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Original subtitles

DURANTE QUINZE ANOS...

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EXISTE ALGO PIOR DO QUE SER DESMASCARADO.

N�O SER DESMASCARADO.

ESTE FILME � INSPIRADO EM UMA HIST�RIA REAL.

Christine!

''O ADVERS�RIO''

- 0nde fica essa casa? - Na estrada de Gex.

Tem tr�s quartos, � muito charmosa.

- Prende meu cabelo? - Est� barata, v�o vender logo.

- N�o tem jardim? - Tem um quintal, com uma cerejeira.

- Voc� iria v�-la? - Sim.

Depressa, crian�as. Sen�o vamos nos atrasar.

Vincent, faz 25 minutos que est� comendo esses sucrilhos.

- Mas ainda n�o acabei! - Ent�o acabe.

Vamos.

- Vamos logo! - Espera!

- Vem me buscar esta noite? - Tenho muito trabalho. Eu te ligo.

At� mais! Estudem bastante!

- Chegou atrasado? - Como prever os congestionamentos?

- N�o se barbeou? - Um caso de peritonite �s 4:00.

N�o viu o afresco que as crian�as fizeram?

- Com o sistema solar, anjos... - Virei amanh�.

Um casal de radiologistas acabou de mudar pra c�. Querem conhec�-lo.

N�o sabiam que havia um brilhante cientista na cidade.

- Vamos organizar um jantar. - Eu ligo pra Christine. At� logo.

- Ela me disse que procuram casa. - Voc� tamb�m vai falar sobre isso?

- Bom dia. 0brigada. Aqui est�. - Bom dia.

Constatamos, nos pa�ses em que o HIV � mais disseminado...

maior incid�ncia de tuberculose.

Tudo indica que o HIV se tornou...

agente multiplicador de tuberculose. Se a tend�ncia continuar...

podemos prever que os pa�ses onde o HIV � mais disseminado...

Permita-me interromp�-lo.

0uvi dizer que a tuberculose � frequente em pessoas soropositivas.

Isso aumentaria a tuberculose no futuro?

E, em todos os pa�ses, o esfor�o conjunto da 0MS...

permitiu que o tratamento fosse gratuito.

Haver� uma reuni�o nesta sala. Abrir� �s 17:00 para os visitantes.

Estamos fechando, senhor.

N�o, eu n�o disse isso.

- Perdeu! Voc� lavou as m�os? - Voc� n�o � mentirosa!

- Nos falamos no domingo. - Quer que eu acredite?

- Veremos. Sim, tchau. - Ela � uma vadia.

- Quem te ensinou isso? - Ela quer que voc� veja Baptiste...

em Gex. Foi operado antes de ontem.

- Est� na estomatologia? - Sim.

Pediram que falasse com o cirurgi�o. N�o conseguem ter acesso a ele.

Escrevi o nome dele para voc�, Dr. Zurcan.

Est� me ouvindo?

- Irei falar com ele. -0 que � isso?

Foi uma colega japonesa que me deu.

''Nada tenho, disse Lina. Nada sabia sobre a �gua dos tr�s poderes.

S� queria ser fabricante de fogos de artif�cio. Quero me tornar...''

- Durma! - Viu como leio no escuro?

Primeiro, quero dizer que fiz isso...

para voc�, Christine, e para as crian�as.

Porque amo voc�s. Porque s� voc�s s�o o centro da minha vida.

Esses anos passaram t�o r�pido.

Pensei que haveria tempo, que haveria um caminho...

Vou tentar explicar a voc�s, a mim tamb�m, a partir de quando...

tudo isso come�ou.

Nossa religi�o diz que h� sempre um perd�o, uma remiss�o poss�vel.

Diz tamb�m que n�o temos o direito de atentar contra a pr�pria vida.

Tudo que eu fiz, bem ou mal...

Afinal, foi ver a tal casa? Christine j� me levou duas vezes.

- Precisa de uma reforma total. -0 que deseja, Doutor?

Uma torta de damasco para dez pessoas, por favor.

- Fica pronta logo. -0brigado.

- Uma torta de damasco! - Cuidado, v�o dizer que � avarento!

0u que tem uma amante que custa caro.

N�o pode morar com sua fam�lia em 50 m2!

At� quando?

Suponho que n�o o veremos na missa.

Vou abrir as comportas!

Sou eu quem joga!

- Qual voc� moveu? - Essa.

Muito bem.

- Joga! - Deixe-me pensar.

-0 casamento ser� quando, afinal? -12 de maio.

A festa, acha que deve ser no La Rabette ou no Girard, em Annecy?

Voc�s decidem, mas acho que o La Rabette � melhor.

Tem um lago. Se o tempo estiver bom, � mais gostoso.

Tem raz�o, � melhor.

-0brigado. - Jean-Marc resolveu a quest�o.

A��car?

Ele meteu na cabe�a que quer comprar um Mercedes.

Est� querendo aparecer? Quer impressionar a quem?

Ningu�m. � o modelo comum, n�o � um Rolls.

- Um Mercedes! - E da�?

Tenho direito a um capricho!

Vamos procurar juntos!

Preciso falar com voc�. Vou precisar sacar um pouco de dinheiro.

Cem mil francos, para o primeiro pagamento.

Vou contar s� pra voc�, escolhi o de duas portas.

J� queria estar com o carro no casamento de Xavier.

- Iremos juntos ao banco de Genebra. - Como quiser.

Mas n�o vou tocar no dinheiro investido.

Pelo que me disse, essa soma n�o equivale nem a dois anos de juros.

N�o quero fazer um empr�stimo, com �gio, e todo o resto.

0 que est� acontecendo?

Telefonarei para voc�. Assim combinamos o dia em que iremos.

Voc�s ca�ram?

0 senhor sempre passa �s pressas. Quanto ao seu saldo negativo...

precisar� achar uma solu��o. N�o tem sido muito generoso conosco.

Suponho que, na sua situa��o, deve ter outras contas, n�o?

- Podemos conversar agora? - N�o, estou indo para Dijon.

Mas teremos que conversar.

At� logo.

Senhorita, gostaria de retirar 100.000 F da conta de meus pais.

- Tem a assinatura deles? - Claro.

- Desculpe-me, sou nova aqui. - N�o tem problema.

- Est� indo para Bourg-en-Bresse? - N�o, vou para Lyon.

Jean-Marc. Jean-Marc Faure.

N�o est� me reconhecendo? Michel Philippot.

- Sim, como vai? - N�o tinha certeza de que era voc�.

Est� de f�rias?

- Tinha compras a fazer em Lyon. - Passe no consult�rio. � ao lado.

- N�o vai levar? - Sim.

- Soube que d� aulas em Besan�on. - Em Dijon.

Ent�o conhece Lentier. Ele tem uma c�tedra de neurologia em Dijon.

- Conhe�o-o de vista. -0ra essa! Dividimos o consult�rio.

Herdei o consult�rio do meu pai.

Tratamos o b�sico, pequenas depress�es.

- Voc� vem dos confins do Jura. - Sim.

Como te encheram a paci�ncia por causa disso.

- Seu pai fazia o qu�? - Guarda florestal.

Seus pais devem se orgulhar de voc�.

Acho que tenho uma foto da �poca da faculdade por aqui.

Tarar, Benel, Luc, Arbousier...

N�o estou vendo voc�.

- Me chamou? - Conhece Jean-Marc Faure?

Ele � professor em Dijon.

Fizemos a faculdade juntos, mas n�o a resid�ncia.

Bom dia.

- Acho que n�o o conhe�o. - Eu, sim. Trabalha com Zylberstein.

Depois das inunda��es no ano passado, tenho ficado no anexo.

N�o se entra mais pela rua Tisserand, fecharam o acesso.

N�o podemos nem mais usar a biblioteca e os arquivos.

Sim, est� uma bagun�a!

- Doutor! A Sra. Perrin chegou. - Com certeza voltaremos a nos ver.

Sim, esse sou eu.

0nde voc� estava? Sua caixa postal n�o funcionou.

Quase liguei para seu escrit�rio na 0MS.

Ela ficou preocupada.

- Voc� trabalha no Fort Knox! - Bebe alguma coisa?

Sim, um u�sque.

� disso que voc� gosta nele. Seu lado secreto.

N�o foi isso o que lhe agradou?

Sim. Talvez.

Eu devia ser muito quadrado.

- Quer jantar conosco? - N�o, obrigado.

Como tudo aconteceu, exatamente? N�o me lembro mais.

No fim do ver�o voc�s estavam noivos, e eu...

Jean-Marc! Deve ser o meu pai. J� ligou duas vezes.

Est� obcecado pelo Mercedes.

N�o vai atender?!

Viu o massacre que fizeram na regi�o de Juzy?

�rvores que n�o tinham nem trinta anos.

Uns caipiras com um diplominha que n�o entendem nada de floresta.

Mas vou denunci�-los. Vou escrever � administra��o de Gex.

N�o vai adiantar nada, sabe disso.

Trouxe uma boneca da Holanda. Esqueci de lhe dar na �ltima visita.

Que bonita!

Procurei Roterd� no mapa, e n�o encontrei.

- Aqui. - Venha, meu cachorro.

- N�o tenho muito tempo. - Est� pronto.

- Sua 2� aposentadoria, � trimestral? - Sim.

N�o vemos Christine com muita frequ�ncia...

nem as crian�as.

A floresta a deixa inquieta. Viremos v�-los em setembro.

Justamente quando j� est� frio.

Voc�s � que nunca querem sair daqui.

At� quando ele vai dormir?

Estava querendo descansar?

- Que horas s�o? - Quase 16:00.

N�o precisa avisar, no trabalho?

- Algu�m usou o meu quarto? - N�o.

Ah, sim, mudamos aquela tomada.

Mas n�o mexemos em seus pap�is.

Esses anos passaram t�o depressa. Acreditava que haveria tempo...

acreditava que haveria um caminho para...

Mas tudo � lento quando estamos s�s com o que n�o conseguimos dizer...

Voc� ligou para Marianne Malar. Deixe sua mensagem ap�s o bip.

Marianne, voc� est� em casa?

Atenda, por favor.

Voc� n�o est�?

N�o sei o que me deu.

N�o sei como chegamos a esse ponto.

N�o quero que tenha medo de mim.

N�o quis te machucar.

- Mais Borgonha, Marianne? -0brigada.

- Sim, na quinta. - N�o posso ir com eles.

- � o dia em que fico na farm�cia. - Sim, visualizamos melhor as art�rias.

Acho que em tr�s anos o Angioscan vai suplantar a arteriografia cl�ssica.

Isso vai reduzir consideravelmente o tempo das subtra��es vasculares.

- Na St. Joseph. - N�o quero uma escola religiosa.

Mas as aulas de religi�o n�o s�o obrigat�rias.

N�o, mas livres, liberdade...

Temos um diretor bastante estranho.

Maletras. V�o conhec�-lo. Ele n�o tem austeridade alguma.

Me parece uma evolu��o natural.

- Poder�amos controlar a incid�ncia... - � prov�vel.

Enfim, n�o fa�o pesquisa, apenas sigo o fluxo.

Vou levar um cigarro seu.

Na �poca da barb�rie, eu injetava no pesco�o.

Ah �?

- Bonita, sua roupa. � seda? - Sim.

- Queria a mesma, em preto. - Venham a Chicago, em novembro.

Faz tanto frio que somos obrigados a acompanhar o congresso inteiro.

Aqui � imposs�vel se vestir bem.

E vejam. Tamb�m pode ser usado assim.

- Vejam. Segura sozinho. - Marianne, o que est� fazendo?

Por que n�o aproveita e faz um strip-tease?

Isso � provoca��o! Est� diante de homens fortes e vigorosos.

A blusa lhe cai muito bem.

- Est�o se acostumando a viver aqui? - Mais ou menos.

N�o sei por que, quando a noite chega, fico angustiada.

Para voc�s, ela d� a vers�o ''soft''.

Mas a mim diz que a estou enterrando viva neste buraco.

Tudo porque quis pegar o carro, e dar um pulo em Paris.

Sim, tenho uma mulher fugitiva. Vai, vem, seduz...

H� lugares lindos por aqui. Vamos faz�-los descobrir a regi�o.

- Gosto de Divonne. - �, do cassino.

Quando perco 2.000 F, eu paro.

E eu marco as consultas �s quais ela n�o comparece.

Que idiotice est� dizendo!

� verdade, � uma idiotice. Uma idiotice completa.

- Bem, vou fazer um caf�. - Pode deixar que eu fa�o.

Vou ajudar.

- Viu as fotos do piquenique? - Por qu�?

...quando nadamos com o padre.

- Ela � bonita, sua mulher. -0brigado.

N�o estou insinuando que voc� � feio.

Diga-me, por que as mulheres que nos excitam...

n�o s�o aquelas com quem podemos viver?

N�o, voc� n�o se faz esse tipo de pergunta.

Voc� � um homem que cumpre seu dever.

Tem uma linha reta tra�ada a sua frente, n�o �?

N�o sei onde p�s as ta�as.

- Ainda tem vinho? - Sim, um branco.

- Pois n�o? - Procuro meu genro, Dr. Faure.

Sim.

- Pode repetir? - Faure, ''F'', ''A'', ''U''.

- Tem certeza de que... - Desculpe-me. Estava em reuni�o.

- Imagine. Fiquei preocupado. - Vamos tomar alguma coisa?

- Sim. -0brigado.

Isto � um verdadeiro caravan�ar�.

- Christine nunca veio aqui? - N�o.

- Eles avisaram quando? Esta manh�? - Sim.

Mas que modo de trabalhar � esse? 0 encontro estava marcado, estarei l�.

0 respons�vel por sua conta teve que ir a Zurique. Ligarei amanh�.

Voc� me disse que poderia dispor do dinheiro quando quisesse.

Necessariamente haver� um prazo de rendimento a respeitar.

� pena retirar o dinheiro agora. A taxa de rendimento subiu para 18%.

Achava que esse dinheiro era para seus filhos.

Mais n�o estou roubando meus filhos! Que hist�ria � essa?

Estou ficando irritado, Jean-Marc!

Bom, n�o vamos levantar a voz.

-0 que � isso? - Uma revista que trouxe pra voc�.

- Amanh�. - Temos festa � fantasia na escola.

Ent�o iremos na ter�a.

N�o sei que tempo est� fazendo em 0slo. Coloco duas blusas de l�.

As crian�as v�o ficar decepcionadas.

Por que avisaram t�o em cima da hora?

0 respons�vel pela comunica��o teve um problema de fam�lia.

- Voc� n�o se preparou? - N�o. Analisarei o dossi� no avi�o.

Sabe em que hotel vai ficar?

N�o. Vir�o me buscar no aeroporto.

Por que est� levando tantas roupas?

Ligue para seu pai. T�nhamos um encontro esta semana.

Diga-lhe que telefono quando voltar.

Bom dia, Sra. Faure.

Bom dia!

Voc� nada bem demais para mim. N�o gosto de piscinas.

- Prefiro o mar. A �gua salgada. - S� fui duas vezes � praia.

Voc� nunca viaja com seu...

- Jean-Marc? - �!

N�o muito.

Ele n�o tem medo de deix�-la sozinha?

- N�o. Eu � que fico apreensiva. - Tem medo que ele n�o volte?

N�o. Que ele se perca.

Crian�as, venham! Vamos fazer um lanche.

Luc!

A� vem a fortaleza inconquist�vel!

N�o gosto do seu cal��o. Vamos lhe comprar uma tanga.

Faz dois dias que ele n�o sai do quarto.

Meu hor�rio termina em meia hora. Posso arrumar seu quarto?

Pode ficar no quarto, se quiser.

Bom dia, senhor.

0 senhor vai para a Noruega?

Sim.

Fui ao Museu de Belas-Artes e voltei ao hotel. Alice tomou a vacina?

N�o. 0slo � uma bela cidade. H� uma grande avenida, Karl Johns Gate.

Mas t�o barulhenta...

Est� me ouvindo? Eu estou ouvindo mal.

0 que est� fazendo a�? Entre!

N�o tenho o dinheiro.

Queria o cinza met�lico. Mas precisaria esperar tr�s meses.

Ent�o escolhi o azul. Uma esp�cie de azul-marinho.

�s 16:00 temos um encontro na concession�ria.

N�o tenho o dinheiro.

E em dois anos, com o dinheiro que ficou aplicado...

fa�o uma piscina para as crian�as. Vamos.

Viu? Falta pouco pra que eu termine l� em cima. Reforcei o vigamento.

Um minuto. Venha comigo. Vou lhe mostrar.

Assim o ateli� do t�rreo fica livre para eles, e eu fico tranquilo aqui.

Suba. Vou mandar instalar duas grandes janelas. J� encomendei.

Cuidado. N�o passe pelo lado esquerdo.

Nem est� chovendo... Sempre deixam tudo desarrumado.

Precisar� cuidar de Christine e das crian�as.

Por que est� dizendo isso?

- N�o podemos ir buscar o carro. - N�o vai recome�ar essa hist�ria!

Por qu�?

Por qu�? Qual � o problema? Est� doente?

N�o tenho o dinheiro.

Como, n�o tem o dinheiro? Perdeu no jogo?

Perdeu no jogo?!

Que enrola��o � essa? 0nde est� voc�? N�o o vejo.

Jean-Marc!

- Foram 8 � direita, e 6 � esquerda. - N�o! 10 � esquerda!

- Papai, Alice est� me empurrando. - Para com isso, Vincent.

- Fizemos quantos quil�metros? - Sete ou oito.

Tem certeza de que essa casa n�o � cara demais?

- Passamos por uma quadra de t�nis. - Vincent, est� roubando!

-0nde estamos, papai? Saint Martin? - Eu n�o digo nada.

Vincent!

- Papai! Papai! - Vincent!

Vincent!

Alice!

Christine!

Tem algu�m em casa?

- Jean-Marc! - Vou dar a volta.

Christine!

A cerejeira caiu!

- Funciona at� da cozinha. - E isso custa caro?

N�o sei. J� estava instalada quando mudamos.

- Quando vamos ver o burrinho? - N�o sei, querida.

- Tudo bem? N�o est�o lhe cansando? - N�o. S� est�o um pouco agitados.

- � agora que vamos ver o burrinho? - Vamos andar de bicicleta!

0 burrinho est� amarrado no pasto. N�o tem como escapar, o coitado.

Iremos daqui a pouco.

- Bonito esse lustre. � cristal? - Presente do patr�o de Jean-Marc.

- N�o sei qual escolher. 0 que acha? - Ah... Gosto deste aqui.

N�o acha que mam�e est� bem?

Quando estamos juntos com ela, sim.

Sozinha, � capaz de chorar uma hora seguida. Ligo para ela todos os dias.

Jean-Marc decidiu comprar a casa assim, de repente?

J� t�nhamos essa inten��o h� algum tempo. E ele viu que o tempo passa.

Pena que n�o temos mais a casa de la Frette.

Voc� concordou em vend�-la.

N�o �amos ficar na casa onde papai se acidentou!

Ele a reformou tanto! Um milh�o e trezentos, a 18%...

desculpe-me perguntar, mas rende uns 240 mil por ano, n�o?

- Aproximadamente. - Como assim, aproximadamente?

Voc� que fez a aplica��o, deve saber.

E a soma que havia antes da morte de papai, est� na mesma carteira?

- Sim. N�o mudei nada. - Nunca vemos nada...

...nenhum extrato, nada. - Se quiser, pegue o dinheiro e aplique.

Sabe muito bem que n�o entendo de aplica��es.

J� vamos para casa? 0ra, vamos tomar um �ltimo drinque.

- Amanh� � dia de trabalho. - Eu tamb�m trabalho, amanh�.

Est�o com tanta pressa assim de voltar ao ninho?

N�o s� assisto a essa chatice porque voc�s t�m assinatura...

J� chega.

Ser largado pela mulher, e ainda por cima sair com casais...

isso � puni��o. S� um masoquista faz isso!

- Est� come�ando a nos encher... - Voc�s � que me enchem! Droga!

- Aonde vai? - R�mi!

- N�o podemos deix�-lo sozinho. - R�mi!

Eles brincaram tanto de se separar. Agora ele est� assim, infeliz.

- Voc� respondeu a carta dela? - Eu lhe contei que ela me escreveu?

Acho que ela est� contente por estar em Paris.

- Por que pegou o caminho do lago? - Para variar.

-0 seu andar est� aceso. - Hein?

Fica no terceiro andar, n�o? Est� aceso.

Deve ser a equipe de limpeza.

As joias que ele lhe ofereceu durante a rela��o de voc�s.

Me deu tamb�m este anel. Desde meu div�rcio, morava em Paris.

Ele e sua mulher vieram me visitar. Tomamos um ch� em minha casa.

Conversei principalmente com ela, com Christine.

�ramos muito unidas, mas mal me lembrava dele.

- Depois recebi aquele imenso buqu�. - Quanto tempo depois?

Dez dias. Flores magn�ficas. Fiquei muito surpresa.

E ele me convidou para jantar.

Boa noite.

Tenho um encontro marcado com o Sr. Faure.

Por favor, senhora.

Boa noite.

- Boa noite. - Nos beijamos? Nem sei o que fazer.

0brigada pelas flores. Magn�ficas.

Queria jantar com voc� no terra�o do quarto, mas o tempo est� ruim.

- Voc� vai bem? - Sim.

- Christine n�o veio? - N�o.

- Est� hospedado aqui? - Sim.

-0 congresso � sobre o qu�? - Cirurgia celular.

Como h� muito dinheiro envolvido, h� muitas manobras de patroc�nio.

Vemos importantes ministros estendendo o chap�u...

Se encaramos filosoficamente, fica at� divertido...

mesmo se achamos esse tipo de coisa chocante na �rea da sa�de.

� a lei do mercado. Em todo lugar � assim.

Mas encontramos pessoas interessantes.

Algu�m como Kouchner, por exemplo. Ele faz um trabalho fant�stico.

- Voc� o conhece? - Sim. Dizer que somos...

amigos � exagero. Mas nos vemos com frequ�ncia.

Ele � criticado porque ocupa espa�o, se exp�e.

Mas nos dias de hoje, � preciso estar na m�dia para ser ouvido.

- Sempre admirei esse cara. - Se quiser, organizo um encontro.

Engra�ado, eu n�o tinha me dado conta que o seu trabalho era esse...

que conhecia essas pessoas. Estava uma del�cia.

Como em Ferney. Voc� parecia t�o despretensioso, t�o discreto...

- Trago outra garrafa de champanhe? - Como?

- Esta j� est� no fim. - Talvez... ou meia garrafa.

- N�o temos meias garrafas. - Uma garrafa.

- Est� quente aqui, n�o �? - E.

Voc� est� suando. Quer um cigarro?

- N�o, obrigado. Tenho charutos. -0brigada.

- Poder�amos ir a uma exposi��o. - N�o tenho tempo.

Saio do consult�rio tarde, �s 20 h, tenho as crian�as em casa...

Mas voc� parece ter tempo de sobra.

-0 que vai fazer nas f�rias? - N�o sei.

R�mi vai ficar tr�s semanas com as crian�as.

N�o tenho planos. Decidirei no �ltimo minuto.

Eu te amo.

Vou fingir que n�o ouvi.

0u�a. � muito agrad�vel a gente se encontrar assim, para jantar...

...maravilhoso, mas... - Tem raz�o.

Sou muito amiga de Christine.

- N�o sei que reputa��o eu criei... - N�o tem nada a ver com isso.

- Isto � para voc�. -0 que �?

- Para que voc� me perdoe. - N�o, n�o...

Sim. Abra.

N�o, mas... N�o, n�o.

� muito bonito, mas... n�o posso.

N�o.

At� aquele momento, n�o tinha havido nada entre n�s.

N�o pensei mais sobre o assunto.

Quando vinha a Paris, �amos jantar em lugares muito bons.

Mas ele era muito discreto. De vez em quando trazia um presente.

Ele tem muitos interesses, fal�vamos sobre tudo.

Mas ele nunca...

Estou morta! Voc� me faz beber.

Estava bom, mas Jamain � mais sofisticado.

Amanh�, regime.

- Ah, boa noite. - Boa noite.

- Correu tudo bem? - Eles dormiram cedo.

- Aqui est�. At� ter�a. -0brigada.

- Boa noite, senhor. - Boa noite, senhorita.

Ela vai pensar que... 0ra, pouco importa.

- Afinal, vai continuar aqui? - Gostaria. Alugo de minha tia.

Vai dirigir a noite toda? N�o sei como consegue.

Se ficar cansado, pare um pouco na estrada.

Ligue para mim quando voltar. Um beijo.

- Posso dormir aqui? - Se quiser.

Tem um quarto do outro lado. N�o sei se tenho cobertores.

Ah, sim, no arm�rio. Deixo isso por sua conta.

- Que horas s�o? - Seis horas.

- Voc� n�o dormiu? - N�o.

Tenho a impress�o de que posso dizer tudo a voc�.

Com os homens que tive, acho que n�o troquei tr�s palavras.

- Voc� o conheceu l�? - Em Lyon. Na faculdade de medicina.

E se tornaram amigos. Podemos at� dizer...

que era seu melhor amigo. E na �poca, como ele era?

- Como se comportava? - Era reservado, inteligente.

T�mido, em certos aspectos. Inspirava prote��o.

- Sempre tive vontade de proteg�-lo. - Estudavam juntos no 2� ano?

Sim.

Ele n�o compareceu aos exames.

Tem alguma lembran�a desse 2� ano de faculdade? Houve algo especial?

N�o. N�o sei, talvez uma discuss�o com Christine, mas n�o durou.

Depois, fez a faculdade inteira com ele, que jamais fez nenhum exame.

Convive com ele diariamente, e n�o percebe nada.

N�o.

- Ele se reinscreve e voc�... - N�o.

Ao final dos exames, nem pensa em ver se o nome dele est� na lista.

N�o. N�s estud�vamos juntos. Ele era bom, at� melhor que eu.

Por que duvidaria? Faz�amos cursos diferentes. Todos acreditaram.

-0 que disse que fazia na 0MS? - Mestre de pesquisa em cardiologia.

- E como tinha obtido esse cargo? - Disse que tinha se candidatado...

por meio de um professor que era chefe de laborat�rio.

E nunca teve a curiosidade de visit�-lo na 0MS, a dez quil�metros...

Quis visit�-lo, uma ou duas vezes. Ele concordou, depois desconversou.

Voc� nunca fez nenhuma pergunta, teve alguma d�vida. N�o viu nada.

Talvez eu tenha sido incapaz de ouvi-lo.

Digo que tenho a impress�o de estar morrendo e voc� diz que estou bem.

- Se quiser, levo voc� ao hospital. - N�o, voc� deve ter raz�o.

Por favor, fale mais baixo. As crian�as est�o dormindo.

N�o tem nada para eu beber, alguma bebida alco�lica?

0 que vejo � que est� muito agitado.

Sim, talvez. E talvez tenha boas raz�es para isso.

Quer me contar alguma coisa?

Ah! Deve ser isso. Tenho alguma coisa a revelar.

Mas cuidado. Vai ficar colado na cadeira, e por um bom tempo.

S�o duas da manh�, Jean-Marc. Estou exausto.

Faz muito tempo que quero lhe contar. Est�vamos no 2� ano...

depois dos exames, dos resultados. Voc�s estavam no anfiteatro B.

Havia m�sica, bebida... Lembra?

Por que falar da faculdade, agora...

Voc� me viu no corredor e gritou: ''Ent�o, passou?''.

Naquele momento, Christine e eu n�o est�vamos mais nos vendo.

Ela n�o queria mais me ver.

- N�s... - � alguma hist�ria de mulheres?

- Mulheres? N�o... - Sei l�, suas viagens a Paris...

Vai para l� o tempo todo.

Diga? � Marianne? � ela?

� ela?!

E por que n�o?

Porque � o tipo de mulher com quem se transa uma vez ou duas e ponto.

- N�o sabe do que est� falando. - Destruir� a vida por uma perdida?

- N�o � verdade, est� sendo vulgar. - E uma sem-vergonha! Eu a conhe�o!

N�o fale assim! Estou pouco me lixando para seu moralismo!

Est� querendo ser exemplo de qu�?

Acha que essa sua vidinha � algum modelo universal?

- Voc� vai ser muito infeliz. - � a �nica verdade em minha vida.

0 que espera? Que eu lhe diga: ''V� em frente! Isso � a vida, � paix�o!''

N�o, porque n�o acredito nisso nem um pouco.

D� um fim nisso antes que...

E n�o venha me dizer que ela o ama, porque n�o vou acreditar.

Acho que voc� pode conversar sobre isso com Christine. Ela compreender�.

Ajudar� voc� a deixar isso para tr�s.

0 que voc� tem nessa cabe�a?

Afinal, o que queria me dizer com aquela hist�ria do anfiteatro?

Nada.

No fim do 2� ano de faculdade...

j� tinha feito uma ou duas provas...

Naquela manh�, levantei e me vesti para ir ao exame de fisiologia.

De repente, foi como se algo dentro de mim...

se curvasse e ca�sse.

Eu n�o tinha mais pernas, mais nada.

Deixei passar a hora, n�o fui capaz de ir.

Na escola, no...

N�o sou m�dico. N�o trabalho na OMS.

Quando saio de casa, n�o vou a lugar nenhum.

Dirijo, paro, espero.

Agora que n�o existo mais...

n�o sei se minha morte poder� nos salvar.

Papai, est�o te procurando. Eles querem ir embora.

Sim, querida, estou indo.

- Tomamos mais um? -0 �ltimo.

Tr�s u�sques com gelo. E voc�, vai beber o qu�?

- Um Malibu. Est� conseguindo? - Acho que sim.

0ra, pare de aborrec�-lo com esse colar.

A prop�sito, vi Marianne quando fui buscar as crian�as em Paris.

Estamos nos falando, agora. Ela continua... E engra�ada.

Est� loucamente apaixonada, como uma adolescente, por um dentista...

que faz dela gato e sapato.

Quando est� apaixonada, fica sempre com a nuca �mida.

- Voc� tamb�m transou com ela, n�o? - N�o. Sinto decepcion�-lo.

Senhor, pedimos tamb�m um Malibu para a senhorita.

E tem um outro, que ela est� arrastando h� algum tempo...

um m�dico tamb�m. Mas ela pouco fala sobre ele.

Um cara pouco divertido, chor�o. Enfim, um cara que s� a chateia.

A� est�, acho que vai segurar.

0brigada.

Eu n�o queria vir. Mas sabia que voc� ficaria contente.

S� que agora precisamos parar de nos encontrar.

N�o posso continuar. Est� acabado.

Porque voc� � triste.

N�o sou triste, n�o com voc�.

Sei que voc� se esfor�a. Mas h� algo triste em voc�, sombrio.

Voc� � gentil, me convida para ir a lugares lindos...

mas n�o posso ficar com algu�m que tem essa tristeza dentro de si.

N�o tenho for�a para isso.

Podemos ir dar uma volta de barco.

N�o sei se o barqueiro estar� l�.

0 que est� havendo, Jean-Marc? Diga-me o que est� acontecendo.

- Tive um acidente. - Um acidente? 0nde?

- Diga-me. - Um carro veio pra cima de mim.

0 carro foi jogado contra o corrim�o de seguran�a.

Fui expelido pelo choque. 0 carro capotou tr�s vezes.

- Mas o carro est� na garagem. - Era um carro de servi�o.

Fui levado num helic�ptero para o hospital de Lausanne.

- Foi isso. - Por que n�o me ligou?

- Quando ca�, perdi o bip. - Mas cuidaram de voc� no hospital?

- Est� sangrando. - Deve ter reaberto. N�o � nada!

- Voltou para buscar o carro na 0MS? - Sim.

Est� arranhado.

0u talvez tenha ca�do sobre gravetos.

0u foi o vidro que explodiu?

Vamos colocar um pouco de �lcool.

- Vincent! - Ainda n�o acabei!

Vamos logo com isso.

Alice!

Apressem-se, crian�as, sen�o vamos nos atrasar.

- Papai ainda est� doente? - N�o. Est� descansando.

Emmeline! Pode dar uma olhada neles? Eu j� venho.

Estou indo.

Voc� n�o fez o cheque para pagar o trimestre da cantina.

Amanh�.

Christine!

0 que est� procurando?

N�o sei.

N�o sabia que voltaria para casa esta noite.

Estamos bem na hora da pausa. Foi gentil em vir at� aqui.

Entregue isso a Lange, por favor.

- Quer um caf�? - Sim.

- N�o pode mesmo jantar comigo? - N�o.

� pena...

meu irm�o mais velho.

- E voc�? Est� bem? Parece. - Tive uns problemas, mas j� passaram.

Vamos sentar um pouco.

- E o seu dentista? - Acabou.

- Est� chateado comigo? - Sabe que n�o.

- Voc� tem visto R�mi? - N�o muito.

- Vendi o consult�rio em Ferney. - Eu soube. Vendeu bem?

At� que sim. Consegui 900.000 francos.

Queria lhe falar sobre isso. J� sabe no que estou pensando...

- N�o. -0ra!

N�o, por favor.

- Tem um cigarro, por favor? - Cuidado, Cavalier chega �s 14:00.

-0 lugar que conhece, em Genebra. - N�o.

Por qu�? Seria uma grande ajuda para mim. Por favor.

Perdi aqueles contatos. 0 cara que eu conhecia n�o est� mais l�.

Mas o seu dinheiro e o da sua fam�lia continuam l�.

N�o cuido mais de investimentos. N�o fa�o mais isso.

Poderia fazer, por mim. Por pouco tempo, alguns meses...

at� eu decidir o que comprar.

- E como pretende pagar? - Primeira parcela em dinheiro.

Verifique. Deve haver 100.000 francos.

Vincent! Saia da�.

- � novo ou usado? - Novo.

Eu n�o queria.

0nde est� o cachorro?

� voc�.

N�o, fez bem. Eu estava fora.

Foi complicado sacar um dinheiro com rendimento t�o alto.

� o procedimento normal.

Amanh�. Resolvo isso e lhe pago.

As estragadas a gente n�o coloca. Isso. Vamos tirar as murchas.

Ah, � voc�! 0brigado por ligar de volta.

N�o, n�o dormi.

Por favor, n�o fale com essa voz. N�o quis te ferir ontem � noite.

N�o me lembro disso. Mas se voc� diz, acredito.

Vamos esquecer tudo isso. Sim, sim.

Farei isso. Vou procurar algu�m.

Sim, sim.

N�o, estou sozinho.

Na casa da m�e dela. Est�o brincando no jardim.

J� anoiteceu?

Estou ouvindo mal.

Marianne?

0 senhor diria que houve certos sinais...

que ele havia entrado numa outra fase?

N�o sei. Nos tr�s �ltimos meses n�o nos v�amos mais. Brigamos.

- Brigaram? Por qu�? - Uma besteira.

Foi na escola que os nosso filhos frequentam. Uma escola particular...

cat�lica. Fazia um certo tempo que o diretor nos incomodava.

Era mau administrador e tinha um caso com uma professora.

Eles tinham seus encontros dentro do local de trabalho.

Com ou sem raz�o, n�s o dispensamos.

Fizemos uma vota��o e Jean-Marc concordou com a demiss�o dele.

Votou a favor. E no dia seguinte, n�o sei o que aconteceu...

Christine iniciou um abaixo-assinado contra a demiss�o.

E voc�, o que diz? Muito bem. Ent�o, obrigado. E at� segunda.

- Eles o despediram? - Sim.

Sem a menor compreens�o de um problema humano.

Isso me fez pensar no Livro de J�, no bode expiat�rio.

Julgam. S�o implac�veis. A cabe�a rola.

Mas quem s�o eles para condenar?

- Mas voc� disse o que pensava! - Sim, mas fiquei isolado.

N�o concordo. � revoltante. Que idiota ele foi, esse Luc!

N�o vou deixar que fa�am isso. E Emmeline, estava l�?

N�o!

Aqui � Christine. Preciso falar com voc�.

Houve um incidente que me deixou indignada! Diz respeito a todos n�s.

Houve uma vota��o na escola, e todos votaram contra Maletras...

exceto Jean-Marc.

Claro, n�o podemos deixar que fa�am isso. Come�amos um abaixo-assinado.

- Continua brava com o Luc? - � desagrad�vel, mas n�o vou ceder.

N�o sabia que a coisa ia se transformar nesse esc�ndalo.

- Quantos assinaram? - Cinquenta, ou mais.

- Nada mal. - � quase uma guerra civil.

- Bom, at� logo. - At� logo.

- Sra. Faure? - Sim?

J� nos hav�amos visto, mas nunca conversamos. Sou a Sra. Xinning.

Meu marido trabalha na OMS. Soube que seu marido tamb�m.

- Sim. - Jean-Jacques tentou contat�-lo.

Procurou o seu nome na lista de funcion�rios, e n�o achou.

- Por isso vim procur�-la. -0 cat�logo � deste ano?

N�o sei.

Bem, estamos na lista telef�nica. Poder� ligar para n�s.

- Deseja algum produto farmac�utico? - N�o.

Ent�o, com licen�a.

- Ele lhe agrada? - Sim, ele me agrada.

- Mas quando? Quero uma data. - In�cio de janeiro.

In�cio de janeiro?

N�o poderei vir a Paris antes das festas de fim de ano.

Foi aqui que jantamos juntos pela primeira vez.

Entre amigos, n�o deve haver problemas de dinheiro.

Perdi a fome.

Afinal, quando?

Veja s�! Kouchner me convidou para uma visita num dos pr�ximos s�bados.

- Gostaria de vir? -0nde ele mora?

- Fora de Paris. Em Fontainebleau. - Quem estar� l�?

Ser� uma reuni�o �ntima. Sua mulher, com certeza. Um ou dois amigos...

- Dia 16 ou dia 9? -9.

Christine!

Christine!

- Entre no carro. J� estou indo. - Est� queimando seus pap�is?

Vamos logo, Virgem Maria.

Algu�m precisa lhe dizer a verdade.

Quando fica emburrada, aparecem duas rugas no canto do seu nariz.

N�o � nada bonito.

Alice!

A fam�lia inteira vem almo�ar em casa.

-0 campe�o dos oprimidos vai bem? - Foi buscar seus pais.

Ele � engra�ado. Podia ter dito logo que n�o concordava.

- Mas foi o que fez, n�o? - N�o, justamente.

- Ele n�o concordou com a demiss�o. - Concordou! Votou como n�s!

Foi por isso que n�o entendi nada. Enfim, n�o importa.

-0 que voc� tem? - Ele mentiu pra mim. Mentiu.

0 que houve?

Sobraram ostras?

Sim. Vamos ter que jog�-las fora, como no ano passado.

- Quer ajuda? - N�o precisa, obrigado.

0s primos de Annecy querem cebolinhas brancas?

- N�o sei, est�o olhando as fotos. - Pode deixar. Gosto de fazer isso.

- As crian�as t�m guardanapos? - E os pratinhos para o lim�o?

- Houve um pequeno drama. - Para com isso.

- N�o cheguei a tempo. Abriram tudo! - N�o! Era s� para depois do almo�o!

Vincent, pare com isso ou voc� vai para o quarto!

- E Luc, n�o vem desta vez? - N�o.

- Mas est� tudo bem com ele? - Sim.

Falei com ele esta manh�.

- Que linda mesa! - Cuidado, vamos tirar isso daqui.

Muito obrigada.

- Todos juntos! - Jean-Marc!

Jean-Marc!

Jean-Marc! Jean-Marc! Jean-Marc!

Ah!

Jean-Marc, fique ao lado de Christine!

- Um beijinho! - Sorriam!

-0lhe bem. Como se fala? - Feliz Natal!

- Sabe onde est� Jean-Marc? - Faz um tempo que n�o o vemos.

Alice, v� chamar seu pai.

Tudo que eu fiz, bem ou mal, foi por voc�s.

Porque amo voc�s.

Porque voc�s s�o o centro de minha vida.

E agora que n�o existo mais...

N�o sei se minha morte poder� nos salvar.

Papai, est�o lhe procurando. Querem ir embora.

Sim, querida. Estou indo.

Mas mam�e... Quanto? Menos 40.000?

N�o. � completamente imposs�vel.

Teve as f�rias todas para fazer isso, e s� agora se lembrou...

Eu tinha esquecido os ''t''.

- Alice, voc� est� pronta? - Quase.

- Nessa coluna n�o. - O computador se enganou.

N�o se preocupe. Irei at� l� falar com eles. Sim!

Sim. Esta manh�.

Muito bem, duas bombas de g�s lacrimog�neo. Muni��o.

- Quantas caixas disse? Uma ou duas? - Uma.

- Sabe usar a autodefesa eletr�nica? - Creio que sim.

Poderia embrulhar cada um dos itens para presente?

Sim... como quiser.

N�o tenho grande coisa.

Ah! Tamb�m preciso de um silenciador para rifles.

Ele est� triste. 0 Dr. Bertier falou de opera��o...

por causa do glaucoma.

- Vai ficar para almo�ar? - N�o tenho tempo.

- Mas coma alguma coisa. - Ter� que ser r�pido.

Recebi uma carta do banco. A conta continua no negativo.

� um erro! J� disse que vou cuidar disso!

Vou buscar uns livros.

Jean-Marc! Um instante. Estou ocupad�ssima, mas pode entrar.

H�l�ne deu � luz esta manh� na maternidade de Genebra...

e aqui estou cuidando de todas as crian�as!

- Luc n�o est�? - N�o! Crian�as! Parem!

Al�? Al�? Ningu�m responde. E a terceira vez, hoje.

- Tudo bem? - Sim.

Quer que eu d� algum recado a ele?

Sim.

- Diga-lhe que... - Damien! Mas voc� � uma peste!

Vou indo.

Ser� que o papai j� chegou na pizzaria?

0 que � que a mam�e tem?

''Durante todo esse tempo, o jovem pr�ncipe continuava no po�o.

Mas as paredes eram lisas e escorregadias...

e era imposs�vel sair. Ele se entregou ao desespero.

E eis que a raposa se debru�ou na beirada do po�o.''

Durma.

Sua m�e est� muito sozinha.

- Por que n�o est� na lista da 0MS? - Ela poderia passar uns dias aqui.

Que lista?

N�o sei. Parece que eles t�m um cat�logo onde seu nome n�o consta.

Pare de beber assim.

Voc� nunca nos leva a nenhum lugar.

H� uma �rvore de Natal para as crian�as na 0MS. Nunca fomos.

Voc� nos faz viver como selvagens. Alguma coisa est� errada...

Por que seu nome n�o est� l�?

Todo esse dinheiro que voc� gasta. Esse carro que custa uma fortuna.

- � para voc�s. - Estou pouco me lixando pra isso!

- N�o tem mais um centavo na conta! - Quem lhe disse isso?

- Se foi despedido, pode dizer. - E por que seria?

Algum erro profissional...

Foi despedido ou n�o?

N�o sei.

� verdade que o inverno foi dif�cil.

Voc� n�o responde!

N�o posso continuar nessa vida.

E estou come�ando a ficar com medo. Compreende?

Por que n�o disse que votou contra Maletras?

Tive vergonha diante do Luc, quando ele me contou.

Voc� me colocou numa situa��o dif�cil.

� verdade. Talvez eu n�o tenha explicado bem.

�s vezes n�o me lembro. Quer que eu v� embora?

Por que n�o est� nessa droga de cat�logo?

- Talvez seja melhor. -0 que est� havendo, Jean-Marc?

N�o lhes falta nada. Sempre agi de forma que nunca lhes faltasse nada.

- Voc� n�o responde. - S�o coisas sem import�ncia...

diante do amor que sinto por voc�s.

Por que n�o est� no cat�logo?

- J� � tarde. - Amanh�.

N�o quero me separar. Amo voc�.

Eu tamb�m amo voc�.

Sim? Bom dia, Emmeline.

Ela ainda est� dormindo.

Quer que eu a acorde?

Darei o recado.

- Sil�ncio. Mam�e est� dormindo. - Voc� pode p�r uma fita?

Esta.

Ela se aproximou da mesa grande, mas era muito alta.

- Se aproximou da mesa m�dia... -0 vermelho.

Ent�o se aproximou da mesa bem pequena. E era da altura exata.

Cachinhos de Ouro quis sentar na grande cadeira, mas era muito larga.

Quis sentar na cadeira m�dia, mas ''crac''. N�o parecia muito segura.

Enfim, sentou-se na cadeira bem pequena...

-0 verde. - ...que era perfeita!

Cachinhos de Ouro provou a sopa do prato grande, mas ''ai''!

Como ela estava quente, provou a do prato m�dio.

- Argh! Estava muito salgada! -0 amarelo.

Provou a sopa do prato bem pequeno. Estava no ponto!

- Bebeu at� a �ltima gota. -0 amarelo.

- Ela se levantou, abriu uma porta... -0 amarelo.

...viu tr�s camas arrumadinhas, uma ao lado da outra...

...grande, m�dia e pequena. - Suas m�os est�o frias.

- Vou buscar minha r�gua. - N�o! Fique aqui.

...a cama grande, era muito alta! A m�dia, muito dura.

Nunca v� sozinha ao bosque. Nunca se sabe o que pode acontecer l�.

Um dia, enquanto caminhava � beira do bosque...

Cachinhos de Ouro viu brilhar um jacinto azul.

Entrou no bosque tr�s passinhos, e colheu o jacinto.

Um pouco mais longe, viu um jacinto branco, mais belo ainda.

Voc� � que est� quente. Deve estar com febre.

Venha vamos ver.

Ela correu at� ele e come�ou a fazer um grande buqu�.

Mas quando quis sair do bosque, todos os caminhos pareciam iguais!

Deite-se de barriga pra baixo! Aqui est�. Sabe como usar.

- Quanto tempo? - Conte at� 200...

ou cante aquela m�sica que conhece: ''Pirueta, amendoim''.

Era uma vez um homenzinho Pirueta, amendoim

Era uma vez um homenzinho Que morava numa casa engra�ada

Sua casa era de papel�o Pirueta, amendoim

Sua casa era de papel�o E as escadas de papel

Sua casa era de papel�o E as escadas de papel

O carteiro subiu por ela Pirueta, amendoim

O carteiro subiu por ela E quebrou o seu nariz

Pai Castor, ponha os �culos e leia tudo para n�s!

Pai Castor, o que precisamos levar para viver na floresta?

Uma b�ssola para se orientar, e provis�es para os primeiros dias.

Pai Castor, conte uma hist�ria para n�s.

N�o, duas hist�rias!

Pai Castor, ponha os �culos e leia tudo para n�s!

- Pai Castor... - N�o tenho nada. Quero ver o fim.

...conte-nos duas hist�rias!

Pai Castor, pai Castor Ponha seus �culos e leia para n�s

Leia tudo para n�s Uma hist�ria mais

Vincent, vamos subir. Quero medir sua temperatura.

- N�s queremos ouvir... - N�o.

N�s ouviremos com aten��o.

- Pai Castor... - Ponha seus �culos!

Que houve com os dipl�docos?

Um drag�o pode morar na nossa casa?

Quando estar� de volta A bela gaivota

E o lobo, e a...

Bom dia, Jean-Marc.

Ah. Trouxe-o de volta.

A v�lvula de ventila��o do seu quarto n�o est� mais funcionando.

Deve ser o filtro.

Isso deixa entrar os maus odores.

- Quer mais? - N�o, obrigado.

Temperei com s�lvia do jardim.

- Qual o problema com essa v�lvula? - Vinham consertar, mas nevou muito.

Por que me faz subir de novo essa escada? Tentei consertar de manh�.

De qualquer forma, ser� preciso chamar algu�m.

Eu a desliguei. Podia causar um curto-circuito.

Vamos dar uma olhada na grade.

Voc� � teimoso. J� disse que n�o adianta.

Me obriga a abaixar.

� preciso trocar a pe�a. Eles vir�o na segunda.

Estou aqui.

0 que voc� tem, meu cachorro?

0 que est� fazendo a�?

- Voc� mudou as fotos? - Que fotos? N�o mudamos nada.

Jean-Marc, o que est� acontecendo com voc�?

- Foi presente de Natal? - Sim.

Vamos, Manuel. Pare com isso. Abaixe o som dessa m�sica.

N�o.

-0 que acha? - Est� bom.

N�o estou arrumada demais? N�o.

Acho que vou trocar de cinto.

- N�o estamos atrasados? - Deixe que eu sirvo.

0brigada.

Jean-Marc, pode vir aqui um minuto?

Esses cabelos!

- Quantos seremos? - Quatro ou cinco.

- Deixo assim, soltos, n�o? - Sim.

- Est� exagerando, sobre o dinheiro. - Segunda-feira, prometo.

Estarei l� assim que abrirem.

Por outro lado, aceitar a dire��o do INSERM significa viver em Paris.

- N�o consigo entender o seu mapa! - Terei direito a um apartamento...

perto de Maubert.

Falei com Christine.

Chegamos a um acordo. Vamos nos separar.

Lamento porque n�o verei mais as crian�as.

Quero dizer, verei menos.

Voc� nunca vai deixar Christine!

Tente virar ali, � direita.

- J� passamos por aqui! - N�o.

Sim. Estou reconhecendo essa rotat�ria.

- Voltamos ao ponto de partida. - N�o.

N�o vimos nenhuma placa indicando Neuville. N�o pode ser por aqui.

Estacione. Ali tem uma cabine telef�nica.

Sen�o ainda estaremos aqui amanh� de manh�.

- V� at� l�! - N�o tenho o n�mero comigo.

Como assim, n�o tem o n�mero? Voc� est� brincando comigo?!

0 que vamos fazer aqui? 0nde estamos? Estamos perdidos.

Acho que ele est� numa sacola no porta-malas. Vou olhar.

Inacredit�vel!

- Venha. Tenho uma surpresa. - N�o � o momento! Telefone logo.

- Tenho um presente para voc�. - Pare com essas idiotices.

- Isso � rid�culo. N�o! - Saia um instante, por favor.

- Feche os olhos. - Estou sonhando!

N�o! N�o!

Pense nos meus filhos. Nos meus filhos.

0 que est� acontecendo? 0 que deu em voc�?

Foi voc� que me atacou. Me machucou.

Voc� que come�ou. Por que eu ia querer lhe fazer mal?

Eu?

Acho que sim.

N�o se lembra do que fez?

Me desculpe. Talvez eu n�o esteja muito bem.

�s vezes n�o me lembro.

0lha o meu estado! N�o podemos chegar l� assim.

- Podemos ir de qualquer maneira. - Leve-me de volta para casa.

- �. Est� um pouco tarde. - Deixe-me num posto. Pego um t�xi.

Talvez seja melhor eu ligar para pedir desculpas.

Boa noite. Aqui � Jean-Marc Faure. Sinto muito, n�o iremos.

N�o encontramos... nos perdemos no caminho.

Ol�. Voc� ligou para Alice, Vincent, mam�e e papai.

No momento n�o estamos. Deixe seu recado ap�s o sinal.

Christine!

Ele est� vivo!

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