All language subtitles for A.History.of.Britain.11of15.The.Wrong.Empire.DivX5_AC3

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Original subtitles

Se havia uma coisa que os cavalheiros brit�nicos do S�culo XVIII

acreditavam melhor que o vinho ou as corridas de cavalos,

era a liberdade.

Deleitavam-se nela.

Era a recompensa, diziam,

de quase um s�culo de guerras civis.

Ajudou a fazer da Bretanha o pais mais livre do mundo,

a salvo da tirania cat�lica, monarcas absolutistas

e ex�rcitos permanentes.

A liberdade era sua religi�o.

Constru�ram templos em seus jardins dedicados a ela.

Inclusive compuseram um hino.

Apiedando-se do resto do mundo escravizado, privado de suas m�ltiplas b�n��os!

Por�m a verdadeira recompensa da liberdade

tinha sido o poder e riquezas provenientes do resto do mundo.

Com a liberdade havia chegado o com�rcio.

O com�rcio havia causado, talvez, a mais incr�vel transforma��o de poder

em toda a hist�ria brit�nica.

De ser um pequeno broto de ilhas insignificantes

perto da costa noroeste da Europa,

a Bretanha tinha-se tornado numa pot�ncia mundial.

A sombra da Bretanha alcan�ava agora a Am�rica,

o Caribe e o sub-continente indiano.

Tudo ocorreu em apenas um s�culo.

E, ao contr�rio do Imp�rio Romano que muito admiravam,

sonhavam num Imp�rio Brit�nico que fosse duradouro.

Um imp�rio baseado no com�rcio, n�o em conquista.

Seria um imp�rio de liberdade, pensavam,

uma extens�o de ordem Brit�nica compartilhando sua riqueza com o mundo.

Ent�o, como foi que, em pouco mais de um s�culo,

os que se consideravam os mais livres da Terra

acabaram subjugando grande parte da popula��o mundial?

Como foi que uma na��o que teria tanta desconfian�a do poder militar

acabou, em �ltima inst�ncia, sendo o poder militar maior de todos?

Como foi que o imp�rio dos Livres se converteu em um de escravos?

Como foi que os benef�cios pareciam converter-se n�o em liberdade,

mas em pura imposi��o?

Como foi que acabamos com o imp�rio errado?

O IMP�RIO ERRADO

Se se tivesse perguntado a qualquer cavalheiro brit�nico, em meados do s�culo XVIII,

que nos desenhasse um mapa do Imp�rio Brit�nico,

teria esta apar�ncia.

Ao leste, estavam os postos comerciais na �ndia,

pequenos enclaves que haviam estado ali durante 100 anos,

enviando � casa algod�es, tecidos e sedas.

Uma empresa comercial dirigida pela "East India Company",

n�o pelo governo.

N�o ia fazer col�nias na �sia.

Mas a Bretanha podia olhar tamb�m ao oeste.

E o oeste era uma hist�ria completamente diferente.

A oeste estava a Am�rica, a Bretanha Ocidental, de direito.

Dois milh�es de pessoas entre as praias atl�nticas e os Apalaches.

Viajaram de York a Nova Iorque de Hampshire a Nova Hampshire.

E todos comiam, dormiam e respiravam o mesmo mantra:

liberdade e "Britanismo".

Haviam chegado no inicio do S�culo XVII

� procura de fortuna ou toler�ncia religiosa.

Tempo suficiente para se construir fazendas, comunidades, vilas e mesmo cidades.

Tempo mais que suficiente para ocupar-se dos problem�ticos nativos:

buscando alian�as, quando poss�vel e, se n�o, retirando-os do meio,

ou empurrando-os para o interior.

Nos assentamentos e casas dos plantadores de tabaco de Virginia

e dos comerciantes de Massachusetts, a prata era um pouco mais f�cil,

os m�veis n�o t�o modernos como os que estavam na Inglaterra,

por�m essa mesma simplicidade falava de suas origens,

da busca pela liberdade e do esfor�o em prosperar honestamente.

Mas, obviamente, era mais bem pouca coisa,

se o que algu�m queria era um pal�cio na Inglaterra,

mais que uma casinha com jardins na Nova Inglaterra.

Suponhamos que algu�m quisesse fazer uma fortuna importante.

Onde poderia ocorrer isso?

Em meados do s�culo XVII esse era o Caribe.

Ningu�m tinha ido �s Indias Ocidentais para ler calmamente a B�blia.

Isto n�o era Massachusetts.

N�o, desafiavam-se as febres e os p�ntanos por um s� motivo:

tornar-se muito rico, e r�pido.

J� estavam colhendo importantes benef�cios,

satisfazendo as depend�ncias europeias:

chocolate caf� e, na Inglaterra, especialmente, ch�.

Mas, para ganhar dinheiro, nada comparado com o que se acrescentasse a tudo isto

para torn�-lo mais palat�vel: a��car.

Antes visto como artigo de luxo, agora era uma necessidade,

a safra de dinheiro do Imp�rio.

Barbados era o habitat perfeito para o cultivo da cana-de-a��car:

calor tropical e chuvas com fartura.

Assim os Brit�nicos se assentaram nas Indias Ocidentais,

transformando floresta virgem

em um mosaico de planta��es de cana.

Mas a Rainha A��car era uma erva daninha,

exigindo absoluta servid�o antes de dar seu tesouro.

Demorava 14 meses a amadurecer, com quase seus 2 metros e meio.

E quando estava pronta, estava pronta.

Tinha-se de cortar a cana e lev�-la para a moenda antes de se estragar.

Ferver o caldo antes que se degradasse.

Tudo muito �til e muito perigoso.

No lado dos moinhos pendurava-se um fac�o afiado,

pronto para cortar membros de quem ficasse preso agachado.

O necess�rio era uma combina��o de for�a e muita rapidez.

O que a cana precisava era de bestas humanas de carga,

fortes, r�pidas, duradouras e resignadas.

Uma mercadoria ia ser colhida por outra...

...escravos.

Sentado na casa da planta��o,

perto dos moinhos que convertiam o a��car em ouro l�quido,

o que mais supria para ir � �frica Ocidental e comprar escravos

e transport�-los de volta atravessando o Atl�ntico?

Sim, a log�stica era dif�cil.

Mas nada que a primeira na��o do mundo em explora��o mar�tima n�o pudesse lidar.

Os brit�nicos eram bons no que diz respeito a mercadorias.

Um par de mil libras serviam para comprar

100 hectares de campos em Barbados, um moinho e cerca de 100 escravos.

Em poucos anos, produziam o mesmo montante, anualmente,

para o resto de sua vida.

Um deles estava agora entre os mais ricos de todo o Imp�rio Brit�nico.

A economia da escravid�o no Caribe n�o era uma vers�o menor do Imp�rio,

era o Imp�rio.

3,5 milh�es de escravos foram transportados apenas em navios brit�nicos.

Foram levados �s planta��es brit�nicas,

para obter lucros aos brit�nicos e construir cidades brit�nicas...

Bristol, Liverpool e Glasgow,

onde o culto � liberdade estava, todavia, na boca de todos

em elegantes caf�s.

� exce��o de algum puritano exilado que, ocasionalmente passava por ali,

havia um sil�ncio ensurdecedor na terra da liberdade

sobre transformar homens em animais de trabalho.

A magnitude dos benef�cios selou a conspira��o do sil�ncio.

Aqui temos uma coisinha de uma beleza diab�lica.

� de prata. Poderia ser uma j�ia. Uma agulha de chapeu ou algo assim.

Mas n�o �. � um objeto que marcava a passagem

do ser humano � coisa.

� um ferro de marcar.

Uma vez que as iniciais haviam sido inscritas a fogo em tua pele,

j� n�o eras uma pessoa.

Eras um objeto, uma mercadoria. Eras uma besta de carga.

A viagem ao inferno come�ava uns meses antes na �frica.

Descrevem-na um dos poucos relatos que nos chegam

pelas m�os de Olaudah Equiano,

uma das milh�es de pessoas que experimentou o pesadelo.

Foi capturado quando crian�a, separado de sua irm�...

e arrastado at� a costa num navio de escravos que aguardava.

Quando olhei � minha volta, no barco,

e vi a multid�o de negros de todos os tipos, algemados,

cada um em seu pr�prio rosto expressando des�nimo e tristeza,

n�o tive nenhuma d�vida de meu destino.

Esmagado pela ang�stia e horror,

ca�, incapaz de me mover, na coberta.

Para que a opera��o fosse proveitosa,

os escravos eram amontoados no por�o em dois n�veis,

com pouco mais de meio metro entre as t�buas superiores e inferiores.

O ar se tornou sufocante,

com mau cheiro de diferentes fontes

e trazendo doen�as entre os escravos dos quais muitos morreram.

Esta situa��o deplor�vel se fazia ainda pior

devido �s mortificantes cadeias

e � imund�cie das necess�rias tinas

e que muitas vezes caiam e as crian�as quase se afogavam.

Os gritos das mulheres e os gemidos dos moribundos

convertiam numa cena de um horror quase inconceb�vel.

Se um era m�dico do barco, parte do trabalho era ir � adega pela manh�

e examinar o "carregamento".

Que encontrava? Para come�ar uma pilha de cad�veres de escravos,

alguns algemados juntos, vivos e mortos, presos em pares.

O que fazer ent�o?

Levar o par ao conv�s, at�-los � grade,

separar os vivos dos mortos, jogando estes, os mortos, ao mar.

Ali estavam os tubar�es, sempre os tubar�es, animados e agradecidos.

Se algum deles chegasse vivo � terra,

os problemas estariam apenas come�ando.

Vestidos apenas com uns farrapos,

faziam-no desfilar, examinando-o com um pau,

inspecionavam os dentes como a um cavalo.

A viol�ncia, ou a amea�a de sua aplica��o, decidia o sistema.

As mulheres eram objeto de especial terror.

Num ano, um supervisor jamaicano de uma planta��o, de nome Egito

a�oitou as mulheres 21 vezes, cada vez com n�o menos que 50 chicotadas.

Olaudah Equiano disse que era habitual, no final da surra,

as v�timas se ajoelharem e agradecer a seus amos o tratamento.

O mesmo supervisor tamb�m registrou, com a mesma atitude despreocupada,

que havia tido rela��es sexuais com 23 escravas nesse ano,

sem incluir sua amante habitual.

S� aos domingos ofereciam alguns momentos de alegria.

O mercado e a m�sica lhes permitia recriar um certo sentido de comunidade

da �frica que tinham deixado pr� tr�s.

E em nenhuma ocasi�o, a m�sica era mais alegre que nos funerais,

porque a morte era, finalmente, a liberdade.

A morte era a volta ao lugar.

(VOZ BAIXA) # Rio profundo...

Era muito importante para t�o transcendental viagem

levar algo como isto, africano, embora produzido em Barbados.

# ...Jord�n...

Um colar de dentes, conchas e ossos, berloques descart�veis,

an�is de cobre e bronze.

# ...Quero atravessar o rio � terra firme...

Ent�o, pessoas que n�o teriam legalmente nenhuma posse,

reservavam o que haviam escondido para esta �ltima e importante viagem,

de modo que seus esp�ritos pudessem retornar � �frica, com dignidade.

# ...Quero atravessar o rio � terra firme...

Para os brit�nicos era o cen�rio perfeito.

Seus navios dominavam os oceanos,

seus escravos produziam o benef�cio e o mundo inteiro estava � sua disposi��o.

Por�m algu�m mais queria uma parte do bolo:

os franceses.

Haviam lutado entre si durante s�culos e voltariam a faz�-lo.

A Guerra dos Cem Anos da Idade M�dia

tornar-se-ia na Guerra dos Sete Anos no s�culo XVIII.

Agincourt, novamente, mas desta vez n�o num p�ntano,

mas em batalhas por todo o mundo.

Resultou que a combina��o que os brit�nicos mais desprezavam,

jesu�tas, soldados, profissionais e burocratas,

estavam roubando-lhes o imp�rio debaixo de seus narizes,

come�ando pela Am�rica continental.

Cantar hinos patri�ticos n�o ia det�-los, s� a guerra o faria.

E a guerra, como os romanos descobriram, muda tudo.

A primeira v�tima � a liberdade e a segunda os benef�cios.

Os franceses estiveram na Am�rica do Norte tanto tempo quanto os brit�nicos,

assentados no Canad� ao norte e na Louisiana ao sul

e havia explorado o rio Mississipi e o vale do rio Ohio entre ambos.

N�o era preciso ser um g�nio para perceber

que uma sequ�ncia de fortes franceses que ligara o Canad� com Louisiana

oprimiria as col�nias brit�nicas.

Seria uma morte lenta por estrangulamento.

Os dias dum imp�rio s� comercial estavam chegando a seu fim.

Os imp�rios n�o s�o para compartilhar.

Os ingleses teriam de lutar para manter o seu.

A opini�o geral dos pol�ticos era de que a guerra se aproximava

e era uma possibilidade que n�o agradava ningu�m

� exce��o de algu�m que fez da vit�ria global sua religi�o.

E esse algu�m era William Pitt.

Para o bem ou para o mal,

foi William Pitt, neur�tico, doente de gota, irasc�vel,

que se lan�ava numa hiperatividade obsessiva ou se submergia numa paralisante melancolia,

o verdadeiro vision�rio do Imp�rio Brit�nico.

Acreditava, com uma intensidade quase febril

que o que estava em jogo na luta entre a Fran�a e a Inglaterra

n�o era s� quem levava a maior parte do botim,

mas se o mundo ia ser conquistado pela liberdade ou pelo despotismo.

Os primeiros assaltos correram mal para as for�as da liberdade.

As tropas brit�nicas foram varridas das florestas de Nova York

pelos franceses e seus aliados nativos.

Ent�o Pitt trouxe � luz sua arma mais poderosa:

seu cofre de guerra.

Ia liberar a primeira guerra mundial

com colunas de dinheiro e com colunas de soldados.

Pitt gastou 18 milh�es de libras ao ano, o dobro das receitas do governo.

E isso ia contra os princ�pios b�sicos do Imp�rio:

que n�o teve um custo.

Mas, como Pitt estimou, n�o se pode obter beneficio de um imp�rio

se n�o �s tu o imp�rio.

Ap�s de um rev�s a mais, n�o houve mais que gl�ria.

1759 foi um ano de milagres militares.

Os basti�es do imp�rio franc�s cairam, um a um, ante as tropas brit�nicas,

com regimentos dos Highlands muitas vezes abrindo o caminho

na �ndia, as ilhas francesas de a��car,

�frica Ocidental e Nova Esc�cia.

Horace Walpole se vangloriava:

Nossos sinos est�o gastos de repicar por nossas vit�rias.

Mas n�o houve vit�ria t�o doce nem t�o importante

como a que rompeu a espinha dorsal

do poderio franc�s na Norte-Am�rica para sempre:

a conquista de Quebec pelo General Wolfe.

E foi o tipo de evento que Pitt adorava.

Um ataque t�o improv�vel que o mesmo Wolfe assumia que n�o podia funcionar.

Ele havia concebido mais como uma morte gloriosa que como uma poss�vel vit�ria,

escalando as escarpas �ngremes que protegiam a cidade

para surpreender - E como se surpreenderam os franceses!

Ap�s uma carga suicida,

os defensores foram capturados pela monstruosa artilharia.

(RUIDOS DE DISPAROS)

Fiel a seu roteiro, Wolfe recebeu um pequeno disparo no punho

e depois no est�mago e no peito.

Caiu sangrando nos bra�os de seus companheiros oficiais

e morreu como o primeiro m�rtir rom�ntico do imp�rio,

com sua devida est�tua de m�rmore na Abadia de Westminster.

A vit�ria em Quebec e depois em Montreal

transformou completamente o Imp�rio Brit�nico na Am�rica do Norte.

Pitt havia tornado a Am�rica, pensaram, brit�nica para sempre.

E devia crer que havia salvado o mundo para que a liberdade pudesse triunfar.

Era o alvorecer da era da Gr�-Bretanha imperial como pot�ncia mundial...

...ou n�o?

Havia motivos para que o novo e jovem Rei George III,

fosse o primeiro da casa de Hanover em admitir em voz alta:

Orgulho-me em nome da Bretanha.

Mesmo um americano em Londres como Benjamin Franklin

n�o poderia evitar estar de acordo. Escreveu que:

Os alicerces da futura grandeza e estabilidade

da Bretanha est�o na Am�rica.

17 anos mais tarde, assinava a Declara��o de Independ�ncia Americana.

O que saiu errado ent�o?

Como poderia ter-se atirado tudo pela janela em menos de uma gera��o?

Pitt iria aprender que, mesmo as vit�rias, t�m um pre�o.

E, no caso da Bretanha, este custo seria a Am�rica.

Talvez os recursos do Imp�rio Brit�nico

estavam sendo terminalmente super-utilizados...

Talvez o jovem imp�rio estava destinado a durar apenas 30 anos.

Em qualquer caso, se queriam defender seu status quo,

iam necessitar de um enorme ex�rcito transcontinental

e uma marinha ainda maior.

E se havia de financiar esse ex�rcito e essa marinha,

seria melhor que a carga dos impostos n�o recaissem s� nos brit�nicos.

Ent�o, os colonos, que estavam, supostamente, sob sua prote��o,

teriam de soltar parte do dinheiro.

E iam faz�-lo atrav�s de impostos.

Impostos, justamente o que havia provocado as guerras civis,

ia fazer o mesmo novamente, desta vez na Am�rica.

Os impostos podiam ser outros,

mas o resultado ia ser uma vez mais catastr�fico.

O que ocorreu na Am�rica foi, de fato, o segundo assalto dessas guerras,

a guerra civil do Imp�rio Brit�nico,

com os Hannover no papel dos Estuardo

e os americanos como os herdeiros dos revolucion�rios,

de Cromwell e Guilhermo III, os herdeiros de uma verdadeira liberdade brit�nica

que, de algum modo, haviam perdido sua pr�pria p�tria-m�e.

Um destes americanos era John Adams, um advogado e pol�tico de Boston,

com profundos conhecimentos de hist�ria e filosofia

e um dos mais eloquentes l�deres patriotas das col�nias.

Acreditava firmemente nessas liberdades ganhas com tanto suor:

sem impostos, sem consentimento, nem ex�rcitos permanentes ou lei marcial.

E quando via no que a Bretanha tinha-se tornado,

j� n�o reconhecia o primitivo templo de liberdade... e n�o � de se admirar.

Gra�as �s persistentes guerras com a Fran�a,

a Bretanha era agora um vasto estado militar, com uma marinha e ex�rcitos enormes,

uma insaci�vel m�quina de recolher impostos.

A Bretanha de Adams, o altar � liberdade,

era, obviamente, uma fantasia, uma Gr�-Bretanha de sonho.

Mas este era o sonho com o qual John Adams se despertava a cada dia.

E destas obstinadas vis�es veio a a��o.

Decidiu n�o pagar os impostos, e n�o estava s� nesta luta.

O rico e zangado Boston da d�cada de 1760 era exatamente o tipo de lugar

que poderia engendrar uma revolu��o.

Adams, seus amigos e vizinhos discutiam tudo.

Frequentavam com�cios p�blicos.

Suas palavras circulavam pelas ruas em quest�o de minutos

e incitavam os cidad�os a utilizar sua for�a:

r�pida e dura oposi��o aos impostos brit�nicos

e �queles que tentavam imp�-los.

At�nitos pela for�a da rea��o, os brit�nicos pensaram num imposto sigiloso.

Um que s� interessaria os burocratas,

algo que a massa de nenhuma forma notaria... ou assim pensaram.

Assim que quando o governo brit�nico decidiu impor um selo sobre o papel

usado para imprimir documentos oficiais, panfletos e jornais,

o que em Londres parecia algo inofensivo,

Boston o recebeu como sendo um imposto sobre o conhecimento.

Naquela cidade super-informada acendeu um fogo de verdade.

Afinal, quem usa documentos oficiais e quem l� jornais?

Pois nada menos que cada advogado, empres�rio, ministro, editor

e cronistas das 13 col�nias.

Todos os que lidam com documentos oficiais.

E quem eram?

Nada menos que os mais cultos e vociferantes da popula��o colonial.

Seus l�deres estavam preparados para mobilizar ira nas ruas de Boston.

A multid�o arrasou a casa do Governador de Massachusetts.

Na Gr�-Bretanha, esta violenta oposi��o dividiu o Parlamento, com quase a mesma intensidade.

O governo estava indignado ante a insol�ncia

dos colonos que estavam sob a nossa prote��o

e exigiam deles obedi�ncia.

William Pitt se levantou, o homem que mais tinha feito por britanizar a Am�rica,

para exigir a revoga��o da Lei do Selo e salvar seu imp�rio.

Apraz-me que a Am�rica haja resistido.

E acrescento que, mesmo sob anteriores reinados mais arbitr�rios

o Parlamento se envergonhava de decretar impostos, sem o consentimento do povo.

O cavalheiro pergunta,"Desde quando est�o emancipando as col�nias?"

Mas o que eu gostaria de saber � quando foram escravizadas.

Enquanto a guerra pela opini�o p�blica se intensificava,

o editor e pol�tico americano Benjamin Franklin

publicou uma imagem que r�pidamente captou a imagina��o do p�blico:

uma intranquila vis�o de uma desmembrada Bretanha

destru�da por haver alienado suas col�nias.

A tens�o aumentava em Londres e Boston.

O Parlamento finalmente revogou a obriga��o do selo,

mas ainda assim os americanos boicotaram os bens dos brit�nicos.

O Parlamento colocou tropas nas ruas de Boston para manter a ordem.

Os americanos atacaram e os insultaram.

Ent�o, num incidente tristemente c�lebre,

os assediados Casacas VermeIhas abriram fogo diante da Casa do Estado.

Cinco bostonianos morreram.

Chocados pelos mortos, durante os tr�s anos seguintes

ambas as partes deixaram que as coisas se acalmassem.

No final, os brit�nicos cancelaram todos os impostos, exceto um:

o imposto sobre o ch�.

Mesmo o imposto de importa��o se reduziu para dourar a p�lula.

O Governo assumia que ningu�m notaria o imposto, mas... notaram.

Os barcos carregados de ch� chegaram a Boston, como previsto.

Descarregar supunha pagar o imposto de importa��o.

Na noite de 16 de dezembro de 1773,

a maior sala de Boston estava lotada ao m�ximo

com pessoas, ouvindo os oradores adverti-los de que desembarcar o ch�,

e muito menos prepar�-lo, era tragar escravatura, junto com o pr�prio ch�.

Ap�s um pr�-acordado sinal, as portas se abriram de repente

e um grupo de patriotas, vestidos com folhas como �ndios Mohawk,

exortou a multid�o a assaltar os barcos.

Uns 30 ou 60 desses com as caras pintadas de preto

e usando as folhas subiram a bordo com lanternas.

Usaram machados, aos que chamavam tomahawks,

para abrir os ba�s e derramaram todo o conte�do na �gua.

Os bons entendedores

e os l�deres da campanha patriota eram muito perspicazes nestas quest�es,

perceberam que este era de fato um momento crucial.

John Adams disse:

"Este foi o momento mais glorioso de todos,

"tanto que me � inevit�vel marcar como um acontecimento hist�rico".

Quanta raz�o ele tinha!

Para punir Boston, os brit�nicos fecharam o porto,

galvanizando o resto das col�nias americanas

a acudir em ajuda da afligida cidade.

Carros carregados de comida chegaram das col�nias do norte e do sul.

George Washington declarou:

A causa de Boston � agora, e sempre ser�, a causa da Am�rica.

E, no entanto, estando j� � borda do desastre, ainda haviam d�vidas.

Poucos queriam um div�rcio irrevog�vel da p�tria-m�e.

Em Londres, o Rei George III e seu governo

pensaram que a rebeli�o j� tinha come�ado

e devia ser cortada pela raiz.

No Parlamento, William Pitt fez um �ltimo e desesperado apelo � sanidade.

Ser� que V. Senhorias n�o entendem que, lutar contra os americanos,

era lutar contra seus pr�prios fantasmas, os fantasmas do passado da liberdade inglesa?

Embora tomem cidade ap�s cidade, prov�ncia ap�s prov�ncia,

ainda que sejamos capazes de impor uma submiss�o tempor�ria,

como vamos garantir a obedi�ncia da terra que deixem para tr�s

e dominar quase 3.000 km de continente, com grande popula��o,

possuidora de valor, liberdade e resist�ncia?

O esp�rito que se op�e a seus impostos

� o mesmo esp�rito que levou a Inglaterra a se levantar

e, mediante a Declara��o de Direitos, reinvindicou a Constitui��o Inglesa.

Este glorioso esp�rito � o que move os tr�s milh�es de americanos

que preferem pobreza com liberdade a cadeias douradas e s�rdida riqueza,

e que morrer�o em defesa de seus direitos como homens livres.

George III e seus ministros n�o se deixaram convencer em absoluto.

A autoridade do Parlamento como governo do imp�rio estava em jogo

e, se necess�rio, havia de respald�-la � bala.

Assim que a poucos pegou de surpresa o primeiro derramamento de sangue

em Lexington, perto de Boston, em 19 de abril de 1775.

Os Casacas-VermeIhas haviam recebido ordens para confiscar as armas da mil�cia.

Chegaram pouco antes do amanhecer.

Ningu�m sabe quem, mas inevitavelmente, algu�m disparou.

E, em resposta, os brit�nicos dispararam seus mosquetes

contra um grupo heterog�neo de milicianos reunidos em frente deles.

Os Casacas-VermeIhas avan�aram at� Concord, mas foram obrigados a recuar a Boston

perplexos, sangrando e recebendo tiros ininterruptamente.

O sonho de seguir, de alguma forma, sendo brit�nicos e ser livres

morreu juntamente com a mil�cia de Lexington e Concord.

Agora havia nascido um sonho diferente, o sonho de um novo pa�s.

Era um sonho americano.

Ap�s os primeiros tiros,

muito mais corpos acabariam caidos juntos aos de Concord.

A guerra ia se livrar n�o s� com mosquetes,

mas com palavras e ideais.

Adams e outros dirigentes coloniais, incluindo Benjamin Franklin,

reuniram-se em Filad�lfia,

e publicaram a Declara��o de Independ�ncia em 4 de julho de 1776.

Se, onde a declara��o acusava o Rei

George III, neste caso, de ser um tirano,

soara parecido a um cap�tulo de um livro de hist�ria brit�nica.

Mas isso n�o � o que todos se lembram.

O que lembramos � algo fresco, algo profundamente americano.

mantenhamos como �bvias estas verdades:

que todos os homens s�o criados iguais...

que s�o dotados por seu Criador de certos direitos inalien�veis...

...e que entre estes est�o a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Em abril de 1778,

confrontado com o colapso do trabalho de toda sua vida,

vendo a alian�a entre o velho inimigo, a Fran�a,

e ao novo dom�nio da liberdade, da Am�rica,

Pitt tentou dar um �ltimo discurso no Parlamento

que inspirara algo de seus desmoralizados conterr�neos.

Tentou defender, mas antes de poder pronunciar uma palavra,

desfaleceu nos bra�os de seus colegas parlamentares.

Quando morreu, um m�s depois,

o bom do imp�rio, o imp�rio da liberdade, morreu com ele.

George Washington, agora comandante das for�as dos EUA, levaria

sete anos de lutas sangrentas para que a independ�ncia se convertesse em realidade.

Durante esse tempo, os americanos sofreram tantas derrotas como vit�rias,

mas ganharam o apoio decisivo da Fran�a, Espanha e Holanda,

for�ando finalmente os brit�nicos a se renderem

em Yorktown, Virg�nia, em 1781.

Pode ser que fosse o final de uma classe do Imp�rio Brit�nico,

por�m, outro estava esperando vir � luz.

20 anos ap�s a derrota na Am�rica,

os brit�nicos se encontraram governando milh�es de pessoas na �sia.

N�o haviam planejado, ou mesmo haviam sonhado que fosse poss�vel.

Porque iam faz�-lo?

Desde a chegada dos brit�nicos � �ndia no in�cio do s�culo XVII,

s� pensavam no com�rcio.

Sua �nica presen�a era a East India Company,

um �rg�o comercial presente ali para obter lucros.

Desde suas bases nas costas oeste e sudeste,

compravam algod�es e sedas, enviando-os � casa,

onde os sal�es e os corpos das classes educadas

se transformaram subitamente em explos�es de cor da �ndia.

Um belo neg�cio, mas algo mais ambicioso estava al�m de toda quest�o,

j� que existia um imp�rio na �ndia,

um dos mais espetaculares do mundo.

o Imp�rio Mogol.

Os descendentes mu�ulmanos dos conquistadores mog�is da �sia.

� sua frente estava o Imperador em Delhi.

A amplitude de suas terras, uma rede de governadores leais a ele: os Nawabs.

Eles deviam conceder permiss�o para que a East India Company ficasse ali.

Aos mog�is, os brit�nicos n�o eram mais que um pouco de moedinhas extras,

fornecendo-lhes prata por levar-lhes suas mercadorias indias.

N�o mais que um mosquito na garupa de um elefante,

pequena mancha de poeira sobre o ornamentado trono do imperador.

Mas em 1739 esse trono desapareceu

com o saque feito pelos invasores persas,

quando saquearam Delhi e mataram seus habitantes.

Nas d�cadas que se seguiram, outros invasores

afeg�os desde o noroeste, internaram-se at� o cora��o da �ndia

prosseguindo a guerra e sustentando batalhas numa escala inimagin�vel.

O belo tecido do Imp�rio Mogol foi dilacerado.

Deixados � sua pr�pria sorte, os Nawabs aproveitaram-se da fraqueza de Delhi,

recrutando seus pr�prios ex�rcitos e criando seus pr�prios mini-estados.

A �ndia Mogol do s�culo XVIII n�o era uma anarquia pedindo a gritos

que os ingleses viessem estancar o sangramento.

Era um mosaico de estados sucessores, elegante, robusto e vigoroso,

em que muitos deles ainda usavam a lei e o estilo judicial persas.

E foi entre estes promissores estados,

n�o os corruptos e insignificantes reinos dos que os ingleses sempre reclamaram,

que a East India Company abriu caminho a golpes

com uma feroz mistura de arrog�ncia, ignor�ncia e ast�cia pol�tica.

Ningu�m o viu retornar em Delhi ningu�m o queria em Londres,

mas, ent�o, apareceram os franceses e com eles os problemas.

Era a d�cada de 1740. A rivalidade franco-brit�nica estava se tornando global.

O que os franceses haviam feito com as tribos ind�genas americanas,

interferir em guerras e alian�as para obter vantagem sobre seus rivais

que fariam agora no sub-continente asi�tico.

Desde Pondicherry, sua base no sul,

os franceses se lan�aram � pol�tica India,

aprendendo que um golpe bem planejado

poderia substituir um governador local neutro com um Nawab de palha,

um que n�o s� os ajudara em suas perspectivas de neg�cio,

mas deixara de fora os brit�nicos.

Ent�o aos brit�nicos n�o se lhes restou muito mais op��o que fazer o mesmo jogo.

Passar � a��o era arriscado, mas n�o faz�-lo era um suic�dio comercial.

Nem todos nos pequenos assentamentos da Companhia, como nos de Madras,

mordiam-se as unhas de ansiedade ante a id�ia de uma guerra �ndia.

Para um jovem, que havia sofrido pacientemente numa oficina da empresa,

os tambores de guerra eram uma serenata irresist�vel.

Robert Clive, como a pr�pria East India Company, poderia dizer,

nunca foi feito para os neg�cios, ao menos n�o para neg�cios legais.

Em Market Drayton, onde havia crescido,

dirigia um neg�cio de extors�o, amea�ando lojistas

com seu pr�prio bando de assassinos a menos que soltassem dinheiro.

Deportado a Madras, Clive vivia a vida de um oficial solteiro,

escrevendo, suando, bebendo, fornicando

e fazendo tudo o mais suport�vel apenas com cachimbos de �pio.

Farejando o velho e poderoso aroma do dinheiro e da fama,

Clive mudou de carreira e levou a India Brit�nica com ele.

Na guerra que eclodiu entre nawabs apoiados por franceses ou brit�nicos,

Clive transformou o que era uma distra��o em evento principal.

Embora ambos os ex�rcitos estavam num longo cerco na cidade de Trichinopolis,

Clive levou alguns homens e tomou a capital do pr�ncipe pr�-franc�s.

E defendeu-a durante seis longas semanas contra todos os ataques.

O esfor�o enfraqueceu fatalmente o inimigo e o Nawab pr�-brit�nico tomou o poder.

O lance franc�s para o sul da �ndia era um blefe

e Clive havia quebrado a banca.

De repente, o resto da �ndia percebeu o fato de que

j� n�o estava lidando com um fr�gil e inexperiente comerciante.

O que teriam era um chupim no ninho.

Na costa norte, o jovem e impulsivo Nawab de Bengala,

Siraj-ud-Daulah, decidiu fazer algo a respeito a esta amea�a.

Em 1756, atacou os assentamentos brit�nicos estabelecidos

na foz do rio Hooghly desde 1690, Calcut�.

A maioria dos moradores conseguiu escapar a tempo.

O resto, uns cem, foram presos numa cela de 6x6 metros...

sem comida ou �gua e praticamente sem ar, sob o ver�o indiano.

Poucos sobreviveram

e o Buraco Negro de Calcut� passou a formar parte do vocabul�rio brit�nico da inf�mia.

Um sobrevivente, John Zephaniah Holwell, escreveu um livro sobre o Buraco Negro

em sua viagem de volta � Inglaterra.

Quando publicado em 1758, tornou-se instant�neamente num bestseller.

Holwell exagerou o n�mero dos que morreram de asfixia nessa noite,

multiplicando-os por tr�s, de 40 para 120.

N�o creio que aumentara o n�mero por simples sensacionalismo.

Queria transmitir uma mensagem.

A mensagem era que um regime fora capaz de fazer isso, de modo cruel e desumano,

apenas merecia chamar-se governo,

de fato, apenas merecia sobreviver.

Clive navegou at� o norte com os navios da Marinha Real,

recapturou Calcut� e perseguiu Siraj-ud-Daulah rio acima.

Em junho de 1757 enfrentou um ex�rcito indiano

que lhe superava dez a um em n�mero.

Mas Clive estava tempo suficiente na �ndia para aprender

que h� mais de um modo de travar uma batalha aqui.

A Batalha de Plassey ficou nos livros de textos imperiais

como uma dessas vit�rias estelares,

com um punhado de soldados europeus obtendo uma vit�ria impens�vel

contra uma enorme cavalaria de elefantes.

O que ocorreu foi que Clive chegou a um acordo com o segundo comando de Abdullah,

"Certifique-se de que teus soldados desapare�am e ser�s o pr�ximo Nawab".

que, naturalmente, aceitou o acordo.

Os soldados desapareceram como previsto e isso foi tudo.

Cortesia do novo Nawab de palha,

Clive serviu-se de um quarto de milh�o de libras como recompensa.

Fez do delinquente de Market Drayton

um dos homens mais ricos da Gr�-Bretanha e tamb�m Bar�o Clive de Plassey.

Quando lhe perguntaram, anos mais tarde, pela magnitude do botim, Clive respondeu:

Uma opulenta cidade estava � minha merc�.

Ofereceram-me cofres cheios de ouro e j�ias.

Neste momento, assombra-me minha pr�pria modera��o.

O novo Nawab n�o estava de acordo.

Clive lhe custou a independ�ncia, al�m de suas j�ias.

Os brit�nicos podiam substitui-lo � vontade, e assim o fariam.

Enquanto Clive passava de general a corretor do governo, "C�sar da �ndia",

as suspeitas aumentavam em Londres.

Era isto um exercicio econ�mico de preven��o de danos

ou era a constru��o de um imp�rio?

Porque era sabido que os imp�rios viriam com elevadas faturas.

Mas Clive estava um passo � frente.

Resolveria todos seus problemas convertendo Bengala

numa m�quina de fazer dinheiro para a empresa.

N�o mediante com�rcio, mas sim arrecadando impostos sobre suas terras.

A tenta��o n�o era s� que os homens da empresa fizessem megafortunas,

era tamb�m que a empresa poderia fazer-se mais rica... e r�pido.

E isto era muito mais f�cil ao neg�cio.

Cada vez mais o principal neg�cio na �ndia n�o era nem pinturas nem especiarias, mas impostos.

Os impostos haviam derrubado um imp�rio na Am�rica,

mas agora iriam construir um na �ndia.

Em 1765, a Companhia lhe deu o direito

de aumentar os impostos sobre terras em toda Bengala.

Para os brit�nicos, significou passar de comercializar a governar.

Era a teoria do imp�rio completamente inversa.

O com�rcio s� pode prosperar, dizia essa teoria,

quando n�o amparado por um governo ou por um ex�rcito.

"O com�rcio s� pode florescer na �ndia", sussurrou Clive,

"quando se associa com o governo e dirige o sistema de impostos,

"e quando mant�m um ex�rcito."

E era um contraste gritante com o que ocorria na Am�rica nesse momento.

Em Boston, multid�es protestavam nas ruas,

mas, em Bengala, os homens do dinheiro se consumiam

por financiar os brit�nicos.

Os coletores de impostos locais, os Zemindars, como eram chamados,

seguiam colhendo rupias alegremente como faziam para os mogois.

Os brit�nicos imaginaram inclusive sob sua ilustrada supervis�o,

Bengala passaria de ser um lugar de opressivo e duro trabalho

a um modelo de progresso.

Em teoria, todos iam ser felizes.

Se os Zemindars sabiam quanto de dinheiro exatamente

deviam pagar ao Governo, poderiam ser ben�volos com os camponeses.

Os agricultores, por sua vez, sendo trabalhadores, poderiam poupar

e produzir um excedente para o mercado

e reinvestir os lucros em melhorar sua pr�pria situa��o.

O �nico problema com isto � que n�o era nada mais que uma fantasia.

O principal interesse dos Zemindars era, e sempre havia sido,

arrancar o m�ximo de dinheiro poss�vel dos agricultores,

algo que continuaram fazendo.

Por isso, em vez de iniciar uma rea��o em cadeia de benevol�ncia,

come�ou uma pir�mide de extors�o.

O governo apertava os Zemindars, que, por sua vez, apertavam os camponeses.

Os Zemindars foram � bancarrota, os camponeses expulsos

e morreram centenas de milhares. Nisso ficaram as boas inten��es.

E rapidamente a fome chegou � Bengala.

Esqueletos se movimentando nas estradas principais,

crian�as morrendo nas sarjetas,

bandos de abutres pousando sobre os cad�veres de animais.

Talvez um quarto da popula��o de Bengala pereceu, milh�es de pessoas.

Talvez os ingleses n�o foram a causa, mas certamente n�o os ajudaram.

Culpado ou inocente, um fato era irrefut�vel:

Bengala pertencia agora aos brit�nicos.

Durante os seguintes 50 anos, a maioria da �ndia seguiria esse caminho.

Novos ex�rcitos brit�nicos completariam o trabalho que Clive tinha come�ado.

Para alguns que chegaram depois dele,

a �ndia era algo mais que um convite para destruir e tomar alguma coisa.

Warren Hastings, o primeiro a ostentar o t�tulo de Governador-Geral

estava comprometido com a possibilidade

de reparar o corpo oprimido da �ndia � maneira �ndia.

Aprendeu persa e quatro l�nguas indianas.

Fundou a Sociedade Asi�tica,

dedicada a entender a cultura indiana.

Encomendou os primeiros dicion�rios Ingl�s-Hindustani,

tradu��es dos c�digos de leis �ndios e do Bhagavad-Gita.

E sob a administra��o de Hastings, houve um momento emocionante

em que as duas culturas de fato convergiram e n�o colidiram.

Os brit�nicos teriam amantes indias, incluindo esposas,

�s vezes duas, uma em Nova Delhi e outra em Lucknow.

Iam �s brigas de galo, fumavam cachimbos com os principes �ndios...

...faziam neg�cios com os indios financeiros.

Mas para muitos dos brit�nicos que vieram �s �ndias,

n�o havia um lugar, mas apenas um t�mulo...

sua presen�a imortalizada apenas na rocha.

Acres do centro de Calcut� est�o ainda ocupados pelo Cemit�rio de Park Street.

A princ�pio, um de cada tr�s n�o chegava ao final da primeira mon��o.

No total, diz-se que mais de dois milh�es de europeus est�o enterrados na �ndia.

E o tamanho imperial de seus monumentos f�nebres

nos diz algo sobre o desejo de serem lembrados,

de deixar uma marca imponente no sub-continente.

Mas nem as tradu��es das Odes indias nem as l�pides tamanho mogol

persuadiram ningu�m de que os brit�nicos estavam se indializando de verdade.

Muitos ainda os viam como conquistadores, os que sabiam resistir at� � morte.

(Chamada � Ora��o Mu�ulmana)

Eram governantes como Tippu Sultan

que converteu o sulino estado de Mysore, num din�mico poder mu�ulmano.

Durante 20 anos, se op�s � lei brit�nica, encarni�adamente,

cobrindo de sangue seus ex�rcitos e freando o avan�o de seus soldados.

Por�m, n�o podia durar.

Tippu Sultan, o tigre, aprenderia

que um novo tipo de governadores gerais brit�nicos

havia chegado nos finais do s�culo XVIII,

desdenhando a inclina��o de Warren Hastings pelos nativos

e decidido a esmagar o menor sinal de insurrei��o local.

O mais intransigente de todos foi Richard Wellesley,

o irm�o mais velho do futuro duque de Wellington.

Mais uma vez, a Fran�a forneceu o impulso para a a��o.

A ascens�o de Napole�o Bonaparte serviu como uma desculpa

para esmagar qualquer que pudesse ser seu aliado na �ndia.

Ent�o Wellesley enviou uma impressionante companhia do ex�rcito,

em que a maioria de seus membros eram indios cipayos, a Mysore.

Tomaram de assalto a isolada fortaleza de Tippu, Seringapatam,

e esmagaram o ex�rcito do Sult�o.

Tippu, fiel � sua palavra, lutou at� a morte

e seu corpo foi encontrado onde a luta tinha sido mais acirrada,

com um tiro na cabe�a e despojado de suas j�ias.

Durante as d�cadas seguintes, Wellesley e seus sucessores

avan�aram implac�velmente por todos os cantos do sub-continente,

tomando estados indianos um a um.

Numa das cartas de Wellesley � sua esposa,

pode-se ouvir a aut�ntica voz do futuro da �ndia brit�nica.

Adeus, alma querida.

Vou acertar os problemas de um pa�s conquistado.

As primeiras pedras do verdadeiro Imp�rio Brit�nico na �ndia ("Raj")

foram colocadas por Richard Wellesley, literalmente, em 1799,

quando decidiu que a �ndia brit�nica

devia ter o tipo de edif�cio digno de um imperador.

Assim, construiu um pal�cio cl�ssico em Calcut�,

completado com bustos de c�sares romanos e grandiosas colunas.

Daqui, Richard Wellesley contemplava, com triunfal satisfa��o,

a assombrosa imensid�o do que tinha feito.

Pode ser que tinha sido caro.

Mas Wellesley n�o se preocupava com a contabilidade.

Estava muito ocupado medindo seu chapeu para a grinalda triunfal.

Pelo que a ele respeitava, o que ele havia forjado,

o imp�rio que havia constru�do, era a resposta absoluta

� burla de Napole�o sobre que os ingleses eram um povo de comerciantes.

N�o o eram. Eram uma na��o de levantadores de imp�rios,

imp�rios de armas, de lei e de engenharia.

A estes homens j� n�o lhes importava o imp�rio da liberdade.

Isso agora soava perigosamente franc�s, suspeitosamente revolucion�rio.

Deixemos aos americanos jogar esse disparate da democracia, se querem.

E quando o g�meo do imp�rio da liberdade, o imp�rio do com�rcio,

certo de que agora todos entendiam

que havia algo mais grandioso no horizonte que o neg�cio e o dinheiro.

O Todo Poderoso lhes havia guiado por linhas tortas, naturalmente,

at� seu verdadeiro destino como a nova Roma

mestres dos ignorantes,

guardi�es de um imp�rio que faziam a guerra para proporcionar paz.

E pensavam, talvez a cultura romana chegara at� a Espanha e Jerusal�m,

mas a civiliza��o brit�nica cobriria o mundo...

...ou isso nos diz�amos...

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