu o sacrificio que exigia a vida.
At� que viu chorando de fome e de frio seus irm�os menores.
E a sua m�e por n�o poder levar o p�o que precisavam.
Estava para se casar.
Tinha economizado algum dinheiro.
O que acha que ele fez?
Renunciar ao sacrificio?
Abandonar aqueles indefesos a sua propria sorte?
Para ser feliz?
N�o, renunciou ao seu dinheiro.
E enquanto seus irm�os se casaram muito bem e sao felizes com seus filhos.
E Andres poderia ter feito fortuna.
E Tomas ser professor.
E Francisco ser comerciante.
A m�e morreu, aben�oando o mais velho.
A nioiva apaixonada se casou com outro homem.
Que soube fazer ela feliz.
E ele que sonhou comandar um regimento.
Ter filhos.
Fazer fortuna.
E fazer tudo o que fazem os homens.
Continuou se vestindo como as mulheres.
Engolindo saliva.
Castigando sua carne como uma besta m�.
Porem digno.
Cheio de orgulho e alegria.
E muito mais feliz que todos seus irm�os.
Porque � uma grande vida de quem sofre e sofreu pelo bem dos outros.
Deus multiplica esse trabalho.
Diga agora se te falo de mem�ria.
N�o padre.
Reconhe�o que me achei valente e forte.
Sou somente um covarde.
Agora n�o.
Dorme.
N�o pense mais.
Precisa descansar.
Quer que te ajude a ir para sua cama?
N�o responde.
N�o era para menos.
Est� esgotado.
Eu que achei que n�o dormiria.
At� isso tive que fazer.
Polonia.
Venha aqui.
Diga, filho.
Fale baixo que est� dormindo.
Arrume minhas coisas e n�o fa�a barulho.
Diga ao cocheiro que tenha tudo pronto.
Saio dentro de uma hora.
Que digo a Trinidad?
Deixa ele dormir.
E agora.
Perdoe tudo o que te fiz.
Talvez nunca voltemos a nos ver.
Sabe que n�o tenho nada que te perdoar.
Deixa eu te beijar.
Quem bateu? Eu.
A que horas parte seu patr�o?
N�o sei.
Daria tempo de falar com ele?
Vou ver.
N�o quer falar com ninguem seja quem for.
D�-Ihe meu recado.
Diga.
Diga-Ihe.
Que veio se despedir.
O outro amante despeitado de Soledad.
Que ele saiba que n�o � s� ele.
Que somos dois, se serve de alivio.
Eu te falo menina.
Por isso vim.
Pensei que talvez voc� precise de mim para algo.
V� � pra�a e me diga o que acontece.
Espero-te aqui.
Para suas obriga��es, Soledad.
N�o tem nada o que fazer nessa janela.
Venegas sempre foi um lutador.
T�m dom de entusiasmar as pessoas.
O padre Trinidad, n�o deveria deix�-lo ir.
Tudo por essa Soledad.
Como estar� o marido?
N�o deveria mat�-lo
Deviam matar ela.
Posso confiar em voc�?
Posso te confiar minha vida e minha honra?
Quando deixei de fazer o que me manda?
Manuel n�o pode me abandonar assim.
N�o pode.
Ou deixou de me amar?
E eu o amo com toda a minha vida.
Corra.
D�-Ihe isso.
Procure-o, siga-o por todo o mundo.
E n�o volte at� ele abrir esse estojo.
Est� partindo.
Viva Manuel!
N�o olhe Manuel.
Em frente.
Quem � esse homem, padre?
Siga-me.
� ele?
Sim.
� ele.
N�o des�a Antonio.
Fique aqui.
Abre a janela e veja a festa como nos outros anos.
� in�til, senhora.
Escute Antonio.
Voc� ter� suas raz�es para ir.
Eu tenho as minhas para que n�o v�.
N�o insista, senhora.
O marido de Soledad, sou eu.
Mas eu sou a m�e.
N�o vejo porque voc�...
N�o v�, porque n�o viu chorar anos e anos a s�s.
Com um silencio mais doloroso que todos os lamentos.
Como se a ansia de gritar.
Devolvesse silencio meus l�bios.
Assim envelheci.
Vendo que nessa casa todos.
Sempre tiveram algo para dizer.
E algo para pedir.
Meu marido Elias.
Soledad.
E depois voc�.
Todos.
Menos eu.
Creia-me Antonio.
Fui uma dessas m�es.
Das que t�m muitas.
Indefesa.
Sem outra for�a que a do silencio.
Sem outro consolo do que se oferecer a Deus.
Sem outro refugio.
O de procurar um canto escuro para chorar sozinha.
Quando os meus sofriam.
E de aparentar alegria.
Quando estivesse com eles para n�o estarem tristes.
Agora � diferente.
Voc� sabe como eu vivi essas �ltimas semanas.
Como se estivesse esperando uma grande desgra�a.
Que n�o posso, ou n�o sei como evitar.
Pe�o-te Antonio.
N�o saia.
Algo pode acontecer
Algo que todo mundo espera.
Vou para que n�o falem de minha honra.
E Soledad vem comigo, com seu marido.
Para que ninguem possa dizer nunca.
Que n�o gostei da volta.
E da partida de seu primeiro noivo.
Sabe se levaram as cadeiras que pedi?
J� devem estar l�.
Vamos ent�o.
Manuel, n�o aguento mais... N�o quero que v� para sempre amaldi�oando meu nome.
Tenha pena de mim como eu tenho de voc�.
� o unico homem que amei e poderei amar.
Desesperada ao saber que me abandona para sempre te escrevo delirando.
Morta de amor, sem orgulho, sem reservas.
Como a esposa ao esposo de toda a vida.
Perdoe-me, que eu saiba que me devolve seu amor.
D�-me for�as para viver.
Antes que me d� � morte.
Com tua ausencia. Soledad.
Vou te dizer.
No meio do baile v�o gritar que Manuel Venegas fugiu porque � um covarde.
Continuem a dan�a. Musica.
Uma can�ao, um sapateado, para que dancem quem ganhar a aposta.
Que dance Soledad e seu marido.
Antonio Arregui, o valente.
Tem que seguir a tradi��o.
Continuem as estrofes para evitar que aconte�a algo.
O que canto agora?
100 mil on�as para dan�ar com a senhora de Antonio Arregui.
Quieta, voc� n�o dan�a.
Manuel. Deixe-me padre.
Deixa que eu dance.
N�o.
Tambem tenho meu orgulho.
Minha f�brica, para que n�o dance.
Deixa ela dan�ar se n�o quer se arruinar.
Depois seria inutil se opor a tradi��o diante dessa gente.
D�-me essa faca, Manuel.
Sr. Jos�, suba no meu escrit�rio.
E pegue minhas armas.
O que voc� vai fazer?
Mat�-lo.
Espera.
Prendam-no.
Soledad est� morta.
Padre.
La levar ela.
E isso n�o.
Padre.
Absolve-me, padre.
Pe�a para Antonio me perdoar.
Manuel n�o teve culpa.
Eu sou culpada.
Por te-lo amado toda a minha vida.
Agora.
Tudo ser� melhor.
Eu te absolvo.
No nome do Pai.
Do Filho.
Do Espirito Santo.
Amem.
Traduzido e legendado por Alexandre Neto.
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