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Original subtitles

O Clube dos 27 � um nome geralmente dado a seis m�sicos em particular

que morreram com essa idade.

Temos Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin

e Jim Morrison, que morreram todos com tr�s anos de diferen�a de cada um.

Isto deu azo a esta mitologia.

Ent�o, saltamos umas d�cadas e temos Kurt Cobain.

E, por fim, Amy Winehouse.

A ind�stria � muito ef�mera

e explora o desejo de fama das pessoas,

leva-nos ao topo, mas depois passa para outra coisa.

Aos 27 anos,

ou j� est�o consagrados ou est�o naquela fase dif�cil

da carreira em que podem ser despedidos da editora.

Se n�o conseguiram aos 27, n�o v�o conseguir.

Vejam toda a m�sica do s�culo XX e XXI.

Existem uns 50 m�sicos famosos

que morreram com 27 anos.

E se olharmos para os 26 e 28 anos, ent�o, h� 100 m�sicos.

E se olharmos para todos os que morreram na �rea da m�sica popular

no auge da fama,

h� bem mais de mil

que morreram antes dos 35 anos.

Lembro-me de que, numa noite, estava num jantar e um agente veio ter comigo

e disse que certo artista n�o era meu, mas dele.

Eu � que lhe arranjo a droga �s tr�s da manh�.

Certas drogas s�o muito destrutivas

e quando ficamos viciados nas drogas,

perdemos o racioc�nio, o equil�brio. S� ouvimos o que queremos ouvir.

A� � que est�, os m�sicos s�o muito sens�veis.

Quando estamos no palco, estamos inerentemente vulner�veis.

Creio que seja sobretudo o que as pessoas projetam em ti.

No fim, s�o os tr�s pecados:

�lcool, drogas e depress�o.

E agora sabemos que o trauma pode ser heredit�rio

e que, se n�o for tratado, poder� voltar a repetir-se.

Se n�o formos razoavelmente...

... muito fortes mentalmente,

se n�o aguentarmos tudo isto,

ent�o, mais vale desistir.

N�o � a �rea certa para...

... pessoas fr�geis.

Quando era chefe de A&R na RCA,

um artista veio ter comigo, em p�ssimo estado.

Balbuciava, n�o estava bem, via-se que tinha problemas.

Levantou-se e a seringa caiu ao ch�o.

Esta coisa horr�vel existe mesmo?

� a resposta do rock ao Tri�ngulo das Bermudas.

� um conluio entre o artista, o p�blico...

TOM VOLUME

... e as pessoas que lucram.

Perdemos tantas estrelas de rock importantes

numa idade t�o jovem.

Porqu� nesta idade?

A mitologia.

� o monstro do Lago Ness do rock.

Eu consegui sobreviver ao Clube dos 27,

mas foi por pouco.

A ind�stria da m�sica, nos anos 60,

sofreu uma altera��o profunda...

EXECUTIVO - M�SICO

... tornou-se muito introspetiva.

Isto, senhoras e senhores, � Londres. A "Swinging London", como lhe chamam.

Gente como Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison...

NARC�TICOS E SUBST�NCIAS PERIGOSAS

... come�aram, de certa forma, a explorar o seu pr�prio subconsciente.

A ind�stria musical tornou-se, de certa maneira, intelectualizada.

Quando andava na Univ. de Oxford,

tendo ido a Londres para a Rolling Stone,

naqueles dias, a ind�stria musical era como uma aldeia.

N�o havia redes sociais, encontr�vamo-nos em rece��es...

APRESENTADOR DE R�DIO E TV

... concertos, lan�amentos e por a� fora.

Toda a gente se conhecia.

Ent�o, era o princ�pio da...

ANTIGO AGENTE DOS PINK FLOYD

... da sociedade do consumo.

Os jovens come�avam a parecer-se com eles mesmos

em vez de se parecerem com os pais.

Dizem-me que para estar na moda nos dias de hoje,

temos de usar sapatos como estes.

A m�sica estava a transformar-se numa incr�vel e importante for�a cultural.

PRODUTOR DISCOGR�FICO

O que o coletivo musical p�s-guerra foi subitamente capaz de entender...

PSIC�LOGO E PSICOTERAPEUTA

... foi que todo este sofrimento por que as pessoas passaram

na privacidade dos seus miser�veis quartos

poderia subitamente fazer parte do zeitgeist.

Pod�amos ligar o r�dio

ou comprar um �lbum ou um single

e, subitamente, estava algu�m no nosso quarto

a manifestar de forma extraordin�ria

exatamente aquilo que and�vamos a sofrer sozinhos.

Eu acho que esta era uma gera��o de pessoas extremamente indulgentes...

JORNALISTA E AUTOR

... nunca antes, de que h� mem�ria,

houve uma gera��o

cujo principal objetivo de vida fosse ser autocomplacente.

As editoras perceberam o que se passava no mundo.

O SEU FILHO EST� A MATAR-SE?

Que se fumava droga e se estava a passar para o LSD.

A rela��o entre a m�sica e a droga

era expl�cita, mas impl�cita com drogas.

APOIO EDUCATIVO

As drogas psicad�licas p�em-nos num estado alterado de consci�ncia...

CANTOR, COMPOSITOR E APRESENTADOR

... mas andamos sempre entre diferentes estados de consci�ncia.

Os artistas de sucesso ou os artistas que s�o muito bons

s�o aqueles que s�o capazes de identificar esses estados, de os usar,

de os compreender e criar nesse estado.

E depois, quando est�o plenamente conscientes,

de o racionalizar numa obra

que tem os dois lados...

... o lado selvagem e irracional que resulta desse

estado profundo de consci�ncia

e algo que tem talento.

Se olharmos para a �poca anterior, em que as pessoas eram excessivas,

a era do jazz,

n�o havia dinheiro no jazz, por isso ningu�m queria saber.

Havia muito dinheiro no rock and roll

e n�o havia precedentes.

Se as pessoas queriam curtir, consumir muita droga

e tornavam-se viciadas.

Agora, as pessoas s�o mais cuidadosas e mais discretas,

porque temos uma hist�ria de 50 anos de rock and roll

e 50 anos de mortes no rock and roll.

Isto coincidiu com o advento da coca�na.

Acontece frequentemente e aconteceu de novo, ontem � noite.

Uma apreens�o de coca�na, desta vez no Aeroporto de Miami.

Um canadiano foi acusado de tentar introduzir 1,36 kg de coca�na no pa�s,

dentro de tr�s pares de sapatos de sola.

Se viram o filme Profiss�o de Risco com o Johnny Depp,

sabem que as rotas de distribui��o de coca�na

s� chegaram ao nordeste dos EUA e � Europa,

em grande escala, nos in�cios dos anos 70.

Mas quando chegou, foi em grande.

A coca�na � uma droga t�o trai�oeira e prejudicial porque...

... � t�o instant�nea.

A altera��o da nossa disposi��o � muito r�pida

e d�-nos a ilus�o de energia ilimitada.

Certas drogas s�o muito destrutivas

PSIQUIATRA

e quando ficamos viciados,

perdemos o racioc�nio, o equil�brio.

S� ouvimos o que queremos ouvir.

A rela��o de uma editora com o artista

tinha como objetivo tornar-se amigo do artista

e fazia-se isso dando-lhes tudo o que eles queriam.

Se bebessem, compr�vamos bebidas.

Se fumavam droga, compr�vamos droga.

Se quisessem hero�na, compr�vamos hero�na.

Se quisessem coca�na, compr�vamos coca�na.

Eles ganhavam dezenas de milhares por semana.

Por isso, a nossa conta banc�ria aumenta consideravelmente

logo, as pessoas pensavam que

a sua toler�ncia f�sica aumentaria igualmente.

Era �bvio que toda a gente consumia quantidades enormes de coca�na.

Como era novidade, ningu�m sabia quais eram as doses certas a consumir.

CONTROLO DE DEPEND�NCIA DE NARC�TICOS

Eles consumiam o que podiam pagar. O que era demasiado.

Era totalmente diferente e ter�amos visto

uma manipula��o bastante abusiva dos artistas.

ADVOGADA

E a cultura da coca, por toda a nossa ind�stria,

estava a gerar muita dessa obsess�o.

O caso mais p�blico de distor��o de personalidade

pela coca�na foi David Bowie

que fez uma sauda��o fascista em Victoria Station.

HEIL E ADEUS

Em retrospetiva, reconheceu ter-se excedido.

Mas o que era um excesso?

Ainda n�o sab�amos, t�nhamos de ter algu�m a exceder-se

para sabermos o que isso era.

Aos gritos e fren�ticos, s�o f�s adolescentes das estrelas pop,

sem qualquer sensatez nas cabe�as de cabelo comprido.

Quando estamos neste mundo, queremos o m�ximo da vida.

CANTOR, COMPOSITOR E PRODUTOR DISCOGR�FICO

Queremos ser famosos,

ser ricos e ter toda a gente a gritar, queremos tudo isto.

N�o podemos ser fracos de esp�rito.

Estamos a exigir muito ao mundo.

Temos de o merecer desde o in�cio.

Se queremos uma carreira longa, n�o podemos relaxar.

Claro que a natureza ef�mera do sucesso pop

� tal, que se n�o compusermos os �xitos seguintes,

come�amos rapidamente a receber m�s cr�ticas.

O p�blico come�a a afastar-se em massa.

E depois, a valida��o que se sustentava nesse sucesso evapora-se.

Eu tinha um lote de analg�sicos sol�veis no meu arm�rio,

e com os quais um amigo meu se tinha suicidado, uns anos antes.

Eram uma esp�cie de...

... estrat�gia de fuga.

Se juntarmos isso com toda

a loucura da ind�stria,

o f�cil acesso a �lcool, drogas, mulheres,

tudo o que quisessem.

Fa�o sexo com montes de pessoas e h� todas estas drogas.

N�o � maravilhoso?

E agora vou fazer uma viagem,

vou consumir droga 18 meses e passar um bom bocado.

H� uma rela��o direta entre m�sica e depend�ncia?

Na verdade, o que a m�sica oferece a todos n�s

� um escape da ansiedade,

de estarmos como que presos nos nossos pensamentos.

AUTOR

Da nossa pr�pria dor cognitiva, � um escape disso.

Acho que os artistas sentem dificuldade em estar, por um lado,

nesta pedrada constante, muitas vezes at� tarde, e depois terem de dormir.

Como conseguimos lidar com isso sem bebermos muito para nos acalmar,

ou estimulantes para nos manter ativos?

� perigoso quando come�amos a consumir demasiadas drogas

para tentar controlar a rotina di�ria.

N�o faz mal consumir ocasionalmente,

mas se se tornar um v�cio, come�a a controlar a nossa vida.

S� que temos de consumir mais para ter o mesmo efeito

e acaba por se tornar destrutivo.

Quais s�o as coisas que definem este fen�meno?

Na verdade, � algo que estas pessoas t�m em comum.

Todas tiveram uma inf�ncia disfuncional,

todas tiveram um acontecimento traum�tico muito cedo na vida

e que ningu�m os ajudou a processar.

Por isso, eles est�o cheios de ang�stia e a criatividade � o seu escoadouro.

S�o geralmente pessoas muito inteligentes que foram incompreendidas

desde a inf�ncia. Possuem todos uma natureza rebelde.

Foram marginalizados,

foram negligenciados, foram mal aconselhados.

AUTORA E APRESENTADORA

No fim, como ganham muito dinheiro

ao fazerem aquilo que usam para se tentarem curar disso,

consomem �lcool e drogas e s�o essas coisas que os matam.

Vemos por vezes na hist�ria grandes artistas...

CO-VOCALISTA DOS PALMA VIOLETS

... n�o falo de mim, mas...

... que provavelmente tiveram algum trauma.

O meu pai morreu quando tinha 13 anos

e, quando ele faleceu,

acho que...

... para mim, ficou um vazio que tinha de ser preenchido.

Eu era um adolescente a crescer sem pai

e como que havia uma necessidade de criar algo.

Acho que tinha 14 ou 15 anos, n�o sei ao certo... 14 anos.

Foi nessa altura que se pensou que eu tinha Asperger.

Ent�o, receitaram-me Nardil e Valium durante um ano ou dois...

... para me acalmar.

Eu costumava ficar muito agitado.

Devido ao Asperger, tenho um n�vel rid�culo

de concentra��o e obsess�o.

Ficamos obsessivos.

E se escolhermos ser m�sicos,

� com isso que ficamos obcecados.

Brian, h� quanto tempo est� nos Rolling Stones?

� um dos membros originais?

Sim, sou um dos membros originais.

O que fazia antes de entrar para a banda?

Bom, andava por a�, � espera que algo acontecesse.

O Brian Jones teve uma inf�ncia complicada.

Ele tinha tr�s anos quando a irm� de 18 meses morreu.

A fun��o cognitiva vai crescendo durante...

... desenvolve-se durante a nossa inf�ncia.

Mesmo n�o tendo uma maneira sofisticada

de conceptualizar a perda,

ela fica imprensa em n�s atrav�s da experi�ncia.

Qualquer artista est�, de alguma forma, completamente marado na inf�ncia.

E o que provocou isso...

ARGUMENTISTA E APRESENTADOR

... d� azo � sua melhor obra.

Estes aparentes mochileiros, t�o casualmente ignorados,

s�o cinco dos jovens mais famosos do mundo do espet�culo: os Rolling Stones.

Alguns destes condutores v�o amaldi�oar-se

ao saberem que perderam a oportunidade �nica de os conhecerem.

O Brian Jones j� tinha um comportamento desenfreado,

muito antes de ter conhecido o Mick e o resto dos Stones.

Ele bebia e consumia drogas,

aos 19 anos, tinha tr�s filhos de tr�s mulheres diferentes.

Teve o primeiro aos 14, 15...

JORNALISTA, APRESENTADOR E AUTOR

... � como se tentasse criar outra fam�lia.

Ele desistiu da escola, foi viajar, tornou-se um artista de rua.

S� quando veio para Londres e conheceu Alexis Korner

� que come�ou a interessar-se pelos blues

e come�ou a relacionar-se com esse grupo de pessoas.

O Brian Jones foi um rebelde desde o primeiro momento.

Costuma dizer-se que Andrew Oldham inventou a m�stica do rebelde dos Stones,

mas foi Brian Jones.

Foi a ele que o Mick e o Keith, ao entrarem no Ealing Blues Club...

AUTOR E JORNALISTA

... viram e disseram: "Este � genu�no. Queremos ser assim."

Ele tinha tudo. Tinha-o porque lhe era inato.

Na altura, estava t�o apaixonada pelo Brian que...

... nem pensei nas consequ�ncias.

Na verdade, para ser franca,

mesmo quando estava gr�vida de sete meses, eu n�o acreditava que estava gr�vida.

Tive muita pena do Brian Jones.

Parece que ele era o intelectual da banda.

A NOVA SENSA��O DA INGLATERRA

Ele era... Ele fundou a banda.

CONCERTO DOS FABULOSOS ROLLING STONES

Ele decidiu sozinho que iriam deixar de ser

uma c�pia de banda de blues e passariam a ser...

S� UMA NOITE O NOVO SUCESSO DA INGLATERRA

... uma banda de rock original.

Brian conhece Anita Pallenberg na Alemanha, creio,

e rapidamente se tornam no casal sensa��o da Europa.

S�o os mais glamorosos, os mais na berra,

a mais bem vestida estrela de rock

que a Gr�-Bretanha j� teve.

S�o o modelo do casal rock and roll.

Quando o Keith Richards lhe rouba a Anita Pallenberg,

em 1967,

acho que para ele deve ter sido como perder a irm� de novo.

Est� a perder a m�e de novo.

Extremamente inseguro, por isso havia uma m�scara de bravata e empertigamento

e ele combinava com os Stones.

E rapidamente se tornou claro

que havia algo no Mick que era mais sedutor...

A aten��o estava a passar dele para o Mick.

Por isso, acho que ele se tornou extremamente invejoso.

Mas, ent�o, o seu agente, Andrew Loog Oldham, veio e disse:

"Keith e Mick, t�m de come�ar a compor can��es

porque � assim que se ganha dinheiro."

E o Brian foi posto um pouco de parte.

O seu percurso de vida e de sucesso cria diferentes press�es.

VICE-PRESIDENTE BMG

Por vezes os compositores ficam incrivelmente ricos,

e por vezes os outros membros n�o.

O segredo est� nessa divis�o.

Ele ficou profundamente magoado com isso porque tinha fundado a banda,

era a sua cria��o

e foi-lhe tirada mesmo debaixo do seu nariz.

O Brian Jones, a sua morte e a hist�ria de Brian Jones

� uma verdadeira trag�dia,

porque o afastaram da banda dele...

... e apesar...

Em termos de iconografia da banda

e do seu visual, ele continuava a ser muito importante.

H� muito que n�o contribu�a musicalmente,

e a sua morte...

Suponho que tenha havido uma certa inevitabilidade nisso.

Ser uma estrela pop � muito perigoso.

Estamos a arriscar o pesco�o.

Estamos a libertar uma grande quantidade de energia ps�quica.

O Brian Jones � um bom exemplo disso, porque se virmos...

O Mick Jagger e o Keith Richards foram crescendo no seu papel.

Se virmos o Keith no in�cio, ele parece um tot�.

Com as orelhas grandes, ele n�o era muito fixe.

Com o tempo, vemo-lo a tornar-se no Brian Jones,

porque o Brian Jones era o arqu�tipo do rebelde,

mas n�o conseguia tirar essa m�scara no final da noite.

Quando se confrontava com a rejei��o,

ele drogava-se at� cair.

Por isso, ele n�o sabia bem como desempenhar esses pap�is.

Alguns destes problemas remontam � fam�lia, � inf�ncia

e ao ambiente em que eles cresceram,

e outros remontam tamb�m

a um relacionamento abusivo que raramente � falado.

O futuro como membro dos Rolling Stones � muito incerto.

O meu objetivo de vida nunca foi ser uma estrela pop,

Eu gosto de o ser...

... com algumas reservas,

mas n�o estou realmente satisfeito.

Ele come�ou a isolar-se.

Por exemplo, quando iam em digress�o,

ele viajava separado dos outros.

Ele ficava em hot�is diferentes.

N�o interagia ou socializava com os outros colegas de banda

e dificultou muito as coisas para ele.

Os m�sicos s�o criativos, s�o almas criativas, s�o delicados,

por vezes n�o s�o capazes de dizer ou comunicar exatamente

o que querem fazer e o que sentem.

O Brian aparentemente tornou-se numa pessoa dif�cil de trabalhar.

Segundo eles... Eu acho que talvez seja mais complicado do que isso.

Eles provavelmente tiveram a sua quota-parte...

Quando estavam no est�dio, eles baixavam o volume do instrumento dele

e ele n�o dava conta.

As bandas s�o como gangues e alguns gangues t�m membros dominantes

e os artistas e as bandas t�m membros dominantes.

E isso � por vezes uma esp�cie de bullying.

Ele come�ou a beber, a consumir drogas,

foi preso algumas vezes.

Em 1969, os Stones queriam fazer uma digress�o pelos EUA.

O Brian n�o conseguiu o visto por causa das condena��es por droga.

E ent�o, eles fartaram-se dele

e por isso expulsaram-no.

Depois de gravarem o que veio a ser o �lbum Beggars Banquet,

acho que toda a situa��o se tornou insustent�vel.

Eu fiquei chocado quando ele saiu. Acho que todos os f�s ficaram chocados.

Porque quando pens�vamos nos Rolling Stones,

n�o est�vamos a pensar no Mick Jagger, nem certamente no Keith Richards,

pens�vamos no Brian Jones. Ele era a personifica��o p�blica.

Quando o Mick desenvolveu a sua personagem Mick Jagger em Performance,

era principalmente inspirada em Brian Jones com um pouco de Keith Richards.

Mas claro que o Keith Richards, se repararmos,

come�a a usar literalmente as roupas do Brian, nem sequer � metaforicamente.

Usa os mesmos cachec�is, os mesmos conjuntos e chap�us

e � estranho, porque as roupas nem sequer lhe ficam muito bem

at� que o Brian Jones � derrotado e morre.

Parece que pegaram nas melhores partes do Brian

e as assimilaram.

Ele comprou a Herdade de Cotchford, que era a casa de A. A. Milne,

o autor das hist�rias de Winnie the Pooh

e isso � revelador.

� um rapaz que tenta recuperar a sua inf�ncia.

Pela meia-noite, Jones foi nadar com a namorada sueca Anna Wohlin...

De Mick e Marianne

... e um amigo, o Sr. Frank Thorogood.

Passado uns minutos, o Sr. Thorogood e a rapariga voltaram para a casa.

Quando regressaram, viram Jones no fundo da piscina.

Se estamos surpreendidos?

Ela encontrou-o no fundo da piscina por volta da meia-noite.

Supostamente, ele tinha ido nadar

e adormeceu devido ao consumo de �lcool e drogas.

Ele ainda estava vivo quando o retiraram da piscina...

A RAPARIGA QUE TENTOU SALVAR BRIAN JONES

... mas morreu pouco depois porque ela n�o falava bem ingl�s.

Ela n�o conseguiu pedir ajuda.

Quando o levaram para o hospital, ele estava morto.

O Brian afoga-se, claro...

... na sua piscina...

Isto deveria ser o in�cio da sua nova vida.

Mas passada uma semana, os Rolling Stones est�o a atuar em Hyde Park

para pelo menos 250 mil pessoas.

E o Mick Jagger subiu ao palco e leu alguns versos do Adonais de Shelley.

"Paz, paz, ele n�o est� morto.

Ele n�o est� a dormir.

Ele despertou dos sonhos da vida.

N�s � que estamos perdidos Em vis�es turbulentas

E mantemos com os fantasmas Uma luta in�til.

E a todo o transe, Atacamos com a l�mina do nosso esp�rito."

O Mick estava obviamente a dar a entender que era o melhor amigo de Brian Jones,

apesar de nunca o ter apoiado quando estava vivo.

O Mick Jagger torna-se claramente o l�der dos Rolling Stones.

O vestido para homem Mr. Fish dele... ele estava deslumbrante.

E mesmo quando libertaram as borboletas em homenagem a Brian,

metade delas mortas porque as guardaram em caixas de cart�o.

At� esse momento como que resulta.

O concerto dos Stones em Hyde Park, � como morrer e renascer.

E o simbolismo das borboletas � muito interessante.

NASCIDO A 28 FEVEREIRO, 1942 FALECIDO A 3 JULHO, 1969 (27 ANOS)

O Hendrix era �nico...

... pois encarnava a gera��o psicad�lica dos anos 60.

Nesse sentido, ele era enigm�tico.

Quando damos conta da inf�ncia turbulenta que o Jimi teve,

o horr�vel que foi, pior do que dickensiano.

No caso de Hendrix, ele... era muito jovem

e, como se diz,

foi horrivelmente maltratado.

A m�e, que era ainda uma crian�a, teve-o aos 17 anos.

Uma rapariga das festas, � o arqu�tipo da senhora extravagante.

A m�e teve-o quando o pai combatia na II Guerra Mundial.

E depois, h� uma sucess�o.

O terceiro irm�o

tinha graves malforma��es cong�nitas

e depois as duas irm�s,

uma das quais nasce cega

e h� outro irm�o tamb�m com graves malforma��es cong�nitas.

Sup�e-se que ter� sido devido

ao consumo de drogas pela m�e durante a gravidez,

e, ent�o, a m�e desaparece.

Ele tem de cuidar do irm�o mais novo.

Foi da� que adveio a sua for�a, a sua for�a criativa.

� fascinante pensar no Jimi a passar por uma s�rie de transi��es,

do caos absoluto,

at� ao extremo oposto das restri��es

e rigidez do Ex�rcito.

E a partir da�, para uma banda de swing, onde h� uma esp�cie de organismo coletivo,

onde temos de escutar atentamente os nossos colegas m�sicos

e temos de ceder ao poder do coletivo.

Acho que o Jimi, ao contr�rio da aparente loucura da sua vida,

acho que havia grande disciplina no seu trabalho �rduo.

E todas estas pessoas que trabalharam muito arduamente

e que s�o tamb�m todos incrivelmente brilhantes.

E a partir da�, da maravilhosa experi�ncia de tocar em sintonia com pessoas,

ele parte subitamente para Inglaterra.

De certa forma, eu pergunto-me,

depois da experi�ncia de trabalhar naquelas bandas t�o exigentes,

onde se cometermos um erro �-nos deduzido do sal�rio,

se esta viagem de divers�o sozinho...

Ele era como um rapaz com um carro r�pido, ele estava a divertir-se.

Tinha um caso com uma rapariga chamada Linda Keith

que o Keith Richards achava ser sua namorada

e que at� lhe emprestou uma das guitarras dele.

O Chas Chandler tr�-lo para Inglaterra,

ele tinha-o visto no Cafe Wha, em Nova Iorque

e o resto � hist�ria.

Ele teve uma ascens�o mete�rica.

Eu fiquei um pouco surpreendido por isso,

mas n�o h� d�vida que ele acertou no zeitgeist.

Ele est� a instalar-se em Londres e descobre um mundo totalmente diferente,

onde pode subitamente assimilar todo o brilhantismo da disciplina musical

que tinha na banda de swing e encontrar uma nova forma de o exprimir.

O seu visual, a forma como tocava.

Ele era uma esp�cie de manifesta��o da m�sica underground, n�o era?

E isso... ele surgiu totalmente nesse momento, em finais de 1966.

Ol� e boa tarde.

Hoje, o Beat Club est� em Londres.

Encontro-me em Water Street, no meio do Soho.

Esta entrada deve ser bastante familiar para muitos dos nossos espectadores.

Este � o principal clube de adolescentes de Londres, o Marquee.

Eu cresci com Hendrix, ele tinha uma criatividade fenomenal

e musicalidade fluida que era suportada por algumas pessoas,

mas ele afastou-se delas e autodestruiu-se muito rapidamente...

A HIST�RIA DOS NARC�TICOS

... antes do seu auge.

Quer dizer, o seu dom art�stico continuava l�.

Diga-me Jimi, voc� fuma?

N�o.

Mas nunca havia nada...

... de convencional neste homem.

Ele tocava guitarra com os dentes.

Ele tocava guitarra sem tocar nas cordas.

Ele era um homem do espet�culo, um entertainer nato,

que queria fazer um pouco mais do que subir ao palco

e tocar m�sica, coisa que ele adorava.

Ele venerava a m�sica, mas queria exibir-se.

Jimi, dependes muito de truques?

Truques, mais uma vez.

Estou farto que digam isso. O que � isso?

O mundo n�o passa de um grande truque. Guerras, bombas de napalm e tudo isso.

Vemos pessoas queimadas na TV e n�o passa de um grande truque.

O grupo que ele re�ne para Woodstock � absolutamente fant�stico.

Ficou na Hist�ria.

� lend�rio porque ele tocou a "Star Spangled Banner"

e pensou-se que isso talvez fosse a mensagem dele para o mundo,

do orgulho que tinha em ser americano.

Na verdade, ele estava a censurar o governo americano

pelo que sucedia no Vietname.

Ele estava a dizer ao mundo, ao mundo inteiro que assistia:

"Eu odeio o meu pa�s e n�o quero que ocupemos o Vietname.

Quero que o sofrimento acabe."

Foi uma mensagem muito importante

e que ficou na Hist�ria,

e isso nunca ser� esquecido.

Talvez seja por essa raz�o que recordamos Jimi Hendrix.

O sucesso traz-nos a adora��o, o amor,

de in�meras pessoas,

de milh�es de pessoas, nos casos mais extremos.

Mas quanto mais obtemos, quantas mais pessoas nos adoram,

mais dif�cil se torna encontrar

aquela pessoa que nos ama por aquilo que somos.

Ele era um m�sico genu�no e acho que gostava realmente de tocar.

Era um guitarrista vistoso, e s� queria tocar guitarra ao m�ximo.

Com o Jimi Hendrix tivemos...

... uma desintegra��o a m�dio prazo.

T�nhamos um artista genial,

rodeado de pessoas que consumiam...

... e que agora tem dinheiro para suportar o v�cio.

E ele cai nesse mundo, na minha opini�o.

At� que aquilo que pareceria anormal para algu�m com um sal�rio b�sico,

se torna normal.

Acho que quando ele tinha, acho que foi...

... em 1968 ou 1969,

quando foi preso com hero�na na mala, ao entrar no Canad�...

... ao que parece havia...

ESTRELA POP ACUSADA

O mundo em que ele vivia em Nova Iorque estava rodeado de drogas.

HENDRIX: ABSOLVI��O FOI UM PRESENTE

Havia muito mais droga do que ele encontrara em Londres.

O Jimi tinha uma namorada chamada Monika Dannemann,

que era uma patinadora no gelo alem�.

Ela sofria de ins�nias, n�o conseguia dormir.

Receitaram-lhe uns sopor�feros bastante fortes.

O Jimi encontrou-os.

Ele tinha estado a beber, n�o conseguiu ler o r�tulo pois estava em alem�o.

Ele n�o sabia que s� pod�amos tomar metade de um comprimido,

metade de um deles.

Nessa noite, ele tomou nove.

A Experi�ncia Jimi Hendrix chegou ao fim.

O m�sico de rock psicad�lico morreu hoje num hospital de Londres,

aparentemente devido a uma overdose.

Durante a sua curta carreira, Hendrix tocou na sua guitarra el�trica

alguns dos sons mais invulgares de uma m�sica invulgar.

Fiquei em choque. Eu tinha visto Jimi Hendrix... a tocar,

todos os seus movimentos, o atr�s da cabe�a.

Ele disse: "Parece que vieram para isto."

Era um g�nio. Quem sabe que mais nos reservaria.

Mas tinha o corpo de um ser humano.

NASCIDO A 27 NOVEMBRO DE 1942 FALECIDO A 18 SETEMBRO DE 1970 (27 ANOS)

LIBERDADE J�!

Janis Joplin, uma rapariga pobre que veio de uma fam�lia normal

e que andou numa escola normal,

foi perseguida e atormentada desde os cinco anos.

Ela cresceu no Sul, em Port Arthur, Texas, nos anos 1940.

Era um estado racista e acho que ela reagiu instintivamente contra isso.

Acho que os pais eram liberais,

e � bastante prov�vel

que a intimida��o feita a Janis

se tenha devido � express�o desses ideais liberais

nesta cultura retr�grada em que vivia.

Durante a adolesc�ncia, ela come�ou a refugiar-se no �lcool.

Por isso, antes de ser artista,

ela j� usava o �lcool para se tentar tranquilizar.

Ela foi votada como o homem mais feio da sua universidade.

Eu n�o fui ao baile de finalistas e...

- Mas foi convidada, n�o foi? - N�o, n�o fui.

Eles n�o achavam...

Acho que ningu�m queria ir comigo.

Acho que a Janis Joplin era uma pessoa muito atormentada.

O seu grito primitivo era objeto de...

Sobre que gritava ela?

Ela foi para San Francisco em 1963.

E dirige-se quase de imediato � City Lights Books,

que pertencia a Lawrence Ferlinghetti, o grande poeta,

e ela adorou a experi�ncia.

A VIDA ENTRE AS RAPARIGAS HIPPIES

AMOR

E, naturalmente, deixa-se absorver pela cultura da droga.

Come�a a injetar hero�na, consumiu muita coca�na

e outras drogas psicad�licas.

Entrou na cena musical e come�ou a envolver-se com m�sicos.

Atuou em Monterey e Woodstock, de forma lament�vel.

O Pete Townsend chegou mesmo a dizer, ap�s a atua��o dela em Woodstock:

"Mesmo numa noite m�, a Janis Joplin � melhor que todos os outros."

Sabem, � apenas m�sica.

A m�sica �...

A m�sica deveria ser diferente.

Acho que quando olhamos para algu�m como a Janis Joplin...

Eu falei com pessoas que trabalharam e eram pr�ximas da Janis,

e todas dizem a mesma coisa, ou seja:

"N�s v�amos que ela estava mal e que estava com problemas,

mas naquela altura n�o se sabia o que se sabe hoje.

Ningu�m sabia ou falava sobre reabilita��o ou depend�ncia.

Olh�vamos para algu�m naquele estado e pens�vamos:

"Porque � que ela n�o bebe um pouco menos?"

"Porque � que tem de beber uma garrafa de Jack Daniels?"

"Porque � que chuta hero�na?"

"Gost�vamos de impedir isto."

Quando a Janis assinou com a editora, ela j� era claramente uma alco�lica.

O que acha que os jovens procuram hoje em dia?

Vinte e cinco palavras ou menos.

� para a r�dio.

Sinceridade e passar um bom bocado.

E est�o a encontrar isso?

N�o sei quanto a si, pap�.

Eu estou bem, ao menos passo um bom bocado.

Todas as estrelas pop...

... t�m um momento inesperado em que se encontram sozinhas.

N�o importa que tipo de s�quito temos,

subitamente estamos num quarto sozinhos e temos umas horas livres.

O que fazemos?

Se injetarmos hero�na, a transforma��o extraordin�ria na nossa fisiologia

� t�o dram�tica que somos transportados para um estado em que nos desligamos

momentaneamente do nosso miser�vel vazio interior.

Eu ficaria muito preocupado com o que estava a suceder.

Algu�m que tivesse uma depend�ncia de hero�na t�o grande como esta,

ter�amos de a parar.

Mais para o fim, como se sabe, a Janis consumiu demasiadas drogas.

� uma hist�ria tr�gica que se repete muitas vezes no Clube dos 27

ou como queiram chamar a estas pessoas.

A Janis Joplin disse certa vez que era v�tima do seu interior,

que havia demasiados sentimentos.

E muitos artistas, ou algu�m que reflete imensamente sobre a natureza art�stica,

t�m uma camada de pele em falta, eles sentem mais que os outros artistas.

Eu era...

Eu era pintora e uma esp�cie de eremita na secund�ria.

Mudei.

Ela tentou ficar s�bria. Voltou para casa.

Mudou de penteado, passou a usar roupa normal e ficou noiva de um fulano.

Mas no entanto, ela sabia que aquilo n�o era ela, aquilo n�o era a Janis.

Pobre Janis,

ela atinou.

Ela voltou �s grava��es, estava de novo em Hollywood.

Ela ficou hospedada no motel The Landmark.

O motel ficava muito pr�ximo dos est�dios de grava��o

que lhe tinham reservado

e onde ela iria ensaiar, gravar e criar um novo �lbum.

Ela estava focada nisso e decidiu...

"N�o, fico s�bria e vou para um motel. Vou afastar-me desta gente.

Assim n�o me fazem chegar drogas e vou gravar este �lbum como deve ser."

O problema era que as drogas encontravam sempre a Janis

e ela teve uma overdose de hero�na no quarto de hotel.

NASCIDA A 19 DE JANEIRO DE 1943 FALECIDA A 4 DE OUTUBRO DE 1970 (27 ANOS)

A MARIJUANA � UMA PORTA DE ENTRADA PARA A HERO�NA E OPI�CEOS

POL�CIA DE TALLAHASSEE

XERIFE LAS VEGAS, NEVADA

Sabemos que Jim Morrison se insurgia...

20 DE SETEMBRO DE 1970

... contra as autoridades militares.

O pai dele era almirante e era uma pessoa muito r�gida.

Ele achava isso extremamente claustrof�bico.

H� registos de os pais de Jim Morrison terem decidido

que n�o usariam castigos corporais, quando tivessem filhos.

Eles n�o bateriam nos filhos.

O que faziam em lugar disso, era uma descompostura militar,

que envolvia ter o pai com um dos filhos � sua frente,

a gritar com eles at� que estremecessem de vergonha,

desfeitos em l�grimas,

o que � uma outra forma de viol�ncia.

Utilizar uma personagem � muito perigoso se n�o o conseguirmos controlar,

e o Jim Morrison foi o exemplo perfeito, ao ter-se transformado num poeta.

A coisa que mais marcou Jim Morrison ter� sido

quando tinha quatro anos, creio que foi no Novo M�xico.

Eles estavam a viajar de carro com os pais e encontram...

... um cami�o capotado que transportava amer�ndios.

� uma vis�o que assombrar� Jim Morrison de forma consistente

e que surge em algumas das suas letras.

Os EUA estavam completamente divididos em dois:

as pessoas a favor da Guerra do Vietname

e pelos jovens, principalmente,

que estavam horrorizados com ela.

Por isso, os Doors, claro,

encarnaram e incorporaram essa sensa��o de protesto

e isso deve ter sido muito confuso para ele.

Na altura,

os Doors est�o a tornar-se na maior banda dos EUA.

O pai dele comandava um porta-avi�es

que bombardeava o Vietname do Norte.

Isso indicaria que o conflito era inevit�vel.

Se leram a sua biografia,

sabem que o comportamento dele

em festas ou ocasi�es sociais, era, por vezes, antissocial.

Ele tinha jeito para...

... met�foras po�ticas e imagens...

... que por vezes eram expressas numa forma comercial

e noutras vezes de forma art�stica, como "Horse Latitudes".

Mas a quest�o � que...

... uma das raz�es da sua popularidade devia-se a ele ser antissocial.

E ele era antissocial porque era infeliz.

Jim Morrison entra na Escola de Cinema da UCLA

e enquanto l� anda, descobre o LSD.

Ali�s, as primeiras can��es dos Doors foram compostas nesse per�odo.

No in�cio, os Doors eram muito drogados.

Quando era adolescente, tudo o que Jim Morrison fazia era incr�vel.

JORNALISTA E APRESENTADOR

E a sua forma de...

... sabem, os excessos niilistas,

mas � uma esp�cie de celebra��o

do insustent�vel, da forma mais impratic�vel de vivermos a nossa vida.

E...

Ent�o, eu gosto, de certa forma, por raz�es diferentes das que gostava

quando era adolescente.

Claro que as mulheres ca�am a seus p�s e o que fazem eles?

N�o v�o dizer que n�o, n�o �?

Por isso, montes de namoradas.

A certa altura, ele tinha 20 processos de paternidade pendentes.

Consumiam LSD, marijuana, �lcool,

e depois o �lcool era complementado pela hero�na.

A hero�na come�a em finais dos anos 60. � antes da ida para Paris.

Ele escapa para Paris, por uns tempos, com a namorada Pamela.

Na verdade, ele foge para Paris,

mas Paris...

... n�o � o s�tio mais indicado

se queremos superar um grave problema de drogas.

Ele mergulhou completamente no mundo da droga de Paris.

Como vimos no filme Os Incorrupt�veis Contra a Droga,

a hero�na era...

... a droga da moda em Fran�a,

e Paris era uma esp�cie de epicentro do tr�fego de hero�na europeu.

Jim Morrison descontrolou-se em Paris.

Ele parecia querer beber at� morrer,

e bastante rapidamente.

Acho que uma das coisas extraordin�rias sobre a curta carreira de Morrison

� o quanto ele mudou fisicamente.

Mas d� a sensa��o de que poder� ter sido deliberado,

talvez quisesse destruir essa sua imagem,

mas � claro que est� num estado... ele est� obviamente em depress�o.

Porque em 1966-1967, n�o h� d�vida que parte do enorme interesse pelos Doors

se devia ao facto de ele ser extraordinariamente atraente.

Um farto cabelo, muito atraente e sob todos os aspetos, muito carism�tico.

Mas na altura da sua morte, em 1971,

ele era um animal e parecia divertir-se com isso.

Ele podia percorrer os bares em Saint Germain, em Paris,

e embebedar-se literalmente at� � morte.

E morreu de overdose de hero�na,

o que foi acidental, nada mais.

NASCIDO A 8 DE DEZEMBRO DE 1943 FALECIDO A 3 DE JULHO DE 1971 (27 ANOS)

Temos Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin,

e Jim Morrison, morreram todos com tr�s anos de diferen�a de cada um.

Isto deu azo a esta mitologia do Clube dos 27,

que pode ter estado esquecida, e esteve mesmo, por uns tempos,

porque demorou muito tempo at� acontecer de novo,

quase 25 anos depois, Kurt Cobain.

Ele � a crian�a arquet�pica da sua gera��o.

Os pais est�o divorciados.

Ali�s, todos os pais dos membros dos Nirvana estavam divorciados.

Ele sentia vergonha por os pais estarem divorciados.

Ele estava zangado com eles por terem ido embora.

A m�e ficou com a cust�dia dele por uns tempos,

mas n�o o conseguia controlar e mandou-o viver com o pai,

que n�o o conseguia controlar, e por isso deixou-o aos cuidados

de familiares e amigos.

Come�ou a revoltar-se na escola.

Na fam�lia de Kurt Cobain, o suic�dio era algo normal.

Kurt Cobain veio de uma fam�lia com historial de doen�as mentais.

Dois dos seus tios suicidaram-se com armas.

Um dos seus tios-av�s tamb�m se suicidara com uma arma.

E agora sabemos que o trauma pode ser heredit�rio

e que, se n�o for tratado, poder� voltar a repetir-se.

Ele come�ou a beber em excesso quando tinha 13 anos.

Havia um velho b�bado na aldeia que costumavam subornar,

um velhote que lhes comprava bebidas.

No in�cio da adolesc�ncia, ele encontra um rapaz

na floresta, enforcado.

E ele dizia: "Eu tenho o gene do suic�dio?"

Como define a m�sica dos Nirvana?

Com um toque de lim�o.

Ora, temos um f� de m�sica muito giro, baixinho,

muito fr�gil,

que � completamente influenciado pelo punk rock

e pelos Sex Pistols, os Beatles

e os Monkees, e todo um conjunto estranho de influ�ncias musicais.

Para mim, Nevermind � brilhante.

� rock, mas � tamb�m um �lbum pop brilhante.

As can��es s�o magn�ficas.

VOCALISTA DOS THE FEELING

S�o como que m�sicas de pop de tr�s minutos perfeitas

com uma reviravolta harm�nica total,

com aquela raiva e essa energia.

� curioso que Kurt Cobain tenha gostado tanto dos Abba.

Eles criaram can��es incr�veis que eram t�o densas...

... cheias de melodia, e criaram-nas da forma mais aborrecida poss�vel,

num pequeno est�dio e seguindo um hor�rio de trabalho,

por vezes at� altas horas.

Acho que o Kurt j� consumia hero�na h� muito tempo.

Acho que consumia antes do sucesso dos Nirvana.

Como esperava, antes de come�ar a consumir hero�na,

eu percebi que...

Soube desde o in�cio que se tornaria t�o aborrecida

quanto a marijuana.

Como todas as drogas, passados uns meses, � t�o aborrecido como respirar ar.

Todos os artistas, para se sustentarem, t�m de passar um teste preliminar.

O desafio de Kurt Cobain teria sido a mudan�a

de um tipo de m�sica crua e incrivelmente cat�rtica que ele criava.

Os Nirvana criavam sofrimento euf�rico

e cantavam-no para o mundo, que acompanhava.

AUTOR

Kurt Cobain mudou a forma como a harmonia resultava no rock,

mais ningu�m fazia isso,

ningu�m usava aqueles acordes e aquelas sequ�ncias fant�sticas

que eram t�o originais.

E de alguma forma, ele tinha a habilidade mel�dica

de dar sentido a sequ�ncias verdadeiramente dissonantes.

O sucesso, o sucesso material, de que os Nirvana desfrutavam

permitiu-lhe certamente destruir em grande escala,

tanto ele pr�prio e...

... em termos de destrui��o cultural.

Perguntei-lhe que expectativas tinha para a pr�xima d�cada

e ele disse: "Quero adulterar todas as formas de m�sica popular

que j� existiram."

Ele era muito ambivalente sobre o seu estatuto

e � medida que ficava mais famoso,

mais tentava neutralizar a sua culpa,

sobre ser uma esp�cie de estrela rock corporativa.

Era uma pessoa muito contradit�ria.

Ele queria as duas coisas.

Queria ser rico e famoso, queria ter sucesso,

mas tamb�m queria dar a entender que ele n�o tinha nada a ver com isso.

Ele queria manter a credibilidade na comunidade art�stica de que adveio.

O punk rock devia ser liberdade.

Gostar e aceitar tudo o que gostas,

e tocar tudo aquilo que queiras, da maneira que quiseres.

Desde que seja bom e tenha paix�o.

In Utero, o �ltimo �lbum dos Nirvana,

que foi produzido por Steve Albini,

e Steve Albini � o produtor que queremos ao nosso lado

se queremos provar ao mundo que j� n�o somos uma pega corporativa.

Ele envolve-se com Courtney Love, que � uma mulher muito inteligente...

� diferente, que lida com os seus pr�prios dem�nios.

Mas ela tenta mant�-lo s�brio.

Ele esfor�ou-se por ser um bom pai,

tentou reabilitar-se, mas n�o conseguiu.

Ele volta para...

... Seattle, � zona onde se arranja hero�na e prostitutas

e o Kurt adorava esse mundo.

Hoje, a not�cia de uma morte precoce.

Kurt Cobain era o vocalista da banda Nirvana.

Os seus �lbuns eram best-sellers,

e as suas m�sicas cheias de imagens de desespero e viol�ncia.

Uma letra: "O sol p�s-se, mas eu tenho uma luz,

o dia acabou, mas estou a divertir-me."

Mas esta manh�, o seu corpo foi encontrado em casa,

mais uma v�tima do sucesso.

Ele n�o conseguia lidar com isso porque n�o estava preparado.

Ele n�o tinha qualquer pilar, n�o havia sistema de suporte.

A sua namorada era... a sua esposa... Ela era t�o viciada quanto ele.

N�o havia nada a que se pudesse agarrar, n�o havia qualquer liga��o.

N�o havia qualquer termo de compara��o.

� evidente que este homem morreu devido a um disparo na cabe�a.

PORTA-VOZ DA POL�CIA

Foi deixado um bilhete de suic�dio dentro de casa.

Fiquei chocado quando vi a primeira p�gina

do The Independent, a relatar a morte de Kurt Cobain.

Porque fiquei chocado? Porque estava na primeira p�gina.

Ele s� teve um grande �xito,

mas...

... ele tornara-se numa pessoa tot�mica.

Um s�mbolo t�o grande da sua gera��o,

que para estas pessoas

n�o importava

que ele s� tivesse um �lbum de sucesso.

Eu admirava-o e gosto muito dos Nirvana,

e acho que � uma pena que ele se tenha matado.

Est�o todos muito transtornados com isso e � um choque.

N�o compreendemos, n�o acreditamos que aconteceu, � inacredit�vel.

Kurt Cobain inventou um novo estilo de tocar guitarra.

As invers�es da guitarra nos acordes s�o brilhantes.

E foi quase t�o influente quanto os Stones ou os Beatles em muitos aspetos.

Fiquei espantado pois estava habituado a pessoas terem impacto quando morriam.

Pessoas com grandes �xitos, de Bing Crosby a Elvis Presley.

Mas n�o, esta foi a prova definitiva de que a m�sica pop

tinha chegado � fase em que pod�amos ter

um �lbum de sucesso...

... e as pessoas iriam tratar-nos da mesma forma que tratariam algu�m

que tinha dez anos de �xitos.

E a Wendy, a m�e dele, quando ele morreu,

ela deu uma entrevista a um jornal local e disse:

"Ele morreu e juntou-se �quele clube est�pido.

Eu disse-lhe para n�o o fazer."

E julgou-se que se referia ao Clube dos 27,

mas na verdade, ela estava a referir-se aos tios que se tinham suicidado.

Ent�o, a imprensa interessou-se por isto

e o mito � volta do Clube dos 27 voltou a explodir de novo.

NASCIDO A 20 DE FEVEREIRO, 1967 FALECIDO A 5 DE ABRIL, 1994 (27 ANOS)

A pessoa...

... que uma editora tentou salvar e n�o conseguiu, foi Amy Winehouse.

Porque sabemos que Lucian Grange falou com ela e a mandou

para as �ndias Ocidentais, para atinar.

As pessoas falavam sobre os problemas da Amy...

AUTOR

... e sei que o chefe da Island Records estava a pensar:

"N�s despedimo-la, s� at� ela ficar s�bria.

Mas ela era enorme, Back to Black vendeu milh�es.

V�o despedir o vosso maior talento?

Se arranharmos a superf�cie de toda a ret�rica do:

"N�s queremos ajudar o nosso artista, n�o queremos que fique infeliz

ou viciado em drogas..."

Acho que vamos descobrir

que h� um certo investimento no caos.

H� um certo investimento na narrativa do acidente de via��o.

Medicamentos! N�o, o que me deixa louca?

O �lcool n�o me trata muito bem. Sou uma p�ssima b�bada.

Sou uma b�bada muito horr�vel.

Ela era fascinante porque estava a implodir.

Quando ela subiu ao palco com o microfone em frente a 50 mil pessoas,

no Festival da Ilha de Wight, ela estava exposta, estava d�bil

e foi fant�stica por causa dos diferentes contextos emocionais

por que passou durante a vida.

A dor que Amy sofria, quer tenha sido dos problemas alco�licos,

das drogas, das quest�es ambientais,

quaisquer que tenham sido os problemas naquele dia ou quando atuava,

era isso que a tornava genial.

Amy era a menina dos olhos do pai. O pai Mitch era taxista,

a fam�lia judaica do leste de Londres, a m�e era farmac�utica.

A ang�stia de Amy prov�m de quando os pais se divorciaram,

porque t�nhamos uma rapariguinha alegre

a ouvir os discos do pai, e o pai pegava nela,

e era tamb�m muito chegada � av�.

Era uma ador�vel fam�lia judaica, sem qualquer tipo de preocupa��o.

Ela adorava o pai, mas o pai tra�a a m�e.

Logo, deve ser culpa da Amy.

Para ela, tudo isto tinha sido

por algo que ela fizera de errado.

N�o houve combust�o lenta com a Amy, ela explodiu completamente.

PRODUTOR DISCOGR�FICO

De vez em quando, surge uma Amy Winehouse, que � realmente talentosa.

Quando edita o Back to Black, em 2006, ela tinha encontrado a sua voz.

Ela estava zangada, estava a reagir,

ela sabia que tinha de odiar o pai, pelo que ele estava a fazer � m�e.

Naquela altura, ela � conhecida por umas quantas m�sicas.

E n�o h� d�vida de que tinha...

... uma personalidade dependente.

Come�a com o �lcool, depois passa � erva,

e depois para a coca�na.

Ela est� a sofrer, est� magoada, � vis�vel em todas as suas m�sicas,

mas ela tem orgulho da sua gera��o e da sua cultura.

Ela gosta mesmo de sair e perder a cabe�a.

Ela emaranha o cabelo num horr�vel coque de colmeia,

faz tatuagens.

Ela revelava todos os sinais de autoagress�o

e isso n�o � mais do que autorrepulsa.

Os muito publicitados problemas por detr�s da tr�gica morte prematura

de Amy Winehouse fizeram com que toda a gente parasse

e pensasse: "Certo, temos mesmo de fazer mais."

O n�vel de escrut�nio p�blico a que ela foi sujeita,

acho que foi in�dito e por vezes esquecemo-nos disso.

Portanto, h� como que uma morte por cultura de celebridade.

Aquilo que distinguia a vida de Amy

era o facto de ela estar a fazer tudo isto na era da informa��o.

Por isso, cada suspiro,

cada droga com que teve uma overdose,

cada garrafa de vinho que bebia,

aparecia em todas as capas de jornais e em blogues. Ela nunca teve hip�tese.

Passei tempos muito complicados

quando comecei a lidar com a imprensa.

Tive uma rela��o muito m� com a imprensa durante muito tempo.

E como tenho Asperger, v�rias vezes dizia as coisas erradas � hora errada

e n�o tinha no��o disso.

Foi tudo um pesadelo durante largos anos.

Porque quando nos expomos, n�o h� volta a dar.

N�o h� fuga poss�vel, ou somos esta pessoa...

N�o h� qualquer aura de mist�rio,

h� c�maras por toda a parte.

O concerto em Belgrado, cujo v�deo se tornou viral,

foi a� que toda a gente percebeu que isto era um desastre.

Por isso, quem? Se s�o os pais dela, se supostamente s�o amigos dela,

deixariam a vossa filha subir �quele palco?

Eu... apresentei os pr�mios Ivo Novello durante 29 anos.

O acontecimento mais triste nesses 29 anos,

foi assistir � deteriora��o de Amy Winehouse, que ganhou tr�s vezes seguida.

No primeiro ano, ela sobe ao palco e � ousada e jovem

e � tudo t�o empolgante.

� como esperamos que uma estrela pop reaja

ao ser honrada pelos pares, os seus colegas.

No segundo ano, quando sobe ao palco, ela est� um pouco �bria

n�o est� bem em si, mas sim, continua feliz.

No terceiro ano,

anunciam o nome dela, mas ela n�o estava l�.

Isto � uma entrega de pr�mios � hora de almo�o.

Teriam anunciado o nome dela por volta das 14h30,

mas ela ainda n�o estava em condi��es.

Ela pode n�o ter estado no almo�o faustoso,

mas as aten��es est�o viradas para Amy Winehouse que lidera

com umas impressionantes tr�s nomea��es.

E pensei: "Bolas, se est�s t�o mal que nem te consegues levantar �s 14h30,

est�s num grande sarilho."

E pensei: "Meu Deus, se ningu�m parar com isto, acabou-se."

N�o sei o que fa�o aqui, mas infelizmente a Amy

n�o p�de vir, mas est� a melhorar.

E ela disse ao pai:

"Tenho de me afastar disto, preciso de umas f�rias.

Podemos ir de f�rias, s� n�s os dois, pai?"

E ele disse: "Sim, vamos para as Cara�bas."

E reservaram f�rias s� para os dois.

Ele levou uma equipa de filmagem e ela ficou chocada quando os viu.

Ele apareceu com uma equipa de filmagem.

Ela disse: "Que fazem eles aqui?

E ele disse: "Achei que pod�amos fazer uma esp�cie de...

... 'De F�rias com a Amy'."

Ela diz: "Mas n�o era isso que eu queria, eu queria afastar-me disto,

eu s� queria passar tempo contigo."

E mesmo de f�rias, ela nunca teve esse tempo.

Acho que quando a Amy chegou �quele estado

onde todos podiam ver como estava,

bastava apenas algu�m ter intervindo.

Ela foi abandonada pela fam�lia,

pelas pessoas � sua volta, provavelmente tamb�m pela editora,

e n�o parecia ser muito boa a tomar boas decis�es.

Acho que passou por entre as malhas da rede.

Amy apresentava uma taxa de �lcool cinco vezes superior ao limite quando morreu,

como registou a m�dica-legista no seu veredito de morte acidental.

Acho que o pai dela, o Mitch, teve alguma responsabilidade

porque ele estava...

� como se quisesse lan�ar a sua carreira

�s custas de Amy, o que acabou por fazer.

Em vez de olhar para estas imagens da filha,

com os sapatos de bal� ensanguentados,

e a constante autoagress�o, e pensar: "A Amy precisa de mim,

devo-lhe isso, sou pai dela. Tenho de a salvar disto."

E o que � que ele faz?

Come�a uma carreira musical.

Decide concretizar o seu sonho de vida de ser uma esp�cie de Frank Sinatra.

Ela deveria ter algu�m que a mantivesse afastada da tenta��o,

mas ent�o, dava por si sozinha no quarto com o telem�vel.

Ela tinha um casamento estranho,

talvez n�o fosse um casamento, ningu�m sabe ao certo como era a rela��o.

O que podemos aprender com a deteriora��o de Amy Winehouse?

Bom, que � dif�cil impedir algu�m

que est� em espiral descendente,

pois n�o podemos controlar o seu cora��o,

a sua mente,

as emo��es s�o deles mesmos.

Antes de fazer 28 anos,

ela envenenou-se com �lcool e morreu.

Mas os seus velhos amigos e a editora

n�o foram capazes de impedir a deteriora��o de algu�m

que subitamente podia suportar todos os seus v�cios.

Porque � que ningu�m cuidava dela?

Ela tinha um vigilante, porque n�o havia ningu�m a controlar o que ela consumia?

N�o h� ningu�m que olhe por eles.

Porque � que ningu�m olhava por eles?

A Amy tinha o guarda-costas � porta do quarto...

... e ela l� dentro a morrer.

NASCIDA A 14 DE SETEMBRO DE 1983 FALECIDA A 23 DE JULHO DE 2011 (27 ANOS)

Eu n�o alinho na teoria da conspira��o.

A "ind�stria",

como se fossem deuses de Valhalla, sentados numa mesa de banquetes a dizer:

"Quem est� completamente marado?"

Eu acho que sempre assentei a minha autoestima na ideia

de ter algum tipo de sucesso musical,

que me validaria como pessoa

se fosse amado por muitas pessoas.

Aos 21 anos, limitava-me a acordar, a compor can��es,

a refletir, a sonhar acordado, e depois ia dormir.

Era essa a minha vida.

H� algo de fenomenal quando se est� nas tintas

porque assim s� criamos, fazemos s� o que...

... brincamos como uma crian�a.

N�o estamos inibidos.

E depois, a bolha vai ficando cada vez mais pequena,

pois h� mais pessoas � nossa volta.

O que fazemos d� dinheiro.

E quando h� dinheiro, todos t�m uma opini�o.

Quando um humano se torna...

... numa fonte de lucro,

uma m�quina de fazer dinheiro...

20 DE SETEMBRO DE 1970

... a maioria das pessoas que o rodeiam, salvo um verdadeiro amigo,

ir�o atender a todos os seus caprichos.

O consumo de droga n�o acaba no artista, por vezes vem da editora para o artista.

Sinceramente, acho que algumas pessoas

da ind�stria sofrem dos mesmos efeitos.

Temos de criar la�os com os artistas,

criar uma liga��o com eles

antes de lhes dizermos o que devem fazer.

Uma das coisas que costumo fazer � dizer:

"Eu receito-te isto, ou ainda compras porcaria

ou de forma ilegal da internet."

Portanto, procuro garantir estabilidade, mantendo simultaneamente a minha licen�a.

Obviamente, como agente, eu por vezes

encorajei as pessoas a fazerem o que achei que era melhor para as suas carreiras.

Mas ser� que era melhor para a carreira ou para a minha carteira?

H� essa linha no comercialismo, n�o �?

� essa linha

e para mim, est� bem definida.

O que a ind�stria define como sucesso...

VOCALISTA DOS YEARS AND YEARS

... � vender �lbuns, que � o que todos queremos.

Mas manter um certo n�vel de relev�ncia cultural,

de passarmos na r�dio e vendermos �lbuns,

em �ltima an�lise, acho que � inating�vel.

A fama � traum�tica porque muita gente acha que a querem

e quando ela nos aparece � frente,

� algo muito dif�cil de lidar.

Tendo visto o que vi, obviamente que n�o queria ser uma estrela.

� uma exist�ncia muito fr�gil e ef�mera.

Pode ser divertida por uns tempos, mas rapidamente perdemos a alma.

N�o cabe � ind�stria musical ser assistente social,

mas como as circunst�ncias o demonstram, a ind�stria musical � um potenciador.

Acho que a ind�stria tem uma responsabilidade.

Quando trabalhamos com jovens talentos, temos uma responsabilidade.

Como ind�stria, gastamos imenso dinheiro. Investimos muito nestes artistas.

Por isso, se vou investir 300, 400 ou 500 mil libras,

podendo por vezes chegar a 1,5 milh�es de libras,

at� come�armos a reaver o dinheiro, � um grande investimento.

Eu quero saber se o artista em quem investi � s�lido.

J� vi artistas numa sala a chorar porque foram despedidos,

e quando passei, pensei: "Que fa�o, porra?"

� um artista. Ningu�m os conforta, ningu�m faz isso.

� para vermos como o mundo est� horr�vel.

Se v�o ficar-lhes com o dinheiro,

eles n�o v�o d�-lo de gra�a, n�o s�o uma caridade,

v�o querer algo em troca.

Cada vez h� menos artistas e cada vez h� menos artistas que ganham muito dinheiro.

Na minha maneira de ver...

... o arco narrativo da era do rock est� prestes a chegar ao fim.

A �poca em que as editoras descobriam artistas desconhecidos...

... e os moldavam, essa forma de agir j� passou.

Claro que ningu�m quer magoar ningu�m, n�o � algo deliberado,

mas eles s�o mat�rias-primas e bens para estas companhias.

Penso ser razo�vel esperar que eles tenham um dever fiduci�rio.

N�o penso que seja razo�vel esperar que eles tenham um dever moral.

De um modo geral, acho que falta algo aos artistas.

A ind�stria sabe que a �nica forma de os manterem ativos

� dar-lhes o que querem.

"O futuro � incerto, mas o fim est� sempre pr�ximo."

Legendas: Nuno Oliveira

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